Serial Killers: Jack, O Estripador

Miler’s Court, bairro de Whitechapel, Londres. Manhã de 09 de Novembro de 1888 John McCarthy, um dono de pensão no bairro de Whitechapel em Londres manda seu funcionário Thomas...
Serial Killers - Jack o Estripador

Miler’s Court, bairro de Whitechapel, Londres.

  • Manhã de 09 de Novembro de 1888

John McCarthy, um dono de pensão no bairro de Whitechapel em Londres manda seu funcionário Thomas Bowyer cobrar o aluguel de uma inquilina chamada Mary Kelly. Mary já devia 6 semanas de aluguel. Perto das 11:00 da manhã, Bowyer bate na porta do quarto de Kelly mas não obtêm resposta. Ele decide então olhar pela janela entreaberta para verificar se Mary estava presente. Ao afastar um casaco que servia como cortina, Bowyer tem uma visão aterrorizante. Tropeçando em suas pernas ele corre para contar o que havia visto à McCarthy. Ao ver a cena McCarthy vomita e gaguejando e completamente aterrorizado chama a polícia.

O superintendente Thomas Arnold e o inspetor Edmund Reid da divisão policial de Whitechapel juntamente com os detetives Frederick Abberline e Anderson Robert da Scotland Yard chegam ao local. Verificam o local e decidem arrombar a porta. Ao entrarem no quarto a visão é chocante. O cirurgião-médico Thomas Bond é chamado, em seu relatório (resumido) Bond diz:

“O corpo estava deitado nu no meio da cama. A cabeça repousada para o lado esquerdo. O braço esquerdo estava perto do corpo com o antebraço flexionado em um ângulo direito e deitado sobre o abdômen. As pernas foram afastadas … Toda a superfície do abdômen e coxas foram removidos e a cavidade abdominal esvaziada de suas vísceras. Os seios foram cortados, os braços mutilados por várias feridas irregulares e o rosto completamente cortado tornando-se irreconhecível. Os tecidos do pescoço foram severamente cortados até os ossos.  As vísceras foram encontradas em várias partes: o útero e rins com um dos seios sobre a cabeça, o outro seio sobre o pé direito, o fígado entre os pés, os intestinos ao lado direito do corpo e o baço ao lado esquerdo do corpo. Os retalhos retirados do abdômen e coxas estavam sobre uma mesa … O rosto estava cortado em todas as direções, o nariz, bochechas, sobrancelhas e orelhas (parcialmente removidas). Os lábios estavam descascados e cortados por diversas incisões correndo obliquamente até o queixo. A pele e os tecidos do abdômen do arco costal ao púbis foram removidos em três grandes abas. A coxa direita estava desnuda em frente ao osso. A coxa esquerda foi estripada de pele e músculos até o joelho …”

Horas depois a vítima seria identificada como Mary Jane Kelly, 25 anos e prostituta.

Mary Kelly foi a última vítima (reconhecida pela polícia) do mais famoso serial-killer da história, seu nome ninguém nunca soube mas podemos chamá-lo de Jack, O Estripador.

A onda de matança em série de Jack, O Estripador aconteceu entre agosto e novembro de 1888 e depois cessou de maneira tão abrupta quanto havia começado. E até hoje, 123 anos depois, a polícia tenta descobrir a identidade daquele que virou uma lenda entre os serial killers.

O Contexto

Naquela época podíamos dividir Londres entre a parte oeste e a parte leste. O lado oeste de Londres era a parte mais rica da cidade, também conhecida como a “Londres Victoriana”, homens de cartola e damas da sociedade passeavam com seus filhos pelas praças enquanto no lado leste, 900 mil pessoas pobres moravam em bairros sujos com famílias inteiras sem teto. Whitechapel, a área mais pobre de todas, é onde ocorrem os assassinatos.

Rua Principal do Bairro Whitechapel. Foto tirada em 1905.

As pessoas do lado leste eram desprezadas e insultadas pela Londres Vitoriana. O lado leste tornara-se um distrito industrial desgastado. Agora na época da depressão econômica do final dos anos de 1880, era uma área super povoada, pobre e desamparada onde a qualquer hora, qualquer mulher poderia se prostituir como único meio de alimentar seus filhos. Até hoje muitas pessoas que moram na parte leste de Londres consideram uma avó ou bisavó que precisou sair às ruas quando as coisas não estavam boas, e nem por isso pensam mal delas.

A vida das prostitutas era terrível e brutal. Elas se prostituíam por 2, 3 centavos ou até mesmo um pedaço de bolo.

Os Assassinatos em Série

Entre os anos de 1888 e 1891, 11 mulheres foram assassinadas na famosa área de Whitechapel, um bairro a leste de Londres. Seis desses assassinatos apresentaram similaridades terríveis: todas as vítimas tiveram a garganta cortada e sofreram mutilações severas com remoção de alguns órgãos internos. As vítimas eram todas prostitutas de Whitechapel:

  • Martha Trabam
  • Mary Ann Nichols
  • Annie Chapman
  • Elizabeth Stride
  • Catherine Edowes
  • Mary Jane Kelly

Não existe um consenso sobre qual teria sido a primeira vítima de Jack, O Estripador, a hipótese mais aceita é que tenha sido a prostituta Mary Ann Nichols mas alguns especialistas acreditam que a igualmente prostituta Martha Trabam, morta em 7 de agosto de 1888, também tenha sido vítima de Jack. Além de ser prostituta, a hora, o lugar e o tipo da morte coincidem com o tipo de assassinatos cometidos por Jack.

As Vítimas

  • Mary Ann Nichols (morta em 31/08/1888)

“Querido pai. Escrevo para dizer que ficará feliz em saber que já estou morando na casa nova e que tudo ficará bem. As pessoas são ótimas e quase não tenho o que fazer. Espero que o Sr. esteja bem e o garoto trabalhando. Adeus sua querida Polly. Escreva-me logo para dizer como está.”

[Carta de Mary Ann Nichols – mais conhecida como Polly – para seu pai]

Polly Nichols foi assassinada em 31 de agosto de 1888. Nesse dia em particular ela atendera 3 clientes mas tinha gasto todo o dinheiro com gim. Ao voltar para a pensão para dormir não tinha dinheiro para pagar o quarto e foi barrada pelo dono do estabelecimento. Teve que voltar para as ruas em busca de um quarto cliente para custear sua pernoite na pensão. Estava confiante em arranjar um novo cliente pois estava linda, o motivo: o novo chapéu que usava. Ela estava bêbada, não tinha os 5 dentes da frente, mas para ela estava linda. Tudo por causa do seu novo chapéu. Suas últimas palavras para o dono da pensão foram: “Veja o lindo chapéu que estou usando.”

31 de agosto de 1888, o primeiro crime do estripador: Mary Anne Nichols, mais conhecida como Polly Nichols, uma prostituta de 40 anos foi achada morta em Bucks Row, Whitechapel perto das 03:45 da manhã. Tinha sido morta a 20 minutos quando foi achada. Sua garganta fora cortada e tinha um corte profundo no abdômen.

Esse fora o segundo crime com as mesmas características ocorrido no bairro de Whitechapel. 16 dias antes, uma prostituta chamada Marta Trabam fora encontrada com a garganta cortada e um corte profundo no abdômen. Muitos especialistas acreditam que este tenha sido o primeiro crime de Jack, O Estripador. Até hoje há uma controvérsia sobre qual teria sido o primeiro crime cometido pelo estripador (Marta Trabam ou Polly Nichols?)

Porém, para os jornais sensacionalistas ingleses isso não importava. Os Jornais radicais The Star e The Pall Mall Gazette começaram a escrever artigos sobre as mortes causando pânico na população.

Uma das intenções dos jornais com os artigos era também chamar a atenção para as péssimas condições sociais do lado leste de Londres, já que as primeiras eleições para o conselho de Londres estavam sendo feitas. Venderam jornais como nunca.

Até onde diz respeito à opinião pública, pode-se dizer que os jornais foram os responsáveis por parte do terror. Jornais da época, com ilustrações de primeira página, davam tratamento tenebroso ao caso. Até mesmo o conceituado Times foi contagiado pela febre do Estripador.

Serial Killers - Jack o Estripador - Martha TrabamNome: Martha Trabam

Alcunha: Emma Turner

Idade: 39 Anos

Ocupação: Prostituta

Data da Morte: 07/08/1888

Local: George Yard Buildings, Whitechapel. Londres

Causa da Morte: Lesões no abdômen e órgãos internos

Instrumento: contundente e perfurocortante

Histórico: A vítima perambulava pela região da ocorrência na tentativa de obter dinheiro para custear pernoite e alimentação. Não há consenso entre historiadores sobre a atribuição dessa morte à Jack, O Estripador.

Serial Killers - Jack o Estripador - Mary Ann NicholsNome: Mary Ann Nichols, conhecida como Polly Nichols

Idade: 43 Anos

Ocupação: Prostituta

Data da Morte: 31/08/1888

Local: Buck’s Row, Whitechapel. Londres

Causa da Morte: Estrangulamento, lesões na garganta, abdômem e face.

Instrumento: Perfurocortante

Histórico: Na ocasião da ocorrência, a vítima caminhava pela região do crime em busca de recursos para custear pernoite em um albergue.

  • Annie Chapman (morta em 18/09/1888)

18 de setembro de 1888, às 05h50 da manhã, a segunda vítima do estripador foi encontrada. A prostituta Annie Chapman tinha sido expulsa da pensão onde morava por não ter o dinheiro para pagar a cama. Precisava de dinheiro mas não conseguiu pois foi vista às 05h15 da manhã negociando com um cliente, provavelmente o Estripador na calçada em frente ao número 29 na rua Hanbury. A garganta fora cortada e ela selvagemente mutilada sem as vísceras e o útero removido. O abdômen completamente aberto, seus intestinos estavam em volta dos ombros.

Serial Killers - Jack o Estripador - Annie ChapmanNome: Annie Chapman, conhecida como Dark Annie

Idade: 47 Anos

Ocupação: Prostituta

Data da Morte: 08/09/1888

Local: Hanbury Street, Whitechapel. Londres

Causa da Morte: Sufocamento, lesões no pescoço, abdômen e genitais

Instrumento: Perfurocortante

Histórico: Perguntada como pagaria o quarto para pernoite, disse que “volto logo” com o dinheiro. O corpo foi encontrado a 300 metros do cortiço onde costumava passar a noite.

A Investigação

Pelos padrões vitorianos a investigação foi conduzida da melhor forma possível. Foi colocado reforço extras nas ruas, fizeram interrogatórios de porta em porta. Todas as pistas foram seguidas, até as mais ridículas. Prostitutas locais descreviam um homem que as ameaçava. “Ele é baixo mas forte. Tem os cabelos e bigode preto, o pescoço fino. Veste uma capa com uma avental de couro. Ele balança uma faca e diz: ‘Vou cortar você!'”, disse uma delas à polícia na época.

A essa altura a polícia tinha um suspeito: um pobre imigrante poloneu-judeu que morava em Whitechapel. Depois de alguns interrogatórios, a Scotland Yard prendeu John Pizer como principal suspeito das mortes, logo ele ganhou o apelido da imprensa de “O Avental de Couro”. Não havia provas para incriminar Pizer nos crimes e ele logo foi solto.

Em seguida a polícia concentrou-se nos médicos que faziam cirurgias e amputações, talvez o assassino que tira órgãos das vitimas seja médico. Estudantes de medicina meio desequilibrados estavam sendo observados. Qualquer um que fosse médico e carrega-se uma maleta era considerado suspeito. A ideia que o Estripador era médico surgiu de um só médico que examinou os corpos. O Doutor George Baxter Phillips disse que era obra de especialista.

“O abdômen foi completamente aberto. Os intestinos separados do peritônio foram tirados do corpo e colocados perto do ombro do cadáver. A pélvis, útero e vísceras foram completamente removidos. Obviamente um trabalho de especialista. Só quem conhece exames anatômicos é capaz de tirar os órgãos pélvicos com um só golpe de faca.” 

[Nota do Doutor George Baxter Phillips ao examinar o cadáver de Annie Chapman]

Após os dois crimes, cidadãos escreviam à Scotland Yard dando sugestões de como prender o assassino. A idéia mais popular era a do policial disfarçar-se de prostituta. A Scotland Yard investigava o caso quando em 29 de setembro de 1888 uma carta chegou, provavelmente escrito pelo próprio assassino, a assinatura pegou a todos de surpresa, a carta (resumida) dizia o seguinte:

“Caro Patrão.

Ouvi dizer que a polícia me agarrou mas não me prendeu. A brincadeira sobre o Avental de Couro soou muito bem. Tenho nojo de prostitutas e vou cortá-las até você me pegar.

Fiz um grande trabalho da última vez, não dei à Dama nem a chance de gritar. Eu amo o meu trabalho. Você em breve ouvirá falar de mim novamente quando eu começar meus divertidos joguinhos.

Minha faca é boa e afiada e quero começar a trabalhar agora se tiver oportunidade.

Sinceramente: Jack, O Estripador.”

Primeira página da carta “Caro Patrão” escrita por Jack, O Estripador e enviada à polícia em 29/09/1888.

Segunda página da carta “Caro Patrão”. Era a primeira vez que o nome Jack, the Ripper (Jack, O Estripador) era mencionado.

Assustados com o teor da carta, a polícia colocou reforços extras nas ruas. A essa altura, Charles Warren, chefe da Scotland Yard estava na mira. O assassino estava à solta, seus superiores estavam zangados e o público sem confiança nele. A imprensa sensacionalista queria que ele saísse do caso.

O centro de Londres tinha sua própria força policial e cada vez mais crescia o rumor de que a polícia da cidade de Londres e o comissário Henry Smith seriam puxados para a caçada à Jack, O Estripador.

Vinte e quatro horas depois de receberem a carta, os temores da Scotland Yard se concretizaram: as prostitutas Liz Stride e Kate Eddowes são encontradas mortas.

  • Liz Stride e Katherine Eddowes (mortas em 30/09/1888)

A primeira vítima encontrada naquela noite foi uma prostituta conhecida como “Long Liz”. Ela procurava freguês na pequena rua Berner em Whitechapel durante a noite a partir das 23:00. Seu corpo foi encontrado em Dutfields Yard às 01h00 da manhã. A garganta fora cortada mas ela não havia sido mutilada. Pode ser que o Estripador tenha se assustado e fugido ao ouvir o cavalo de Dean Schuitz (homem que encontrou o corpo de Liz) e pensar numa cilada. A poucos metros do local, uma mensagem escrita em um muro chamou a atenção da polícia: “Os judeus não serão culpados sem motivo”. Em baixo, um pedaço do avental sujo de sangue de Stride. A polícia acredita que as palavras foram escritas pelo assassino.

Com sede de sangue, Jack, O Estripador cruza o território da Scotland Yard e vai para o oeste e comete o seu mais audacioso crime até então. O segundo crime da noite do duplo homicídio foi o da prostituta Katherine Eddowes.

Seu corpo foi achado às 1h45 da madrugada em Mitre Square na cidade de Londres. Ela tinha sido terrivelmente mutilada: cortes em V no rosto apontando para os olhos, nariz cortado, cílios arrancados, o habitual corte na garganta e abdômen, útero e rim arrancados. Agora ele matara na Londres vitoriana.

Serial Killers - Jack o Estripador - Elizabeth StrideNome: Elizabeth Stride, conhecida como Long Liz

Idade: 44 Anos

Ocupação: Prostituta

Data da Morte: 30/09/1888

Local: Dutfield’s Yard, Whitechapel. Londres

Causa da Morte: Lesão na garganta

Instrumento: Perfurocortante

Histórico: Uma testemunha teria ouvido um grito no local da ocorrência, mas se evadiu. O assassino aparentemente não teve tempo de completar a mutilação. Perto do local do crime foi encontrada uma inscrição que dizia: “Os judeus não serão culpados sem motivo.”

Serial Killers - Jack o Estripador - Katherine EddowesNome: Katherine Eddowes

Idade: 46 Anos

Ocupação: Prostituta

Data da Morte: 30/09/1888

Local: Mitre Square, Whitechapel. Londres

Causa da Morte: Estrangulamento, lesão na garganta, abdômen, órgãos internos e face

Instrumento: Perfurocortante

Histórico: Foi vista pela última vez na entrada de um bar na companhia de um homem baixo, de bigode, e que usava jaqueta colorida.

Veja Abaixo Outra Imagem do Corpo de Katherine Eddowes


Depois da noite do duplo assassinato, começou uma verdadeira caçada à Jack, O Estripador. Henry Smith, comissário da polícia de Londres pôs homens no caso. Não queria ser chamado de incompetente como a imprensa retratava seu parceiro da Scotland Yard, Charles Warren.

O Comissário da Polícia de Londres Henry Smith

General Sir Charles Warren. Chefe da Scotland Yard na época dos crimes de Jack, O Estripador.

Caricatura de um jornal Londrino na época dos assassinatos. Sir Charles Warren é satirizado pela imprensa.

A sociedade vitoriana achavam que essas mulheres (prostitutas) mereciam o que recebiam. A maioria viam as prostitutas como gay, não no sentido de hoje (homossexual), mas no sentido de ninfomaníaca. As prostitutas eram ninfomaníacas, por isso eram prostitutas. Logo estavam na rua por prazer. Estar na rua por desespero e necessidade não era considerado e a pena para o pecado era a morte. Isso era o que mereciam, pensavam. Por que perder tempo com elas? É uma forma de limpar as ruas.

Porém, após a morte de Katherine Eddowes as mulheres do oeste ficaram com medo. O Estripador tinha sede de sangue e era imprevisível. Quinze mil guardas foram colocados nas ruas, 150 detetives disfarçados trabalhavam nas docas em Cover Garden incluindo um diretor do Banco da Inglaterra que se disfarçou de trabalhador comum. Mas infelizmente a investigação era feita de forma separada, a polícia de Londres envolvida com a morte de Katherine Eddowes (o assassinato ocorrido no lado oeste de Londres) não trocava informações com a Scotland Yard (que investigava os assassinatos em Whitechapel) e vice-versa.

Em 15 de outubro de 1888, George Lusk, chefe do comitê de vigilância de Whitechapel recebeu uma carta, provavelmente escrita por Jack, O Estripador. O remetente estava escrito: “Do inferno”. A gramática era claramente irlandesa e o envelope continha partes de um rim humano.

“Senhor Lusk,

envio a voce metade do rim que tirei de 1 mulher, a outra metade fritei e comi. Estava muito bom. Talvez até mande a faca que usei se voce puder esperar mais um pouco.

Pegue-me quando puder Sr. Lusk!”

A carta ” From Hell (Do Inferno)” enviada por Jack, O Estripador à polícia em outubro de 1888 continha manchas de sangue humano.

A esta altura o assassino trabalhava num esquema próprio: considerando que sua primeira vítima tenha sido a prostituta Martha Trabam, Jack matava mais ou menos de 15 em 15 dias. Porém em outubro não houve nenhum assassinato.

  • Mary Kelly (morta em 09/11/1888)

Em uma noite chuvosa de 9 de novembro de 1888, a jovem prostituta Mary Kelly procura clientes na rua. Às 1h da madrugada ela acha um e o leva para o seu quarto. Uma prostituta vê quando ela fecha as cortinas.

Às 3h30 da madrugada ela atende um novo cliente: Jack, O Estripador. Na tranquilidade de um quarto Jack tem o tempo necessário para picotar seu corpo. Ela é selvagemente mutilada, quase cortada em pedaços. O abdômen completamente vazio, o conteúdo espalhado pela cama. Carne humana sobre a mesa ao lado do corpo. O coração tinha sido extraído do tórax e de acordo com a descrição do médico foi mesmo extirpado.

Um ex-namorado de Mary Kelly, Joseph Barnett, foi chamado para identificar o que sobrou do corpo: “Morei com a falecida por três meses. Meu nome é Joseph Barnett e vi o corpo, a identifiquei pelas orelhas e olhos.”

As notícias da brutal morte de Mary Kelly espantaram o mundo e alarmou o Palácio de Buckingham. A Rainha Victória bastante entristecida com a morte enviou uma carta ao Primeiro Ministro inglês pedindo a solução dos crimes.

Na Foto: O corpo de Mary Jane Kelly

Na Foto: O corpo de Mary Jane Kelly

Nome: Mary Jane Kelly

Idade: 25 Anos

Ocupação: Prostituta

Data da Morte: 09/11/1888

Local: Miler’s Court, Whitechapel. Londres

Causa da Morte: Estrangulamento e mutilamento

Instrumento: Perfurocortante

Histórico: Encontrada em dormitório de cortiço. Mais de 100 pedaços do corpo foram colhidos no local e encaminhados para autópsia.

Veja Abaixo Outra Imagem da Cena do Quinto Crime de Jack, O Estripador

Foto do quarto onde a prostituta Mary Kelly foi encontrada morta. A foto foi tirada no dia em que o seu corpo foi encontrado por um fotógrafo da polícia. O prédio foi demolido em 1928. Fonte da Imagem: Casebook.org.

Sir Charles Warren, chefe da Scotland Yard já estava fora. O quinto crime selou seu destino e ele renunciou ao caso. A esta altura a polícia estava confusa, confusa por não ter experiência com assassinatos em série e pela pressão que vinha não só da população mas também do Palácio Real. Mas como num passe de mágica os crimes cessaram. Jack, O Estripador desapareceu da mesma forma como apareceu: como um fantasma da morte. E até hoje, 123 anos depois, a polícia, estudiosos e pesquisadores tentam saber a identidade do homem que aterrorizou toda uma cidade e entrou para história como o mais famoso assassino de todos os tempos. O que teria acontecido com ele? Mudou de cidade? País? Morreu? Parou de matar? Nunca saberemos. Lenda e realidade sobre Jack misturam-se hoje em dia, é comum pessoas verem filmes e acharem que o mistério está solucionado: NÃO ESTÁ. A verdadeira identidade do Monstro de Whitechapel até hoje é um mistério.

A polícia continuou a investigação pelos 4 anos seguintes até encerrar o caso em 1892.

Os Suspeitos

Sir Neville Macnaughten

Em 23 de Fevereiro de 1894, Sir Neville Macnaughten, oficial da Scotland Yard e segundo no comando do Departamento de Investigação Criminal, escreveu um documento relatando três suspeitos que ele acreditava ser o serial killer conhecido como Jack, O Estripador.

O documento permaneceu nos arquivos da polícia inglesa e só foi publicado mais de 20 anos depois, em 1915.

Os três principais suspeitos de Macnaughten eram:

Suspeito Número 1

  • Montague John Druitt

Montague John Druitt

O suspeito número 1 da Scotland Yard era um cidadão acima de qualquer suspeita: Montague John Duitt, 31 anos, professor e advogado da alta sociedade londrina. Extremamente inteligente, graduou-se no Winchester College e em Oxford. Seu escritório ficava a poucas quadras de onde ocorreram as mortes. Desapareceu em 3 de dezembro, logo após o último assassinato, e era diagnosticado como sexualmente insano (definição que na época servia para enquadrar de homossexuais a homens que procuravam prostitutas). Seu corpo foi achado boiando no rio Tâmisa em 31 de dezembro de 1888. Nos bolsos do casaco foram encontradas várias pedras grandes, o que indicava que ele havia se jogado no rio. De família com histórico de loucura, é possível que Druitt tenha suicidado por arrependimento ou porque fora demitido da escola onde lecionava no fim de novembro. Até a família de Druitt achava que ele era o Estripador.

Suspeito Número 2

  • Aaron Kosminski

Aaron Kosminski.

O suspeito número 2 da Scotland Yard era um barbeiro judeu-polonês morador de Whitechapel que tinha ódio de mulheres, especialmente de prostitutas, e que foi colocado em um manicômio em março de 1889.

Não há evidências que liguem Aaron aos crimes e as razões para sua inclusão na lista são incertas. Certamente ele foi um suspeito do chefe do Departamento de Investigação Criminal, Robert Anderson, e do investigador encarregado do caso, Inspetor Donald Swanson.

Possivelmente, Kosminski foi vítima de antissemitismo ou confundido com outro Judeu-Polônes da mesma idade. O relatório de Macnaughten mencionava apenas o sobrenome “Kosminski”.

Suspeito Número 3

  • Michael Ostrog

Michael Ostrog.

O terceiro da lista era o médico-cirurgião russo Michael Ostrog. Considerado um maníaco cruel com mulheres, sempre andava com seus instrumentos cirúrgicos por Whitechapel.

Com uma longa carreira de crimes, tinha várias identidades e fora preso diversas vezes.

Não há nenhum fato contundente que o ligue aos assassinatos.

Em 1891 foi internado em um hospital psiquiátrico do qual foi solto três anos depois.

Em 1900 foi preso por roubar um microscópio do hospital de Londres em Whitechapel.

Foi solto em 1904 e nunca mais foi visto.

Outros Suspeitos

  • Severin Klosowsk

Severin Klosowsk e sua mulher.

O polônes Severin Klosowsk, também conhecido por George Chapman<é considerado um dos principais suspeitos de ser Jack, O Estripador. Em 1888 tinha uma barbearia em Whitechapel. A barbearia ficava a poucos metros do local onde a prostituta Martha Tabram foi encontrada morta e o pior, Klosowsk morava em frente ao beco onde Tabram fora encontrada. Bastante agressivo, era um dos principais suspeitos do inspetor Frederick Abberline. Mudou-se para Nova Jersey nos Estados Unidos em 1891. Coincidentemente ou não, uma prostituta chamada Carrie Brown fora morta com o mesmo modus operando de Jack, O Estripador. Em 1903 foi condenado à forca por ter matado suas três mulheres aos poucos com doses programadas de arsênico. Segundo alguns estudiosos, as suspeitas sobre ele diminuem pois não é comum um assassino variar tanto seu modus operandi.

  • Robert Stephenson

Robert Stephenson.

Robert Stephenson, também conhecido por Rosyln D’Onston, encabeça a lista dos 5 principais suspeitos dos crimes do Estripador. Aos 18 (1855) anos participou como cirurgião e soldado na Campanha de Unificação italiana de Garibaldi. Tinha relações incestuosas com prostitutas e era conhecido pelo seu interesse em ocultismo e magia negra. Vários investigadores da época apontavam D’Onston como o estripador em potencial. O importante jornalista WT Stead, um dos pioneiros do jornalismo investigativo no mundo chegou a dizer: “Acreditei por um ano inteiro que D’Onston era Jack, O Estripador.”

Em 1888 internou-se no hospital de Londres a poucos metros do primeiro crime. Saiu do hospital logo após o último crime. Em 1889, com sua saúde debilitada devido a uma doença degenerativa, não era capaz de cometer mais crimes. Na época foi descartado como suspeito por não se encaixar no perfil do assassino feito pela polícia.

  • James Stephen

James Kenneth Stephen.

James Kenneth Stephen era um jovem brilhante mas igualmente estranho. Foi escritor, poeta e Presidente da Sociedade da União de Cambridge. Em 1883 tornou-se tutor do príncipe Albert Victor, neto da Rainha Victória e herdeiro do trono. A Família Real sabia que Albert era homossexual, com problemas psicológicos. Historiadores acreditam que os dois desenvolveram uma relação muito próxima e íntima chegando a ter relações homossexuais. Em 1885 a relação dos dois é interrompida quando o Príncipe é nomeado para a Décima Cavalaria dos Hussars. Em 1887 Stephen sofre um acidente que o deixa com transtorno de bipolaridade. A partir daí seu comportamento começa a ficar bastante estranho. Torna-se paciente de Sir William Gull (médico da Família Real), e é nessa época que escreve um volume de poesias com imagens de extrema violência contra mulheres e outra poesia chamada “Air: Kaphoozelum” onde um vilão mata prostitutas. Alguns especialistas acreditam que a combinação do fim do relacionamento com o Príncipe e o seu acidente, provocou em Stephen um profundo sentimento de vingança contra o Príncipe Albert. A gota d’água teria sido o noivado do Príncipe com a Princesa Victoria Mary (mais conhecida como Mary of Teck), Stephen começou a matar prostitutas sendo o Príncipe Albert o reflexo delas. Em 1891 foi internado em um hospíco e, ao saber da morte do Príncipe Albert, JK Stephen entrou em depressão e morreu 20 dias depois aos 32 anos. Para o especialista no caso< Jack, O Estripador e psiquiatra forense David Abrahamsen, não há dúvidas:

“JK Stephen que eu acredito ser Jack, O Estripador era um solitário. Era mais que um assassino. Ao ser rejeitado passou a matar mulheres pedaço por pedaço.”

Essa teoria foi bastante discutida por especialista nos anos 70, um ponto negativo é a análise da grafia de JK Stephen que não combina com as cartas “Caro Patrão” e “Do Inferno”.

  • Francis Tumblety

Francis Tumblety

Em 1913, um inspetor da Scotland Yard chamado John Littlechild escreveu ao jornalista George Sims relatando um suspeito de ser Jack, O Estripador que fora preso logo após o último crime. Esse suspeito da Scotland Yard era o médico irlandês (com cidadania americana) Francis Tumblety. Preso por atentado violento ao pudor foi acusado pela morte da prostituta Mary Kelly. Enquanto aguardava julgamento, Tumblety fugiu para a França e posteriormente foi para Nova York. A imprensa americana deu destaque nos jornais à chegada daquele que era considerado o suspeito de ser o temível Jack, O Estripador. Detetives americanos e da Scotland Yard o esperavam no porto e o seguiram até o endereço 79 East Tenth Street em Nova York. A polícia americana apenas o vigiava pois não havia motivos para prendê-lo e não podiam extraditá-lo pois não existiam acordos desse tipo entre Estados Unidos e Inglaterra. Tumblety morreria em 1903 sem ser acusado de crime algum nos Estados Unidos. Seu nome entrou na lista dos principais suspeitos dos crimes de Whitechapel apenas em 1993 quando a carta do inspetor Littlechild foi descoberta e certificada como autêntica por dezenas de especialistas. Para Littlechild, Francis Tumblety era um suspeito em potencial: era médico, agressivo, de comportamento anti-social e não gostava de mulheres, além do mais os crimes cessaram logo após sua prisão e sua fuga poderia ser um indício de que tinha alguma culpa no cartório.

Jornal americano dá cobertura à chegada aos Estados Unidos do suspeito da Scotland Yard de ser Jack, O Estripador

Teorias Mirabolantes

Com o passar das décadas dezenas de teorias fantasiosas surgiram sobre a real identidade de Jack, O Estripador. Essas teorias vão desde uma conspiração da Família Real com a ordem maçônica até de que Lewis Carrol (o escritor de Alice no País das Maravilhas) era Jack, O Estripador. Vamos a algumas:

  • A Família Real e os Maçons

As teorias sobre a identidade de Jack, O Estripador envolvem até a família real. É chocante pensar que um membro da família real poderia estar envolvido nos crimes do Estripador.

Essa teoria leva à ovelha negra da família real, Príncipe Albert Victor, neto da Rainha Victória e herdeiro do trono. Fisicamente fraco e lento nos estudos era alvo de fofoca especialmente sobre sua sexualidade. Morreu em 1892, de gripe ou sífilis (as histórias variam).

A teoria começa em 1970 quando Sir Thomas Stowell publicou um artigo dizendo que Sir William Gull, médico particular da Rainha Victória tinha cometido os crimes.

Segundo a teoria, o Príncipe Albert teria tido uma filha com uma pobre mulher católica do leste chamada Mary Ann Crook, e o pior: havia casado secretamente com ela em uma Igreja Católica, e isso era pior do que a morte para a família real (eles são protestantes). A Rainha descobriu e exigiu que o casamento fosse anulado. Gull e os maçons decidiram acobertar o príncipe e abafar a história. Tudo então passou a ser uma conspiração maçônica para salvar a coroa, pois o Príncipe havia feito o que não devia. Eles sequestraram Mary Ann Crook e a internaram em um hospício sem direito a visitas, mataram todas as testemunhas do casamento (as 6 prostitutas) em rituais maçônicos e desapareçeram com a criança.

A teoria é bastante fantasiosa e já foi desmascarada por vários especialistas ao longo dos anos, mas o fato é que a teoria ganhou grande notoriedade nos anos 70, pois na verdade tudo que envolve a Família Real vende jornais (ou livros), e com o passar dos anos tornou-se bastante popular. É muito comum hoje em dia escutarmos de alguém: “Jack, O Estripador era o médico da Rainha né?”. A maioria dos filmes sobre Jack, O Estripador tem como tema essa teoria.

Sir William Gull médico particular da Rainha. Segundo a teoria de Sir Thomas Stowell, Sir William Gull matou as 6 prostitutas em rituais maçônicos para acobertar os desvios do Príncipe Albert.

Príncipe Albert Victor, também conhecido como Duque de Clarence. O Príncipe Albert era considerado a Ovelha Negra da Família Real. Há relatos de que frequentava os bordéis de Whitechapel e casas de homossexuais. Morreu em 1892, provavelmente de sífilis. Há 2 teorias sobre Jack, O Estripador que envolvem o Príncipe. A conspiração maçônica que levou o médico da Rainha a cometer os crimes para acobertar um casamento seu com uma mulher do leste e a teoria que envolve o seu tutor JK Stephen.

  • Lewis Carrol

Lewis Carrol.

Até mesmo o escritor de Alice no País das Maravilhas é suspeito dos crimes de Whitechapel.

Em suas obras é comum encontrar oculto em seus textos problemas de matemática e lógica além de várias mensagens subliminares.

Polêmico para sua época, hoje é visto como um pedófilo: gostava de fotografar crianças nuas.

As suspeitas sobre ele começam quando o escritor Richard Wallace escreveu um livro informando ter encontrado anagramas nas obras de Carrol que o denunciariam como Jack.

Na verdade os anagramas não dizem muita coisa e essa teoria não é levada a sério por especialistas

.

  • Walter Sickert

Walter Sickert.

É o mais novo suspeito de ser Jack, O Estripador. Segundo a autora policial americana Patrícia Cornwell, uma das telas do pintor impressionista dinamarquês retrata o cenário da última morte de Jack. Outra evidência é uma carta supostamente assinada por Jack, escrita num papel da mesma marca usada pelo pintor. Patrícia lançou um livro chamado “Retrato de um Assassino: Jack, O Estripador – Caso Solucionado.” Gastou milhões de dólares com pesquisas à base das mais modernas técnicas forenses do FBI. Pouca gente, porém, avaliza a teoria.

“Analisando centenas de cartas de remetentes que afirmavam ser Jack e mais uma centena de documentos do pintor, qualquer um encontra alguma relação,” diz o especialista em Jack, O Estripador Stephen Ryder.

 

Modus Operandi

Jack atacava apenas em fins de semana ou feriados nas primeiras horas da madrugada o que sugere que ele devia ser solteiro e possuir um emprego fixo. Nas ruas escuras e mal iluminadas do bairro de Whitechapel, provavelmente encontrava uma prostituta e a convencia a ir até um beco onde as estrangulavam.

O Ritual

Após estrangular a vítima, Jack degolava sua garganta e as colocavam deitadas no chão. Começava ai o processo de evisceração ou estripamento. Segundo relatórios de autópsias, a remoção dos órgãos era feita de forma limpa e precisa com os cortes sendo iniciados pelo abdômen. Jack removia o rins, fígados e úteros. Os intestinos eram colocados em volta do corpo. No último crime ele extirpou todos os órgãos da prostituta Mary Kelly. Há indícios de que Jack tenha praticado canibalismo.

Análise Psicológica

Para o psiquiatra e professor forense Bob Peckitt, Jack, O Estripador deveria sofrer de alguma doença sexualmente transmissível como a sífilis. A sífilis era uma doença endêmica, principalmente em bairros pobres como o de Whitechapel. O fato de Jack ter contraído sífilis (possivelmente de uma prostituta) explicaria sua extrema raiva pelas “mulheres da vida”. Jack as punia por isso.

Com relação a remoção de órgãos das vítimas, principalmente os úteros, o psiquiatra diz:

“A questão de remoção de partes do corpo é realmente assustadora. Homens que cometem esse tipo de violência levam troféus para lembrá-los, para produzirem uma conexão imediata, tática, física e sensual entre o crime e a vítima. No caso de Jack, ele ficava excitado ao esfaquear e remover as partes do corpo, e não apenas as partes do corpo mas a essência da condição de ser mulher, que era o útero.”

Para John Douglas, Agente Especial da Unidade de Ciência do Comportamento do FBI, o primeiro crime e o local podem dizer muito sobre o assassino:

“Se eu pudesse levar meus homens para 1888 para a cena do crime, pediria concentração para o primeiro assassinato. Geralmente o primeiro é o ponto central. É a área onde o sujeito fica mais a vontade, que pode ser onde trabalha ou mora. Acredito que o assassino voltaria para a cena do crime e ficaria lá fantasiando e revivendo o crime.”

Para John Douglas, Jack era um assassino oportunista, escolhia prostitutas alcoólatras porque elas eram alvos fáceis. O agente também acreditava que o Estripador havia cometido outros crimes que nunca foram atribuídos a ele. Jack era um assassino que tinha o foco em mutilar a genitália feminina, isso porém não quer dizer que os assassinatos eram sexuais, não havia estupro. Jack poderia ter tido uma mãe alcoólatra e prostituta, com sua desestruturação mental devido à sífilis Jack passou a matar prostitutas executando fantasias violentas direcionadas à sua mãe, provavelmente a responsável pela imagem que Jack possuía das mulheres, uma imagem que ele passou a desprezar e ter nojo.

A especialista em traçar perfis criminosos Patty Brown compartilha da mesma opinião de John Douglas com relação aos primeiros assassinatos, para ela não é mera coincidência que os 2 primeiros assassinatos (Martha Trabam e Polly Nichols) tenham acontecido perto do Hospital de Londres, a localização do primeiro (ou primeiros) esconde algo sobre o assassino:

“O hospital de Londres tratou de muitas pessoas com sífilis e havia uma sala de emergência lá, então é interessante que isso existisse no hospital. É possível que Jack tenha se internado lá para tratamento da sífilis e percebido que iria morrer [a sífilis naquela época não tinha cura] então decidiu vingar-se. Assassinos em série matam em locais que eles costumam frequentar.”

O quarto crime e a mensagem deixada no local também podem dizer muito sobre o assassino. O local onde Liz Stride foi assassinada ficava a poucos metros de um clube de discussão sobre judeus socialistas. Para Patty Brown, Jack poderia ser um frequentador desse clube. Na noite do assassinato de Liz Stride, Jack poderia ter discutido no clube e saído com bastante raiva, matado Liz Stride e escrito a mensagem no muro. Os erros gramaticais e de grafia também são consistentes com o cérebro em deterioração devido à sua doença venérea.

“Eu acredito que Jack estava perdendo suas habilidades cognitivas e estava escrevendo daquele jeito tanto por causa da sífilis quanto por sua raiva. Assassinos em série existem em todas as raças, eles podem ser brancos, negros de qualquer raça porque a psicopatia não é um desvio de personalidade exclusivo de um grupo de pessoas. No caso do assassino de whitechapel eu acredito realmente que Jack, O Estripador era judeu, mas ser judeu não teve nada a ver com ser Jack, O Estripador.”

Quer saber mais sobre o mais famoso serial killer da história ? Acesse: http://www.casebook.org/
Uma verdadeira biblioteca online sobre o caso: Mensagens, fotos de arquivo, suspeitos, reportagens de jornais da época, cartas do Estripador, dentre outros!!

Informações

Nome: Desconhecido

Conhecido como: Jack, O Estripador, O Monstro de Whitechapel

Número de Vítimas: 6 confirmadas e outras 12 suspeitas

Método: Estrangulamento, degola e mutilamento

Local: Londres, Inglaterra

Período: 07 de agosto de 1888 a 09 de novembro de 1888

Situação: Nunca foi pego

* Foto (The Nemesis of Neglect): O Nêmesis da Negligência: Caricatura de  Jack, O Estripador publicada na revista Punch em 29 de setembro de 1888.

“Um dia os homens olharão para trás e dirão que eu dei à luz ao Século XX”
[Jack, O Estripador]

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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
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  • Andre Voorhees

    o serial killer mais profissional da face da terra. Fez suas artes e ninguém descobriu quem é.

  • Andre Voorhees

    o serial killer mais profissional da face da terra. Fez suas artes e ninguém descobriu quem é.

  • Elvis_rotten

    Sr Daniel parabens pela magnifica materia, continue nos dando o prazer de ter sempre seus posts atualizados.

    • Obrigado !!! Implementei no blog um cadastro de Newsletter. Sugiro que cadastrem seus emails aqueles que querem receber as atualizações dos posts do blog. O campo para inserção de e-mails fica do lado direito do blog logo abaixo da Nuvem de Tags.

      Abraços a todos !

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  • Emanuellefarezin

     “O resultado das investigações de Crowley foi estarrecedor: havia um elemento constante em todos os casos de assassinatos, tanto por parte do assassino quanto por parte das vítimas. Saturno, Marte e Urano foram considerados realmente suspeitos de estaresm realizando algo de ruim nos cruzamentos, mas um fator constante era um planeta que, até então, fora considerado, se não ativamente benéfico, pelo menos perfeitmanete indiferente e inóquo – Mercúrio. Crowley aprofundou-se no assunto, e descobriu que não é a maldade, mas a ambição e a ira; a única condição essencial, sem a qual proposital assassinato dificilmente pode acontecer; é justamente esse sangue-frio, essa falta de atribuir à vida humana seu valor supremo… Mercúrio é, de fato, o Deus da Magia, e sua imagem oposta, o macaco de Thoth, responsável por essa maquinação maldosa tal como é o coração da magia negra, enquanto Saturno não é somente a fria crueldade das eras, mas sim o seu equivalente mágico. Ele é o antigo deus venerado no Sabá das Bruxas.” (Crowley em primeira pessoa, seu ponto de vista sobre Jack, o Estripador)

    • nego

      Na realidade eu nunca ví tanta leseira, como vc consegue dar credibilidade a um idiota como foi esse tal de Crowley? além de psicótico ainda era viado, e por sinal muito  burro , mas é como diz o velho ditado ,” mais tolo é aquele q dá ouvidos  ao tolo” que papo furado de que planetas enfluenciam nisso ou naquilo , não acredito que alguem q tenha a mínima cultura consiga acreditar nessa idiotisse , alguem q se alto denomina de “a besta´” tem q ser mesmo um total idiota …

  • Emanuellefarezin

     “O resultado das investigações de Crowley foi estarrecedor: havia um elemento constante em todos os casos de assassinatos, tanto por parte do assassino quanto por parte das vítimas. Saturno, Marte e Urano foram considerados realmente suspeitos de estaresm realizando algo de ruim nos cruzamentos, mas um fator constante era um planeta que, até então, fora considerado, se não ativamente benéfico, pelo menos perfeitmanete indiferente e inóquo – Mercúrio. Crowley aprofundou-se no assunto, e descobriu que não é a maldade, mas a ambição e a ira; a única condição essencial, sem a qual proposital assassinato dificilmente pode acontecer; é justamente esse sangue-frio, essa falta de atribuir à vida humana seu valor supremo… Mercúrio é, de fato, o Deus da Magia, e sua imagem oposta, o macaco de Thoth, responsável por essa maquinação maldosa tal como é o coração da magia negra, enquanto Saturno não é somente a fria crueldade das eras, mas sim o seu equivalente mágico. Ele é o antigo deus venerado no Sabá das Bruxas.” (Crowley em primeira pessoa, seu ponto de vista sobre Jack, o Estripador)

    • nego

      Na realidade eu nunca ví tanta leseira, como vc consegue dar credibilidade a um idiota como foi esse tal de Crowley? além de psicótico ainda era viado, e por sinal muito  burro , mas é como diz o velho ditado ,” mais tolo é aquele q dá ouvidos  ao tolo” que papo furado de que planetas enfluenciam nisso ou naquilo , não acredito que alguem q tenha a mínima cultura consiga acreditar nessa idiotisse , alguem q se alto denomina de “a besta´” tem q ser mesmo um total idiota …

  • Blueshadow

    SING SING, NY, 27 de abril de 1894. – Carl Feigenbaum, um alemão, 54 anos de idade, foi executado na cadeira elétrica em Sing Sing Prison esta manhã. Sua execução foi a décima nona nesta prisão.

  • Blueshadow

    SING SING, NY, 27 de abril de 1894. – Carl Feigenbaum, um alemão, 54 anos de idade, foi executado na cadeira elétrica em Sing Sing Prison esta manhã. Sua execução foi a décima nona nesta prisão.

  • Magnifico ! Post incrivel,detalhado.Historia impressionante.Jack é o Imperador dos Serial Killers.

  • Pablo_angelo_11

    ele deveria ser torturado por dodos os parentes das vitimas

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  • Rafaelynifeta

    nossa da pra viaja irado

  • Du Caralhoo!

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