Serial Killers: Béla Kiss

Cinkota, Hungria Maio de 1916 O dono de uma propriedade na cidade de Cinkota (cidade pertencente ao décimo sexto distrito de Budapeste) decide ir até um dos seus imóveis...
Serial Killers - Bela Kiss
Serial Killers - Bela Kiss - Capa

Béla Kiss

Cinkota, Hungria

  • Maio de 1916

O dono de uma propriedade na cidade de Cinkota (cidade pertencente ao décimo sexto distrito de Budapeste) decide ir até um dos seus imóveis averiguar a situação do mesmo. O antigo arrendatário da propriedade havia se alistado no exército húngaro e ido a combate na I Guerra Mundial e nunca mais voltado. O dono da propriedade decide então visitar a casa para ver a necessidade de reparos para alugá-la novamente.

Ao chegar atrás da casa, o proprietário encontra vários tambores metálicos de grandes dimensões. Ao perfurar um dos tambores, um cheiro nauseante e bastante forte quase o derruba. Assustado pede ajuda a um farmacêutico que morava a poucos metros do local. O farmacêutico, ao sentir o cheiro, não tem dúvidas: o cheiro é de um corpo em decomposição.

  • Maio de 1916

O detetive de Polícia de Budapeste, Dr. Charles Nagy, recebe uma chamada de um homem bastante assustado do distrito de Cinkota. O homem acredita ter descoberto evidências de um assassinato ocorrido em sua propriedade.

Nagy juntamente com dois dos seus melhores detetives decide ir até a pacata cidade de Cinkota averiguar a denúncia. Ao chegarem lá são recebidos pelo dono da propriedade e por uma senhora chamada Jakubec (Jakubecnénak em língua húngara), a governanta do antigo morador da casa.

Ao abrir o tambor, o Detetive Nagy confirmou as piores suspeitas do dono da propriedade: um corpo intacto de uma jovem mulher. Dentro do tambor havia também uma corda. Quando os detetives abriram os outros seis tambores que estavam no local ficaram chocados: cada um continha o corpo nu de uma jovem mulher. Os corpos estavam preservados no álcool e todas pareciam ter sido estranguladas.

Perplexa a governanta da casa gaguejava ao conversar com os investigadores. Segundo ela, os tambores foram trazidos pelo antigo morador, que sumira após se alistar no exército.

A casa na rua 9 Kossuth em Cinkota, Hungria.

Na foto: A casa (a direita) na rua 9 Kossuth em Cinkota, Hungria. Créditos: Crime Library.

Tambores de metal utilizados pelo serial-killer para guardar suas vítimas.

Na foto: Os tambores de metal utilizados pelo serial killer para descartar suas vítimas. Créditos: Crime Library.

O serial killer

    • O morador da casa na rua 9 Kossuth em Cinkota era conhecido como Béla Kiss (Kiss Bélát na língua húngara).
    • Kiss era um homem loiro de olhos azuis e bastante bonito. Vivia em Cinkota desde 1900. Apesar de não ter estudos, era um leitor voraz e conhecido por ser bastante generoso, inteligente e comunicativo, conhecedor das artes, literatura e história.
    • Béla Kiss costumava oferecer festas em um hotel local e era o solteiro mais cobiçado pelas mulheres da cidade. Ele era visto acompanhado de várias mulheres chiques aparentemente vindas de Budapeste.
    • Em 1903 contratou uma governanta conhecida como Jakubec para trabalhar realizando os trabalhos domésticos da casa em que alugara.
    • Antes da Guerra Kiss começou a trazer vários tambores de metal para a propriedade. Como em toda cidade pequena, começaram a surgir boatos de que ele poderia estar armazenando bebidas ilegalmente. A polícia local resolveu verificar e calmamente Kiss disse que estava apenas estocando gasolina para o período da Guerra. Ele foi convincente.
    • Em 1914, aos 37 anos, Béla Kiss foi convocado para servir o exército húngaro na Primeira Guerra Mundial. Nunca mais foi visto.

Mais corpos

Depois de recolherem os sete corpos dos tambores, os investigadores começaram uma busca minuciosa na casa de Kiss. Corpos foram encontrados por toda propriedade; um foi encontrado em um galinheiro, outros dois em uma marcenaria improvisada; já outros estavam enterrados pela propriedade. Todos os corpos estavam incrivelmente conservados, aparentemente Kiss conservava-os no álcool antes de enterrar. Uma suspeita foi a de que, ao saber que iria para a guerra, Béla Kiss tirou os corpos dos tambores e os enterrou pela propriedade. Aparentemente não deu tempo para ele se livrar de sete corpos, que ficaram nos tambores até serem descobertos dois anos depois pelo dono da propriedade.

Galinheiro onde Béla Kiss escondeu o corpo de uma de suas vítimas

Na foto: O galinheiro onde Béla Kiss escondeu o corpo de uma de suas vítimas. Créditos: Crime Library.

Um dos tambores contendo uma das vítimas de Béla Kiss. (O rosto da vítima foi coberto por uma tarja preta)

Na foto: Um dos tambores contendo uma das vítimas de Béla Kiss. Créditos: Crime Library.

A investigação

Após a descoberta dos corpos, o detetive Charles Nagy tomou medidas imediatas. Primeiro, ele notificou os militares sobre os crimes de Béla Kiss e caso ele ainda estivesse no front de batalha deveria ser preso imediatamente. Em uma hora os pedidos já haviam chegado ao exército. Suspeitando que Kiss pudesse ter tido um cúmplice nos crimes, o detetive notificou as autoridades dos correios e telégrafos que qualquer mensagem destinada Kiss deveria ser interceptada. A notícia da terrível descoberta de corpos havia se espalhado por toda Cinkota e logo chegou aos jornais em Budapeste. O detetive queria ter certeza de que se Kiss tivesse um cúmplice esse não poderia avisá-lo.

A investigação, porém, não seria das mais fáceis. A Europa vivia o auge da Primeira Guerra Mundial e milhares de soldados húngaros haviam sido feitos prisioneiros de pelo inimigo. Para piorar, os nomes Béla e Kiss são extremamente comuns na Hungria. A probabilidade de haver muitos soldados no exército com o nome Béla Kiss era bastante alta.

Depois dessas primeiras decisões, o detetive Nagy inicou a parte mais difícil da investigação: descobrir a identidade das vítimas. Não haviam muitas pistas nos tambores de metal. O detetive encontrou apenas uma inicial (K.V.) bordada em uma peça de roupa e outra inicial (M.T.) em um lenço. O detetive decidiu então fazer buscas mais detalhadas na casa do serial killer.

Ao fazer uma busca mais detalhada em sua casa, o detetive descobriu uma porta trancada. “Esse é o quarto secreto de Béla Kiss. Ele me disse para nunca entrar nele e nunca deixar ninguém entrar”, disse ao detetive a governanta, Jakubec.

Ao entrar no quarto, o detetive Nagy viu apenas uma estante forrada de livros, uma mesa, e uma cadeira. A maioria dos livros eram sobre métodos de envenenamento e estrangulamento. Dentro da mesa porém, o detetive Nagy encontraria as pistas das quais estava ansiosamente procurando.

Dentro da mesa, o detetive encontrou um enorme volume de correspondências entre Kiss e várias mulheres. Encontrou também um álbum com fotografias de mais de 100 mulheres. As cartas estavam arquivadas em cerca de 74 pacotes de modo que mensagens de uma mesma mulher fossem mantidas em conjunto. O detetive descobriu que Kiss escrevia anúncios em jornais procurando mulheres para um relacionamento sério (casamento). Kiss recebeu 174 propostas de casamento. Para 74 dessas mulheres, Kiss aceitou o casamento e continuou a corresponder com elas. As cartas mais antigas datavam de 1903.

Depois da descoberta das cartas, o detetive Nagy decidiu interrogar a assustada governanta de Béla Kiss, Sra. Jakubec. A todo momento a Sra. Jakubec dizia: “Sou apenas uma governanta. Não me mande para a prisão!”

No seu depoimento, ela disse que conhecia Kiss desde 1900 quando ele veio para Cinkota. “Ele tinha vinte e poucos anos, era um rapaz muito bonito, gentil com todo mundo. Ele não faria mal a nenhuma coisa viva. Uma vez um cachorro quebrou sua pata e ele fez talas e alimentou o animal. Tenho certeza de que isso é um erro, ele não matou aquelas mulheres! Alguém fez isso mas não ele”, disse ela ao detetive.

A governanta admitiu que ao longo dos anos, várias mulheres visitaram o patrão. Porém, ela não sabia o nome de nenhuma.

“Eu quase nunca me dirigia a elas. Eu era apenas uma servente e ele me pagava bem para isso. Eu passava minhas noites na minha própria casa. O que Béla Kiss fazia com essas senhoras não era da minha conta. Elas eram senhoras da cidade e não camponesas como eu. Elas viam por um dia ou dois e depois iam embora.”

Interrogando os vizinhos de Kiss, o detetive não obteve novas informações. Todos gostavam do homem e o único fato que eles achavam estranho era o dele ser solteiro, já que era bonito e muito cobiçado pelas mulheres de Cinkota.

Charles Nagy. Detetive chefe dos assassinatos do "Monstro de Cinkota"

Na foto: Charles Nagy, detetive chefe do caso dos assassinatos do “Monstro de Cinkota”. Créditos: Crime Library.

Investigando as iniciais K.V., o detetive descobriu o nome Katherine Varga, uma viúva rica de Budapeste. Katherine era empresária do ramo de confecções e não possuía parentes próximos. Aprofundando mais as investigações, o detetive descobriu que Katherine vendera sua loja para casar-se com Béla Kiss.

Outro avanço na investigação aconteceu quando o detetive localizou um pedaço de roupa com o nome bordado de Julianne Paschak. Um dos detetives de Nagy, investigando os registros criminais da cidade, descobriu que duas mulheres, Julianne Paschak e Elizabeth Komeromi, haviam processado Béla Kiss por tomarem as suas economias com a promessa de casamento. Os processos foram arquivados pela corte quando as mulheres não apareceram no tribunal para depor.

A esta altura da investigação, o detetive Nagy tinha evidências suficientes para provar que Kiss havia assassinado 30 mulheres, porém uma das sete mulheres encontradas nos tambores de metal ainda continuava sem identificação.

Essa mulher seria identificada posteriormente quando o detetive Nagy recebeu a visita de uma mãe (Stephen Toth) que estava desesperada procurando sua filha, Margareth Toth. Ao detetive, a Sra. Toth disse que sua filha Margareth havia ido para Budapeste trabalhar. Em uma de suas visitas à filha, Margareth apresenteu aquele que seria o seu futuro marido, Béla Kiss. Kiss persuadiu a Sra. Toth a dar-lhe dinheiro para casar-se com sua filha (naquela época era comum a família da noiva dar uma quantia em dinheiro para o noivo, o chamado dote). Algumas semanas depois e com o dinheiro em mãos, Kiss renegou a sua promessa de casamento e a Sra. Toth foi tirar satisfações com ele. O serial killer alegou que apenas queria adiar o casamento e que Margareth ficara muito irritada e partido em um navio para a América.

Com as cartas de Kiss em mãos o detetive descobriu que em 1906, em uma visita à casa de Kiss, esse forçara Margareth a escrever uma carta para sua mãe dizendo que não podia suportar a vergonha de ser rejeitada por Kiss e que ela estava indo procurar um novo amor na América. A identidade da sétima mulher encontrada nos tambores de metal havia sido descoberto.

Katherine Varga, rica comerciante de Budapeste. Uma das vítimas de Béla Kiss encontrada em um dos tambores metálicos que Kiss alegava guardar gasolina.

Na foto: Katherine Varga, rica comerciante de Budapeste foi uma das vítimas encontrada em um dos tambores metálicos que Kiss alegava guardar gasolina. Créditos: Crime Libray.

Margareth Toth. Após forçá-la a escrever a carta para sua mãe, Béla Kiss a estrangulou e guardou seu corpo em um dos seus tambores.

Na foto: A bela Margareth Toth. Após forçar Toth a escrever uma carta para sua mãe, Kiss a estrangulou e descartou seu corpo em um dos seus tambores. Créditos: Crime Library.

Em 4 de outubro de 1916, o detetive Nagy recebeu uma mensagem de um hospital sérvio alegando que um soldado chamado Béla Kiss havia morrido de febre tifoide em 1915. Pouco tempo depois outra mensagem chegara a Nagy informando que um paciente chamado Béla Kiss estava vivo no mesmo hospital. “Eu acho que esse é o seu homem”, disse o militar chefe do hospital na mensagem.

Rapidamente Nagy foi até o hospital. Passou o dia inteiro viajando e, ao chegar, foi com o comandante até a maca onde supostamente estava Béla Kiss. Ao chegarem viram que o homem estava morto, mas ele não era o serial killer.

O militar ficou nervoso pois tinha certeza absoluta de que o homem era Kiss. Ao investigarem descobriram que o corpo na cama pertencia a um outro soldado. De alguma forma, Kiss fora avisado e colocou um corpo de um soldado com seus documentos para forjar sua própria morte. Mais uma vez Kiss enganara a polícia.

As pistas sobre o Monstro de Cinkota foram ficando cada vez mais escassas até se perderem por completo.

Os anos seguintes

Em 1920 uma importante pista surgiu. Um membro da Legião Estrangeira Francesa (unidade militar da França, criada no século XIX, atualmente uma tropa de elite. É a mais famosa legião estrangeira ainda em operação no mundo) foi até uma delegacia relatar um dos seus companheiros legionários que ele acreditava ser Kiss. Segundo o legionário, o homem atendia pelo nome de Hoffman (em algumas cartas trocadas com mulheres, Kiss assinava com o nome de Hoffman) e gabava-se do quanto ele era bom com um garrote. Quando a polícia chegou à unidade para averiguar o fato descobriram que Hoffman havia desertado sem dar aviso. O homem desaparecera.

Em 1932, um detetive da delegacia de homicídios de Nova Iorque, chamado Henry Oswald, alegou ter visto Béla Kiss saindo do metrô da Times Square. A enorme multidão no local impediu Oswald de perseguir o suspeito. Muitas pessoas deram créditos ao relatório do detetive Oswald pois ele era conhecido como o “olho camêra”, pois tinha uma enorme capacidade para memorizar rostos de pessoas.

Ao longo dos anos surgiram dezenas de boatos sobre Kiss, desde que ele havia sido preso na Romênia; morto por uma doença na Turquia; e até trabalhando como faxineiro em um prédio em Nova Iorque. Porém, nenhuma dessas histórias foi confirmada. Assim como o inglês Jack, o Estripador, o terrível serial killer húngaro nunca foi pego.

Qual terá sido o destino de Béla Kiss? Foi morto na guerra? Mudou para outro país? Matou mais mulheres? Ninguém nunca saberá.

Na Hungria ele é conhecido como “O homem que conseguiu escapar”.

Modus Operandi

Béla Kiss colocava anúncios na coluna matrimonial dos jornais de Budapeste a procura de um relacionamento sério, mais precisamente, casamento. Em seus anúncios Kiss pedia informações sobre a condição financeira das interessadas. Quando chegavam cartas de mulheres que viviam não muito distante, Kiss as visitava e levantava informações sobre suas vidas financeiras. Ao mesmo tempo, ele perguntava sobre seus parentes. Kiss só se concentrava em mulheres que não tinham parentes próximos, pois assim ninguém sentiria falta caso elas “desaparecessem”. Kiss prometia casamento e depois de receber o dote, estrangulava suas vítimas. Colocava os corpos em tambores de metal com álcool. Os corpos ficavam bastante preservados. Foram encontrados 55 tambores em sua casa, a polícia porém, conseguiu encontrar apenas 24 corpos, apesar de acreditarem que ele tenha feito no mínimo 30 vítimas.

Breve análise

Béla Kiss é um clássico exemplo do que os criminologistas chamam de Barba Azul. Barba Azul é um tipo específico de psicopata que desposa e depois mata uma série de mulheres. Nesse sentido, o assassino Barba Azul é a contraparte masculina da “Viúva Negra”.

Segundo Harold Schechter, em seu livro Serial Killers – Anatomia do Mal, duas coisas distinguem o Barba Azul de outros tipos de serial killers que atacam vítimas do sexo feminino. E primeiro lugar, enquanto psicopatas como Ted Bundy, Ed Kemper, Kenneth Bianchi, dentre outros, visam alvos aleatórios dentro de um grupo (específico ou não) de mulheres, o Barba Azul ataca suas próprias esposas ou namoradas. Em segundo lugar, enquanto a maioria dos serial killers são motivados primariamente por sadismo sexual, o Barba Azul (embora claramente obtenha satisfação de suas atrocidades) também é motivado pelo lucro.

Mas engana-se quem acha que esses assassinos motivados pelo lucro são menos psicopatas que seus colegas sexualmente pervertidos. Ao conceber e realizar suas atrocidades, eles agem de forma racional, ardilosa, muitas vezes demonstrando um alto nível de inteligência. Eles também não possuem consciência, remorso ou capacidade de demonstrar empatia. Para eles, os outros seres humanos são simplesmente objetos a ser manipulados, destruídos e descartados para seus próprios fins narcisistas. “A ganância e a gratificação de seus impulsos maléficos estão na base de seus crimes”, diz Schechter.

A título de curiosidade, o termo Barba Azul foi retirado de um dos mais famosos contos de fadas de todos os tempos, Barba Azul, originalmente registrado pelo escritor francês Charles Perrault em sua clássica coleção, Contes du Temps Passé (Contos do Tempo Passado). O conto traz a história de um cavalheiro muito rico que possui uma barba de coloração azulada. De comportamento respeitoso e aparência sinistra, o homem corteja e conquista uma bela donzela que posteriormente descobre que ele assassina suas mulheres e as dependura na parede de um quarto secreto de seu castelo.

Como dito, o Barba Azul tem como motivação o lucro, mas não podemos dizer que sua satisfação advém apenas de tomar as posses de suas vítimas. Como centenas de outros serial killers, Béla Kiss estrangulava suas vítimas e o estrangulamento proporciona a satisfação sádica que muitos psicopatas procuram. Há centenas de casos de psicopatas que ficam tão excitados ao estrangular uma vítima que chegam a um clímax sexual durante o assassinato (alguém já viu o filme Frenesi do mestre Hitchcock?)

Reportagem de época

  • Matéria publicada no jornal norte-americano Pittsburgh Post-Gazette em 12 de maio de 1916

Acredita-se que Barba Azul húngaro esteja morto

Buda Pest. 12 de Maio – Bela Kiss, chamado de “Barba Azul húngaro”, provavelmente nunca será levado a julgamento pelo assassinato de sete mulheres cujos corpos foram encontrados escondidos em latões de estanho em sua casa em Cinkota. As autoridades tem relatos autênticos de que o latoeiro morreu de tifo na Sérvia ou foi morto em batalha.

O proprietário da casa, o locatário Martin Greshinsky, descobriu os assassinatos esta semana, vários meses após Kiss ter ido para o front. Na propriedade ele encontrou sete longos latões do tipo caixão, cada um coberto com estanho. Greshinsky abriu um e ao encontrar o corpo de uma mulher chamou a polícia. Em cada um dos tambores restantes foi encontrado o corpo de uma mulher costurado a um saco. Cada uma das vítimas havia sido estrangulada com um fio. A polícia prendeu a governanta de Kiss e encontrou em sua posse várias cartas de jovens mulheres que manifestavam seu amor pelo latoeiro e seu desejo de casar com ele. A teoria da polícia é a de que ele atraía as jovens para a casa sob promessa de casamento e as estrangulava.

Serial Killers - Bela Kiss - Pittsburgh Post-Gazette

Na foto: Reportagem do jornal Pittsburgh Post-Gazette sobre a descoberta dos crimes de Béla Kiss. Data: 12 de maio de 1916. Créditos: Pittsburgh Post-Gazette.

Serial Killers - Bela Kiss - New Zealand Herald

Na foto: Reportagem publicada no New Zealand Herald em 22 de julho de 1916. Créditos: Paperspast.

Serial Killers - Bela Kiss - Artigo de Jornal

Na foto: Artigo de jornal húngaro informa sobre a suposta aparição de Béla Kiss em Nova York. Data: 1933. Créditos: Pest Megyei Levéltária

Serial Killers - Bela Kiss - O funeral das vítimas

Na foto: O funeral das vítimas de Béla Kiss. Créditos da Foto: Huszadik Század.

Serial Killers - Bela Kiss - O funeral das vítimas

Na foto: O funeral das vítimas de Béla Kiss. Créditos da Foto: Huszadik Század.

Curiosidades

    • Ao longo dos tempos Béla Kiss tornou-se um mito, uma lenda entre os serial killers. Sua figura extrapolou o limite da vida e chegou ao século XXI mais vivo do que nunca.
    • Encontramos diversas referências à Béla Kiss na cultura pop. Muitas bandas de rock famosas gravaram músicas sobre o serial killer húngaro. Dentre essas destaca-se a banda de metal sueca que leva seu nome.
    • O famoso e também extremamente perturbado ator, dramaturgo e poeta surrealista francês, Antonin Artaud, escreveu um cenário para um filme mudo inspirado em Kiss. O projeto chamado Trinta e Dois aparece no volume três da Collected Works de Artaud. Em Trinta e Dois, Kiss é um professor de medicina. Uma jovem mulher angustiada aproxima-se dele após participar de uma de suas palestras. Kiss aproveita-se de sua fragilidade para levá-la até sua casa. Ao chegar lá ela repara em 32 grandes recipientes de metal, com medo ela foge. Posteriormente a polícia encontra corpos de mulheres dentro desses recipientes.
    • Em 1991 o cartunista Jay Stephens, criador de diversos desenhos para os canais Cartoon Network e Discovery Kids, lançou uma obra em quadrinhos intitulada The Land of Nod: Rockabye Book que inclui um personagem do mal chamado Béla Kiss. No cartoon Kiss é o inimigo do super-héroi JetCat.
    • A quinta temporada da série norte-americana Dexter foi parcialmente baseada nos assassinatos em série de Béla Kiss. Na série, a polícia de Miami encontra vários tambores de metal com corpos de jovens mulheres preservados no álcool. Outros serial killers reais em que esta temporada de Dexter se baseou foram Leonard Lake e Charles Ng.
    • Em 2013 foi lançado o filme Bela Kiss: Prologue, uma obra alemã que supostamente conta a história de Béla Kiss. O trailer pode ser visto abaixo.

Informações

Serial Killers - Bela Kiss - Bela Kiss MugshotNome: Béla Kiss

Conhecido como: O Monstro de Cinkota; O Barba Azul húngaro;

Nascimento: 1877, Hungria (cidade desconhecida);

Morte: desconhecida;

Número de vítimas: 24 confirmadas;

Método: Estrangulamento com cordas e garrote. Corpos das vítimas eram preservados em tambores com álcool;

Local: Cinkota, Hungria;

Período: 1900 – 1914;

Situação: nunca foi pego;

Foto: Suposta foto de Béla Kiss tirada no exército. Publicada originalmente no Crime Library;


Fontes: Schechter, Harold (Serial Killers – Anatomia do Mal); Crime Library; IPM (Hungria).

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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
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  • Fabio Dantas

    Não tem como não ligar a 5º temporada de Dexter com os crimes de Béla Kiss.
    Estou esperando os posts sobre Leonard Lake e Charles Ng, não conheço a história deles.

    Parabéns pelo blog, essa coluna de serial-killers é sensacional !!

  • Fabio Dantas

    Não tem como não ligar a 5º temporada de Dexter com os crimes de Béla Kiss.
    Estou esperando os posts sobre Leonard Lake e Charles Ng, não conheço a história deles.

    Parabéns pelo blog, essa coluna de serial-killers é sensacional !!

  • Rasputin

    Muito bom esse artigo. Parabéns

  • Rasputin

    Muito bom esse artigo. Parabéns

  • Albino_mota

    dos homens ele escapou,mas de deus nao,com certeza esta na eternidade pagando pelos crimes k cometeu.

  • 123

    No mesmo momento que estava lendo liguei diretamente a 5°temporada de Dexter(a qual estou vendo)

  • Pingback: Dexter e Bella Kiss |()

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