Crimes que Entraram para a História: Notorious B.I.G e Tupac Shakur

A logo da extinta gravadora Death Row Records era um homem negro vendado e preso a uma cadeira elétrica no momento de sua execução. De lá vieram os famosos...
Tupac Shakur e Notorious BIG - Crimes q

Tupac Shakur vs Notorious BIG - Crimes históricos

A logo da extinta gravadora Death Row Records era um homem negro vendado e preso a uma cadeira elétrica no momento de sua execução. De lá vieram os famosos rappers Snoop Dog, Dr. Dre e Tupac Shakur. Sua logo é emblemática, pois era um retrato da faceta violenta adotada por muitos artistas do chamado gangsta rap – que virou até uma espécie de estratégia para vender a música. Com a popularidade do rap crescendo exponencialmente ao longo da década de 1990, a postura violenta que muitos acreditavam ser apenas um jogo de mídia, se tornou real. Contos de surras e humilhações públicas começaram a vir à tona, e rappers passaram a difamar uns aos outros com uma crueldade crescente e assustadora. A virulência exposta nas letras passou a ser posta em prática pelos músicos. Para piorar e dar um tom de divisão e disputa territorial, nos Estados Unidos, o rap se desenvolveu entre o produzido na Costa Oeste, gravadora Death Row, de Los Angeles, e o produzido do outro lado do país, na Costa Leste, gravadora Bad Boy, de Nova Iorque. Eventualmente, a disputa escalou de uma batalha de palavras para uma guerra sangrenta e envolveu os dois principais nomes das duas gravadoras: de um lado Tupac Shakur, da Death Row, do outro lado Notorious B.I.G., da Bad Boy.

Tupac Shakur foi assassinado no dia 13 de setembro de 1996, em Las Vegas. Seis meses depois, Notorious B.I.G seria assassinado na casa do “inimigo”, em Los Angeles. Restam poucas dúvidas sobre a hipótese de as duas mortes terem conexão. Algumas similaridades reforçam essa tese. Os dois foram baleados várias vezes enquanto estavam no banco do passageiro de seus carros. Seus próprios assessores os levaram ao hospital e, sobretudo, ambos eram os recordistas de vendas em suas respectivas gravadoras. Além disso, ambas as mortes ocorreram após eles participarem de grandes eventos públicos, e em ruas movimentadas. Nos dois casos, as testemunhas se recusaram a se apresentar e ajudar a polícia, e, por último, as gangues inimigas Bloods e Crips parecem ter desempenhado um papel-chave nos dois assassinatos.

DarkSide Books

Mais Coincidências


Ambos os rappers eram os mais bem sucedidos artistas do rap de sua época. Tupac Shakur figurava em primeiro lugar nas vendas da Death Row enquanto Notorious B.I.G. desfrutava do mesmo status na Bad Boy. Ironicamente, pouco antes de morrerem, os dois homens confessaram a amigos o quão desiludidos estavam com a indústria da música. Shakur estava agindo nos bastidores e consultando advogados para cortar o seu vínculo com a Death Row. Já B.I.G., que tinha dois filhos pequenos, já falava em sair do negócio para sempre.

Os principais executivos das gravadoras estavam presentes em ambos os assassinatos. O presidente da Death Row, Suge Knight, estava ao volante do carro em que Tupac foi morto a tiros. Um fragmento de bala chegou a atingir a cabeça de Knight, que ficou acampado no hospital durante os seis dias em que o rapper lutou por sua vida.

Da mesma forma, o fundador da Bad Boy, Puffy Combs (também conhecido por Puff Daddy e P. Diddy), estava no veículo atrás do carro em que Notorious B.I.B. foi baleado. Imediatamente após o ataque, Combs ordenou que a caravana de veículos se dirigisse para o Hospital Cedar-Sinai de Los Angeles, acompanhando B.I.G. até o pronto-socorro. Os presentes revelaram que Combs ajoelhou-se e rezou para que Deus salvasse a vida do rapper.

Gravações póstumas lançadas pelas gravadoras venderam milhões de exemplares (e continuam vendendo), fazendo muita gente feliz (menos os mortos!)

Apesar dos esforços policiais e reportagens investigativas na imprensa, os assassinatos de Tupac Shakur e Notorious B.I.G. nunca foram solucionados. Boatos e teorias proliferaram nos anos seguintes às mortes. Alguns acreditam que o assassinato de Shakur foi ordenado por B.I.G., que por sua vez, e em retaliação, teve a morte encomendada por pessoas ligadas à Death Row – no caso B.I.G., o assassinato teria sido executado por membros da gangue Bloods, alguns dos quais eram policiais da Califórnia. Já teóricos da conspiração afirmam que os assassinatos foram uma tentativa de aumentar a guerra entre as Costas Leste-Oeste, e assim manter o rap nas manchetes, com objetivo final de vender mais e mais discos. Também já foi sugerido que Shakur e B.I.G. não eram os verdadeiros alvos dos assassinos, e sim os presidentes de cada uma das gravadoras: Suge Knight e Puffy Combs, homens que não eram flor que se cheire. Outra teoria da conspiração sustenta que os presidentes das gravadoras conspiraram contra os próprios artistas, já que rapper morto é sinônimo de dinheiro entrando na conta. Rappers encrenqueiros como os falecidos custam dinheiro para as empresas, portanto, rapper morto é mais lucrativo do que rapper vivo.

As mortes de Tupac Shakur e Notorious B.I.G., com apenas seis meses de diferença, estão, sem dúvida, relacionadas. Mas a questão que permanece é: quem os matou? E por que?

Death Row vs. Bad Boy

Empresas Rivais


A competição entre gravadoras concorrentes é natural, mas não foi o caso das rivais Death Row e Bad Boy, cuja rivalidade passou de desagradáveis ofensas públicas à sangue real em pouco tempo. Apesar das muitas negações e tentativas de explicações de ambas as empresas, o antagonismo entre elas foi, ao menos em parte, alimentado por seus dois fundadores: Suge Knight e Puffy Combs.

Marion “Suge” Knight foi criado nas mesmas ruas de Compton, Califórnia, em que a gangue de rua Bloods fez o seu nome. Quando criança, seus pais o chamavam de “Sugar Bear” devido à sua natureza doce, e o apelido pegou, fazendo Knight o encurtar para Suge posteriormente. Na adolescência, ele não andava com as gangues da região, preferindo capitalizar o seu enorme tamanho para a prática de esportes. Com 1.92m e 136kg, Knight chegou a jogar futebol americano profissional no Los Angeles Rams durante a temporada de 1988-89. Quando a carreira no esporte não vingou, ele virou guarda-costas do cantor Bobby Brown, então, em 1990, passou a promover o chamado gangsta rap. O gangsta rap ou gangster rap é um estilo de hip-hop caracterizado por temas e letras que geralmente enfatizam o estilo de vida de um gângster (criminoso membro de gangues).

Em 1991, Suge Knight fundou a Death Row Records em associação com a Interscope Records. No livro “Have Gun Will Travel: The Spectacular Rise and Violent Fall of Death Row Records” (1998), de Ronin Ro, o autor afirma que o dinheiro inicial para fundar a Death Row veio de um traficante condenado chamado Michael Harris, que arrecadou um milhão e quinhentos mil dólares para o negócio. Nos anos seguintes, com o sucesso estrondoso da gravadora, Knight teria ganho milhões de dólares, mas Harris nunca teria visto um centavo retornar do seu investimento.

Como principal promotor do gangsta rap, de físico enorme e com pouca empatia alheia, Suge Knight andava a pé nas ruas de Los Angeles espancando quem visse pela frente. Embora ele tivesse evitado os Bloods na adolescência, quando abriu a Death Row, Knight se aproximou deles aliando-se aos Mob Piru Bloods (gangue aliada dos Bloods). Orgulhosamente, Knight passou a se vestir de vermelho, a cor oficial da gangue. Ele usava ternos e chapéus vermelhos, e até pintou sua casa de vermelho.

Suge Knight. Foto: Rex Features.

Suge Knight, fundador da Death Row e um dos principais articuladores do gangsta rap no início da década de 1990. Foto: Rex Features.

Sean John Combs – Puffy Combs – era o oposto de Knight. Ele frequentemente dizia que seu pai era um traficante de drogas do Harlem (uma afirmação que muitos sugerem ser uma forma de impor respeito em um ambiente de truculência), mas Randall Sullivan, em “LAbrynth” (2002), afirma que o pai de Combs morreu quando ele tinha dois anos e meio de idade. Combs frequentou uma escola católica de maioria branca e virou coroinha da igreja. Aos 11 anos, sua família se mudou para um bairro no Condado de Westchester, ao norte da cidade de Nova Iorque, onde ele trabalhou como entregador de jornal. Mais tarde ele ingressou em uma escola para meninos da chique Manhattan, então entrou na Howard University onde formou-se em administração de empresas. Seu desejo pelo sucesso e habilidade para descobrir talentos musicais lhe rendeu um emprego na Uptown Records, onde aos 22 anos se tornou vice-presidente da divisão de artistas e repertório (A&R, na sigla em inglês). Sentindo-se ameaçado pelo garoto prodígio, o presidente da Uptown Records demitiu Combs, mas o jovem empreendedor se recuperou alguns meses depois, assinando um contrato de distribuição de quinze milhões de dólares com outra gravadora, a Artista Records. (Combs mais tarde se gabaria de que sua empresa, a Bad Boy, fundada em 1993, ao contrário da Death Row, foi fundada com dinheiro honesto.)

Mas o ex-coroinha também teve problemas com a lei, uma condição que se tornou até mesmo um charme para alguém que fosse do mundo do rap. Em dezembro de 1999, Combs foi preso e acusado de portar arma ilegalmente e suborno após um incidente com tiros na boate Club New York, em Manhattan. As vítimas do tiroteio afirmaram que foram baleadas por Combs dentro da boate, que fugiu do local com sua então namorada, a cantora e atriz Jennifer Lopez e seu guarda-costas. Ele supostamente subornou seu motorista, oferecendo dinheiro a ele se ele afirmasse que a arma encontrada no luxuoso carro de Combs, um Lincoln Navigator, era dele. Combs, já multimilionário, pagou um dos mais conhecidos e brilhantes advogados dos Estados Unidos para representá-lo, Johnnie Cochran, o mesmo que conseguiu a façanha de livrar O.J. Simpson da cadeia, e acabou absolvido de todas as acusações.

Puffy Combs e Jennifer Lopez. Foto: Kevin Winter/ImageDirect.

Puffy Combs e Jennifer Lopez. Foto: Kevin Winter/ImageDirect.

Ao longo dos anos, rumores de que a Bad Boy Entertainment tem uma afiliação com a gangue Crips, arquirrivais dos Bloods, usando-os como seguranças, surgiram e ganharam força, mas Combs sempre negou qualquer aliança oficial entre sua empresa e a gangue (que atualmente é a maior e mais violenta gangue dos Estados Unidos, com cerca de 35 mil membros.)

Costa Leste vs. Costa Oeste


Até 30 de novembro de 1994, a disputa entre as Costas Leste-Oeste tinha sido apenas uma grande guerra de insultos públicos e brigas em boates. A superestrela da Death Row, Tupac Shakur, e o novato da Bad Boy, Notorious B.I.G., no passado, e apesar da amarga rivalidade de suas gravadoras, tinham sido amigos. Franzino na época, Shakur foi criado em Nova Iorque, Baltimore e São Francisco, e embora fosse um representante da Costa Oeste, isso não fez ele deixar de se associar a rappers da Costa Leste. Já Notorious B.I.G., como seu próprio nome indica, era um homem enorme que pesava cerca de 140kg; conhecido por seu raciocínio rápido e rimas inteligentes. No vídeo abaixo, uma filmagem rara: Tupac e Notorious, juntos, se desafiam em um duelo de rappers. O momento é emblemático. Dois dos maiores rappers de todos os tempos se divertindo, mas que tempos depois se tornariam inimigos mortais e terminariam assassinados.

Notorious BIG e Tupac Shakur. Apesar da violenta rivalidade que levou à morte ambos os rappers, no passado, Tupac e Notorious haviam sido amigos.

Notorious BIG e Tupac Shakur. Apesar da violenta rivalidade que levou à morte ambos os rappers, no passado, Tupac e Notorious haviam sido amigos.

A amizade dos dois começou em 1993, quando Tupac tinha 22 anos e B.I.G. 21. Eles se conheceram nos bastidores do filme Poetic Justice, no qual Tupac interpretou um carteiro. Mais velho no ramo, Tupac passou a ser uma espécie de mentor para Notorious, “Pac dava conselhos por ser um rapper mais experiente na época“, revelou o rapper D-Dot em 2013 para a Baller Status. A rixa entre os dois teria começado quando Notorious lançou o disco Ready to Die em 1994, o qual foi um grande sucesso, tornando Notorious nacionalmente conhecido. Ao escutar o disco, Shakur acusou Notorious de ter copiado todo o disco do seu álbum Me Against The World que estava prestes a ser lançado. Shakur teve que modificar todo o seu álbum.

Em novembro de 1994, Shakur estava em Nova Iorque aguardando sua sentença por agressão sexual quando foi convidado para gravar com um amigo rapper da Costa Leste, Little Shawn, na Quad Studios localizada na Times Square.

A Quad Studios, que ocupa cinco andares de um prédio de escritórios no coração de Nova Iorque, era (e ainda é) um local movimentado, e estava movimentado na noite de 30 de novembro de 1994. Enquanto Little Shawn gravava em um andar, Junior M.A.F.I.A., um grupo rap de adolescentes patrocinado por Notorious B.I.G., estava gravando em outro andar, e B.I.G. e Puffy Combs trabalhando em um vídeo em um outro andar. Tupac e sua comitiva chegaram no prédio pouco depois da meia-noite. Mas a estadia dos recém-chegados durou pouco, tão logo eles entraram no elevador, três homens negros e armados os assaltaram, roubando as suas joias. Tupac sozinho valeu mais de U$ 35 mil dólares. Raivoso, Shakur atacou um dos homens e foi baleado cinco vezes – na cabeça, virilha e na mão esquerda. Apesar dos ferimentos, ele foi capaz de subir até o andar de cima onde, fora de si, começou a andar de um lado para o outro resmungando que havia sofrido uma emboscada. Ele foi levado para o Hospital Bellevue e operado.

Na manhã seguinte, Notorious B.I.G. o visitou no hospital e contra o conselho de seus médicos, Shakur se deu alta e terminou sua recuperação no apartamento da atriz Jasmine Guy. No mesmo dia em que saiu do hospital, Tupac apareceu em uma cadeira de rodas no tribunal para escutar a sua sentença do juiz: quatro anos e meio de prisão a ser cumprida em uma penitenciária de Nova Iorque. Shakur foi para atrás das grades e enquanto esteve preso (nove meses no total) teve tempo suficiente para pensar no episódio da Quad Studios, chegando à conclusão de que o ataque foi encomendado por Puffy Combs e B.I.G. Ele tornou pública suas suspeitas e B.I.G. se defendeu, chamando as acusações de insanas e ofensivas, exigindo um pedido de desculpas de Tupac e chamando-o de “paranoico”. Observando tudo isso, de longe, estava Suge Knight, que chegou a emitir uma declaração do incidente, “o resultado do ciúme entre rappers imaturos“, disse ele. Nesse meio tempo, o álbum de Tupac, “Me Against the World“, se tornou o número 1 dos Estados Unidos.

Um dia após levar cinco tiros, Tupac apareceu em uma cadeira de rodas durante audiência judicial em Nova Iorque. Foto: REUTERS/Mark Cardwell /Landov.

Um dia após levar cinco tiros, Tupac apareceu em uma cadeira de rodas durante audiência judicial em Nova Iorque. Foto: REUTERS/Mark Cardwell /Landov.

Enquanto esteve preso, Tupac viu sua fama crescer, o que fez o lobo Suge Knight salivar. Ele entrou em contato com Tupac e propôs um acordo: ele pagaria a fiança do rapper e em troca Tupac assinaria um contrato de três anos com a Death Row. O rapper aceitou. Ele entrava para o time dos rappers da costa oeste ao lado de Snoop Dog e Dr. Dre.

O primeiro assassinato


Em 24 de setembro de 1995, o time da Costa Oeste sofreu outro golpe, e desta vez foi fatal. Tudo aconteceu em uma festa de aniversário de um produtor de discos na Platinum House, em Atlanta, Geórgia. No local estavam Suge Knight e Puffy Combs, e suas respectivas comitivas. Uma briga teve início do lado de fora da boate e tiros foram disparados. Jake Robles, apelido “Big Jake”, um funcionário da Death Row, e também membro da Mob Piru Bloods, caiu no chão seriamente ferido. Robles era amigo íntimo de Knight e testemunhas acusaram o segurança pessoal de Combs, Anthony “Wolf” Jones,  de ter efetuado o disparo com uma arma de fogo. Jake Robles faleceu no local e Knight imediatamente acusou Combs do assassinato do amigo.

Anthony Jones

Anthony “Wolf” Jones. Na imagem acima [cinco anos após matar Jake Robles] o segurança de Puffy Combs é fotografado deixando a Suprema Corte de Manhattan após se envolver em um tiroteio – juntamente com Combs – dentro de uma boate em Nova Iorque. Data: 1 de janeiro de 2000. Foto: Getty Images.

Poucos dias depois da morte de Robles, Mark Anthony Bell, um promotor independente de Nova Iorque, foi contatado por um homem nunca identificado que lhe prometeu um contrato de gravação se ele “cooperasse”. De acordo com Randall Sullivam em seu livro LAbyrinth, Bell foi colega de ensino médio de Puffy Combs e fez um ou outro trabalho para a Bad Boy. O homem que o contatou pediu para Bell escrever os endereços de Combs e da mãe de Combs em um pedaço de papel e soltá-los no chão. O homem garantiu a Bell que a sua “ajuda” nunca seria revelada a ninguém, mas Bell recusou-se a escrever qualquer coisa no papel, suspeitando que aquele homem de alguma forma era alguém ligado à Death Row.

Três meses depois, Bell participou da festa de Natal da Death Row no Chateau Le Blanc, em Hollywood, em 15 de dezembro de 1995. Um convite-cilada. Em dado momento, Suge Knight apareceu e perguntou a Bell: “Por que você não cooperou quando teve a chance?” No decorrer da conversa, Bell disse que não sabia o endereço da casa de Combs ou da mãe dele, então Knight o convidou para ir até um espaço V.I.P. para uma conversa mais discreta. Seis outros homens acompanharam os dois, incluindo os rappers Dr. Dre e Tupac Shakur.

Na sala V.I.P., Knight continuou a questionar Bell sobre Puffy Combs. Quando Knight não obteve as respostas que queria, “um Blood de olhar assustador” socou Bell no rosto várias vezes. “Isso é por Jake“, disse o Blood, prometendo matá-lo.

Suge Knight deixou a sala e foi ao banheiro. Quando ele retornou, segurava uma taça de champanhe cheia de urina, e obrigou Bell a beber. Quando Bell recusou, o membro do Blood o espancou novamente. Bell, então, cedeu e pegou o copo como se fosse beber, mas jogou-o no chão e correu para a sacada em uma tentativa de escapar. Os presentes o pegaram quando ele tentava pular o corrimão. Eles o arrastaram de volta para o quarto e o espancaram novamente, dessa vez muito mais forte. Os membros da Death Row só pararam o ataque quando Bell desmaiou, levando todas as suas joias e carteira. (Após ficar dias internado no hospital, Bell se recuperou dos ferimentos e posteriormente deu uma queixa na polícia. Uma batalha judicial se seguiu e ele recebeu U$ 600 mil dólares de indenização de Knight. Ele, então, mudou para a Jamaica).

Policial do LAPD segura um medalhão de ouro com o símbolo da Death Row. Membros da gravadora usavam esse medalhão com forma de status.

Policial do LAPD segura um medalhão de ouro com o símbolo da Death Row. Membros da gravadora usavam esse medalhão como forma de status.

Suge Knight gostava de presentear seus amigos mais próximos com caríssimos medalhões da Death Row que continham a logo da cadeira elétrica da empresa esculpida em ouro e diamantes. Em julho de 1996, um membro do Mob Piru chamado Tray Lane estava usando o seu medalhão – ganho do chefão da Death Row – enquanto fazia compras na Foot Locker, uma loja de tênis esportivos no shopping Lakewood, Los Angeles, com dois outros amigos quando um  grupo de sete ou oito Crips entraram na loja e espancaram os três Bloods. Durante a confusão, um dos Crips levou o medalhão de Lane. Foi um incidente relativamente pequeno na guerra das gangues, mas o episódio provou-se ser a faísca da explosão na guerra entre a Costa Oeste e Leste, que resultaria nos assassinatos de Tupac Shakur e Notorious B.I.G.

Vida Bandida


Às 20h45 de 7 de setembro de 1996 – dois meses após Tray Lane ter seu medalhão roubado – Lane estava no saguão do MGM Grand Hotel em Las Vegas. Ele estava acompanhado de Tupac Shakur, Suge Knight e um gurpo de guarda-costas do Mob Piru Bloods. Eles haviam acabado de assistir à luta de boxe entre Mike Tyson e Bruce Seldon no hotel – um dos muitos nocautes de primeiro round do assustador Tyson – e estavam indo embora quando Lane viu um jovem bastante conhecido. O nome desse jovem era Orlando Anderson, um dos Crips que o espancara e roubara seu medalhão meses antes no shopping. O grupo da Death Row não pensou duas vezes e partiu pra cima de Anderson, espancando-o ferozmente. Câmeras de segurança do hotel mostraram Tupac e Knight participando do espancamento, com Tupac sendo o primeiro a desferir um soco em Orlando. Quando a polícia chegou, os membros da Death Row foram embora e Anderson se recusou a apresentar uma queixa contra eles. Abaixo o vídeo das câmeras do MGM Grand Hotel. A pancadaria começa aos 1m02 do vídeo.

Mais tarde naquela noite, uma caravana de veículos de luxo percorreu as ruas congestionadas de Las Vegas rumo ao Club 662, um conhecido local de encontro dos Bloods. (662 é o código penal da Califórnia para o corredor da morte). Era a caravana da Death Row Records, e Suge Knight estava ao volante do carro líder, uma BMW 750 preta. Tupac Shakur estava sentado ao lado de Knight, no banco do passageiro. Por volta das 23h17, Knight parou em um sinal vermelho na Flamingo Road. As ruas estavam cheias de turistas e Tupac passou a flertar com um carro à esquerda cheio de mulheres, por isso, ele não percebeu quando um Cadillac branco com quatro homens negros dentro parou ao seu lado. Uma mão segurando uma arma emergiu do banco de trás do Cadillac pela janela do motorista e começou a disparar contra a BMW.

Quando Tupac percebeu o que estava acontecendo, ele tentou pular para o banco de trás, mas foi atingido quatro vezes no peito. Um fragmento de bala atingiu a cabeça de Knight, mas ele conseguiu manobrar a BMW em torno dos carros parados, dando uma meia-volta e voltando para a Strip. Os outros veículos da Death Row o seguiram. Ele finalmente parou quando o carro atingiu o meio-feio. Quando policiais chegaram, uma ambulância foi chamada, e todos da Death Row foram ordenados a saírem dos carros já que a polícia, não sabendo o que estava acontecendo, considerou-os suspeitos. Enquanto isso o Cadillac branco escapou pela noite.

Tupac foi levado às pressas para o Centro Médico Universitário onde os médicos realizaram uma cirurgia de emergência para salvar sua vida. Em um esforço para conter o sangramento interno, os cirurgiões removeram o seu pulmão direito. Suge Knight ficou de vigília no hospital com a família de Tupac, esperando por boas notícias. O coração de Tupac parou de bater várias vezes e, a cada vez, os médicos o reanimavam. Finalmente, a mãe de Tupac, Afeni, considerou que a morte era o melhor caminho para o seu filho, dizendo aos repórteres que “era importante que seu espírito pudesse ser livre.” Seis dias depois de ter sido baleado, Tupac Shakur morreu. Ele tinha 25 anos.

Fotos do corpo do rapper foram tiradas no momento de sua autópsia e apareceram um ano depois no livro de Cathy Scott “The Killing of Tupac Shakur“. Suas infames tatuagens podem ser claramente vistas, incluindo sua assinatura, THUG LIFE (vida bandida, em tradução literal), em letras garrafais, em um semicírculo ao redor do seu abdômen.

“Eu peguei a porta e tentei abrir, mas eu não conseguia. Knight veio andando, então eu apontei a minha arma para ele e gritei, ‘Vocês caras fiquem no chão. E você, fica longe de mim porra!’ E toda vez que eu apontava a arma para ele, [Knight] andava para trás e levantava as mãos ‘Tudo bem! Tudo bem!’ Então eu voltava para o carro e ele vinha de novo. ‘Para trás caralho!’ Esse cara era enorme e o tempo todo ele ficava andando pelo lugar, ele tinha sangue jorrando da cabeça. Jorrava sangue! Quero dizer, o cara havia claramente sido atingido na cabeça, mas ele estava completamente sóbrio. Eu não podia acreditar que ele estava andando, gritando de um lado para o outro… Eu agarrei ele [Tupac] com meu braço esquerdo e ele caiu em mim, e eu ainda tinha a minha arma na outra mão. Ele estava coberto de sangue e eu imediatamente percebi que o cara tinha uma tonelada de ouro, um colar e outras joias, e todo o ouro estava coberto de sangue. Essa é uma imagem que sempre ficou em minha cabeça. Depois que eu o tirei, Suge começou a gritar pra ele, ‘Pac!’ ‘Pac!’ E ele continuou gritando. E o cara que eu segurava tentava falar de volta pra ele. Ele estava sentado e lutando para dizer as palavras, mas ele não podia fazer isso. Enquanto Suge gritava ‘Pac!’, eu olhei de novo para ele e percebi que o cara era Tupac Shakur…Ele olhou para mim, bem direto nos meus olhos, e foi quando eu perguntei a ele, ‘Quem atirou em você?’ Ele olhou para mim, deu um respiro para dizer as palavras, abriu a boca e nesse momento pensei que teria alguma cooperação. E então as palavras saíram: ‘Vá se foder.’ Depois disso ele começou a gorgolejar e a perder a consciência.”

[Chris Carroll, policial de Las Vegas – As Últimas Palavras de Tupac, CNN]

Cinco dias antes de ser assassinado, Tupac é fotografado ao lado de Suge Knight dentro da BMW preta andando por Las Vegas.

Cinco dias antes de ser assassinado, Tupac é fotografado ao lado de Suge Knight dentro da BMW preta andando por Las Vegas.

Hit Em Up


Eu não tenho amigos filhos da puta

Foi por isso que eu comi a sua vida, seu gordo filho da puta

(Arrume dinheiro) Lado Oeste! Assassinos de Bad Boys

Antes de tudo, foda-se a sua vagabunda e toda a sua turma

Lado Oeste, quando saímos no rolé, vamos todos preparados

Você diz que é o cara , mas eu fodi a sua mulher

Nós falimos os Bad Boys, vocês estão fodidos pra vida toda

Além disso, Puffy, tente me ver, corações fracos eu estripo

Biggie Smallz e Junior M.A.F.I.A, duas prostitutas do rap

Nós estamos chegando e vamos pegar as suas joias

Com ferro engatilhado sempre atirando nesses otários

[Trecho da música Hit Em Up, de autoria de Tupac Shakur]

Em Who Killed Tupac Shakur?” (Quem Matou Tupac Shakur?, em tradução literal), um controverso artigo publicado no Los Angeles Times em setembro de 2002, o jornalista Chuck Philips apresenta provas de que Notorious B.I.G. estava por trás do assassinato do rapper da Costa Oeste. De acordo com Philips, após apanhar dos membros da Death Row e Bloods, Orlando Anderson voltou para o seu quarto de hotel e chamou sua turma dos Crips que apressadamente montaram um plano de retaliação. Os Crips, imaginando que poderiam lucrar com a morte de Tupac, enviaram um emissário até B.I.G., que estava em Las Vegas para a luta de Tyson, mas hospedando-se em outro hotel e com outro nome. O emissário teria negociado U$ 1 milhão de dólares com B.I.G. pela morte de Tupac. B.I.G. não só desprezava Tupac por ele ser da Costa Oeste, mas por difamá-lo em público pelo episódio de 30 de novembro de 1994 e por insultá-lo na música “Hit Em Up”, na qual Tupac se gabava de ter feito sexo com a esposa de B.I.G. (Faith Evans, também cantora na Bad Boy). Na versão de Philips, Notorious concordou em pagar a quantia milionária, mas impôs uma condição: que a arma a se usar para matar Tupac fosse a dele. Então Notorious deu ao emissário dos Crips a sua pistola Glock calibre 40.

Enquanto o destino de Tupac era selado nesse medonho encontro, os Crips organizaram uma equipe para caçar o rapper por Las Vegas. Philips escreve que eles tinham dois carros, um modelo branco antigo de Cadillac e um outro Cadillac amarelo ainda mais antigo, este dirigido por apenas um membro do Crips armado com um fuzil AK-47. O plano deles era tirar Tupac do Club 662, mas quando eles se depararam com a caravana da Death Row na Flamingo Road, eles aproveitaram a oportunidade e atacaram.

A BMW preta na qual Tupac foi baleado na noite de 13 de setembro de 1996: Foto: Getty Images.

A BMW preta na qual Tupac foi baleado na noite de 13 de setembro de 1996: Foto: Getty Images.

A revista Vibe, no entanto, lançou dúvidas sobre esse cenário ao apresentar uma linha do tempo dos eventos. Em noites de lutas, as ruas de Las Vegas ficam abarrotadas de veículos e pedestres. O tiroteio ocorreu duas horas e trinta minutos após o espancamento de Orlando Anderson. Segundo a Vibe, os Crips não poderiam ter planejado um atentado tão bem elaborado em um espaço de tempo tão curto. Em um cálculo conservador, a revista estipulou que a gangue precisaria de pelo menos mais 22 minutos para que o plano descrito por Philips tivesse algum tempo hábil.

Notorious B.I.G. afirmou que não estava em Las Vegas na noite do assassinato de Shakur, e tinha um álibi para confirmar. Testemunhas juraram que ele estava em um estúdio de Nova Iorque gravando novas músicas. Seu melhor amigo, o rapper Lil’ Cease, jurou que os dois voltaram para a casa de Notorious em Nova Jérsei após a sessão de gravação para assistirem à luta de Mike Tyson na TV. No artigo da Vibe, o autor Sam Anson aponta que seria relativamente fácil confirmar que “uma celebridade negra de 1.90m e 142kg com uma comitiva” estava presente em Las Vegas na noite da luta. A polícia da cidade não foi capaz de confirmar se B.I.G. estava ou não na cidade.

O fim de Notorious B.I.G.


Seis meses após a morte de Tupac Shakur, Notorious B.I.G. viajou até o covil dos lobos: Los Angeles. Ele foi até o ninho da Death Row para o décimo primeiro Annual Soul Train Music Awards, um evento que premia os melhores da música negra. Quando Notorious subiu ao palco para apresentar o prêmio de melhor single feminino de R&B/Soul, foi vaiado. Ele se inclinou no microfone e tentou aliviar o clima. “What’s up, Cali?“, disse ele. (Qual é, Cali?, em tradução literal. Cali – abreviação de Califórnia). Após o momento embaraçoso, Notorious anunciou a vencedora: Toni Braxton. Veja o momento abaixo:

B.I.G. deixou o palco profundamente envergonhado. Na época, ele havia mudado sua postura e tentava ao máximo se distanciar das polêmicas do rap, concentrando-se apenas em fazer música. Mas a morte de Tupac, ocorrida seis meses antes, ainda estava fresca na mente de todos e corriam rumores por todos os lados de que ele, de alguma forma, estava ligado ao assassinato do rapper de Los Angeles.

No dia seguinte à premiação, a revista Vibe e a gravadora Qwest Records (fundada pelo mago Quincy Jones) organizaram uma festa no Petersen Automotive Museum, na Wilshire Boulevard, um dos lugares das celebridades de Los Angeles. Cathy Scott, em “The Murder of Biggie Smalls” (2000), revela que Notorious não estava com vontade de festejar após ser vaiado na cerimônia do dia anterior, mas concordou em ir “porque Puffy Combs o pediu para ir.” Ambos estavam ansiosos com o lançamento do próximo álbum de Notorious, “Life After Death“, programado para sair no final daquele mês. Ser visto na festa seria uma boa promoção.

Testemunhas relataram que Notorious ficou um bom tempo na festa. Ele falou com velhos amigos e flertou com várias mulheres. Algumas lhe chamaram para dançar, mas ele estava andando com uma bengala, ainda se recuperando de uma lesão na perna devido a um acidente de carro, então algumas mulheres dançaram sugestivamente em sua frente enquanto ele, sentado, apenas assistia. A festa era o lugar mais quente da noite em toda Los Angeles. Havia duas mil pessoas se espremendo dentro do local e, do lado de fora, outras duzentas se acotovelavam tentando entrar. À meia-noite, autoridades decidiram que o Petersen Automotive Museum estava perigosamente superlotado e meia hora depois eles acabaram com a festa e ordenaram que todo mundo saísse. A multidão saiu cuspindo fogo. Como B.I.G. estava machucado, a comitiva da Bad Boy esperou que todos saíssem primeiro e, então, caminharam até dois G.M.C. Suburbans alugados, um preto e um verde escuro, que estavam estacionados na rua. Notorious entrou no banco da frente do passageiro do Suburban verde escuro junto com dois amigos e seu motorista. Puffy Combs e outros amigos entraram no Suburban preto. À noite, os dois veículos pareciam idênticos.

O Suburban preto saiu primeiro, seguido de perto pelo carro onde estava Notorious e, atrás dos dois, um Ford Blazer com guarda-costas, todos policiais de Inglewood, Califórnia, que estavam fora de serviço. Os três veículos seguiram em comitiva até pararem no cruzamento da Fairfax Avenue com a Wilshire Boulevard. Enquanto aguardavam o sinal ficar verde, um homem bateu no vidro do Suburban verde escuro. Pensando ser um fã que queria um autógrafo ou dar um oi, B.I.G. abaixou a janela. Nesse momento, um Chevrolet Impala de cor escura emparelhou do lado direito, a janela do motorista foi abaixada e Notorious viu um homem negro vestindo um terno e gravata borboleta apontar uma pistola automática 9mm e apertar o gatilho. Notorious foi atingido com vários disparos no peito. Puffy saiu do seu Suburban e correu até Notorious; o Impala saiu em disparada e B.I.G. já estava desacordado. Levado às pressas até o hospital, Notorious B.I.G., 24 anos, já chegou morto.

Notorious B.I.G. e o produtor/cantor Sean Puffy Combs na fatídica festa em Los Angeles. Ao sair dessa festa, o rapper foi assassinado.

Um assassino de aluguel misterioso


O detetive do Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD, na sigla em inglês) Russell Poole foi designado para investigar a morte de Notorious. Em sua incansável busca pela verdade, Poole concluiu que o homem de gravata borboleta era um assassino profissional chamado Amir Muhammad, também conhecido por Harry Billups, que trabalhava como corretor de hipotecas no sul da Califórnia (um disfarce para esconder da sociedade a sua principal atividade). Muhammad era amigo íntimo do ex-policial do LAPD David Mack, que foi reconhecido por uma testemunha na cena do crime. Poole acreditava que Mack era o “fã” que pediu para Notorious abaixar a janela do seu carro. O policial ainda descobriu que Mack, além de ser um ex-integrante do LAPD, também era um membro ativo do Mob Piru Bloods e tinha uma relação bastante próxima com Suge Knight. Mack era um dos muitos policiais do LAPD que também fazia parte de gangues. Uma busca na casa de Mack revelou um santuário construído especialmente para Tupac. Ainda em 1997, Mack foi condenado a 14 anos por assalto a banco. Ele nunca cooperou com o LAPD na investigação da morte de Notorious B.I.G. e os esforços para encontrar Amir Muhammad não tiveram sucesso. Ele simplesmente desapareceu.

O corpo de Notorious foi levado de volta a Nova Iorque onde recebeu um grande funeral no bairro onde cresceu, o Brooklyn.

Puffy Combs discursa no velório de Notorious B.I.G. À esquerda na foto é possível ver a tampa do caixão aberta. Notorious foi enterrado vestido de branco e em um caixão branco. Foto: The Coli Forum.

Puffy Combs discursa no velório de Notorious B.I.G. À esquerda na foto é possível ver a tampa do caixão aberta. Notorious foi enterrado vestido de branco e em um caixão branco. Foto: The Coli Forum.

Mulher discursa no velório de Notorious B.I.G. Foto: The Coli Forum.

Mulher discursa no velório de Notorious B.I.G. Foto: The Coli Forum.

Teorias


Em 1999, um raivoso e frustrado Russell Poole pediu demissão do LAPD afirmando que forças invisíveis não o estavam deixando chegar mais fundo na morte de Notorious. O matador, Amir Muhammad, foi conectado ao ex-policial e membro do Mob Piru David Mack, que por sua vez tinha ligações com Suge Knight. As descobertas de Poole apontavam cada vez mais para o fundador da Death Row, mas Knight tinha amigos e (principalmente) dinheiro, e o dinheiro compra muita gente, do baixo, médio e alto escalões.

Randall Sullivam, em LAbyrinth, diz que Knight tinha um “anjo da guarda” no gabinete do todo poderoso promotor de Los Angeles, e seu nome era Lawrence Longo. Quando Knight foi condenado pelo brutal espancamento de Mark Bell em dezembro de 1995, Longo “recomendou uma sentença suspensa de nove anos, com cinco anos de liberdade condicional“, embora dez meses antes Knight tenha se declarado culpado da acusação. Ele cumpriu uma sentença “light” de um mês em uma casa de recuperação. Alguns meses depois, a filha adolescente de Longo se tornou a primeira artista branca a gravar pela Death Row, e Suge Knight mudou-se para uma casa de Longo em Malibu, pagando U$ 19 mil dólares mensais de aluguel. E essa não foi a primeira vez que Knight foi livrado de uma pena maior pelo assistente do promotor. Em 1992, Knight chicoteou dois rappers do cast da gravadora, os despiu e os roubou por usarem o telefone do escritório da Death Row. Mais uma vez, Knight se livrou de cumprir pena.

Mas se Knight foi o homem que ordenou o assassinato de Notorious B.I.G., qual foi o motivo? Alguns especulam que foi simplesmente uma retaliação pela morte de Tupac. Knight perdeu o rapper mais rentável da Death Row, então queria que Puffy Combs, seu arquirival, sofresse uma perda igual – olho por olho.

Outros acreditam que os Crips foram os responsáveis por ambos os assassinatos. Uma teoria afirma que Notorious B.I.G. concordou em pagar os Crips para matar Tupac, mas após a repercussão da morte do rapper ele teria voltado atrás. Sua punição por romper um acordo com os Crips foi a morte. Outra teoria alega que a Bad Boy pediu para que os Crips trabalhassem como guarda-costas nas noites em que eles ficariam em Los Angeles para o Soul Train Music Awards, mas Puffy Combs não quis pagar o preço pedido pela gangue, então ele contratou policiais de Inglewood para a tarefa. Matar Notorious teria sido a resposta dos Crips para a “indelicadeza” de Combs.

Vale mais morto do que vivo


A teoria mais sinistra para os dois assassinatos envolve Suge Knight. Antes de sua morte, Tupac Shakur estava se tornando um problema para o dono da Death Row. A estrela do rap estava questionando o método de escrituração contábil da Death Row, que indicava que Shakur devia à gravadora U$ 4.9 milhões de dólares, apesar de ter faturado U$ 60 milhões de dólares em vendas de discos. Insatisfeito com seu contrato com a Death Row, Shakur estaria procurando uma nova gravadora para quando acabasse seu contrato de três anos com Knight. Shakur também estava interessando em sua carreira como ator após aparecer em vários filmes, incluindo Juice (1992), Above the Rim (1994), e Gridlock’d – este lançado após a morte do rapper. Portanto, a lealdade de Tupac à Death Row pode ter sido questionada por Knight. A gravadora possuía fitas contendo 200 músicas inéditas de Tupac, matéria-prima para futuros álbuns. E sabemos que no mundo da música, a morte de um artista catapulta o interesse público pelo seu material. Michael Jackson, por exemplo, vendeu 35 milhões de discos no mundo nos 12 meses seguintes à sua morte, recorde total. Tupac “vale mais morto do que vivo“, citou uma fonte da indústria à Cathy Scott.

De acordo com esta teoria, o assassinato de Notorious foi um disfarce para encobrir o de Tupac, fazendo as pessoas acreditarem que um foi retaliação do outro, colocando a culpa na briga de rappers das Costas Oeste-Leste. O destino do adolescente Yafeu ‘Kadafi’ Fula, 19, acrescenta alguma credibilidade a esta teoria. Fula era um dos cantores de apoio de Tupac e foi a única testemunha do assassinato a se apresentar à polícia no intuito de identificar os assassinos. Mas a polícia de Las Vegas dispensou Fula e o liberou. Dois meses depois, ele foi morto em um conjunto habitacional de Orange, Nova Jérsei. “Estilo execução,” foi como a polícia local descreveu o assassinato de Fula. Como as mortes de Tupac e Notorious, a de Fula também nunca foi solucionada.

Cathy Scott ainda sugere em seu livro que Puffy Combs pode ter matado Notorious pelos mesmos motivos de Knight – dinheiro. Estava custando muito dinheiro para Combs manter sua estrela feliz, e estrelas mortas vendem mais discos e não incomodam. Nas semanas após suas mortes, ambos rappers chegaram ao topo das paradas de sucesso. O lançamento póstumo de Notorious B.I.G., “Life After Death“, estreou logo no número 1 e vendeu 690 mil cópias apenas na primeira semana.

Outro que apontou o dedo para Knight foi o também astro da Death Row Snoop Dogg, que criticou abertamente Knight. Para o rapper, Knight sabia mais do que falava. Snoop rompeu com a Death Row pouco depois da morte de Tupac e, em 2002, lançou uma música, “Pimp Slapp’d“, onde atacava abertamente Knight e a Death Row. Em 2006, Snoop mais uma vez atacou verbalmente Knight, o acusando pela morte de Tupac. O empresário respondeu dizendo que Snoop Dogg sempre foi um “informante da polícia” e que por isso “nunca foi preso.”

Mas se Suge Knight realmente tivesse ordenado a morte de Tupac, ele teria se sentado ao seu lado, na linha de fogo, a poucos centímetros do alvo? Treze balas foram disparados contra a BMW [que atualmente está sendo vendida por U$ 1.5 milhão de dólares] preta naquela noite e Knight foi atingido por uma delas. Parece altamente improvável que ele tenha escolhido um plano tão arriscado.

Também foi sugerido que Tupac e Notorious não eram os alvos principais de seus assassinos, e sim Suge Knight e Puffy Combs. Mas, novamente, o senso comum torna essa teoria implausível. No caso de Shakur, que atirador poderia confundi-lo com Knight, dado o tamanho dos dois?

Tupac e Knight durante um evento em Los Angeles em 15 de agosto de 1996. Shakur seria assassinado 28 dias depois. AP Photo/Frank Wiese, File.

Tupac e Knight durante um evento em Los Angeles em 15 de agosto de 1996. Shakur seria assassinado 28 dias depois. De porte físico muito mais avantajado, é bastante improvável que um assassino tenha confundido Knight com Tupac. AP Photo/Frank Wiese, File.

Do outro lado podemos dizer o mesmo. Notorious era um gigante, gordo e alto, enquanto Puffy, com cerca de 14 centímetros a menos e um físico oposto ao do rapper. Combs nem mesmo estava no mesmo carro que Notorious.

Então, quem matou os dois rappers? As polícias de Las Vegas e Los Angeles, 20 anos depois, continuam suas investigações, mas à medida que passa, diminuem as chances de resolução. A menos que aconteça uma reviravolta, como uma testemunha que resolva falar, as perspectivas desses casos serem resolvidos é mínima. A mãe de Notorious, Voletta Wallace, nunca aceitou o fato do assassino de seu filho nunca ter sido identificado e entrou com ações judiciais contra a cidade de Los Angeles e o LAPD. A mãe de Tupac, Afeni, também quer respostas, e já disse publicamente que a teoria de que seu filho foi assassinado como retaliação pelo espancamento de Orlando Anderson é risível.

E por falar em Orlando Anderson, o membro dos Crips foi assassinado em 29 de maio de 1998, aos 23 anos, durante um tiroteio entre gangues na cidade de Compton, Califórnia. Meses antes de ser morto, Orlando deu uma entrevista para um canal de TV norte-americano. Perguntado se, de alguma forma, ele estava envolvido na morte de Tupac, Orlando respondeu, de forma claramente irônica (e com um sorrisinho sarcástico no canto da boca), “Não, eu não estou envolvido, eu sou uma vítima, sinto por ele, você sabe, eu era um fã dele.” Este trecho da entrevista pode ser visto no YouTube.

FBI


Em abril de 2011, o FBI publicou toda a sua documentação secreta da investigação do assassinato de Notorious B.I.G. Os arquivos incluem detalhes dos relacionamentos de Tupac e B.I.G., a evolução de amigos a rivais e os registros de pequenos delitos aos tiroteios fatais. 

Os arquivos da polícia federal americana também revelam o tipo de balas usadas na morte como sendo de uma pistola Gecko 9mm, uma rara arma fabricada na Alemanha e distribuída nos Estados Unidos por apenas duas empresas, uma localizada na Califórnia e outra em Nova Jérsei. Isso elevou ainda mais as suspeitas sobre o ex-policial do LAPD David Mack (que foi solto em 2010 após cumprir 14 de prisão por roubo a banco). Os relatórios do FBI censuram o nome de Mack, mas sua identidade é óbvia para os especialistas do caso, principalmente devido à abundância de informações sobre ele já reveladas.

Quando o LAPD invadiu a casa de [censurado], eles descobriram munição de uma Gecko 9mm um Chevy SS Impala preto estacionado do lado de fora,” diz o FBI, que observa ainda o bizarro fracasso do LAPD em ligar o carro, a arma e a munição usada no ataque aos encontrados na casa de Mack. “O LAPD também nunca fez um teste de balística na munição encontrada durante a busca após o assalto a banco com as balas usadas para matar Biggie.”

“Também não está claro se a munição da Gecko 9mm foi comparada a algumas munições Gecko 9mm encontradas em [censurado] que se acredita ser Gecko.”

Os arquivos ainda afirmam que Notorious tinha ligações com a famosa família de mafiosos Genovese – fundada pelo italiano Giuseppe Morello na década de 1890 e responsável por centenas de assassinatos durante o século XX – e que, antes de sua morte, o rapper estava sendo vigiado pelo LAPD devido a essa ligação.

O FBI suspendeu sua investigação sobre o caso em 2005 depois de não conseguir encontrar provas cabais para acusar alguém. Toda a documentação do FBI sobre o caso pode ser vista clicando neste link.

Suge & Combs


Suge Knight passou cinco anos preso por violação de condicional e nunca deixou de ter problemas com a lei. Em 2003 foi preso novamente por violação de condicional. Dois anos depois levou um tiro na perna em uma festa promovida pelo rapper Kanye West e em maio de 2008 foi nocauteado com um soco durante uma briga em uma boate de Hollywood. Em agosto do mesmo ano, Knight, sob efeito de drogas, foi preso novamente após espancar a sua namorada e ameaçá-la de morte. Mas o pior ainda estava por vir.

Em 24 de agosto de 2014, Knight foi atingido por seis tiros durante uma festa promovida pelo cantor Chris Brown em Los Angeles. Apesar de seis balas terem entrado em seu corpo, o gigante foi capaz de andar por uma avenida em busca de uma ambulância. Milagrosamente, três dias depois Suge Knight já estava andando para fora do hospital. Aparentemente, um pistoleiro foi contratado para matar Knight, mas como nos casos Tupac-Notorious-Fula, ninguém nunca foi preso pelo atentado e Knight não fez um boletim de ocorrência, se recusando a cooperar com o LAPD. Apenas dois meses depois, Knight foi novamente preso, dessa vez por roubar a câmera de um paparazzi.

Em 29 de janeiro de 2015, Knight se envolveu em um acidente que matou Terry Carter, co-fundador da Heavyweight Records. Testemunhas disseram que Knight seguiu a vítima após uma discussão, jogando o seu carro em cima de Terry e de Cle Sloan, que sofreu ferimentos no pé e cabeça. Em março de 2015, Suge Knight desmaiou no tribunal quando o juiz estipulou sua fiança em U$ 25 milhões de dólares [veja aqui o vídeo]. Ele permanece preso na Califórnia e será julgado pela morte de Terry Carter em setembro de 2018.

A Death Row não existe mais. A gravadora faliu em 2006 e dois anos depois foi vendida por Knight pelo valor de U$ 18 milhões de dólares.

Em 21 de março de 2015, Suge Knight compareceu a uma audiência judicial na qual o juiz estipulou em U$ 25 milhões a sua fiança. Foto: AP Images.

Em 21 de março de 2015, Suge Knight compareceu a uma audiência judicial na qual o juiz estipulou em U$ 25 milhões a sua fiança. Foto: AP Images.

Mais sorte teve Puffy Combs. Enquanto Knight parecia ter mais interesse pela violência (e hoje luta pela vida numa cela de cadeia), Combs mostrou um tino para os negócios muito mais apurado e responsável. Não que ele seja um anjinho, não, mas em relação a negócios, o cara dá aula. Nem mesmo uma quase falência no final dos anos 1990 o abalou, ele foi capaz de se reerguer e hoje é um multimilionário com uma fortuna avaliada em U$ 825 milhões de dólares, o que faz dele o segundo artista de hip-hop mais rico dos Estados Unidos, ficando atrás apenas de Jay-Z (U$ 900 milhões).

Em 11 de novembro de 2003, Anthony “Wolf” Jones, o guarda-costas de Puffy Combs que em 24 de setembro de 1995 assassinou o membro da Death Row Jake Robles, foi assassinado em uma boate de Atlanta, Geórgia. Como as outras citadas neste texto, a morte de Wolf nunca foi solucionada, com investigações apontando que ele foi morto por membros da Black Mafia Family – uma organização criminosa baseada em Detroit com ligações com cartéis de drogas mexicanos e cuja principal atividade é o tráfico de drogas.

I’ll Be Missing You


Um mês após a morte de Notorious, Puffy Combs lançou uma música em homenagem ao amigo chamada “I’ll Be Missing You“. A música explodiu no mundo inteiro, ficando em primeiro lugar em 17 países. A música ganhou o Grammy de melhor performance de rap, permanecendo 11 semanas na Billboard Hot 100. Foi a primeira vez que um rap atingiu o primeiro lugar da BillBoard, feito somente igualado por Eminem anos depois. A música é um sampler da música Every Breath You Take do The Police. Em 1997, a MTV transmitiu ao vivo um show tributo a Notorious, onde Puffy Combs, Faith Evans (viúva de B.I.G.) e Sting cantam a música. Veja abaixo:

Todo dia eu acordo
Eu espero que eu esteja sonhando
Eu não posso acreditar nessa merda
Não posso acreditar que você não está aqui

Informações:


Tupac Shakur - perfil

Nome: Lesane Parish Crooks

Conhecido como: Tupac Shakur, 2Pac, Pac

Nascimento: 16 de junho de 1971. East Harlem, Cidade de Nova York. Estados Unidos

Morte: 13 de Setembro de 1996 (25 anos). Las Vegas, Nevada. Estados Unidos

Anos Ativo: 1987-1996

Prêmios: A revista Rolling Stone nomeou Tupac Shakur como o 86º maior artista de todos os tempos; Segundo o Guinnes Book, Tupac Shakur é o maior cantor de rap de todos os tempos com 67 milhões de discos vendidos; A MTV nomeou Tupac Shakur como 2º maior rapper de todos os tempos, atrás de Jay-Z; Indicado para o Hall da Fama do Hip-Hop em 2002;

Problemas com a lei: Qa’id Walker-Teal, 6 anos, morreu com um tiro na testa em 22 de agosto de 1992 – exames de balística revelaram que a bala saiu de uma arma pertencente a Tupac; sentenciado a 30 dias de cadeia por agredir o rapper Chauncey Wynn (5 de abril de 1993); acusado de atirar em dois policiais em Atlanta (outubro de 1993); sentenciado a 15 dias de prisão por agredir Allen Hughes (1994); cumpriu nove meses de prisão por estupro e saiu em 12 de outubro de 1995 após Suge Knight pagar U$ 1.4 milhão de fiança; cumpriu quatro meses de prisão por violação de condicional (5 de abril de 1996);

“Biggie, lembra quando eu deixava você dormir no sofá…você copiou o meu estilo. Cinco tiros não puderam me derrubar, eu tomei e sorri.”

[Tupac Shakur]

Notorious BIG - perfilNome: Christopher George Latore Wallace

Conhecido como: Biggie Smalls, The Notorious B.I.G., Big Poppa

Nascimento: 21 de Maio de 1972. Nova York, Estados Unidos

Morte: 09 de Março de 1997 (24 anos). Los Angeles, Califórnia. Estados  Unidos

Anos Ativo: 1992-1997

Prêmios: Billboard Music Awards: Artista rap do ano e Música rap do ano (1995); MTV Music Awards: Melhor vídeo de rap (1997) – Hypnotize; Soul Train Music Awards: Melhor disco de R&B e Soul (1998) – Live After Death; The Source Awards: Artista rap do ano, álbum do ano, melhor performance ao vivo (1995);

Problemas com a lei: preso por porte de amas (1989); preso por tráfico de cocaína na Carolina do Norte (1991); preso por espancamento e roubo em Camden (6 de maio de 1995); preso por espancar e ameaçar de morte dois fãs (23 de março de 1996); preso por posse de drogas e porte de arma (1996);

“O mano foi pego e eu sinto muito pela mãe e pelos amigos dele, tá ligado? Foi uma grande perda para o hip hop.”

[Notorious B.I.G]

Universo DarkSide – os melhores livros sobre serial killers e psicopatas

http://www.darksidebooks.com.br/category/crime-scene/

Fontes consultadas: [1] Rap Mogul Probed in ’95 Case – LA Times; [2] Possible Link of ‘Puffy’ Combs to Fatal Shooting Being Probed – LA Times; [3] Biggie & Puffy Break Their Silence — ’96 VIBE Cover Story – Vibe; [4] Music’s 30 Fiercest Feuds and Beefs – Rolling Stone; [5] Tupac’s final words revealed by police officer on scene of murder – CNN; [6] Anson, Sam. “Reasonable Doubt.” Vibe; [7] Biggie & Tupac. Dir. Nick Broomfield. Lafayette Films, 2002; [8] “Mayor Michael R. Bloomberg and Sean ‘P. Diddy’ Combs Announce $1 Million Donation to Support Libraries and Technology in New York City Public Schools.” News from the Blue Room; [9] Philips, Chuck. “Who Killed Tupac Shakur? How a Fight between Rival Compton Gangs Turns into a Plot of Retaliation and Murder.” Los Angeles Times; [10] Philips, Chuck. “Who Killed Tupac Shakur? How Vegas Police Probe Foundered.” Los Angeles Times; [11] Raftery, Brian M. “A B.I.G. Mystery.” Entertainment Weekly; [12] Ro, Ronin. Have Gun Will Travel: The Spectacular Rise and Violent Fall of Death Row Records. New York: Broadway Books. 1998; [13] Scott, Cathy. The Killing of Tupac Shakur. Las Vegas: Huntington Press. 1997; [14] Scott, Cathy. The Murder of Biggie Smalls. New York: St. Martin’s Press. 2000; [15] “Suge Knight Sentenced to 10 Months for Parole Violation.” MTV.com; [16] Sullivan, Randall. LAbyrinth: A Detective Investigates the Murders of Tupac Shakur and Notorious B.I.G. New York: Atlantic Monthly Press. 2002.

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