Serial Killers: O Exterminador

Ucrânia . A Ucrânia é o segundo maior país da Europa; só perde em tamanho para a Rússia, e está localizada no quadrante leste do continente europeu. O país ganhou a independência em 1991 após o...
Serial Killers - O Exterminador

O Exterminador

Ucrânia


.

A Ucrânia é o segundo maior país da Europa; só perde em tamanho para a Rússia, e está localizada no quadrante leste do continente europeu. O país ganhou a independência em 1991 após o colapso da ex-União Soviética. Sua população é estimada em cerca de 50 milhões de pessoas.

O território ucraniano é bastante nivelado, sem árvores, exceto nas Montanhas da Crimeia, na Península da Crimeia e nos Cárpatos no oeste. Possui um clima moderado com os invernos relativamente amenos, sem geadas severas como na sua vizinha Rússia. Devido a essas positivas condições climáticas, a Ucrânia é por tradição uma área agrícola. São produtores de trigo, milho, trigo mourisco (trigo livre de glúten) e uma grande variedade de frutas e legumes. A Ucrânia é também uma das principais produtoras mundiais de açúcar.

O país é rico em recursos naturais, tais como minério de ferro, carvão, diversos metais, petróleo, gás, etc, e possui uma variedade de indústrias concentradas principalmente em torno das grandes cidades, como Kiev, Zaporozhye, Dnepropetrovsk e Dnyeprodzerzhinsk. Os ucranianos produzem aviões e navios, carros, ônibus, trens, computadores e equipamentos eletrônicos, instrumentos de precisão, máquinas agrícolas e vários outros bens de consumo. Odessa, Sebastopol, Nickolayev, Kherson e Kerch são as principais rotas de entrada no país.

Na foto: A Catedral de Santa Sofia de Kiev, um patrimônio mundial pela UNESCO.

A Catedral de Santa Sofia de Kiev, um patrimônio mundial pela UNESCO.

Na foto: Ninho da Andorinha, outro bonito ponto turístico da Ucrânia.

Ninho da Andorinha, outro bonito ponto turístico da Ucrânia.

Mas nem tudo são flores na nação ucraniana. Apesar de ser um país com uma população completamente pacífica, dois dos mais sanguinários assassinos em série da era moderna nasceram na Ucrânia.

O primeiro a assustar o mundo e ganhar as manchetes dos jornais foi Andrei Romanovich Chikatilo, conhecido como “O Estripador da Floresta” e “O Açougueiro de Rostov” (veja sua história aqui). Nascido em Yablochnoye, Ucrânia, Chikatilo matou 52 pessoas em 4 países diferentes, sendo a maioria das vítimas na cidade de Rostov, Rússia (onde morava na época). Foi preso em novembro de 1990 e condenado à morte, vindo a ser fuzilado em um presídio russo em 1994. 

Apesar de ter nascido ucraniano, Chikatilo passou a maior parte da sua vida morando na Rússia, onde tornou-se engenheiro e constituiu família, e onde também assassinou quase todas suas vítimas. O mundo ainda sentia os reflexos dos horrendos assassinatos de Chikatilo quando em 1996 uma onda de terríveis crimes assolou a Ucrânia. Poucos meses após os primeiros assassinatos, as autoridades não tinham dúvidas: um serial killer estava à solta.

Mas esse era diferente de todos. Nunca antes houve um serial killer como esse: frio, perverso e letal. Tão letal que a imprensa logo o chamou de “The Terminator” (“O Exterminador”), em referência ao filme estrelado por Arnold Schwarzenegger. Mas diferentemente do personagem do filme de ficção, O Exterminador ucraniano era real, bem real. Mas ambos compartilhavam algo em comum: eles não sentiam pena, remorso ou medo. Até hoje não existe nada parecido na história criminal. Mais de 40 assassinatos em apenas três meses, uma média de uma morte a cada dois dias. Conheçam a sua história.

seta

O Exterminador

O Exterminador

Estação Ferroviária de Kiev, Ucrânia


31 de Maio de 1994

O dia amanheceu claro e ensolarado naquela manhã de 31 de maio de 1994 na capital ucraniana, com trabalhadores entrando e saindo das estações ferroviárias para irem ao trabalho. O país é conhecido por ter uma das maiores malhas ferroviárias do mundo, com mais de 22 mil quilômetros construídos. Os guardas que patrulham as estações ferroviárias ucranianas geralmente não tem muito trabalho devido a pacificidade do povo ucraniano, mas nesse dia em especial, algo chama a atenção de dois guardas.

Dois guardas patrulham uma das estações ferroviárias de Kiev quando notam uma movimentação diferente em frente a um dos guichês da estação. Calmamente os policiais se dirigem para perto afim de verificarem o que realmente está acontecendo. Ao chegarem ao local, eles notam um homem totalmente parado em frente a um dos guichês. Alguns usuários que tentam comprar tickets reclamam do homem, dizendo que ele está atrapalhando a venda dos bilhetes. Apesar da pequena confusão, o homem não mexe um músculo, não fala, e apenas olha fixamente para o atendente do guichê. Segundo o atendente que vendia tickets na estação, o homem estava a mais de uma hora parado em frente ao guichê, o olhando fixamente.

Os policiais tentam falar com o homem mas ele não responde, e depois de muita insistência, o homem (ainda olhando fixamente para o atendente) diz: “Estou tentando hipnotizá-lo.”

Os policiais retiram o homem da estação e o levam até a delegacia. Ele não é identificado e como não cometeu crime algum, ele não é autuado, mas percebendo que o homem pode ter algum distúrbio mental, o delegado o encaminha até o Hospital Mental Pavlov em Kiev para realização de exames psiquiátricos. Quem atende o homem é o médico psiquiatra Halyna Shurenok.

Depois de uma série de exames psiquiátricos,“Cidadão O” (como foi chamado pelos médicos psiquiatras) é diagnosticado com esquizofrenia. A junta médica decide por internar Cidadão O por um período de quatro meses para tratamento psiquiátrico. Nesse período, ele é tratado com medicamentos neurolépticos (antipsicóticos).  

Para os psiquiatras, Cidadão O não era apenas um esquizofrênico, Cidadão O era um paciente que eles acreditavam ser um assassino. Porém, não havia como os psiquiatras saberem se ele podia ou não ter cometido um assassinato. Ele não tinha nenhuma passagem pela polícia e não tinha família, era órfão. Seu passado era uma completa incógnita.

Em 16 de setembro de 1994, após quatro meses de tratamento no hospital psiquiátrico Pavlov em Kiev, Cidadão O é liberado. E sumiu sem deixar vestígios. Entretanto, pouco mais de um ano depois, os psiquiatras voltariam a ter notícias dele, e não seria das melhores.

Garmarnia, Zhitomirskaya Oblast


Região central da Ucrânia – 12 de Dezembro de 1995

O jovem professor Nikolai Zaichenko, 27 anos, descansa com sua família em sua isolada casa recém-construída em uma vila na região de Malyn, na Ucrânia. Perto da meia-noite, Nikolai escuta alguns barulhos estranhos em uma das janelas da casa. Parece que algo está sendo jogado contra a janela, como pedras. Nikolai resolve verificar. Ao abrir a porta, seu rosto é estraçalhado por uma bala de uma escopeta calibre .12, outro tiro atinge seu peito. Assustada com o barulho, sua mulher, Julia Zaichenko, 25 anos, vai até o encontro do marido e o vê morto, estendido no chão, com o rosto desfigurado. Ninguém está por perto. Ao olhar para a porta aberta, ela vê um homem se aproximando com uma faca em uma das mãos, na outra, uma escopeta. Ela não tem tempo de correr, é brutalmente esfaqueada. Os dois filhos do casal, Boris, três anos, e Oleg de apenas três meses de idade, também são mortos. Ao sair, o assassino corta os dedos anelares do casal (com as alianças) e incendeia a casa, que não chega a ser totalmente queimada devido ao intenso inverno.

A cena chocou os policiais. Uma família inteira brutalmente assassinada e aparentemente não tiveram chances de defesa. O que mais pode chocar um policial, não só um policial mas qualquer pessoa, é ver o corpo de uma criança morta. O massacre chocou os poucos moradores do vilarejo e também os 30 mil moradores de Malyn. Pelas investigações iniciais, o motivo do crime seria tentativa de furto seguido de morte, em outras palavras, latrocínio. Mas algumas perguntas intrigavam os policiais. Por que o assassino matou duas crianças? Seria um conhecido da família que uma das crianças poderia identificá-lo? Se sim, por que ele matou um recém-nascido de apenas três meses?

A polícia continuaria a investigação com essa tese, roubo seguido de morte.

Uma cena que chocou os policiais. Julia Zaichenko e seu filho Oleg de apenas três meses de idade mortos. Aparentemente o assassino matou Oleg e o colocou no peito da mãe.

Vila de Bratkovychy, Lviv Oblast


22 de Dezembro de 1995

Imagem de satélite da pequena Vila de Bratkovychy em Lviv Oblast, Ucrânia. Imagens: Google Earth. Coordenadas: 49° 46′ 60 N 23° 34′ 60 E.

Bratkovychy é uma pequena vila na região de Lviv Oblast, na fronteira com a Polônia. Os moradores, pessoas simples, sobrevivem da agricultura. No dia 22 de dezembro de 1995, a calmaria e a pacificidade da região seria quebrada por um horrendo crime. Era inverno e o dia amanheceu bastante frio, um dos moradores caminha por uma rua no vilarejo e encontra o corpo de um homem caído no chão. Havia sangue e ele logo percebeu que o homem estava morto. Ele tenta procurar ajuda e lembra da família Kryuchkov que mora ali por perto. Mas quanto mais ele chega perto da casa dos Kryuchkov, mais ele percebe que o terror estava apenas começando. Não havia mais casa, apenas cinzas.

A polícia chega e identifica o homem encontrado morto em uma estrada perto da casa dos Kryuchkov como Malinski, um trabalhador local. Quatro corpos queimados são encontrados na casa. Eles são identificados como sendo membros da família Kryuchkov: Pyotr Kryuchkov, sua mulher Maria Kryuchkov, e as duas irmãs de sua esposa, Lesya e Myroslav.

A região é um local totalmente pacífico, onde todos conheciam a todos. Ninguém soube explicar o que tinha acontecido, aliás, era a primeira vez que os moradores locais vinham um crime daquele tipo. A polícia de Lviv Oblast teria muito trabalho para elucidar o caso. O que eles sabiam era que as cinco pessoas foram assassinadas. Mas por quem?

Energodar, Zaporozhskaya Oblast


5 de Janeiro de 1996

O dia 5 de janeiro é véspera do natal no calendário da Igreja Ortodoxa. Quando falamos em Natal lembramos de paz, alegria e confraternização. Mas o dia 5 de janeiro de 1996 foi marcado por uma carnificina nunca antes vista em Energordar.

Energordar, no leste da Ucrânia, é conhecida na Europa por ter a maior usina nuclear do continente. Uma cidade de negócios circundada pelo lago Kakhovs. Durante a noite do dia 5 de janeiro, um massacre tomou conta de Energordar. Sete corpos foram encontrados na auto-estrada Berdyansk-Dnieprovskaya. Todas as sete vítimas foram mortas com tiros no rosto e no peito por uma arma de grosso calibre. As vítimas foram identificadas como:

  • Sergei Odintsov, empresário, 37 anos;
  • Tamara Dolinin, bancária, 32 anos;
  • Alexander Rybalko, policial, 35 anos;
  • Sergei Garmash, 35 anos;
  • Victor Kasayev, soldado do exército, 35 anos;
  • Anatoly Savitsky, 45 anos;
  • Nadezhda Kochergina, trabalhadora rural, 45 anos.

Nada parecia fazer sentido. Sergei Odintsov, Tamara Dolinin e Anatoly Savitsky foram encontrados mortos e parcialmente queimados dentro do porta-malas de um carro em chamas em um ponto da auto-estrada. A poucos metros do local, o corpo de Nadezhda Kochergina foi encontrado. O corpo do policial Alexander Rybalko, de Sergei Garmash e do soldado Victor Kasayev foram encontrados a poucos metros de distância um do outro a mais ou menos 10 quilômetros de onde o carro incendiado foi encontrado.

Os corpos do policial Alexander Rybalko e de Sergei Garmash foram encontrados a poucos metros de distância um do outro.

As vítimas foram mortas com tiros no rosto.

O corpo do soldado Victor Kasayev é encontrado a poucos metros do local onde estavam os corpos de Alexander Rybalko e de Sergei Garmash.

A investigação dos assassinatos na auto-estrada deixou a polícia confusa. Os três corpos encontrados no carro eram do empresário Sergei Odintsov, da bancária Tamara Dolinin e do motorista Anatoly Savitsky. Investigações apontaram que Sergei Odintsov e Tamara Dolinin eram namorados. Mas ambos não tinham nenhuma ligação com Anatoly Savitsky, como então os três foram parar (mortos) em um porta-mala de um carro? O outro corpo encontrado perto do local de onde fora achado o carro, o da trabalhadora rural Nadezhda Kochergina, também não ajudava a polícia. Nadezhda Kochergina não tinha nenhuma ligação com os três mortos encontrados no carro, ela era uma trabalhadora rural que morava perto do local onde fora encontrada morta. A polícia chegou a conclusão então de que Nadezhda Kochergina estava no lugar errado na hora errada. Possivelmente ela foi morta por cruzar o caminho do assassino.

E os outros três corpos encontrados a mais de 10 quilômetros de onde o carro foi encontrado? A polícia descobriu que o policial Alexander Rybalko e um pedestre identificado como Sergei Garmash eram amigos. Os dois provavelmente estavam caminhando juntos no acostamento da rodovia quando foram mortos. O outro corpo encontrado perto de onde os amigos estavam era o do soldado Victor Kasayev. Para a polícia era óbvio que todos foram mortos por um mesmo assassino ou assassinos. Olhando para o rastro de sangue e morte deixado pelo criminoso não foi difícil traçar uma linha do tempo dos assassinatos da auto-estrada Berdyansk-Dnieprovskaya.

Os investigadores descobriram que após o horário de serviço, Sergei Odintsov pegou Tamara Dolinin no banco em que trabalhava para comemorar juntos o Natal. Pararam o carro em algum local desconhecido para namorar e beber champanhe (uma garrafa foi encontrada dentro do carro). Em algum momento da noite do dia 5 de janeiro de 1996, eles foram surpreendidos por um assassino que, com uma escopeta calibre .12, atirou nos rostos de Sergei e de Tamara. O assassino colocou os corpos do casal de namorados no porta malas do carro e saiu dirigindo pela auto-estrada de Berdyansk-Dnieprovskaya. Dirigindo pela auto-estrada, o assassino viu duas pessoas caminhando pelo acostamento, os amigos Alexander Rybalko e Sergei Garmash. O assassino encosta o carro como se fosse pedir uma informação e, ao abaixar para conversar com o condutor do carro, os dois amigos são mortos com tiros à queima-roupa. Nesse mesmo momento, o soldado Victor Kasayev passa pelo local e é alvejado com um tiro. O assassino continua a dirigir pela auto-estrada. Oito quilômetros adiante ele vê um carro estacionado no acostamento. Ele desce e atira no rosto do motorista, Anatoly Savitsky. O assassino tira o corpo de Anatoly do carro e o coloca no porta malas do seu carro junto com os corpos do casal de namorados Sergei Odintsov e Tamara Dolinin. Ele continua a dirigir o carro pela estrada e em dado momento decide encostar o carro em uma vala e atear fogo. O assassino volta para estrada e caminhando a pé encontra com Nadezhda Kochergina, a trabalhadora rural que estava indo para o trabalho. O assassino a mata com outro tiro no rosto.

Vila de Bratkovychy, Lviv Oblast


17 de Janeiro de 1996

Menos de duas semanas depois dos assassinatos em Energordar, outra família é massacrada na Vila de Bratkovychy. Era noite do dia 17 de janeiro de 1996 quando o aposentado Vladimir Pilat, de 62 anos, escuta estranhos barulhos vindos de fora de sua afastada casa. Vladimir decide investigar os barulhos e, ao abrir a porta, seu rosto é estraçalhado por um tiro de escopeta. Sua nora de 26 anos, Lesya, acorda com o barulho e é a próxima a ser morta. Seu filho Vladimir, de apenas seis anos, vê a mãe ser morta e não tem tempo de correr, é atingido por um tiro. Oleg Pilat, marido de Lesya e filho de Vladimir Pilat, também não tem tempo de reagir. Olga Pilat, de 60 anos, mulher de Vladimir, escuta os tiros e os gritos e esconde debaixo da cama. Ela vê quando o assassino entra no quarto e caminha como se procurasse por alguma coisa, de repente ele pára. Olga é morta ali mesmo. O assassino vai embora, mas sem antes colocar fogo na casa.

Quando o dia amanhece, a mesma história do dia 22 de dezembro se repete. Ao caminhar por perto da casa da família Pilat, um homem encontra dois corpos caídos no chão. Ele vai até a casa dos Pilat para usar o telefone e chamar a polícia, e é aí que ele percebe que a mesma tragédia se repetiu. A polícia chega, os dois corpos na estrada são identificados como do trabalhador ferroviário Kondzyola Galina, 29 anos e Stepan Zakharko, 55 anos. São conhecidos moradores da região. A polícia conclui que o assassino após matar a família Pilat, ao ir embora, encontrou com os dois homens indo para o trabalho e sem pensar matou os dois e deixou os corpos na neve.

As pegadas do assassino deixadas na neve ajudaram a Polícia a esclarecer a forma como os assassinatos foram cometidos.

As pegadas do assassino deixadas na neve.

Se os primeiros assassinatos em Bratkovychy chocaram os moradores, o que dizer desses? O pânico tomou conta da região, famílias inteiras começaram a se mudar, os que ficavam, faziam mutirões para construir cercas ao redor das casas. Ninguém parecia estar a salvo. A onda de assassinatos deixou a polícia assustada. A essa altura, a ligação entre os assassinatos das famílias em Garmarnia, Bratkovychy e nos arredores de Energordar começava a ser feita. O assassino parecia ter um padrão: usava uma arma calibre .12, atirava nos rostos e no peito das vítimas e não tinha motivo aparente para matar. A polícia fazia vigília, seis postos policiais foram montados em torno da região de Bratkovychy, um cerco começava a ser montado.

Fastova, região de Kievskaya Oblast


30 de Janeiro de 1996

Quatro corpos são encontrados em Fastova, uma cidade ferroviária com 50 mil habitantes, 160 quilômetros ao sul da capital Kiev.

  • Sergei Zaghranichny, 31 anos;
  • Svetlana Marusina, enfermeira, 29 anos;
  • Boris Marusina, 7 anos;
  • Denis Marusina, 6 anos;

Todos os quatro foram mortos com uma arma de grosso calibre. Svetlana Marusina e seus filhos, Boris e Denis, foram encontrados do lado de fora de sua casa. A poucos metros do local, o corpo de Sergei Zaghranichny foi encontrado. Ao lado do corpo havia uma pá. Um rastro de sangue podia ser visto, o que sugere que o assassino o baleou, mas Sergei ainda conseguiu correr. Não havia parentesco entre Sergei e Svetlana e investigações apontaram que possivelmente o assassino abordou Sergei perto do seu carro estacionado em um pátio; Sergei bateu no agressor com uma pá e correu. O assassino o perseguiu atingindo-o com um tiro nas costas. Nesse momento, Svetlana e seus dois filhos andavam do lado de fora de suas casas e foram mortos. O assassino aproximou-se dos corpos e percebeu que Denis, de 6 anos, agonizava. O garoto tinha lesões na cabeça, o que sugere que o assassino terminou de matá-lo com golpes de pá. Ele voltou e caminhou até o corpo de Sergei, e viu que ele ainda estava vivo. Assim como Denis, Sergei morreu com diversos golpes de pá na cabeça.

Centro da tranquila cidade de Fastov, Ucrania.

Olevsk, Zhitomirskaya Oblast


19 de Fevereiro de 1996

O horror chega até a pequena cidade de Olevsk.

A família de Anatoly Dubchak (32 anos), diretor-chefe do centro desportivo da cidade é encontrada morta. Anatoly estava morto do lado de fora da casa com um tiro na cabeça. Sua mulher, Julia Dubchak, havia sido espancada até a morte com um objeto contundente. Os filhos do casal também foram mortos. A ferocidade do ataque foi tão grande que pedaços do crânio da filha do casal, Victoria, foram encontrados no corredor e no quarto dos seus pais.

Seis dias depois, o assassino atacaria novamente.

Malina, Lvivskaya Oblast


27 de Fevereiro de 1996

Victor Gudz, um motorista de ambulância e pai de três filhos, caminha pelo gelo voltando para casa após um dia de trabalho quando é alvejado por um tiro. Não tem ninguém por perto, o assassino olha pelo horizonte e avista uma bonita casa recém-construída. Os moradores são Sergey Bodnarchuk, sua mulher Galina Bodnachuk, e suas filhas Valery, 9 anos e Tatiana, 7 anos.

A escuridão cai, a família apaga as luzes da casa e dorme. Na madrugada Sergey escuta barulhos em sua janela, como se alguém estivesse jogando algo. Sergey pega um machado e decide sair do lado de fora para verificar. Ao abrir a porta Sergey não tem chances, um tiro atinge o seu peito e ele morre na hora. O assassino puxa o corpo para fora da casa. Ao escutar o tiro, Galina Bodnachuk corre para fora e vê um homem com uma escopeta na mão. Ela grita: “Cadê o meu marido?” Ela é esquartejada com o machado. O assassino entra, anda pela casa com o machado na mão e encontra as duas filhas do casal dormindo no andar superior da casa. Tatiana é a primeira a morrer com golpes de machado. Sua irmã Valery, ao ver a cena, fica em choque, grita de uma forma tão desesperada que suas cordas vocais arrebentam, quando o assassino vira para ela, existe apenas o silêncio. Valery é decapitada.

Cena do crime da família Bodnachuk. É possível ver uma das meninas mortas na cama.

Cena do crime da família Bodnachuk.

Vítima do serial killer. Em poucas semanas o assassino deixou um rastro de sangue e corpos. Famílias inteiras foram mortas. Créditos: History Channel.

Cena do crime mostra marido e mulher mortos pelo serial killer ucraniano. Créditos: History Channel.

Outra cena de um dos crimes mostra um pai de família morto.

Caçada ao Exterminador


.

O governo ucraniano monta uma caçada humana para deter um sanguinário serial killer. Oito famílias foram brutalmente assassinadas nos últimos três meses. A maioria das vítimas moravam em aldeias remotas em torno da região de Lvov, perto da fronteira com a Polônia. A sede de sangue do assassino era terrível, em três meses foram mais de 40 mortes nas regiões de Bratkovychy e Busk, o que levou a imprensa a apelidar o assassino de “O Exterminador”. O pânico toma conta da região. Além do medo, os moradores das vilas tem que conviver com a dor de perder parentes e amigos próximos.

Moradores da vila de Bratkovychy rezam e choram pelo assassinato de seus conhecidos.

A população de Bratkovychy chora os horrendos assassinatos acontecidos na região.

Tentando por um ponto final na onda de assassinatos, a Guarda Nacional ucraniana é chamada. Veículos blindados e soldados carregando bazucas patrulhavam todo o oeste da Ucrânia 24 horas por dia. Nunca antes na história mundial toda uma divisão do exército de um país foi colocada nas ruas para parar apenas um homem. Dois mil investigadores, tanto da polícia federal quanto das polícias locais, trabalhavam no caso, que se tornou uma das mais notórias investigações a um serial killer da era moderna. Toques de recolher foram impostos, três mil soldados patrulhavam as ruas cobertas de gelo e desertas do oeste ucraniano. Um cordão de segurança foi feito em torno de Bratkovychy. Uma caçada nacional começava a ser feita. A maior, até hoje, da história da Ucrânia. 

Qualquer cidadão era revistado, carro, ônibus, motos e carros eram parados e revistados. Os soldados tinham ordens para investigar todo mundo. Ninguém poderia escapar das revistas dos soldados.

“Toda força possível foi empregada para capturar o assassino. Patrulhamos todas as zonas 24 horas por dia, nada poderia escapar ao nosso cerco” , disse Bodgan Romanyuk, investigador de homicídios de Kiev.

Tanques blindados nas ruas, soldados… o país parecia estar em guerra.

Soldado revista cidadão ucraniano.

Soldados da Guarda Nacional Ucraniana durante caçada ao serial killer.

A Besta Ucraniana


.

Quarenta e três mortos em apenas três meses, não há nada igual na história criminal no mundo. Nenhum outro assassino matou tanto em um curto espaço de tempo. A polícia parecia não acreditar na história de terror: famílias inteiras massacradas, esquartejadas, queimadas… sem distinção de homens, mulheres ou crianças. Os assassinatos na auto-estrada de Berdyansk-Dnieprovskaya mostravam que o serial killer matava quem cruzasse o seu caminho e aparentemente ninguém podia detê-lo. Seu rastro de carnificina não tinha nenhuma ligação aparente e as vítimas foram mortas em toda amplitude do território ucraniano. Ele estava totalmente fora de controle.

Três vítimas do serial killer que aterrorizou a Ucrânia. Sem distinção de homens, mulheres, crianças ou recém-nascidos, ele matava quem cruzasse o seu caminho.

Túmulo de uma das famílias mortas pelo serial killer conhecido como o Exterminador.

“Nós estávamos convencidos, pelas evidências, que tratava-se de um maníaco. Pelas cenas dos crimes sabíamos que não era um ladrão ou um assassino qualquer. Aquilo era a ação desenfreada e sanguinária de uma pessoa com graves distúrbios mentais”.

[Leonid Martynenko]

A polícia seguia o rastro de morte do assassino, mas estava totalmente perdida. O que não deixa de ser comum até hoje. Mesmo após mais de 120 anos dos crimes de Jack, O Estripador, podemos dizer que nenhuma polícia do mundo está preparada para casos de assassinatos em série. Nem mesmo uma das melhores policias federais do mundo e com maior conhecimento neles, o FBI, pode ser considerado eficaz. A história nos mostra que a caçada a serial killers não deixa de ser na grande maioria das vezes tardia e infrutífera. E eles são pegos porque não conseguem parar de matar (erros do próprio assassino) ou por alguma sorte policial.

O pânico nas regiões dos crimes era enorme, o serial killer tinha sede de sangue, era imprevisível e matava a esmo, não deixava muitas pistas, nenhuma testemunha, e para piorar, a instabilidade política do país fez com que o governo fizesse pressão para abafar as notícias de que um serial killer estava à solta.

“A causa da situação política no país influenciou essa decisão, para o governo era inaceitável admitir publicamente que estava em dificuldades frente a uma situação tão emergencial”.

[Victor Korol]

O serial killer seguia um padrão. Atacava casas construídas em regiões afastadas. Todos os assassinatos eram cometidos na calada da noite e ele sempre usava a mesma arma, que pelos testes balísticos feitos pela polícia descobriu-se ser uma escopeta calibre doze. Depois de assassinar todos os moradores, inclusive crianças e recém-nascidos, o maníaco colocava fogo nas casas. Objetos pessoais das vítimas foram dados como desaparecidos por parentes, o que levou a polícia a concluir que o assassino também roubava pertences das vítimas. Fotos das famílias eram encontradas espalhadas e rasgadas pela casa. O inverno ajudava a ação do serial killer. Era comum o corte de energia por causa das nevascas. A escuridão era tudo o que ele precisava.

Busk, Lviv Oblast


22 de Março de 1996

Os temores da polícia se concretizam. O Exterminador faz mais quatro vítimas na pequena cidade de Busk, a 90 quilômetros de Bratkovychy. Mais uma vez toda uma família é exterminada. Mikhail Novosad, 30 anos, sua mulher Galina Novosad, 30 anos, sua irmã Irina, 26 anos e sua filha Ludimila Novosad de apenas 10 anos.

A cena é horrível, uma família inteira, criança, corpos massacrados…

“O que vi estava além da minha compreensão. Uma família inteira tinha sido horrivelmente e sistematicamente exterminada A imagem daquela casa vai ficar comigo para sempre. O mau cheiro era insuportável…”.

[Alexander Ivshchenko, inspetor da polícia].

Para a polícia, o assassino observou a família do lado de fora da casa, viu Mikhail Novosad assistindo TV. Mikhail escuta barulhos do lado de fora da casa, vai até a janela e O Exterminador o atinge com um tiro no peito. O assassino vai até a porta principal, dá um tiro na maçaneta e outro na porta, o qual atinge novamente Mikhail, que cambaleando tentara chegar até a porta para impedir a entrada do agressor. O Exterminador arromba a porta e dá de cara com Galina Novosad, que ao escutar os gritos do marido e os tiros correu para a sala para ajudá-lo; ela é atingida com um tiro na cabeça. O Exterminador caminha pela casa, cômodo por cômodo, entra na cozinha e estraçalha a cabeça de Irina, que estava escondida debaixo da mesa. Sua fúria chega até a pequena Ludimila, que dormia em seu quarto; ela é esfaqueada brutalmente com golpes no peito até a morte.

O Exterminador volta à sala e vê que Mikhail, mesmo tendo levado dois tiros e de ter visto sua família ser massacrada, ainda está vivo, ele implora por sua vida, mas o Exterminador corta sua garganta com a faca suja de sangue que acabara de matar sua própria filha.

O fim da linha para o Exterminador


Yavoriv, Lviv Oblast – 16 de Abril de 1996

Yavoriv é uma pequena e pacata cidade localizada na província de Lviv Oblast a 50 quilômetros a oeste da capital da província, Lviv. Tem 13.500 habitantes. É conhecida por ter sido uma base militar da ex-União Soviética. Ninguém trabalha aos sábados, muito menos nos domingos de páscoa. Ninguém, com exceção da polícia, para quem qualquer feriado significa turnos dobrados e horas extras indesejadas.

O investigador Igor Khuney geralmente tem os domingos de folga, mas às 10h do dia 7 de abril de 1996, ele estava em sua ronda no alojamento da área militar. Andando tranquilamente escutando apenas o barulho de suas botas. Como qualquer outro policial de pequena cidade, Igor conhecia pessoalmente cada habitante de Yavoriv, a maioria oficiais e ex-oficiais aposentados do exército e suas famílias. Uma dessas pessoas, Igor conhecia muito bem: Pyotr Onoprienko, um capitão do exército que morava com sua esposa e dois filhos.

A poucos quilômetros de onde Igor fazia sua patrulha, seu superior, o delegado e chefe de polícia Sergei Kryukov, estava sentado em seu escritório girando sua quinta xícara de café. Ele estava de plantão desde à meia-noite do dia anterior e estava tentando ao máximo ficar alerta. Igor e Sergei estavam preparados para uma longa noite de feriado, o que significava pessoas bebendo e causando arruaças, consequentemente mais trabalho para a polícia. O que eles não sabiam é que, dentro de algumas horas, estariam envolvidos na captura de um homem envolvido em uma das piores ondas de assassinatos em série da história moderna e que, também, não não obteriam o menor crédito por isso.

A pacata cidade militar de Yavoriv na Província de Lviv Oblast. Imagens: Google Earth.

A pacata cidade de Yavoriv na Província de Lviv Oblast. Imagem: Google Earth.

Em torno do meio-dia, Igor recebeu uma ligação. O relatório policial posterior escreveu o seguinte:

“O oficial Igor Khuney recebeu uma denúncia de um homem de caráter suspeito vindo de Zhitomirskaya Oblast. Presume-se que esteja armado e que planeja cometer um crime violento no feriado de Páscoa.”

A fonte da denúncia até hoje é considerada anônima, mas vazamentos na investigação apontam que a denúncia veio do capitão do exército e amigo de Igor, Pyotr Onoprienko. Segundo o que foi descoberto pela mídia ucraniana, um vizinho de Pyotr, e ex-aposentado do exército, cujo nome não foi divulgado, disse a Igor que a família de Pyotr estava abalada com a chegada de um primo, há muito tempo desaparecido no leste da Ucrânia. “Ele chegou do nada no início de Dezembro”, disse o vizinho de Pyotr. A declaração foi confirmada pela esposa do aposentado e por um outro vizinho. Pouco tempo depois, Pyotr expulsou seu primo de casa depois que sua esposa encontrou armas embaixo de uma cama. Segundo o vizinho, o primo de Pyotr ficou tão furioso que disse: “Deus punirá você e sua família na Páscoa.”

Acredita-se que, temendo pela segurança de sua família, Pyotr tenha feito uma denúncia contra seu primo, e por Pyotr ser militar (e parente do suspeito), seu nome foi “perdido” e a fonte foi considerada anônima.

Voltando às 12h do dia 16 de abril de 1996, a denúncia chegou até Sergei. A essa altura, sabia-se que o suspeito havia se mudado para a cidade de Zhitomirskaya Oblast e voltado para Yavoriv com uma mulher e seu filho. A informação sobre o suspeito que veio de Zhitomirskaya Oblast intrigou Sergei, que havia acabado de ler um relatório policial sobre um rifle Tos-34 calibre .12, do mesmo tipo usado nos assassinatos em Bratkovychy e que havia sido roubado em Zhitomirskaya Oblast.

“Foi um longo tiro, mas pensei, temos aqui um cara de Zhitomirskaya, ele está armado, e uma arma foi roubada em Zhitomirskaya. E não temos muitas pessoas de Zhitom (sic) que vêm aqui. Se eu não tivesse recebido a denúncia naquela manhã, eu talvez nunca a considerasse. Mas já que a recebi, tive que pensar sobre isso.” 

[Sergei Kryukov]

Preocupado, Sergei, rapidamente ligou para seus superiores no quartel da policia de Lviv para avisar sobre a denúncia. Às 12h15 ele recebe uma ordem do chefe de policia de Lviv, General Bogdan Romanuk: era para Sergei formar uma força-tarefa de detetives, policiais locais e organizar uma reserva de “força-extra”, para conduzir uma busca no apartamento do suspeito. A essa altura a polícia de Lviv e os militares em Yavoriv estavam tensos e ao mesmo tempo ansiosos. O suspeito de Yavoriv poderia ser O Exterminador.

Dentro de uma hora, mais de 20 patrulheiros e detetives estavam reunidos. O suspeito dividia um apartamento com uma cabeleireira e seus dois filhos na rua Ivana Khristitelya. Todos saíram em veículos não identificados.

Para ter uma ideia do local de onde o suspeito estava morando, Sergei passou cerca de meia hora analisando as saídas do prédio, as ruas que circundavam o local e subindo às escadas. Os policiais bloquearam as saídas do prédio com veículos não identificados e dois homens vigiavam o quarto e segundo andares.

Os investigadores restantes cercaram todo prédio. Igor, Sergei e o detetive Vladimir Kensalo foram até a porta do apartamento do suspeito.

O apartamento do suspeito na rua Ivana Khristitelya em Yavoriv.

A porta do apartamento do suspeito.

Sergei toca a campainha, ele escuta os passos de alguém chegando na porta. A maçaneta gira e um homem baixo, branco e meio calvo abre a porta. Sergei, Igor e Vladimir dominam e algemam o homem com facilidade. Os policiais entram no apartamento e fazem uma busca. Ao olhar pelo apartamento, Sergei percebe um som Akai na sala de estar. O aparelho chamou sua atenção porque a família de Novosad, mortos perto de Busk em 22 de março de 1996, tinham um som parecido, o qual fora reportado como desaparecido pelos familiares das vítimas pouco depois do acontecimento. Sergei tinha uma lista, que sempre carregava com ele, de certos itens que foram reportados como desaparecidos, suas marcas e seus números de série. Ao ver o número de série do som Akai ali encontrado, Sergei sente um frio na barriga, era o mesmo reportado como desaparecido na cena do crime de Busk.

Quando os policiais perguntaram ao suspeito sua identificação, ele disse que seus documentos estavam em um armário. Vladimir abre a porta do armário e neste momento o suspeito tenta pegar uma arma que estava ali dentro, mas é derrubado e dominado pelos investigadores. Percebendo a seriedade da situação, os detetives escoltam o suspeito de volta à delegacia e começam uma busca exaustiva no apartamento. No fim do dia, 122 itens pertencentes a numerosas vítimas de assassinatos sem solução foram retirados do apartamento, incluindo um rifle-34 de cano serrado. A pistola, como veio a se revelar, foi a segunda parte da prova que havia sido roubada de uma cena de assassinato em Odessa. Seria ele, o terrível serial killer conhecido como O Exterminador?

Armas foram encontradas na casa do suspeito. Fotos: History Channel.

No apartamento do suspeito foram encontrados mais de 120 itens pertencentes a vítimas de assassinatos em diversas regiões da Ucrânia. Ele não tinha documentos e não conversava com os policiais.

As buscas na rua Ivana Khristitelya duraram todo o dia, Anna, a namorada do suspeito, chegou em casa. Logo ela percebeu que alguma coisa séria havia acontecido. Ela perguntou a Sergei o que estava acontecendo e ele respondeu: “Você se lembra daquelas mortes em Bratkovychy?”, ela então começou a chorar.

A cabelereira e namorada do suspeito, Anna Kozakh, 34 anos. Era divorciada e tinha dois filhos.

Na foto: O suspeito e sua namorada, Anna Kozakh.

O suspeito e sua namorada, Anna Kozakh.

O mais terrível assassino da história ucraniana


.

Embora os investigadores tivessem uma montanha de material como evidência, Sergei precisava de uma confissão. Entretanto, o suspeito imediatamente deixou claro que ele não estava nem um pouco interessado em falar. Quando Sergei confrontou ele com os fatos, o suspeito mostrou uma pequena reação com um sorriso e disse: ”Eu falarei com um general, mas não com você”.

Eram 21h e, após conversar com Igor e outros investigadores, Sergei decidiu telefonar para Yavoriv Teslya. Ele havia sido indicado por Igor e pelos outros investigadores por ser o melhor interrogador que eles conheciam, por sua personalidade e habilidade em falar calmamente com suspeitos.

Na delegacia, o suspeito renunciou seu direito a um advogado e continuava sem falar. Teslya chegou e os policiais o deixaram a parte da situação. Teslya considerou imperativa a tentativa de obter o máximo de informação possível. Ele estava com medo de que alguma coisa desse errado. Neste tipo de caso, você nunca sabe o que irá acontecer. O suspeito poderia se enforcar em sua cela e nunca ninguém saberia o que realmente havia acontecido. Ele precisava falar, não havia tempo para esperar que um general chegasse. As 22h, Teslya sentou sozinho em uma sala de interrogatório com o suspeito enquanto eles esperavam o Ministro General do Interior chegar de Lviv. Teslya queria instigar o suspeito a falar de si mesmo.

O suspeito continuou em silêncio, mas depois de algumas horas de questionamentos, ele começou a falar sobre sua vida. Disse que havia nascido na cidade de Laski, em Zhitomirskaya Oblast. Ele disse a Teslya que sua mãe morrera quando ele era muito jovem e que seu pai o colocara em um orfanato russo. O suspeito conversou bastante sobre isso, disse que ainda sentia bastante raiva por seu pai tê-lo abandonado e não feito o mesmo com seu irmão mais velho. Segundo ele, seu pai e seu irmão mais velho poderiam facilmente ter cuidado dele. Seguindo essa linha de questionamento, Teslya perguntou se ele tinha ressentimentos por seus familiares, o suspeito hesitou em um primeiro momento e então balançou sua cabeça antes de reafirmar que não falaria com ninguém abaixo do nível de General.

Neste momento, Teslya tentou persuadi-lo dizendo:

“Nós iremos trazer o seu general. Trazemos dez generais se você quiser, mas como eu vou trazer um general aqui se você não tiver nada a dizer? Por que realmente talvez não há nada que você possa nos dizer. Com que cara vou ficar?”

Então o suspeito respondeu:

“Não se preocupe com isso. Definitivamente há muita coisa a dizer.”

A confissão do Exterminador


.

Perto das 23h horas, Teslya deixou a sala e foi até o corredor onde o General Bodgan Romanuk estava esperando. Depois de um breve recesso, os dois homens e um assistente de Romanuk, Maryan Pleyukh, entraram na sala. O suspeito começou a falar.

Seu nome: Anatoly Yurievich Onoprienko, 36 anos.

Primeiramente, Onoprienko admitiu que havia roubado uma arma, e depois admitiu que a havia usado em um recente assassinato. Onoprienko confessou aos investigadores que ele matou pela primeira vez em 1989. Ele conheceu um amigo, Sergei Rogozin, em uma academia local onde os dois trabalhavam. Os dois se deram bem e começaram a passar muito tempo juntos, eventualmente agiam juntos em alguns crimes. Eles começaram a roubar casas para complementar suas pequenas rendas.

No entanto, em uma noite enquanto estavam roubando uma isolada casa fora da cidade, os proprietários descobriram os dois intrusos. Armados com armas, os dois parceiros mataram os donos da casa. Para encobrir seus rastros, eles mataram toda a família, dois adultos e oito crianças. Onoprienko informou aos investigadores que poucos meses depois a parceria com Sergei Rogozin foi desfeita e ele matou mais cinco pessoas depois de tentar roubar um carro, incluindo um garoto de 11 anos que estava dormindo no banco traseiro. Ele então queimou os corpos.

Anatoly Onoprienko durante interrogatório em 1996.

“Nessa época eu era uma pessoa diferente, se eu soubesse que havia cinco pessoas dentro daquele carro eu teria deixado quieto. Não tinha nenhum prazer no ato de matar. Cadáveres são feios, fedem e mandam vibrações ruins. Depois que eu matei a família no carro, eu dirigi o carro com os corpos dentro por duas horas sem saber o que fazer com eles. O cheiro era terrível”.

[Anatoly Onoprienko]

Pouco tempo depois, Onoprienko estava voltando da cidade de Odessa quando avistou um Lada bege nos arredores de Melytopol. Ele decidiu roubar o carro, Onoprienko bateu na janela, mas o motorista Yevgeny Podolyak, 35 anos, percebeu que ele estava armado; ao tentar tomar a arma de Onoprienko, Yevgeny foi morto. O que ele não sabia era que dentro do carro estavam a esposa de Yevgeny e suas três irmãs, Valentina, 27 anos, Paula, 25 anos e Lena, 22 anos. Ele matou todas. Novamente Onoprienko queimou os corpos.

Onoprienko afirmou que após os assassinatos ele tentou se matar.

“Após o último assassinato, em 1989, eu tentei cometer suicídio. Coloquei uma arma na minha cabeça, mas parecia que a bala não saía, não era para eu morrer.”

Após os assassinatos, os investigadores descobriram que Onoprienko passou vários anos viajando pela Europa. Passou por Hungria, Iugoslávia, Grécia, Espanha e Suécia antes de ser deportado de Munique em 1992 por estar no país ilegalmente. Voltou para a Hungria seis meses depois, depois de atravessar a nado o rio Tess. Ele admitiu ter vivido de pequenos roubos e assaltos mas negou que tenha cometido algum assassinato.

Em novembro de 1995, Onoprienko está de volta à Ucrânia e aparece na porta da casa de um primo, o capitão Pyotr Onoprienko. Seu primo o acolheu, lhe apresentou Anna Kozakh, uma cabeleireira da cidade, separada e mãe de dois filhos. Os dois começaram a namorar. Um mês depois, a mulher de Pyotr encontrou armas e objetos suspeitos no quarto de Anatoly Onoprienko e Pyotr pediu para que ele fosse embora.

Em 22 de dezembro de 1995, ele invadiu a isolada casa da família Zaichenko, na Garmarnia. Ele assassinou o professor, juntamente com sua esposa e seus dois jovens filhos com uma espingarda de cano duplo e cerrado. Ele então fugiu com os anéis de casamento do casal, uma pequena cruz dourada, brinco e uma trouxa de roupas. Antes de deixar a cena do crime, ele incendiou a casa.

“Eu apenas atirava neles, não que isso me dava prazer, mas eu sentia esse impulso”, disse Onoprienko.

A partir daí, começava o seu jogo mortal.

Onoprienko informou aos investigadores que ele havia tido uma visão de Deus, que o ordenava a matar, e apenas nove dias depois, matou uma família de quatro pessoas, antes de queimar sua casa. Todas as vítimas foram mortas com tiros. Ele alegou que enquanto ele fugia da cena do crime, foi flagrado por um homem na estrada e decidiu matá-lo, para que não houvesse nenhuma testemunha que o pudesse identificar na cena do crime. Poucos dias depois, em 6 de janeiro de 1996, Onoprienko deixou um rastro de morte auto-estrada Berdyansk-Dnieprovskaya.

“Para mim era como caçar. Caçar gente. Eu ficava sentado, entediado, sem nada para fazer. E de repente, essa ideia aparecia na minha cabeça. Eu fazia de tudo para que esse pensamento saísse da minha cabeça mas não conseguia. Era mais forte do que eu. Então eu saía em um carro ou pegava um trem para matar”.

[Anatoly Onoprienko]

Onze dias depois, Onoprienko atacou novamente. Em 17 de janeiro de 1996, ele dirigiu até Bratkovychy e invadiu a casa da família Pilat.

“Eu olhei e era muito simples. Farejei como um animal. Olhei como um lobo olha para uma ovelha”, disse Onoprienko.

Ele exterminou a família inteira. Após os assassinatos, pouco antes do amanhecer, ele queimou a casa. Enquanto ia embora, foi flagrado por duas testemunhas, o trabalhador ferroviário Kondzyola Galina e Stepan Zakkarko. Ele não perdeu tempo e matou os dois a sangue frio.

Em 19 de fevereiro de 1996 foi a vez da família Dubchak. Onoprienko matou o pai e o filho, e atacou a mãe e a filha até a morte com um martelo antes de ir embora. Ele afirmou que a garota havia testemunhado ele assassinando seus pais e estava rezando, quando ele entrou no quarto.

“Segundos antes deu esmagar sua cabeça, eu pedi a ela para me mostrar onde eles guardavam dinheiro. Ela me olhou com um olhar de raiva e desafiador: ‘Não direi’, ela disse. A força que eu a ataquei foi inacreditável, mas eu não senti nada”.

Ao ser perguntado por que matava famílias e crianças indefesas Onoprienko disse:

“Ah, você sabe, eu matei eles porque eu os amava muito, aquelas crianças, aqueles homens e mulheres. Eu tinha que matá-los, aquela voz interior falava dentro da minha mente e dentro do meu coração e me empurrava para eles”.

Segundo Onoprienko, seu último assassinato ocorreu em 22 de março de 1996, quando ele viajou até a pequena vila de Busk, pouco depois de Bratkovychy, e assassinou a família Novosad, quatro no total. Ele atirou neles e queimou a casa para apagar qualquer evidência.

Na foto: Anatoly Onoprienko

Anatoly Onoprienko.

“Não sou um maníaco. Se eu fosse eu atacaria você aqui agora e o mataria com facilidade. Não, não é tão simples. Eu tenho sido tomado por uma força maior, alguma coisa telepática ou cósmica, que me controla. Eu sou como um coelho em um laboratório. Parte de um experimento para provar que o homem é capaz de matar e aprender a viver com seus crimes. Para mostrar que eu posso lidar, que eu posso suportar qualquer coisa, esquecer tudo”.

[Anatoly Onoprienko para o general Bodgan Romanuk]

Os investigadores questionaram Onoprienko até as 6h da manhã, e ele confessou a autoria de mais de 50 assassinatos no período de três meses. Ficaram a maioria do tempo conversando sobre os detalhes de cada crime. Não havia motivos para os assassinatos de Onoprienko e ele afirmou várias vezes que ele deveria ser estudado como um fenômeno da natureza e que uma força inteligente superior havia dado ordens para ele matar.

Cidadão O


.

Uma série de cinco interrogatórios foram feitos e a todo momento Onoprienko dizia a Teslya que era comandado por Deus para matar, e que ele havia sido escolhido por ser uma espécie superior. Ele alegou que poderia exercer fortes poderes hipnóticos, controlar telepaticamente animais e parar seu coração com sua mente. Teslya disse que achava que seus poderes hipnóticos eram interessantes e perguntou a Onoprienko se ele poderia tentar seus poderes em Teslya. Ele disse então que seus poderes funcionavam apenas com pessoas fracas, e que Teslya não era uma pessoa fraca o suficiente.

Onoprienko revelou que ele passou um tempo em um hospital em Kiev tratando de esquizofrenia. Teslya não pôde verificar essa informação por ser o investigador chefe do caso, mas ela foi confirmada posteriormente pelo Ministro do Interior de Kiev, o investigador Alexander Tevashchenko. Anatoly Onoprienko era o Cidadão O.

Em 19 de abril de 1996, a investigação foi passada das mãos de Teslya para investigadores do Ministério Federal do Interior. Quando sua semana de interrogatórios do suspeito acabou, Teslya concluiu que Onoprienko era genuinamente insano e que tinha agido sozinho.

“Havia muitos rumores que ele era parte de uma gangue, mas meu sentimento era que os motivos de suas falas, e seus poderes especiais, não foram fabricados. Eu posso estar errado, mas é o que eu penso. Embora, pensando racionalmente, eu não acho que ninguém a não ser um único assassino possa ter matado tanto. Em uma gangue alguém sempre acaba falando, alguns bebem, outros sussurram algo para alguma namorada e tudo está perdido”.

[Yavoriv Teslya]

Yavoriv Teslya ainda diz: “Meu sentimento, e o sentimento de todos que o interrogaram, é que ele não nos disse tudo. Não achamos que essa história acabou”.

Teslya se refere ao período que Onoprienko passou viajando pela Europa. Os investigadores acham impossível que Onoprienko tenha conseguido controlar seu ímpeto de matar. Entretanto, Onoprienko não diz uma palavra desse período da sua vida.

Modus Operandi


.

Uma caçada na noite, uma família indefesa, a escuridão e o silêncio da noite como cúmplices. Facas, machados e escopetas eram as armas que Anatoly Onoprienko empunhava com extrema frieza. Sem sentimentos e piedade, realmente como um Exterminador.

Anatoly Onoprienko escolhia casas isoladas em locais longe dos grandes centros. Como um lobo atrás de sua caça, observava de longe todos os passos da família dentro da casa. Via onde os adultos dormiam. Matava primeiramente os homens com tiros de escopeta. Matava as mulheres com facadas ou marteladas, as vezes matava com tiros no rosto. Decepava os dedos delas para ficar com os anéis. Crianças eram mortas na maioria das vezes asfixiadas, segundo o próprio agressor “elas não me ofereciam risco, assim economizava as balas”. Algumas famílias foram esquartejadas e os pedaços espalhados pela casa para que ao queimar a casa a identificação ficasse mais difícil.

“Através das janelas eu observava onde eram os quartos dos moradores. Primeiramente eu matava os homens, os chefes da família. As mulheres imploravam para não matá-las. Quando elas me davam suas jóias, eu encostava a escopeta no rosto delas e atirava. Depois era a vez das crianças. As vezes eu bebia champagne que encontrava nas casas.”

[Anatoly Onoprienko]

Anatoly Onoprienko e investigadores reconstituem seus crimes. Créditos: History Channel. 

A reconstituição dos crimes feita pela polícia. Créditos: History Channel. 

A reconstituição dos crimes feita pela polícia. Anatoly mostra como matou uma de suas vítimas.

Julgamento


.

Foi tudo preparado para que Anatoly Onoprienko fosse condenado à morte. Se ele fosse considerado insano, não teria nem julgamento; seria internado em um hospital psiquiátrico. E isso, nem mesmo o presidente da Ucrânia na época queria. “Não vejo outro desfecho para ele senão a morte.”

Anatoly Onoprienko, conhecido como “O Exterminador”, chega para o seu julgamento em 12 de fevereiro de 1999.

Mas mesmo que psiquiatras declarassem Anatoly Onoprienko mentalmente são para o julgamento, os procedimentos não começariam até novembro de 1998. Julgamentos na Ucrânia não podem começar até que o réu leia todas evidências contra ele e, no caso de Onoprienko, havia milhares de páginas; 99 volumes de álbuns de fotos, mostrando corpos desmembrados, carros, casas e objetos aleatórios roubados das vítimas. Outra razão para o atraso era dinheiro. O juiz do caso teve de aparecer na televisão para que o governo ucraniano alocasse os fundos necessários para o lento julgamento.

Em 23 de novembro de 1998, como era de se esperar, a corte ucraniana decidiu que Anatoly Onoprienko, 39 anos, era mentalmente competente e poderia ser responsabilizado por seus crimes. A corte regional em Zhytomyr disse que Onoprienko não sofria de qualquer doença psiquiátrica, estava consciente e no controle dos atos que cometeu, e não precisava de nenhum exame psiquiátrico extra.

O julgamento começou na cidade de Zhytomyr, 160 quilômetros a oeste de Kiev, em 12 de fevereiro de 1999. Como o conhecido Açougueiro de Rostov, Andrei Romanovich Chikatilo, Onoprienko foi mantido em uma jaula de ferro; foi cuspido e enfureceu-se com o  público presente. Centenas de pessoas se amontoavam juntas nas cadeiras e gritavam:

“Deixe-nos estraçalha-lo!”… “Ele não merece um tiro. Ele precisa agonizar e morrer lentamente.”

O julgamento do Exterminador ucraninano.

O fórum ficou lotado de parentes das vítimas. Com medo de que a multidão fizesse justiça pelas próprias mãos, policiais faziam vistorias no público, sacolas eram revistadas e as pessoas passavam por um detector de metais antes de entrar na corte. O medo geral era que Onoprienko fosse sentenciado a apenas 15 anos de prisão, a sentença máxima para assassinato na Ucrânia.

Na Foto: Anatoly Onoprienko. Durante todo julgamento, Onoprienko foi mantido em uma jaula de metal.

Anatoly Onoprienko. Durante todo julgamento, Onoprienko foi mantido em uma jaula de metal.

Na foto: Anatoly Onoprienko.

Anatoly Onoprienko.

Anatoly Onoprienko.

Na foto: Anatoly Onoprienko durante seu julgamento.

Anatoly Onoprienko durante seu julgamento.

Na foto: Anatoly Onoprienko

Anatoly Onoprienko.

Durante o julgamento Onoprienko disse poucas palavras. Perguntado se ele gostaria de fazer uma declaração ele deu de ombros e respondeu: “Não, nada.” Informado sobre seus direitos legais ele rosnou: “Essa é sua lei.” Quando perguntado sobre sua nacionalidade, ele respondeu: “Nenhuma”.. Quando o juiz Dmitry Lipsky disse ser impossível essa nacionalidade, Onoprienko revirou os olhos e respondeu: “Bem, de acordo com os oficiais, eu sou ucraniano.”

Onoprienko alegou que ele se sentia como um robô comandado a anos por uma força negra e argumentou que ele não deveria ser tentado até que as autoridades determinassem a fonte da força.

“Você não é capaz de me aceitar do jeito que sou. Você não é capaz de ver todo o bem que eu vou fazer, e você nunca irá me entender. Essa é uma grande força a qual também controla essa corte. Você nunca irá entender isso. Talvez apenas os seus netos entenderão”, disse Onoprienko ao juiz.

O advogado de Onoprienko, Ruslan, Moshkovsky, não contestou a culpa do seu cliente, mas culpou a inépcia dos investigadores pela extensão de sua fúria e pediu que sua infância em um orfanato fosse visto como uma circunstância atenuante. No entanto, para o promotor Yury Ignatenko, os exames psiquiátricos confirmavam que a fúria de Onoprienko era algo de sua própria natureza violenta.

“Em toda sociedade existem pessoas que devido a sua natureza, são aptas a matar e existem aquelas que nunca farão isso. Onoprienko levava uma vida dupla, isso mostra que ele sabia o que fazia e podia enganar a todos”, disse o promotor.

Um representante da corte, Stepan Bilitski, disse:

“Ele é igual a você ou a mim. Um homem que é mentalmente doente mata uma pessoa e pode ser facilmente pego. Matar tantas vezes sugere inteligência e esperteza. Ele sabia o que estava fazendo.”

Em dado momento, Onoprienko disse à corte que ele era comandado pelo demônio, com poderes superiores e misteriosas vozes. Ele assumiu para os jurados que ele era culpado de todas as acusações contra ele, entretanto insistiu que não sentia nenhum remorso. “Eu mataria hoje. Hoje eu sou a besta do satã”, disse ele.

“Eu era metade homem, metade diabo. Na época dos crimes minha parte homem até sentia algum arrependimento. Mas agora eu sou o diabo em pessoa e não me arrependo de nada. Sou o maior assassino do mundo.” Anatoly Onoprienko.

Após a apresentação de 100 volumes chocantes de evidências e da própria admissão de culpa pelo réu, os argumentos finais começaram em abril de 1999. O promotor Yury Ignatenko perdeu um pouco de tempo em pedir a pena de morte: “Tendo em vista o extremo perigo que Onoprienko representa como pessoa, eu considero que ele mereça também uma punição extrema, na forma de sentença de morte”, disse Yury em sua fala final.

“De acordo com o código criminal Ucraniano, Onoprienko é sentenciado à morte por fuzilamento”, disse o juiz Dmytro Lypsky.

O advogado de Onoprienko, Ruslan Moshkovsky, uma vez mais tentou ganhar a simpatia da corte: “Meu cliente tinha por volta dos quatro anos de idade quando foi privado do amor da sua mãe. A falta de carinho foi um fator fundamental na construção dele como um homem. Eu apelo à corte… amenizem à sua punição”.

Com o julgamento encerrado, a corte se retirou para esperar o veredito do juiz.

Após três horas de deliberação, o Juiz Dmytro Lypsky chamou a corte de volta para a sessão. Onoprienko abaixou sua cabeça, olhando para o chão de sua jaula de metal enquanto a sentença era lida.

Em sua fala à corte, Onoprienko disse:

“Eu roubei e matei, mas eu sou um robô, eu não sinto nada, eu estive perto da morte muitas vezes que para mim agora aventurar-se no outro mundo será muito interessante, ver o que está lá, após a morte.”

As leis ucranianas não contemplavam a pena de morte, mas em um caso raro no judiciário em todo mundo, devido aos bárbaros crimes de Anatoly, uma exceção foi feita. Em uma pesquisa de opinião feita por uma emissora local, 80% do país queria que ele fosse executado.

As leis da União Européia eram contrárias à pena de morte. Na época a Ucrânia tentava entrar no bloco dos países europeus, mas a condenação de Onoprienko a morte não foi bem vista pela comunidade, por isso, algum tempo depois, a sentença foi mudada para prisão perpétua.

Quem é Anatoly Onoprienko?


.

O ator austríaco Arnold Schwarzenegger interpretando o personagem “The Terminator (O Exterminador)”em cenas do Filme “The Terminator (No Brasil: O Exterminador do Futuro”) de 1984. No filme, o Exterminador é um notório soldado e robô assassino, desenvolvido por um supercomputador militar (Skynet) para infiltração e combate com o objetivo único de exterminar a raça humana. Não sente dor, remorso ou medo. 

“Até determinado momento eu lamentava a morte. Mas quando estava na Grécia tive uma visão. A partir desse momento, matar seria meu objetivo, atuaria como um autômato. A partir de agora todos me conheceriam como um robô capaz de matar sem pestanejar.”

[Anatoly Onoprienko]

Parece claro que O Exterminador ucraniano sofría de algum distúrbio mental, mas não foi isso o que disse uma junta médica do governo que o analisou na época. “Seu comportamento é extraordinário. Ele estava apenas se exibindo… Quando esses crimes foram cometidos, Onoprienko estava com plena consciência de suas faculdades mentais. Ele estava apto a entender o que estava cometendo em todos os seus assassinatos.”

Mas o psiquiatra Halyna Shurenok, hoje diretor-chefe do Hospital Pavlov em Kiev, e o médico que em 1994 deu um diagnóstico de esquizofrenia para o Cidadão O, tem uma opinião diferente:

“Eu examinei Onoprienko apenas uma vez. Hoje, olhando para trás, em meu breve encontro com ele, no seu mimetismo, comportamento, a pose com que o paciente sentava na cama, posso confirmar o diagnóstico que fiz. Além disso, naquela época, Onoprienko não tinha nenhum motivo para fingir uma doença. Ele estava se comportando naturalmente e reagiu de forma adequada aos medicamentos neurolépticos. O organismo de uma pessoa saudável reage a tais injeções completamente diferente. Um especialista não pode dizer categoricamente que aquele paciente não sofre de transtornos mentais, mesmo que temporários.”

“Assistindo os programas de TV, eu, como um psiquiatra, não consigo entender porque a comissão de especialistas forenses ignora o que ele diz sobre as vozes, discos voadores e forças intergaláticas. Esses tipos de declarações sempre tem sido interpretadas no mundo psiquiátrico como sintomas de esquizofrenia. Os especialistas devem prestar atenção na sua própria motivação para os crimes, ele diz: ‘Eu matei as crianças para que elas não ficassem órfãs.’ Me surpreende que a análise dos especialistas tenha sido feita na presença de policiais e militares e que tenha levado apenas 28 horas. Segundo a lei, um paciente deve ser mantido sob supervisão médica constante por um mês. O que também levanta suspeitas é o fato dos especialistas não terem convidado ou ouvido nenhum dos médicos que trataram Onoprienko em 1994. A comissão nem sequer analisou o exame.”

Vicente Garrido


.

Vicente Garrido Genovés (1958). Vicente Garrido é um criminólogo e psicólogo espanhol. Graduado em criminologia em 1980 pelo Instituto de Criminologia da Universidade  Complutense de Madrid. Publicou duas teses famosas na área de criminologia. Uma em 1982, chamada: “Psicologia e Tratamento Penitenciário: uma aproximação”  e outra “Delinquência e Sociedade”, em 1984, a qual ganhou o grau de doutor em Psicologia pela Universidade de Valência. É professor associado de Psicologia Penal e Educação Correcional na Universidade de Valência.  Fez um pós-doutorado na Universidade de Ottawa no Canadá em 1986. É professor visitante desde 1991 da Sociedade Britânica de Psicologia na Universidade de Salford, no Reino Unido.

Sobre Anatoly Onoprienko, Vicente Garrido, tem a seguinte opinião:

“É um tipo de assassino frio, implacável, que atua como um robô. Diferentemente de Richard Ramirez que invadia casas e matava mulheres, mas nunca crianças, Anatoly Onoprienko é um assassino global, um assassino total; dos seus 52 assassinatos, 45 foram famílias inteiras, homens, crianças e mulheres. Sua comparação com a figura de um aniquilador, do Exterminador do Futuro, que também usava uma escopeta de cano curto para matar, é perfeita. Ele não perdia tempo. Seus crimes não tinham conotações sexuais, era apenas matar por matar, da maneira mais rápida ou frenética possível. Através das falas de Anatoly encontramos três figuras de sua personalidade. A primeira é a figura de um seguidor de Satã, a segunda é a figura de um cumpridor da ordem de Deus e a terceira a figura de um robô que é parte de um projeto experimental guiado por forças intergaláticas. O que podemos concluir disso? A chave central em tudo isso é a seguinte: ‘Eu sou naturalmente superior a todos os humanos’. Anatoly se considera um ser superior, então todos os seus atos estão justificados, pois ele está cumprindo ordens de seres completamente superiores aos humanos: Satã, Deus ou uma entidade alienígena. Quando ele diz ‘Eu sou como um coelho em um laboratório. Parte de um experimento para provar que o homem é capaz de matar e aprender a viver com seus crimes. Para mostrar que eu posso lidar, que eu posso suportar qualquer coisa, esquecer tudo’. Vejo aqui a diferença entre compreender e sentir. Anatoly compreende a gravidade dos seus delitos mas não sente nada pelo que faz. Em sua cabeça fantasiosa. Seu pensamento é: ‘Meu deus, matei aquela menina de uma forma tão brutal e não senti nada, isso não está certo…’ então ele procurou uma justificação para sua matança. Como ele pode entrar em uma casa, esquartejar uma família, queimar todos e sentir que ele está cumprindo uma justiça? Sua conclusão foi: ‘Não será eu parte de um projeto, de um experimento, o qual me usam como cobaia para provar que eu sou um ser superior? Não será eu, um instrumento que mostra minha evolução superior?’ Para ele, todos que o rodeiam são fracos, ele é superior a todos. Anatoly Onoprienko é a pessoa que mais pode mostrar até que ponto um ser humano pode se tornar inimigo de si mesmo e, o mais terrível, é que não podemos evitar isso. Anatoly é um caso muito interessante, dá um pouco de medo, mas é necessário sentir esse medo, para vermos que o ser humano tem muitas caras e ninguém pode dizer quem é que possui a cara da maldade.”

Entrevista com o Exterminador


.

Anatoly Onoprienko sempre recusou-se a falar com qualquer pessoa sobre seus assassinatos, na prisão, foram poucos os psiquiatras que o fizeram falar alguma coisa. Ao invés de falar, ele prefere levar para a sepultura a maioria dos segredos de seus 52 assassinatos. Mas em 1999, Anatoly Onoprienko quebrou o silêncio e deu uma entrevista para o jornal inglês Sunday Mirror. A matéria foi publicada no dia 28 de março de 1999.

O diretor da prisão, Viktor Karbovski, adverte o jornalista: “Ele não é humano, ele não vem de Deus. Ele vem do Diabo. Ele pode parecer normal, mas se voce tocar em uma área sensitiva, seus olhos mudam completamente e você verá o assassino”.

A porta é aberta, sua cela é pequena. Anatoly diz:

“Feche a porta para que esses malditos mosquitos não apareçam.”

Anatoly olha para o chão, mas quando ganha confiança, encara o jornalista. Ao ser questionado se mataria, ele diz: “Não posso dizer com certeza se eu mataria você ou não, mas dada uma chance, provavelmente sim.”

“Eu poderia te dizer exatamente que tipo de pessoa você é quando vi você  caminhando até minha cela”, diz ele em um eco assustador de Hannibal Lecter de O Silencio dos Inocentes.

“Para mim você é transparente. Eu sei que tipo de pessoa você é apenas olhando para você.”

Quando Anatoly fala sobre os assassinatos ele fica agitado. Quando recorda detalhes específicos das mortes seus olhos reviram e faz movimentos com a cabeça. Então, de repente, fica normal.

Sobre a prisão …

“Começei uma preparação para uma longa vida na prisão. Faço yoga, medito 90% do meu tempo, corro. Não tenho medo da morte. A morte para mim não é nada. Naturalmente eu preferiria à pena de morte. Eu não tenho absolutamente nenhum interesse em relacionamentos com pessoas.”

Sobre sua infância…

“Tive uma boa infância.”

O primeiro contato com a morte …

“A primeira vez que eu matei, foi um cervo na floresta. Estava nos meus 20 anos e eu me lembro que eu fiquei bastante triste quando eu o vi morto. Não podia explicar porque eu tinha feito aquilo, e me sentia triste. Eu nunca tive aquele sentimento de novo.”

Sobre matar…

“Quando eu matava não era nada mais do que um experimento. Eu sentia exatamente como um doutor em uma cirurgia.” 

Se ele sair da prisão …

“Se eu for solto, vou começar a matar de novo, mas desta vez será muito pior, dez vezes pior. A vontade está lá. Aproveitarei essa chance porque eu estou pronto para servir a Satanás. Depois do que eu aprendi lá fora, definitivamente não tenho concorrentes em minha área. E se eu não for morto eu escaparei desta jaula e a primeira coisa que farei será achar Kuchma (Presidente ucraniano) e pendurá-lo em uma árvore por seus testículos… Não há dúvida de que eu escaparei desta jaula. E quando eu fizer, os assassinatos serão muito piores. Especialmente para aqueles que me insultaram. Eu sempre digo que matarei 360.

Seu rosto não tem expressão quando ele descreve seu primeiro crime (Alexander e Ludmilla Melnik, mortos dentro de um carro em 1989). Ele descreve como se estivesse lendo um menu.

“Eu tinha 30 nessa época. Deveria se apresentar à polícia como um crime espontâneo mas eu tive que planejar isso. Tive que ser astuto, eu tinha que selecionar as vítimas. Não foi um caso de sorte.”

“Eu não senti nada durante o assassinato, antes ou depois. Para mim as pessoas eram tão objetos quanto seus carros. Não estava nem ai se essas pessoas eram familiares e tinham laços. Isso não me pararia. Se eu tiver que destruir alguém, ninguém poderá me deter, nem mesmo essa prisão.”

“Seus leitores irão ler e provavelmente não irão entender porque eu fiz o que fiz. Pessoas não entendem Jesus Cristo mesmo centenas de anos após sua morte. Será o mesmo comigo.”

Se ele é Cristo …

“Talvez existam implicações religiosas no que eu fiz.”

Matar uma criança de 2 anos é algo religioso?

“Talvez não Cristo, mas o anti-Cristo. Eu tenho uma mensagem que eu gostaria de passar. Eu sempre vi 1999 como significativo. É quase que 666 de cabeça para baixo. Quanto a matar uma criança de 2 anos de idade realmente não faz diferença. Sempre houve crianças de 2 anos antes e sempre haverá depois.”

Onoprienko atualmente reside no corredor da morte e as autoridades ainda procuram uma sequência de assassinatos ocorridos entre 1989 e 1995. Existe essa lacuna na vida de Onoprienko durante a qual ele não fala e a qual não pode ser contabilizada, ele continua suspeito em dezenas de mortes ocorridas nesse período.

Ao final da entrevista, Onoprienko pergunta ao fotógrafo: “Como você gostaria de uma foto minha que hipnotizaria o mundo?”

Realmente ele é o Cidadão O, alguém duvida?

O pequeno Anatoly Onoprienko.

Anatoly Onoprienko.

Na foto: A mãe de Anatoly Onoprienko. Créditos: Murderperdia.

A mãe de Anatoly Onoprienko. Créditos: Murderperdia.

Na foto: A casa da família Onoprienko. Créditos: Murderperdia

A casa da família Onoprienko. Créditos: Murderperdia.

Morre Anatoly Onoprienko


Texto atualizado em 30 de Agosto de 2103

“Eu confirmo essa informação. A morte foi registrada as 17h15. O diagnóstico preliminar é ataque cardíaco”.

As palavras acima são do Diretor do Serviço Penitenciário ucraniano, Ihor Andrushko. E ela diz respeito a Anatoly Yuriyovych Onoprienko. Segundo o diretor, as 16h50 horas do dia 27 de Agosto de 2013, o serial killer foi encontrado inconsciente dentro de sua cela de número 240. Paramédicos foram chamados, e após 15 minutos de tentativas de ressucitação, um dos mais letais e notórios serial killers da história moderna foi declarado oficialmente morto.

De acordo com dados preliminares, Onoprienko morreu de doença cardiovascular aguda. Médicos da prisão disseram que nos últimos meses, Onoprienko queixava-se de dor no peito e falta de ar. Segundo Anatoly Bobrynev, vice-diretor do Serviço Penitenciário ucraniano, os médicos e carcereiros ficaram surpresos com as queixas de Onoprienko já que ele nunca havia se comunicado com ninguém dentro do presídio desde que foi encarcerado para o resto de sua vida, 13 anos atrás. Onoprienko também não se comunicava com ninguém do mundo exterior. Segundo o vice-diretor, o serial killer não se considerava um homem, mas um ser muito acima da raça humana.

O corpo do serial killer não foi reclamado pela família e deverá ser enterrado dentro das instalações prisionais. As informações são do site russo Zhitomir.

Na foto: O Vice-Diretor Anatoly Bobrynev dá uma entrevista coletiva informando sobre a morte de Onoprienko. Créditos: Zhitomir.info

O Vice-Diretor Anatoly Bobrynev dá uma entrevista coletiva informando sobre a morte de Onoprienko. Créditos: Zhitomir.info

A última entrevista


.

Apesar de não se comunicar dentro da prisão, Onoprienko concedeu, a menos de um mês, aquela que seria sua última entrevista. Ele falou com uma repórter da rede ucraniana ICTV. Ao ser questionado pela jornalista sobre os assassinatos, ele mais uma vez disse:

seta

Anatoly Onoprienko, última entrevista

Anatoly Onoprienko, última entrevista.

Anatoly claramente é uma pessoa doente e acredita veemente que os assassinatos foram obra não dele, mas de algo que está além de sua compreensão.

“É importante saber por que isso aconteceu. Saber a verdade”, diz ele para a repórter.

A matéria, em ucraniano, pode ser vista neste link.

Felizmente Anatoly Onoprienko não cumpriu sua promessa. É claro que não cumpriria, pois nunca conseguiria escapar de onde estava. O paranoico esquizofrênico, que acreditava ser domado por uma força sobrenatural, finalmente poderá encontrar com o seu mestre, mesmo que ele tenha uma aparência não muito bonita. Crenças a parte, um do mais assustadores casos de assassinatos em série da história moderna tem o seu capítulo final. E a última frase dessa macabra história, deixo para um residente da vila de Bratkovichi, onde uma dúzia de pessoas morreram pelas mãos do Exterminador:

“Graças a Deus, deixe-o ir para o inferno!”.

Informações:


.

Nome: Anatoly Yurievich Onoprienko

Conhecido como: O Exterminador, A Besta da Ucrânia, Cidadão O

Nascimento: Laski, Zhitomir Oblast, Ucrânia. 25 de julho de 1959

Captura: 16 de abril de 1995 (36 anos)

Julgamento: 12 de fevereiro de 1999

Acusação: Assassinatos

Sentença: Prisão Perpétua

Vítimas: 52 confirmadas

Período: 1989 a 22 de março de 1996. Ucrânia

Morte: 27 de agosto de 2013 (54 anos)

Causa da morte: ataque cardíaco

“Quando eu escapar e matar mais pessoas eu serei o homem mais famoso do mundo”.
[Anatoly Onoprienko]

Curta O Aprendiz Verde No Facebook

“Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.” (Platão)

Deixe o seu comentario:
  • Estudante Psi

    Sempre leio seu Blog, toda semana venho aqui em busca de novas postagens sobre serial killers (principalmente), devo lhe parabenizar pela qualidade da investigação que você faz.
    Sobre esse caso, realmente ele foge (e como foge!) a regra; todos o assassinos em série que vi matavam por prazer, para sentir isso antes ou depois de matar. É evidente que esse cara além de não ser um psicopata nato tem esquizofrenia paranóide – o que justifica as vozes e a capacidade intelectual e racional cada vez mais diminuídas. Um monstro diferente daqueles que se satisfazem com a morte, talvez um monstro pior do que os outros, pois se move pela compulsão pura e simples de matar.
    Um mistério que talvez só nossos netos possam entender mesmo…
    Continui sempre com suas postagens sobre serial killers, com certeza não falta gente ansiosa para lê-las!

    • Obrigado !! … Devido ao aprofundamento nos posts acabo por demorar a publicar … não dá pra publicar toda semana … mas com certeza tem muitos posts ainda por vir !!
      Abraços !

      • Juliana

        Não se preocupe com a periodicidade, pois seus posts são tão bem feitos que dá vontade relê-los!

  • Fátima

    Vocês são ótimos…!!!! The best!!!!!!! Sem apelação, sem dramas, pieguices… Os fatos, por eles mesmos. Enfoque jornalístico sem senssassionalismo. Adoro ler vocês! Sempre me fascinam historias reais ou não de serial killers. Tentar entender…? Não tem como… Mas buscar algumas poucas respostas pra tanta maldade e sordidez. Vocês sabem como contar.

  • Pingback: Cinema: 77 Filmes de Serial Killers | O Aprendiz Verde()

  • O ELIMINADOR

    Bom texto.

  • Pingback: Documentário: Meu Mundo Maravilhoso ou Contra Chikatilo ... | Blog O Aprendiz Verde()

DarkSide Books

RELACIONADOS

Dupla Identidade – Bruno Gagliasso

Glória Perez

Ilana Casoy

OAV TV

OAV TV

Queremos Você!

Queremos Você!

O Aprendiz Verde no Whatsapp!

OAV no Whatsapp

Siga-nos no Twitter

Siga-nos no Facebook!

21 Anos de Arquivo-X

20 Anos da Execução de Andrei Chikatilo

20 Anos da Execução de John Wayne Gacy

O nascimento de um serial killer

Categorias

Contribua com O Aprendiz Verde!

Bate-Papo

Blogs Brasil

Follow

Get every new post delivered to your Inbox

Join other followers

Follow

Get every new post delivered to your Inbox

Join other followers