Serial Killers: O Canibal de Milwaukee

Canibalismo “O ato de comer carne humana, praticado por culturas ancestrais e durante alguns períodos de extrema escassez, representa a concretização de fantasias sexuais sádicas que indicam problemas na...
Serial Killers - O Canibal de Milwaukee

Serial killers - O Canibal de Milwaukee - CapaO Canibal de Milwaukee

Canibalismo

“O ato de comer carne humana, praticado por culturas ancestrais e durante alguns períodos de extrema escassez, representa a concretização de fantasias sexuais sádicas que indicam problemas na constituição da identidade. A antropofagia (canibalismo) é um componente habitual das relações afetivas e sexuais. Os atos de beijar, morder e chupar fazem parte do repertório das carícias trocadas entre pais e filhos. Entre casais, expressa proximidade emocional e desejo de ter o outro, simbolicamente ‘dentro de si’. Esse desejo erótico de incorporar a pessoa amada transparece quando se diz que alguém é “gostoso” ou que quer “comer” o outro. A fantasia de devorar ou ser devorado também está presente em diversas fábulas e brincadeiras de crianças e adultos. Quando o canibalismo se converte em crime sexual, no entanto, raiva e agressividade são dois componentes quase sempre presentes.”

[Nahlah Saimeh, médica especialista em medicina legal e diretora do Centro de Pesquisa Forense de Vestfália, Alemanha]

Parafilia

“Parafilia são transtornos da sexualidade antigamente conhecidas como perversões sexuais. O DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) fala das parafilias como uma sexualidade caracterizada por impulsos sexuais muito intensos e recorrentes, por fantasias e/ou comportamentos não convencionais, capazes de criar alterações desfavoráveis na vida familiar, ocupacional e social da pessoa por seu caráter compulsivo.”

[Ilídia Piairo de Abreu, psicóloga e professora na Universidade Lusíada do Porto, Portugal]

Algumas parafilias são inofensivas e até bem conhecidas na sociedade, como a podolatria (pessoas que tem atração sexual pelos pés dos parceiros). A psiquiatria forense se interessa, predominantemente, pelas formas graves de parafilias que incluem, dentre outros:

Exibicionismo: é o ato de exibir seus genitais a outra pessoa em local público, resultando na excitação e/ou prazer sexual do exibicionista, que pode vir a se masturbar e ter orgasmos.

Pedofilia: é o desvio sexual caracterizado pela atração por crianças, envolvendo pensamentos e fantasias eróticas ou atividade sexual com menores de 13 anos. Em geral o ato pedofílico consiste em toques, carícias genitais e sexo oral.

Masoquismo e Sadismo Sexual: o masoquismo se caracteriza pela necessidade da submissão ao sofrimento, físico ou emocional, para obter prazer sexual. E o sadismo se trata da necessidade de infligir sofrimento (físico ou emocional), obtendo-se excitação e prazer sexual.

Existem outras formas muito mais graves de parafilia como a necrofilia, caracterizada pela excitação sexual através da visão ou do contato com um cadáver.

O Imperador e o assassino dos gêmeos

Em 1983 chegava aos cinemas do mundo inteiro o terceiro filme da mega, ultra, hiper, SUPER SAGA Star Wars. Eu não preciso dizer que Star Wars foi um dos filmes que maior impactaram a cultura pop ocidental (principalmente a norte-americana). Não foi uma mudança apenas cultural; Star Wars impactou no cinema de um modo geral. Os filmes de ficção científica não seriam os mesmos depois do lançamento do primeiro filme em 1977. Já viu E.T. O Extraterrestre? E O Parque dos Dinossauros? Matrix? Avatar? Esses filmes só existem porque em 1977 Star Wars tornou-se o primeiro “arrasa-quarteirão” da história, inaugurando a era dos blockbusters de verão. Pomposidade e marketing seriam as palavras-chave para os novos filmes de ficção científica. Antes de Star Wars, os efeitos especiais estavam estagnados desde os anos 50; a partir dele, o cinema experimentou uma revolução. A cada novo blockbuster novas técnicas eram inventadas e usadas levando os espectadores a mergulhar em um mundo de entretenimento sem limites. Até mesmo as narrativas e a estética dos filmes de Hollywood mudaram a partir de Star Wars.

Mas voltando a 1983, o terceiro filme da saga enchia os cinemas do mundo e nada mais interessante em Star Wars do que o vilão. Sejamos sinceros, o melhor dos filmes é os vilões. O que seria dos mocinhos sem os vilões? Para mim, o mais importante e o mais interessante nos filmes são sempre os vilões (imaginem assistir qualquer filme do Batman sem nenhum vilão? Arghhh!!!). E Star Wars tem um dos vilões mais conhecidos da história do cinema: o Imperador Palpatine.

Na foto: Imperador Palpatine. O vilão supremo de Star Wars, o Imperador Palpatine, representa o mal eterno. É corrupto, manipulador e muito poderoso. Mantém todos ao seu redor com sua fala calma e mansa. É o Sr. todo poderoso que aceita Anakin Skywalker como seu aprendiz, fazendo de Anakin o maléfico Darth Vader. Seus olhos amarelados são um indício do uso extremo que Palpatine faz do oculto.

Sete anos depois da estréia de O Retorno de Jedi, outro personagem de olhos amarelos chamou a atenção na grande telona.

Na foto: The Gemini Killer (O Assassino dos Gêmeos).

Em 1990, um ótimo filme de horror psicológico com cenas assustadoras invadia as salas dos cinemas: era O Exorcista III. O filme é uma continuação do filme original de 1973 (O Exorcista) e se passa 15 anos após os acontecimentos em Georgetown. Em O Exorcista III, uma onda de assassinatos em série assola Georgetown. Os crimes parecem ter motivação satânica e as evidências e o modus operandi levam a apenas um homem: o Assassino dos Gêmeos, um serial killer que havia sido executado 15 anos antes, no mesmo dia em que o padre Damien Karras exorcizou Regan (a garotinha possuída do primeiro filme). O rastro de evidências leva o detetive do caso até a ala psiquiátrica de um hospital. Lá ele encontra um homem que aparenta ser um amigo de longa data: ele mesmo, o Padre Damien Karras (que no filme original, O Exorcista, morre na famosa cena em que ele pula da janela e rola pelas escadas). Pode ser o corpo de Karras, mas a mente é possuída por um maligno espírito que parece saber tudo sobre os assassinatos e, de alguma forma, pode ser o responsável pelos crimes.

O que esses dois personagens, O Imperador Palpatine e O Assassino dos Gêmeos, teriam em comum? Os olhos amarelos, é claro! Sim, realmente, mas mais do que isso. Eles representam o mal, a corrupção, o poder, o controle. Ambos usam de poderes especiais para controlar aqueles que estão à sua volta. O Imperador tem o poder de controlar pessoas manipulando-as com sua voz, sua calma e com a sua natural posição, já o Assassino dos Gêmeos tem a capacidade de criar ilusões, fazendo as pessoas sofrerem. Ambos são poderosos.

Um ano depois de O Assassino dos Gêmeos assustar platéias pelo mundo afora com sua voz espantosa e seus olhos amarelos, outro serial killer espantaria o mundo.

Em fevereiro de 1991, o mundo ficava assustado e ao mesmo tempo aplaudia de pé um serial killer que chegava para fazer história. Frio, persuasivo e mortal. Um psicopata com QI altíssimo que conseguia fazer com que pessoas engolissem a própria língua apenas de conversar com ele. Um psicopata que convencia alguém a se autoflagelar até a morte utilizando apenas a sua conversa. Alguns já devem saber de quem estou falando.

O Dr. Hannibal “The Cannibal” Lecter.

Na foto: O Dr. Hannibal Lecter. O personagem Hannibal Lecter, interpretado brilhantemente pelo ator Anthony Hopkins, assustou platéias no mundo inteiro quando o filme "O Silêncio dos Inocentes" estreou nos cinemas em 14 de fevereiro de 1991.

A inesquecível perfomance de Hopkins transformou o personagem em um ícone pop. O personagem de Hokpkins, Hannibal Lecter, era um psicopata clássico. Muito inteligente, articulado e manipulador, transformou-se em um serial killer que comia partes de suas vítimas. Como um bom psicopata, usava de uma máscara para se proteger da sociedade, era visto como um cavalheiro, um homem fino e gentil. Tão gentil que convidava a alta sociedade da cidade de Maryland em Baltimore para jantares em sua bela mansão. O que os convidados não sabiam é que os pratos principais eram os órgãos internos das vítimas de Hannibal. Em uma ocasião, serviu o fígado de um flautista da Orquestra Filarmônica de Baltimore em um jantar para os diretores da Orquestra. Para acompanhar a iguaria, um belo vinho Chianti. Em O Silêncio dos Inocentes ele já aparece preso e com o apelido de Hannibal, o Canibal.

Naquele fevereiro de 1991, Hollywood e o mundo ficavam maravilhados com um filme repulsivo, mas ao mesmo tempo brilhante. Para a maioria das pessoas, aquela história era do tipo que só poderia acontecer no cinema. Mero engano. Naquele fevereiro de 1991, a história não estava sendo escrita apenas no cinema. Ela também escrevia suas linhas na vida real. Enquanto Los Angeles era sacudida por um filme que entraria para a história, do outro lado do país, um outro acontecimento, invisível aos olhos do mundo, faria com que, meses depois, todos se lembrassem do Dr. Hannibal Lecter. Entretanto, esse acontecimento não estava nas telas do cinema.

Em fevereiro de 1991, na cidade de Milwaukee, estado de Wisconsin, um adolescente sumia sem deixar vestígios. Sua mãe foi até a polícia, levou fotos do filho em canais de TV, mas tudo em vão. Tal qual o filme, o desfecho do desaparecimento de Curtis Straughter em Milwaukee chocaria o mundo. Mas, enquanto o filme chocou pela qualidade extrema com que foi conduzido pelas lentes da sétima arte, o desaparecimento de Curtis Straughter chocaria por um ingrediente não muito agradável, retratado no filme, mas que muitos achavam ser apenas ficção.

Foto: o adolescente Curtis Straughter desapareceu misteriosamente em fevereiro de 1991.

A história que vocês lerão a seguir é a história de um assassino em série que, por mais estranho que pareça, não gostava e não tinha prazer no ato de matar. Isso mesmo: um serial killer que  não gostava de matar. Estranho, não? Ele não gostava de matar mas ele TINHA que matar. Como grande parte dos assassinos em série, ele foi pego por acaso, por um descuido. Mas a carnificina praticada por ele já tinha entrado para a história. Diferente do filme O Silêncio dos Inocentes, os crimes praticados por ele aterrorizaram e ao mesmo tempo intrigaram o mundo inteiro por um simples fato: eles não eram fictícios. Os crimes cometidos por ele não estavam na tela do cinema. Os crimes cometidos por esse serial killer eram reais. Muito reais.

Conheça a história do homem que se converteu num dos mais famosos assassinos da história. Um homem que colocou psiquiatras de todo o mundo em rota de choque. Um homem do qual o próprio pai disse ter nascido “sem a consciência”.

Conheçam uma história que vocês nunca mais irão esquecer.

Wisconsin. Estados Unidos

Milwaukee é a maior cidade do estado norte-americano do Wisconsin, considerado o “Celeiro da América”, um lugar basicamente rural onde predominam plantações e fazendas de criação de gado.

Em 1920, Milwaukee serviu de abrigo para Al Capone, o notório gângster de Chicago, que beneficiou-se da proximidade entre as duas cidades e comprou uma casa no subúrbio de Milwaukee, em Brookfield. Devido ao grande povoamento de imigrantes germânicos na cidade a partir de 1850, Milwaukee transformou-se na capital da cerveja nos Estados Unidos e chegou a ter as quatro maiores cervejarias do mundo: Schlitz, Blatz, Pabst e Miller. Esse desenvolvimento da indústria da cerveja abriu milhares de postos de trabalhos na cidade que experimentou um desenvolvimento gigantesco na primeira metade do século 20. Pessoas de todo o mundo iam para Milwaukee em busca de trabalho, principalmente imigrantes africanos e asiáticos. Mas não era apenas a indústria da cerveja que crescia na cidade. Devido ao fácil acesso ao Lago Michigan, Milwaukee historicamente viu crescer uma imensa indústria que ia desde a fabricação de navios até o plantio, processamento e exportação de  trigo e cevada (a matéria-prima da cerveja!).

Milwaukee é uma cidade muito bonita. Assim como Cleveland, em Ohio, é abençoada por ser banhada por um dos grandes lagos da América do Norte, o lago Michigan, oferecendo à cidade a oportunidade de ser visitada por milhares de turistas durante o ano para prática de windsurf e outras modalidades aquáticas.

Na foto: A belíssima cidade de Milwaukee. Na imagem pode ser visto o Museu de Arte de Milwaukee.

A cidade de Milwaukee respira cultura, com seus diversos museus e espetáculos de artes, música e dança. O maior festival de música do planeta acontece todos os anos na cidade e atrai milhares de turistas do mundo inteiro. O Summerfest ocorre durante 11 dias no verão americano e é bastante eclético, com diversos tipos de atrações musicais que vão da música gospel ao heavy metal.

Milwaukee

George Walker foi um cara qualquer que chegou em Milwaukee em 1833. Trabalhou como comerciante de peles de animais e em outros estabelecimentos na Vila de Juneau. (Naquela época Milwaukee era cercada de vilas que posteriormente foram sendo incorporadas à cidade devido ao seu crescimento).

Em 1849, comprou um pouco de terras e construiu sua casa e um armazém. Com o passar dos anos, George viu seu armazém crescer e tornou-se um influente empresário e líder político na região. Tão influente que foi eleito prefeito de Milwaukee em duas ocasiões (1851 e 1853). A região em torno do armazém de George desenvolveu-se tão rapidamente que passou a ser chamada de Walker’s Point (O Ponto do Walker) e nos anos 1850 foi incorporada à cidade de Milwaukee.

Entrando no século 20, Walker’s Point perdeu a aparência de ponto de negócios e foi transformada em um bairro de moradia para trabalhadores das indústrias, a classe menos favorecida do desenvolvimento da cidade de Milwaukee. Foi um bairro que passou por invasões de descendentes de imigrantes africanos que vieram para a América em busca de uma vida melhor.

Nos anos de 1950 e 1960, o bairro tornaria-se a Meca Gay de Milwaukee. Várias casas noturnas e saunas surgiram nesse período para acomodar um grande número de homossexuais, drag-queens, travestis e etc. O apogeu da alegria gay em Walker’s Point aconteceu nos anos 70. Boates cheias, shows de strippers masculinos e drag-queens, concursos de beleza masculina. Posso dizer que a vida gay em Walker’s Point nos anos 70 era muito movimentada. 

Na foto: Concurso realizado em dezembro de 1975 para eleger o Mr. Club Milwaukee de 1976. O Club Milwaukee foi o mais famoso clube gay de Milwaukee nos anos 70. Parecia também ser o mais movimentado.

Durante a década de 1990, o movimento gay em Walker’s Point foi entrando em puro declínio. A intensa atividade de boates e bares gays foi perdendo seu brilho, principalmente devido à especulação imobiliária. Grandes condomínios familiares e prédios de galerias de arte surgiram, tornando o local bastante populoso. Essa nova vizinhança constrastava com o ar boêmio e gay do lugar e, com o passar dos anos, os frequentadores foram desaparecendo até fazer com que a maioria das boates fechassem suas portas.

Hoje, Walker’s Point é conhecido como o bairro que possui a Galeria de Artes de Milwaukee. É um bairro que respira arte.

Club 219 – A Boate dos Strippers

O Club 219 foi originalmente inaugurado com o nome de Gary, depois sendo renomeado Circus Circus e, em fevereiro de 1981, batizado de Club 219. Imediatamente tornou-se a casa mais explosiva e famosa de Walker’s Point. A reputação estelar da casa foi construída com uma combinação de música alta, luzes brilhantes e exageradas, e muita, muita energia, dança e festa. Era a boate preferida do público GLS para as festas de Réveillon nos anos 80 e tinha performances regulares de drag-queens e strippers masculinos.

Ostentou sua fama de melhor boate gay até 1984, quando foi aberto o La Cage. O La Cage tomou de assalto a cena gay de Milwaukee, deixando o Club 219 como segunda melhor opção da área. Com a abertura do La Cage, a área (cerca de 8 quarteirões) tornou-se parada obrigatória para o público GLS da cidade.

Na foto: Vista frontal do Club 219 em 1991. Créditos da imagem: A&E Biography.

Na foto: A pista de dança do Club 219 em Walker's Point

Em 1991 ganhou fama internacional por um fato que você ainda descobrirá ao ler esse post. No decorrer dos anos 90, o Club 219 foi sendo engolido por novos e inovadores bares que surgiam na região. Como tudo na vida há um fim, o Club 219 fechou suas portas em outubro de 2005. A popularidade de 20 anos antes já não mais existia, e nem mesmo as promoções feitas nas noites de sábado poderiam ajudar a boate. O Club 219 ficou apenas na memória do público de maioria masculina que frequentava um dos melhores e mais alternativos points gays de Milwaukee.

*Clique na imagem para ampliar: Na foto: Fachada do Club 219 em maio de 2009. O Club 219 fica na 219 South 2nd Street em Walker's Point. Créditos da foto: Google Street View.

*Clique na imagem para ampliar: Na foto: Club 219, na 219 South 2nd Street em Walker's Point. Durante mais de 30 anos esse local foi um dos maiores points gays de Walker' Point. Créditos da foto: Google Street View.

A Casa de Josie Carter

O The Phoenix era outra popular casa de Walker’s Point. Ficava em uma quadra com dezenas de boates gays, entre elas o Club 219, o Cest La Vie e o BallGame. Possuía uma ativa pista de dança com um repertório baseado na alegria da disco, uma herança da casa vinda desde os anos 70, e uma atmosfera muito festiva onde gays, lésbicas e drag-queens extravasavam suas energias sem pudor ou preconceito algum. Era uma das mais populares boates gays da área, e os frequentadores revezavam indo e vindo entre o Club 219 e o The Phoenix.

Na foto: O famoso drag-queen Josie Carter sentando no colo de um dos frequentadores do The Phoenix. Josie Carter era uma figura famosa e querida da comunidade gay de Walker's Point. Era uma das celebridades do local, uma celebridade escondida em um mundo invisível para o resto da cidade.

Na foto: Josie Carter (centro) ao lado de outras duas drag queens no The Phoenix.

O The Phoenix sobreviveu mais de 30 anos e fechou suas portas em março de 1993. Dois bares lésbicos, Deja-Vu e Dish, sucederam o The Phoenix, mas também fecharam suas portas. O que restou do The Phoenix são apenas memórias de pessoas marginalizadas socialmente, que pelo menos em alguma parte dos seus dias, tinham motivos para sorrir.

Boate The Phoenix, Walker’s Point, Milwaukee.

  • Fevereiro de 1988

Ao longo do decadente Walker’s Point em Milwaukee, as linhas de bares gays iluminam a noite da cidade. Sinais de neón vermelhos estendem seus convites para homens em busca de paquera ou sexo casual. Mais uma noite quente, alegre e divertida em uma quinta-feira qualquer de fevereiro de 1988 iniciava-se ali. Bebidas, conversas e risos; paqueras, beijos e sexo. Qualquer uma dessas combinações era o combo perfeito para os homens que caminhavam por aquele bairro.

O The Phoenix abria suas portas com a alegria de sempre, Josie Carter era uma atração à parte, sempre alegre, cumprimentava à todos. Os frequentadores entravam e logo estavam na pista de dança, uns mais espalhafatosos, outros mais quietos, uns com cigarros e bebidas nas mãos, e outros apenas sentados observando o movimento. Um dos frequentadores da casa, Bobby Duane Simpson, de 27 anos, bebia sua Budweiser observando os homens no local. Alguns dançavam na pista de dança enquanto outros bebiam no bar. Ao olhar para o lado, viu aproximando-se um homem alto, loiro e muito bonito. O homem veio em sua direção e começou a puxar conversa. Ficaram conversando durante muito tempo, e Bobby se sentiu atraído por aquele homem bonito, calmo, inteligente e de uma conversa agradabilíssima. Os dois riam e bebiam cerveja, cercados de luz e música. Em determinado ponto da conversa o homem loiro convidou Bobby para esticar a noite… convidou-o para ir até sua casa. Bobby não pensou duas vezes.

Os dois homens saíram do The Phoenix e pegaram um ônibus até West Allis, um bairro periférico de Milwaukee e local onde morava o homem loiro. Eles entraram na casa, foram para a sala de estar e o homem loiro sussurou para Bobby: “Silêncio, minha avó está dormindo.”

Se aproximaram um do outro e se beijaram. Bobby estava adorando aquele momento pois o homem, além de bonito, era muito educado. Após o beijo, o homem loiro disse para Bobby permanecer na sala pois ele iria até a cozinha fazer um delicioso café irlandês para que os dois pudessem tomar juntos. Poucos minutos depois, o homem loiro veio caminhando em direção a Bobby segurando duas xícaras de café. Bobby tomou dois goles e…

Bobby estava confuso e grogue, abrindo os olhos lentamente. O que estava acontecendo? Ao recobrar os sentidos, percebeu que estava numa espécie de porão. Ao olhar para frente, um homem alto e totalmente nu estava em pé, em frente a ele. Bobby se assustou e entrou em luta corporal com o homem. De alguma forma ele conseguiu sair correndo daquele maldito lugar. Quando recuperou o fôlego, olhou no relógio e viu que eram 11 horas da manhã. Bobby percebeu que havia estado inconsciente por horas. Ele não deu queixa na polícia.

No outro dia ele voltou ao The Phoenix. Sentou no bar e conversou com o bartender e um dos sócios do The Phoenix, Michelle. Contou toda a história do que havia ocorrido no dia anterior. Ainda contando sua história a Michelle, um homem que estava sentado ao seu lado no bar o interrompeu e perguntou: “Ele drogou você também?”

Na foto: Michelle. Michelle era um dos sócios do The Phoenix, gostava de trabalhar como bartender. Na foto tirada em meados dos anos 70 ele aparece careca, resultado de uma noite em que ficou bêbado e raspou a cabeça.

Walker’s Point, Milwaukee

  • Abril de 1988

A noite fervilha em Walker’s Point. O movimento é intenso nas portas das boates gays que povoam o lugar. Dentro delas, festa, bebidas, shows de strippers masculinos, drag queens, beijos e diversão. Fora delas, um homem chamado Ronald Douglas Flowers Jr. tenta dar partida no seu carro que mais uma vez o estava deixando na mão.

Irritado com a merda do carro que não ligava, ele decide abrir o capô para tentar consertar a lata velha. Nesse momento um homem aparece e oferece ajuda. “Olá, algum problema com a máquina?”, pergunta o homem.

“Sim, não consigo fazê-lo pegar”, responde Ronald. “Essas coisas sempre acontecem nas piores horas”, diz o homem.

Ronald ficou conversando com aquele estranho enquanto tentava fazer com que o carro pegasse, mas sem sucesso. Parece que aquele não era o dia de Ronald, seu carro não pegava de jeito nenhum. Foi então que aquele amigo de última hora perguntou a Ronald se ele não gostaria de ir até sua casa para que eles pudessem pegar o seu carro e voltar para guinchar o carro de Ronald. Num primeiro momento Ronald ficou indeciso, afinal, nem conhecia o sujeito. Mas logo essa indecisão foi dissipada. Aquele homem que apareceu no meio da noite em Walker’s Point era muito educado, tinha uma aparência muito boa e estava sendo muito gentil em querer ajudá-lo. A única coisa que pareceu estranha para Ronald era que o homem parecia desviar seu olhar quando Ronald o olhava nos olhos. Pegaram um táxi e foram até a casa do sujeito em West Allis.

Os dois chegaram no destino e Ronald disse que o esperaria do lado de fora. “Faço questão que você entre, só vai levar um minuto”, disse o simpático e prestativo homem.

Eles entraram na casa e o homem se propôs a fazer um quente e delicioso café para Ronald. Ele agradeceu a hospitalidade e aceitou a xícara de café. Ao tomar a bebida Ronald…

Ronald tentava abrir os olhos, mas estava tonto e confuso. Quando conseguiu recuperar sua consciência estava deitado em uma cama de hospital, sem saber direito o que havia acontecido e como ele havia ido parar naquele lugar. Seu corpo tinha hematomas, sua cueca estava vestida por cima da calça e o dinheiro de sua carteira havia sumido.

No próprio hospital ele procurou policiais e contou sua história. Contou que possivelmente fora drogado pelo homem que conhecera na noite anterior. Os policiais o aconselharam a fazer um teste laboratorial no próprio hospital para comprovar se ele fora mesmo drogado, assim sua história seria comprovada e a polícia poderia dar continuidade à sua queixa. Entretanto, os testes laboratoriais não indicaram a presença de nenhuma droga em seu corpo. Sem provas de que ele fora realmente drogado, a polícia arquivou sua queixa.

Avenues West, Milwaukee

  • Junho de 1990.

Avenues West é uma área a oeste do centro de Milwaukee, bem perto de Walker’s Point. Essa área da cidade sempre foi conhecida por abrigar pessoas das classes sociais mais baixas, principalmente afro-americanos. Prostituição e o tráfico de drogas eram comuns na região. Na década de 80 e 90 a área foi marcada por uma alta taxa de criminalidade, mas apesar do seu passado feio, hoje a região experimenta um início de desenvolvimento e um exemplo disso é o Hotel Ambassador.

Na foto: O Hotel Ambassador. Durante décadas o Hotel Ambassador foi a casa de prostitutas e traficantes que vendiam suas drogas. No final dos anos 90 foi totalmente revitalizado e hoje é um 4 estrelas de luxo em Milwaukee. Não lembra em nada seu passado sombrio. Se você for a Milwaukee um dia, hospede-se no Ambassador.

Na foto: A entrada principal da Universidade de Marquette, que fica na 1250 West Wisconsin Avenue, no bairro de Avenues West.

Outro fator que contribuiu para a diminuição da criminalidade em Avenues West foi a presença da Universidade de Marquette, que disponibilizou um espaço para que fosse montado o Terceiro Distrito de Polícia de Milwaukee. A Universidade de Marquette é a maior Universidade privada do estado de Wisconsin e uma das maiores universidades jesuítas dos Estados Unidos e foi fundada pela Sociedade de Jesus (Ordem de Religiosos Católicos) em 1881.

Em um dia qualquer de junho de 1990, um dos inúmeros aprendizes de criminosos desfilava pelas ruas de Avenues West em Milwaukee a procura de ação. Fumar maconha e comprar e revender pequenas porções de drogas era o que muitos jovens nascidos em famílias pobres e desestruturadas daquela região faziam para se divertir e ganhar alguns trocados para novamente gastarem com drogas, bebidas ou prostitutas. Leonard (nome fictício, apenas a inicial do seu nome, L., foi divulgada) era um desses jovens perdidos. Vagabundo, aprendiz de traficante e maconheiro, sua ambição de vida era apenas viver o dia e tentar sobreviver naquela selva urbana. Talvez por isso ele aceitou logo de cara a oferta de um homem alto e loiro que o abordou em uma rua qualquer de Avenues West em junho de 1990. O homem loiro aproximou-se de Leonard e apresentou-se como um fotógrafo que estava a procura de garotos como ele para tirar algumas fotos. O homem ofereceu 200 dólares para que Leonard servisse de modelo para ele. O garoto topou na hora.

Leonard acompanhou o homem até os Apartamentos Oxford, um prédio que ficava naquele mesmo bairro (Avenues West), na 924 North 25th Street. Subiram até o segundo andar e entraram no apartamento do “fotógrafo” loiro.

O homem pegou sua máquina Polaroid e começou a fotografar o garoto. Pedia para que ele ficasse em várias poses, algumas até esquisitas. Em dado momento, o homem parou de fotografar, ligou a televisão e colocou vídeos pornográficos homossexuais em seu videocassete. Pediu para que Leonard tirasse a roupa, pois ele queria tirar fotos do corpo do rapaz. Ele sentiu vergonha, mas 200 dólares são 200 dólares. Depois de tirar algumas fotos de Leonard nu, aquele calmo, gentil e educado homem mudou totalmente. Começou a fazer ruídos com a boca e entrou numa espécie de transe, fazendo Leonard ficar paralisado de medo. O homem atacou o garoto e o amarrou, Leonard fez menção de gritar e ele amordaçou sua boca com um pedaço de pano.

Leonard não podia se mexer nem gritar, além do medo que paralisava seu corpo. Ele viu quando o homem veio em sua direção com um martelo na mão. Ficou aterrorizado e chorou. O homem começou a martelar o seu pescoço. A sessão de tortura durou três horas. Ao final, o homem desamarrou Leonard e disse: “Se você falar qualquer coisa para qualquer pessoa eu mato você e sua família”.

Leonard saiu do apartamento, correu pela rua, chorando e em pânico. Nunca antes em sua vida ele pensou que passaria por aquilo: ele parecia ser um rato em laboratório de um cientista louco. O cara não parecia ser humano. Ele viu a morte de perto e, contra os conselhos do seu algoz, resolveu ir à polícia.

Um maconheiro, negro e vagabundo em um Distrito Policial cheio de policiais brancos. O que vocês acham que aconteceu? Os policiais não deram ouvidos para Leonard. Afinal, qual o crime? Leonard tinha provas? A polícia tinha mais o que fazer do que investigar um suposto louco que martelava negros em seu apartamento. De qualquer forma, Leonard pareceu ter sido convincente e dois detetives foram até os Apartamentos Oxford averiguar. Ao chegarem lá, não encontraram o morador do Apartamento 213. Perguntando o que diabos eles estavam fazendo ali, decidiram ir embora antes de averiguarem mais a fundo a denúncia de Leonard.

Apartamentos Oxford, 924 North 25th Street, Milwaukee

Os Apartamentos Oxford eram um condomínio localizado em Avenues West, no endereço de número 924 Norte na Vigésima Quinta Rua em Milwaukee. Como já sabido por vocês, a Avenues West, região oeste do centro da cidade, era uma região povoada por pessoas de baixa renda. Os Apartamentos Oxford eram uma boa moradia naquela região, onde por um aluguel barato você poderia morar em um pequeno e aconchegante apartamento, com sala, cozinha, quarto e banheiro. A maioria dos moradores eram pessoas pobres, irmãos dividiam quartos, casais, famílias e alguns homens e mulheres solteiros.

*Clique na imagem para ampliar. Na foto: A Rua Vigésima Quinta 924 North em Avenues West, Milwaukee. Os Apartamentos Oxford ficavam ao lado esquerdo desta imagem (onde pode-se ver um lote cercado com uma espécie de grades logo após o A vermelho). Esta foto foi tirada em maio de 2008, na época os Apartamentos Oxford já não existiam mais pois o prédio foi demolido em 1992. Créditos da foto: Google Street View.

A bela fachada dos apartamentos OxfordNa foto: A bela fachada dos Apartamentos Oxford, número 924 North na Vigésima Quinta Rua em Avenues West. Alguns de seus moradores podem ser vistos conversando em frente ao condomínio. Data: 1991. Créditos: Reuters.

Era um local tranquilo, com vizinhos que normalmente não conheciam uns aos outros (principalmente devido ao fato de que a maioria trabalhava durante o dia e só apareciam à noite para dormir). A única coisa que incomodava os moradores dos Apartamentos Oxford era o cheiro de podridão que começou a aparecer em meados de 1990. O cheiro era tão forte e horrível que gatos eram vistos rondando os apartamentos, muito provavelmente atraídos pelo cheiro de carniça.

Certo dia, o cheiro estava tão insuportável que a moradora do apartamento 214, Pamela Bass, que morava com seu marido, Vernell Bass, decidiu investigar de onde diabos vinha aquela carniça. Ela começou revirando o seu apartamento, olhou na geladeira, revirou tudo. “Será que tem um bicho morto dentro da minha casa e eu não sei?”, pensou. Não encontrou nada que pudesse ser a origem do mau cheiro. Pamela então abriu sua porta e começou a farejar o corredor. Como um animal curioso, ela foi de porta em porta, farejando todas as portas dos vizinhos até que percebeu que o cheiro vinha de dentro do apartamento ao lado do dela,

Ela bateu na porta do apartamento 213 para perguntar que diabos era aquele cheiro. Seu vizinho abriu a porta, um homem alto e loiro. Ela o indagou sobre aquele cheiro e ele disse que o seu freezer estava quebrado e toda sua carne havia estragado. Ele foi bastante convincente em seus argumentos, pediu desculpas pelo incômodo que estava causando a Pamela e prometeu que logo daria um jeito naquele cheiro.

Outro fato que chamava a atenção de alguns moradores dos Apartamentos Oxford era o contínuo “choro” de uma serra elétrica que varava as madrugadas. E o barulho vinha… do apartamento 213.

E, como em todo apartamento, quando você liga um som alto, qual é o primeiro vizinho a reclamar? O vizinho do lado, é claro. O marido de Pamela, Vernell, começou a se perguntar o que diabos o vizinho do 213 estava fazendo. “Ele está construindo alguma coisa?” Pamela achou que ele poderia estar construindo ou reformando o seu armário, mas o fato é que o barulho incomodava. Certa vez Vernell chegou do trabalho às seis da manhã e lá estava seu inquieto vizinho com sua serra elétrica ligada. De repente o barulho cessou e Vernell escutou seu vizinho do 213 gritando:

“DESGRAÇADO, EU TE DISSE, PORRA!”

Vernell achou aquilo estranho, ainda mais porque não escutou ninguém respondendo. Depois de escutar o vizinho gritando daquele jeito, ele é que não ia lá pedir pra ele maneirar no barulho.

Revere High School

A Revere High School é uma escola de ensino médio pública no Distrito de Richfield, na cidade de Bath, Ohio. Atualmente é uma das 500 melhores escolas de ensino médio dos Estados Unidos. É a típica high school norte-americana, tem seu time de futebol americano, onde os garotos do time são os “caras” do colégio (consequentemente praticam bullying nos magrelos e partem os corações das meninas) e as cheerleaders (líderes das torcidas femininas compostas pelas mais bonitas e populares do colégio, provavelmente odiadas pelas outras meninas).

Na foto: Ashley Greyson, Allison Stevens e Emilee Vitez. Três cheerleaders da turma de 2009 da Revere High School. Eu, na minha santa ignorância, não sabia, mas ser líder de torcida nos Estados Unidos é uma carreira. (Não é só aqui no Brasil que as bundas fazem sucesso, aliás, lá o que vale são os peitos, mas enfim...). Ashley e Allison continuaram suas "carreiras" de líderes de torcida na Universidade de Miami e na Universidade do Estado de Ohio, respectivamente. Emilee preferiu algo mais interessante, entrou para o time de basquete da Universidade de Slippery Rock.

Os americanos possuem uma tradição com relação a High School (não, não estou falando dos famosos bailes onde o rapaz deve convidar a garota). Depois de anos que se formam no ensino médio, as turmas costumam se encontrar anos depois, uma espécie de confraternização onde todos sentam-se em uma roda e conversam sobre o que estão fazendo e no que se formaram, uns levam suas famílias, seus filhos. É uma festa de confraternização para lembrar os bons tempos da adolescência e rir com os antigos amigos.

No início de 1991, a turma de 1978 da Revere High School se reuniu para sua festa de confraternização. Era a oportunidade de rever velhos amigos e saber se o gordinho engraçado ficou mais gordo ainda, se o nerd magrelo ficou rico, se o bonitão do futebol não ficou careca ou se a líder das cheerleaders ainda era pegável.

Muitos moravam em outros estados, fizeram faculdade, eram homens e mulheres bem-sucedidos. Em dado momento da confraternização, um dos ex-estudantes relembrou um estranho colega que eles chamavam de Jeff, que fazia a alegria da galera fingindo ataques epilépticos nos corredores do colégio ou imitando pessoas com deficiência.

“Você se lembra disso, Jeff?”

Antes do que o tal Jeff pudesse responder, um gaiato (toda turma tem um) o antecipou e falou:

“Ahh! Esqueçam ele. Ele é provavelmente um assassino em massa!”

Todos na sala riram. Jeff deu um sorriso meio amarelo e todos continuaram com a confraternização.

Avenues West, 25th and State, Milwaukee.

  • 27 de maio de 1991

*Clique na imagem para ampliar. Na foto: A avenida 25th State em Avenues West, Milwaukee. Créditos da imagem: Google Street View

Duas primas adolescentes estão sentadas em algum ponto da Avenida 25th State em Avenues West, Milwaukee, na madrugada do dia 27 de maio de 1991. Elas conversam na avenida deserta quando percebem um homem perambulando em direção a elas.

Naquela noite, o serviço de emergência da cidade de Milwaukee recebeu uma chamada de uma mulher a respeito de um homem. O registro da chamada diz o seguinte:

Operador 911: Emergência de Milwaukee. Operador 71.

Chamada: Oi, eu estou na 25th State, e tem esse garoto. Ele está pelado . Ele foi espancado. Ele está muito machucado. Ele não consegue ficar em pé. Ele está todo pelado. Ele não tem roupas. Ele está realmente machucado. Eu não tenho nenhum casaco. Eu apenas o vi. Ele precisa de ajuda.

Operador 71:  Onde ele está?

Chamada: 25th sate. A esquina da 25th state.

Escute abaixo o áudio original da ligação feita ao Serviço de Emergência de Milwaukee na madrugada do dia 27 de Maio de 1991. Abaixo a transcrição em inglês para acompanhamento.

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Chamada: Hi, I’m on 25th and state, and there is this young man. He is butt naked. He has been beaten up. He is very bruised up. He can’t stand up. He is butt nake. He has no clothes on. He is really hurt. I got no coat on. I just seen him. He needs some help.

Operador 71: Where is he at?

Chamada: 25th and state. The corner of 25th and state.

O operador 71 do serviço de emergência imediatamente contatou os paramédicos e o Departamento de Polícia de Milwaukee para verificar uma situação na qual um “homem baixo, espancado e sem roupas” fora encontrado na rua. O Departamento de Polícia de Milwaukee imediatamente fez uma chamada nas viaturas que faziam ronda perto do local para que as mesmas averiguassem a situação.

Os policiais John Balcerzak e Joseph Gabrish faziam ronda perto da área e atenderam o chamado.

Na foto: Os policiais John Balcerzak e Joseph Gabrish, do Departamento de Polícia de Milwaukee, no estado de Wisconsin

Ao chegarem ao local, os policiais se depararam com uma cena um tanto bizarra: as duas adolescentes, Sandra Smith e Nicole Childress, ambas de 18 anos, discutiam calorosamente com um homem alto e loiro. Ao lado deles estava um rapaz asiático, que se encontrava nu, sangrando e aparentemente desorientado. Os paramédicos haviam chegado antes dos policiais e cobriram o confuso rapaz asiático com um cobertor.

Os policiais interrompem a discussão e tentam ouvir a versão do rapaz asiático, mas não entendem uma palavra do que diz. As adolescentes se incluem na conversa e a discussão se intensifica entre elas, o homem loiro e os policiais.

Segundo o homem loiro, o rapaz era um amigo de 19 anos que havia bebido muito, e ambos haviam tido uma briga mas tudo se resolveria. O rapaz asiático era totalmente incoerente, não conseguia formar frases e não dizia à polícia a sua versão dos fatos. O homem loiro deu sua identidade para a polícia. Os policiais pareciam não duvidar das palavras coerentes e precisas daquele homem inteligente e calmo. As garotas ficaram inconformadas, pois haviam visto o rapaz asiático resistir com terror àquele homem loiro. Os policiais ignoraram as adolescentes. Pensando ser uma briga de um casal homossexual, decidiram acompanhar os dois homens até o apartamento do rapaz loiro.

“Estou muito feliz que vocês apareceram, sabem, esse bairro é muito perigoso”, dizia o homem loiro aos policiais dentro da viatura.

O homem loiro os levou até os Apartamentos Oxford, e subiram até o…

Os policiais olharam para dentro do apartamento. Ele cheirava mal, mas estava bastante limpo e arrumado. As roupas do rapaz asiático estavam cuidadosamente dobradas em cima do sofá. Para sanar quaisquer dúvidas, o homem loiro mostrou aos policiais duas fotos de seu namorado, nas quais ele vestia cuecas pretas.

O rapaz, sentado silenciosamente no sofá, não conseguia conversar normalmente e os policiais não sabiam ao menos se ele podia compreender o que diziam, mas eles pareciam não duvidar do morador do apartamento 213. O homem se desculpou por seu amante ter causado tantos problemas e prometeu que isso não ocorreria novamente.

A polícia acreditou. E não haviam razões para não acreditar; ele falava bem, era inteligente e muito calmo. O garoto asiático estava aparentemente bêbado e incoerente. Os policiais não queriam interferir em um relacionamento entre dois namorados homossexuais, e deixaram o apartamento com o jovem ainda quieto, sentado no sofá. Saíram fazendo piadinhas sobre o casalzinho de gays. Para John Balcerzak e Joseph Gabrish, naquele bairro, poderia haver eventos mais perigosos do que um simples desentendimento entre dois namorados.

Um dos policiais pega o seu rádio na viatura e dá o retorno para a central sobre o incidente:

36… o intoxicado macho asiático nu (risos ao fundo da chamada) foi devolvido para o seu sóbrio namorado (mais risos ao fundo) e nós somos 10-8.”

Clique abaixo e escute a gravação original feita pelos policiais John Balcerzak e Joseph Gabrish até a central de Milwaukee:

“36… the intoxicated Asian naked male was returned to his sober boyfriend and we’re 10-8.”

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Glenda Cleveland

As duas adolescentes que foram ignoradas pela polícia voltaram frustradas para a casa de Sandra Smith, que morava perto dos Apartamentos Oxford. Imediatamente elas contaram a história para a mãe de Sandra, Glenda Cleveland, de 36 anos. Glenda ficou com aquela história na cabeça. Suas filhas foram muito convincentes e estavam preocupadas, preocupação que passou para ela. Ela viu nos olhos de sua filha e de sua sobrinha que o que elas haviam visto não havia sido apenas uma briga entre namorados. Minutos depois, Glenda ligou para a polícia querendo saber sobre a situação. Ela insistiu até conseguir falar com um dos policiais que atendeu a ocorrência. Abaixo a descrição da chamada:

 

Clique abaixo e escute parte da gravação original da conversa entre Glenda Cleveland e um dos policiais que atenderam a ocorrência, John Balcerzak. As falas em inglês estão transcritas abaixo para acompanhamento:

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obs.: Glenda liga para o Departamento de Polícia de Milwaukee:

Glenda: I’m sure further information must be needed. The boy was naked and bleeding.
Glenda: This was a male child being raped and molested by and adult.

obs.: Depois de insistir, ela consegue falar com John Balcerzak, um dos policiais que atendeu a ocorrência.

Glenda: How old was this child?
Balcerzak: It wasn’t a child. It was and adult.

Glenda: Are you sure?
Balcerzak: Yep.

Glenda: Are you positive? Because this child doesn’t even speak english. My daughter had, you know, dealt with him before, seen him on the street catching inch worms.
Balcerzak: No he’s a…. it’s all taken care of m’am.

Glenda: Are you sure?
Balcerzak: M’am. I can’t make it any more clear. It’s all taken care of.

Glenda: I mean, what if he’s a child and not an adult? Are you positive this is an adult?
Balcerzak: M’am. M’am. I can explain to you. It’s all taken care of. I’m as positive as I can be. I can’t do anything about somebody’s sexual preferences in life.

Glenda: Well, no, I’m not saying anything about that. But it appeared to have been a child.
Balcerzak: No, he’s not.

Glenda: He’s not a child?
Balcerzak: No, he’s not, Ok? It’s a boyfriend, boyfriend thing. And he’s got belongings in his house where he came from. He’s got various pictures of himself and his boyfriend and so forth.

A situação parecia estar mesmo sob controle. Até que, dois dias depois, Glenda Cleveland leu algo que chamou sua atenção em um jornal de Milwaukee. Ela leu uma nota sobre o desaparecimento de um adolescente, do qual a família estava desesperada à sua procura. O desaparecido: um garoto asiático de 14 anos.

Na foto: Dee Konerak Sinthasomphone. A foto de Dee Konerak estava impressa na seção de desaparecidos de um jornal de Milwaukee no dia 29 de maio de 1991. Segundo o anúncio, Dee Konerak tinha 14 anos e havia desaparecido dois dias antes.

O anúncio chamou a atenção de Glenda Cleveland e ela imediatamente lembrou-se do garoto asiático que sua filha e sobrinha haviam visto aterrorizado dois dias antes. Ela imediatamente ligou para a polícia, mas foi completamente ignorada. Para a polícia, esse assunto já estava encerrado. Glenda ainda tentou entrar em contato com o escritório do FBI em Milwaukee, mas sem sucesso. O caso foi esquecido e Dee Konerak Sinthasomphone nunca mais foi visto.

Club 219, Walker’s Point.

  • 20 de julho de 1991

A pista de dança está bombando no Club 219, em Walker’s Point. É sábado e o point gay da região fervilha como um vulcão prestes a explodir. Com cervejas e uísques nas veias, homens sentavam nos colos um dos outros e beijavam-se sem vergonha nenhuma. Diversão, romance, bebidas e sexo era o que eles procuravam.

No meio da pista de dança da boate, Alex (nome fictício, somente a inicial “A.” foi divulgada), um mestiço alto e atlético, dança ao som da disco dos anos 70 sob luzes brancas e enlouquecidas pelo movimento do strobo.

De repente, ele encontrou-se trocando olhares com um lindo homem loiro, de 1,87 de altura, que vestia um jeans e uma camisa preta de nylon. Alex o chamava com os olhos e o lindo loiro não o decepcionou. “Oi, o meu nome é Jeff. Eu gosto do jeito que você dança”, disse o homem loiro.

Alex percebeu pelo hálito e pelo comportamento do homem que ele estava embriagado, mas mesmo assim continuou a paquera. “Sou de Chicago, trabalho como eletricista… Sabe, estou cansado de ficar sozinho”, disse o loiro.

Alex se sentiu atraído por aquele bonito, sensível e carente homem. O homem o convidou para ir até sua casa, mas Alex recusou.

“Sabe, eu só quero conversar. Sou muito sozinho. Você é o cara mais legal que eu conheci em Milwaukee. Te dou 100 dólares só pra ter a sua companhia em uma conversa.”

Finalmente Alex cedeu à carência daquele meigo homem e marcou um encontro com ele no estacionamento ao lado do prédio onde o homem morava. O prédio era: Apartamentos Oxford.

Às três da manhã, Alex foi ao encontro do homem e o encontrou no estacionamento do lado de fora do prédio com uma cerveja na mão e um cigarro na outra. “Oh, eu estou tão feliz que você veio, a maioria das pessoas nunca vem”, disse o homem.

Os dois subiram as escadas, indo até…

O lugar era bastante arrumado, a sala tinha um sofá e era iluminada por uma brilhante lâmpada de lava. Um pequeno freezer branco estava na cozinha e uma garrafa de desinfetante da marca Pine Sol descansava em cima da pia.

Alex tinha um bigode bem aparado. Confundindo-o com um latino, o homem disse: “Sabe, tenho uma foto de um porto riquenho nu, que é bem dotado. Mas não estou preparado para te mostrar agora”.

Alex achou estranho e ficou ao mesmo tempo sem graça com aquela conversa. Continuaram a conversar. Os dois conversaram por uma hora sobre mágoas e ressentimentos. Alex era uma pessoa sentimental e, à medida que iam aprofundando a conversa, ele percebia que aquele homem era um solitário. Conversaram sobre a avó doente do homem loiro, sobre a morte da mãe de Alex e assim por diante.

O tempo foi passando e Alex decidiu ir embora. Quando ele se levantou para ir embora, a voz daquele calmo homem cresceu em pânico. O homem levantou-se e parecia estar fora de si, e resmungando ele caminhou até o quarto, dizendo que pegaria mais dinheiro para que Alex não o deixasse. Desconfiado, Alex foi atrás dele, acendeu a luz do quarto e percebeu uma mancha de sangue na cama, assim como uma faca de cabo azul. O homem pareceu perceber que Alex tinha visto a mancha e uma faca em cima da cama. Eles se entreolharam e Alex disse: “Então, estou morrendo de vontade de ver a foto do porto-riquenho.”

Eles retornaram para a sala, onde Alex continuou a dar atenção ao homem. O homem então pediu para que ele tirasse suas roupas e deitasse sobre seu corpo. Ele esfregou-se nas costas de Alex, murmurando que sua pele era “como manteiga”. Aquilo já estava indo longe demais para Alex, e quando ele tentou se levantar para ir embora, o homem apertou seu braço. Alex olhou para seu rosto e ele viu naquele momento que aquele homem já não era mais o homem que ele havia conhecido. Seus olhos tinham um ar negro, brilhavam de uma forma esquisita e a feição do seu rosto mudou. Alex entrou em pânico e fez o que todo animal faz quando se sente encurralado por uma ameaça maior. Ele gritou, esperneou, foi até a porta e a esmurrou, conseguindo abri-la e saindo como um foguete de dentro daquele maldito apartamento. Ao olhar para trás, ele viu o homem de braços cruzados, o rosto abatido, como se tivesse perdido alguma coisa.

Avenues West

  • 22 de julho de 1991

Era perto da meia-noite em Milwaukee, mas o calor pegajoso e escaldante do dia parecia fazer com que as pessoas quisessem continuar nas ruas. Até mesmo policiais preferiam fazer rondas nas ruas, deixando o vento bater nos seus rostos, a ficarem quietos e suados dentro das delegacias.

Dois desses policiais, Robert Rauth e Rolf Mueller, faziam uma patrulha de rotina no degradado lado oeste da cidade, uma área com criminalidade elevada, em torno da Universidade de Marquette. O bairro era Avenues West. O calor estava intenso e a umidade insuportável. O cheiro do bairro era uma mistura do calor com o lixo das ruas e as fezes e urina deixadas pelos mendigos.

Cruzando a rua, perto da North 25th, eles tiveram uma visão estranha e um dos policiais disse: “Mas que diabos? “

Eles viram um homem negro, baixo, magro, atordoado, correndo e olhando para trás, como se algo o estivesse perseguindo. Em um dos seus pulsos, uma algema pendurada. Imediatamente eles pensaram que aquele negro havia escapado de algum outro policial. Ligaram a viatura, aceleraram e pararam fritando os pneus ao lado do homem. Um dos policiais desceu rápido do carro, como se estivesse caçando um animal, e disse: “Coloque suas mãos acima da cabeça e não faça nenhum movimento brusco, negro maldito!”

Enquanto um policial revistava o homem, o outro apontava sua pistola para o suspeito abordado. Nesse tempo os policiais perceberam algo estranho: o homem tremia e tinha um olhar de terror em seu rosto. Os policiais perguntaram o que havia acontecido e porquê diabos ele estaria correndo no meio da noite com uma algema pendurada em um dos punhos. Em sua fala, o aterrorizado homem disse que um “cara louco” havia posto as algemas nele e o tentara matar.

O homem se identificou como Tracy Edwards, 32 anos. “Ele disse que era fotógrafo e me ofereceu dinheiro para que pudesse tirar fotos minhas. Fui até o seu apartamento e ele tentou me matar com uma faca”, disse Tracy.

Os policiais olharam um para o outro, duvidando da história. O que vocês pensariam? Um bairro perigoso, infestado de traficantes, prostitutas e criminosos, um negro com uma algema na mão e correndo? Aquela era o tipo de situação que qualquer policial, seja em Milwaukee ou seja em Pindamonhangaba, faria a mesma coisa: colocaria o suposto meliante na viatura e o levaria para explicar a história ao delegado.

Mas aquele homem tinha algo diferente. Os policiais viram um sinistro pavor em seu rosto, seus olhos eram o reflexo de uma alma assustada. Aquele homem, por mais estranho que parecesse, aparentava dizer a verdade. Os policiais então decidiram investigar a história. Segundo Tracy, o homem morava ali perto, na 924 North 25th Street, nos Apartamentos Oxford.

Ele levou os policiais até o apartamento do homem que supostamente tentara matar Tracy. O apartamento era:

Os policiais bateram na porta do apartamento 213. Quem atendeu a porta foi um homem bonito, loiro e bastante calmo.

Os policiais não sabiam, mas estavam frente a frente com um dos mais perigosos psicopatas americanos de todos os tempos.

Um fedor horrível agrediu seus narizes quando a porta do apartamento foi aberta. Olhando para dentro do apartamento, os policiais não viram nada de suspeito. Limpo, bastante arrumado, com peixinhos de estimação nadando em um aquário. Calmo e muito cordial, o homem loiro com hálito cheirando a cerveja educadamente deixou que eles entrassem na sala do seu apartamento. O homem se ofereceu para pegar as chaves das algemas que estavam em seu quarto mas, antes que ele pudesse pegá-las, Tracy advertiu os policiais que esse homem tinha uma suposta faca no seu quarto, e foi com ela que ele tentara matá-lo.

O policial Rolf Mueller decide então ir até o quarto para que ele mesmo pegue as chaves das algemas, e orientou o homem loiro a sentar-se. Ele calmamente sentou-se no sofá da sala de estar de sua casa. Rolf Mueller entrou no quarto e notou uma câmera fotográfica Polaroid em cima da cama. Ele também descobriu uma faca de açougueiro. Mas até aí nada de mais; quantas pessoas não possuem grandes facas em casa, não é mesmo? Ao virar para o lado direito, ele notou uma das gavetas da cômoda do quarto aberta. Haviam dezenas de fotos, que enchiam o local. Uma olhada mais aguçada nas fotos e o mais terrível dos pesadelos começava a tomar forma.

As fotografias chocaram o policial. As fotos mostravam atos de sexo homossexual, homens em vários estágios de nudez e corpos e mais corpos; mutilados, esquartejados, corroídos por ácido.

Em choque, Rolf Mueller percebeu que aquelas fotografias haviam sido tiradas naquele mesmo quarto. Após examinar outra foto horrível de um homem com o tórax totalmente aberto e sem as vísceras, ele andou em passos largos até à cozinha. Nesse momento, ao ver o policial indo em direção a cozinha, o calmo e educado homem inesperadamente pulou do sofá e gritou como um animal aterrorizado.

“NÃOOOOOOOOOO!”, gritou o homem.

“PONHA AS ALGEMAS NELE!”, gritou Rolf Mueller.

O suspeito e o outro policial, Robert Rauth, entraram em luta corporal. Rolf Mueller foi ajudar o seu parceiro e os dois o dominaram. Enquanto Robert Rauth algemava o homem, Rolf Mueller foi até a cozinha. Abriu a geladeira e…

“TEM A PORRA DE UMA CABEÇA NA GELADEIRA!”

Os policiais ficaram aterrorizados, não só com o que descobriram no apartamento, mas também com o comportamento daquele homem. Ele literalmente miava e uivava, o que chamou a atenção de muitos vizinhos, que saíam de seus apartamentos para ver o que estava acontecendo.

Um rápido exame do apartamento revelou uma íntima justaposição entre o bonito e arrumado e o sujo e o horrível. Enquanto o apartamento de um quarto estava arrumado e limpo, especialmente para um homem solteiro, e seus peixinhos de estimação nadavam tranquilamente em um aquário, o cheiro de decomposição era insuportável. Imediatamente os policiais entraram em contato com o Distrito Policial de Milwaukee, que contatou outra viatura para ir até o local. A viatura chegou ao local com dois oficiais, um deles era Patrick Kennedy. Robert Rauth e Rolf Mueller pediram para que Patrick Kennedy isolasse a área enquanto eles levariam o suspeito até a delegacia.

Em poucos minutos, vizinhos, curiosos, imprensa, bombeiros, policiais e homens vestidos com roupas especiais e máscaras de oxigênio cercavam o local. Nas horas seguintes, em uma procissão sombria, investigadores usando máscaras de oxigênio e roupas de proteção retiravam caixas e mais caixas de dentro do apartamento. O que poderia haver dentro delas?

Acabava ali a história de um dos mais famosos e doentios serial killers dos Estados Unidos. Em poucas horas os policiais descobririam os detalhes de uma série de crimes que chocaria o mundo.

O Início do horror

Na foto: Um dos policiais presentes na cena do crime.

Um dos primeiros canais de notícias de Milwaukee a chegar no local foi o Today’s TMJ4. Eles fizeram as primeiras reportagens e entrevistas ainda na madrugada do dia 22 de julho de 1991. Abaixo duas transcrições de entrevistas realizadas com um policial e um morador dos Apartamentos Oxford.

“Nós estamos investigando um homicídio. Temos um suspeito sob custódia e existe a possibilidade de que esse suspeito esteja envolvido em múltiplos homicídios. Retiramos várias evidências de dentro do apartamento, entre elas um barril contendo uma substância desconhecida; estamos considerando uma cabeça neste momento. Sentimos que esse indivíduo está envolvido em vários assassinatos. Um indivíduo foi parado pela polícia, e os policiais acabaram indo até o apartamento. Os policiais perceberam itens duvidosos e prenderem o suspeito”. [Policial da foto à esquerda. Nome não identificado]

Na foto: Um dos moradores dos Apartamentos Oxford.

“Quando eu acordei, tudo o que vi foi a polícia lá dentro, e ouvi conversas sobre um homem branco. Eu realmente não sei muita coisa sobre ele. Sei que é um cara solteiro, trabalha todos os dias e que é sozinho. E a última coisa que eu ouvi foi que a polícia abriu a sua geladeira e encontrou um corpo lá dentro. Havia um odor forte sim, eu até reclamei com o síndico a respeito do cheiro. Sua geladeira quebrou uma vez e o síndico o ajudou a limpar e agora parece que havia um corpo lá dentro, é terrível”.

A primeira reportagem, ainda na madrugada do dia 22 de julho de 1991, dizia o seguinte: “Policiais estão saindo com caixas e mais caixas cheias de pedaços de corpos, evidências do que parece ser um psicopata assassino em série. Autoridades retiraram também um barril azul no qual eles acreditam conter ácido. A polícia procura saber ao certo quantas vítimas foram feitas, e segundo algumas fontes o número pode passar de uma dúzia. Vizinhos disseram que o morador do apartamento 213 era estranho e que um forte odor saía do seu apartamento. Policiais estão questionando pessoas no prédio e tudo o que se sabe sobre ele por enquanto é que ele tem 31 anos”.

Uma imagem que percorreu o mundo: dois peritos vestindo roupas especiais e máscaras de oxigênio retiram um barril azul no que a polícia acreditava conter ácido e pedaços de corpos humanos.

Bombeiros retiram um freezer do Apartamento 213.

Veja abaixo o vídeo que mostra toda ação policial feita na madrugada do dia 22 de julho de 1991.
Créditos do TMJ4, o primeiro canal de notícias a estar no local do crime

[VÍDEO NÃO MAIS DISPONÍVEL]

A polícia, os legistas, a imprensa, familiares de jovens homens desaparecidos, a família do acusado, a cidade de Milwaukee, e logo todo o mundo tentava entender o que realmente havia acontecido no apartamento 213. O horror estava apenas começando.

A primeira reportagem feita sobre o ocorrido foi publicada no Milwaukee Sentinel na manhã seguinte ao flagrante e dizia que a Polícia estava investigando possíveis múltiplos assassinatos ocorridos em um apartamento do bloco 900 na 25th street.

O Apartamento 213

Anne E. Schwartz, a primeira repórter na cena do crime, descreveu o que ela viu no livro “The Man Who Could Not Kill Enough (O Homem Que Não Pôde Matar o Bastante).

Na foto: Anne E. Schwartz. Jornalista e escritora, ela foi nomeada para o Departamento de Polícia de Milwaukee em 2004 e atualmente comanda o Gabinete do Departamento de Mídia e Comunicações. Em 1991 era repórter do Jornal Milwaukee e foi a primeira jornalista a estar presente na cena do crime do caso que ficou mundialmente conhecido como "O Canibal de Milwaukee". Mais tarde escreveu o livro "The Man Who Could No Kill Enough", que posteriormente virou filme.

“No fundo do armário havia uma panela de metal com mãos e pênis decompostos. Na prateleira de cima haviam dois crânios”, diz Anne E. Schwartz em seu livro.

Na geladeira, havia uma caixa de bicarbonato de sódio que dificilmente absorvia o terrível odor da cabeça em decomposição.

Ainda no armário haviam recipientes com alcóol etílico, clorofórmo e formaldeído, junto com potes de vidros contendo pênis preservados no formaldeído. Cinco crânios, aparentemente raspados e limpos, estavam em uma caixa no armário. Outros dois crânios estavam escondidos em uma prateleira dentro do mesmo armário. A polícia encontrou cinco esqueletos completos e os restos mortais de outros seis corpos, três dos quais estavam mergulhados em produtos químicos dentro do barril azul no quarto. Partes dos corpos estavam espalhadas pelo apartamento, incluindo ossos em caixas de papelão e mãos e pênis decompostos em potes de vidro, preservados em clorofórmio e formaldeído. No apartamento foram encontradas três serras elétricas. Dentro de um freezer branco foram encontradas três cabeças enroladas em sacos plásticos, além pulmões, intestinos, um rim, um fígado e um coração. Fotos tiradas de uma máquina Polaroid mostravam vários estágios das mortes das vítimas. Uma mostrava a cabeça de um homem com a carne ainda intacta, deitada sobre a pia. Outra foto mostrava uma vítima com um corte que ia do pescoço até a virilha, massacrado como um animal de caça após a morte. Os cortes eram tão limpos que os ossos pélvicos podiam ser vistos claramente. Algumas das fotos foram tiradas antes das vítimas serem mortas, em várias posições eróticas.

Fotos tiradas pelo Canibal de Milwaukee podem ser vistas nos links abaixo:
Atenção! Imagens fortes. Não clique se for sensível

Um fato chamou a atenção dos policiais: não havia nenhum tipo de comida no apartamento 213, apenas condimentos.

A assustadora carnificina encontrada no apartamento 213 em julho de 1991 lembrou os assassinatos em série dramatizados no ganhador do Oscar daquele ano: O Silêncio dos Inocentes. Mas, diferente da ficção, a cena encontrada no Apartamento 213 era real, e mesmo que aquela cena tivesse assustado o mais frio e experiente dos policiais, o que viria a seguir deixaria todos perplexos.

O Serial Killer

Na delegacia, os policiais começaram uma maratona de entrevistas com o suspeito de cometer os assassinatos. A essa altura ele já havia sido identificado.

Ele era Jeffrey Lionel Dahmer, 31 anos, ex-empregado de uma fábrica de chocolates. Tinha duas passagens pela polícia sob acusações de intoxicação (embriaguez), atentado violento ao pudor e assédio sexual de um menor.

A primeira pessoa a mergulhar nas profundezas de depravação de Jeffrey Dahmer foi o detetive Patrick Kennedy, um bigodudo que mais parecia ter vindo do século XIX. Os dois ficaram juntos em uma sala sem janelas, sentados em cadeiras separadas por uma mesa por cerca de 15 horas.

No início, Jeffrey Dahmer não falava coisa com coisa e só resmungava, dizendo que não teria sido pego se não bebesse tanto. O fato é que o acusado estava claramente assustado.

Na foto: O Detetive Patrick Kennedy. "Ele tinha um olhar de terror, uma aparência quase histérica em seu rosto. Na primeira noite de interrogatórios ele foi percebendo aos poucos que o fim da linha para ele havia chegado, que ele havia sido pego... ele suava muito, ele chorou várias vezes." Patrick Kennedy. Créditos da imagem: A&E Biography

Depois de horas, quando Dahmer ficou mais calmo, disse ao detetive:

Jeffrey Dahmer:  “Você não quer saber o que eu fiz”

Patrick Kennedy: “Jeffrey, não há nada que você possa me dizer que me deixará assustado.”

Dahmer riu, e disse:

Jeffrey Dahmer:  “Você não sabe, você não sabe o que eu fiz! Quando eu te disser o que eu tenho pra te dizer você ficará famoso.”

Patrick Kennedy: “Ah, tá!”

E foi aí que Dahmer começou a discorrer sobre sua onda de matança que durou 13 anos. Sua fachada foi desmoronada e ele não tinha nada mais a perder, decidindo desabafar completamente, falando tudo. Os detalhes dos crimes, a motivação e os meios fizeram o detetive duvidar das palavras de Dahmer. Tudo era horrível, e Patrick Kennedy não acreditava que um homem poderia cometer aqueles atos e não necessariamente acreditava que aquele homem de fala calma e mansa fosse o responsável por tais atos. Mas as evidências encontradas em seu apartamento corroboravam seu depoimento.

“Só acreditamos nele quando conseguimos sua permissão para fazer buscas no apartamento. Encontramos partes de corpos, mãos e pés e ossos em diferentes gavetas. Quando abrimos o barril que estava hermeticamente fechado, percebemos a seriedade da situação”, disse Patrick Kennedy.

Quando Dahmer revelou a amplitude dos seus assassinatos, que ultrapassavam uma década, Patrick Kennedy chamou um veterano detetive da polícia, Dennis Murphy, para ajudá-lo na entrevista com o serial killer. Os dois detetives passaram dias conversando com o assassino, tentando determinar exatamente quem ele havia matado e por que. E Dahmer cooperou em todos os sentidos com os detetives.

“Isso aconteceu de forma relativamente rápida. Acho que tivemos uma confissão completa de todos os homicídios dentro de quatro dias, na verdade”

[Dennis Murphy]

Jeffrey Dahmer passou as seis semanas seguintes detalhando todos os detalhes macabros dos seus 17 assassinatos. O que Dahmer contou aos detetives… é o que vocês lerão abaixo.

Modus Operandi

Ele persuadia suas vítimas, a maioria negros e homossexuais, em shopping centers, paradas de ônibus e boates gays (onde conheceu a maioria de suas vítimas). Bom de lábia e bastante atraente, Dahmer não tinha muitas dificuldades em fazer com que suas vítimas o acompanhassem até seu apartamento. Convidava as vítimas a ir até o seu apartamento para beber e assistir vídeos. Quando essa tática não funcionava, Dahmer oferecia dinheiro para que eles o acompanhassem para poder conversar ou tirar fotos. Uma vez no apartamento, Dahmer esmagava comprimidos Halcion (medicamento indicado no tratamento de curto prazo para a insônia) em copos de bebidas e drogava as vítimas. Com a vítima inconsciente, Dahmer a estrangulava até a morte com suas mãos ou com uma tira de couro. Começava aí sua “diversão”. Diferentemente de outros serial killers, que torturam e sentem prazer em ver o sofrimento de suas vítimas, para Jeffrey Dahmer, o prazer vinha depois que sua vítima estava morta.

O Ritual

Seu ritual era totalmente macabro e doentio.

Dahmer fazia sexo com o cadáver e masturbava-se em cima do mesmo. Antes de sua “limpeza” começar, Dahmer pegava sua máquina fotográfica Polaroid e fotografava cada etapa da morte, para que ele pudesse se lembrar da forma que a vítima havia sido desossada. Colocava os corpos em várias posições sexuais que lhe davam prazer e fotografava. Abria o tórax da vítima e removia órgão por órgão. Tinha ereção ao sentir o calor dos corpos recém-abertos, chegando a masturbar-se em cima das vísceras.

Ele chegou a fazer algumas experiências com as vítimas ainda vivas, furando suas cabeças com uma furadeira e injetando ácido e água quente. Separava a cabeça e o pênis, derretia a carne com ácido. Usou vários tipos de produtos químicos e ácidos. A carne das vítimas era reduzida a um lodo preto, que era descartado em ralos ou pelo vaso sanitário; mas a maioria dos restos era guardada em um barril azul.

Segurava as cabeças com uma mão e com a outra masturbava-se, olhando para a cabeça recém decepada. Descarnava as cabeças, cozinhando-as em panelas. Cada etapa do processo era fotografada para lembrança. Os crânios das vítimas eram guardados como troféus. Dahmer os pintava de cinza para que aparentassem ser de plástico (e assim não levantar suspeita) e os colocava em uma estante e masturbava-se em frente a eles.

Os pênis eram mantidos em um vidro com formol. As fotos eram guardadas e Dahmer masturbava-se vendo-as. Por fim comia o coração, tripas e bíceps. Para melhorar o gosto, refogava com vegetais, sal, pimenta e molho barbecue. Bebeu também um pouco de sangue, mas não gostou do sabor. Alguns órgãos eram mantidos em sacos plásticos para que, como Dahmer confessou posteriormente, pudesse “comer mais tarde”.

Na foto: A geladeira do serial killer Jeffrey Dahmer. É possível ver os orgãos humanos embalados. Segundo Dahmer, ele os comeriam "mais tarde."

Na foto: Dois crânios encontrados no Apartamento de Dahmer.

Na foto: Jornais de Milwaukee trazem os detalhes do maior crime da história do Estado de Wisconsin.

A essa altura, todos os Estados Unidos sabiam do caso. Os crimes do serial killer ganharam as capas dos principais jornais do país. Repórteres de dezenas de emissoras e revistas foram até Milwaukee. Grandes revistas norte-americanas, como Newsweek e People, enviaram repórteres à cidade. O caso começava a ganhar repercussão internacional e todos naquele momento só queriam saber de uma coisa: qual era a aparência do homem que derretia pessoas com ácido e tinha uma coleção de crânios humanos em seu apartamento; saber qual era a aparência do homem que tinha cabeças humanas no seu freezer.

E todos sanaram suas curiosidades no dia 25 de julho de 1991. Nesse dia, Jeffrey Dahmer apareceu pela primeira vez em público após ser preso. Ele compareceu ao tribunal de Milwaukee para ser acusado de quatro assassinatos.

Tribunal de Milwaukee

  • 25 de julho de 1991

Três dias após ser preso e sete dias após matar sua última vítima, Joseph Bradehoft, de 25 anos, Jeffrey Dahmer apareceu em público pela primeira vez no tribunal da cidade. Emissoras de várias partes dos Estados Unidos transmitiram ao vivo sua entrada no tribunal. Nesse mesmo dia, várias de suas vítimas foram identificadas.

Jeffrey Dahmer apareceu vestindo uma camiseta branca com listras azuis. A imagem do homem alto, loiro, bonito e aparentemente inofensivo percorreu o mundo. Note a fala do repórter durante o vídeo abaixo.

“Ai está Jeffrey Dahmer… vamos escutar… um homem acusado… suspeito de pelo menos 17 assassinatos, a maioria incompreensível… terríveis crimes que uma pessoa pode imaginar.”

O vídeo mostra o advogado de Dahmer, Gerald Boyle, dizendo que Dahmer será representado por ele e o Juiz dizendo a Dahmer que ele estava sendo acusado de quatro assassinatos e que ele poderia pegar prisão perpétua por cada um deles. O juiz fixa sua fiança em 1 milhão de dólares.


Na foto: Jeffrey Lionel Dahmer, 31 anos, em sua primeira aparição pública feita no dia 25 de julho de 1991, três dias após ser preso.

Na foto: Dahmer caminha dentro do tribunal na sua primeira aparição em público.

Na foto: Jeffrey Dahmer. Em sua primeira aparição pública, Jeff ouve o Juiz dizer que ele pode pegar prisão perpétua para cada um dos crimes que cometeu: "I understand your honor." (Eu entendo, meritíssimo), diz ele ao juiz.

Jeffrey Lionel Dahmer

  • Vida & Morte

Nem todos os serial killers apanharam ou foram molestados sexualmente na infância. Jeffrey Dahmer possuía uma família normal e viveu uma boa infância, mas tornou-se um dos mais notórios assassinos sexuais do século 20. Em seu livro autobiográfico, A Father’s History, Lionel Dahmer, pai de Jeffrey Dahmer, buscou por respostas que pudessem explicar o comportamento anormal do seu filho. Lionel, que descreve a si mesmo como um “pensador analítico”, acredita que a histeria da mãe de Jeffrey e sua doença psicossomática durante a gravidez foram os responsáveis pelo comportamento doentio do filho do casal.

Lionel descreve sua mulher, Joyce Dahmer, como portadora de uma difícil gravidez, marcada por vômitos, como se seu corpo estivesse doente pelo que estava germinando; uma rejeição biológica. Enquanto estave grávida de Jeffrey, Joyce desenvolveu uma estranha rigidez: “Às vezes, suas pernas endureciam firmemente, e todo seu corpo começava a ficar rígido e trêmulo. Sua mandíbula movia-se para a direita com uma assustadora rigidez. Durante essas estranhas convulsões, seus olhos retraíam-se como a de um animal assustado, começava a salivar, literalmente espumando pela boca”, diz Lionel Dahmer no livro.

No livro, Lionel chega a dizer que sua mulher era um “cadáver que estava prestes a dar à luz”. Ele se descreve como um homem isolado em seu trabalho. Enquanto ele mergulhava em suas pesquisas científicas (Lionel tem PhD em química), sua mulher Joyce travava uma guerra biológica com sua gestação usando medicamentos. Como veremos mais adiante, o casal se separou e as mágoas desse relacionamento parecem terem ficado enraizadas em Lionel, que reclama de sua mulher no livro. “Por que ela ficava tão chateada todo o tempo? O que ela achou de tão terrível?”“Então, após um longo caminho de dor, meu filho nasceu”.

Jeffrey Lionel Dahmer nasceu em West Allis, Milwaukee, no dia 21 de maio de 1960. A primeira vez que Lionel viu seu filho foi em um recipiente de plástico. Para ele, a carnificina encontrada no apartamento de Jeffrey em 1991 teve origem no ventre drogado de sua mãe.

Na foto: O casal Lionel e Joyce Dahmer e o primeiro filho do casal: Jeffrey Dahmer.

Na foto: O pequeno Jeffrey Dahmer e seus pais, Lionel e Joyce. Segundo Lionel Dahmer, o comportamento doentio do filho teve origem durante a gestação de sua mulher. Joyce teve uma gravidez problemática e tomou muitas drogas (medicamentos).

Na foto: Lionel Dahmer e seu filho, Jeffrey Dahmer.

Enquanto ele acusa sua ex-eposa como a responsável biologicamente pelo comportamento doentio de Jeffrey, ele próprio admite que alguns dos seus genes também podem ter influenciado seu filho. Quando criança, Lionel era fascinado pelo fogo e chegou a criar algumas bombas.

“Quando criança, um escuro caminho foi cavado em meu cérebro”, diz Lionel.

O pequeno Jeffrey, por sua vez, era fascinado por ossos de animais, algo que seu pai via apenas como curiosidade normal de uma criança, mas que após a descoberta dos assassinatos, revelou-se ser um dos primeiros indícios de que Jeffrey poderia ter algum distúrbio.

"Uma vez senti um cheiro horrível vindo do porão, e ao checar vi uma pilha de pequenos ossos de animais. Jeff parecia animado com o som que os ossinhos faziam em sua mãozinha. Hoje não posso ver isso como coisa de uma criança. Isso vem em minha mente e tudo fica mais claro; tenho a sensação de que uma força escura, sombia e mal intencionada estava crescendo dentro do meu filho.”."

Jeff era sorridente e brincalhão, adorava seus coelinhos de pelúcia e sempre mexia em pedaços de madeira em volta da casa. Ele também tinha um cachorro chamado Frisky, seu amado bichinho de estimação dado por seu pai.

Apesar de um grande número de infecções de ouvido e de garganta, Jeff crescia muito feliz. Seu pai lembra de uma ocasião em que cuidaram de um pássaro doente e o libertaram para a natureza.

“Eu peguei o passarinho com minhas mãos e o soltei no ar. Todos nós sentimos um imenso prazer. Os olhos de Jeff estavam arregalados, brilhando. Provavelmente foi o mais feliz, e único, momento de sua vida”.

Com 6 anos de idade, Jeffrey Dahmer teve um problema de hérnia dupla e teve que fazer uma cirurgia. Após esse episódio ele nunca mais pareceu recuperar seu entusiasmo e dinamismo. “Ele tinha muita dor, me lembro de ele ter perguntado a Joyce se os médicos tinham cortado seu pênis fora”. (Lionel Dahmer)

Lionel acredita que essa experiência de Jeffrey (uma criança que na sua fantasia acreditava que os médicos haviam tirado o seu pênis) o afetou profundamente. E paralelamente a esse fato, Jeffrey começou a mudar.

“Esse estranho e sutil escurecimento começou a aparecer quase que fisicamente. Seu cabelo, que era claro, crescia escuro junto com o mais profundo sombreado dos seus olhos. Ele parecia menor, de algum modo mais vulnerável. Mais do que tudo, ele parecia crescer mais para dentro, sentado em silêncio por longos períodos, não era mais agitado, seu rosto ficava estranhamente imóvel”.

[Lionel Dahmer]

Nessa época a família morava em Iowa. Lionel estava fazendo seu doutorado em química na Universidade do Estado de Iowa. Em 1966, Lionel completou seu trabalho de doutorado e conseguiu um trabalho como pesquisador químico na cidade de Akron, Ohio. Joyce estava grávida do segundo filho do casal, David.

Na foto: O pequeno Jeffrey Dahmer segura seu irmão recém nascido, David Dahmer. Lionel Dahmer achou que o comportamento do seu filho poderia melhorar se ele se sentisse importante e estimulado dentro do lar familiar. Lionel e sua esposa então deixaram que Jeffrey escolhesse o nome do seu irmãozinho, e Jeff escolheu o nome David.

Mas à medida que o pequeno Jeff crescia, o seu comportamento parecia piorar.

“Jeff começou a sofrer de um quase isolamento… um estranho medo tinha começado a rastejar em sua personalidade, um pavor dos outros que era combinado com sua generalizada baixa auto-estima. Ele estava desenvolvendo uma rejeição em mudar, uma necessidade de se sentir seguro em lugares familiares. A ideia de ir à escola o deixava em pânico. O pequeno garoto que uma vez parecia ser feliz e auto-confiante tinha sido substituído por uma pessoa diferente, profundamente tímida, distante, quase inexpressiva”.

Lionel suspeitava que a mudança de Iowa para Ohio era a causa do comportamento de Jeff, um comportamento que para ele era normal, pois ele havia sido tirado de um ambiente familiar e levado a um lugar totalmente novo. O próprio Lionel enxergava a si próprio no filho. Quando criança, Lionel era extremamente tímido, introvertido e inseguro. Com o seu crescimento e o passar do tempo, ele aprendeu a lidar com esses problemas. Ele imaginou que Jeff também aprenderia a superar seus problemas. Jeff tornou-se um garoto tímido e com medo dos outros, assim como seu pai havia sido.

Em abril de 1967, a família comprou uma nova casa. Jeff pareceu se ajustar melhor à sua nova morada e desenvolveu uma amizade próxima com um vizinho chamado Lee. Ele também gostava de uma professora de biologia a qual lhe havia dado um recipiente de girinos para manusear na aula. Dias depois, o pequeno Jeff descobriu que a professora havia dado os girinos para seu amigo Lee. Jeff entrou escondido na garagem da casa do seu vizinho e matou os girinos com óleo de motor. Ele tinha 7 anos.

Na foto: Jeffrey Dahmer por volta dos 8 anos de idade.

Na foto: Jeffrey Dahmer e seu amigo de infância Lee. Foto tirada durante a festa de Halloween de 1967. Ambos estão vestidos com roupas exibindo o Diabo. Créditos da imagem: Livro “A Father’s History”.

Mas o comportamento de Jeff pioraria ainda mais na fase mais complicada do ser humano: a adolescência.

“Sua postura e o modo que se portava mudou radicalmente entre os 10 e 15 anos. Ele se introverteu ainda mais, ficando rígido e inflexível”.

[Lionel Dahmer]

Jeff crescia passivo e isolado. Ele parecia tenso, seu corpo ficou muito reto. Cresceu cada vez mais tímido durante esse período. Tinha pavor de relacionamentos e não conversava com as pessoas. Mais e mais ele permanecia em casa, sozinho em seu quarto ou sentado em frente à TV. Seu rosto era pálido, parecia ser uma pessoa que não tinha nenhum propósito na vida; um vegetal.

“Suas conversas limitavam-se a responder perguntas feitas a ele, e mesmo assim, de forma monossilábica. Ele estava à deriva em um mundo de pesadelo e fantasias inimagináveis. Nos próximos anos essas fantasias começariam a dominá-lo por completo”.

[Lionel Dahmer]

A Adolescência

Na foto: Jeffrey Dahmer em foto do álbum da Revere High School

Jeff fez o ensino médio na Revere High School, na vizinhança de Richfield. Lá Dahmer jogava tênis e tocava clarinete. Ele era considerado um jovem brilhante, mas não tinha interesse nos estudos, e era conhecido por seu comportamento esquisito e brincalhão. As brincadeiras de Dahmer foram uma tentativa dele de se enquadrar em um mundo do qual não pertencia.

“Ele tinha um bizarro senso de humor. Eu não me lembro de ter uma conversa normal com ele. Ele ficava imitando sons de ovelhas e frequentemente fingia ataques epilépticos nos corredores do colégio. Às vezes ele dava gritos do nada, sem motivo aparente”, disse seu ex-colega de classe, John Backderf.

Dahmer desenvolveu uma ritualística caminhada para entrar no ônibus da escola: 4 passos para frente, 2 para trás, 4 para frente e 1 para trás. Ele nunca deixou de fazer seu ritual. Todos riam daquele nerd de óculos esquisito e engraçado.

John Backderf, colega de Jeff na Revere High School, lançou um interessante livro em quadrinhos onde ele fala sobre como foi ser colega de classe do serial killer. “Todos me perguntavam: ‘Você foi colega de classe de Dahmer? O serial killer? E ai, cara, como ele era?’, então resolvi escrever sobre essa época”.

John Backderf é um dos cartunistas alternativos mais famosos dos Estados Unidos. Ficou conhecido depois de publicar a história em quadrinhos The City, que hoje aparece regularmente em mais de 50 jornais semanais norte-americanos. Foi eleito pela Revista Cleveland uma das pessoas mais interessantes de 2011. My Friend Dahmer é um projeto em quadrinhos que começou em 1994. Sua primeira história apareceu em 1997. Em seguida, lançou o projeto como um romance de 100 páginas de desenhos, mas não encontrou um editor. Ele publicou então My Friend Dahmer numa edição reduzida, de 24 páginas em 2002. My Friend Dahmer retrata a amizade durante a adolescência entre o autor e o serial killer Jeffrey Dahmer, na época em que ambos estudavam na Revere High School. No romance, John Backderf não exime Dahmer de seus crimes, mas o apresenta como um adolescente bastante simpático que era atormentado por seus demônios internos e negligenciado pelos adultos em sua vida. A história relembra seu isolamento, seu consumo excessivo de álcool, o seu comportamento bizarro para chamar atenção e sua mórbida fascinação com atropelamentos.

Na foto: O cartunista John Backderf, que usa o pseudônimo de Derf em seus trabalhos.

“Conheci Dahmer na sétima série… ele era um ninguém… um daqueles garotos que se tornam tímidos inválidos quando entram no primeiro estágio da adolescência. Quando criança, Dahmer era uma vítima constante de bullying. Um nerd magricelo usando óculos era uma presa fácil para os predadores do playground. Isso só piorou com o tempo. Mas toda escola tem crianças que não se encaixam. Não me lembro de ouvir sua voz enquanto estávamos no ensino fundamental, mas quando ele entrou para o ensino médio… No ensino médio ele começou a ter uma fala arrastada, fazendo mímicas e movimentos espasmódicos, imitando pessoas que tinham paralisia cerebral. Soa doente agora, mas nós achávamos aquilo hilário. Eu e alguns amigos instigávamos ele a fazer aquilo… e ele chamava toda a atenção. Foi a primeira vez que ele foi notado no colégio. Nós até formamos um fã clube, o Dahmer Fan Club. Eu era o presidente!”

[John Backderf]

Serial Killers - O Canibal de Milwaukee - Mike Kukral

“Outra vez ele coletou dinheiro para participarmos de um show em um shopping. Chegamos lá e havia uma mulher distribuindo amostras de sementes de girassol e Jeff pegou uma e depois outra e depois outra e depois outra e de repente ele surtou do nada: ‘Eu sou alérgico, eu sou alérgico!’ E saiu correndo do lugar.” [Mike Kukral]

Na foto à esquerda o colega de classe de Dahmer Mike Kukral. Créditos da imagem: A&E Biographay

“Uma vez escutamos alguém correndo e gritando pelo corredor e era Jeff no meio do dia, correndo e gritando com seus braços abertos: ‘Furacão, furacão, todo mundo se escondam!’ [Mike Kukral]

Na foto: Jeffrey Dahmer na Revere High Shool em 1978. A foto não deixa os colegas de Dahmer mentirem. Ele parece fazer uma de suas imitações. Créditos da imagem: My Friend Dahmer

Certa vez, a classe de Jeff fez uma viagem até a capital dos Estados Unidos, Washington. E foi lá que Jeff teve uma ideia surreal: conhecer o vice-presidente dos Estados Unidos, Walter Mondale.

“Jeff disse: ‘Eu tenho uma ideia, vamos lá. Vamos ver o vice-presidente!’ Todos nós rimos e dissemos: ‘OK Jeff, o vice-presidente, conta outra’.

[Marty Schmidt, colega de classe de Jeffrey Dahmer]

Jeff pegou o telefone e ligou para o escritório da vice-presidência dos Estados Unidos.

“Ele explicou que nós éramos estudantes do ensino médio de Ohio, que trabalhávamos no jornal da escola e que gostaria de falar com alguém do escritório da vice-presidência”, conta Marty Schmidt em um documentário do Biography Channel sobre Dahmer.

E Jeff conseguiu. Ele e seus colegas foram convidados a conhecer o prédio da vice-presidência executiva dos Estados Unidos, e mais, conheceram o vice-presidente norte-americano.

“Ele era muito educado com os adultos, vestia-se muito bem. Muito, mas muito respeitoso com os professores. Respondia sempre de maneira respeitosa: ‘sim, senhor’, ‘não, senhor’. Muitas vezes era elogiado por seus trabalhos em classe, outras vezes ele desaparecia da sala e não mostrava interesse nenhum”, diz Mike Kukral no documentário.

Serial Killers - O Canibal de Milwaukee - Marty Schmidt

Apesar do seu engraçado e chamativo comportamento, um lado negro começava a emergir. Jeffrey Dahmer começou a beber muito cedo, muitas vezes bebendo várias cervejas antes de ir à escola. “Na época eu achava que aquilo poderia ser explicado como um típico comportamento adolescente, mas mesmo assim achava estranho. Todas as manhãs antes das aulas, ele bebia todo um pacote com seis cervejas, praticamente engolindo as latas, uma após a outra. Ele tinha 15 anos, e eu sentia que aquilo era diferente.” (John Backderf)

“Eram umas 8h da manhã e estávamos na aula de história. Estava sentada ao lado dele. Ele estava com uma garrafa de uísque. Me lembro de ter perguntado para ele: ‘Jeff, o que é isso?’ Ele levou a cabeça para trás, fazendo movimentos e respondeu: ‘Isso é o meu remédio'” [Marty Schmidt, foto]

"As coisas começaram por volta dos meus 14, 15 anos. Começou com pensamentos obsessivos sobre violência, sexo e morte. E a partir daí as coisas começaram a ficar cada vez piores... eu não falava sobre aquilo para ninguém, ficava comigo." - Jeffrey Dahmer. Foto: Biography Channel.

Jeffrey sabia que havia algo errado. Seus pensamentos sobre morte, violência e sexo o traumatizaram e o fizeram tentar encontrar uma escapatória: a bebida. Ele bebia com o objetivo de espantar aqueles pensamentos horríveis que explodiam em sua cabeça, e já aos 15 anos era alcoólatra. “Ele cambaleava pelos corredores caindo de bêbado, esse comportamento o fez jogar fora os poucos amigos que ainda tinha”. (John Backendorf)

Foi nessa época que Jeff começou a praticar um peculiar hobby: coletar animais mortos na região. Ele pegava as carcaças, levava para casa, dissecava e dissolvia a carne com ácido para que pudesse estudar seus ossos. Ele havia ganhado um kit introdutório de substâncias químicas de seu pai, e eram essas substâncias que ele usava em seus experimentos com animais mortos.

Ele chegou a ter um cemitério particular. Em 1975 um vizinho chamado Kim Klippel, de 16 anos, estava andando na floresta atrás da casa dos Dahmer, uma casa estilo fazenda, quando ele se deparou com a carcaça de um cachorro mutilado. A cabeça estava espetada em uma estaca ao lado de uma cruz de madeira. O corpo totalmente esfolado e eviscerado, foi pregado em uma árvore próxima. Outro vizinho também descobriu o seu cemitério.

“Ele tinha um pequeno cemitério com animais enterrados lá. Havia crânios colocados em cima de pequenas cruzes. Ele tinha uma verdadeira coleção de esqueletos”.

[Eric Tyson, vizinho de Jeff]

Na foto: A residência onde Jeffrey Dahmer cresceu em Bath, Ohio.

Era a primeira manifestação de uma obsessão que se tornaria compulsiva: a obsessão com a morte e com cadáveres.

“Os mortos, em sua quietude, se tornariam os objetos principais de seu crescente desejo sexual. Sua incapacidade de falar sobre tais pensamentos o separaram de qualquer forma de conexão com o mundo que girava fora de si. Ele deve ter visto a si mesmo como uma pessoa totalmente fora da comunidade humana, fora de tudo o que poderia ser considerado normal e aceitável, fora de tudo que poderia ser considerado humano”.

[Lionel Dahmer]

No colégio, suas conversas sobre atropelamento, tortura e morte fizeram com que os colegas desconfiassem que ele pudesse estar envolvido com o ocultismo.

O que poderia se esperar de um adolescente que abriga em sua mente fantasias de sexo e morte? O que os pais poderiam fazer? Isso certamente seria considerado uma doença mental e certamente ele seria tratado. Mas as cruéis fantasias de Jeff ficavam com ele próprio. Ele não se abria e o erro dos pais foi pensar que estava tudo certo, que aquele comportamento introvertido era apenas o resultado de um adolescente tímido, e além do mais, a adolescência é a fase mais complicada do ser humano. Mas não podemos crucificar os pais. Quem em sã consciência pensará que o seu filho adolescente tem vontade de fazer sexo com um cadáver? Casos como o de Jeff são raros, a maioria dos adolescentes crescem introvertidos e/ou revoltados, mas isso passa com a idade adulta.

O Dr. James Fox, reitor da Faculdade de Justiça Criminal da Universidade de Northeastern em Boston, e especialista em serial killers, afirma que “Não havia nada que pudesse ser feito para prever isso antes do tempo, não importa o quão bizarro foi o seu comportamento. Desde Sigmund Freud, nós culpamos os pais por tudo de ruim que as crianças fazem. Os culpados não sãos seus pais, não é sua família, não é a polícia. O culpado é Dahmer”.

Ele não falava e cada vez mais se tornava isolado e incomunicável.

“Ninguém sabia o que se passava por sua cabeça, ele não se abria com ninguém. Ele não tinha amigos íntimos e nem vida social.” 

[Mike Kukral]

“Imaginem… sem amigos, sem uma real conexão com as pessoas, incapaz de ter uma conversa normal… ele tinha os olhos de alguém morto… ele estava totalmente sozinho.”

[John Backderf]

Longe de ser um adolescente rebelde, ele nunca discutia com seus pais pelo simples fato de nada na vida parecer importar para ele. Jeffrey Dahmer nunca teve uma namorada, mas ele teve a companhia de uma garota no baile de formatura.

Na foto: Jeffrey Dahmer (18 anos) e Bridget Geiger (17 anos)

Certamente Jeff Dahmer não era o sonho de consumo das garotas da classe para o baile de formatura da turma de 1978 da Revere High School. Mas apesar do seu comportamento estranho ele conseguiu uma companhia para o baile, Bridget Geiger. Porém ela só aceitou ser a companhia de Jeff depois que ele prometeu que não iria agir de maneira estranha e nem ficaria bêbado.

Bridget lembra de Dahmer como um garoto extremamente tímido, mas muito educado. “Ele nunca disse duas palavras para mim, nem mesmo um beijo de boa noite.” 

No baile de formatura Jeff evitou o tradicional smoking. Como podemos ver na foto, ele usava calças escuras, um colete e uma gravata borboleta estilo ocidental. Bom, a noite do baile…

Jeff desapareceu da cerimônia por cerca de uma hora e voltou totalmente bêbado, o que fez com que os organizadores da festa o barrassem na entrada. Jeff, Bridget e outro casal acabaram a noite em um pub próximo.

Parece que eles tiveram uma amizade mais profunda, ou pelo menos Jeff tentou, pois ele a convidou para uma sessão religiosa em sua casa. Depois disso, Jeff desapareceu e ela só foi ter notícias dele novamente no dia 22 de julho de 1991.

Na foto: Lionel Dahmer e seu filho Jeffrey Dahmer (18 anos) em 1978 em sua colação de grau na Revere High School. 14 dias após essa foto, Jeffrey Dahmer iria cometer o seu primeiro assassinato.

A separação de seus pais

Para aprofundar ainda mais os dêmonios internos de Jeff, ele teve que lidar com a separação nada amigável de seus pais, Joyce e Lionel. O casal brigava pela guarda do filho mais novo, David Dahmer, na época com 12 anos. Jeff Dahmer se sentia abandonado pelos dois. Lionel Dahmer saiu de casa quando Jeff ainda estava na Revere High School.

Após a separação, Joyce retornou para o estado de Wisconsin com David. Por um motivo difícil de compreender e até hoje desconhecido, Jeffrey Dahmer foi deixado sozinho pela sua mãe na casa da família em Bath, Ohio. “Ele foi deixado sozinho na casa, sem dinheiro, sem comida e com uma geladeira quebrada. Esse abandono realmente o afetou”, disse Shari, que se casou com Lionel Dahmer após seu divórcio em 1978.

Poucos dias após se graduar no ensino médio, Jeffrey Dahmer foi abandonado pela sua mãe. Era a primeira vez que ficava sozinho em sua vida; ele tinha 18 anos. Enquanto seus colegas de classe estavam preocupados com suas carreiras,  entrando em Universidades e planejando o futuro, Jeffrey Dahmer estava preocupado com outras coisas.

Steven Hicks, 19 anos

  • Assassinado em Junho de 1978

“Você nunca esquece o primeiro”, disse Jeffrey Dahmer para o detetive Dennis Murphy em 1991.

Jeff tinha 18 anos, e como todo adolescente de sua idade, ele tinha fantasias sexuais. Mas as fantasias de Jeff se desviavam da conduta comum; ele fantasiava sobre matar e dissecar seu parceiro sexual. Sua estadia sozinho na casa da família deu a ele a oportunidade de colocar em ação aquelas fantasias.

Sozinho, Jeffrey Dahmer pôde mergulhar de cabeça na sua maior diversão naquela época: caçar animais mortos. Em junho de 1978, depois de beber uma caixa de cervejas, ele saiu em busca de animais atropelados em uma estrada de Ohio e encontrou um mochileiro pedindo carona. Era Steven Hicks, 19 anos. Jeff ofereceu carona ao mochileiro e o convidou para irem até sua casa para conversarem e beberem cerveja.

Hicks ficou na casa por algumas horas, conversaram, beberam cerveja e fumaram maconha no quarto de Jeff. Estava claro para Jeff que o atraente mochileiro não era gay. Hicks decidiu ir embora, mas Jeffrey Dahmer não suportou a ideia de ser abandonado novamente. Hicks estava sentado na cama quando Dahmer quebrou sua cabeça com uma barra de ferro. Ele agonizou e Dahmer o estrangulou até a morte. “Eu não sabia mais como fazê-lo ficar lá”, disse Dahmer em uma entrevista para Robert Ressler, o agente do FBI criador do termo serial killer, em 1993. Naquele momento Dahmer descobriu que ele ficava excitado ao ter poder sobre outro ser humano assim como ele fazia ao dissecar animais mortos que ele encontrava na estrada. Na manhã seguinte ele foi até uma loja e comprou uma faca de caça. Levou o corpo de Steven Hicks para o porão e o esquartejou. Ele cortou primeiramente os braços e as pernas, depois masturbou-se em cima dos pedaços.

Jeff estava mergulhado em suas mórbidas fantasias, mas estava são o suficiente para entender que havia cometido um crime. Ele deveria livrar-se dos pedaços de Steven Hicks. Ele manteve o corpo desmembrado no porão durante todo aquele dia e na madrugada ele colocou os pedaços do corpo em sacos de lixo e saiu pela estrada buscando um lugar para descartá-los. Foi aí então que a polícia o parou.

Uma das características mais comuns em pessoas com psicopatia aparece aqui: a capacidade ilimitada de mentir e fazer com que as pessoas acreditem naquela mentira. Os policiais o pararam por ele estar dirigindo na contramão. Ele passou no teste de embriaguez, mas os policiais notaram uma lanterna e sacos de lixo com um forte odor no banco de trás. Perguntaram o que ele estava fazendo àquela hora na estrada e o que havia nos sacos e Jeff utilizou sua lábia para enganar os policiais. Jeff disse que estava totalmente abalado pela separação dos seus pais e não conseguia dormir, e que estava se desfazendo de alguns objetos pessoais que o traziam lembranças ruins de sua vida. Ele foi convincente.

Na foto: Steven Hicks, morto aos 19 anos por Jeffrey Dahmer em junho de 1978.

Jeff retornou para casa, e colocou novamente os sacos com os restos de Steven Hicks no porão. Antes de subir para a casa, ele masturbou-se em cima dos sacos. Na outra manhã ele enterrou os sacos na floresta atrás de sua casa. A cabeça e a faca foram descartadas no rio.

Como em várias tribos e civilizações ao longo da história, onde os adolescentes passam por cerimônias de passagem da infância para a fase adulta, podemos dizer que esse dia foi a cerimônia de passagem de Dahmer. Morria naquele dia um dissecador de corpos de animais e nascia um assassino necrófilo. Tendo feito uma vez sem maiores consequências e com um resultado sexual prazeroso, estava na cara que ele repetiria o fato. Mas não foi bem assim.

Em agosto de 1978, Lionel Dahmer fez uma visita para sua família e encontrou Jeff sozinho.

“Eu perguntei. ‘Onde está sua mãe? Onde está David ?’ E ele respondeu: ‘Eles foram embora’. Então eu disse: ‘O que? O que você quer dizer?’ Ele respondeu de novo: ‘Eles foram embora’.”

[Lionel Dahmer]

Lionel voltou a morar na casa juntamente com seu filho. Enquanto Lionel tentava fazer com que Jeff arrumasse um emprego, o jovem só pensava em uma coisa: beber. Jeff passava seus dias bebendo e bebendo. Depois de descobrir o problema do filho, Lionel o levou para frequentar um grupo de alcoólicos anônimos e até o levou em consultas com psicólogos, mas nada disso poderia curar a violência e o terror que o seu primeiro assassinato causou em sua mente. Apenas o álcool parecia dar algum conforto para ele.

“Eu bebia para esquecer o que eu havia feito. Ficava triste quando lembrava do que eu havia feito.”

[Jeffrey Dahmer]

Na foto: Jeffrey Dahmer deitado em uma cama, completamente bêbado.

Jeff se afundava cada vez mais no álcool, o que o impedia de arrumar um emprego e fez seu pai pensar em uma alternativa: faculdade. Nessa época Lionel já estava casado com sua segunda esposa, Shari. Os dois convenceram Jeff a entrar na Universidade do Estado de Ohio. Ele também doava sangue em troca de dinheiro, e com a grana ele comprava mais bebidas. Ele bebeu durante todos os três meses que durou na universidade. Ele então voltou para a casa do pai.

Seu pai fez de tudo para corrigir o filho. O fez frequentar um grupo de alcóolatras anônimos, o colocou na faculdade, tudo sem sucesso. “Jeff, as portas estão fechando”, dizia Lionel.

Cansado da falta de atitude do filho, Lionel deu um ultimato: ele arrumaria um emprego ou deveria se juntar ao exército. Jeff negou-se a trabalhar e continuou bebendo durante todo o tempo. Seu pai então o levou contra sua vontade até o Escritório de Alistamento Militar e o fez entrar para o exército em janeiro de 1979. Lionel achava que a disciplina no exército daria um novo rumo na vida do filho.

Em San Antonio, Texas, ele teve treinamento médico, o que o deixou feliz pois estava aprendendo bastante sobre anatomia humana. Pela primeira vez em sua vida ele parecia excitado com o que fazia. Após seis meses no exército sua aparência foi melhorando, sua pele ficando mais corada e seu corpo mais forte. O garoto tímido e recluso agora saía e até sorria.

Na foto: Jeffrey, Lionel e David Dahmer em 1980. Jeff teve uma mudança visível em 6 meses no exército. Seu comportamento mudou, ficou mais extrovertido e sorria frequentemente.

Mas essa mudança de comportamento foi temporária. Ele voltou às trevas quando foi convocado para servir em Baumholder, Alemanha Ocidental. Lá, mais uma vez, ele voltou a beber. Seu comportamento era solitário mas tranquilo, exceto durante suas bebedeiras, onde se tornava mal-humorado e desafiava seus superiores. Deitado na cama, fones de ouvido quase explodiam ao som de Black Sabbath e outras bandas de heavy metal. As vezes desmaiava de tão bêbado.

Cansado de suas bebedeiras e arruaças, seus superiores o dispensaram em 1981. Ele voltou para os Estados Unidos em um voo para Miami. Sem contar para seus pais que estava de volta, ele começou a trabalhar em uma lanchonete e morava em um motel. O dinheiro era curto, gastava com bebidas e chegou a dormir nas praias de Miami.

“Uma noite ele nos ligou, estava aterrorizado e disse que estava em Miami e que precisava de dinheiro. Eu disse que não mandaria dinheiro para ele e sim uma passagem de avião para que ele voltasse para casa. Nos encontramos no Aeroporto de Cleveland. Ele tinha um sorriso em seu rosto.”

[Lionel Dahmer]

Durante todo ano de 1981, Lionel tentou ajudar Jeff com sua dependência de álcool. Isso tornou uma luta maior ainda quando Jeff foi preso em Bath, Ohio em 21 de junho de 1981.

Na foto: Jeffrey dahmer foi preso em Bath, Ohio em 21 de junho de 1981. Foi preso em um motel e acusado de conduta inapropriada, intoxicação pública (embriaguez) e resistir à prisão. Pela cara de Dahmer dá pra ver que ele realmente tinha bebido todas.

Essa prisão era o início de várias outras de Jeff, e nessa, como nas outras, lá estava o seu pai Lionel pagando advogados e cuidando para que o filho se endireitasse na vida. A vida para Lionel Dahmer seria uma montanha-russa daqui pra frente. Insistia com o filho para que ele fizesse tratamentos e cruzava os dedos para que tudo desse certo. Mal sabia que o problema de Jeff não era o álcool.

Depois de sua prisão em 1981, Lionel achou por bem que Jeff fosse morar com Catherine Dahmer (mãe de Lionel e avó de Jeff) em West Allis, Milwaukee. Lá Jeff morou pelos seis anos seguintes, e pareceu encontrar alguma estabilidade, se esforçando para endireitar sua vida. Ele parou de beber e até arrumou um emprego no Milwaukee Blood Plasma Inc e posteriormente em uma fábrica de chocolates chamada Ambrosia.

Mas a aparente tranquilidade na vida de Jeff não duraria muito.

Na foto: David Dahmer, Lionel Dahmer e Jeffrey Dahmer. Foto tirada em 1982.

Na foto: Jeffrey Dahmer. Em 1982 ele comprou uma pistola Magnum .357 para praticar tiro ao alvo; seu pai descobriu e sumiu com a arma. Jeff foi preso novamente no dia 08 de agosto de 1982 depois de abaixar sua calça para um grupo de pessoas em uma feira de Milwaukee. Foi multado em míseros 50 dólares pelo ocorrido.

Pelos quatro anos seguintes Jeff conseguiu manter sua vida no lugar. Em 1983 conseguiu um emprego na Fábrica de Chocolates Ambrosia, onde era um funcionário de estoque e ganhava 9 dólares por hora. Começou a frequentar a igreja com sua avó e ir em livrarias. Na igreja, as pregações do padre contra o homossexualismo tiveram uma terrível influência na mente de Jeff. Ele, um homossexual reprimido, não aceitava o fato de ter atração por pessoas do mesmo sexo e isso ficava mais complicado ainda quando um padre (um homem visto por Jeff como alguém que fala por Deus) dizia que Deus era contra e não aceitava que pessoas do mesmo sexo se relacionassem. Sua ida às missas mais o prejudicaram do que ajudaram.

A cada dia e a cada semana que passava em sua vida, seus pensamentos sobre violência, morte, sexo e assassinato ficavam cada vez piores, ele não conseguia fazer com que aquilo fosse embora. Como ele não se abria com ninguém, tais fantasias em uma mente psicopata sem tratamento tendem a ficar cada vez mais terríveis.

Especificamente, suas profundas fantasias sexuais limitavam-se a apenas um desejo: alguém que fosse submisso o suficiente para satisfazer suas necessidades sexuais sem que tivesse que retribuir. Em outras palavras, Jeff queria apenas satisfazer a si mesmo. Certa vez ele estava lendo em uma livraria quando recebeu um bilhete. Era um homem oferecendo seus serviços sexuais. Jeff recusou, mas aquele bilhete foi mais um ponto-chave em sua vida. A partir daquele bilhete ele decidiu que deixaria suas convicções religiosas e internas de lado e começaria a por em prática sua fantasia de se relacionar com alguém. 

Ele então começou com um parceiro submisso sexual perfeito: um manequim. Ele roubou um manequim de uma loja e o manteve no porão da casa de sua avó e masturbava-se em cima dele. Com o manequim, Jeff pôde colocar em prática seu controle total sobre “alguém”. Mas sua brincadeira acabou quando sua avó descobriu o boneco e insistiu para que Jeff o jogasse fora.

Em 1986, ele voltou a preso por masturbar-se na frente de dois garotos de 12 anos de idade nas proximidades do Rio Kinnickinnic em Milwaukee. O relatório do juiz diz que “O cliente possui comportamento sexual, emocional, alcoólico e financeiro problemático”.

Ele foi colocado sob liberdade condicional por 1 ano.

Suas perturbações interiores continuaram a entrar em erupção rumo à superfície. Quando ele perdeu seu manequim, decidiu que era hora de colocar para fora aqueles fortes e reprimidos desejos. Ele começou a explorar o submundo gay de Milwaukee, em busca de parceiros reais.

No Club 219 fez amigos, e um deles era um Pastor Luterano, com o qual Jeff conversava abertamente. “Ele falava abertamente sobre o por quê dele não poder ser gay, que havia algo de errado com ele”.

Internamente, Jeff não aceitava o fato de sentir atração por pessoas do mesmo sexo. Para um dos oficiais que o acompanhou durante seu período de liberdade condicional, Jeff disse que estava pensando em se matar, afirmando que era “apenas uma questão de tempo”.

Porém, ao invés de se matar, Jeff dirigiu sua frustração interior para fora. É bem possível que em sua doentia mente ele tenha passado a matar homossexuais como forma de punir a si mesmo.

Milwaukee, 1987

  • Jeff Dahmer volta a matar após 9 anos

Na fábrica de chocolates em que trabalhava, Dahmer fez alguns amigos, mas não socializava com eles após o trabalho. Sua vida se resumia em trabalhar durante a semana e ir a boates gays e saunas em busca de parceiros sexuais aos fins de semana. Nunca era o parceiro passivo, sempre o ativo. Foi duas vezes o parceiro passivo e não gostou. Nessa época ele começou um fascínio mórbido por filmes de terror como Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo, O Exorcista e Star Wars Episódio VI: O Retorno de Jedi. Esses filmes teriam um impacto muito grande na mente perturbada de Jeff.

No verão de 1987, Jeff entrou no Club Milwaukee, uma popular casa de encontro de homossexuais em Walker’s Point. Pagou uma mensalidade que dava direito a seis meses de frequentação. A casa possuía mais de 100 membros na época, os quais reuniam-se na sala de musculação, sala de TV, sauna ou chuveiros, onde podiam conversar, ter relações sexuais ou ir para um dos 38 quartos privados do lugar. De acordo com Bradley Babush, gerente da casa na época, Jeff alugava um quarto de sete dólares, onde ele oferecia bebidas para os seus acompanhantes.

Dahmer começou a drogar seus parceiros, dando para eles bebidas com pílulas para dormir. Ele começou a usar essas pilulas porque alguns homens queriam ser os parceiros ativos, fazer a penetração anal nele, e ele não queria. Essa foi a maneira de manté-los longe dos seus desejos.

“Sua atividade favorita era o que ele chamou de sexo light, que consistia em beijos, toque, abraço. Troca de carícias comuns entre adultos e que ele fantasiava com suas vítimas. Ele descreve uma dificuldade em encontrar parceiros que queriam apenas isso. A maioria dos homens queriam mais do que aquilo, a maioria queriam realizar o sexo propriamente dito, sexo anal com ele. E ele não gostava de sexo anal. Teve algumas experiências e descobriu que não queria ficar naquela posição. Os parceiros também tinham que ir embora e não passavam o tempo que ele gostaria que passassem, realizando essas atividades descritas como sexo light. Ele apenas queria realizar essas atividades de beijar, abraçar, tocar, masturbar. Na tentativa de encontrar uma maneira de manter uma pessoa para isso, ele começou a drogar suas vítimas”, diz Park Dietz, psiquiatra forense que entrevistou Dahmer e testemunhou em seu julgamento em 1992.

Jeff misturava até cinco pílulas para dormir nas bebidas, o que fazia com que os homens ficassem desacordados por até 8 horas. Quando eles ficavam inconscientes, ele dava início ao seu ritual de satisfação sexual. Ele colocava o ouvido no peito dos homens e sentia prazer em escutar os batimentos do coração, o calor que o corpo exalava. Aquilo lhe fazia ter ereção. Ele tocava os corpos dos homens, lembrava de suas aulas de anatomia no exército e imaginava como seria ver o estômago, pulmão, e outros órgãos do corpo. Beijava, tocava, deitava e abraçava o seu parceiro desacordado. Dahmer ficava horas com o parceiro e chegava a masturbar-se três vezes durante o período. Quando a vítima dormia, Jeff podia exercer um controle completo e fazer o que desejasse. Ele não teria que entreter a pessoa e poderia deixar o quarto a hora que quisesse.

A moral de Dahmer na casa começou a ficar abalada quando cinco homens que haviam estado com ele queixaram-se horas depois que se sentiam mal. Quando um dos frequentadores da casa, um homem da cidade de Madison, tropeçou e desmaiou ao sair da casa, Bradley Babush expulsou Dahmer. “Falei pra ele sobre as regras da casa certo. Havia outros lugares”, disse Bradley em reportagem para a Revista People, em 1992.

Esses outros lugares eram as boates gays de Walker’s Point. Essas boates seriam o playground de Jeff pelos próximos quatro anos.

Em 15 de setembro de 1987, Jeff foi até o Club 219. Lá conheceu um bonito jovem chamado Steven Tuomi, de 24 anos.

Na foto: Steven Tuomi. Seus restos mortais nunca foram encontrados. Créditos: Biography Channel.Na foto: Steven Tuomi. Seus restos mortais nunca foram encontrados. Créditos: Biography Channel.

Depois de algumas bebidas, os dois foram passar a noite juntos em um quarto do Hotel Ambassador em Avenues West.

“Eles se conheceram no Club 219, o Sr. Dahmer o convidou para passarem a noite juntos. O Sr. Tuomi concordou. O Sr. Dahmer não se lembra de ter oferecido ou não dinheiro para ele. Eles entraram no quarto e tiveram o que o Sr. Dahmer chama de sexo light, beijaram e masturbaram um ao outro ao mesmo tempo. Após uma hora ou duas, o Sr. Dahmer fez uma bebida para o Sr. Tuomi e misturou algumas pílulas de dormir. Sr. Tuomi bebeu e dormiu. O Sr. Dahmer bebeu sua bebida e eventualmente dormiu. O Sr. Dahmer relembra que ao acordar, o Sr. Tuomi estava deitado e visivelmente machucado. Ele percebeu que o Sr. Tuomi estava claramente morto, havia sangue escorrendo por sua boca, seu tórax estava machucado, alguns dos ossos estavam quebrados”.

[Detetive Dennis Murphy, em depoimento no julgamento de Jeffrey Dahmer, em 1992].

“Coloquei algumas pílulas de dormir em sua bebida. Ele ficou inconsciente. Eu queria passar a noite com ele. E a próxima coisa que eu me lembro é de acordar de manhã e vê-lo deitado na outra ponta da cama. Seus braços e seus peitos estavam machucados, escorria sangue de sua boca. Não me lembrava de absolutamente nada. Eu fiquei completamente em choque. Eu não conseguia acreditar que tinha acontecido aquilo de novo depois de todos aqueles anos. Eu não sei o que estava se passando em minha cabeça. Eu não me lembro. Eu tento lembrar, mas não consigo lembrar de nada”.

[Jeffrey Dahmer]

É provável que Jeff tenha entrado numa espécie de transe e matado Steven. Matá-lo lhe trouxe memórias negras de 9 anos atrás, quando assassinou outro Steven. Apesar do choque inicial, agora Jeff estava são o suficiente para entender o que tinha feito. Ele colocou o corpo de Steven Tuomi no armário do hotel e foi até um shopping center. Ele comprou a maior mala que encontrou, colocou o corpo dentro da mala e esperou o dia inteiro no quarto do hotel. À uma hora da manhã do dia seguinte, ele chamou um táxi que o levou até a casa onde morava, a casa de sua avó, em West Allis. Levou a mala para o porão e deixou o corpo lá por 9 dias. Um determinado dia sua avó não dormiu em casa, ele então tirou o corpo da mala e masturbou-se em cima. Desmembrou o corpo de Steven Tuomi e descartou os pedaços no lixo.

Após 9 anos, Jeff Dahmer voltava a matar. Apesar da morte de Steven Tuomi ter lhe causado um trauma inicial, ele não podia mais combater seus obsessivos pensamentos sobre a morte. Ele decidiu que após aquela morte ele não tentaria mais controlar os seus mortais desejos. A vida de Jeff a partir de setembro de 1987 tornou-se uma implacável busca pela satisfação sexual. Apesar de ter matado Steven Hicks e Steven Tuomi, até então ele não era um serial killer. Jeff era na verdade um necrófilo, psicopata e sádico-maníaco (pus o diagnóstico todo pra dar mais um drama lol) que buscava a todo custo a sua satisfação sexual, frequentando principalmente saunas gays. Mas não mais; o dia 5 de setembro de 1987 viu nascer um mortal serial killer, o mais notório dos últimos 30 anos. E não pense que é um desses que vocês veemm nessas séries ruins de televisão como CSI e Law & Order e acham que são maus e perversos.

“Essa experiência provocou duas mudanças em sua vida. A primeira foi que ele percebeu o quanto era complicado fazer o transporte de corpos de um quarto de hotel, o que fez com que ele não frequentasse mais quartos de hotel. A segunda foi que no porão da casa de sua avó ele percebeu que tinha toda privacidade que precisava. A outra coisa que ele me contou foi que após isso ele não pôde mais se controlar. Em suas palavras: ‘Após aquele incidente, pareceu que não havia maneira de tentar resistir à urgência e a compulsão que me levavam a fazer aquilo. Foi ai então que eu comecei a sair procurando em boates por outras pessoas’. Eu perguntei: ‘O que você quer dizer quando fala que não havia maneira?’ Ele respondeu: ‘Eu não sei, é difícil de descrever. Parecia que aquele momento de bater em uma pessoa e controlá-la era tão forte e tão significativo que saía do meu controle’”.

[Park Dietz]

James Doxtator, 14 anos.

  • 16 de Janeiro de 1988

Dois meses depois, em 16 de janeiro de 1988, ele topou com o adolescente James Doxtator, de 14 anos, em um ponto de ônibus quando ia embora de uma de suas noitadas em Walker’s Point. Ele percebeu que o moleque havia bebido e ofereceu 50 dólares para o garoto para que ele passasse a noite com ele. James concordou e eles pegaram um ônibus até West Allis. Quando a avó de Dahmer dormiu, James fez sexo oral em Dahmer. Jeff então o drogou e o estrangulou e levou o corpo para o porão da casa.

Com James Doxtator, Jeff pôde colocar em prática suas mais terríveis fantasias. Ele manteve o corpo por uma semana no porão para que pudesse fazer sexo a hora que desejasse. Ele masturbou-se várias vezes em cima do corpo. Quando o corpo começou a decompor-se, Dahmer o esquartejou e removeu a carne dos ossos com ácido. Esmagou os ossos com uma marreta, colocou em sacos de lixo e colocou na lixeira da casa de sua avó.

Na foto: James Doxtator, 14 anos. A terceira vítima de Jeffrey Dahmer.

Na foto: Casa da avó de Jeffrey Dahmer em West Allis, Milwaukee.

Bobby Duane Simpson, 27 anos.

  • Fevereiro de 1988

Um mês depois foi a vez de Bobby, lembram dele? Bobby foi um dos poucos a escapar de Dahmer.

Em fevereiro de 1988, Dahmer conheceu Bobby no The Phoenix. Eles começaram uma conversa e Dahmer o convidou para ir até sua casa. Foram de ônibus até West Allis. Entraram na casa e Dahmer sussurrou para Bobby que sua avó estava dormindo.

“Nos beijamos uma vez”, disse Bobby para a Revista People em 1992.

Dahmer foi para a cozinha e fez um café irlandês para os dois. Bobby tomou dois goles e desmaiou. Ele acordou no porão da casa, grogue e confuso. Dahmer estava nu, em pé sobre ele. De alguma forma ele conseguiu se soltar e fugiu. Ao comentar o fato na boate dias depois, um homem que estava sentado ao seu lado disse: “Ele drogou você também?”

Richard Guerrero, 23 anos.

  • 24 de Março de 1988

A mesma sorte não teve Richard Guerrero, 23 anos. Um mês depois de Bobby conseguir escapar, Jeff fez uma nova vítima. Em março de 1988 ele foi até o Club 219. Lá conheceu um bonito jovem de origem mexicana, Richard Guerrero.

Richard caiu na lábia do “carente” Dahmer e aceitou seu convite para ir até a sua casa. Lá teve o mesmo destino de James Doxtator. Richard fez sexo oral em Dahmer, foi drogado e estrangulado. Dahmer desmembrou seu corpo e descartou os pedaços no lixo.

Na foto: Richard Guerrero, 23 anos. Morto por Dahmer em 24 de março de 1988. Quando Dahmer foi preso em 1991 e confessou o assassinato de Richard, sua família questionou o fato dizendo que Richard não era homossexual.

Ronald Flowers

  • Abril de 1988

Poucas semanas depois de esquartejar Richard Guerrero, Jeff Dahmer atraiu outra presa para o seu matadouro. Ronald Flowers, lembram-se dele? O cara que estava com o carro estragado em Walker’s Point e recebeu de Jeff uma oferta de ajuda.

“Ele olhava em meus olhos, mas quando eu olhava nos dele, ele desviava o olhar. Parecia que ele não queria ter contato olho no olho”, disse Ronald Flowers, que foi uma testemunha da promotoria durante o julgamento de Dahmer em 1992.

Como sabido por vocês, Dahmer ofereceu ajuda a Ronald, que aceitou ir até a casa onde Dahmer morava com sua avó. Lá Dahmer ofereceu uma xícara de café para Ronald. “Pela primeira vez ele me olhou nos olhos”, disse Ronald ao descrever Dahmer vendo ele tomando o café.

Ronald acordou no hospital. Ele tentou entrar com uma queixa contra Dahmer mas não foi em frente porque testes laboratoriais não mostraram vestígios de drogas em seu corpo. Halcion, a pílula de dormir que Dahmer usava para drogar suas vítimas dissipa-se rapidamente no organismo não deixando vestígios.

Mas por que Dahmer não o matou??????

Essa resposta foi dada ao detetive Dennis Murphy em 1991.

“Não o matei porque minha avó nos viu juntos.”

[Jeffrey Dahmer]

“Não sei que horas eram, sei que era tarde, umas onze horas da noite. Eu saí de uma boate e fui até o meu carro. Tentei dar partida, mas não funcionava. Eu fiquei tentando, tentando. Ele apareceu e me ofereceu uma carona até sua casa para pegar o seu carro e voltar para guinchar o meu carro. Quando chegamos lá eu disse que o esperaria do lado de fora e ele disse: ‘Não, eu faço questão que você entre. Só vai levar um minuto’. Ele me ofereceu uma bebida. A próxima coisa que eu me lembro foi de perguntar a mim mesmo o porquê de ele me olhar daquele jeito. Antes ele não me olhava nos olhos e agora ele me olhava fixamente. Me perguntei: ‘Por que ele está me olhando desse jeito?’ Eu sei que tomei o café bem rápido, pois o que eu queria mesmo era sair de lá. Me lembro de ficar extremamente confuso, e aí desmaiei. Minha próxima memória já era no hospital. Eu perdi todo meu dinheiro da carteira, perdi um bracelete que estava no meu braço direito”.

[Ronald Douglas Flowers Jr, em depoimento no julgamento de Jeffrey Dahmer, em 1992]

“O Sr. Dahmer disse para mim que drogou o homem [Ronald Flowers] e o levou para o porão. De manhã o homem acordou após o Sr. Dahmer fazer sexo light com ele. O Sr. Dahmer deu 8 dólares para ele e o viu subindo em um ônibus. O Sr. Dahmer disse que o homem estava muito drogado e aparentemente recobrou os sentidos em algum hospital. Perguntei se ele sentia que poderia ser pego por esse incidente e ele disse que não, pois não o havia machucado. Eu disse: ‘Mas você o drogou e tirou seu dinheiro, certo?’ Ele respondeu: ‘Certo, mas achei que ele pensaria que havia perdido o dinheiro depois de beber’”.

[Park Dietz, psiquiatra]

Bobby e Ronald escaparam no exato momento em que Dahmer construia sua escalada de assassinatos. Três homens foram mortos no porão da casa de sua avó num curto período, outros escaparam, e quantos outros provavelmente declinaram ao pedido de Dahmer em boates ou na rua…

Mil novecentos e oitenta e oito foi o ano em que Jeffrey Dahmer perdeu completamente o controle sobre si mesmo (se é que ele tinha algum controle). Aos 18 anos cometeu o seu primeiro assassinato, e de alguma forma ele conseguiu segurar e lutar contra sua vontade interior de matar pessoas por longos 9 anos. Mas ao 27 anos ele voltou a matar. Diz não lembrar de como matou Steven Tuomi no Hotel Ambassador no fim de 1987, mas essa morte foi o ponto de partida, a fagulha que aquela mente perturbada precisava para ligar o motor ao máximo. A patir daquele crime ele decidiu que faria a “sua fantasia de vida mais poderosa do que a sua vida real.

O açougue de Jeff era o porão da casa de sua avó, e é realmente incrível pensar que ele matou três pessoas (e fez o que fez com os corpos) no porão da casa sem que ninguém da família levantasse qualquer tipo de suspeita. O fato de Jeff morar apenas com sua avó, uma mulher de idade, contribuiu para o seu sucesso. Mas o fato é que o comportamento estranho do neto e o cheiro podre que vinha do porão começaram a incomodar a velha. Ela começou reclamando com o próprio neto, depois passou a reclamar com seu filho, Lionel, pai de Jeffrey.

“Eu gosto de usar ácido para descarnar animais mortos”, disse Jeff para sua madrasta Shari Dahmer na época, quando Lionel e Shari conversaram com Dahmer.

Se de um lado a avó de Dahmer não tinha a mínima idéia do que acontecia no porão de sua casa, do outro ela estava  completamente consciente do barulho e das bebedeiras que Jeffrey fazia com seus “amigos”. Alguma coisa deveria ser feita. Cansada do neto, ela pediu para que ele fosse morar em outro lugar.

Então, em 25 de setembro de 1988, Jeffrey mudou-se para um apartamento na North 24th Street, número 808, em Avenues West, Milwaukee. Agora ele estava sozinho no seu próprio lar para fazer o que bem entendesse. Seria o ambiente ideal para ele continuar sua onda de matança, certo?

Errado!

Um dia após se mudar para a sua nova casa, Jeffrey Dahmer se deu mal, mas muito mal.

*Clique na imagem para ampliar. Na foto: O endereço 24th north street, número 808 em Avenues West, Milwaukee. Jeffrey Dahmer alugou um apartamento nesse condomínio após sair da casa de sua avó após 6 anos, mas sua estadia na sua nova casa não durou nem 1 dia. Créditos da imagem: Google Street View.

A Família Sinthasomphone

Sinthasomphone é um nome familiar para vocês, não? Pra quem já esqueceu, Konerak Sinthasomphone foi o garoto asiático que lutou por sua vida na noite do dia 27 de maio de 1991. Corria do serial killer Jeffrey Dahmer, que o drogou em seu apartamento. O final da história vocês já sabem: ele foi devolvido pela polícia para Dahmer, que o matou na mesma noite. Mas a relação de Dahmer com os Sinthasomphone vem desde 1988, e é uma típica história que parece acontecer apenas em filmes, mas para os Sinthasomphone Dahmer é um homem que está longe de ser ficção.

Os Sinthasomphone eram imigrantes vindos do Laos, um pequeno país asiático localizado na Indochina e que faz fronteira com China, Vietnã, Myanmar, Tailândia e Camboja. Eles chegaram em Milwaukee em 1979, atraídos pela esperança de ter uma vida melhor na América. Nos anos 70 a cidade de Milwaukee tornou-se o ponto final de imigrantes vindos daquele país, e vários amigos e parentes dos Sinthasomphone já viviam por lá, o que contribuiu para que eles fossem para a cidade para recomeçar a vida.

A família deixou o Laos em março de 1979 devido a ameças comunistas de tirarem a fazenda de arroz da família, em uma vila perto da capital do país.

“Os comunistas tentaram roubar sua terra, é por isso que ele fugiu. Eles também tentaram prendê-lo, os comunistas disseram que ele fez algo de errado, mas ele não fez nada de errado”, disse Kongpheth Vongphasouk, casado com Thaeone Sinthasomphone, filha mais velha do patriarca da família Sinthasomphone, em uma reportagem publicada no The New York Times no do dia 31 de julho de 1991. “A Tailândia ofereceu refúgio para os laosianos e cambojanos que fugiam de regimes repressivos. A Tailândia ficava do outro lado do Rio Mekong, o Sr. Sinthasomphone construiu uma canoa e enviou toda a sua família pelo rio, de madrugada, com as crianças pequenas drogadas com pílulas para dormir, para que não chorassem e assim não atraíssem a atenção dos soldados que patrulhavam o rio.” 

Poucos dias depois, o patriarca da família, Sounthone Sinthasomphone, atravessou o Rio Mekong a nado e se reuniu com o resto de sua família em um campo de refugiados, onde viveram por um ano. No acampamento, a família fez contato com representantes de programas norte-americanos que tinham como objetivo realocar famílias fugidas de guerras. Com a ajuda do programa e apoio da arquidiocese católica de Milwaukee, a família se mudou para a cidade em 1980.

Os Sinthasomphone tiveram um período de difícil adaptação em sua nova casa; outra cultura, outra língua, foi um impacto muito grande. As crianças da família tiveram menos problemas, se adaptaram muito bem e tornaram-se fluentes em inglês (crianças são sempre mais espertas!). Os mais velhos da família conseguiram empregos como soldadores, operadores de máquinas e trabalhadores de linha de montagem.

“Suas vidas [pais] aqui não tem sido fáceis, mas eles sentiram que a América ofereceu mais oportunidades e melhor qualidade de vida do que o que eles tinham”, disse Anouke Sinthasomphone, com 27 anos na época, e um dos irmãos de Konerak Sintasomphone.

As vidas sofridas (em direções opostas) dos Sinthasomphone e do serial killer Jeffrey Dahmer cruzaram-se pela primeira vez no dia 26 de setembro de 1988. Um dia após mudar-se para o seu apê, Jeffrey Dahmer ofereceu 50 dólares a um garoto de origem asiática, de 14 anos, que viu andando na rua para que ele posasse em fotos para ele. O garoto asiático confiou naquele homem normal e aparentemente inofensivo e aceitou a oferta. Quem era o garoto asiático?

Seu nome não foi divulgado (por ser menor na época), mas ele era um Sinthasomphone, mais precisamente um irmão mais velho de Konerak Sinthasomphone, que seria morto por Dahmer três anos depois. Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, não? Cai, e se bobear cai muitas outras vezes.

Dahmer convenceu Sinthasomphone a se despir parcialmente, tirou duas fotos com sua máquina Polaroid, beijou sua barriga e tocou em seu pênis. Colocou halcion em uma bebida para o garoto, que bebeu mas não dormiu. A droga não fez efeito e o moleque saiu o mais rápido que pôde daquele lugar sem que Dahmer o impedisse ou machucasse. Ao chegar em casa, a família Sinthasomphone percebeu que algo estava errado e levaram o menino para o hospital. Lá, foi confirmado que ele havia sido drogado. A rápida ação dos pais do garoto foi crucial para que os exames laboratoriais comprovassem que ele fora drogado. Diferentemente de Ronald Flowers, que foi drogado por Dahmer na noite anterior e só depois de várias horas fez o exame no hospital, os exames em Sinthasomphone foram feitos quase na mesma hora em que fora drogado, por isso conseguiu-se provar o fato.

Dois dias depois a polícia prendeu Dahmer na fábrica de chocolates Ambrosia. Foi preso sob acusação de exploração sexual de uma criança, ou em palavras mais modernas, pedofilia.

Dahmer agora não era um bêbado exibicionista que abaixava suas calças na rua. Ele agora fora havia sido preso por pedofilia e seu destino poderia ser bem pior do que pagar míseros 50 dólares de multa. Sem falar que ele ficaria preso até pelo menos o juiz decidir se ele poderia aguardar o julgamento em liberdade. Estrupadores e pedófilos não são muito bem vistos por outros presos dentro da cadeia, certo?

Pela primeira vez na vida, o pai de Jeffrey Dahmer viu que os esforços feitos por ele durante toda a sua vida tinham sido em vão. Ele percebeu que o seu filho estava totalmente fora de controle.

“Meu filho parecia que seria aquele mentiroso, alcóolatra, ladrão, exibicionista, molestador de crianças. Eu não podia imaginar como ele havia se tornado aquela alma arruinada… Pela primeira vez eu senti que os meus esforços e recursos não seriam suficientes para salvar meu filho. Faltava uma coisa em Jeff… Nós a chamamos de consciência, que havia morrido ou talvez nunca tivesse existido”.

[Lionel Dahmer]

Dahmer declarou-se inocente em uma audiência preliminar e foi libertado sob fiança em dinheiro de US$ 2.500 dólares. Ele voltou a morar com sua avó em West Allis e em janeiro de 1989, e sob conselho do seu advogado, Jeff muda seu apelo para culpado e o julgamento é marcado para maio de 1989. Mas Jeff não consegue segurar seus ímpetos, e uma vez livre, ele retorna para a movimentada noite de Walker’s Point e é lá que, um mês antes do seu julgamento, ele conhece a sua quinta vítima.

Anthony Sears, 26 anos.

  • 25 de Março de 1989, La Cage

A vítima dessa vez foi Anthony Sears, de 26 anos. Dahmer elogiou o corpo do negro atlético no La Cage e ele caiu na lábia do bonito homem loiro. Anthony estava na companhia de outros dois amigos. Jeff e os três homens sairam juntos da boate e um amigo de Anthony deixou-os em West Allis.

Com Anthony Sears, Dahmer daria início a um ritual macabro enraizado nas suas mais doentias fantasias. Dahmer esquartejou seu corpo, removeu a carne dos ossos usando ácido e ferveu a cabeça da vítima até que a carne do crânio despregasse. Tirou a pele e pintou o seu troféu de cinza. Também removeu o pênis. Mas onde guardar seus troféus? Na casa de sua avó seria muito perigoso, ele então guardou suas lembranças no seu armário particular na Fábrica de Chocolates Ambrosia. Vocês acham isso doentio? Vocês não viram nada.

Na foto: Anthony Sears, 26 anos. A quinta vítima de Jeffrey Dahmer e a terceira e última a ser morta na casa de Catherine Dahmer, sua avó. Com Anthony, Jeff daria início a um ritual que a cada morte se tornaria mais complexo e aberrante. Tendo matado outras 4 pessoas antes sem levantar suspeitas, Jeff agora havia decidido que suas vítimas ficariam com ele para sempre. Anthony Sears foi o primeiro de suas vítimas da qual Jeff manteve o crânio e pênis como troféus. O crânio de Anthony seria encontrado no dia 22 de julho de 1991 no apartamento de Dahmer. Créditos da imagem: A&E Biography.

Na foto: Jeffrey Connor.

“Eu o conhecia [Anthony Sears] a aproximadamente três anos. Naquele sábado fomos juntos ao La Cage, uma boate gay em Milwaukee. Fomos no meu carro. Conheci ele [Jeff Dahmer] perto do horário em que a boate fechava. Quando a boate fechou fomos eu, Anthony, Jeffrey Dahmer e outro amigo [de nome Bob] nosso para fora. Entramos no meu carro, Jeffrey Dahmer e Anthony sentaram-se no banco de trás. Deixamos os dois em West Allis… claro que eu sabia que os dois fariam alguma coisa [ficarem a noite juntos]. Eu e Anthony combinamos que eu o pegaria na manhã seguinte mas ele não ligou e nunca mais o vi”

[Jeffrey Connor, amigo de Anthony Sears, em depoimento no julgamento de Jeffrey Dahmer em 1992]

Na foto: Park Dietz durante o julgamento de Jeffrey Dahmer.

“Ele disse que o achou muito atraente. Ele o matou e manteve o crânio. Foi nessa época que ele formulou um plano de construir um Templo da Morte. Ele desenhou um diagrama sobre sua idéia de construção do templo e o diagrama mostrava 10 crânios em cima de uma mesa preta, incensos queimando em ambos os lados, dois esqueletos inteiros que seriam montados ao lado da mesa preta. Lâmpadas azuis seriam colocadas acima da mesa, e no meio, uma imagem de Satã. Uma cadeira preta seria colocada de frente para o templo para que ele pudesse se sentar e admirar sua coleção, como um mestre. Segundo ele, com isso, ele seria capaz de se tornar uma força espiritual muito poderosa”

[Park Dietz]

Isso mesmo. Não bastava matar e esquartejar. Ele agora queria atingir um outro nível. Sua satisfação era manter o controle sobre as pessoas. Por que não criar um templo, para que ele, O Mestre, pudesse exercer um tipo de controle sobre todas aquelas pessoas que ele matou? Um templo para que ele pudesse admirar e comandar seus súditos, sentando na cadeira e masturbando-se em frente a eles?

Veja abaixo o diagrama feito por Dahmer e apresentado pelo psiquiatra em seu julgamento em 1992.

*obs.: Clique na foto para ampliar. Na foto: O diagrama do santuário da morte de Jeff Dahmer. Dahmer desenhou em detalhes o Santuário que construiria. Ao centro uma grande mesa preta (black table), em cima dela 10 crânios humanos, 5 de cada lado da mesa. Nas extremidades da mesa preta, incensos queimariam. Ao lado da mesa, os homens desenhados referem-se a esqueletos inteiros que seriam pintados (painted skeletons). Acima da mesa presta, 4 grandes globos com lâmpadas azuis (lamp with blue globe lights). Acima, nota-se a imagem de Satã (rosto desenhado com chifres). De frente a mesa, Dahmer planejava colocar uma cadeira preta, para que ele (O Mestre) pudesse se sentar e admirar o seu trabalho.

Na foto: O Diagrama do Santuário da Morte de Jeffrey Dahmer. Atrás do Santuário Dahmer pensou em colocar cortinas azuis.

Na foto: Em destaque a cadeira preta do "Mestre". Nela Dahmer poderia sentar-se, admirar e dar órdens aos seus súditos.

Mas para que esse plano desse certo ele teria que continuar matando. Seu altar macabro tornou-se seu único plano de vida, sua única ambição. A morte significava mais do que a vida para Jeffrey Dahmer.

O julgamento de Jeff Dahmer por exploração infantil

  • 23 de Maio de 1989

Em 23 de maio de 1989, o advogado de Dahmer, Gerald Boyle, e o promotor, Gale Shelton, apresentaram seus argumentos ao Juiz William Gardner. O promotor queria uma sentença para Dahmer de no mínimo cinco anos de prisão.

“Em meu julgamento está absolutamente claro que o prognóstico de tratamento para o Sr. Dahmer dentro da comunidade é extremamente sombrio… Sua percepção do que ele fez de errado foi a de que ele escolheu uma vítima muito jovem… Ele parece ser cooperativo e receptivo, mas nada do que vejo por fora indica que ele pode lidar com sua raiva e seus profundos problemas psicológicos”.

Três psicólogos que o examinaram concordaram que Dahmer era manipulador, resistente e evasivo. A hospitalização e o tratamento intensivo foram recomendados pelos psicólogos.

O advogado de Dahmer argumentou que ele era doente e que precisava de tratamento, e não prisão. Gerald Boyle enfatizou o fato dele ter um trabalho.

“Nós não temos um infrator múltiplo aqui. Eu acredito que ele foi pego antes do ponto que poderia ser pior, o que acredito ser uma uma bênção disfarçada”.

Dahmer falou em sua própria defesa, culpando o alcoolismo por seu comportamento. Ele era articulado e convincente.

“O que eu fiz foi muito sério. Eu nunca estive nessa posição antes. Nada é mais terrível. Isto é um pesadelo tornando-se uma realidade para mim. Isso chocou a mim mesmo. A única coisa que eu tenho em minha mente, e que é estável e que me dá uma fonte de orgulho, é o meu trabalho. Eu estive muito perto de perde-lo por causa dos meus atos, dos quais eu admito total responsabilidade… Tudo o que eu posso fazer é implorar para você, por favor poupe o meu trabalho. Por favor me dê uma chance de mostrar que eu posso, que eu posso trilhar meu caminho e não me envolver mais em nenhuma situação como essa… Seduzir uma criança foi o clímax da minha idiotice… Eu quero poder ajudar. Eu quero poder transformar minha vida”.

Uma maravilhosa performance de um psicopata em ação!

O juiz caiu de joelhos diante da lábia de Dahmer. Uma das características mais comuns em psicopatas é a ilimitada capacidade de mentir para se proteger da sociedade. A sentença do Juiz foi cinco anos de liberdade condicional e um ano de prestação de serviços na Casa de Correção de Milwaukee, o que permitia que ele trabalhasse durante o dia e retornasse para casa durante a noite. Ele também não podia se aproximar de crianças. O serial killer escapava de ficar enjaulado por cinco anos.

Durante todo o resto do ano de 1989, Dahmer cumpriu sua sentença. Trabalhava durante o dia na Fábrica de Chocolates e voltava para a Casa de Correção de Milwaukee durante a noite. Sendo vigiado de perto, ele não tinha como matar.

“Ele foi alguém que veio, cumpriu seu tempo e foi embora. Ele era um cara normal”, disse Jerry Wentzel, chefe de segurança do Centro.

No Natal de 1989, o juiz deu 12 horas para que Dahmer pudesse passar a data com sua família. Ao invés disso, ele foi para um bar e bebeu até cair. Algumas fontes dizem que ele acordou amarrado em uma cama de motel onde um homem o teria abusado sexualmente com um castiçal. Será mesmo? O predador teria virado presa? Esse fato está descrito em  uma extensa pesquisa sobre serial killers feita pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Radford, Virgínia.

O fato é que ele chegou na prisão várias horas depois do horário marcado.

Após dez meses, o juiz concedeu-lhe liberdade antecipada, ignorando uma carta de Lionel Dahmer implorando para que o juiz não soltasse seu filho até que ele pudesse receber um tratamento adequado.

“Eu sinceramente espero que você possar intervir de alguma maneira para ajudar o meu filho, o qual eu amo muito e ao qual desejo uma vida melhor. Essa pode ser a nossa última chance de fazer algo que o ajude.”

[Parte da carta que Lionel Dahmer enviou ao juiz pedindo para que ele não soltasse seu filho antes de um tratamento adequado]

Ele voltou para a casa de sua avó em março de 1990, mas sob a condição de encontrar um lugar para viver.

Depois de sair do Centro Correcional de Milwaukee, ele voltou à vida subterrânea de Walker’s Point. Nas quintas-feiras à noite ele ia ao The Triangle, onde por apenas 3 dólares ele podia beber quantas cervejas quisesse. No bar Partners, ele conversou com Tom Neuman. Conversaram, dentre outras coisas, sobre programação de computadores. Uma noite Tom convidou Dahmer para dar uma volta. Pararam atrás do bar This Is It. Tom convidou Dahmer para passar a noite com ele, mas Dahmer recusou. É possível que Dahmer não tenha se sentido atraído por Tom, um branco gordo e de aparência desleixada.

*Obs.: Clique na imagem para ampliar. Na foto: Bar Triângulo (The Triangle Bar) na 135 East National Avenue. Desde sua inauguração em 1988, o Bar Triângulo, em Walker’s Point, tem sido um point da cena gay. A promoção dos três dólares continua até hoje, mas apenas aos domingos. Créditos da imagem: Google Street View.

Na foto: Lionel Dahmer e Jeffrey Dahmer. Data desconhecida.

A mudança para os Apartamentos Oxford

  • 14 de Maio de 1990

Dois meses depois de sair em liberdade, Dahmer mudou-se para o Prédio dos Apartamentos Oxford na 924 North 25th Street. Era o ambiente ideal para em 15 meses matar mais 12 pessoas, 10 delas negras.

O local era barato e ficava perto das boates gays de Walker’s Point. Uma vez que Dahmer tinha seu próprio apartamento, ele pôde colocar em prática toda sua fantasia de crueldade.

Um mês depois de ter se mudado, ele conheceu Edward Smith, de 28 anos, no Club 219. Dahmer o convidou para esticar a noite em seu apartamento, e lá Edward foi drogado e estrangulado. Foi a primeira vítima da qual Dahmer tirou fotos dos vários estágios de sua morte.

Poucas semanas depois, Dahmer conheceu Raymond Smith no mesmo Club 219. Raymond fez sexo oral em Dahmer antes de ser desmembrado. Seu corpo foi derretido em ácido. Sua cabeça foi fervida em uma panela e Dahmer guardou o seu crânio.

Na foto: As vítimas de número 6 e 7 de Jeffrey Dahmer.

Com vítimas abundantes, a lentidão da polícia e ninguém na comunidade gay enviando um alerta sobre uma onda de desaparecimentos, Dahmer, assim como vários outros assassinos em série, pode ter crescido desleixado. Isso se faz perceptível por outras vítimas que conseguiram escapar do canibal. No verão de 1990, foi a vez de Leonard, lembram dele? “Ele colocou um lenço em minha boca e assim não podia gritar”, lembra L. Dahmer então iniciou a sessão de tortura batendo com um martelo em seu pescoço. Após três horas de brincadeiras violentas, Dahmer soltou sua vítima dizendo: “Se você falar qualquer coisa para qualquer pessoa eu mato sua família”.

Mas L. viu a morte muito perto, e mesmo sendo um criminoso vendendor de drogas chamou a polícia, que visitou o apartamento de Dahmer mas não o encontrou.

Alguns acreditam que o fato de Dahmer ter soltado L. pode ter sido um sinal de que ele queria que a polícia o pegasse. Mas outros especialistas, como o ex-agente especial do FBI John Douglas, acreditam no contrário. “Isso não é um grito de socorro. Não há o desejo de ser pego. Eles se divertem, eles tem orgulho dos seus trabalhos, eles não se arrependem”.

Ninguém percebeu que havia um serial killer em Milwaukee, pois Dahmer não deixava rastros. Nessa época ele encontrava regularmente com o policial da condicional encarregado de escrever relatórios sobre o ex-condenado. As visitas, porém, sempre aconteciam no escritório do policial, e não na casa do acusado, como de costume.

Mais duas vítimas

  • Setembro de 1990

Earnest Miller, 24 anos, tornou-se a oitava vítima do serial killer. Dahmer manteve seu esqueleto inteiro em seu apartamento como um troféu. Ele obteve satisfação sexual ao comer o bíceps e o coração de Earnest. Agora Earnest era parte dele e segundo Dahmer, viveria eternamente através dele.

Em 24 de setembro de 1990 foi a vez de David Thomas, 24 anos. Ao chegarem ao apartamento, Dahmer percebeu que aquele homem não o atraía. Ele o matou porque David não lhe daria prazer. Dahmer tirou várias fotografias do seu corpo enquanto desmembrava.

Feriado do dia de Ação de Graças

  • 22 de novembro de 1990.

Em 22 de novembro de 1990, Jeffrey Dahmer passou o feriado do dia de Aação de Graças na casa de sua avó, em West Allis. Seu pai e sua madrasta, como faziam todos os anos, foram passar o feriado na casa da matriarca da família. Lionel levou uma câmera e filmou o seu filhote. Ver o vídeo dá uma certa tristeza, dá para notar que Lionel sentia orgulho do seu filho. Jeff estava bem vestido, com uma aparência muito boa, conversando muito bem, e isso fez com que seu pai ficasse orgulhoso dele. Já haviam se passado dois anos desde o último incidente com o filho e, desde então, Dahmer parecia estar muito bem. Estava trabalhando e não tinha se envolvido em encrencas. Dá pra perceber que Lionel parecia estar pensando: “Finalmente meu filho está indo pelo caminho certo”.

Mas esse mesmo homem inofensivo aos olhos da família já havia trucidado nove homens em crimes bárbaros. E depois desse dia sua onda de matança continuaria, e continuaria muito pior.

Bizarro, não? Lionel Dahmer pergunta a Jeff se ele limpou o seu apartamento para que ele pudesse ir visitá-lo. Lionel pergunta e dá uma risada. O mais interessante é ver o comportamento de Dahmer, ele nem soluça ao responder ao pai. Muito frio. Ele tem o completo domínio da situação. Ele sabe se safar.

No vídeo Lionel diz que Jeff está muito bem e ele responde: “Eu tenho sobrevivido principalmente de comida do McDonald’s”.

C’amon Jeff. Comida do McDonald’s????? Todos nós sabemos qual é a sua dieta… humor negro… Era para ser uma brincadeira. De mau gosto, concordo.

Técnica para perfuração do topo do crânio

Cinco meses após Dahmer matar David Thomas, ele atacaria de novo. Catorze dias após a estréia de O Silêncio dos Inocentes, ele conheceu Curtis Straughter, 19 anos, que aceitou o seu convite para ir até o apartamento 213. Lá Curtis fez sexo oral em Dahmer e cometeu o erro de querer penetrar o loiro. Dahmer o algemou (foi a primeira vez que ele usou suas algemas), drogou e estrangulou Straughter. Seu crânio foi mantido como troféu. Porém, antes de estrangulá-lo, algo estranho aconteceu.

“Ele estava deitado na minha cama quando começou a desmaiar, ele caiu e bateu em uma mesa preta.” (Jeffrey Dahmer)

Essa mesa preta de Dahmer tinha duas estátuas de grifos (criatura mitológica com corpo de leão e asas de águia). Para Dahmer, o fato de Straughter ter caído e batido nessa mesa preta não fora mera coincidência. Em sua mente ele imaginou que aqueles dois grifos faziam parte do oculto e simbolizavam aquilo que ele procurava: O poder de controlar alguém.

Em 1991, as perturbações mentais de Dahmer chegaram a um nível assustador. Um nível até hoje pouco conhecido da psiquiatria. Depois de 10 assassinatos, ele chegou a conclusão de que o mais perfeito para sua vida agora seria conseguir um parceiro totalmente submisso, alguém que apenas obedecesse o que ele ordenasse. Alguém que não reclamasse de nada, alguém que sempre estivesse disposto a fazer tudo o que ele quisesse e mandasse, da mesma forma que os grifos fizeram com Curtis. Foi ai então que ele começou uma experiência bizarra. Uma experiência para tentar criar o que ele chamou de “ZUMBI”.

Dahmer queria um homem que lhe servisse de escravo sexual, naquele momento ele não queria mais corpos, talvez ele tenha cansado de matar. Masturbar e transar com corpos já não o satisfazia como ele queria. Ele queria um companheiro vivo, mas de preferência que não falasse ou enchesse o saco. Nada melhor do que um zumbi, não?

Em abril de 1991, Errol Lindsey, 19 anos, foi drogado por Dahmer. Com a vítima inconsciente mas ainda viva, Dahmer fez o que descreveu como “técnica para perfurar o topo do crânio”. Com uma furadeira, ele abriu um buraco na cabeça de Errol e injetou ácido muriático.

“Essa foi a primeira vez que ele perfurou a cabeça de uma vítima com uma furadeira. E aqui o Sr. Dahmer disse que ele primeiramente drogou o Sr. Lindsey e depois ele fez o que descreveu como técnica para perfurar o topo do crânio. Nós discutimos isso em detalhes. Ele disse que após perfurar o crânio, ele injetou ácido pela cavidade que havia aberto. O Sr. Lindsey acordou, e quando ele ficou consciente o Sr. Dahmer disse que ele estava grogue mas coerente. Ele deu mais bebidas com pílulas para dormir para o Sr. Lindsey e então o estrangulou. O que O Sr. Dahmer queria aqui era um parceiro sexual submisso, um zumbi, como ele mesmo descreveu. Ele não queria mais corpos. Sua intenção ao deixar esse indivíduo vivo era que ele tivesse um zumbi para lhe servir de escravo sexual. Mas o Sr. Lindsey acordou e o Sr. Dahmer percebeu que ele havia falhado no seu experimento, então ele o estrangulou. Eu lhe perguntei em nossa conversa: ‘Você esperava que ele se levantasse após esse experimento e dissesse: pois não mestre?’ Ele respondeu: ‘Não, não. Eu apenas estava tentando desabilitar a vontade’. Eu disse: ‘Sua vontade?’ E ele respondeu: ‘Sim'”

[Park Dietz]

O corpo de Errol Lindsey foi mantido por alguns dias para que Dahmer fizesse sexo com ele a hora que desejasse.

Em 24 de maio de 1991, o surdo-mudo Tony Hughes, 31 anos, envia um bilhete de paquera para Dahmer no Club 219. Dahmer o convida para ir até o seu apartamento para beber e ver vídeos pornográficos. Tony nunca mais seria visto.

“O Sr. Dahmer não tentou matá-lo. O Sr. Hughes morreu em consequência dessa técnica de perfuração. O Sr. Dahmer perfurou o seu crânio com uma furadeira e injetou ácido. O Sr. Hughes morreu imediatamente. A intenção do Sr. Dahmer era mantê-lo vivo. Aqui não há compulsão em matar, ele não queria matar, ao contrário, queria manter o Sr. Hughes vivo para que ele lhe servisse para satisfazer o seu prazer sexual.” 

[Park Dietz]

Dee Konerak Sinthasomphone

Serial Killers - O Canibal de Milwaukee - Dennis Murphy

Três dias depois foi a vez de Dahmer ter um novo encontro com um membro da família Sinthasomphone.

“Ele viu a vítima andando pelo shopping. Se apresentou para ele e ofereceu 50 dólares para ele posar para fotos em seu apartamento. Eles chegaram ao apartamento por volta das dezessete horas. Dahmer tirou várias fotos da vítima. O Sr. Dahmer disse que Tony Hughes, o qual ele havia matado dias atrás, estava deitado nu na porta do banheiro. Ele acredita que o garoto asiático o viu mas não reagiu, provavelmente por causa das pílulas de dormir que ele havia ingerido. Após ele beijar o garoto e tocar o seu pênis ele não conseguiu penetrá-lo satisfatoriamente. Ele então sentou no sofá para beber cerveja e assistir a vídeos pornográficos até que ele adormeceu. Depois de algumas horas ele acordou e percebeu que a vítima ainda estava dormindo. Ele decidiu sair para beber mais cervejas em um bar nas proximidades do seu apartamento. Ao caminhar de volta para o apartamento ele viu a vítima completamente nu na esquina da 25th state. Ao lado dele havia duas garotas negras e elas pareciam estar histéricas. Ele andou até a vítima e percebeu que Konerak parecia falar uma língua asiática com as duas garotas. A vítima estava desorientada. Ele chegou e disse para as garotas que ele era um amigo do garoto e tentou levá-lo para o seu apartamento. As meninas disseram que não sabiam se ele realmente conhecia aquele garoto e que haviam chamado a polícia.” [Dennis Murphy, foto, em depoimento durante o julgamento de Jeffrey Dahmer]

Como já explicado, Konerak foi levado de volta ao apartamento 213 por policiais. Dahmer deu uma segunda injeção de ácido muriático, causando sua morte (não há informações aqui se Dahmer tentou uma lobotomia em Konerak, o que parece ser provável). Removeu seu pênis, dissolveu sua carne em ácido e ferveu sua cabeça no fogão. Pintou o crânio de Konerak e o colocou junto aos outros em sua estante.

Na foto: Dee Konerak Sinthasomphone. O garoto nascido no Laos foi morto aos 14 anos de idade pelo serial killer Jeffrey Dahmer. Seu crânio virou um troféu. Três anos antes, Dahmer abusou sexualmente de um irmão mais velho de Konerak, que conseguiu escapar.

No dia 30 de junho de 1991 ele conhece Matt Turner em uma parada gay. Ele masturbou Dahmer, que em seguida o drogou e estrangulou. A cabeça de Matt foi parar no freezer de Dahmer.

A carnificina continuava e cinco dias depois ele conheceu Jeremiah Weinberger, 23 anos, em um bar em Chicago. Ele levou Jeremiah para o seu apartamento oferecendo dinheiro. A vítima fez sexo oral em Dahmer, beijaram e masturbaram-se. Assistiram vídeos pornográficos e Jeff lhe ofereceu uma bebida. Dahmer já havia falhado em tentativas anteriores de criar um zumbi. Mas por que? Dahmer deve ter martelado essa pergunta em sua cabeça durante muito tempo. Injetou ácido na cabeças de vítimas anteriores e o negócio não funcionou. Então, com Jeremiah, Dahmer fez diferente. Ele perfurou sua cabeça com uma furadeira, colocou água para ferver no fogão e injetou água quente no buraco. Jeremiah acordou e Dahmer percebeu que ele não era um zumbi, estava apenas grogue. Dahmer repetiu a experiência. Deu mais drogas para Jeremiah. A vítima desacordou novamente e Dahmer injetou mais água quente dentro de sua cabeça. Dessa vez Jeremiah nunca mais acordaria. A vítima entrou em coma. Na manhã seguinte ele ainda estava em coma e Jeff tentou acordá-lo. Dahmer foi para o trabalho e ao voltar notou que a vítima estava morta.

“Ele disse que quando voltou e percebeu que Jeremiah estava morto, se sentiu mal, pois ele queria que a vítima estivesse bem para que os dois pudessem conversar”.

[Judith Becker, psiquiatra que entrevistou Dahmer e testemunhou em seu julgamento em 1992]

A cabeça de Jeremiah teve como destino o freezer de Dahmer, e foi colocada ao lado da de Matt Turner.

A essa altura Dahmer já possuía um barril azul com 57 litros de ácido clorídrico que ele usava para dissolver suas vítimas. Após dias no ácido, a carne das vítimas reduzia-se a uma pasta preta que Dahmer tentava descartar usando o vaso sanitário e ralos. Um odor terrível de carniça invadiu o prédio e muitos vizinhos farejaram o cheiro e deram de cara com o apartamento 213.

“A única coisa da qual os vizinhos reclamavam era do mau cheiro que vinha do apartamento. Uma vez liguei pra ele e disse: ‘Ei, Jeff limpe esse seu apartamento, já estou cansado de receber reclamações de mau cheiro’. Ele respondeu: ‘Pode deixar, vou resolver isso’”, disse o síndico do prédio na época.

Na foto: Pamela Bass. "Era um cheiro insuportável. Certa vez eu fui farejando em todas as portas dos vizinhos. Quando cheguei na porta do Jeff, eu pude perceber que o cheiro vinha lá de dentro. Achávamos engraçado também o fato de que, o que quer que seja que Jeff estivesse cozinhando, ele comia sozinho, ele nunca levou uma namorada para o apartamento. O cheiro era muito particular, apimentado." Créditos: Biography Channel.

Dahmer era um solitário patológico, ele não queria que os seus parceiros sexuais o deixassem, mesmo após a morte. Manter certas partes dos corpos era uma maneira de Dahmer exercer seu controle sobre eles. Mesmo que fossem apenas crânios.

No dia 12 de julho de 1991, Oliver Lacy, 23 anos, perdeu sua vida quando aceitou o convite do homem loiro para ir até o seu apartamento. Oliver era um negro atlético que chamou a atenção de Dahmer. Tiveram o que Dahmer chamou de “sexo light”. Foi drogado e Dahmer tirou fotos do seu corpo nu. Quando Dahmer teve sua satisfação completa matou Oliver. Descarnou a vítima e colocou sua cabeça e o seu coração na geladeira (para comer mais tarde). Foi a cabeça de Oliver que o policial Ron Mueller viu no dia 22 de julho de 1991.

No dia 15 de julho de 1991, Dahmer foi demitido da Fábrica de Chocolates Ambrosia depois de sucessivas faltas sem explicação (ele estava muito ocupado). Dahmer vivia o ápice doentio do seu distúrbio mental, nada mais importava para ele. Ele só queria matar e matar. Era o seu novo trabalho: matar pessoas.

Quatro dias depois de ser demitido, Dahmer faria sua décima sétima vítima. Seu vizinho do apartamento 214, Vernell Bass, chegou em casa por volta das seis horas da manhã. Ele ouviu o barulho de uma serra elétrica. Dahmer estava ocupado trabalhando no que seria a sua última vítima, Joseph Bradehoft, 25 anos.

“Eu me perguntava o que diabos ele estaria construindo lá. Minha mulher pensou que ele estava construindo estantes para armários. Então de repente, quando o barulho cessou, eu escutei ele gritando: ‘Desgraçado, eu te disse, porra!’ Me pareceu estranho porque não escutei ninguém responder ou falar”.

Joseph esperava por um ônibus nas imediações da Universidade de Marquette. Dahmer fez a mesma oferta em dinheiro e ele concordou em ir com ele para o apartamento. Fez sexo oral no indivíduo antes de matá-lo. Colocou sua cabeça no freezer. Seu corpo foi corroído por ácido e depositado no barril.

Na foto: 9 das 12 vítimas de Jeffrey Dahmer entre setembro de 1990 e julho de 1991. Créditos das Imagens: A&E Biography.

No dia 19 de julho de 1991, Jeffrey Lionel Dahmer fazia a sua 17ª vítima. De maio de 1990, quando se mudou para o apartamento 213 da 924 north 25th street, até sua prisão, no dia 22 de julho de 1991, Jeffrey Dahmer viveu sua luxúria assassina intensamente. Matou 12 pessoas no seu apartamento num período de 15 meses. Mas ele queria mais.

Um dia após trucidar Joseph Bradehoft, ele procurava vítimas no Club 219 em Walker’s Point. Cerca de 20 minutos antes da boate fechar, um jovem afro americano de nome A. (ele não deu seu nome completo por medo de sofrer represálias por sua bissexualidade) dançava nas luzes quentes e brancas da pista de dança. Lembram-se dele? O cara que eu chamei de “Alex” no início do post?

De repente A. encontou-se olhando para Dahmer, que estava bêbado mas de uma aparência muito boa. Dahmer disse que ele era um eletricista de Chicago, cansado de ficar sozinho. A. rejeitou as investidas de Dahmer duas vezes. Dahmer então partiu para o plano B, ofereceu 100 dólares para uma conversa, nada de sexo. Implorando, ele dizia: “Você é o cara mais legal que eu encontrei em Milwaukee”.

Finalmente, às três horas da madrugada, A. concordou com um encontro em um estacionamento do lado de fora do Prédio Oxford. Ele foi ao encontro do estranho, que estava fumando um cigarro e bebendo uma cerveja. “Oh, eu estou tão feliz que você veio, a maioria das pessoas nunca vem”, disse Dahmer

Os dois subiram as escadas, indo ao apartamento 213, A. tinha um bigode bem aparado. Confundindo-o com um latino, Dahmer disse que tinha uma foto de um porto riquenho nu, bem dotado, em seu quarto, mas ele não estava preparado para mostrar a ele ainda. Quando A. levantou-se para ir embora, a voz de Dahmer cresceu em pânico. Ele foi até o quarto, murmurando que conseguiria algum dinheiro para dar a A. para que ele pudesse ficar mais tempo. Desconfiado, ele foi atrás de Dahmer, acendeu a luz e viu uma mancha de sangue na cama e uma faca. A. conseguiu permanecer calmo.

“Eu sabia e ele sabia que eu sabia que alguma coisa estava errada. Eu coloquei meu braço em volta dele e disse: ‘Agora me mostre o porto-riquenho’. Foi a alternativa que eu tive para manter a situação”, disse A.

Eles retornaram para a sala onde A. continuava a dar atenção a Dahmer. Dahmer pediu para que ele tirasse suas roupas e deitasse sobre seu corpo. Ele esfregou nas costas de A. murmurando que sua pele era “como manteiga”. Quando A. tentou se levantar, Dahmer apertou seu braço. “Ele não era mais a pessoa educada que eu conheci”, lembra A. Ele então gritou, bateu na porta e conseguiu se soltar de Dahmer. Olhando para trás, ele viu um último vislumbre de um serial killer na derrota, seus braços cruzados, o rosto abatido. Dois dias depois de uma aventura semelhante com outro homem, Dahmer foi preso. A. viu sua imagem no noticiário. Ele foi até o Crimeline Anônimos e no escritório da promotoria de Milwaukee para contar apenas sua história, mas não seu nome.

“Só porque você vai na casa de alguém e confia nessa pessoa, não significa que você merece perder a vida. Ele veio como um amigo e um cara legal. Você pode ouvir esse homem gritando por ajuda, e isso é a minha fraqueza, ajudar as pessoas”

[A]

A. foi um dos poucos que escapou da fúria assassina de Jeff Dahmer, mal ele sabia que naquele mesmo apartamento, um dia antes, Dahmer havia esquartejado um homem. A. conseguiu fugir, mas a desesperada e doentia corrida cega de Dahmer pela sua 18ª vítima continuava. A essa altura Jeff Dahmer era um serial killer totalmente fora de controle, sem nenhum tipo de conexão com a realidade do mundo que o cercava, ele já era um dos mais notórios assassinos em série que já pisou na terra.

O fim da linha para Jeffrey Dahmer

  • 22 de julho de 1991

Tracy Edwards. Esse é o nome do homem que colocou um ponto final na carnificina realizada por Jeffrey Dahmer ao longo de 13 anos. Com sua habitual conversa fiada de sempre, Jeff Dahmer convenceu Tracy a ir até o seu apartamento.

Na foto: Tracy Edwards

“Estava bebendo, por volta de 18 horas, 18h30, com dois amigos, quando ele se aproximou e começou a conversar conosco. Disse que era de Chicago e que estava passando alguns dias na cidade. Disse que era fotógrafo profissional e nos ofereceu US$ 100 dólares para que posássemos para ele em fotos. Eu aceitei. No primeiro momento em que entrei no apartamento parecia ser um apartamento normal, tudo limpo e em ordem. Apenas um odor muito forte. Ele foi até o seu quarto e depois de uns minutos me chamou, entrei no quarto e o filme O Exorcista estava passando em seu vídeo-cassete. Não sei qual dos filmes era, talvez o Exorcista III. Ele parecia um cara legal mas notei algo estranho quando começava a falar sobre pessoas que o haviam abandonado. De repente ele algemou um de meus punhos e me ameaçou com uma faca. Fiquei paralisado. Perguntei para ele o que estava acontecendo e disse que aquilo não era necessário… Seu comportamento mudava de uma hora pra outra. Ele olhava para o filme e fazia movimentos para a frente e para trás, além de fazer um ruído estranho com a boca. Certas cenas o interessavam mais do que outras. Colocou o ouvido em meu peito e disse que queria sentir os batimentos do meu coração porque depois iria comê-lo. Então ele disse que tinha que sair novamente para a rua e começou a andar pela casa como se eu não estivesse lá. Conversava com ele e ele não respondia. Me levantei e fui até um banheiro e ele não me seguiu, era como se eu não estivesse lá. Nesse momento eu aproveitei, saí correndo, o derrubei e fugi.”

[Tracy Edwards]

Robert Rauth e Rolf Mueller, como todos bons policiais veteranos, achavam que já haviam visto de tudo em suas carreiras. Nada, entretanto, poderia prepará-los para a câmara de horrores que os esperavam atrás da porta do apartamento 213.

Na foto: O interior do Apartamento 213. Muito bonito e arrumado o apê de Jeffrey Dahmer. O único problema era o odor que saía dele.

Na foto: Um dia após ser preso, Dahmer é fichado pela Polícia de Milwaukee. O serial killer nunca mais pisaria nas ruas.

Dahmer foi preso e começou a confessar. Começou por Steven Hicks. Dahmer fez um mapa da área onde enterrou os pedaços de Steven para os investigadores, que conseguiram recuperar cerca de 50 ossos, a maioria foram identificados como humanos, costelas e fragmentos da vértebra.

Após a prisão de Dahmer, o mundo tomava conhecimento de uma história que provavelmente nunca pensara existir. Nem mesmo naqueles filmes de terror alternativos. Os detetives Dennis Murphy e Patrick Kennedy foram os primeiros a saber dos detalhes macabros da vida de Dahmer, detalhes que só viriam a público no seu julgamento, em janeiro de 1992. Olhando para aquele homem, os detetives viram uma pessoa solitária, fria, mas muito esperta. Ele lembrava de cada detalhe.

“Ele sabia exatamente o que tinha feito, desde o momento em que pegou a vítima, o momento que a matou, o momento que jogou fora as evidências ou os ossos.”

[Dennis Murphy]

Os detalhes sobre a dissecação dos corpos e o canibalismo praticado por Dahmer deixaram os detetives assustados. “Se você conversasse com ele sem saber o que ele havia feito, o acharia normal. Como se você tivesse conversando com um amigo, e isso é assustador.” (Patrick Kennedy)

Dahmer narrou um a um os seus assassinatos. E à medida que os corpos eram identificados, começava a notificação às famílias. Em 26 de julho de 1991, quatro dias após a prisão de Dahmer, notícias sobre Konerak Sinthasomphone foram disponibilizadas pela polícia. Dahmer havia confessado o assassinato do garoto asiático. A notícia caiu como uma bomba para a família e também para os policiais John Balcerzak e Joseph Gabrish.

Somdy Sinthasomphone, mãe de Konerak, começou a tremer ao receber a notícia, desmaiou três vezes e foi levada ao hospital. Seu marido, Sounthone Sinthasomphone, era a imagem da desolação, sentado em uma cadeira na sala de sua casa, não falava com ninguém, apenas olhava para o nada. Seus sete irmãos (4 homens e 3 mulheres), choravam compulsivamente.

“Tudo o que eu posso dizer é que a família está destroçada pela notícia, isso é tudo o que eu tenho a dizer”, disse o religioso Peter Burns.

A família Sinthasomphone sofreu em silêncio após receber a notícia de que os restos do membro mais jovem da família haviam sido encontrados no apartamento 213. “Meu sogro disse: ‘Eu escapei dos comunistas e agora acontece isso. Por que?'”, disse Kongpheth Vongphasouk, genro do patriarca da família e único a falar com repórteres.

“Eu sinto muito. Eu nunca imaginei que algo como isso pudesse acontecer.” 

[Vongpheth Vongphasouk]

Em 6 de setembro de 1991, seguindo um relatório que concluiu que três policiais do departamento de polícia de Milwaukee não seguiram os procedimentos  da polícia no caso Jeffrey Dahmer/Konerak Sinthasomphone, o chefe do departamento de polícia de Milwaukee, Phillip Arreola, despediu John Balcerzak e Joseph Gabrish e colocou um terceiro de “molho”. Veja abaixo um vídeo legendado com reportagens sobre a demissão dos policiais.

Na foto: John Balcerzak e Joseph Gabrish foram demitidos da polícia após serem negligentes quando levaram Konerak para o apartamento do serial killer jeffrey dahmer

Para a polícia, muitas das vítimas de Dahmer viviam na chamada “linha de risco”. Muitos tinham passagens pela polícia.

Dahmer a essa altura era tratado pela imprensa sensacionalista como “O Monstro de Milwaukee”, ninguém queria saber se o loiro era ou não doente. Seu pai foi hostilizado, mas nunca se escondeu.

Como todo pai, Lionel defendia seu filho: “Ele não é um monstro!”

O caso Dahmer é assustador. E ele mostra que a não ser que as pessoas ou a polícia tomem atitudes em estudar e investigar com mais afinco desaparecimentos, assassinatos e outros crimes, um serial killer pode ter uma longa e sangrenta carreira até, acidentalmente, ser pego.

“Ele tinha prazer no fato de que ele estava no controle do seu próprio mundinho. Ninguém sabia o que estava acontecendo. Ele era o mestre absoluto ali. Ele teve muita facilidade por ser muito atraente, ele era o mel naquele ambiente. Muitas pessoas nos disseram que ele se mostrava como uma pessoa muito sozinha e carente. Muitos queriam cuidar dele, sabe, como um bebê.”

[Patrick Kennedy]

Na foto: A porta do Apartamento 213 dos Apartamentos Oxford lacrada

Em 22 de Julho de 1991, a porta do Apartamento 213 dos Apartamentos Oxford era fechada para nunca mais ser aberta. Veja abaixo um vídeo com as primeiríssimas matérias sobre o caso.

Uma análise de Jeff Dahmer

Todos os psiquiatras que entrevistaram Dahmer são unânimes em dizer que neste caso tudo se resume a uma palavra: CONTROLE.

Dahmer tinha pavor em ser rejeitado ou abandonado, isso ficou definitivamente claro em seu primeiro assassinato em 1978: Conheceu Steven Hicks na estrada e o convidou para ir até sua casa, e quando Hicks quis ir embora Dahmer não aceitou e o matou. Talvez isso possa ter sido acentuado pela separação dos seus pais pouco tempo antes. Dahmer se sentia abandonado pelos dois. “Eu poderia completamente controlar uma pessoa, uma pessoa que eu achasse fisicamente atraente e mantê-las comigo o maior tempo possível, mesmo que isso significasse manter apenas uma parte delas”, disse Dahmer em uma entrevista para Stone Phillips da NBC em 1994.

No caso de Dahmer, podemos dizer que sua fantasia era ter o controle sobre as pessoas, até mesmo em suas relações homossexuais, ele nunca era o passivo, era sempre o ativo, buscando apenas o seu prazer, e o seu prazer significava fazer sexo oral (e receber) ou anal no seu parceiro, vivo ou morto.

Se ele possuía o controle de suas ações ou não é difícil de saber. O fato é que Jeffrey Dahmer tinha uma necessidade extrema em matar, e de certa forma ele parecia saber que aquilo não era certo. Depois da morte de Steven Hicks em 1978, Dahmer só cometeu outro assassinato 9 anos depois. Ele parecia lutar contra seus demônios, uma forma de fugir de suas fantasias era a bebida. “Eu bebia para esquecer o que eu havia feito. Ficava triste quando lembrava do que eu havia feito”.

Talvez sem um tratamento, Dahmer chegou a um ponto onde era impossível fugir de suas fantasias e se entregou ao que realmente o satisfazia. Isso fica claro no verão de 1991 quando chegou a matar um homem por semana. E teria matado mais caso sua última vítima não tivesse escapado.

Para o Dr. James Fox, especialista em assassinos em série, Jeffrey Dahmer era um tipo raro de serial killer.

“Ele se adéqua ao estereótipo de alguém que realmente está fora de controle e sendo dominado por suas fantasias. A diferença é que a maioria dos serial killers pára de agir quando suas vítimas estão mortas. Eles amarram as vítimas pois gostam de vé-las gritar e implorar por suas vidas. Isso faz com que o assassino se sinta grande, superior, poderoso, dominante… No caso de Dahmer, todo o seu prazer vinha após a morte… toda sua diversão começava após as vítimas estarem mortas. Ele levou uma rica fantasia de vida que se concentrou em ter o controle completo sobre as pessoas… Essa vida de fantasia, misturada com ódio, talvez o ódio de si mesmo, fez com que ele projetasse isso em suas vítimas. Se ele sentia um desconforto com sua orientação sexual, é muito fácil de vê-la projetada nessas vítimas. Punir elas era uma forma indireta de punir ele mesmo”.

Realmente, Jeffrey Dahmer era um serial killer incomum. Ele não tinha prazer na morte em si, mas ele tinha que matar, porque o assassinato era um caminho que ele tinha que percorrer para chegar ao que realmente lhe dava satisfação. “Dahmer disse que não gostaria de machucar ninguém, é tão estranho quanto parece, mas essa é a razão pela qual ele matou por estrangulamento todas suas vítimas. Ele não tinha prazer no ato do assassinato em si, mas essa foi a maneira mais humana que ele encontrou.” (Patrick Kennedy)

“A maioria dos serial killers são mentirosos patológicos. Dahmer era diferente. Ele estava disposto a revelar suas experiências com as mortes, e nós pudemos aprender muito com ele”, disse Jack Levin, professor de criminologia da Universidade de Northeastern em Boston. Jack Levin entrevistou o pai e a madrasta de Dahmer.

De fato, Dahmer falou desde o começo. Depois que um homem algemado escapou do seu apartamento em julho de 1991 e levou a polícia à medonha cena de carnificina, Dahmer confessou todos seus assassinatos, incluindo um que não foram encontradas provas suficientes para condená-lo. E ele falou exaustivamente sobre seus motivos, tentando explicar o inexplicável: o que o levou a pegar jovens homens gays em bares, levá-los até sua casa, drogá-los, estrangulá-los, ter relações sexuais com seus corpos, e depois, em alguns casos, canibalizá-los. Ele precisava viver em um mundo paralelo, o seu mundo.

Na época, seu pai, um PhD em química, sugeriu que medicamentes tomados por sua mulher durante a gravidez poderiam ter tido alguma influência em Dahmer. Mas Dahmer nunca culpou ninguém pelos crimes. Em entrevistas, ele também negou que sua infância solitária e alienada em Bath, Ohio, fora responsável por torná-lo um psicopata. Nem mesmo o amargo divórcio dos seus pais em 1978 foi motivo para isso. Em suas próprias palavras “A pessoa culpada por tudo isso está sentada em frente à você. Nem meus pais, nem a sociedade, não a pornografia. Isso são apenas desculpas”, disse ele para o Programa Inside Edition em 1993.

“Eles sofrem de baixa autoestima e solidão”, diz Eric W. Hickey, um criminologista e autor do livro Serial Murderers and Their Victims.

Os filmes de terror e o Templo da Morte…

“A ideia é compreender o que ele tinha em mente a respeito desse templo. Ele queria construir esse templo e assistir todas aquelas cenas de filmes de terror que ele achava significantes. Como por exemplo O Exorcista III. Ele poderia sentar em sua cadeira preta, assistir as cenas e assim ele estaria  apto a explorar os significados que aquelas cenas tinham para ele… O Sr. Dahmer considera-se como um personagem de cada um dos filmes. O personagem conhecido como O Imperador (Star Wars) e o personagem que obviamente supõe-se ser Satã de O Exorcista III. O que esses personagens tem em comum é que eles são o mal, corruptos e poderosos e ambos tem a habilidade de usar poderes especiais para controlarem os outros. No caso do Imperador ele tem a capacidade de manipular as pessoas e no Exorcista III o poder vem de possibilitar criar ilusões para que as pessoas sofram, como na cena das cobras que rastejam em volta do policial. Esses personagens atormentam as pessoas de uma maneira que podemos chamar de tortura. Mas o Sr. Dahmer me disse que aquilo não era algo que o satisfazia. Suas fantasias não consideravam tortura, ele insistentemente me disse que fazer o outro sofrer não era o seu desejo. Ele gostava da ideia do poder que os personagens tinham e acontece que ambos personagens em particular tinham olhos amarelos, o que dava um olhar sombrio a eles e o Sr. Dahmer comprou lentes de contatos amarelas que ele usava quando ia para as boates. Ele queria ter aquele olhar, ele queria ser como aqueles personagens e isso o influenciou de alguma forma, pois ele saia a noite em busca de vítimas e em algumas vezes ele assistia partes dos filmes com elas. Ele se identificava com os personagens porque ele sentia que era tão mal e corrupto como eles”.

[Park Dietz]

Necrofilia

O psiquiatra da promotoria, Park Dietz, disse que Dahmer foi condicionado para a excitação sexual sobre cadáveres através de suas fantasias sexuais em torno da mutilação de animais. O que pode ter começado como a curiosidade de um menino sobre atropelamento e morte de animais, tornou-se a obsessão de um homem com a morte em uma escala maior. Se  o desenvolvimento sexual fica associado à morte, a pessoa tem uma maior chance de ter uma atração erótica por cadáveres.

Houve uma sugestão de que Jeff torturava animais, mas isso é improvável. Ele teve animais de estimação quando criança e tinha peixes em um aquário quando foi preso. O fascínio de Jeff era por criaturas mortas.

Sadismo

Jeffrey Dahmer pode ser um pervertido sexual sádico? Se você perguntar isso para 10 psiquiatras provavelmente você terá umas cinco ou seis respostas diferentes. Para os psicólogos Bruce A. Arrigo e Catherine E. Purcell, da Escola Califórnia de Psicologia Profissional em Fresno, pervertidos sexuais sádicos são “Indivíduos que se privam de experiências emocionais para evitar mais frustrações e se evadem em fantasias compensatórias, em que predominam solidão, masturbação e conteúdos perversos, paulatinamente se distanciando da vida social. O prazer sexual o entusiasma e preenche temporariamente seu vazio.”

Jeff Dahmer se encaixa perfeitamente nessa definição, não? Mas Park Dietz tem uma opinião diferente: “Não o considero um sádico. Ele não praticou tortura e tomou medidas para evitar o sofrimento das vítimas”.

Por que negros?

Há vários indícios que levam a crer que Dahmer era um branco racista. Muitos serial killers tendem a matar tipos de pessoas em relação às quais há ressentimento, ou mesmo algo em comum. A maioria das vítimas de Dahmer eram homens negros e gays. Na fábrica de chocolate, pessoas lembram dele como o branco que constantemente resmungava sobre “niggers” (palavra em inglês para designar negros de forma pejorativa e racista). Ele fazia o mesmo perante a família e amigos. Em 1988 ele chegou a dizer para um companheiro de cela: “Odeio negros. Mataria mil deles.”

No entanto, serial killers interraciais são raros. Como então explicar sua motivação para assassinar homens negros?

Dahmer pode ter desenvolvido seu modus operandi porque em sua mente ele achava que os negros eram uma raça mais fraca, ou talvez, porque ele pensou que o racismo poderia trabalhar em seu favor. O criminologista Eric Hickey especula que Dahmer selecionava “vítimas mais descartáveis” porque isso poderia chamar menos atenção da polícia do que o desaparecimento de brancos. Patrick Kennedy, o primeiro detetive a mergulhar nas fantasias doentias de Dahmer, pensa diferente, “Ele escolhia homens de corpos atléticos. Não importava se eram negros, brancos, índios, amarelos, vermelhos ou marrons. Se ele o achasse atraente, ele tentaria pegá-lo.”.

A madrasta de Dahmer tem uma teoria interessante, “Algo aconteceu com ele, ele nunca conversou a respeito. Todo mundo sabe o que acontece com um molestador de crianças na cadeia [ela refere-se ao período em que ele ficou preso em 1988]. Eu não sei se isso aconteceu, mas quando ele saiu, ele estava diferente, não conversava e passou a odiar negros”.

Dahmer era um homossexual reprimido e odiava negros. Mas o fato de ser racista não significa que os crimes tiveram motivação racial. Como um homossexual, ele poderia ter atração por negros. E essa atração por negros poderia ser a fonte do seu ódio por eles e ele disfarçava (essa atração) dizendo frases racistas. Ao matar homossexuais e negros, ele poderia estar matando a fonte do que ele odiava dentro de si mesmo.

Para finalizar, Robert Ressler, chefe da Unidade da Ciência do Comportomanento do FBI nos anos 70 deu o seguinte depoimento sobre Jeffrey Dahmer: “Dahmer foi tão sincero e tão cooperativo como qualquer outro serial killer que já confrontei e ainda assim não conseguia compreender como ele poderia ter cometido todos os atos atrozes que ele sabia que tinha feito. Não há como pensar que este homem estava são no momento de seus crimes”.

Julgamento

Um mês depois de ser preso, em 22 de agosto de 1991, Jeffrey Dahmer fez uma nova aparição pública no Tribunal de Milwaukee. Dessa vez para receber as três últimas, das 15 acusações de assassinato que recebeu (a 16ª pelo assassinato de Steven Hicks veio posteriormente e um assassinato a polícia não conseguiu levantar provas o suficiente). Sua fiança aumentou para cinco milhões de dólares. Ele apareceu com um uniforme laranja e escutou calmamente a Juíza falando sobre a pena que ele poderia pegar por cada uma das 15 acusações.

Os crimes de Dahmer pareciam provas óbvias de insanidade. O que mais poderia explicar um homem que mata pessoas, faz sexo com os cadáveres, esquarteja seus corpos, os derrete em ácido, preserva seus crânios e come sua carne? E tudo isso por gratificação sexual?

Mas a alegação de insanidade é uma pratica incomum e quase nunca é usada nos tribunais.

Em 23 de janeiro de 1992, Jeffrey Dahmer ignorou o conselho do seu advogado e declarou-se culpado mas insano. E essa decisão selou o seu destino. De acordo com Don Davis no livro The Milwaukee Murders, “A declaração de Dahmer mudou totalmente a defesa do seu advogado. Agora, em vez de provar que o seu cliente não cometeu os assassinatos, ele teria que fazer algo totalmente incomum em um tribunal, provar que Dahmer era louco, que apenas uma pessoa insana faria essas coisas”.

O promotor na outra mão, precisava provar que Dahmer não era legalmente insano, e que ele sabia que o que estava fazendo era errado, mas fez mesmo assim. Em outras palavras, Dahmer era um perverso psicopata que enganava suas vítimas e as matavam a sangue frio.

Apesar da natureza bestial dos seus crimes, o advogado de Dahmer teria uma difícil tarefa em convencer o júri de que ele era insano. Quando Dahmer decidiu se declarar culpado mas insano, o caso mudou de culpa para responsabilidade.

“Segundo a lei, a questão agora não é se ele é pervertido e tem bizarras motivações. A questão é se ele entendia o que estava fazendo, se ele sabia a diferença entre o certo e o errado”, disse o professor de direito da Universidade da Virgínia John Jeffries na época.

A defesa da insanidade é uma das áreas mais enlouquecedoras do direito, um lugar onde legalidade, moralidade e a medicina disputam o domínio. Em última análise, o julgamento de Dahmer se resumiria a uma “batalha de psiquiatras”, que foi o que acabou acontecendo. Os advogados de Dahmer deveriam provar que ele estava sofrendo de alguma forma de doença mental, delírios psicóticos possivelmente. Mas demonstrar a doença mental não seria suficiente: o advogado de Dahmer precisaria mostrar que ele não só estava doente na época dos crimes, mas que ele não tinha a capacidade de entender a ilicitude de suas ações. Sua capacidade de mentir para a polícia poucos minutos antes de assassinar Dee Konerak Sinthasomphone poderia ser suficiente para convencer os jurados de que ele era um assassino calculista e que entendia o que estava fazendo.

Enraizada nas noções bíblicas de justiça, a defesa de insanidade existiu de alguma forma desde a Idade Média. A maioria dos estados, no entanto, baseiam suas leis em um caso ocorrido em 1843, o caso McNaughtan, onde em uma decisão histórica, a corte britânica estabeleceu que culpa implica na capacidade de distinguir o certo do errado. Nos anos 70, a maioria dos estados dos Estados Unidos faziam seus testes de insanidade através do chamado “padrão de controle”, que consistia da pergunta: “O Assassino poderia ter parado de matar?” Baseado nesse padrão, Dahmer seria considerado um “insano crônico”. Porém, esse padrão mudou em 1982 com a indignação pública depois que John Hinckley (que tentou matar o então presidente norte-americano Ronald Reagan) foi considerado insano. A pressão da opinião pública fez com que o Congresso americano mudasse os estatutos sobre insanidade. O resultado foi que a maioria dos estados americanos mudaram a forma como lidam com a insanidade, agora é a defesa quem tem que provar que o réu é insano.

Insanidade porém é algo raro, advogados consideram isso como um último recurso. Apenas 10 por cento dos assassinos em série e dos assassinos em massa e um em casa dez réus criminais alegam insanidade, e 2/3 deles não obtêm sucesso. Críticos da defesa de insanidade argumentam para a sua abolição, alguns dizendo que ela é muito branda (afinal, um criminoso como Dahmer poderia ir para um hospital mental e até sair de lá se ele se curasse), outros dizem que a insanidade obriga os jurados a decidir sobre questões que transcendem suas competências.

Veja abaixo reportagem sobre o apelo de insanidade de Dahmer. Sua nova aparição em público fez com que o Fórum lotasse de curiosos que queriam ver de perto o serial killer.

O fato é que Dahmer colocou o seu advogado em uma enrascada, talvez ele tenha feito isso de propósito já que muitos afirmam que o que ele mais desejava naquele momento era a morte. Ele não queria se safar (nesse caso indo morar em um hospital psiquiátrico). “Isso é minha culpa. Existe uma hora para ser honesto”, disse Dahmer para o seu advogado.

O destino do Canibal parecia estar selado antes mesmo do julgamento começar em 29 de janeiro de 1992.

O advogado de Dahmer contratou um psicólogo forense para estabelecer as bases para um apelo de insanidade.

“Não há dúvida de que ele é insano”, disse seu pai Lionel, que visitou seu filho na prisão. Mas como explicado, esse já não era o caso.

Os principais atores do julgamento:

*obs.: Clique Na foto Para Ampliar

Anne Schwartz, a jornalista que acompanhou o caso desde o começou, relatou em seu livro The Man Who Could Not Kill Enough: “No segundo dia da seleção dos jurados estávamos em uma sala e Boyle trouxe um jornal com a seguinte manchete: ‘Canibal de Milwaukee Come Seu Companheiro de Cela’. Todos nós rimos, especialmente Dahmer… Realmente ele era um homem muito atraente com seu sorriso… Nesse momento eu pude perceber o quanto era fácil para ele convencer ou seduzir alguém”.

Em 29 de janeiro de 1992, o júri e dois suplentes foram selecionados. Apenas uma pessoa de cor negra foi selecionada, o que causou um grande protesto de familiares. O caso foi polarizado como uma questão racial, nesse ponto as pessoas já conheciam a história de Glenda Cleveland (uma negra ignorada pela polícia) e sabiam que a maioria das vítimas eram negras. Parecia que o júri de 6 homens brancos e 7 mulheres brancas era um outro exemplo de injustiça racial.

No tribunal, emissoras de TV filmavam policiais com armas semi-automáticas e cachorros do esquadrão anti-bombas, andando por todos os lados. Era como se finalmente eles tivessem pegado Jack, O Estripador e o mesmo seria julgado naquela sala. O promotor Michael McCann temia que a cobertura feita pela imprensa pudesse prover aulas sobre como drogar e retalhar uma pessoa para aspirantes a sádicos assassinos.

Em 30 de Janeiro de 1992 começou um dos maiores julgamentos dos Estados Unidos. Emissoras de várias partes do mundo cobriam os fatos. Durante o julgamento, Dahmer foi mantido numa barreira de vidro e metal à prova de balas. Ninguém entrava na corte sem passar por um detector de metais, cachorros farejadores de explosivos trabalhavam antes, durante e depois das sessões.

Na foto: Uma barreira de vidro à prova de balas separava o serial killer Jeffrey Lionel Dahmer do resto do público.

O julgamento durou duas semanas. A estratégia da defesa era provar que Dahmer era “louco”, o que parecia ser óbvio devido às evidências:

  • canibalismo,
  • necrofilia,
  • crânios como troféus,
  • experiências para criar zumbis,
  • empalhamento de animais,
  • lobotomias,
  • santuários,
  • satanismo, …

Se os jurados entendessem que Dahmer não tinha consciência dos seus atos e que realmente não estava em plena consciência de suas faculdades mentais, ele poderia ser internado em um hospital psiquiátrico e até ser solto caso se curasse de suas doenças.

Antes de começarem os trabalhos, o advogado de Dahmer advertiu os jurados:

“Vocês irão ouvir coisas que provavelmente nunca pensariam existir no mundo real. Vocês irão ouvir sobre comportamento sexual antes da morte, durante a morte e após a morte. Vocês acham que realmente estão aptos a ouvir?”

Na foto: Gerald Boyle, jeffrey dahmer e uma assistente da defesa.

Durante o julgamento, a defesa convocou 45 testemunhas que atestaram os vários aspectos bizarros do comportamento de Dahmer. As testemunhas, através dos seus testemunhos, mostraram que os distúrbios sexuais e mentais do réu , o impediam de compreender a natureza dos seus crimes. O objetivo era provar para o júri que tais distúrbios provocaram pensamentos e ações que seriam impossíveis de ocorrer em um homem são. Ao final da exposição, Boyle levantou a pergunta: “Ele era mal ou ele era doente?”. Neste ponto do julgamento, o júri estava tendendo à decisão de que o réu era realmente insano.

Quando foi passado à vez à promotoria, o promotor Mike McCann disse, “Ele era um mestre da manipulação, enganou a todos, ele sabia exatamente o que ia fazer, cada passo, cada caminho, era capaz de transformar seus impulsos e deslizar em sua conversa tão facilmente como nós acendemos um interruptor. Ele atacou outros soldados enquanto esteve no exercito? Outros estudantes enquanto esteve na Universidade do Estado de Ohio? As mortes não foram causadas por atos de um louco, mas pelo resultado de um plano altamente meticuloso.”

Dois detetives leram 160 páginas da confissão de Dahmer. Era um aberrador catálogo de perversão sexual. Era a primeira vez que os detalhes das mortes vinham a público.

“Nós não sabíamos, ninguém nos disse, ninguém nos preparou para nenhum desses detalhes. Como isso pôde acontecer? Como eu não soube disso antes?”

[Lionel Dahmer]

Na foto: Shari Dahmer e Lionel Dahmer. Lionel Dahmer compareceu em quase todos os dias do julgamento do filho. Só não compareceu (por orientação do Tribunal) nos dias em que foram permitidas a entrada de parentes das vítimas. Créditos: A&E Biography.

“Era uma situação muito difícil, estávamos cercados por parentes das vítimas. Uns sentavam ao nosso lado, outros pediam que nós saíssemos. Nós não podíamos estar lá, mas tínhamos que estar lá.”

[Shari Dahmer]

O Detetive Dennis Murphy disse que Dahmer “…sentiu uma tremenda quantidade de culpa por causa de suas ações. Ele se sentiu completamente mal.” Então ele leu uma frase de Dahmer, “…é difícil para mim acreditar que um ser humano pudesse fazer o que eu fiz, mas eu sei que eu fiz.”

O detetive afirmou que o temor de ser capturado foi esmagado pela excitação que ele sentia em estar totalmente no controle.

Durante todo o julgamento vale destacar a “batalha”o entre os psiquiatras de defesa e da promotoria. Suas falas mais confundiam o júri do que esclareciam, ora pendiam para a insanidade de Dhamer, ora para sua sanidade.

Os Psiquiatras de Defesa

Nome: Frederick S. “Fred” Berlin

Formação: Psquiatra e Sexólogo

Especialidade: Crimes Sexuais

Ocupação: Diretor da Clínica de Desordens Sexuais da Universidade John Hopkins. Conselheiro do subcomitê do DSM-III-R para definição de distúrbios sexuais

O Dr. Berlin testemunhou que Jeff Dahmer não foi capaz de conformar sua conduta no momento que cometeu os crimes porque ele estava sofrendo de parafilia, ou mais especificamente, necrofilia, uma doença mental. Ele descreveu a aflição de Dahmer como sendo um “câncer da mente”, uma “mente quebrada”, Para ele, é fácil insinuar que um homem poderia simplesmente resolver parar de pensar em sexo com cadáveres de uma hora para outra. “Nem sempre podemos escolher o que vem em nossas mentes”, ele disse. Berlin explicou que a necrofilia não é uma questão de livre arbítrio. O promotor Michael McCann, em sua fala, depois de atacar tanto a competência quanto a integridade do psiquiatra, focou (na sua visão) na maneira como o Dr. Berlin conduziu sua avaliação de Dahmer, uma avaliação cheia de erros segundo o promotor.

O testemunho do Dr. Berlin continuou dessa maneira, o promotor Michael McCann fez o psiquiatra admitir que Dahmer era um mentiroso, o que, neste caso, foi bastante benéfico para a promotoria. Mas durante o interrogatório, foi dada ao psiquiatra a oportunidade de esclarecer essa questão, e ele explicou ao tribunal que a pessoa não tem que ser necessariamente burra ou estúpida por ser mentalmente perturbada. Dahmer poderia ser esperto, assim como um trapaçeiro mentiroso, e mesmo assim ter uma doença mental.

Nome: Judith S. Becker

Formação: Psicóloga

Especialidade: Avaliação e tratamento de parafílicos. Terapia cognitiva.

Ocupação: Professora de Psiquiatria e Psicologia da Universidade do Arizona

A Dra. Judith Becker em seu depoimento discutiu, em sua maior parte, sobre a infância de Dahmer, citando numerosos exemplos de sua vida que tiveram grandes e devastadoras consequências para o réu, tanto física, como emocionalmente. Isso resultou, de acordo com a psiquiatra, em um indivíduo profundamente perturbado, cujas percepções de mundo ficaram distorcidas da realidade, sem nenhum tipo de interação.

Nome: Carl M. Wahlstrom

Formação: Psicólogo e Psiquiatra

Especialidade: Psiquiatria e Psiquiatria Forense

Ocupação: Professor assistente da Universidade de Rush. Membro do Centro Médico da Universidade de Rush.

O Dr. Carl Wahlstrom disse que “O Sr. Dahmer é um homem de 31 anos com uma longa história de doenças mentais sérias, que nunca foram tratadas. A estrutura da sua personalidade é extremamente primitiva, com idéias bizarras e delirantes.” Para o psiquiatra, o desejo de transformar seres humanos em zumbis, que continuaria a ser uma pessoa, um companheiro para a vida, juntos com a intenção de criar um templo de poder de restos humanos, indica claramente que Dahmer era um delirante patológico e, portanto, psicótico. Para o psiquiatra, a doença mental que Dahmer sofria era severa e segundo ele “exigia tratamento contínuo.”

Os Psiquiatras do Estado

Os psiquiatras designados pelo Estado foram o Dr. George Palermo e o Dr. Samuel Friedman. Eles foram nomeados pelo juiz com a finalidade de fornecer ao júri uma avaliação “objetiva” do estado mental de Jeff Dahmer na época que cometeu os crimes.

Nome: George B. Palermo

Formação: Psiquiatra

Especialidade: Psiquiatria neurológica e Psiquiatria

Ocupação: Professor de Psiquiatria e Nerologia Clinica, Diretor de Criminologia Psiquiátrica da Faculdade Médica de Wisconsin, Professor adjunto de Criminologia da Universidade de Marquette.

O Dr. Palermo concluiu que, devido a falta de ação dos seus pais quando criança, e o fato dele ter escolhido nunca se abrir, Jeff internalizou seus sentimentos de hostilidade. Era sua opinião que, por causa da sua incapacidade “crônica” de formar relacionamentos e dos seus frustrados desejos homossexuais, Jeff Dahmer desenvolveu-se em um sádico sexual. Ele afirmou que “a agressividade e suas tendências hostis o levaram ao seu comportamento assassino. Seus impulsos sexuais funcionavam como um canal através do qual o poder destrutivo foi expressado.” O psiquiatra negou que houvesse qualquer evidência para apoiar um diagnóstico de necrofilia, e que Dahmer não exibiu nenhum dos sintomas de um necrófilo. O psiquiatra, em sua conclusão, disse ao tribunal que os assassinatos foram resultado de “uma agressão reprimida dentro de si. Ele matou os homens porque ele queria matar a fonte da sua atração homossexual por eles. Ao matá-los, ele matou o que ele odiava dentro de si mesmo.”. O Dr. George Palermo disse não acreditar que Dahmer assassinou por amizade, mas a fim de manter uma potencial vítima em silêncio. “Ele matou porque quando eles acordassem, eles estariam furiosos com ele.”

Ao final do seu testemunho, o Dr. George Palermo disse algo muito interessante: “Eu sei que é estranho dizer, mas ele não é uma pessoa tão má.”

O outro psiquiatra designado pelo estado, Dr. Samuel Friedman, declarou que foi um anseio de companheirismo que despertou Dahmer para matar. O psiquiatra falou gentilmente de Jeff, descrevendo-o como “Amável, agradável como companhia, cortês, com senso de humor, convencionalmente bonito e charmoso, e ainda um jovem brilhante.”

Apesar da gentileza, o psiquiatra concluiu que Dahmer era são, porque ele teve a oportunidade de se comportar de maneira diferente, ao invés disso, ele escolheu matar, estrategicamente planejando os assassinatos, para que pudesse ter sucesso.

No interrogatório o Dr. Samuel Friedman foi perguntado pelo advogado de Dahmer se seria possível para uma pessoa “fazer planos lógicos e elaborados para um objetivo final e mesmo assim poder ser considerado insano”

O promotor protestou rapidamente, protesto que foi aceito pelo juiz. No entanto, após uma série de perguntas semelhantes e perguntas reformuladas, o psiquiatra admitiu que o exercício da livre escolha não invalida o diagnóstico de doença mental, e que o transtorno de personalidade de Dahmer, na verdade, correspondia a uma doença mental.

Ele descreveu como Dahmer foi cooperativo ao dar informações a respeito do porquê ele cometeu atos tão terríveis. Segundo o psiquiatra, Dahmer quase “implorou” para que o médico lhe desse uma explicação. O Dr. Samuel disse que “espero que algo possa ser feito para reconstruir essa pessoa, que certamente tem os ativos da juventude e inteligência.”

Os Psiquiatras de Acusação

O Dr. Frederick Fosdel entrevistou Dahmer em quatro ocasiões, uma entrevista por mês, dando um total de 17 horas de entrevistas. Dahmer assumiu responsabilidade total pelos assassinatos ao psiquiatra. “Eles [pais] não tem nada com isso. Existe apenas uma pessoa para culpar e é essa pessoa que está sentada na sua frente, ninguém mais. Eu tive escolhas para fazer. Eu fiz as escolhas erradas.”, disse Dahmer a ele.

O psiquiatra perguntou ao serial killer por que ele escolheu matar, Dahmer respondeu a pergunta falando sobre sua terceira vítima, James Doxtator. “Se ele tivesse cooperado eu não teria que matá-lo… A única maneira de obter controle completo era matando.”

Entretanto, segundo o psiquiatra, as decisões de Dahmer em matar foram bem “lubrificadas” pela ação do álcool. Dahmer bebia uma combinação explosiva de pelo menos 10 latas de cerveja com uma alta dose de uísque. O psiquiatra disse que Dahmer sempre estava bêbado ao matar, tão bêbado que ele não lembrava do “passeio” que ele fez até a delegacia na madrugada em que foi preso.

O psiquiatra descreveu como o sexo consumiu Dahmer, ao ponto dele não pensar em outra coisa desde a sua adolescência. “Seu desejo lascivo sobrepunha qualquer escolha moral normal. Sexo era a única coisa que dava um sentimento de satisfação para ele.”

Dahmer disse ao psiquiatra que as mortes se tornaram fáceis. A partir da vítima 7, Edward Smith, Dahmer disse que “Não havia luta [interna]… matar tornou-se uma coisa rotineira.”

Mas perto de ser pego, Dahmer estava exausto de ter que se livrar dos corpos, empilhando até dois de uma vez em sua banheira. Ele até dividia o seu banho na banheira com os corpos. Em alguns fins de semana, ele estava tão cansado que não conseguia sair para tentar outra vítima. Para o psiquiatra, isso levou Dahmer a fazer seus experimentos de lobotomia. “Eu não queria ter que ficar matando e no final terminar com um crânio… eu estava tentando pensar em uma maneira de não ter que matá-los… Eu queria um efeito indeterminado… assim eu não teria que ter de ficar saindo para procurar parceiros… Foi por isso que eu tentei a técnica de perfuração… para que eu pudesse manté-los vivos, interativos, mas nos meus próprios termos”, disse Dahmer a ele.

Para o psiquiatra, Dahmer disse querer um parceiro vivo, compatível com os seus desejos, mas que nunca conseguiria encontrar um. Segundo Dahmer, ele teve relações sexuais com mais de 100 homens em Chicago e Milwaukee desde 1985. Gostava de Chicago, mas os homens de lá pareciam não ter tempo para viajar com ele. “Eu gostava de Chicago, tinha uma grande variedade, boates melhores. Mas os caras de Chicago não tinham tempo.” 

O Dr. Fred Fosdel disse que Dahmer não sofria de doença mental ou defeito no momento em que cometeu os assassinatos. Ele descreveu Jeff como um cruel, calculista, e esperto assassino que pegava homens fracos e solitários no momento em que eles eram mais vulneráveis e com necessidade de terem uma relação sexual anônima. O psiquiatra retratou Dahmer como sendo totalmente indiferente à atrocidade dos seus atos.

O advogado de Dahmer perguntou ao psiquiatra se ele acreditava que Jeff era um necrófilo. “Sim, mas isso não é sua preferência sexual primária. Se ele fosse um necrófilo puro, ele nunca teria tentado a técnica para criação de um zubi.”

Gerald Boyle: “Que termo seria usado então para descrever alguém que tem preferência por pessoas em estado de coma?”

Dr. Fosdel:“Não há nome para isso”.

O advogado de Dahmer, usando uma cópia do DSRM-III-R (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), leu inúmeros transtornos através das várias categorias do manual, fazendo o psiquiatra admitir (depois de uma longa pausa) que Dahmer tinha um distúrbio não identificado. “Admito que ele tem uma doença mental”, disse o psiquiatra.

O Dr. Fred Fosdel, no entanto, não quis admitir que Dahmer era insano. Segundo o psiquiatra, a doença não intereferiria na capacidade de Dahmer em entender o que estava fazendo. “Mas este não é um homem fora de controle. Esta é uma pessoa engajada em crimes sexuais para sua própria satisfação… O distúrbio explica sua conduta e explica seu comportamento, mas isso não o leva a uma falta de capacidade aos olhos da lei.”

O advogado de Dahmer mudou então para a seguinte linha de questionamento:

Advogado: “E sobre o seu desejo de criar um zumbi? Você considera isso um tipo de pensamento delirante?”

Dr. Fosdel: “Não, foi uma tentativa muito prática e razoável de atingir o seu objetivo.”

Advogado: “Você alguma vez já tinha ouvido falar de um homem-lobotomia?”

Dr. Fosdel: “Não, eu acho que este é o primeiro caso no mundo. O Sr. Dahmer está definindo alguns precedentes aqui.”

Advogado: “Não poderia ter funcionado, não é? Você é um médico, você deve saber.”

Dr. Fosdel: “É possível.”

Advogado: “Você perguntou a ele quanto tempo ele ficaria com o zumbi? Você acredita que se ele tivesse criado um zumbi, nunca mataria de novo?”

Dr. Fosdel: “Com certeza. Isto teria sido a solução do seu problema. Com certeza.”

Nome: Park Elliot Dietz

Formação: Psiquiatria

Especialidade: Psiquiatria forense e Criminologia

Ocupação: Chefe do Departamento de Psiquiatria Forense da Universidade da Virgina; Professor Assistente de Psiquiatria da Escola Médica de Harvard.

“Nós conversamos sobre cada crime que ele cometeu nos mínimos detalhes. Fazia todo tipo de perguntas a ele: ‘Como você tem certeza que a faca não brilha na lua cheia?’ ‘Qual era o gosto do sangue quando você comeu esse?'” Os dois inclusive assistiram juntos aos filmes preferidos de Dahmer, incluindo o pornô gay Hellraiser III e Star Wars: O Retorno de Jedi. “Ele realmente amava o poder que Darth Vader tinha de influenciar os que estavam à sua volta.”

O Dr. Park Dietz disse que ele não acreditava que Dahmer sofria de qualquer doença ou deficiência mental no momento que cometeu os crimes. “Dahmer fez um grande esforço para estar a sós com suas vítimas e não ter testemunhas.” Ele explicou que haviam evidências fortes de que Dahmer estava bem preparado para cada assassinato, portanto seus crimes não eram impulsivos. Ele disse que o fato de Jeff ficar bêbado antes de cada assassinato é significativo, “Se ele tinha uma compulsão para matar, ele não beberia álcool. Ele teve que beber álcool para superar sua inibição, para praticar o crime que ele preferia não fazer.”

O psiquiatra concordou com o testemunho anterior de que parafilia não é algo que se escolhe, afirmando que “Nós não podemos escolher o que nós achamos sexy.” Mas isso não faz com que um homem aflito com tal desordem mental não fosse capaz de escolher se ele iria ou não agir de acordo com seus desejos. “A parafilia é tão livre quanto outro ser humano é para escolher se quer cometer um crime para satisfazer seus desejos. A parafília fornece não mais do que um motivo para o que a pessoa gostaria de fazer. Se você diz que parafílicos são obrigados, então você tem que dizer que todos nós somos obrigados a fazer o que queremos.”

O psiquiatra não acreditava que Dahmer pudesse ser classificado como um sadista. “Ele não praticou tortura e tomou medidas para evitar o sofrimento das vítimas.” Dietz também ofereceu uma explicação sobre o por que de Jeff masturbar enquanto segurava a cabeça da vítima na outra mão, “Isso facilitou a fantasia da pessoa completa, a fantasia da pessoa viva a quem pertencia a cabeça, que cortou a consciência de que o resto do corpo estava perdido e que a cabeça foi cortada.”. O psiquiatra negou que este era um pensamento delirante.

Em relação aos dois últimos assassinatos, o Dr. Park Dietz admitiu que Dahmer não estava em um estado são. O psiquiatra atribuiu o seu comportamento a embriaguez e não a uma doença mental, e, portanto, não se qualificava pelo estatuto do Estado de Wisconsin como insanidade. O psiquiatra concluiu que à anormalidade mental de Jeff não afetava substancialmente seus processos mentais ou emocionais.

O advogado de Dahmer fez perguntas ao psiquiatra que ele foi incapaz de responder adequadamente. Se o que o psiquiatra disse era verdade, que era o alcoolismo o responsável por sua incapacidade de controlar o seu comportamento no mês anterior à sua prisão, e não havia nenhuma doença que contribuiu para isso, Jeff Dahmer teria continuado a matar se ele parasse de consumir álcool?

Na foto: Jeffrey Dahmer chega no fórum para mais um dia de julgamento.

Entenderam agora quando eu disse que as falas dos psiquiatras mais confundiam do que esclareciam o Júri?

Todos os 15 assassinatos pelos quais estava sendo julgado foram extensamente discutidos. Ambos os psiquiatras (Judith Becker e Park Dietz) relatavam os crimes e davam seus pareceres. O detetive Dennis Murphy lia páginas e mais páginas da confissão de Dahmer. A cada nova vítima, o promotor Michael McCan pega uma foto mostrava aos jurados e falava, “Não esqueçam [nome da vítima]. Morto por estrangulamento pelas mãos do acusado.”  Ao chegar a vez de Errol Lindsey ele disse, “Não esqueçam Errol Lindsey. Morto por uma furadeira pelas mãos do acusado.”

*obs.: Clique na imagem para ampliar. "Quem são essas pessoas que morreram ? Eu não quero que vocês esqueçam quem foram essas pessoas. Discutimos muito sobre o acusado, por que ele fez isso ? Mas e as vítimas ? Essas pessoas não estão aqui para se defenderem, elas estão mortas." Promotor Michael McCan

Ronald Douglas Flowers Jr. foi uma das testemunhas que conseguiram escapar de Dahmer que depôs no julgamento. Uma outra vítima que escapou de Dahmer disse que ele ofereceu dinheiro para que ele posasse em fotos. Dahmer beijou seu estômago e tocou em seu pênis. Nesse momento a vítima decidiu ir embora, ao caminhar para a porta Dahmer chamou sua atenção e disse, “Não esqueça o seu dinheiro. Não diga para ninguém que eu fiz isso.”

Veja abaixo o áudio do depoimento completo de Ronald Douglas Flowers Jr., o homem que escapou da morte graças a avó de Dahmer, que viu ambos juntos. (Lembro a vocês que no final do post está disponível o vídeo do julgamento de Jeffrey Dahmer.)

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Gerald Boyle alegou que Dahmer sofria de distúrbio sexual. Ele relatou como Dahmer, na adolescência, já havia desenvolvido uma paixão em desmembrar e estripar animais e tinha fantasiado o mesmo em humanos. Em última análise, Boyle disse que as obsessões sádicas de Dahmer estavam enmaranhadas em sua homossexualidade reprimida, o levando a ter tais fantasias.

“Ele colocou sal, pimenta e amaciante de carne para comer músculos humanos. Para ele era como esfolar uma galinha. Este é um garoto doente… balançar a cabeça e fazer sons com a boca quando assiste a um filme de terror, perfurar o cérebro, comer partes de corpos, tomar banho com cadáveres, isso transcende o conceito de bizarro.”

[Gerald Boyle]

“Doente? Talvez. Mas não insano aos olhos da lei”, disse o promotor Michael McCann. O promotor enfatizou que Dahmer não era um louco demente mas sim um assassino metódico. Um assassino que conseguia prescrições médicas para comprar pílulas de Halcion e então pulverizava-os em suas vítimas. “Ele ainda teve a presença de espírito em usar preservativos ao ter relações sexuais com cadáveres.”.

Em sua nota final, o advogado de Dhamer disse o seguinte:

“Crânios no armário, canibalismo, desvios sexuais, abrir cabeças com brocas, criar zumbis, necrofilia, beber o tempo todo, tentar criar um santuário, lobotomias, descarnar pessoas, empalar animais, masturbação… Esse é o Jeffrey Dahmer, um trem desgovernado na trilha da loucura, um rolo compressor, uma máquina de matar.”

McCann rebateu:

“Ele não era o trem desgovernado, ele era o engenheiro da ferrovia ! Ele estava apenas satisfazendo seus desejos sexuais. Senhoras e senhores, ele enganou muita gente. Por favor, não deixem que esse assassino enganem vocês!”

Durante todo o julgamento Jeffrey Dahmer não disse uma palavra, olhava para o nada, seu rosto parecia não ter vida, parecia estar presente naquele fórum apenas com seu corpo, mas sem sua alma. Não esboçou nenhuma reação, nenhuma expressão em seu rosto, nem mesmo quando os mais macabros e bizarros detalhes de sua vida eram discutidos.

O júri deliberou por cinco horas. Chegava a hora de saber se eles decidiram se Dahmer era realmente insano ou não. E o júri decidiu que Jeff Dahmer não merecia passar o resto de sua vida em um hospital, mas em uma cela de prisão. Em todas as 15 acusações recebidas, Dahmer foi considerado legalmente são e culpado. A defesa não conseguiu convencer o júri que as práticas de canibalismo e necrofilia eram resultados de um homem louco. Veja abaixo uma reportagem legendada do TMJ4 sobre a decisão do júri.

Parentes das vítimas comemoraram e choraram ao saber da decisão. Após a decisão do júri, foi aberto espaço para que os familiares das vítimas falassem em público. Era a primeira vez que Dahmer encararia frente a frente os parentes dos homens que ele trucidou. Muitos deram depoimentos emocionados, uns sem rancor ou ódio em suas palavras, depoimentos bonitos como os da mãe de Anthony Hughes, mas outros, literalmente, mandaram Dahmer ir para o inferno.

Na foto: Shirley Hughes, mãe de Anthony Hughes.

“Eu gostaria de dizer para Jeffrey Dahmer que ele não sabe a dor e o machucado que ele fez em nossa família. Eu apenas gostaria de ler um poema: O Tony achou que você era o seu amigo. Ele conhecia você. Ele colocou sua confiança em você, ele pensou que você era o seu amigo… Quando você chorar, tome uma lágrima e coloque-a no parapeito da sua janela para quando eu passar, eu poder trocá-la por uma das minhas. Dois dedos e um polegar” [ela faz o sinal]. Esse sinal (foto) feito pela mãe de Anthony Hughes é o símbolo da linguagem universal de sinais para Eu Amo Você. Para quem não se lembra, Anthony Hughes era surdo-mudo.

Na foto: Dorothy Straughter.

“Meu nome é Dorothy Straughter, eu sou a mãe de Curtir Straughter. Você tirou meu filho de 17 anos de mim. Eu nunca terei a chance de dizer a ele que eu o amava. Você tirou o único irmão da minha filha. Ela nunca terá a chance de dançar e cantar com ele novamente. Você tirou o neto mais velho da minha mãe e por isso eu nunca poderei perdoá-lo. Você quase me destruiu, mas eu recuso a deixar que você me destrua. Eu continuarei.

Na foto: J.W.Smith.

Eu sou J.W.Smith, irmão de Edward Smith. Edward Smith tentou ser amigo de Jeffrey Dahmer e como resultado ele perdeu sua vida. Sr. DAHMER o Eddie se foi agora. Para onde vamos agora? Perguntamos a nós mesmos. Por que isso aconteceu a uma pessoa como Eddie? Tudo o que ele queria era a chance de ser ele mesmo. Uma chance de ser feliz. Nosso pai se foi e agora ele. Eu nunca terei a chance de dizer adeus para nenhum dos dois. Você é único e eu amo você”.

Na foto: Donald Bradehoft.

“Sou Donald Bradehoft, irmão de Joseph Bradehoft. Minha mãe teve cinco lindos filhos. Ele destruiu… nós perdemos o bebê da família e eu espero que você vá para o inferno! Eu amo este mundo. Vocês rapazes fizeram um trabalho maravilhoso. Do fundo do meu coração, graças a deus eu tenho muita força. Obrigado a todos. Deus abençoe a América”.

O momento mais tenso foi quando a irmã de Errol Lindsey, Rita Isbell, deu seu depoimento. Ela já entrou na sala visivelmente alterada. Gritou, xingou Jeffrey Dahmer e teve que ser contida pelos guardas. Veja abaixo o vídeo legendado.

Não precisa dizer que as imagens de Rita Isbell surtando no tribunal de Milwaukee serviram como uma cereja do bolo para a imprensa sensacionalista norte-americana. Após o julgamento ela deu entrevistas para vários canais norte-americanos. Ela inclusive recebeu apoio de pessoas de que ela realmente não queria. Ela passou a receber telefonemas de homens que identificaram-se como presidiarios. Eles enviavam suas condolências e prometiam a ela que o “Sr. Dahmer seria muito bem cuidado.”

Após a desordem inicial causada por Rita, chegava a hora que todos esperavam. A última estrofe daquele julgamento seria lida. Finalmente depois de duas semanas calado e cabisbaixo, Jeffrey Dahmer falaria pela primeira vez. Sua voz seria acrescentada ao capítulo final dos contos de mutilação, necrofilia e canibalismo que ocupavam todo o espaço midiático dos Estados Unidos desde que os seus crimes foram descobertos.

Seus óculos de grau, o cabelo loiro bem penteado, a cabeça baixa em uma aparente humildade. Ao ler sua declaração, ninguém poderia imaginar que ele foi capaz de tais atos.

Anne Schwartz escreveu o seguinte para o Milwaukee Journal na época, “Me surpreendi com o quão normal este homem soava… No dia que Jeffrey Dahmer foi condenado, eu ouvi sua declaração no tribunal com calma e eloquência, e me perguntei como eu poderia ter sido facilmente enganada”.

Clique Abaixo e Escute o Áudio Original da Declaração Final de Jeffrey Dahmer. A tradução segue abaixo.

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“Meritíssimo, acabou agora.

Este nunca foi um caso de tentar escapar, eu nunca quis a liberdade, sinceramente eu queria a morte para mim. Este é um caso para dizer ao mundo que eu fiz o que fiz, não por razões de ódio, eu nunca odiei ninguém. Eu sabia que era doente, ou perverso, ou ambos. Agora eu acredito que era doente. Os médicos disseram sobre a minha doença e agora eu tenho alguma paz.

Eu sei quanta dor eu causei. Eu tentei fazer o melhor que pude após ser preso, amenizar, mas não importa o que eu fizesse, eu não poderia desfazer o terrível dano que causei. Me sinto mal pelo que fiz à aquelas pobres famílias e eu entendo sua raiva.

Decidi passar por esse julgamento por inúmeras razões. Uma das razões era deixar o mundo saber que isso não eram crimes de ódio. Eu gostaria que o mundo e Milwaukee, a qual eu profundamente machuquei, soubessem a verdade do que eu fiz. Eu não queria questões não respondidas. Todas as questões agora foram respondidas. Eu queria saber exatamente o que me levou a ser tão mal e perverso. Mas acima de tudo, o Sr. Boyle e eu decidimos que talvez houvesse uma maneira de dizer ao mundo que, se existem pessoas por ai com esses transtornos, talvez eles possam receber alguma ajuda antes que eles acabem sendo feridos, ou antes de ferir alguém. Eu acho que esse julgamento fez isso.

Eu vi suas lágrimas e se eu pudesse dar minha vida para trazer seus entes queridos de volta eu faria. Eu sinto tanto.

Eu sinto muito pelas pessoas que machuquei. Eu machuquei minha mãe, meu pai e minha madrasta. Eu amo muito todos eles. Eu espero que eles possam encontrar a mesma paz que estou procurando.”

Na foto: Jeffrey Dahmer volta ao banco do réu após ler sua declaração final. Sempre de cabeça baixa não olhando para ninguém.

Jeffrey Lionel Dahmer foi condenado a 15 prisões perpétuas consecutivas sem direito a pedir condicional. Somando todos os anos sua pena chegou a 957 anos. O estado de Wisconsin é um dos poucos que não tem pena capital, por isso Dahmer escapou da pena de morte. Ele passaria o resto da sua vida na cadeia. Ele não tinha completado 32 anos ainda. 

“Esse homem nunca mais verá a liberdade”, disse o juiz.

Os Anos Preso

Quando Dahmer foi setenciado a 15 prisões perpétuas em fevereiro de 1992 (a décima sexta veio depois pelo assassinato de Steven Hicks em 1978), ele pareceu aliviado que sua onda de matança tenha chegado ao fim.

“Meritíssimo, acabou agora. Isso nunca foi um caso onde eu tentei ficar livre. Eu não queria a liberdade. Francamente, eu queria a morte para mim”.

Este desejo pela morte pode explicar por que Jeffrey Dahmer rejeitou um tratamento especial dentro da prisão. Se ele sentiu que sua vida estava em perigo lá dentro, ele nunca reclamou para as autoridades. Com mais frequência, ele estava simplesmente entediado por ser o preso número 177252. “Eu tenho mais de 900 anos pra cumprir, isso é uma morte em vida”, disse ele certa vez para um guarda.

Mas o que mais chamou a atenção de todos no presídio, foi o senso de humor do serial killer. “Ele tinha um senso de humor muito interessante”, disse o porta-voz do sistema prisional Joseph Scislowicz.

Devido à natureza dos seus crimes, ele se tornou alvo de piadas mas nunca deixava se abater. Respondia aos insultos e às brincadeiras dos guardas e outros presos de maneira brincalhona, era também, uma forma de criar risos naquele ambiente monótono e triste. “Cuidado, eu mordo!”, disse ele certa vez aos guardas, arrancando risos deles. Ele também entrou na brincadeira feita por outros presos que publicaram no mural de avisos da prisão um folheto que dizia o seguinte, “Canibais Anônimos. Encontros à noite na Sala 213.”. Ele claro respondeu ao anúncio que rapidamente foi retirado pelos guardas.

Por sua notoriedade, Dahmer passou seu primeiro ano em Columbia, uma area rural no centro-sul do estado de Wisconsin, 56 quilômetros a norte da cidade de Madison, em uma cela isolada onde seus movimentos eram bastante limitados devido ao tamanho. Saia da cela com mãos e pés algemados.

Mas em meados de 1993, seu bom comportamento fez com que o Diretor do Presídio o colocasse em uma área com menos segurança, onde ele obteve alguns privilégios. Ele teve acesso a 15 revistas, 30 livros, 4 jornais e uma Bíblia, ele podia também fazer 2 telefonemas e receber três visitas por semana, foi disponibilizado uma televisão e um rádio em sua cela, além de poder frequentar a escola do presídio e trabalhar. Foi zelador, onde ganhava 24 centavos por hora e começou a jogar tênis na esperança de perder os mais de 15 quilos que ganhou dentro da prisão.

Na maioria do tempo, Dahmer ficava consigo mesmo, em sua cela de número 648, fumando cigarros, lendo vorazmente materiais religiosos e escutando fitas de música clássica e canto gregoriano. Ficava acordado a maior parte da noite, um hábito que ele pegou quando trabalhava na Fábrica de Chocolates Ambrósia em Milwaukee. Ele também confessou que os fins de semana eram os dias mais difíceis para ele, pois era quando “as velhas compulsões” se abatiam sobre ele. Ainda assim as pessoas que entraram em contato com ele, sentiram que a prisão o fez mudar.

Jeffrey Dahmer, em entrevista para Inside Edition em 1993.Jeffrey Dahmer, em entrevista para Inside Edition em 1993.

Enquanto esteve preso, Jeffrey Dahmer deu duas entrevistas para redes de TV. A primeira, em janeiro de 1993, foi para a jornalista Nancy Glass do programa Inside Edition, do canal CBS. A entrevista é antológica, diferentemente de outros serial killers, Dahmer parece muito sincero, não foge ou não esconde em nenhum momento suas bizarras ações. Apesar do sensacionalismo da matéria final, Nancy Glass faz perguntas pertinentes, e Dahmer as responde sem nenhum pudor. Nunca confie num psicopata, mas aqui, posso dizer que o que ele diz é verdade.

Um dos pontos interessantes da entrevista, é quando Nancy Glass pergunta: “Qual o propósito do altar?” Dahmer dá um longo suspiro, como querendo dizer: “Como explicarei isso?” E então ele diz, “Como uma espécie de memorial. Eu não sei. É tão bizarro e estranho. É difícil de descrever.”

A entrevista completa e legendada pode ser vista abaixo:

Um ano depois da entrevista para a Inside Edition, em fevereiro de 1994, Jeffrey Dahmer deu outra entrevista antológica dentro da prisão para Stone Phillips, da rede NBC. Ele só aceitou dar a entrevista se ele estivesse acompanhado do seu pai. Abaixo transcrevo para vocês algumas partes interessantes da entrevista. A entrevista completa pode ser vista no youtube.

Na foto: Um Jeffrey Dahmer mais gordo apareceu em rede nacional em fevereiro de 1994 em uma histórica entrevista para Stone Phillips.

Stone Phillips: Há alguma parte do livro do seu pai da qual você discorda?

Jeffrey Dahmer: Sim, eu discordo sobre a descrição de mim como sendo muito tímido e introvertido porque… isso deve ser como meu pai me via pois eu não era brincalhão na maioria das vezes… mas com meus amigos na escola, eu tenho uma boa lembrança, uma boa vida social, então eu não era extremamente recluso. Só discordo disso.

Stone Phillips: Te surpreendeu isso? [Ele pergunta para o pai de Dahmer].

Lionel Dahmer: Isso me surpreendeu. Talvez minha percepção tivesse sido extrema demais.

Stone Phillips: Houve algum prazer em… em abrir um animal?

Jeffrey Dahmer: Sim. Houve. Não… não prazer sexual, mas apenas…

Stone Phillips: Senso de poder, senso de controle?

Jeffrey Dahmer: Eu suponho que é uma boa maneira de dizer, sim. Eu acho que isso poderia ter se tornado em um hobby normal, como taxidermia, mas não foi isso que aconteceu. Desviou-se disso.

Stone Phillips: Era a morte que o excitava ou o que acontecia após a morte?

Jeffrey Dahmer: Não, a… a morte era apenas um meio para chegar ao fim. Que… era uma parte menos satisfatória. Eu não gostava de fazer aquilo. Eu tinha essa fantasia recorrente de encontrar alguém pedindo carona na estrada e levá-lo como um refém para que eu pudesse fazer o que quiser…

Stone Phillips: Por que o canibalismo?

Jeffrey Dahmer: Foi… foi uma outra etapa. Aquilo… aquilo me fazia sentir como se eles fossem uma parte permanente de mim… Além da curiosidade de como poderia ser, se aquilo me daria uma satisfação sexual.

Stone Phillips: E isso ainda existe… Isso nunca vai embora?

Jeffrey Dahmer: Em parte. Não, nunca… nunca desaparece por completo. Eu gostaria… que houvesse alguma maneira de desaparecer por completo… esses pensamentos compulsivos, os sentimentos. Não é tão ruim agora… que não existam caminhos para agir sobre ela. Mas não, parece que nunca irá embora. Eu provavelmente terei que conviver com isso pelo resto de minha vida.

Stone Phillips: Então os pensamentos ainda vem para você?

Jeffrey Dahmer: As vezes, sim.

Stone Phillips: Há uma época específica de quando esses pensamentos negros vieram para você?

Jeffrey Dahmer: Eu acho que foi por volta dos meus 14, 15 anos. Eu começei a ter pensamentos obsessivos com violência.

Se você não viu a entrevista, antecipo a melhor parte. Nada é mais inquietante nesta entrevista do que o final. Jeff se levanta, abraça seu pai e caminha para ir embora, mas então ele pára ao lado de Stone Phillips

Com um copo de café em uma mão, ele levanta o outro braço e aponta para uma caixa da equipe de produção que estava em cima de uma mesa, ele diz a Stone Phillips, “Apenas um ponto de interesse, aquele tipo de caixa.”

O áudio entre os dois é cortado mas Stone Phillips explica depois, “Ele queria que soubéssemos o quanto aquela caixa era parecida com uma que o seu pai havia encontrado e que ele tinha usado para esconder partes de corpos.”

Uma bizarra observação, não?

Voltando ao seus anos preso ..

“Ele pareceu para mim um ser humano que tinha uma doença. Foi horrível o que ele fez, você não pode esqueçer, é claro, mas existia um outro Jeffrey Dahmer. Eu sentia que ele era uma pessoa muito boa”, disse Deborah Heasman, umas das inúmeras “fãs” que correspondiam através de cartas com Jeffrey Dahmer.

Esta transformação pode ter se originado a partir do brotamente das crenças religiosas de Dahmer. De acordo com Roy Ratcliff, um Padre que pregava nas prisões de Wisconsin, Dahmer, após ler alguns artigos sobre o criacionismo enviadas a ele por seu pai, um cristão, decidiu em meados de março de 1994 que queria ser batizado na Igreja de Cristo. Duas correspondências de Dahmer chegaram até Roy, que na época liderava uma congregação de cerca de 90 pessoas em Madison.

No primeiro encontro, em abril de 1994, Roy lembra que Dahmer estava nervoso. “Ele pensou que eu diria algo do tipo: Eu não batizarei você, você é o mal. Mas quando ele viu que eu estava aberto à conversa, ele ficou aliviado”, diz Roy

Na foto: Uma das raras imagens de Jeffrey Dahmer na Penitenciária Columbia Corretional Institute, em Portage, Wisconsin

Em 10 de maio de 1994, algo muito raro e estranho aconteceu.

Um eclipse solar ocorre quando a Lua passa entre a Terra e o Sol, assim, total ou parcialmente,obscurecendo a imagem do Sol para um observador em terra. Um eclipse solar anular ocorre quando o diâmetro aparente da Lua é menor do que o do Sol, fazendo com que o sol se pareça com um anel, bloqueando a maior parte da luz do sol.

Na foto: O Eclipse Solar Anular que ocorreu no dia 10 de maio de 1994. Apesar de ser dia, nuvens negras cobriram a maior parte do céu em vários estados dos Estados Unidos e Canadá. Imagem Tirada em Toronto, Canadá.

Enquanto o céu escurecia estranhamente naquele dia, dois eventos acontecidos em terra firme fizeram com que os mais fundamentalistas acreditassem que aquele fenômeno não era um fenômeno da natureza, mas sim uma resposta da natureza a esses dois eventos acontecidos em terra. Será?

Um eclipse solar anular escureceu o céu no meio do dia 10 de maio de 1994, e foi nesse dia que o serial killer John Wayne Gacy, conhecido como “O Palhaço Assassino”, foi executado com uma infeção letal em Crest Hill, Illinois. Quase que na mesma hora, não muito distante de Crest Hill, acontecia uma cerimônia na Penitenciária de Portage, Wisconsin: A imersão completa na fé cristã do notório serial killer Jeffrey Dahmer.

Para muitos, o eclipse solar anular pareceu totalmente apropriado, se não totalmente sobrenatural. Outros consideraram esse evento uma condenação celestial para esses dois eventos que aconteciam na terra.

Com o capelão da prisão e dois guardas vigiando, Roy submergiu Dahmer em uma banheira na prisão dizendo, “Bem vindo à família de Deus”, Dahmer sorriu e agradeceu ao pastor.

Muitos criticaram a decisão de Roy em batizar Dahmer. Entretanto, Dahmer admitiu remorso e um desejo de seguir o caminho de cristo. O Padre deveria saber muito bem que  muitos prisioneiros fingem esse desejo ou simplesmente são atraídos para a estrutura da religião após a completa falta dela em suas vidas criminosas. No entanto, o que devemos ponderar é que os princípios da sua fé não permitem que Roy exclua um ser humano dos olhos de Deus, uma vez que a fé foi proclamada. Não interessam as críticas, Roy Ratcliff seguiu o que ele realmente acreditava.

Poucas semanas depois, um preso atacou Dahmer enquanto ele estava na capela da prisão. O prisioneiro, um traficante de drogas cubano, veio por trás e tentou cortar sua garganta com uma arma feita a partir de uma lâmina de barbear e escova de dentes. Dahmer sofreu apenas arranhões superficiais e as autoridades o colocaram em isolamento temporário. No entanto, Dahmer insistiu que ele não queria prestar queixa.

“Eu não acho que ele estava particularmente preocupado com a vida. Ele disse que qualquer coisa que a sociedade tinha para ele, ele sabia que merecia”, disse Robert Ressler, que entrevistou Dahmer durante nove horas.

Uma Breve Análise

Não podemos ser simplistas, certo? Cabe algumas perguntas aqui.

Depois que ele está trancado, sem mais nenhum acesso à possíveis vítimas, ninguém poderia se surpreender se Jeffrey volta-se para a religião e a bíblia. Isso acontece o tempo todo com todos os presos. Você mesmo já deve ter visto vários documentários de criminosos que “encontraram” Deus na cadeia. Perguntas ficam:

Ele foi sincero?

Quanto o amor de Deus penetrou e o motivou a ser diferente?

A Bíblia curou o serial killer?

Jeffrey Dahmer pareceu realmente ter sido muito sincero, principalmente depois que os seus crimes foram descobertos, e não sou eu que estou falando isso, foram vários psiquiatras, psicólogos, policiais e pessoas que o entrevistaram e conviveram com ele após ser preso. Mas não podemos esquecer que ele era um psicopata, que se safou inúmeras vezes da sociedade pela sua capacidade de mentir e ser convincente nisso.

Roy Ratcliff escreveu um livro chamado Dark Journey, Deep Grace, que é baseado na sua experiência de 17 meses de encontros com o serial killer. Em seu livro, Roy Ratcliff oferece apenas noções idealistas sobre o que pode acontecer a uma alma batizada, não sabemos realmente o que aconteceu com Dahmer em termos de mudança da forma como ele via a vida. Lamentável porque dada a atrocidade absoluta dos seus atos, teria sido importante aprender mais sobre como ele via a vida a partir de uma perspectiva espiritual e religiosa. O que sabemos mesmo é que com Dahmer, apenas a distância funcionava. Alguns dizem que ele manteve Roy Ratcliff ao seu redor com sua lábia e argumentos. Você concorda?

O eclipse do sol no dia que em que Gacy morreu e que Dahmer foi “salvo” foi mais do que uma metáfora sobre dois notórios serial killers do século 20. Roy Ratcliff pareceu um pouco cego em seu livro. Isso não me admira sabendo que ele é um religioso, nada contra religião, mas pessoas religiosas não gostam de enxergar todo um universo que existe fora dos seus livros. Ele não sabe, por exemplo, por que nunca Dahmer disse a seu pai que ele havia se tornado cristão. O fato é que Roy Ratcliff sabe muito pouco sobre Dahmer fora do quadro que ele quer ver. Mas não podemos culpá-lo, ele é um Padre certo ? Não é um psiquiatra acostumado a lidar com todo tipo de mentes. É um Padre que acredita nas pessoas, acredita em Deus, e que deseja salvar os pecadores em terra para que eles possam encontrar o paraíso quando se forem.

Deixo a vocês algumas frases para refletirem a respeito.

“Fiquei triste (morte de Dahmer)… Talvez seu pai e eu foram os únicos que ficaram tristes. Eu dou muito crédito para aqueles que trazem toda a verdade, e Dahmer foi um deles.”.

[Park Dietz]

“Eu conheci um cara legal e decente. Ele estava pronto para encontrar seu criador. Eu acredito que ele esteja nas mãos de Deus.”.

[Roy Ratcliff]

“A maioria dos serial killers são mentirosos patológicos. Dahmer era diferente. Ele estava disposto a revelar suas experiências com as mortes, e nós pudemos aprender muito com ele.”.

[Jack Levin, professor de criminologia]

“Serial killers são falsos e traiçoeiros.”.

[John Douglas, ex-agente do FBI]

“Ele era um mestre da manipulação, enganou a todos, ele sabia exatamente o que ia fazer, cada passo, cada caminho.”.

[Mike McCann]

“Ele fala sobre matar pessoas como se estivesse tomando um copo d’água. Ele não mostra emoção alguma.”.

[Robert Due, vice-diretor do Departamento de Polícia de West Allis]

“Ele sabia o que estava fazendo, e ele sabia o que era errado”..

[David Abrahamsen, psiquiatra famoso que aconselhou diversos tribunais sobre a psicologia de assassinos, dentre eles, Nathan Leopold, Lee Harvey Osvald e David Berkowitz]

“Ele nunca pediu desculpas [em caráter privado] e eu não acreditaria nele se ele pedisse. Eu não acho que ele fosse capaz de ter essa emoção.”.

[Gerald Boyle]

A Morte do Canibal

  • 28 de Novembro de 1994

De acordo com aqueles que haviam contemplado o mais profundo instinto assassino impregnado em sua alma, Jeffrey Dahmer estava preparado para morrer.

A cada noite de domingo, quatro vezes ao mês, Joyce, mãe de Jeffrey Dahmer falava com seu filho, “Eu sempre perguntava se ele estava seguro e ele respondia ‘Não importa mãe. Eu não me importo se algo acontecer comigo’.”.

E durante as reuniões semanais na prisão com o Padre Roy Ratciiff da Igreja de Cristo em Madison, Wisconsin, Dahmer, muitas vezes contemplava “a questão da morte”, perguntando a Roy Ratciiff se ele estava “pecando contra Deus por continuar a viver.”. 

No último encontro dos dois, no dia 23 de novembro de 1994, a leitura semanal de Dahmer da Bíblia seria tirada do Livro do Apocalipse, um livro repleto de profecias do fogo do inferno, condenação e fúria apocalíptica. A passagem que Dahmer escolheu era estranhamente inapropriada para o seu maior desejo naquele momento: a morte. “Naqueles dias os homens buscarão a morte e não a acharão e desejarão morrer, e a morte fugirá deles.”

Mas a morte encontrou Jeffrey Dahmer apenas cinco dias depois dessa leitura. Na manhã do dia 28 de novembro de 1994, Dahmer foi escalado para limpar o banheiro do ginásio de esportes da penitenciária junto com outros dois presos:

  • Christopher Scarver, um negro alto e bastante forte, esquizofrênico, que havia cometido um assassinato em primeiro grau e;
  • Jesse Anderson, um branco racista que havia esfaqueado a sua mulher 23 vezes e culpava um homem negro por sua morte.

Inexplicavelmente, os policiais que vigiavam os três saíram e ficaram ausentes por 20 minutos. O que poderia acontecer se você coloca em um mesmo lugar um perverso serial killer, um assassino esquizofrênico e outro assassino racista? Não precisa pensar muito para saber o que aconteceu entre esses três homens. Ao voltarem, os guardas encontraram Jeffrey Lionel Dahmer, 34 anos, caído no chão, sua cabeça com vários hematomas. Jesse Anderson também fora espancado próximo a um chuveiro.

Alegando ter recebido uma ordem de Deus, Christopher Scarver pegou uma barra de ferro e matou Jeffrey Lionel Dahmer e Jesse Michael Anderson. Foi o triste fim do psicopata que assustou o mundo nos anos 90.

Jeffrey Lionel Dahmer encontrou o que buscou nos últimos anos de sua vida, a morte. Talvez ele nem tenha tentado se defender. Ele pode ter visto o esquizofrênico Scarver como a sua salvação, algo bastante surreal já que Scarver era negro e atlético, assim como a maioria dos homens que Dahmer gostava de matar, além do mais, Scarver o matou com uma barra de ferro, a mesma maneira que Dahmer assassinou Steven Hicks, sua primeira vítima em 1978.

Apesar de sua notoriedade, Jeffrey Dahmer não era supervisionado adequadamente dentro da prisão. A morte teve motivação racial? Muitas das vítimas de Dahmer eram negros, e Jesse Anderson, 37 anos, que era branco, matou sua mulher em 1992 e culpou um negro pelo assassinato. Cristopher Scarver uma vez disse a um psiquiatra na prisão que “nada que os brancos fazem aos negros é justo.” Os arquivos da prisão mostravam que Scarver era um psicótico que acreditava ser Cristo. O fato é que o sistema prisional americano, tido por muitos como um dos melhores do mundo, falhou.

A morte pode ter sido uma escapatória para os demônios de Dahmer, mas para sua família, era mais um capítulo numa dolorosa existência terrena.

“Agora todos estão felizes? Agora que ele foi espancado até a morte, isso é suficiente para todos?”, disse em tom de desabafo sua mãe após saber de sua morte.

Shari Dahmer deu a notícia ao seu marido. Pela segunda vez em sua vida, Lionel Dahmer, ficava paralisado, sentado na cadeira do seu escritório, olhando para o vazio.

Para alguns dos parentes das vítimas, a resposta ao desabafo da mãe de Dahmer é definitivamente SIM. “Eu estou muito feliz e bastante excitado que aquele monstro finalmente morreu, o demônio se foi”, disse Janie Hagen, irmão de Richard Guerrero, morto por Dahmer aos 21 anos. Mas para outros, matar é matar, não importa quem seja a vítima. “Eu não pude parar de chorar quando eu escutei as notícias. Eu chorei por sua família. Chorei por ele. Ele não devia ter sido morto daquela maneira”, disse Theresa Smith, que visitou Dahmer na prisão oito meses antes de sua morte. Theresa era irmã de Edward Smith, uma das vítimas de Dahmer e morto em 1990.

Para os policiais que prenderam Dahmer, ele esperava pela morte. Em junho de 1994, o Detetive Dennis Murphy teve um encontro com Dahmer na prisão, e Jeff disse para ele que “Vou conviver com os outros presos agora. Eu estarei morto em seis meses. E se alguém me atacar, eu não lutarei.”

Ainda, na morte, como na vida, o nome Jeffrey Dahmer sempre irá evocar uma imagem que atraiu todo o mundo em 1991: freezers e potes cheios de partes de corpos humanos sendo removidos do apartamento 213 do Prédio na Rua 25th North em Milwaukee. Seu rosto pálido, sem afeto e com um olhar plano.

“Ele era como o Cometa Halley. Um criminoso como ele aparece a cada 75 anos e felizmente, não será visto novamente por outros 75 anos.”

[Gerald Boyle]

A Morte do "Mais Notório assassino americano" foi capa da revista People em 12 de Dezembro de 1994.

Na foto: *Clique Para Ampliar. O jornal Daily Register noticia a morte de Jeffrey Dahmer
*Na foto: A morte de Jeffrey Dahmer também foi notícia no Brasil em publicação do jornal Folha de São Paulo

*Imagem disponibilizada por Lúcia Schmitt

Na foto: Cristopher Scarver é levado para julgamento após ter assassinado Jeffrey Dahmer e Jesse Anderson. Por esses crimes Scarver foi setenciado a mais 2 prisões perpétuas. "Deus apareceu e disse: Faça !" Disse Cristopher Scarver no julgamento.

“Para mim há uma sensação de alívio ao saber que Jeffrey não está mais sofrendo, e talvez o meu marido possa sair desse sofrimento. Talvez possamos ser apenas pessoas comuns agora”, disse a madrasta de Dahmer.

Mas nem na morte Jeffrey Dahmer conseguiu descansar. Lionel e Joyce entraram na justiça pelo direito de poder enterrar o corpo do filho. Joyce queria mais, queria doar o cérebro de Dahmer para estudos, pois segundo ela, cientistas e pesquisadores poderiam estudá-lo para tentar explicar o comportamento de Jeff. Seu pai foi contra, “Estudar um cérebro morto? Não! Deveriam estudá-lo quando ainda estava vivo, agora que está morto não adianta.”

O corpo de Dahmer permaneceu sob custódia durante um ano. Em um testamento, Dahmer dizia que desejaria que seu corpo fosse cremado. E assim foi feito, depois de um ano de brigas, cada um recebeu metade das cinzas do filho. Lionel possui as cinzas do filho até hoje, e segundo ele, estão guardadas em paz.

Christopher Scarver passou os 16 anos seguinte em uma solitária, isso mesmo: 16 anos! Saiu da solitária em 2010 e voltou para lá em 2011. Nesse meio tempo, ele enviou algumas cartas para o repórter Mike Jacobs do Today’s TMJ4. Qual o conteúdo dessas cartas? Esse é o tema de uma reportagem feita pelo canal em 2011 e a qual disponibilizo legendada abaixo.

Milwaukee Pós-Dahmer

Alguns dos familiares das vítimas de Dahmer entraram na justiça. Os pais de Konerak Sinthasomphone entraram com ações civis contra os policiais e a cidade de Milwaukee. Oito famílias de vítimas esperavam realizar um leilão dos instrumentos de Dahmer, incluindo a geladeira onde ele armazenou partes de corpos, uma furadeira e vídeos pornográficos. Um advogado que representou as famílias das vítimas disse na época que esperava arrecadar mais de 100 mil dólares com o leilão.

“Você pode se sentir bem com relação a isso, sabendo que o dinheiro está indo para as pessoas certas”, disse o advogado Thomas Jacob Son.

Mas nem todos foram a favor dessa ideia. Theresa Smith, cujo irmão morreu nas mãos de Dahmer, disse na época que não gostaria de fazer do Circo de Horrores que cresceu junto ao caso. “Eu não quero alguém dizendo: Este é o machado que cortou a cabeça de Eddie. É dinheiro de sangue, não importa a maneira que você olha para ele.”

Seja isso certo ou não, o fato é que um Juiz de Milwaukee autorizou que os bens de Jeffrey Dahmer fossem à leilão. E isso deixou horrorizado um importante empresário da cidade de Milwauke, seu nome: Joe Zilber.

Na foto: Joseph Zilber. Filho de imigrantes russos, Joe Zilber cresceu em Milwaukee e tornou-se um magnata do ramo imobiliário. Fez doaçoes na casa dos milhões de dólares para vários projetos de filantropia. Quando ele ficou sabendo que os objetos usados pelo serial killer Jeffrey Dahmer seriam leiloados, ele decidiu agir rápido.

Temendo que os itens fossem leiloados e mantidos como lembranças macabras de curiosos, o falecido (morto em 2010) empresário lançou um esforço para comprar todos os objetos e destruí-los. “Vender coisas que foram usadas para matar pessoas é errado, e seu impacto sobre a cidade de Milwaukee teria sido devastadora”, disse o braço direito do empresário, Mike Mervis, em uma entrevista em julho de 2011 para a TMJ4.

Joe Zilber contou com a ajuda de amigos empresarios, políticos e outras pessoas. Eles levantaram US$ 407,225 mil dólares (a maior parte do dinheiro veio de Joe) e compraram todos os itens de Dahmer. O dinheiro foi repartido entre as famílias das vítimas.

Às cinco horas da manhã do dia 26 de junho de 1996, Mike Mervis, policiais, promotores e técnicos reuniram-se na antiga sede da Polícia de Milwaukee e recolheram todas as “relíquias” do reinado da morte de Jeffrey Lionel Dahmer. Toda a tarefa foi filmada.

Podemos ver no vídeo um cerrote, um martelo e sua furadeira, os instrumentos que Jeffrey Dahmer usou para matar suas vítimas. Até mesmo a calça jeans e um travesseiro de Dahmer foram destruídos. Nota-se também no vídeo, drogas, sua geladeira e sua bicicleta. Talvez o mais interessante seja o seu infâme barril azul. Os homens ficaram três horas fazendo a triagem do material. Os ítens então foram colocados em um caminhão de lixo e levados até um aterro secreto no estado de Illinois.

“Todos os itens que haviam sido usados como prova no julgamento, eu quero repetir, todos os itens e outros materiais que tinham sido armazenados como prova foram levados para fora. Eles estavam em envelopes ou papel de embrulho”, diz Mike Mervis no vídeo.

Glenda Cleveland

Glenda Cleveland, a vizinha de bairro de Jeff Dahmer que tentou de todas as formas salvar a vida de Konerak Sinthasomphone dois meses antes de Dahmer ser preso, virou um símbolo da “boa vontade” em Milwaukee. Tornou-se uma das mais “queridinhas” da mídia na época, e como pessoa, deu toda à atenção que as pessoas queriam com paciência e dignidade.

“Eu só quero voltar ao normal”, disse ela na época a um dos inúmeros repórteres que a filmavam em sua casa, bem perto dos Apartamentos Oxford.

Glenda foi homenageada e recebeu do Prefeiro de Milwaukee na época o título de cidadão modelo. Recebeu prêmios de grupos locais de mulheres e até do Departamento de Polícia de Milwaukee. Tempos depois, ela foi convidada pelos Sinthasomphone para o casamento de um dos filhos.

Glenda Cleveland morreu a dois anos atrás, no dia 23 de dezembro de 2010, aos 56 anos. Ela foi encontrada morta em sua casa, o legista atestou sua morte como consequência de uma doença cardíaca e de sua pressão alta.

Na foto: Glenda Cleveland. Foto tirada em 1991. "Eu não vejo nenhuma desculpa para pessoas que não cuidam ou que não se importam com outras pessoas."

Veja abaixo um vídeo legendado de uma reportagem do canal Today’s TMJ4 sobre a morte de Glenda Cleveland.

Tracy Edwards

Ele foi a última vítima do notório serial killer Jeffrey Dahmer, mas Tracy Edwards sobreviveu do seu encontro com a morte para poder contar a sua história.

Tracy sempre teve uma vida difícil, tanto antes quanto depois do seu encontro com Dahmer. Foi preso várias vezes, a maioria por tráfico de drogas. Tornou-se um mendigo. E exatamente 20 anos depois daquele fatídico dia, ele se enrascou de novo. Mas dessa vez, ele não era a presa e sim, o predador. Tracy Edwards é suspeito de assassinar outro mendigo, jogando-o de uma ponte sobre o Rio Milwaukee. Se for condenado ele pode pegar 60 anos de cadeia.

Joyce Flint

Após a separação de Lionel Dahmer, Joyce Dahmer mudou seu nome para Joyce Flint, o seu nome de solteira. 

Em 1991, Joyce Flint tornou-se gestora de uma casa para pacientes com AIDS (Central Valley AIDS Team). No mesmo ano seu filho foi preso acusado de matar 17 homens.

“Ela era uma entusiasta, ela tinha compaixão, ela pegou sua própria tragédia e a transformou numa forma de ajuda às pessoas com HIV”, disse Julio Maestro, Chefe da casa. A vida para Joyce foi bastante complicada principalmente após a morte de Jeff. “Ela se sentia muito culpada, ela teve sim uma parcela de culpa, e ela teve que conviver com isso pelo resto de sua vida”, disse o advogado de Dahmer, referindo-se à época em que ela abandonou o filho, em 1978.

Em 1994, quando seu ex-marido Lionel estava exposto na mídia por causa do seu livro, onde ele contava sobre a vida do casal e sobre os problemas psicológicos da ex-mulher, Joyce tentou suicídio tomando uma overdose de pílulas e deitando perto de um forno de gás aberto.

Joyce Flint morreu de câncer em 27 de novembro de 2000, aos 64 anos, em Fresno, Califórnia. Ela foi enterrada em Atlanta, Georgia.

Na foto: Joyce Flint com seus dois filhos: David Dahmer (esquerda) e Jeffrey Dahmer (direita).

Na foto: Joyce Flint separou-se de Lionel Dahmer em 1977. Após a prisão do filho, sofreu com acusações sobre o abandono de Jeff em 1978. Nos últimos anos de sua vida engajou-se na escrita de um livro sobre o ocorrido, mas ela morreu antes que pudesse terminá-lo.

Lionel Dahmer

Em 1994 Lionel Dahmer teve que lutar contra um par de processos de famílias das vítimas que o acusavam de ser o responsável pela conduta do seu filho e por ter a privacidade invadida nomeando os nomes das vítimas em seu livro. Ele doou partes do dinheiro com a venda do livro para as famílias das vítimas. O PhD em química se aposentou e mora atualmente com sua esposa no Condado de Medina, estado de Ohio. Ocasionalmente ele é consultor em pesquisas científicas sobre o tema evolução vs. criacionismo. Não precisa dizer que até hoje ele carrega um enorme fardo.

Na foto: Shari Dahmer, Lionel Dahmer e a irmã de Edward Smith. Shari Dahmer conseguiu se aproximar de famílias das vítimas de Jeff. A irmã de Edward Smith ficou amiga de Shari e Lionel. Ambas as famílias faziam visitas uma para as outras. Buscavam apoio e suporte em seus sofrimentos.

O irmão de Jeff, David Dahmer, mudou seu sobrenome e tem sua nova identidade e moradia mantidos sob sigilo por Lionel Dahmer e pelas autoridades. Vive no anonimato, é casado e tem 2 filhos.

Em 17 de junho de 2004, Lionel e sua mulher, Shari Dahmer, deram uma entrevista para o famoso apresentador Larry King na CNN. A entrevista pode ser vista no youtube, ele fala que tem orgulho do nome Dahmer, e que ama muito o seu filho.

Vídeo Legendado- Milwaukee: 20 Anos Depois

Na época, o especialista do FBI John Douglas, estimou que houvessem 50 outros serial killers em ação nos Estados Unidos. Com órgãos sobrecarregados e falta de recursos humanos, a detecção, monitoramento ou prisão desses assassinos se torna muito difícil dizia ele (fico imaginando aqui no Brasil…). Serial killers existem em todos lugares do planeta, neste momento algum deles deve estar fazendo uma nova vítima, talvez, até perto de você. Pra quem é leitor do blog sabe que pelo menos dois estão ativos nos Estados Unidos atualmente, o serial killer de Long Island (leia aqui) e o Assassino do Backpage.com (leia aqui). Pra quem acha que não existe isso no Brasil, no começo de fevereiro desse ano um policial foi preso na Paraíba acusado de ser o “serial killer de Gays”. O serial killer da Paraíba matou quatro homossexuais e 1 prostituta. Uma quinta vítima conseguiu escapar o que levou a polícia a conseguir prendé-lo.

O criminologista Eric Hickley disse certa vez que “Existem outros Dahmers lá fora. E eles estão ocupados.” 

O psicólogo John Norris, autor de vários livros sobre assassinos em série, diz que os serial killers são pessoas com alta capacidade e potencial, mas eles nunca usam esse potencial, ao invés, eles canalizam essa inteligência no ato de matar.

Norris estudou mais de 300 serial killers e encontrou características comuns neles. Eles quase sempre mostram evidências de comprometimento neurológico ou do sistema central nervoso, que vão desde a dislexia à epilesia. Eles possuem lapsos de memória (lembram de Dahmer não conseguir lembrar como matou Steven Tuomi?) e sua violência é quase sempre uma resposta para suas fantasias e/ou alucinações. Eles são fascinados com fogo e geralmente mutilam animais na infância.

De acordo com Norris, a maioria deles abusam do álcool ou drogas. Muitos sofreram de desnutrição e “Praticamente todos foram abusados, emocionalmente, fisicamente e muitas vezes sexualmente em algum ponto de suas vidas.”

As vítimas simbolizam algo dos seus passados. John Wayne Gacy matava garotos porque ele era extremamente homofóbico, ao matar, ele matava sua parte homossexual e homofobia e racismo (para John Norris) são palavras centrais no caso Dahmer. “A maioria dos tipos de serial killers acreditam que eles estão fazendo coisas boas para a sociedade matando certos tipos de pessoas.”

Para John Norris, o caso Dahmer é emblemático. “Quanto mais as pessoas souberem sobre o Sr. Dahmer, maior a chance de que pessoas comuns possam desconfiar e reconhecer outros como ele. E eu garanto para você que nesse momento, existem pelo menos dois outros iguais a ele nas ruas, esperando para serem descobertos.”

Jeffrey Lionel Dahmer não está mais entre nós, mas continua muito vivo nas aulas dos cursos de psicologia e psiquiatria em Universidades mundo afora. Continua muito vivo também na cultura popular. Pelo menos quatro filmes sobre sua vida já foram lançados, em 1993 ele foi lembrado no filme de Sylvester Stallone, O Demolidor. No filme (que se passa no ano de 2032), o vilão Simon Phoenix, interpretado pelo ator Wesley Snipes, pega uma lista com vários criminosos que estavam congelados. Ao ler a lista ele diz: “JEFFREY DAHMER!! Eu adoro esse cara, descongelem-o!”

Em setembro de 2010, a popstar norte-americana Kesha lançou um EP chamado Cannibal. A música título do EP faz uma explícita referência a Jeffrey Dahmer. O serial killer também é nome de banda de rock além de ter sido inspiração para músicas de duas das maiores bandas de thrash metal do mundo: Slayer e Soulfly. O Slayer escreveu uma música sobre Jeff, chamada 213. O mesmo aconteceu com a banda do brasileiro, e ex-Sepultura, Max Cavallera, o Soulfly, que escreveu Jeffrey Dahmer. Jeff também virou inspiração para histórias em quadrinhos como Zombie de Joyce Carol Oates.

Esse post não foi suficiente para você? Quer saber mais? Ir mais a fundo na história de um dos mais notórios serial killers do século 20? Eu tenho algumas dicas para você!

O livro "Step Into My Parlor" de Ed Baumann é um dos poucos livros sobre o caso Dahmer que foca em suas vítimas, Dahmer mesmo é pouco explorado no livro. Já o livro de Anne E. Schwartz "The Man Who Could Not Kill Enough" é um estudo completo sobre o caso. Discute as investigações sobre os crimes, a história das famílias das vítimas e a intensa pressão que a polícia sofreu após o caso vir a tona. Tem muitos detalhes o que me leva a pensar que Anne Schwartz deveria ter algum caso com algum Policial do Departamento de Polícia de Milwaukee. =D bom ... brincadeirinha ... pensando bem .. ela foi a primeira jornalista a chegar no lugar né ?

Outro ótimo livro sobre o caso é do especialista em serial killers Joel Norris. O livro "Jeffrey Dahmer: A Bizarre Journeys into the Mind of America's Most Tormented Serial Killer!" foi a primeira publicação oficial sobre o caso, lançado em agosto de 1992. O livro descreve como Dahmer transformou-se de um perturbado jovem em um implacável assassino. O livro conta também com entrevistas com ex-colegas da Revere School. O livro de Don Davis "Jeffrey Dahmer History An American Nightmare" é um dos mais famosos livros sobre Dahmer. Virou best seller mas pouco acrescenta em comparações a outros livros.

Brian Masters escreveu um dos melhores livros sobre Jeffrey Dahmer. "The Shrine of Jeffrey Dahmer" tem todas as qualidades que procuramos em um livro. É bem escrito, sem sensacionalismos e moralismos e tem muitos detalhes sobre a vida de Dahmer. Sem dúvida um dos melhores. Outro livro fantástico é o do romancista de terror Edward Lee e da especialista em serial killers Elizabeth Steffen. Não, não é um livro sobre a vida e os crimes de Dahmer, é uma obra de ficção, um excitante thriller policial que te prende até o final. A história começa quando um dos maiores serial killers da história morre, ele mesmo, Jeffrey Dahmer. Duas semanas após o seu enterro, uma onda de assassinatos assola Milwaukee. Impressões digitais, DNA e o modus operandi dos crimes levam a apenas uma pessoa. Quem ? O terror começa a tomar forma quando uma detetive do caso recebe uma ligação, é um homem de voz calma, bonita e sedutora. Ele se identifica como: ->Jeffrey Dahmer

"Massacre In Milwaukee" de Richard Jaeger e M. Balousek é outro interessante livro sobre o caso Dahmer. Um ponto interessante desse livro são os detalhes sobre as provas forenses levantadas pela polícia, pra quem é um entusiasta da ciência forense, é um ótimo livro. O outro livro da imagem é de Herman Martin e Patricia Lorenz. A descrição do livro de Herman Martin "Serial Killer's Soul" é animadora. Se você lesse a descrição de todos esses livros e pudesse escolher só 1, provavelmente escolheria esse. O livro de Herman Martin é uma das últimas publicações "sobre" Dahmer (publicado em 09/2010). Mas a excitação que você tem ao começar a ler o livro logo vai embora quando você começa a perceber realmente sobre o que é o conteúdo. Herman Martin foi um vizinho de cela de Dahmer em Portage. Continua preso até hoje. Esse livro era para ser uma revelação de um homem que conviveu com Dahmer na cadeia sobre suas conversas e sobre as milhares de cartas que Dahmer recebia na prisão. Mas o livro nada mais é do que um conto sobre a vida na prisão e sobre os presos que encontraram "Deus." Dahmer é um mero coadjuvante na história.

Gostou do post? Não deixe de dar sua opinião. Comente, você acha que Dahmer era insano? Acredita que ele realmente se arrependeu? Acha que ele foi sincero em sua fala final no julgamento? Ou ele apenas disse o que todos queriam ouvir. Vamos discutir!

Finalizando deixo uma reflexão de Lionel Dahmer:

“Será que eu sou assim? Aos 13 anos eu quis hipnotizar e lançar um feitiço sobre uma garota para que eu pudesse controlá-la inteiramente. Em que ponto uma inocente fantasia torna-se um fascínio mortal? Podemos controlar a vida interior dos nossos filhos ?

Alguns de nós estamos condenados a passar por tal maldição. Minha conclusão é que nós podemos ser cegos para nossas próprias tendências destrutivas e inocentemente passá-las para os nossos descendentes.

A paternidade permanece um grave enigma. Quando eu for aconselhar meu outro filho que um dia será pai, eu só posso dizer a ele, como eu devo dizer a todos os pais depois de mim, somente uma coisa: Tomem cuidado, tomem cuidado, tomem cuidado.”

[Lionel Dahmer, pai de um dos mais notórios serial killers do século 20]

Informações

Nome: Jeffrey Lionel Dahmer

Conhecido Como: O Canibal de Milwaukee, O Monstro de Milwaukee

Nascimento: 21 de maio de 1960. West Allis, Wisconsin. Estados Unidos

Morte: 28 de novembro de 1994 (34 anos). Portage, Wisconsin. Estados Unidos

Causa da Morte: Traumatismo craniano

Acusações: Molestamento Infantil, Conduta Inapropriada, Atentado ao Pudor, Intoxicação Pública e Assassinato

Pena: 15 prisões perpétuas totalizando 957 anos de prisão

Captura: 22 de Julho de 1991

Número de vítimas: 17 confirmadas

Período: 6 de julho de 1978 a 19 de julho de 1991

Local: Bath, Ohio e Milwaukee, Wisconsin. Estados Unidos

“Pelo que entendi da bíblia, há forças que podem ter influência direta ou indireta no comportamento das pessoas, acho que isso é possível, porque às vezes parece que alguns dos meus pensamentos não são meus, eles apenas explodem em minha cabeça. Não é o tipo de pensamento que basta você sacudir a cabeça para ir embora.”

[Jeffrey Lionel Dahmer]

Vídeos

20 Anos Depois, os detetives Patrick Kennedy e Dennis Murphy falam sobre Jeffrey Dahmer (Legendado).

Matéria com o detetive Patrick Kennedy (Legendado).

Matéria com Gerald Boyle e Michael McCann (Legendado).

20 Anos Depois, o primeiro repórter a chegar na cena do crime, Jeff Fleming, fala sobre a noite que mudou Milwaukee (Legendado).

Entrevista com familiares das vítimas (Legendado).

Julgamento completo de Jeffrey Dahmer.



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Fontes consultadas:

The Seattle Times, The New York Times, Los Angeles Times, Milwaukee Sentinel, Chicago Tribune, Crime Library, Newsweek Magazine, People Magazine, A&E Biography, My Friend Dahmer HQ, Today’s TMJ4, The Associated Press, Department of Psychology Radford University, BBC.

"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
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  • Borges Marciel

    Sinistro …

  • Borges Marciel

    Sinistro …

  • Ramviciadoemvideosdapitty

    tragico

  • Ramviciadoemvideosdapitty

    tragico

  • Jhonatan Bianchi

    Parabéns pelo post, bastante completo.

  • Jhonatan Bianchi

    Parabéns pelo post, bastante completo.

  • Mauricio Bueno

    Caramba se o júri considera esse cara normal imagina um o que seria um doente de verdade ?

  • Mauricio Bueno

    Caramba se o júri considera esse cara normal imagina o que seria um doente de verdade ?

  • Andre Voorhees

    Nunca tilinha lido esse caso por inteiro. Só sabia o que ele fez por cima. excelente post.

  • Andre Voorhees

    Nunca tilinha lido esse caso por inteiro. Só sabia o que ele fez por cima. excelente post.

  • Ana Carolina

    Era gato demais.

    • http://pulse.yahoo.com/_XXVM7WNRKYI6C3M7TKNVS3KLYI IORI

       Queria ver ele comendo seu cérebro se você o chamaria de gato!! Sua ridícula!!!

      • ayme de oliveira

        kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001469436036 Elen Serêjo Mota

      Muito muito muito Gato  G_G

      • Analy

        concordo plenamente….deixaria  elemi cumer  todinha.

        • Charles_menson21

          vc sabe q merda vc falou agora vc quiria está no lugar daquelas pessoas sua idiota

          • http://profiles.google.com/fcostta Flávio Costta

             não adianta moço.. periguetes são iguais no mundo todo. não tem cérebro, só vontade copular.

      • Dantes Infernos

        hoje em dia e assim: é sou mau! agora quando tá fudida ou algum tarado tá na cola ai diz: pelo amor de Deus,jesus, misericórdia etc

    • Joyce Mislene

      Realmente ele era muito bonito,mas um louco sádico!

  • Ana Carolina

    Era gato demais.

  • Marina Carla

    No vídeo dá pra ver que quando criança ele era bem esquisitinho mesmo.

  • Marina Carla

    No vídeo dá pra ver que quando criança ele era bem esquisitinho mesmo.

  • Sam

    Excelente matéria.

  • Sam

    Excelente matéria.

  • Sam

    Esse tema é realmente muito intrigante.

  • Sam

    Esse tema é realmente muito intrigante.

  • Juliarbecher

    Cara, o Dexter do seriado usou o tom e o geito de falar dele. Impressionante.

  • Juliarbecher

    Cara, o Dexter do seriado usou o tom e o geito de falar dele. Impressionante.

  • Fabiana

    Eu realmente gosto da história do Dahmer, e esse foi o melhor artigo que eu já li sobre ele.

    • http://twitter.com/oaprendizverde O Aprendiz Verde

      Olá a todos !! Estou reescrevendo a história de Jeffrey Dahmer. O novo post será uma verdadeira “Bíblia” sobre o caso. Até o fim de fevereiro e início de março (2012) estarei publicando. Aguardem !!!

  • Fabiana

    Eu realmente gosto da história do Dahmer, e esse foi o melhor artigo que eu já li sobre ele.

  • Fecesar92

    Realmente tive pena dele, não queria que fosse assassinado…

  • Fecesar92

    Realmente tive pena dele, não queria que fosse assassinado…

  • Daniel Green

    Meu preferido. 

  • Daniel Green

    Meu preferido. 

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001469436036 Elen Serêjo Mota

    Bonito,mau e assasino… Um dos meus serial killers preferidos,Jeffrey Dahmer.

    • Silas Barboza

       Admirar assassinos em geral,só demonstra o qual sádica,ignômica esta geração se tornou.Se você compactua em admirar o mesmo,quem garante que você não é tão perversa,sádica e má como o mesmo.Vejo que teremos muitos psicopatas e serial killers nas gerações vindouras.Você é uma vergonha Elen Serejo Mota.

  • Juaressoares

    Segundo o “CRACK” neto, ele esta contratado pelo curimtia para formar um ataque de matadores natos e tentar enfim o sonho de ganhar a libertadores

    • Leodesousa90

      Chupa anti de merda! …e o Flamengo é que está precisando de homens assim.

  • Jaque55

    Essa foi a história de serial killer que mais me deu medo. Beleza não é tudo.

  • http://twitter.com/LiLoHeaven Marcelo Henrique

    Post super completo, parabéns. Nunca tinha ouvido falar desse cara, mas, depois que li absolutamente tudo, fiquei muito mais a par do assunto. Só a Ke$ha mesmo pra citar o Dahmer em Cannibal, kkkkk.

  • http://twitter.com/LiLoHeaven Marcelo Henrique

    Post super completo, parabéns. Nunca tinha ouvido falar desse cara, mas, depois que li absolutamente tudo, fiquei muito mais a par do assunto. Só a Ke$ha mesmo pra citar o Dahmer em Cannibal, kkkkk.

  • http://twitter.com/RaquelJabbour Rah da silva sauro

    PENA DELE?? SÓ PORQUE ERA BONITO? FALA SÉRIO!

    • Maria42

      Estupida Vc tem que ver ou que ten dentro da pessoa,,,,,,,,,

  • Kathiaeva

    Parabens pelo post, excelente e completo! VC ganhou uma fã!!!!!

  • Bela_x3

    O melhor, o mais insano. 

  • Albino_mota

    tenho pena das vitimas,k ele matou,k deus console as familias.

  • Nayla

    monstro  em pele de gato….que homem   lindo!afff….deixaria ele  mi  cumer  inteirinha!

    • Luis24

      me-da teu endereço que eu vou la  TE COMER,,,Vc vai gostar

    • Angela Saldanha

      Ele era gay, gênia.

  • http://twitter.com/_yuuuh_ Yumi Miyashiro

    O fato de o juiz tê-lo considerado são me faz pensar na definição de normalidade… Ou então o próprio juiz também era louco q

    • Ly

      Ele tinha plena conciencia do que tinha que fazer, sendo assim é não é clacificado como louco.

  • Erika Alvino

    Ele era muito lindo!

  • Lmssssss

    Só mesmo as desesperadas das barangas pra acharem lindo. O que é o desespero, preferem a fachada superficial do que a virtude.

  • le Roy

    Bem escrito o texto…

  • http://twitter.com/Viky_The_Ripper Vi¢kiэ Vikєяиэʂ ╬═

    Acho que uma das únicas pessoas que chegaram mais perto de “compreender” Dahmer foi o pai dele. Lionel tem uma visão muito interessante sobre o caso! não acho que Jeff era insano, mas acho que ele não podia controlar seus impulsos e seus desejos, ele não controlava seus pensamentos…
    Enfim, eu o admiro muito, mas mesmo assim não acho que tenha uma justificativa para o que ele fez, acho que ele sofria sim de algum transtorno mental, mas repito: ele não era insano!
    Sou uma grande fã de serial killers em geral, principalmente Jeff! Não há como negar que ele foi o mais interessante e diferente de todos. Tenho um fascínio pelo Jeff desde a primeira vez que li a respeito dele!

    Parabéns pelo post, muito completo, imparcial, detalhista! Já li muuuitos posts sobre o Jeff, mas esse é de longe o melhor! Amo seu blog e em especial posts sobre serial killers, mas esse post é o mais fantástico, é um daqueles posts que não consigo parar de ler nem para ir ao banheiro!

    F-O-D-Á-S-T-I-C-O!

    • João Mendonça

      Bom, serial killer nenhum é mentalmente normal, segundo Guido Palomba, eles são indivíduos fronteiriços. Tipo, não são loucos (a maioria não, mas existem assassinos em série insanos, como Richard Chase), mas também não são mentalmente normais. 

      Acho que nem vou comprar mais nenhum livro sobre o Dahmer, todas as informações estão neste post, rs!

      Hiper, mega, super fodástico…

    • kelsey

      FODASTICO? queria ver se ele matasse alguem qe vc ama, se ainda seria fodastico, sua perturbada.

    • Angel =’.’=

      Verdade,mas além de tudo isso acho que ele sofreu muito,ele tinha consciência que o que fazia era,errado,nojento e insano mas como procurar ajuda? como falar sobre uma doença dessa e principalmente num época daquela? Aff,até hoje quebro minha cabeça pra entender.

  • Miguel

    Mau, mas muito, muito bonito.

  • lili vasques

    ai que gato

  • Dali

    Desconhecia a estória desse assassino e achei o post bem elaborado, rico em detalhes, feito com dedicação e capricho. Olha, as pessoas que acreditam que Jeff era são, como classificam então os insanos? Meu Deus!! Não há como não perceber um severa “anomalia” mental, um desvio violento que o tornava pelo comportamento obssessivo numa pessoa anormal e doente. Ninguém em sã consciência consegue matar, salvo em legítima defesa e olhe lá! Agora, imaginem só com requintes da mais absurda crueldade como foi descrito no trabalho. 
    Não existe a menor possibilidade de alguém chegar ao ponto de matar, guardar pedaços da vítima para comer mais tarde, relembrar os detalhes, masturbar-se, sentir prazer… se estiver em sã consciência. Ou o cara padecia de severa doença mental, talvez algo que ultrapasse a luz da ciência, nem tenha sido descoberto ainda; ou sinceramente, sou obrigada a acreditar que “algo” do mal, um ser de outro mundo, se ‘apossava’ dele, aproveitava de sua fraqueza emocional, da solidão que sentia, das fantasias que alimentava silenciosamente – longe de serem realizadas, senão não seriam fantasias – e , digamos que este “ser invisível”, um espírito do mal, ou sei lá como posso chamar, usava do corpo bonito, da boa apresentação desse “menino” – sim, porque ele começou a matar quando ainda era um menino e completamente inexperiente ! – para saciar seus desejos diabólicos.
    O fato dele beber constamente e desde os 15 anos já ser um alcóolatra me faz lembrar estórias que já ouvi sobre como atraimos as más energias através nos nossos vícios e comportamento. Que para nos mantermos afastados das energias do mal devemos “orar e vigiar” nossos pensamentos e atitudes.
    Outra coisa que demonstra o quanto ele já era insano desde pequeno é o fato dele descarnar animais atropelados. Como ele conseguia ter prazer com isso?
    Senti muita tristeza pelas famílias das vítimas, pelo pai de Jeff e mesmo por ele. O caso do menino asiático de todos foi o que mais me chocou, porque ele havia conseguido escapar e devolveram-no à morte. Muito triste!!!
    Bom, parabéns pelo trabalho!
    Estou viciada no teu site. O descobri acidentalmente ontem, na verdade nem lembro direito como vim parar aqui, mas há muito interesso-me por casos de assassinos em série, passei boa parte da minha vida inclusive infância no meio policial e ouvindo estórias sobre investigações. Além de ter enorme interesse pela parte espiritual e “misteriosa” da vida.

  • Maria24

    Boa
    Eu gostei,,un texto,completo,,e bem interessante..só ficou em mim ,,A DUVIDA,,de que é LOCURA e SANIDADE,,pois condenaron a un loco,,como si el fosse sano,,entonces que faiz un LOCO?

  • Luis24

    O TEXTO TA LINDO,,,BEM EXPLICADO,,,BEM ILUSTRADO,,,SÓ FALTOU,,O QUE ACONTECEU  COM ELE,,QUE TIVE PROBLEMAS,,COM A JUSTIÇA,,POIS PARECE QUE ESTRUPOU  UMA CRIANÇA,,E A JUSTIÇA,,RECOMENDO PARA ELE UM TRATAMENTO PSICOLOGICO,,E ELE SÓ FICO PRESO UN ANO,,,(ALI TA OU HERRO DO SISTEMA,,POIS ELE NÃO FEIZ TRATAMENTO,,E DEU NO QUE DEU),,,AS VESES OU PROBLEMA E DO ESTADO POIZ,,NO TEM MANICOMIOS,,PARA COLOCAR A ESAS PESSOAS,,,,,
    LUIS

  • Yuri Stremel

    Sinceramente, doente mental ou não, “religioso” ou não, não há justificativas para o que ele fez, e não há meios humanos para fazê-lo pagar por seus atos. Acho que perpétua é pouco, ele merecia pena de morte pelo menos!

    A propósito, excelente trabalho investigativo, parabéns!

  • Mltdesenhos

    Magnífico, parabens pelo post!

  • Tais

    Não o considero mau. o considero inconsequente. Porem um gênio. Um genio que levou seus interesses a caminhos insanos.

    Alem disso… pena ele ter sido homossexual… muito, muito, mas mto bonito mesmo. Se fosse hetero qualquer mulher se apaixonaria por ele. 

    • Silas Barboza

      Você afirma isto pois não foi o membro de sua família que o mesmo sodomizou e matou.Fico pensando em como deve ser a família  Sinthasomphone lendo comentários imbecis como o seu.Tenho certeza que pela natureza de suas palavras,você se identifica com a brutalidade e horripilância que o mesmo cometeu.Peço que reveja seus conceitos e respeite em seus comentários a dor daqueles que se foram e seus familiares onde quer que estejam neste mundo.

  • Pingback: Crimes Históricos: 1 Lunático 1 Picador de Gelo | O Aprendiz Verde()

  • Cfmnet

    Muito bom. Muito bom mesmo.
     

  • Paty Diniz

    Como sempre, ótimo post. Tbm acho q Jeffrey ñ era louco ou insano, acho q na realidade ele ñ tinha ciência dos limites dos desejos dele…acho q se ele fosse realmente louco ele teria prazer em matar, e se fosse insano, acho q poderia ñ se lembrar exatamente de seus atos (como no primeiro assassinato dele, talvez), sei lah..ele era extremamente frio e sabia exatamente o q estava fazendo, tanto sabia q ele jah tinha em casa as drogas para desacordar suas vitimas, o barril com acido e todas as outras ferramentas..em resumo… difícil de entender…mas uma história muito interessante, porém extremamente lamentável principalmente pelas famílias das vitimas e dele tbm…

  • Marcos

    Na minha opinião Dhamer não tinha nenhum problema mental. Além de esperto, era mau por natureza. Prova disso foi que, quando do julgamento, declarou-se culpado para não ser encaminhado a uma prisão psiquiátrica onde “viveria” dopado.  Nenhum especialista em qualquer área, pelos menos ainda, consegue afirmar qual o motivo de umas pessoas serem boas e outras más, heterossexuais ou homossexuais, etc… A índole humana continuará sempre sendo um mistério. Não entrarei no campo religioso pois a “área espiritual” nada tem a ver com o relato – se assim fosse teríamos cargos públicos de médiuns e videntes na polícia e perguntaríamos porquê alguns nascem em lares cristãos e  outros em lares muçulmanos.
    Seu pai, Sr. Lionel, demonstra agora uma profunda amargura pelo sofrimento de seu filho, das vítimas e de seus familiares, mas revelou-se um pai ausente na infância de Dhamer e, por isso, tem uma parcela de culpa, assim como sua mãe que o abandonou (literalmente). 
    A Sra. Cleveland foi um ser humano cuja filosofia de vida deveria ser seguida em vários locais do mundo, principalmente no Brasil, onde a cultura do “não é comigo e por isso não me interessa” impera (lembram da fábula do rato e da ratoeira na fazenda).
    Galera do Aprendizverde: descobri o site por acaso (procurando a música do HANSON – A man from Milwalkee) e realmente vocês são incríveis na forma de relatar os fatos. Obrigado pela clareza e objetividade das informações, além da utilização dos recursos visuais nos momentos certos. Repassarei este site para os amigos que apreciam uma boa leitura. PARABÉNS!

  • Magie Real

    Gente, vocês são ótimos no que fazem, parabéns pelo site. Sobre o caso, creio piamente que houve uma negligencia dos pais, o que desencadeou todos esses crime. Que pai acha normal o filho “brincar” com animais mortos? Enfim, sucesso ao site! 

  • http://www.facebook.com/pas.junior Paulo Júnior

    Muito legal e informativo o post! E foi impressionante (no mau sentido) a vida desse cara!

  • Clara Daschund

    Acho triste o fato dele ter gostado de brincar com animais mortos na infância ser mostrado (não no post, que é super imparcial, mas na história dele como um todo) como uma coisa normal e não um sinal de que algo estranho já acontecia com aquele garoto. A impressão que dá é que mais ou menos a de que “ok, ele gostava de dissecar animais, mas quem nunca?”
    Fiquei meio triste lendo o post no sentido de que em alguns momentos você tem a impressão de que algumas coisas poderiam ter sido evitadas. O momento em que ele começou a se isolar quando tava tendo pensamentos QUE ELE SABIA QUE ERAM ERRADOS E DOENTIOS era, por exemplo, uma deixa para que alguém notasse. Quem sabe se um amigo desse suporte, ele não teria procurado ajuda? Porque sem dúvidas ele sabia que tinha um problema.
    Não sei, as vontades são muitas de querer que nada disso tivesse acontecido, que essas pessoas não tivessem morrido, as famílias sofrido e o próprio Jeffrey, mas a verdade é que não é de “se” que se vive a vida.
    A lição que fica é para quem tá aqui. Prestar mais atenção no próximo, ter mais compaixão e vontade de ajudar. A vida é a prioridade.
    Em tempo: não conhecia o site. Vocês estão de parabéns.

    • ayme

      concordo com vc: temos que ser mais atenciosos às pessoas, ser mais sensíveis.

  • Jacquelinemascoli

    Nossa, que desperdicio um cara LINDO desse ter sido um psicopata =/ as aparencias realmente enganam

  • 해열

    Já havia lido bastante sobre o Dahmer e gostei muito do seu post. Completo, várias informações que eu não havia visto antes, gostei mesmo. Acho que o único defeito é que é muito grande. Apesar de _EU_ não ver isso como um problema, algumas pessoas podem desistir da ler até o fim (como eu mesma quase fiz por ter um trabalho a terminar, haha).
    Sabe? Não importa quantas vezes eu leia sobre o caso, eu SEMPRE fico revoltada com o que aconteceu com o menino de 14 anos. Ele poderia ter sido salvo, mas a babaquice dos policiais não permitiu isso. Pra mim, eles deveriam ser punidos de outra forma. Uma pessoa é morta de forma horrenda e eles só perdem o emprego? Sendo que um deles foi readmitido depois, se não me engano. Eles só agiram daquela forma porque, supostamente, se tratava de um casal homossexual. Se fosse outra situação, com certeza não ficariam dando risadinhas.

  • Pingback: Pra Saber Mais: Qual a Diferença entre Serial Killers, Spree Killers e Mass Murderers ? | O Aprendiz Verde()

  • Giordano

    Brilhante.
    Me ajudou muito, fiquei IMENSAMENTE feliz de ter encontrado um texto tão detalhado e bem escrito como este!
    Sinceramente, nem tenho palavras para agradecer.
    Obrigado pelo seu esforço em tentar “desvendar” o serial killer único dos únicos!

    • http://twitter.com/OAprendizVerde O Aprendiz Verde

      Eu que agradeço sua visita Giordano. Abraços!

  • Pingback: Pra Saber Mais: Crianças Psicopatas | O Aprendiz Verde()

  • Suica_07

    Extremamente triste a história… Não pude evitar de sentir muita pena do Jeff. A solidão faz coisas incompreensíveis com as pessoas, e hoje eu, como mãe, posso dizer que sei como a falta de afeto afeta a índole da pessoa. Não só a falta de afeto, mas a forma como a criança é criada. E além disso, como ser humano, com consciência da minha infância posso dizer que entendo perfeitamente como a  minha influenciou minha vida, meus medos, meus defeitos… extremamente deprimente. 

    • ayme

      É verdade… família, e infância fazem toda diferença na vida de uma pessoa. hj tbm compreendo coisas em minha forma de ser, como consequências da minha infância: timidez, medo de coisas banais, medo de alguma mudança aparente em minha vida, tendência à acomodação… Mas graças a Deus não me deixei dominar por isso, tenho consciência de que tenho que lutar contra essas coisa todos os dias e não temer os desafios da vida, eles estão aí para os superarmos.

  • Douglas alves salles

    Pessoal eu vo dá uma explicação em minha teoria sobre Dahmer,Eu não acho que ele deveria morre pois Dahmer diferente de todos os registros de Serial Killers quando encontrou Deus se arrependeu de todos os crimes cometidos por ele,agora a explicação Dahmer nunca foi insano ele teve algo muito comum em pessoas um trantorno não real,devido as coisas que a mãe dele fez como abandonalo fez com que Dahmer comesase a deixar sair seus ´´demonios´´o unico problema foi que não consiguiu controla-los com o tempo eles foram ficando cada vez piores até chegar ao desejo obsesivo a tudo que ele fez,pois como Dahmer disse Ele não mataria se tivesse um namorado que fizesse tudo que ele queria no tempo que ele queria e infelizmente ele sabia que era cause impossivel encontra um como esses(atenção não sou gay)assim que Dahmer chegou aos 15 anos seu pensamentos comecaram a ficar mais obsessivos e sem qualquer tipo de controle depois de seu primeiro assasinato aos 16 Dahmer ´´havia encontrado uma saida´´Beber até que seus pensamentos pioraram e então ele voltou a matar,quando viu Dahmer não consiguia mais se ´´controlar´´até que comeco o canibalismo seu novo pensamento era ter um ´´orgasmo perfeito´´,ridiculo,e começou a desmenbrar suas vitimas e come-las,depois parecia que Dahmer era um expert em mata e ele era mais não tanto começou a desenvolver tatícas para não ser pego como usar furadeiras para que suas vitimas tivessem menos chance de escapar,mesmo assim uma escapou e foi entregue a ele pela ´´policia´´e então os pensamentos pioravam a cada dia hora minuto segundo,até que Dahmer havia achado uma outra saida (aos 15 para 20 anos)a igreja mais de ´´nada adiantou´´ quando começou a parte em que Deus não aceitava os Ga@y:disquss e tambem porque Dahmer foi convidado para um LELELELE na escola com outro garoto,aos 30 anos dahmer estava á 15 anos enganando a policia desenvolvendo taticas cada vez melhores alem disso na sua infancia filmes sempre o incentivaram aos 31 matar era seu novo hobby até que comecou a matar um homem por semana aos 35 a policia foi investigar seu apartamento e encontrou um cranio em sua geladeira e outras partes humanas aos 36 Dahmer já arrependido pelos seus crimes e ligado muito a igreja,uma pessoa nova foi escalado para limpar o banheiro,mais uma conhecidencia fatal Dahmer tinha como preferencia homems negros e era considerado pelos negros um assasino racial e ele tinha dois parceiros para limpar o banheiro um criminoso e um outro assasino,negro,este mesmo assasinou os dois com uma barra de ferro o outro estava com varias marcas de defesa já Dahmer sem nenhuma.o triste fim de Dahmer,o unico Serial Killer que se arrependeu e não gostava do que fazia.
    Gostaria muito de fazer parte do Blog eu sempre vejo e gosto muito.

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  • ayme

    Muito bom esse post. A história desse cara é horrorosamente triste. Sinto-me um pouco incomodada por sentir compaixão por ele, mas, tenho compaixão sim. E sinto uma enorme tristeza pelos seus familiares e pelos familiares de suas vítimas.

  • cris

    nossa!! vcs colocaram coisas novas nesse caso, amei e reli tudo, passei duas tardes com minha pipoca no sofá me enchendo de cultura que é o site de vcs, eu não sei qual reportagem é melhor, todas são divinas, vcs são cultura mesmo.

  • Fabiana Andrade

    Um tweet meu, que lindo isso <3
    De setembro de 2011, acho que faz tempo! haha
    Eu realmente adoro a história do Dahmer, e a matéria de vocês é a mais completa!
    Obrigado por me colocarem ali, me senti especial <3
    ASUHAISHAIUHASIUHS

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  • http://www.facebook.com/juliaanaamachado Juliana Machado

    Já li livros, mas nada parecido com essa matéria sobre o Jeffrey. Horas e horas seguidas lendo, valeu muitíssimo a pena. Parabéns para quem escreveu! Como já disse em outro comentário, só paro de acessar esse site quando terminar de ler tudo o que me interessa.

  • http://www.facebook.com/juliaanaamachado Juliana Machado

    Estou acessando esse site tem alguns dias e já li matérias tão completas e bem escritas que faz eu não parar mais de ler tudo o que me interessa. Parabéns ao site! Essa matéria do Jeffrey foi sensacional!

    • http://www.facebook.com/BlogOAprendizVerde Aprendiz Verde

      Olá Juliana. Obrigado pelo elogio. Fique ligada que o próximo post sobre serial killers será do mesmo nível, talvez melhor. É um serial killer bastante conhecido. Vamos trazer coisas sobre ele que poucas pessoas no mundo já viram. Aguarde!

  • douglas alves salles

    Vik Dahmer nunca teve ´´culpa´´a sua infancia nunca foi a melhor do mundo eu posso dizer a minha tambem nao foi um mar de rosas,ja imaginou nascer com uma mae usuaria o pai trabalhando o dia todo,e muitas outras coisas?Dahmer era uma criança por isso nao se abria com os pais,mais a pior atitude na infancia foi do pai,ele deveria conversar com dahmer ou algo assim ele pode ter feito isso mais pq nunca fallou?a real culpada de dahmer ter sido assim foi a mae dele,mesmop isso podendo ser evitadoseria dificil muito dificil,eu preferia que ele nao morresse pois estava realmente arrependido,e nao merecia,mais olha o destino o bonitao deolhos azuis sofre na infancia vira o mais notorio assasinoem 30 anos so mata gays e negros é e morto pior um assasino racista incrivel nao acham nao ha duvidas o fim de dahmer foi o destino mais o começo não.

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  • http://www.facebook.com/suiene Suiene Santos Capanema

    “Platão disse tudo”. Quero dar os parabens pelo material disponibilizado, muito bem escrito e com riqueza de detalhes e em nenhum momento ficou cansativa a leiura. A história deste cara é insana e ao mesmo tempo nos leva a colocar em pratica a humanização o sentido da vida. Não há justifica o que ocorreu mas nos leva (pelo menos a mim) a pensar ” e se alguem tivesse notado que ele precisava era de ajuda”? nunca desista de alguem por mais duro que seja, a omissão não é a melhor opção . “All we need is love”

    Parabens novamente

  • Pingback: Direito à Inocência()

  • Interessada

    Texto excelente, assim como todos os que são apresentados nesse blog.
    O caso de Jeff Dahmer é intrigante, pois ele não se encaixa bem no padrão de psicopata apesar de demonstrar alguns traços marcantes do comportamento desde cedo. Ele não era insano mas certamente não era bem equilibrado, talvez por resultado dos eventos em sua infância e adolescencia e é bem possível que esse seu desequilíbrio tenha adicionado o carater racista a seus crimes, como foi levantada a possibilidade em um depoimento sobre o período que passou na prisão por pedofilia.

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  • Douglas

    Me identifiquei muito com ele. Passei por muita coisa que ele passou. Não só com esse serial-killer mas com outros também. E agora? Será que devo esperar até fazer minha primeira vítima?

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  • P.S. Lucas

    Parabéns pelo dossiê, realmente um trabalho muito bem feito!

    É incrível como o fato dele se encaixar nos padrões de beleza chama tanto a atenção das pessoas. É incrível o quanto cada um pode carregar dentro de si sem ninguém saber.

  • Sianne

    Essas garotas ficam aí feito umas idiotas admirando o cara só porque ele era bonito… tá, era bonito, mas era um monstro!!

    O que mais me chamou atenção é que ele em 94 tinha a aparência idêntica a de um ex namorado meu, q era bonito tbm, alto, jeito de “nerd” igual o dele, mas me fez passar o inferno e teria feito muito mais caso o relacionamento não tivesse terminado prematuramente.

    O meu ex odiava as pessoas, não quer mais namorar, apesar de ele ser bonito fui a única namorada dele. Ele odeia as mulheres e atualmente diz abertamente não gostar de ninguém. Também se fazia de “carente” e de “ninguém me quer”, quando na verdade o problema sempre foi ele e o ódio da humanidade que ele tem e tinha.

    Quando falo do modo que ele me tratou as pessoas não levam a sério, mas se um dia eu souber que ele matou alguém como esse tal de Dahmer fez, não vou duvidar nada. Ambos tinham o mesmo jeito até de falar, o jeito frio e sem coração, sem alma.

    Sério, pra idolatrar esses tipos só pq eles são bonitos, tem q ser muito tonto/a. O “Night Stalker” é outro serial killer muito bonito, mas que eu desprezo completamente pq fazia mal indizível aos outros.

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  • Luluzinha 2014

    Olá pessoal do Aprendiz Verde, adoooro o site de vocês. Amo e leio todas as matérias. São ótimas e as mais bem elaboradas que eu conheço. Gostaria se possível, que vocês fizessem uma matéria sobre a vida e morte de Elizabeth Short mais conhecida como “Dália Negra”, jovem morta trágica e misteriosamente nos EUA na década de 40. Já li muito sobre esse caso, mas acho que uma matéria de vocês seria diferente de tudo que eu já li. Obrigada e fica a dica. Beijos prá vocês

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