Crimes Históricos: 22 notórios e horripilantes crimes de 2012

22 Notorios e Horripilantes Crimes de 201222 Notorios e Horripilantes Crimes de 2012

Não há dúvidas. O ano de 2012 será para sempre lembrado como um ano de crimes horripilantes. Não me lembro de nos últimos tempos ter tido um ano com tantos crimes violentos e macabros. Pais e mães que matam filhos, filhos que matam pais, amigos que matam amigos, mulheres que esquartejam os maridos, homens que comem o rosto de outros, venda de carne humana nas ruas… esse ano teve de tudo.

Neste post faço um review sobre os mais notórios e horripilantes crimes ocorridos esse ano. É claro que não dá para falar de todos os crimes, muitos deles ocorridos mundo afora eu nem mesmo tenho conhecimento. Muitos outros nem temos informações, como, por exemplo, o caso de uma criança indígena de 8 anos queimada viva por madeireiros no Maranhão. Normalmente, crimes envolvendo indígenas, pobres, pretos e outros grupos marginalizados pela sociedade são negligenciados pela mídia, polícia, autoridades, etc. Nem mesmo ficamos sabendo.

Mas aqui estão 22 crimes ocorridos este ano escolhidos por sua notoriedade e impacto. Aqui você verá de tudo. Crimes envolvendo assassinos em série, assassinos em massa, psicopatas, ritualistas, mulheres traídas, crimes de honra, etc e etc.

Esteja preparado para ver que o mundo não é esse arco-iris colorido que você imagina ser. Vai encarar?

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Cozinhando com o AlemãoCozinhando com o Alemão

5 de janeiro de 2012. Berlin, Alemanha

Em 5 de janeiro de 2012, um fetiche sadomasoquista durante o ato sexual terminou mal para um casal de homossexuais alemães, ou melhor, terminou mal para um deles. Alguma coisa deu muito errada e um deles morreu durante o ato sexual. Nada demais até ai não tivesse o parceiro que “sobreviveu” ter resolvido “apimentar a relação”. Ele esquartejou todo o corpo do parceiro e cozinhou sua cabeça em uma panela.

A identidade dos dois homens não foram reveladas, assim como outros detalhes do caso. Segundo as autoridades alemãs isso é necessário para preservar a identidade de ambos.

Segundo informações da agência de notícias alemã DPA, os dois homens se conheceram pela internet e começaram um relacionamento. Os dois praticavam sexo sadomasoquista e no dia 5 de janeiro de 2012, um deles foi amarrado a cama e teve sua boca e nariz tapados com fita. Tudo com o seu consentimento. Em dado momento o homem de 37 anos morreu, e ao perceber a morte do parceiro, o outro homem, de 44 anos, o esquartejou e cozinhou sua cabeça.

O corpo foi encontrado quatro semanas depois quando policiais chegaram na casa do acusado e o encontraram encharcado de sangue. Ele havia acabado de tentar o suicídio.

O julgamento do homem ocorreu a poucos dias, no dia 6 de dezembro de 2012. O juiz Peter Faust considerou o gosto por sexo sadomasoquista de ambos e concluiu que o réu não tinha nenhum motivo para assassinar o amante, pois “ambos gostavam um do outro”. O Juiz ainda relatou o fato de que dias antes da fatalidade, a vítima desmaiou durante a mesma prática que dias depois o levaria a óbito. Durante o julgamento, o réu disse que já havia praticado várias vezes o fetiche com outros homens.

A vítima possuía uma “vida dupla”, por isso não teve seu nome divulgado. A promotoria pediu pena de prisão perpétua mas o juiz condenou o homem a apenas três anos de reclusão por entender que ele não teve culpa na morte do amante. Estranho, não?

O Aprendiz Verde - Crime 2


John GraingerJohn Grainger

26 de Janeiro de 2012. Stockport, Inglaterra

“Os irmãos Jenkins atacaram o Sr. Grainger de uma forma terrível, cruel e violenta antes de atirar contra ele. O que se seguiu foi nada menos do que macabro”, disse Andy Tattersall, investigador da polícia de Manchester.

Na manhã do dia 26 de janeiro de 2012, um homem passava pela rua Wellington na cidade de Stockport, Inglaterra, quando notou um incêndio vindo de uma área ao lado de um prédio de apartamentos. Ele imediatamente chamou os bombeiros que logo chegaram. Não muito longe dali, a cerca de um quilômetro de distância, uma patrulha policial notou dois homens agindo de forma suspeita. Os policiais pararam os homens e no bolso de um deles encontrou seis cartuchos de espingarda. Um policial também notou uma mancha de sangue no sapato de um deles. Os policiais ainda abordavam os homens quando receberam uma mensagem urgente pelo rádio: O corpo de bombeiros havia encontrado um corpo carbonizado a pouco mais de um quilômetro dali.

Os dois homens foram presos na hora. Eles eram:


Na Foto: Os irmãos Anthony e Joseph JenkinsNa Foto: Os irmãos Joseph e Anthony Jenkins.

Na Foto: A Wellington Street, palco de um macabro assassinato n odia 26 de janeiro de 2012 em StockNa Foto: A Wellington Street, palco de um macabro assassinato no dia 26 de janeiro de 2012 em Stockport, Inglaterra.

Com um pouco de “pressão psicológica”, os irmãos levaram os policiais até um apartamento na Wellington Street, local onde minutos antes os bombeiros haviam encontrado um corpo queimando. Lá a polícia encontrou a cena de uma carnificina.

Na sala de estar, gigantescas manchas de sangue nas paredes e móveis denunciavam o horror. Uma serra elétrica ensopada de sangue jazia ainda plugada na tomada. Martelo, facas e uma navalha sujas de sangue foram encontrados em um banheiro. Nas proximidades a polícia ainda encontrou uma arma de fogo debaixo de um carro. Era hora dos irmãos começaram a falar.

O corpo queimado encontrado ao lado do prédio era de John Grainger, um amigo dos irmãos Jenkins.

O Crime

Os três passaram a noite anterior bebendo em bares no centro de Stockport. Depois foram a uma boate onde foram expulsos após jogarem cerveja na pista de dança. Os três, então, foram até um apartamento na Wellington street e, inexplicavelmente, os irmãos vitimaram John Grainger em um frenético ataque.

Descrito por sua família como um homem sociável e amável, John foi morto com requintes de crueldade pelos irmãos. Ao chegarem ao apartamento, os irmãos, sem motivo aparente, espancaram cruelmente o amigo, um patologista chegou a dizer que seu “crânio desintegrou-se em pedaços”. Após a sessão de espancamento, com direito a marteladas na cabeça e em várias partes do corpo, John foi esfaqueado nas pernas e baleado com uma arma de grosso calibre no joelho e cabeça. Os irmãos levaram o amigo morto para o banheiro onde tentaram decapitá-lo com uma faca de cortar pão, não conseguiram. Pegaram então uma serra elétrica, plugaram na tomada e decapitaram o amigo. Não satisfeitos pegaram o corpo e a cabeça e colocaram em sacos plásticos. Do lado de fora do prédio arrumaram uns pedaços de madeira e atearam fogo no corpo.


Na Foto: John Grainger. O fanático torcedor do Manchester United foi selvagemente e covardemente morto por dois amigos. Na Foto: John Grainger. O fanático torcedor do Manchester United foi selvagemente e covardemente morto por dois amigos.

Os irmãos foram julgados e condenados a prisão perpétua e deverão cumprir um mínimo de 30 anos de reclusão antes de pedirem liberdade condicional.

O Aprendiz Verde - Crime 3


Michele e Isabela

12 de Fevereiro de 2012. Queimadas, Paraíba. Brasil

Alguns crimes são difíceis de acreditar. Esse é um deles. A cidade de Queimadas, na Paraíba, é uma típica cidade do interior. Todo mundo conhece todo mundo, muitos são parentes, homens trabalhadores, mulheres guerreiras. É a típica cidade onde ninguém acredita que algum crime violento possa acontecer. Tudo bem que em qualquer canto do mundo um assassinato ou estupro pode acontecer a qualquer momento. Assassinatos, estupros e outros crimes são normais na raça humana. Mas o que aconteceu na pequena cidade de Queimadas assusta até mesmo quem vive numa cidade grande e violenta.

Eduardo dos Santos é um dos inúmeros jovens da cidade de Queimadas. No dia 12 de fevereiro de 2012, seu irmão Luciano dos Santos faria aniversário. E Eduardo quis dar uma festa de aniversário inesquecível para o irmão. Para isso ele convidou seus melhores amigos e amigas, 9 homens e 5 mulheres. A festa deveria ser tão inesquecível que ele arquitetou um plano diabólico com seus amigos. Todos queriam se divertir. O que eles fizeram?

Em dado momento da festa, que acontecia na noite do dia 12 de fevereiro, na casa do próprio aniversariante, Eduardo, seu irmão Luciano e outros 8 amigos apagaram as luzes da casa, colocaram máscaras, amarraram as convidadas e começaram a estuprar sistematicamente cada uma das meninas que estavam na casa, cinco no total.

Quer saber como terminou a festinha de aniversário preparada por Eduardo? Veja abaixo a reportagem de Marcelo Canelas, do programa Fantástico da Rede Globo.

Triste, não?

Em uma audiência no dia 18 de junho, as três sobreviventes da festa contaram que foram convidadas pelos acusados para a festa de aniversário de Luciano, juntamente com a professora Isabela Frazão, 27 anos, e a recepcionista Michele Domingos, 29 anos. A festa ocorreu na casa do aniversariante, no centro do município de Queimadas. Segundo elas, tudo parecia normal, até um grupo invadir a casa, anunciando um assalto.

Conforme os depoimentos das jovens, os homens estavam com máscaras carnavalescas e anunciaram um suposto assalto. Logo após forjar o assalto, o grupo separou as mulheres e iniciou o estupro coletivo. De acordo com as vítimas, o momento foi de desespero total entre as cinco jovens, que tentaram se soltar, mas não conseguiram. Algumas delas foram estupradas por vários ao mesmo tempo.

Para abafar os gritos das vítimas, os acusados aumentaram o volume do som. Em meio à violência sexual, a professora e a recepcionista reconheceram os acusados, o que acabou sendo a sentença de morte das duas. Os saíram com as duas jovens e as mataram em via pública.

Em 25 de outubro último, 6, dos 10 rapazes do caso que ficou conhecido como “estupro coletivo” foram condenados pela Juíza Flávia Baptista Rocha. Os seis réus foram sentenciados pelos crimes de cárcere privado, formação de quadrilha e estupro. Eduardo dos Santos, que é considerado o mentor dos crimes, ainda será julgado. 3 outros rapazes, menores de idade, foram condenados e cumprem medidas socioeducativas, ou seja, esses daqui uns dias estarão livres.

Conforme a sentença, Luciano dos Santos Pereira deve cumprir 44 anos de reclusão, pelo estupro de quatro mulheres e participação em mais um abuso sexual.

Fernando de França Silva Júnior, vulgo “Papadinha”, foi condenado a 30 anos de prisão, por estuprar uma vítima e colaborar para a violência sexual de outras quatro. Jacó Sousa foi sentenciado a 30 anos de reclusão, por estuprar duas mulheres e participar no abuso das outras três vítimas.

Luan Barbosa Cassimiro deve cumprir 27 anos de reclusão, pela violência sexual praticada contra uma vítima e participação no estupro das quatro demais. José Jardel Sousa Araújo foi condenado a 27 anos e Diego Rêgo Domingues a 26 anos e 6 meses de reclusão. Ambos participaram dos cinco estupros.


Na Foto: Sete dos 10 estupradores de Queimadas. Seis foram condenados a penas superiores a 26 anos de reclusão. Olhando para a foto podemos ver os rostos, todos jovens… Muito provavelmente sentirão na pele o que é ser estuprado e deverão sair da cadeia com o cabelo grisalho e envelhecidos. Eduardo dos Santos ainda será julgado. Três menores de idade também foram condenados a medidas socioeducativas.

No dia 18 de junho, Eduardo dos Santos, considerado o mentor do crime pelo Ministério Público da Paraíba, disse em audiência que existe um grupo de extermínio em Queimadas que seria responsável pela morte de Isabela e Michelle. No interrogatório, ele revelou que estaria marcado para morrer por este grupo e que o alvo no dia do crime era ele, mas que as mulheres teriam sido mortas por engano. Acreditei… e vocês? Veja a fala do covarde abaixo:

O Aprendiz Verde - Crime 4

Meenakshi Thapar

17 de Março de 2012. Gorakhpur, Índia.

Estamos em bollywood, Índia, a meca do cinema mundial. Sim, o cinema indiano é hoje o maior do mundo. A Índia produz 1000 filmes por ano, em 20 das 22 línguas faladas no país (inglês incluído), contra 650 dos Estados Unidos. Em 2004, o número de espectadores de filmes de Bollywood alcançou 3,8 bilhões, ultrapassando pela primeira vez o público de Hollywood, formado por 3,6 bilhões de pessoas.

Um Filme de Terror?

O enredo parece simplório. Uma mulher jovem e bonita que sai do interior do país para a cidade grande. Desesperada por um lugar ao sol, aceita estrelar um papel num filme B. Lá ela conhece dois figurantes e gaba-se sobre sua rica família do interior da Índia. Os dois figurantes, então, arquitetam um plano: Sequestrar a linda e indefesa moça para pedir resgate. Mas quando eles descobrem que a família da moça não tem nada de rica, eles decidem matá-la.

Esse roteiro poderia ter vindo de um dos filmes que Meenakshi Thapar, 26 anos, desesperadamente ansiava para estrelar. Mas esse não é um filme de terror de bollywood, é um crime real, que encheu as páginas dos jornais mundo afora.

Amit Jaiswal, 36 anos, e sua amante, Preeti Surin, foram presos depois que a polícia encontrou, em posse deles, o cartão de memória do celular de Meenakshi. O assassinato da linda aspirante a atriz provocou profunda preocupação em Mumbai, a potência comercial e criativa de filmes onde Meenakshi encontrou seus assassinos.

Não foi o único crime em bollywood. Em abril, um outro assassinato envolveu um aspirante a produtor, um modelo ator e sua namorada, Simran Sood, uma daquelas mulheres que acha que status é estar inserida na “alta sociedade”. Ela era conhecida na mídia local e sempre era fotografada ao lado de famosos jogadores de críquete, empresários e estrelas de bollywood.


Na Foto: Simran Sood é fotografada na noite de Mumbai com o famoso cantor indiano Nitin Mukesh.Na Foto: Simran Sood é fotografada na noite de Mumbai com o famoso cantor indiano Nitin Mukesh.

Na Foto: Simran Sood era conhecida em festas promovidas por astros e figurões de bollywood. Ela não perdia tempo em colocar suas fotos ao lado de "pessoas importantes" nas redes sociais.Na Foto: Simran Sood era conhecida por sempre marcar presença em festas promovidas por astros e figurões de bollywood. Ela não perdia tempo em colocar suas fotos ao lado de “pessoas importantes” nas redes sociais.

A história de Simran Sood também pode ser lida como o roteiro de um filme. Como Meenakshi, ela mudou-se para Mumbai com o objetivo de ser uma estrela em bollywood, mas não conseguiu estrelar nenhum filme. Conheceu seu namorado, um modelo ator, em um restaurante perto da academia que frequentava. Em dado momento, o casal conheceu o aspirante a produtor Karan Kakkad, 28 anos. Entre os três, o que caiu morto foi Karan, assassinado pela ganância do casal, que roubou sua BMW e cartões de crédito. Quando a polícia a prendeu, descobriram que Karan não fora a primeira vítima de Simran. Meses antes, ela participou do assassinato do empresário indiano Arunkumar Tikku. O motivo foi o mesmo que levou Karan a morte, a ganância de Simran. Perigosa essa moça, não?

No caso da jovem e linda Meenakshi Thapar, a ganância dos seus “amigos” de filme também a levou a morte. A aspirante a atriz conheceu-os durante as filmagens do filme “Heroine”. Gabando-se da sua família rica do interior da Índia, Meenakshi despertou a ganância do casal Amit Jaiswal e Preeti Surin, seus colegas de filmagens. O casal convidou Meenakshi para uma viagem até a cidade de Gorakhpur com a mentira de que lá eles conheceriam um produtor de Bollywood. Lá eles a mantiveram em cativeiro e pediram resgate para a família da jovem. A mãe de Meenakshi chegou a pagar o resgate (bem abaixo do pedido) mas o destino da linda atriz já estava traçado: A morte! Talvez pelo baixo pagamento ou por conhecer seus sequestradores, eles decidiram matá-la.


Na Foto: Meenakshi Thapar. A linda atriz já havia trabalhdo em um filme de terror de bollywood chamado "404"Na Foto: Meenakshi Thapar. A linda atriz já havia trabalhdo em um filme de terror chamado “404″. Seu sonho de tornar-se uma estrela de cinema foi bruscamente interrompido em março de 2012 quando ela foi estrangulada e esquartejada pelos seus sequestradores.

Eles estrangularam Meenakshi e esquartejaram seu corpo. Seu tronco foi descartado em um tanque d’água e sua cabeça e membros foram jogados de um trem em movimento que ia de Gorakhpur a Mumbai.

Milhares de jovens de toda a Índia viajam todos os anos para Mumbai na esperança de se tornarem astros. Uma minoria consegue se estabelecer na indústria de filmes. A maioria acaba no submundo da cidade, nas drogas ou prostituição. Muitos produtores de filmes de bollywood dizem que a decepção do fracasso pode estar por trás de uma grande onda de violência envolvendo pessoas ligadas a bollywood.

O Aprendiz Verde - Crime 5

Horror no MéxicoHorror no México

18 de Março de 2012. Teloloapan, México

Atualmente o México vive uma carnificina nunca antes vista naquele país. A guerra entre cartéis de narcotraficantes e o governo mexicano tem deixado milhares de mortos e refugiados. Estima-se que mais de 1 milhão de pessoas tenham fugido do norte para o sul do México com medo da terrível violência que acomete aquela parte.

No final de 2010, praticamente todos os moradores de Cidade Mier, no Estado de Tamaulipas, no noroeste do país, deixaram o local para fugir de uma batalha travada entre o Cartel do Golfo e seu rival, Los Zetas, que pouco a pouco tomou as ruas da região. Cidade Mier, chamada de “cidade mágica” em guias turísticos, é o caso mais conhecido de deslocamento forçado pela guerra contra o narcotráfico, mas está longe de ser o único.

Os confrontos são mais intensos nas regiões próximas à fronteira com os Estados Unidos (principal destino da droga contrabandeada), onde grupos rivais lutam pela ocupação e expansão de zonas de influência. O tráfico de drogas nessa área é muito disputado, pois os lucros financeiros são elevadíssimos em razão da grande quantidade de drogas que é contrabandeada na região fronteiriça.

Os principais cartéis do narcotráfico que atuam no México são o Beltrán Leyva, Golfo, Sinaloa, Loz Zetas, Juarez, La Familia e Tijuana. Os grupos rivais estão em constante conflito para a ocupação territorial, fato que tem provocado uma série de assassinatos no país, inclusive de pessoas que não possuem envolvimento com os cartéis. Para se ter uma ideia da proporção da violência mexicana, a nação já superou a Colômbia em sequestros e assassinatos promovidos por narcotraficantes. Estima-se que mais de 50 mil pessoas morreram desde 2006. Em agosto de 2010, o mundo inteiro começou a olhar com mais atenção a essa guerra no México quando 72 imigrantes ilegais que tentavam cruzar a fronteira com os Estados Unidos foram sequestrados pelo cartel Los Zetas, que exigia das vítimas a realização de alguns “trabalhos” para o grupo (assassinatos, transporte de drogas…). A proposta foi recusada e os narcotraficantes executaram 70 pessoas, sendo quatro brasileiros.

Em algumas regiões é comum encontrar corpos decapitados nas ruas, pessoas mortas com sinais de tortura, cadáveres amarrados em passarelas, entre outros métodos assustadores. As gangues extorquem dinheiro de comerciantes e até mesmo da população. Outra prática muito comum é a realização de sequestros, tanto para obtenção de resgate quanto para o transporte de drogas.

Um retrato desse violento cenário pôde ser visto na manhã dia 18 de março de 2012. Nesse dia, 10 cabeças foram encontradas na cidade de Teloloapan, estado de Guerrero. As cabeças estavam em fila sobre um banco, sete correspondiam ao sexo masculino e três ao sexo feminino, os corpos nunca foram encontrados. A imprensa local disse que a Polícia municipal foi a primeira a chegar ao lugar, onde encontraram a mensagem: “isto vai acontecer a todos que apoiam a F.M.” (F.M.: Família Michoacana).

As primeiras investigações apontaram que as cabeças correspondiam a pessoas com idades entre 20 e 35 anos, e junto a elas foram encontradas cartolinas com mensagens de grupos rivais.

Mas o dia 18 de março não terminou com apenas 10 cabeças. Poucas horas depois da descoberta das cabeças, 12 policiais foram truçidados em uma emboscada em Teloloapan.

“Foi atacado um comboio de policiais estaduais e municipais que realizavam uma missão de vigilância e, lamentavelmente, doze morreram”, disse à TV Milenio Arturo Martínez Núñez, porta-voz da secretaria de Segurança de Guerrero.

Clique no link abaixo e veja uma imagem das 10 cabeças encontradas no dia 18 de março de 2012. É possível ver também as mensagens deixadas pelos assassinos em cartolina.

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Pode ter certeza que esse não foi o único crime macabro relacionado a guerra das drogas ocorrido no México. Em janeiro de 2012 a polícia descobriu 5 cabeças na cidade de Torreon. Todas tinham bilhetes com ameaças ligados ao narcotráfico.

Em 26 de março, 4 cabeças foram encontradas dentro de um carro abandonado em Acapulco. Dentro do carro havia pedaços de corpos e uma mensagem do grupo Los Zetas advertindo o governo mexicano sobre investigações contra o tráfico de drogas.

Clique no link abaixo e veja as 4 cabeças encontradas no dia 26 de maço em Acapulco.

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No dia 17 de abril, 14 corpos esquartejados foram encontrados em um veículo estacionado na frente da prefeitura de Nuevo Laredo com uma mensagem supostamente assinada por Joaquín Guzmán, líder do Cartel de Sinaloa, que anunciava sua chegada à cidade para limpá-la dos Zetas.

Um mês depois, o Cartel de Sinaloa deu mais um recado para os Zetas.

Um horror ainda maior, algo que nos faz pensar se isso realmente está acontecendo aqui no nosso mundo. É assustador! 9 pessoas foram encontradas enforcadas e penduradas em uma ponte em Nuevo Laredo, divisa com os Estados Unidos. Outras 14 cabeças foram encontradas em refrigeradores largados no meio da rua. Os corpos estavam em sacos plásticos pretos dentro de um carro abandonado.


Na Foto: Uma imagem assustadora. 5 dos 9 corpos encontrados pendurados por uma corda em uma ponteNa Foto: Uma imagem assustadora. Cinco dos 9 corpos encontrados pendurados por uma corda em uma ponte na cidade de Nuevo Laredo.

Na Foto:Outros 4 corpos encontrados enforcados. Em alguns deles é possível ver que as vítimas foram amordaçadas e possivelmente espancadas.Na Foto: Outros quatro corpos encontrados enforcados. Em alguns deles é possível ver que as vítimas foram amordaçadas e possivelmente espancadas.

O revide dos Zetas ocorreu poucos dias depois dessa barbárie.

Dezoito corpos decapitados e desmembrados foram localizados no dia 9 de maio em dois automóveis em uma estrada próxima a cidade de Guadalajara. Uma verdadeira cena de terror. Em um dos automóveis foram encontradas 7 cabeças humanas, além de pernas, braços e outras partes de corpos. No outro havia onze 11 cabeças, troncos e membros. Segundo o procurador do estado, Tomás Coronado, a matança foi uma vingança dos Zetas para “o crime da ponte”.

No mesmo mesmo mês de maio, quatro corpos esquartejados foram encontrados em um canal na cidade de  Boca del Río. Dois dos corpos pertenciam a jornalistas mexicanos que combatiam o narcotráfico.

Em setembro, outras cinco cabeças foram deixadas na frente de uma escola em Acapulco, os corpos estavam queimados dentro de um carro no mesmo bairro.

Bom, posso ficar aqui até amanhã citando esses macabros crimes. Uma coisa é certa. O México parece ter perdido o controle sobre essa guerra.

O Aprendiz Verde - Crime 6


Fabian Kramer

29 de Março de 2012. Biefeld, Alemanha.

Em agosto passado publiquei um texto no blog do jornalista Renato Queiroz intitulado “James Holmes e a Violência Midiática”. No texto, o jornalista discorre sobre a influência que filmes violentos podem exercer no público. Alguns estudos apontam que a violência na tela pode sim afetar o comportamento das pessoas.

“Quando esses filmes são vistos por pessoas com uma constituição psíquica fragilizada, podem levar a uma identificação nada positiva”, diz a psicanalista Maria Vitória Maia, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Mas é preciso relativizar, a violência no cinema sempre existiu e, além do mais, a grande maioria de crimes que supostamente são influenciados por filmes são praticados por pessoas que tem algum tipo de perturbação mental.

E esse é o caso de um jovem alemão que em 29 de março de 2012, deu 50 facadas em uma senhora de 82 anos na cidade de Biefeld. Detalhe: Quando a polícia chegou no local do crime, o adolescente usava a bizarra máscara de Jigsaw, o macabro vilão do filme Jogos Mortais.

Foi o próprio adolescente, Fabian Kramer, 19 anos, quem chamou a polícia para avisar sobre o crime. “Venham depressa. Alguém está sangrando até a morte!”, disse ele.

Quando a polícia chegou, encontraram Fabian ajoelhado ao lado da vítima fingindo salvá-la. “Eu sou um homem da ambulância. Eu estou apenas fazendo o meu melhor para salvá-la”, disse ele aos policiais.

“Até hoje ninguém sabe realmente porque ele fez isso,” disse o seu advogado.

Na Foto: Fabian Kramer entra no tribunal para o seu julgamento em novembro passado.

Na Foto: O advogado de Fabian Kramer, Andreas Chlosta, dá uma coletiva durante o julgamento. O rosto de Fabian Kramer foi protegido por ele ter menos de 21 anos.

Na Foto: Durante o julgamento, o promotor usou um manequim com a máscara usada por Fabian Kramer para assassinar sua vizinha. A faca usada no crime também pode ser vista na imagem.

Na Foto: A horripilante máscara de Jigsaw, usada por Fabian Kramer para matar sua vizinha de 82 anos.

O adolescente foi julgado em novembro passado e durante todo o julgamento permaneceu calado. Ele declarou-se inocente da acusação de assassinato.

Fabian morava com sua mãe e irmã. Elas viajaram no fim de março e passaram alguns dias fora. Era a primeira vez que ele ficava sozinho na vida.

A promotoria disse que Fabian matou a idosa após assistir ao filme Saw (Jogos Mortais). Segundo o promotor, após assistir ao filme, Fabian pegou um par de luvas de látex e a máscara do vilão Jigsaw. Pegou também uma faca de 23 centímetros e foi para a casa da sua vizinha de 82 anos. Ao abrir a porta ele a atacou selvagemente com a faca, foram mais de 40 facadas.

A máscara que o assassino usava continha vestígios de sangue da vítima. Peritos forenses também concluiram que os respingos de sangue na camisa da vítima só poderiam ter vindo do atacante.

“Lamento que você não tenha reconhecido o ato. Quem carrega uma culpa deve também se preocupar sobre o caminho de volta à sociedade. Eu teria gostado de ver em sua alma, mas você ainda não abriu. Espero que seu silêncio seja apenas uma expressão da sua imaturidade, disse o Juiz Christoph Meiring.

O adolescente foi sentenciado a 10 anos de tratamento intensivo em um hospital psiquiátrico.

O Aprendiz Verde - Crime 7


Canibais de Garanhuns

9 de abril de 2012. Garanhuns, Pernambuco. Brasil

Um dos mais macabros crimes de 2012 aconteceu em Garanhuns, terra natal do ex-presidente Lula. Tão macabro que o caso foi notícia em jornais do mundo inteiro. Quer saber por que?

Em 25 de fevereiro de 2012, a jovem Giselly Helena da Silva, 20 anos, desapareceu misteriosamente da pequena cidade de 130 mil habitantes. Seu rosto bonito, os cabelos negros, compridos, chamavam a atenção dos homens que a viam todos os dias entregando panfletos no centro da cidade de Garanhuns. Pelo seu trabalho ficou conhecida como “Geisa dos Panfletos”. Como fazia todos os dias, Giselly saiu naquele sábado, dia 25 de fevereiro de 2012, para entregar panfletos pela cidade. Ela nunca mais voltou para casa.

Na Foto: Giselly Helena da Silva. Giselly desapareceu misteriosamente no dia 25 de Fevereiro de 2012.

O desaparecimento de Giselly era um mistério total. A polícia investigava o caso quando em 12 de março, outro desaparecimento misterioso aconteceu na cidade de Garanhuns.

Alexandra da Silva Falcão, 20 anos, era uma jovem normal. Moradora da cidade de Garanhuns, ela estava à procura de um emprego. E pareçe que ela havia conseguido pois na manhã do dia 12 de março de 2012 ela saiu de casa para oficializar a oferta de um excelente emprego. Ela estava muito feliz:

“Olha mainha, o primeiro salário que eu receber eu já vou comprar os tijolos para fazer o meu barraquinho”, disse Alexandra para sua mãe.

Segundo Alexandra, uma mulher havia lhe oferecido um emprego e pagaria um salário mínimo. Sua mãe estranhou, pois um salário mínimo (R$ 622,00) era muito dinheiro e ninguém em Garanhuns pagava esse salário. No entanto, a felicidade da filha contagiou a família. Na manhã do dia 12 de março Alexandra saiu e nunca mais voltou.

O desfecho desses desaparecimentos chocou o mundo. Mesmo desaparecida, Giselly parecia estar fazendo a farra com compras com seu cartão de crédito pela cidade. Rastreando os passos das compras, a polícia chegou até uma casa simples no bairro Jardim Petrópolis em Garanhuns. Lá eles descobririam, talvez, o mais bestial crime perpetuado no Brasil nos últimos anos.

As duas jovens, Giselly e Alexandra, haviam sido enganadas com promessas de emprego pela moradora da casa: Isabel Cristina Pires, 51 anos. Uma vez dentro da casa, elas foram mantidas em cárcere privado por Isabel, seu marido, Jorge Negromonte da Silveira, 51 anos, e a amante de Jorge, Bruna Cristina Oliveira da Silva, 22 anos. Isso mesmo, a amante morava debaixo do mesmo teto.

O trio afirmou participar de uma seita chamada “Cartel”, anti-semitista e que combatia a procriação, por isso premeditavam assassinar mulheres que tinham “úteros maltidos” (por terem gerado mais de um filho). Giselly e Alexandra foram mortas seguindo essa fantasia diabólica do trio. Elas foram esquartejadas e canibalizadas. Isso mesmo! Pedaços das carnes das vítimas foram comidas pelo trio num ritual que eles chamaram de “purificação”. Mas não foi só isso. O grand finale dessa história é ainda mais horripilante. Além de comerem a carne das vítimas, o trio de canibais fabricou salgados das carnes das vítimas e vendiam pela cidade. O delegado de Garanhuns foi um dos que comeu as “gostosas” empadas da Dona Isabel. Enquanto investigava as mortes, ele foi um dos que comprou as empadas. Sem saber, ele comeu as desaparecidas que procurava. Emblemático, não?

O caso completo dos Canibais de Garanhuns, com depoimentos, vídeos, fotos dos corpos e muito mais, pode ser visto aqui no blog, neste endereço.

O Aprendiz Verde - Crime 8


Neha Afreen

11 de Abril de 2012. Bangalore, Índia

No dia 5 de abril de 2012, uma recém-nascida deu entrada no Hospital Vani Vilas, na cidade de Bangalore, Índia. Poderia ser apenas mais um bebê sofrendo de cólicas ou com um resfriado. Mas não, esse bebê de 3 meses de idade deu entrada no hospital indiano com ferimentos maciços na cabeça, com o pescoço deslocado e marcas de mordidas e queimaduras.

Ela era Neha Afreen, a primeira filha do casal de indianos Umar Farooq e Reshma Bano. 

Por cerca de uma semana, Neha Afreen, tentou se esforçar por sua vida, mas devido ao seu estado, ela tinha poucas chances. Sua respiração estava 30-40 por minuto, contra o normal de 20-25, com um aumento de sua frequência cardíaca. E ela deu seu último suspiro as 11:10 da manhã do dia 11 de abril, logo após uma parada cardíaca.

Quando os médicos deram a notícia à mãe da criança, ela entrou em estado de choque. Sua foto segurando o pequeno corpo do seu bebê minutos depois de deixar o necrotério do hospital em Bangalore ecoou pelo mundo.


Na Foto: Reshma Bano, mãe da pequena Neha Afreen, se desespera ao sair do necrotério com o corpo da filha.

Na Foto: A pequena Neha Afreen, em coma no hospital de Bangalore. Com escoriações por todo o corpo e o pescoço deslocado, a pequena guerreira travou uma batalha pela vida.

Mas a pergunta que não quer calar: Por que tantos machucados? A resposta é assustadora e inimaginável.

Foi o próprio pai de Neha, Umar Farooq, um pintor de automóveis, que a espancou até a morte. O motivo? Ele não queria uma filha mulher. Ele queria um filho homem!

Reshma Bano afirma que seu marido, sempre bebâdo, começou a espancá-la após o nascimento da filha. O motivo era  o sexo do filho do casal. Umar também agrediu a pequena filha três vezes. Reshma não o denunciou na tentativa de salvar o seu casamento. Na primeira vez o pai mordeu o bebê, na segunda, queimou um cigarro em sua testa e costas. A terceira vez foi fatal. Umar Farooq amordaçou sua própria filha e a espancou com um objeto pontiagudo. Quando Reshma acordou, o bebê agonizava. O bebê começou a vomitar sangue e Umar fugiu. Com a ajuda de vizinhos Reshma levou sua filha ao hospital.

Umar Farooq foi preso três dias depois.

O assassinato de recém-nascidos do sexo feminino é comum na Índia, onde mesmo os mais instruídos e ricos da sociedade são conhecidos por preferi crianças do sexo masculino. Um relatório da Unicef diz que o aborto seletivo por sexo cresce a cada ano na Índia. A indústria do aborto hoje na Índia é uma indústria milionária.

Nome: Umar Farooq

Idade: 27 anos

Ocupação: Pintor de Automóveis

Acusação: Assassinato

Data: 11 de Abril de 2012

Local: Bangalore, Índia

Obs.: Umar torturou e assassinou a própria filha de 3 meses de idade.

Motivo: Ele queria um filho homem e não uma mulher.

Situação: Preso

O Aprendiz Verde - Crime 9

Aparecido Souza Alves

28 de Abril de 2012. Doverlândia, Goiás. Brasil

Essa é uma história de arrepiar. A Chacina de Doverlância, ocorrida no interior de Goiás, parece ter saído das mãos de roteiristas de hollywood. Mas diferentemente da maioria dos filmes que vemos no cinema, onde o bem sempre vence o mal, aqui, no mundo real, nem sempre é isso o que acontece. E esse caso é um exemplo horripilante do nosso mundo real. É a história de um único vilão, Aparecido Souza Alves, um homem que traz a morte nas costas. Diferentemente dos filmes do cinema, o desfecho desse caso foi trágico, muito trágico.

“Realmente é muita tristeza. Foi um momento péssimo. Hoje é o Dia do Policial Civil, a gente tinha preparado comemorações e festividades. Infelizmente, estamos preparando sepultamentos.”

A frase acima é de Adriana Accorsi, delegada-geral da Polícia Civil de Goiás. Chorando, ela dava entrevistas aos repórteres na sede da Polícia Civil do estado no dia 09 de maio de 2012.


Na Foto: Abatida e chorando, Adriana Accorsi dá entrevistas para jornalistas no dia 09 de maio de 2012 em Goiânia.

Para entender o motivo do choro da delegada geral da Polícia Civil de Goiás, vamos voltar 11 dias antes.

No dia 28 de abril de 2012, policiais da pequena cidade de Doverlândia, cidade do sudoeste goiano, receberam um pedido de socorro. O pedido vinha da fazenda de um conhecido fazendeiro da região, Lázaro Oliveira Costa, 57 anos. Ao chegarem a fazenda, os policiais se depararam com uma carnificina nunca antes vista naqueles cantos.


Na Foto: 5 corpos foram encontrados massacrados pela fazenda. Todas as vítimas foram selvagemente degoladas e quase tiveram suas cabeças arrancadas. Na imagem acima pode ser visto 3 dos 5 corpos. A esquerda o corpo nu de uma mulher. Policiais suspeitaram que ela poderia ter sido estuprada antes de ter sua cabeça praticamente decapitada.

Na Foto: 2 corpos encontrados na Fazenda. Imagens TV Goiânia

Na Foto: Outros 2 corpos foram encontrados dentro do banheiro da casa principal da fazenda. Ao todo foram encontrados 7 corpos na fazenda. Na imagem acima, os corpos do fazendeiro Lázaro Ramos, 57 anos, e do seu filho, Leopoldo Ramos, 22 anos.

Os policiais da pequena cidade de 8 mil habitantes nunca poderiam imaginar que encontrariam uma cena de crime tão macabra. Sete pessoas massacradas espalhadas como porcos pela fazenda. Mas no meio de tanto sangue havia um sobrevivente.

Um adolescente de 14 anos, filho do fazendeiro morto, estava no pasto da fazenda no momento do crime e ouviu gritos. Ele correu e procurou por um tio que estava em outro ponto da propriedade para pedir ajuda.

Dois dias depois da chacina, a polícia goiana prendia Aparecido Souza Alves, 22 anos. Não tardou para que ele confessasse o crime. No dia 4 de maio de 2012, seis dias após a chacina, a polícia goiana faz a primeira reconstituição do crime. Adriana Accorsi lidera a equipe de investigadores em Doverlândia:

Apesar da reconstituição da chacina e do principal suspeito preso, as investigação não era fácil. Tudo porque Aparecido a todo momento mudava a sua versão do crime. Primeiro ele disse que havia sido contratado para matar o dono da fazenda. Depois disse que outras pessoas participaram, depois mudou novamente a versão e disse ter agido sozinho e o motivo era roubo. Depois, como pode ser visto no vídeo abaixo, mudou novamente sua versão e disse que teve a juda do sobrinho e do sogro do fazendeiro:

Aparecido sempre se comportou de maneira fria diante do caso. Em nenhum momento mostrou remorso e chegou a se divertir enquanto fazia a reconstituição do crime.

“Ele é muito objetivo nas respostas e muito calmo. Então, quando a gente olha o que aconteceu no local do crime e olha aquela pessoa ali na frente, fica até estranho perceber como uma pessoa calma e centrada, dessa forma, poderia ter cometido uma atrocidade dessas. A  história de vida do sujeito até os dez, doze anos é importantíssima para a gente analisar se ele já vinha trazendo lá de trás uma característica ou um traço que iria levá-lo a um transtorno de psicopatia em fase adulta”, disse Leonardo Faria, psicólogo convidado por Adriana Accorsi para traçar o perfil psicológico do assassino. Leonardo, porém, não teria chances de concluir o seu laudo.

No dia 8 de maio de 2012, os investigadores goianos decidiram fazer uma segunda reconstituição da chacina, dessa vez mais completa.

“Nestas cenas (de reconstituição), os corpos serão arrastados no pasto. Com manequins fica mais fácil. Ele (Aparecido) vai falando o que aconteceu, enquanto os peritos vão encenando, filmando e fotografando”, disse um dos delegados do caso, o experiente Antônio Gonçalves.

No dia 8 de maio de 2012, cinco Delegados da Polícia goiana, mais dois peritos criminais e mais o suspeito, embarcaram num helicóptero rumo a Doverlândia para a reconstituição. Eles eram:

Nome: Jorge Moreira da Silva

Idade: 54 anos.

Ocupação: Delegado titular da Delegacia Especializada em Roubo de Cargas, em Goiânia

Experiência: Um dos mais notórios delegados da história policial de Goiás, Jorge Moreira liderou investigações de casos com repercussão internacional. Foi um dos responsáveis pela captura do notório serial killer goiano José Vicente Matias, o Corumbá. Liderou também as investigações do assassinato da inglesa Cara Burke, morta e esquartejada pelo sociopata goiano Mohammed D’Ali Carvalho. Pela elucidação do caso, o delegado foi homenageado pela embaixada britânica no Brasil.

Obs.: Pela sua experiência na Delegacia de Homicídios, se ofereceu para ir no lugar de Adriana Accorsi, que de última hora não embarcou no helicóptero para resolver problemas relacionados a uma possível greve da Polícia.

Nome: Antônio Gonçalves Pereira dos Santos

Idade: 62 anos

Ocupação: Superintendente da Polícia Judiciária de Goiás

Experiência: Formado em Direito, ingressou na Polícia Civil do Estado de Goiás em 1969. Tinha uma carreira de respeito na corporação onde ocupou vários cargos importantes e era delegado desde 1982. Participou da elucidação de vários crimes famosos, dentre eles o de Vilma Martins, que em 2002, ficou nacionalmente conhecida por ter roubado da maternidade seus 2 filhos, Pedro Rosalino Braule Pinto, o Pedrinho, roubado de uma maternidade em Brasília em 1986, e Aparecida Ribeiro da Silva, a Roberta Jamilly, roubada em 1979.

Obs.: Casado e pai de 3 filhos.

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Nome: Osvalmir Carrasco Melati Júnior

Idade: 38 anos

Nascimento: Tupã, São Paulo.

Ocupação: Delegado Coordenador da Unidade Aerospacial da Polícia Civil de Goiás

Experiência: Formado em direito, o paulista passou em 3 concursos para delegado em 1999 (Goiás, São Paulo e Mato Grosso). Por um conselho do pai, escolheu o estado de Goiás. Em 2004 entrou para a Delegacia de Investigação Criminal de Goiás e já no ano seguinte tornou-se coordenador do GT-3, o Grupo de Elite da Polícia Civil. Em 2011, trouxe pilotando direto dos Estados Unidos, um dos 3 helicópteros Koala que o governo de Goiás havia comprado.

Obs.: Casado e pai de 3 filhos, participou de operações da Força Aérea Nacional como co-piloto e piloto.

Nome: Vinícius Batista da Silva

Idade: 33 anos

Nascimento: Goiânia, Goiás

Ocupação: Delegado da cidade goiana de Iporá

Experiência: Tornou-se delegado da Polícia Civil em 2010, sendo titular da Delegacia de Iporá. Foi o responsável pela investigação do triplo homicídio de Diorama, onde Vanderlei Rodrigues da Silva matou os 3 filhos e suicidou. Antes de atuar em Iporá ele trabalhou na cidade de Aruanã e em Santa Catarina.

Obs.: Era o delegado responsável pelo inquérito da chacina de Doverlândia.

Casado e pai de 1 filho.

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Nome: Bruno Rosa Carneiro

Idade: 32 anos

Nascimento: Goiânia, Goiás.

Ocupação: Chefe-adjunto do Grupo Aérepolicial

Experiência: O jovem delegado começou a carreira como Delegado da cidade goiana de Firminópolis e era piloto do Grupo Tático da Polícia Civil.

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Nome: Fabiano de Paula Silva

Idade: 37 anos

Ocupação: Perito Criminal

Experiência: Formado em odontologia, era perito criminal desde 2000.

Lotado na cidade de Iporá.

Obs.: Separado e pai de 4 filhos.

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Nome: Marcel de Paula Oliveira

Idade: 31 anos

Ocupação: Perito Criminal

Experiência: Formado em Farmácia, tinha especialização em bioquímica. Ingressou na Polícia Civil em 2010. Lotado na cidade de Quirinópolis.

Obs.: Era primo de Fabiano de Paula Silva

 

Os investigadores chegaram cedo em Doverlândia e logo começaram os trabalhos.

Na Foto: Imagem mostra o acusado durante a segunda reconstituição da chacina de Doverlândia. Ao fundo, de boné preto, é possível ver o Delegado Antônio Gonçalves Pereira.

*Obs.: Clique na Imagem para Ampliar. Na Foto: Os pilotos Osvalmir Carrasco e Bruno Rosa aguardam ao lado do helicóptero enquanto a segunda reconstituição da chacina é feita.

*Obs.: Clique na Imagem para Ampliar. Na Foto: O assassino Aparecido Souza Alves entra no helicóptero ao término da Chacina. Ao fundo é possível ver o Delegado Vinícius Batista (de óculos escuro).

A reconstituição do crime ocorreu sem maiores problemas. Ao irem embora, o Delegado Antônio Gonçalves Pereira chegou a brincar com uma reporter:

“Hoje você vai fazer uma segunda matéria, porque esse helicóptero vai cair. Essa  vai ser a manchete.”

Brincadeira estranha, não? Ao final do dia 08 de maio de 2012, programas de TV de todo Brasil exibiam reportagens como essa:


Uma história que começou com uma tragédia, terminou com outra. Nenhum dos 8 ocupantes do helicóptero sobreviveu a queda. O único corpo identificado sem a necessidade de análises de DNA, foi o do delegado Vinícius Batista da Silva que, possivelmente, foi arremessado para fora do helicóptero quando este entrou em parafuso e caiu. Veja os vídeos abaixo.

“É uma questão de honra solucionar esse crime”, disse Adriana Accorsi após o acidente. Mas não seria fácil, com os investigadores todos mortos, a resolução da chacina ficaria muito difícil, mas não impossível. E oito meses após os assassinatos, no dia 5 de dezembro de 2012, a Polícia Civil do Estado de Goiás concluiu as investigações.

O laudo da Polícia Civil concluiu que Aparecido chegou sozinho à fazenda Nossa Senhora Aparecida, a 45 quilômetros do Centro de Doverlândia, no final da tarde. Ele queria, na verdade, subtrair dinheiro do proprietário do local, Lázaro de Oliveira Costa, 57, que havia vendido dois caminhões cheios de gado dois dias antes. As investigações concluíram que o suspeito acreditava que o dinheiro estivesse no interior da casa, sede da fazenda.

Lázaro e o filho dele, Leopoldo Rocha Costa, 22, foram mortos primeiro, já que estavam no interior da residência, onde o suspeito acreditava que o dinheiro estivesse. Lázaro, além de ser morto com um corte profundo no pescoço (esgorjamento), como os outros, era o único corpo com uma outra perfuração profunda: na altura do peito. Os dois corpos teriam sido arrastados de onde tinham sido mortos, Lázaro no alpendre e Leopoldo num dos quartos, e colocados no banheiro do imóvel. Em seguida, Aparecido teria notado que o caseiro do imóvel era uma ameaça e o procurou, mas antes, ele buscou duas armas que sabia existir na sede, uma espingarda e um revólver.

Aparecido procurou o vaqueiro Heli Francisco da Silva, 44 anos, no rancho onde ele morava com a esposa e o filho, de 14 anos, mais distante de onde era a sede da fazenda. A mulher de Heli não soube dizer onde o marido estava, mas deu certeza de que o esposo estava na propriedade. Aparecido o buscou e o rendeu com uma das armas e o matou.

Quatro pessoas, que iriam para o casamento de Leopoldo, marcado para o sábado seguinte, estavam em um Fiat Uno e chegaram logo em seguida, quando Aparecido já se preparara para sair do local onde havia matado três. Ele notou que seria descoberto: matar quem estivesse no carro era a solução para evitar ser pego. Foi então que matou o casal de amigos e futuros padrinhos de casamento de Leopoldo, Joaquim Manoel Carneiro, 61 anos, e Miraci Alves de Oliveira, 65 anos. Assassinou também o filho do casal, Adriano Alves Carneiro, 22 anos, e a noiva dele, Tames Marques Mendes da Silva, 24 anos.

Primeiramente ele ataca Joaquim e Adriano, os homens, e em seguida as mulheres, Tames e Miraci. Após matar Tames, o suspeito transloucado se sente atraído pelo cadáver da moça de 24 anos que se preparava para o casamento com Adriano. Os peritos encontraram espermatozoides no órgão genital de Tames. O laudo cadavérico apresentou ferimentos post mortem na genitália, ou seja, os peritos chegaram a conclusão que o assassino cometeu necrofilia.

Apesar de apenas dois encontros com o assassino, o psicólogo forense, Leonardo Faria, entregou o perfil psicológico que traçou de Aparecido Souza.

“Ele não tinha traços psicológicos de doença mental. O que Aparecido tinha eram problemas de afeto, conduta e ética. O diagnóstico já foi dado, mas por uma questão de ética, não posso dizer o que ele tinha. A Polícia Civil tem o material e, se quiser, pode divulgar, mas eu, como psicólogo que tracei o perfil, não tenho essa autonomia”, diz Leonardo.

“Estivemos cerca de sete horas juntos. Foi o suficiente para traçar o perfil, mas se eu tivesse tido oportunidade de estar com ele mais tempo, seria melhor e mais consistente o perfil psicológico para a investigação”, diz.

Sobre o suspeito ter dito à Leonardo sobre ter violentado a vítima Tames, Leonardo ressalta que houve uma confirmação de que a vítima foi abusada, mas não estava claro se foi antes ou após a sua morte.

“Aparecido tinha um poder de persuasão muito forte e tinha noção do que estava fazendo. Ele dizia com detalhes como fez os cortes ‘de baixo para cima’, apontando a direção, com as mãos, como se estivesse com a faca. Isso indica que ele tinha memória e que o suspeito era uma pessoa ciente de riscos e culpabilidade, portanto, não se tratava de um sujeito desorientado que não sabia o que estava fazendo”, diz o especialista.

O suspeito tentava mentir, tanto nos depoimentos, quanto nas conversas que teve com o psicólogo.

“Esse era um meio que ele tinha de tentar se isentar da culpa”, ressalta Leonardo Faria. O psicólogo ainda deixou claro que alguns desafetos antigos de Aparecido foram inseridos dentro do seu próprio problema.

“Era como se ele estivesse descontando em desafetos antigos. Ele pensava em dar o troco a algumas pessoas que não o agradaram antes. Um exemplo é o pai, que na fala dele, teria abusado sexualmente da menina enquanto ele matava outras pessoas. Isso foi desmascarado em seguida, quando se soube de rancor e mágoa sentidas pelo filho.”

Chacina em Doverlândia: 1 assassino, 2 tragédias, 15 mortos e centenas de luto.

O Aprendiz Verde - Crime 10


Zhang Yongming

Maio de 2012. Nanmen, Jincheng. China

Zhang Yongming talvez seja o mais notório serial killer do ano. Serial killers são difíceis de serem pegos. Eles são como predadores que espreitam suas vítimas e as matam no momento de maior vulnerabilidade. Também são “craques” no descarte dos corpos. Eles não costumam deixar pistas. E esse é o caso desse serial killer chinês. A única coisa a qual os moradores do estado de Jincheng na China sabiam era que vários adolescentes haviam desaparecido nos arredores da vila de Nanmen.

Fugiram de casa? Foram sequestrados para trabalhos forçados? (Algo comum na China). Todas as hipóteses foram levantadas. Todas menos a possibilidade da ação de um serial killer. Mas, afinal, quem em sã consciência pensará que existe um serial killer morando na sua rua? Ninguém imagina. E isso acaba sendo um dos grandes aliados desses assassinos mundo afora. As pessoas acham que isso é coisa que acontece em filme ou na televisão, num lugar que eu já esqueci o nome.

Não aprofundarei neste caso, temos um post já publicado no blog apenas contando sua história, inclusive muitos leitores já devem ter lido. A casa para Zhang Yongming caiu quando a mídia chinesa decidiu contar a história de vários homens que misteriosamente haviam desaparecido da região. O governo chinês enviu uma equipe de investigadores de Pequim para atuar no caso. Poucas semanas depois eles descobririam o horror.

“Policiais chineses temem que um assassino canibal comeu ou vendeu a carne de pelo menos 20 pessoas desaparecidas, a maioria garotos, em um horrível banho de sangue na Província de Yunnan. Um homem de 56 anos, Zhang Yongming, foi preso acusado pelo desaparecimento de pelo menos 7 adolescentes. A polícia encontrou dezenas de globos oculares humanos preservados em álcool dentro de garrafas de vinho na casa de Zhang, na vila de Nanmen. Eles também encontraram pedaços de carne, que acreditam ser humano, pendurados na casa para secar. Ao longo dos últimos dias a polícia encontrou muitos ossos que acredita-se ser de humanos. Há o medo de que Zhang tenha alimentado seus cachorros com carne humana., escreveu o jornal The Standard, de Honk Kong, no dia 25 de Maio de 2012.

A polícia conseguiu ligar Zhang ao assassinato de 11 garotos, apesar do número real poder ser bem maior. Em julho de 2012 o serial killer canibal chinês foi condenado a morte.

Clique aqui e leia a matéria completa sobre o Zhang Yongming, “O Monstro Canibal”.

O Aprendiz Verde - Crime 11


Elize Matsunaga

19 de Maio de 2012. São Paulo, Brasil

Provavelmente vocês devem estar enjoados só de ouvir falar desse caso. O Caso Yoki parou o Brasil durante vários meses. Fomos metralhados pela mídia com a cobertura desse caso. Praticamente todas emissoras de TVs líderes de audiência, assim como jornais e mídias eletrônicas, não cansaram de mostrar reportagens e matérias sobre a morte de Marcos Matsunaga, diretor da Yoki, uma das maiores empresas alimentícias do país.

Mas antes de falar sobre esse caso, deixe-me fugir um pouco do assunto.

Respondam rápido: Que caso é o mais hediondo? Macabro? Notório? Um caso onde uma mulher mata o marido e o esquarteja ou um caso de um trio de serial killers que matam mulheres, esquartejam seus corpos, guardam partes da carne para comer e fabricam salgados para venda?

Eu ainda não concordo com a pífia cobertura da mídia com relação ao caso dos Canibais de Garanhuns. Enquanto o Caso Yoki mereceu uma enxurrada de atenção, com direito a reportagens especiais em programas nobres da TV brasileira, matérias de capas nas maiores revistas do país, o caso dos Canibais de Garanhuns foi praticamente ignorado. Isso tem um nome e chama preconceito. Isso mesmo.

O preconceito invisível, o preconceito velado. Os canibais de Garanhuns é um trio de pobretões nordestinos que matavam mulheres pobres. Eu não poderia perder a oportunidade de deixar aqui a minha crítica com relação a porca mídia brasileira, que acha que o Brasil é apenas São Paulo e Rio e um pouco dos brancos do sul. Rapidamente cito uma frase do atual Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o Ministro Joaquim Barbosa. “A imprensa brasileira é toda ela branca, conservadora. Todas as engrenagens de comando no Brasil estão nas mãos de pessoas brancas e conservadoras.”

Acho que essa frase do atual Presidente do STF é forte, simples, direta e serve para tirarmos várias conclusões. Por ela, podemos chegar a simples conclusão que a mídia prefere o crime cometido por uma loira branca contra um japonês bem sucedido morador de São Paulo do que um crime cometido por pobretões feios que moram num lugar onde ninguém ouviu falar, e não interessa se esse crime e 10 mil vezes pior.

Marcos Matsunaga merece toda a consideração da mídia certo? O raciocínio é simples. Ele era rico, tinha um alto padrão de vida, um cara bem sucedido, diretor de uma das maiores empresas alimentícias do país, morava em São Paulo. Já as meninas mortas em Garanhuns, Giselly e Alessandra, não merecem um pingo de consideração. Eram pobres, uma entregava panfletos a outra nem emprego tinha. Moravam no interior de Pernambuco, qual é mesmo a cidade?

O mais legal é ver a apresentadora Renata Ceribelli do Fantástico, em uma das inúmeras reportagens do Caso Yoki veiculadas na Globo dizer: “Um Crime que Chocou o País!” Desde quando você fala por mim? Não, a mídia não fala por mim. Eu falo por mim. O Caso Yoki não me chocou de forma alguma, os Canibais de Garanhuns sim. Crimes passionais, crimes envolvendo esquartejamento, acontece quase que diariamente, a diferença é que esse aconteceu em uma família milionária, importante e branca de São Paulo.

Bom, chega de ladainhas!

O Caso Yoki foi um notório crime ocorrido no Brasil em maio de 2012. O caso é simples. Tudo começou em 2004 quando a vítima, Marcos Kitano Matsunaga, 34 anos na época, conheceu a prostituta Elize Araújo, codinome “Kelly”, 23 anos na época, através do site MClass, um site de garotas de programa. Milionário e cheio da grana, o diretor da empresa Yoki de alimentos passou a dar uma mesada mensal de 4 mil reais para a loira. Não tardou e ele a presenteou com uma Mitsubishi Pajero TR-4. Pouco tempo depois Marcos ofereceu uma mesada ainda maior para que Elize retirasse suas fotos do site e saisse exclusivamente com ele. Ela, claro, aceitou.


Na Foto: Uma das imagens de Elize usada no seu perfil no site Mclass.Na Foto: Uma das imagens de Elize usada no seu perfil no site Mclass.

Na Foto: Outra foto de Elize do seu perfil no site de garotas de programas Mclass. Ela se descrevia como "uma loirinha carinhosa".Na Foto: Outra foto de Elize do seu perfil no site de garotas de programas Mclass. Ela se descrevia como “uma loirinha carinhosa”.

Pouco tempo depois Marcos Matsunaga pediu a mão de Elize em casamento. Detalhe: Ele era casado na época. Elize foi amante de Marcos durante três anos e a mulher do diretor da Yoki nunca desconfiou do marido. Marcos e Elize casaram-se em outubro de 2009 em uma festa chique para mais de 300 convidados.


Na Foto: Elize e Marcos no casamento de ambos em outubro de 2009Na Foto: Elize e Marcos no casamento de ambos em outubro de 2009

O casamento de ambos nunca foi um conto de fadas, principalmente por causa de Marcos. O japa era um tremendo mulherengo. E com grana no bolso, mulher era o que não devia faltar para ele, principalmente aquelas dos sites. O casal não tinha 1 ano de casados e as brigas eram constantes. Elize desconfiava que ele a estava traindo. Chegou a despedir uma empregada suspeitando que ela e Marcos estivessem tendo um caso. Elize também descobriu mensagens no celular de Marcos onde ele correspondia com uma outra mulher. No fim de 2010 as brigas diminuiram pois Elize engravidou.

Mas nem a filha do casal serviu para melhorar a vida entre os dois. Marcos era apático e não dava atenção a sua mulher. Certamente ele já a estava traindo. As brigas tornaram-se constantes e Marcos ameaçava Elize dizendo que se os dois separassem ele tomaria a guarda da filha pois era um milionário e a mulher uma ex-prostituta. Cansada das suas suspeitas Elize contratou um detetive particular em maio de 2012 para descobrir se Marcos realmente a estava traindo. Não deu outra.

Ela viajou com a filha do casal para o Paraná no dia 17 de maio de 2012. Nesse mesmo dia Marcos encontrou-se com sua amante. O detetive ligava para Elize minuto a minuto, falando sobre os passos do marido.

A amante de Marcos era uma prostituta de nome Natália. Através da história de Marcos com Natália, notamos um padrão de comportamento do japonês. É curioso, mas Marcos reproduzia com Natália a mesma história vivida com Elize. Ele dava uma mesada mensal de 4 mil reais para a prostituta, a mesma quantia que deu para Elize anos antes. Ele também presenteou Natália com uma Pajero Tr-4, o mesmo modelo que, também, anos antes deu a Elize. 1 mês antes de morrer, Marcos acertou uma mesada de 27 mil reais com a morena. Uau! Claro, ela seria “exclusiva” dele e tiraria suas fotos do site Mclass. Sim, ele também conheceu a morena Natália pelo mesmo site. Se Elize não tivesse assassinado Marcos, muito provavelmente eles teriam separado e Marcos casaria com Natália, será?

Elize voltou para São Paulo em 19 de maio, dia do crime. De posse das gravações do detetive particular, ela confrontou Marcos e ambos iniciam uma discussão. Marcos a ameaça mais uma vez dizendo que ela era uma prostituta e ele um milionário. As 19:30 ele desce no elevador do prédio para buscar uma pizza. Ele sobe e a discussão do casal recomeça.

“Vou te mandar de volta para o lixo de onde você veio!”, diz Marcos para Elize depois de dar um tapa no seu rosto.

Elize saca uma pistola e aponta para o marido. Marcos ri e diz que ela é fraca e a ameaça novamente dizendo que irá tirar a guarda da filha. Bum! Chegava ao fim a vida do diretor da Yoki Marcos Matsunaga. Ele é atingido por um tiro na cabeça disparado por sua mulher, Elize Matsunaga. Após dar um tiro no marido, Elize arrasta o seu corpo para um quarto, limpa o rastro de sangue e espera amanhecer.

Na manhã do dia 20 de maio a babá do casal chega. Elize deixa a filha com ela e se tranca no quarto de hóspedes. Ao constatar o enrijecimento do corpo, usa uma faca de cozinha com uma lâmina de 30 centímetros e esquarteja Marcos. O esquartejamento do corpo durou cerca de quatro horas. Exames posteriores concluiram que Marcos estava vivo (em um estado de coma logicamente) quando Elize o decapitou. Ela desce o elevador com três malas de viagem, onde leva os pedaços do corpo. Coloca as malas no carro, dirige até Cotia e espalha os sacos à beira da estrada. Livra-se das malas, da faca, e retorna para casa, 12 horas depois.

Uma história triste que poderia ter dado certo, mas que deu tudo errado, infelizmente. Atualmente Elize está presa e aguarda julgamento.

O Aprendiz Verde - Crime 12


Luka Rocco Magnotta

25 de Maio de 2012. Vancouver, Canadá

Não se engane com o bonitão da foto. O modelo canadense, com pinta de cantor teen, é um macabro e doente assassino que cometeu um dos mais bestiais e notórios crimes de 2012.

Luka Rocco Magnotta sempre foi um daqueles insetos que fazem de tudo para atingir o chamado “sucesso”. Já reparou naquela mulher bunda que só mostra a bunda na TV ou aquele bombado que só tem o seu peitoral fotografado para sites de fofoca? Para essas pessoas, não importa como elas apareçam, o que importa é aparecer, mesmo que seja só a unha encravada do dedão do pé ou a espinha na ponta do nariz. Sucesso para essas pessoas é ter o chamado 15 minutos de fama (se conseguir mais melhor ainda). A diferença entre Luka Magnotta e o resto desse tipo de gente é que Magnotta era um psicopata. E o que psicopatas podem fazer para atingir o sucesso? Bom, muitas coisas. Podem desde queimar um concorrente fazendo intriguinhas com o chefe até o extremo de… matar!

O primeiro passo de Magnotta rumo a fama foi entrar na carreira de modelo, tirando fotos e aparecendo em desfiles. Não conseguiu muita coisa. O segundo passo foi mais ousado: Ele entrou para a indústria gay de filmes pornográficos. Chegou a ir até a meca desse negócio: Los Angeles. Fez um filminho aqui, outro acolá, mas nada que desse o que ele queria. Tentou entrar em reality shows na TV mas não conseguiu.

Nesse meio tempo, ele descobriu um aliado interessantíssimo e que podia alimentar o seu ego de autoimportância e superioridade e dar os seus 15 minutos de fama: A Internet. Para alimentar seus perfis em redes sociais, blogs, fóruns e o seu próprio site, Magnotta começou a viajar pela Europa. Em cada canto que parava era um “flash” que logo ia para a internet. Tirava fotos em carros esportivos, em pontos turísticos, usando roupas de marca, bares movimentados, festas e se exibia na internet.

Pra colocar a foto na internet tem que fazer uma pose de gatão certo? Também não vale tirar foto dentro de casa com a parede rebocada atrás. Na internet temos que parecer celebridades, não é mesmo? Na foto acima Magnotta posa em uma piscina num hotel nas Bahamas. Uau! Poderoso esse cara!


Posar de frente a uma catedral russa não é pra qualquer um hein! Na Foto Luka Magnotta em Moscou.

Morram de inveja! Não é qualquer um que já esteve em Paris. Na foto Magnotta posa com a Torre Eiffel atrás.

Andar numa Limousine bebendo Champagne é só para os ricos e importantes. Você, seu pobre, pode apenas curtir minhas fotos no facebook!

Mas chegou uma hora que essa exibição não alimentava mais o ego de Magnotta. Ele queria mais. Não se sabe, mas suspeita-se que Magnotta criou uma falsa notícia que se espalhou pela internet. Ele estaria namorando ninguém menos que Karla Homolka. Você sabe quem é Karla Homolka? Não???? Karla é simplesmente a mais famosa assassina do Canadá. Foi presa, junto com seu marido, em 1993 pelo assassinato de 3 pessoas, incluindo sua irmã. Foi solta em 2005. No Canadá, tudo que envolve Karla Homolka é notícia, portanto, o burburinho surgido na internet fez Magnotta ser notícia. Ele chegou a dar entrevistas na televisão. Para ele deve ter sido o ápice, finalmente o psicopata conseguia a atenção que buscava.

Mas seus 15 minutinhos de fama foram embora rápido. Ele tinha que aparecer de novo. E mais uma vez ele usou a internet, só que dessa vez, para algo muito macabro. O sádico psicopata começou a matar gatos. Ele começou a filmar o assassinato dos bichanos e colocar na internet. Colocou vídeos no youtube e em outros sites de vídeos. Bom, se ele queria atenção, agora ele tinha conseguido! Os vídeos dos assassinatos dos gatinhos chocaram várias partes do mundo. Magnotta chegou a dar uma entrevista para o jornal inglês The Sun e negou a autoria dos vídeos (seu rosto nos vídeos aparecia com um borrado, dificultando a real identificação). De qualquer forma ele deve ter entrado em êxtase com a atenção recebida. Entrava na internet e via reportagens sobre sua “arte” em jornais internacionais mundo afora. Mas o pior estava por vir!

Em maio de 2012, o site bestgore.com, um horripilante site de bizarrices, recebeu um vídeo intitulado 1 Lunático 1 Picador de Gelo. O vídeo chocou até a cúpula do site acostumada com tudo quanto é tipo de perversidades. Nele, um homem amarrado a uma cama era selvagemente esfaqueado e esquartejado. Com os pedaços do corpo o assassino praticava necrofilia e até chegou a comer partes com um garfo. Seria o vídeo real?

Poucos dias depois a polícia canadense confirmaria a autenticidade do vídeo. Partes do corpo foram ainda mandadas por correio para os principais partidos políticos do país. O homem morto no vídeo era um estudante chinês chamado Lin jun, um suposto amante de Luka Magnotta.

Magnotta fugiu do Canadá direto para a Europa. Lá, enquanto era procurado pela Interpol, postou vídeos no youtube dizendo: “O que foi? E oi para todos os meus fãs!”

O sádico psicopata assassino foi preso na Alemanha em junho de 2012. Chegava ao fim seus mortais 15 minutos de fama.

Magnotta é uma pessoa doente que viveu uma mentirosa fantasia de vida.

Esse texto é uma resumo, uma síntese, leia o caso completo no link 1 Lunático 1 Picador de Gelo . Vídeos, fotos, entrevistas com Magnotta, os vídeos que ele colocou no Youtube… veja tudo no link acima.

O Aprendiz Verde - Crime 13


Rudy Eugene

28 de Maio de 2012. Miami, Estados Unidos

Quais as chances de se flagrar um canibal agindo ao vivo? Não muitas, mas no dia 28 de maio de 2012, em Miami, nos Estados Unidos, o improvável aconteceu, e em plena luz do dia.

Imagine a cena: Um homem completamente nu sob o escaldante sol das 14:00 horas da tarde. Ele vem andando cambaleando por uma passarela ao lado de uma das avenidas mais movimentadas da cidade. De repente, este homem nu enxerga um outro homem dormindo na passarela. O que o homem nu faz? Ele começa a espancar o homem que estava dormindo, deita-se sobre ele e começa a MASTIGAR, isso mesmo, mastigar e comer o seu rosto.

Serial killers - O Canibal de Milwaukee - Olhar

Testemunhas observam horrorizadas a cena e chamam a polícia. Um policial chega e se aproxima do homem que continua a mastigar e comer o rosto do outro. O policial grita para o homem parar. Ele nem dá moral. O polícia grita de novo e de novo até que… O homem nu pára de mastigar o rosto do homem e vira-se para o policial, o olha fixamente e… rosna para ele. Então, volta a mastigar e comer o rosto do homem. O policial não tem alternativa. São precisos seis balas para matar o homem nu.

Não, não é uma cena da série The Walking Dead. Essa é uma cena real, ocorrida em Miami. O caso que ficou mundialmente conhecido como “Zumbi de Miami”, deu início a histeria coletiva sobre um possível “Apocalypse Zumbi”. Fenômeno que logo foi descartado em um anúncio oficial do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos:

“não sabemos de um vírus ou condição que possa reanimar mortos (ou aqueles com sintomas parecidos com zumbis)”.

A teoria mais aceita é que o homem nu, Rudy Eugene, 31 anos, estava sob efeito de uma nova e potente droga, os chamados sais de banhos. A droga é conhecida por aumentar a temperatura corporal (o que faz com que os usuários se livrem de suas roupas), além de causar paranoia e ataques de violência. A vítima, Ronald Poppo, 65 anos, sobreviveu ao ataque mas teve 75 por cento do rosto perdido.

Leia neste link uma matéria completa sobre o Zumbi de Miami.

Leia também: Ataques “Zumbis” explodem no mundo.

O Aprendiz Verde - Crime 14


Ghazala Javed

18 de Junho de 2012. Peshawar, Paquistão

Ghazala Javed tinha um sonho e o seu sonho era cantar. Mas diferentemente de outras jovens mulheres que tem o mesmo sonho, para ela, o sonho de cantar era muito mais difícil e perigoso por um simples motivo: Ghazala nasceu num lugar onde as mulheres não passam de objeto, um lugar onde as mulheres são tratadas como animais, o Paquistão.

Fechadas em suas próprias casas ou flertando com a morte ao se arriscarem a sair, as mulheres do Paquistão, aprendem a viver sob as regras duras dos talibãs.

“Não estamos em segurança em lugar nenhum, nem em casa. Vivemos com medo. A vida torna-se cada vez pior para as mulheres de Swat”, disse Huma Batool, uma professora de 42 anos, moradora da cidade de Swat, para uma reportagem da BBC de Londres.

Foi nessa mesma cidade que Ghazala Javed nasceu em janeiro de 1988. E diferentemente da maioria das mulheres do Paquistão, Ghazala foi atrás do seu sonho, mesmo que isso significasse ter sua vida em risco. Ela começou a cantar em 2004. Logo tornou-se conhecida, não só no Paquistão, mas também no país vizinho, o Afeganistão. Chegou a apresentar-se em Dubai, nos Emirados Árabes, ganhando 15 mil dólares por show. Tornou-se a artista mais bem paga da chamada Pashto music (língua nativa dos Pachto, povo nativo da Ásia Central). Ficou tão popular que chegou a gravar um dueto com Raheem Shah, um dos cantores mais famosos do paquistão. Veja abaixo!



Na Foto: Ghazala Javed. Ghazala lançou mais de uma dúzia de álbuns que a tornaram uma popular cantora entre o povo pashto.

Em 2009 ela ficou mundialmente conhecida ao desafiar um decreto do grupo extremista Talibã que proibia a música e a dança na região de Swat. O talibã espalhava (e ainda espalha) o caos no nordeste do Paquistão, aterrorizando a população com assassinatos e decapitações, assim como ataques a escolas que aceitam meninas e estabelecimentos que ensinam danças e música.

Em 2010, ela casa com Jehangir Khan, um comerciante da cidade de Peshawar. Seis meses após o casamento ela surpreende novamente o Paquistão ao pedir o divórcio do marido. O divórcio é um pedido incomum na machista e conservadora sociedade paquistanesa, na qual muitos consideram que uma mulher que toma essa decisão desonra e desmoraliza o marido.

Jehangir Khan era um homem machista e autoritário, que proibia Ghazala de cantar. Mas a gota d’água para o pedido de divórcio de Ghazala foi quando ela descobriu que Jehangir tinha uma outra esposa. O divórcio pedido por Ghazala tomou conta dos jornais locais, a maioria condenou o ato da cantora.


Na Foto: Ghazala Javed. Ghazala causou espanto no mundo islâmico quando pediu o divórcio do seu marido ao descobrir que ele tinha outra esposa. Ela voltou a morar com os pais depois de ficar casada durante seis meses.

Ghazala Javed teve uma vida curta, porém, sua história de vida, assim como o de muitas outras mulheres assassinadas em países fundamentalistas, serve de inspiração para muitas outras mulheres que lutam pelos seus direitos e, principalmente, por seus desejos. Ghazala Javed foi covardemente assassinada no dia 18 de Junho de 2012 em Peshawar, Paquistão.

“Dois homens em uma moto abriram fogo contra ela e a deixou em uma poça de sangue,” disse o oficial da polícia de Peshawar, Dilawar Bangash.

Ghazala saia de um salão de beleza juntamente com seu pai e sua irmã quando dois homens em uma moto deram vários tiros em sua direção. Seu pai levou três tiros e também não resistiu aos ferimentos, morreu ao lado da filha.

Um crime de honra cometido pelo ex-marido de Ghazala? Um atentado do grupo Talibã? Uma frase de uma amiga de Ghazala resume bem o sentimento

“Nós poderíamos sofrer atentados por dizer qualquer coisa, seja a favor ou contra ela, mas eu só gostaria de deixar aqui o meu respeito por ela. Ela certamente foi um modelo para muitas jovens cantoras e uma grande companheira minha”, disse uma amiga de Ghazala, também cantora, que não quis se identificar.


Na Foto: O corpo de Ghazala Javed em uma maca no necrotério de Peshawar.

Para a irmã de Ghazala, Farhat Javed, que presenciou toda a cena, não há dúvidas: Os dois homens que atiraram na sua irmã são Jehangir Khan e seu sobrinho, de nome Iqbal.

“Atire nela! O que está esperando?, teria gritado Iqbal para o tio.

Em agosto de 2012, a polícia paquistanesa prendeu o ex-marido de Ghazala e o acusou formalmente pela morte da cantora. Veja no vídeo abaixo.

Facebook oficial: www.facebook.com/GhazallaJaved

Nome: Jehangir Khan

Idade: 50 anos

Ocupação: Comerciante

Acusação: Assassinato

Data: 18 de Junho de 2012

Local: Peshawar, Paquistão

Obs.: No chamado “crime de honra”, Jehangir assassinou com 6 tiros sua ex-mulher.

Motivo: O pedido de divórcio da ex-mulher.

Situação: Preso

Obs.: Uma materia completa sobre Ghazala Javed pode ser vista no The Daily Beast.

O Aprendiz Verde - Crime 15

Ogad Singh

19 de Junho de 2012. Rajasthan, Índia.

Um dia após o assassinato de Ghazala Javed no Paquistão, uma outra mulher asiática seria vítima da ignorância que impera em centenas de regiões islâmicas na Ásia. O dia 19 de Junho de 2012 ficou marcado por um crime bárbaro na Índia.

Manju Kanwar Singh, 20 anos, a filha do indiano Ogad Singh, vivia com os pais em uma aldeia chamada Dengari na província de Rajasthan, depois de deixar o marido. Segundo o Superintendente da polícia local, Umesh Ojha, a garota estava saindo com outros homens e o seu pai ficou furioso quando ela fugiu com um deles há duas semanas.

“Oghad disse que estava farto do estilo de vida da filha,” disse Umesh Ojha.

O pai foi atrás e a obrigou a voltar para casa. E o que ele fez?

“Ele me disse que ele tirou a espada e quando a filha estava sozinha na casa ele a decapitou com um único golpe e sua cabeça caiu no chão,” disse Narayan Singh, um parente de Oghad.

Após decapitar a própria filha com uma espada, Ogad pegou sua cabeça e saiu andando pelas ruas da aldeia, como se estivesse mostrando aos outros que sua “honra estava mantida”.

Segundo Oghad, ele matou sua filha pois ela trouxe desonra para a família, além do mais, sua fuga com outro homem faria com que ficasse difícil suas duas outras filhas arrumarem maridos.

Cerca de 100 homens compareceram ao funeral de Kanwar Singh, muitos deles, parentes vestindo turbantes cerimoniais, cercaram o corpo da garota que teve a cabeça costurada por um médico-legista. Sua mãe e irmãs foram proibidas de assistir ao funeral devido à cultura milenar que proíbe mulheres de comparecerem a esse tipo de cerimônia.

Atualmente as jovens indianas tem cada vez mais resistido às tradições do país como os casamentos arranjados e os vários limites impostos sobre elas. Mulheres que se aventuram fora da casa dos pais ou que namoram escondido sempre acabam em maus lençóis. A Índia é considerado um dos piores países para as mulheres, infanticídio feminino e casamentos infantis ainda são muito comuns. Bom, o que dizer? Infelizmente ainda existem povos que vivem na Idade Média.

O Aprendiz Verde - Crime 16


James Eagan Holmes

20 de Julho de 2012. Aurora, Colorado. Estados Unidos.

Por mais que os Estados Unidos estejam, de certa forma, acostumados com assassinatos em massa, ainda é difícil a sociedade norte-americana aceitar o que aconteceu em um cinema da cidade de Aurora, no estado do Colorado, no dia 20 de julho de 2012. Nesse dia, acontecia a pré-estréia da aguardada sequência de Batman. Vários cinéfilos entraram fantasiados, uns com máscaras, capas, armas de brinquedo… mas um deles não!

James Eagan Holmes, 24 anos, escondia dentro de sua capa preta uma verdadeira coleção de armas.

Nascido em San Diego, Califórnia, Holmes cresceu na cidade de Castroville onde era conhecido pelo seu gosto por futebol. Em 2006, antes de entrar para a universidade, ele trabalhou como estagiário no Salk Institute onde desenvolvia códigos computacionais na linguagem flash para experimentos na área de biologia. Foi descrito pelo seu supervisor como teimoso, pouco comunicativo e socialmente inapto. Em 2010, formou-se com honras pela Universidade da California. Em junho de 2011 ele começou seu doutorado em neurociência pela Universidade do Colorado, na cidade de Aurora. Ele recebeu 40 mil reais para suas pesquisas na Universidade. Ele também foi chamado pela Universidade de Illinois, com uma oferta de 45 mil reais para realização do seu doutorado, mas recusou. Professores da instituição lembram dele devido a uma foto que ele enviou para a Universidade ao lado de uma Lhama.


Na Foto: James HolmesNa Foto: James Holmes ao lado de uma Lhama. Fotografia foi enviada junto com sua monografia de final de curso para a Universidade de Illinois. Créditos: Reuters.

Em 2012 seu desempenho acadêmico caiu e ele inexplicavelmente abandonou seu doutorado. Em 22 de maio comprou uma pistola Glock e seis dias depois uma espingarda Remington 870. Em 7 de junho comprou um rifle semi-automático Smith & Wesson e uma segunda Glock. Todas as armas foram compradas legalmente.

No dia 10 de julho de 2012, James Holmes enviou um caderno para um psiquiatra da Universidade do Colorado cheio de informações de como ele planejava matar pessoas. Havia ilustrações e desenhos sobre o que ele iria fazer, desenhos e ilustrações do massacre. Esse caderno nunca chegou ao psiquiatra pois ficou retido nos correios.

Dez dias depois a polícia recebia chamadas desesperadas vindas de um shopping em Aurora. Um atirador havia aberto fogo contra espectadores dentro de uma sala de cinema. Ao chegar ao estacionamento, um homem vestindo roupas e capa preta, de cabelo laranja, chama à atenção da polícia. É James Holmes, que não resiste à prisão.

“Eu sou o coringa!”, diz ele aos policiais.

Doze pessoas morreram no massacre. Outras 58 ficaram feridas.

Na Foto: Alex Matthew Sullivan, 27 anos. Alex comemorava o seu aniversário de 27 anos com amigos.Na Foto: Alex Matthew Sullivan, 27 anos, em foto do seu álbum de casamento ocorrido em 2011. Alex foi um dos 12 mortos no Massacre de Aurora. Ele comemorava o seu aniversário de 27 anos com amigos no cinema.

Na Foto: Tom Sullivan, pai de Alex Matthew Sullivan, se desespera ao saber que o filho é um dos 12 mortos do massacre.Na Foto: Tom Sullivan, pai de Alex Matthew Sullivan, se desespera ao saber que o filho é um dos 12 mortos do massacre.

Na Foto: Alexander Jonathan, 18 anos. A.J. como era conhecido foi uma das 12 vítimas do massacre. Na Foto: Alexander Jonathan, 18 anos. A.J. como era conhecido foi uma das 12 vítimas do massacre. Ele havia convidado uma garota para ir ao cinema com ele. Era o primeiro encontro dos dois. Ela sobreviveu ao ataque.

Na Foto: Veronica Moser Sullivan, 06 anos. Veronica foi a mais jovem a ser morta no ataque. Sua mãe, Ashley Moser, foi Na Foto: Veronica Moser Sullivan, 06 anos. Veronica foi a mais jovem a ser morta no ataque. Sua mãe, Ashley Moser, foi baleada nas costas e ficou paraplégica.

Na Foto: Ashley Moser, 25 anos. Ashley foi uma das 58 feridas no ataque. Ela foi baleada e ficou paraplégica. Sua filha, Na Foto: Ashley Moser, 25 anos. Ashley foi uma das 58 feridas no ataque. Ela foi baleada e ficou paraplégica. Sua filha, Veronica Moser, 06 anos, foi uma das 12 vítimas de James Holmes.

Lynne Fenton, uma psiquiatra que atendeu James Holmes na Universidade do Colorado, chegou a advertir membros de uma equipe de avaliação de saúde mental de pacientes na universidade sobre o estado mental de Holmes. Entretanto, nenhuma providência foi tomada pois James se desligou da universidade.

Surto psicótico? Fingimento? Ou um assassinato meticulosamente planejado por alguém frio e calculista?

São perguntas que só serão respondidas durante o seu julgamento. Atualmente todos os registros sobre a vida de James Holmes foram retidos pelas autoridades norte-americanas. A operação faz parte dos preparativos para o seu julgamento. Um juiz chegou a impor uma ordem de silêncio sobre o caso.

Leia também: James Holmes & A Violência Midiática

O Aprendiz Verde - Crime 17

John Yakubu e Ishaya Dakulu

22 de Julho de 2012. Abuja, Nigéria

Em 2010 uma reportagem da BBC deixou meio mundo de queixo caído. A reportagem da rede britânica revelou que rituais envolvendo sacrifício de crianças em Uganda, na África, são muito mais frequentes do que se imaginava. Um ex-curandeiro, mostrado na reportagem, confessou o assassinato de cerca de 70 crianças, todos para fins ritualísticos. Para muitos outros, a reportagem da BBC não mostrou nada de mais, e só comprovou a existência de uma prática milenar no continente mãe. Esse tipo de ritual, onde crianças são mortas para que seu sangue e órgãos possam ser oferecidos a espíritos ou canibalizados, existe em várias tribos e povos da África. E um assassinato ocorrido em julho de 2012 na Nigéria comprova esse fato.

No dia 22 de Julho de 2012, policiais nigerianos receberam uma denúncia macabra: dois homens estariam andando com uma cabeça humana pelo bairro de Asokoro, na cidade de Abuja, capital da Nigéria.

Homens do Serviço de Segurança do Estado (SSS), começaram a perambular pelo local e logo eles confirmaram a denúncia. Eles flagraram dois homens carregando a cabeça de uma criança.


Na foto: John Yakubu e Ishaya Da-Kulung foram presos em flagrante pela polícia nigeriana carregando a cabeça de uma criança. Na foto acima a polícia registra o momento do flagrante.

O que esses dois homens estavam fazendo com uma cabeça?

O crime tem motivação ritualística. A cabeça do menino seria usada em rituais de adoração a espíritos (ou satânicos vai saber…). Um dos presos, Ishaya Da-Kulung, confessou ter contactado John Yakubu. Ishaya queria uma cabeça fresca, uma cabeça que seria repassada a uma terceira pessoa, provavelmente um feiticeiro (ou algo do tipo). Com a promessa de receber 250 nairas, cerca de R$ 3,30 (isso mesmo! Três reais e trinta centavos), John Yakubu foi até a sua aldeia encontrar uma “cabeça”. Lá, ele enganou seu vizinho de 7 anos de idade, Samu Danjuma.

“Eu cortei a cabeça de Danjuma após enganá-lo perguntando se ele queria comer pão e ele respondeu sim! Então eu comprei um pão por 60 centavos e dei para ele. Quando ele estava comendo eu perguntei se ele queria ir comigo até um rio próximo nadar. Quando chegamos no rio, eu entrei e ele ficou sentado na beira. Falei para ele vir nadar comigo. Eu o afoguei antes de cortar sua cabeça e deixei o corpo no rio”, disse John Yakubu.

John pôs a cabeça em um saco e voltou para Abuja. Encontrou com Ishaya e ambos provavelmente levariam a cabeça até o feiticeiro quando foram parados pela polícia.

Horripilante, não?

O Aprendiz Verde - Crime 18


Rafael Max Dias e Jefferson Castro

14 de Agosto de 2012. San Matías, Bolívia

A história dos brasileiros Rafael Max Dias e Jefferson Castro prova algo que a sabedoria popular já sabe a bastante tempo: O crime não compensa!

De  Várzea Grande, no Mato Grosso, os dois não eram flor que se cheire, principalmente Rafael. A trágica história dos dois começa quando ambos cruzam a fronteira para a Bolívia na tentativa de vender uma moto na cidade de San Matías. A cidade é conhecida como um ponto de esconderijo de bandidos brasileiros que cometem crimes aqui e cruzam a fronteira para se esconderem. É também um ponto de entrada de drogas para o Brasil.

As evidências do negócio ilegal estão por toda a cidade. Em ruas de terra vermelha batida e casas modestas, circulam carros novos, a maioria fabricados no Brasil. E muitos sem placas. Investigações da polícia brasileira indicam que San Matías e San Ignacio são as principais cidades do outro lado da fronteira que mais recebem bens roubados no Brasil. Muito provavelmente a moto que a dupla brasileira tentava vender na Bolívia era roubada.

Eles encontraram com três bolivianos que queriam comprar a moto. Eles eram:

  • Paulino Parabá, 33 anos,
  • Édgar Suárez, 26 anos e
  • Vanderley Costa, 27 anos.

Os três começam a negociação mas Rafael não gosta da proposta dos bolivianos. Os cinco homens começam uma discussão. Rafael saca o revólver e mata os três bolivianos. Os dois brasileiros fogem e se escondem na mata boliviana. Policiais vão no seu encalço e cercam os dois numa mata. Rafael atira até a bala do seu revólver acabar. Os dois então são presos.


Na Foto: O momento em que Rafael é preso por 2 policiais bolivianos numa mata local. Rafael trocou tiros com a polícia até ficar sem munição.

Na Foto: Rafael e Jefferson presos na cadeia de San Matias, Bolívia. Jefferson foi preso como cúmplice de Rafael.

Na Foto: Os dois brasileiros presos na cadeia de San Matinas, Bolívia.

A história dos dois criminosos poderia ter terminado aqui. Mas se a história dos dois tivesse terminado aqui, com certeza eu não estaria aqui escrevendo sobre os dois. Quer saber porque eu estou escrevendo sobre eles???

Rafael e Jefferson foram levados para a pequena cadeia de San Martin e trancados numa cela. Talvez a cadeia de San Martin não tenha o tamanho da sua sala de estar, caro leitor. Toda cidade possui apenas 10 policiais. O que isso quer dizer? Isso quer dizer que quando uma multidão enfurecida, de mais de 300 pessoas, chegou na delegacia para fazer justiça com as próprias mãos, os policiais não puderam fazer nada!

“Era impossível controlar esta gente. Temos sete policiais, nada mais”, disse o policial boliviano Grover Ramos.

O que a população enfurecida fez com a dupla brasileira? Eles fizeram isso:

Clique nos Links Abaixo… se puder

Foto1

Foto2

Enfurecidos pelas mortes dos três bolivianos, mais de uma centena de moradores invadiu a cadeia de San Matias para vingar a morte dos conterrâneos. Os brasileiros foram brutalmente espancados pela multidão na frente da delegacia. Os poucos policiais não puderam fazer nada. Após serem linchados, a população encharcou o corpo dos dois com gasolina e ateou fogo nos dois ainda vivos.


Antes de serem queimados vivos, os brasileiros foram brutalmente linchados. Na foto, autoridades bolivianas recolhem os corpos dos brasileiros.

Na Foto: Durante o linchamento dos brasileiros, a população de San Matias incendeia o carro da polícia local.

O assassinato dos brasileiros causou desconforto entre os dois países.

“O Governo brasileiro tomou conhecimento, com grande consternação, do assassinato dos cidadãos brasileiros Rafael Max Dias e Jefferson Castro Lima, por moradores da localidade de San Matías, na Bolívia, próximo à fronteira com o Brasil, quando se encontravam sob detenção em prisão local. A embaixada em La Paz foi instruída a manifestar às autoridades bolivianas repúdio ao crime contra os cidadãos brasileiros e a insistir que adotem medidas para evitar que ocorram situações similares”, disse em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores brasileiro.

A Polícia Federal chegou a mandar agentes para a cidade para acompanhar as investigações sobre a morte da dupla pela polícia boliviana e confirmou toda a história. Dias depois os corpos dos dois brasileiros foram exumados e transferidos para o Mato Grosso.

Com relação a esse caso, o que eu tenho para dizer é o seguinte. Não é porque é um bandido, estuprador ou assassino, que merece morrer. Não se combate um crime realizando outro. Isso não é justiça, isso é assassinato. Matando-os, aquelas pessoas, que se barbarizaram com os assassinatos cometidos pela dupla brasileira, nada mais fizeram do que se rebaixar ao mesmo nível deles, o de assassinos. São tão assassinos quanto eles. E lugar de assassino é onde?

O Aprendiz Verde - Crime 19

Barbara Regina Gomes

Primeiro de Setembro de 2012. Maceió, Alagoas.

No dia primeiro de setembro de 2012, a universitária alagoana Bárbara Regina Gomes, 21 anos, desapareceu misteriosamente após sair de uma boate em Maceió. Ela foi até a boate com amigos e, estranhamente, foi embora sozinha com um homem que conhecera dentro da casa.

A estudante de contabilidade já havia sido candidata a Miss Alagoas em 2006 e era descrita como alegre e responsável por amigos e familiares. A polícia analisou as imagens das câmeras de segurança da boate e nelas é possível ver Bárbara saindo acompanhada de um homem.

O desaparecimento da jovem intrigou a polícia e durante mais de 20 dias nenhuma informação sobre as investigações foram reveladas. A família chegou a fazer um apelo emocionado em uma página no facebook:


Obs.: Clique Na Imagem Para AmpliarObs.: Clique Na Imagem Para Ampliar

E no dia 21 de setembro de 2012, uma sexta-feira, a polícia alagoana convocou uma coletiva de imprensa para dar informações sobre o caso. Para eles o caso já havia sido desvendado, mas faltavam duas coisas: encontrar o corpo da estudante e prender o seu assassino.

Segundo os investigadores, Bárbara foi morta por Otávio Cardoso da Silva Neto, de 25 anos. Eles se conheceram dentro da boate e Otávio a convenceu a ir embora com ele. Acredita-se que Otávio tenha tentado fazer sexo com Bárbara e diante da negativa da estudante, a levou para um canavial, a estuprou, estrangulou e a esfaqueou dezenas de vezes com um punhal.

Abaixo o vídeo da câmera de segurança da boate mostra o triste momento em que Bárbara sai da boate com o seu futuro assassino.

A pergunta que não quer calar: Por que Bárbara saiu sozinha da boate com um homem que acabara de conhecer?

A resposta pode estar no próprio assassino. Otávio é descrito por amigos, familiares e pela própria polícia como um psicopata.

Uma das características mais comuns nos psicopatas são suas personalidades encantadoras e atraentes. São manipuladores e podem facilmente ganhar a confiança de qualquer pessoa. São pessoas que aprendem a imitar emoções, apesar de sua incapacidade para realmente sentí-los, o que faz com que, aos olhos de outras pessoas, pareçam inocentes e normais. Então não é difícil entender porque Bárbara, uma jovem que não costumava sair sozinha com homens, cedeu aos “encantos” de Otávio.


Na Foto: Otávio Cardoso da Silva Neto Na Foto: O maníaco sexual Otávio Cardoso da Silva Neto

Na Foto: Otávio e um amigo tiram uma foto em uma festa na cidade de Murici, Alagoas. Essa foi foto teria sido tirada após o assassinato de Bárbara, ou seja, mesmo foragido, o psicopata parece frequentar festas. Estaria ele procurando novas vítimas?Na Foto: Otávio e um amigo tiram uma foto em uma festa na cidade de Murici, Alagoas. Essa foi foto teria sido tirada após o assassinato de Bárbara, ou seja, mesmo foragido, o psicopata parece frequentar festas. Estaria ele procurando novas vítimas?

Esse é apenas mais um caso que ilustra bem o perigo que esses homens representam para a sociedade, principalmente para mulheres. A maioria das pessoas diagnosticadas com psicopatia não chegam a matar, mas os que matam, tem como suas principais vítimas as mulheres. Ted Bundys, Otávios… existem às centenas e estão nas ruas esperando o momento certo para atacar.

Existem indícios de que Otávio tenha praticado outros assassinatos, fato não confirmado pela polícia mas também não descartado. Até o presente momento a polícia não conseguiu encontrar o corpo da estudante. Otávio também continua foragido. No dia 10 de outubro, a Polícia Civil de Alagoas divulgou um vídeo de Otávio dentro de uma loja de conveniência. O vídeo foi gravado um dia depois dele ter assassinado a estudante.

Atualização do caso: Reviravolta no caso Bárbara. Leia aqui.

O Aprendiz Verde - Crime 20

Zaheen Zafar

29 de Outubro de 2012. Kotli, Paquistão.

Até onde pode chegar a ignorância? A maldade?

No Paquistão, Mohammad Zafar e sua esposa Zaheen Zafar foram presos pela polícia após praticarem um crime bárbaro. O crime ocorreu em um remoto vilarejo ao sul da cidade de Kotli, em 29 de outubro último.

Qual o crime? O casal simplesmente assassinou a própria filha, Anusha, de 15 anos de idade.

A polícia começou a desconfiar dos pais quando o rosto de Anusha foi coberto durante o seu funeral, o que não é uma prática normal na sociedade muçulmana de Kotli.

“Tinha um menino que veio em uma moto. Ela olhou para ele duas vezes. Eu disse para ela não fazer aquilo, é errado. As pessoas falam de nós porque nossa filha mais velha era do mesmo jeito,” disse o pai da garota.

É isso mesmo! Anusha foi morta porque olhou para um menino. E foi morta de uma forma horrenda: sua mãe jogou ácido na filha.

“A mãe de Anusha não deveria ter feito isso. Eu não consigo dormir e sempre que eu fecho meus olhos, eu vejo seu rosto queimado,” disse o pai.

“Eu não fiz de propósito, eu não faria isso de novo. Já que fiz, era o seu destino morrer dessa forma,” disse a mãe da garota.

Anusha teve 60 por cento do corpo queimado pelo ácido. Seus pais só a levaram ao hospital no dia seguinte onde já chegou em estado crítico.

A região de Kotli no Paquistão é uma região conhecida pelos chamados “crimes de honra”. A Comissão dos Direitos Humanos do Paquistão informou que mais de 900 mulheres foram assassinadas no ano passado depois de serem acusadas de trazer vergonha, de alguma forma, para a família. Vocês mesmo já leram aqui, o post de Ghazala Javed, morta pelo marido também em um crime de honra. Em março último, o governo do Paquistão criou uma lei que pune com a prisão perpétua crimes onde o atacante joga ácido na vítima.

No vídeo abaixo pode ser vista uma reportagem da BBC Brasil sobre o crime. O casal é entrevistado por repórteres e a mãe de Anusha mostra o seu braço queimado pelo ácido que jogou na filha. O final do vídeo é cortado, mas no final, a triste cena do pai que possivelmente passará o resto da vida na cadeia, com seus outros quatro filhos pequenos, todos chorando.

Obs.: Veja o vídeo completo no link a seguir: http://www.bbc.co.uk/news/world-asia-20202686

O Aprendiz Verde - Crime 21

Sarah Cafferkey

10 de Novembro de 2012. Melbourne, Austrália

Esse caso é emblemático pois mostra de uma vez por todas algo que a polícia já sabe a muito tempo: Criminosos, estupradores, assassinos, psicopatas, pedófilos e etc, não atacam ou seguem uma vítima apenas nas ruas. Cada vez mais, eles usam a internet como um atalho para suas maldades. É também um alerta para os adolescentes de hoje, que acham que por estar atrás de um computador, estão seguros e podem fazer o que quiser. A maldade pode estar do outro lado da tela.

Sarah Cafferkey era uma jovem como outra qualquer. Gostava de passar horas na internet conversando com amigos no msn ou nas redes sociais. Posava para inúmeras fotos e compartilhava a maioria no seu perfil no facebook. Fazia montagens nas fotos, poses diferentes, com maquiagem, sem maquiagem, etc. Para a maioria das jovens como ela, tudo era uma festa. Postava também vídeos no Youtube brincando com suas amigas.

Mal Sarah sabia que uma de suas principais diversões serviria de atalho para sua prematura morte. Em 10 de novembro último, Sarah Cafferkey, de 22 anos, desapareceu de sua casa em Melbourne, Austrália. Uma semana depois a triste notícia: Seu corpo foi encontrado em Point Cook, um subúrbrio da cidade, dentro de um latão.

O assassinato da jovem foi solucionado com uma ferramenta muito utilizada por adolescentes do mundo inteiro. Uma ferramenta que já a algum tempo é uma forte alidada da polícia: O Facebook. Investigando as interações da garota pela rede social, a polícia australiana encontrou 2 suspeitos.

Sarah tinha cerca de mil amigos na rede social e um deles, Steven Hunter, de 47 anos, se tornou o principal alvo da investigação. O homem, que descrevia sua casa no facebook como “masmorra do estupro”, já havia sido condenado anteriormente, em 1986, por esfaquear uma jovem até a morte.

A polícia descobriu que, em quatro de novembro, seis dias antes de Sarah desaparecer, ela teve uma pequena discussão com o homem no Facebook. Em um post, Steven Hunter e outro usuário, Chris Stewart, sugerem fazer sexo a três com a garota. Irritada, ela criticou a “maneira como a mente deles” funcionava e pediu que o “comportamento imaturo” parasse ou ela iria bloquear os dois de seu perfil.


Na Foto: Uma foto postada por Sarah no facebook fez surgir vários comentários dos seus amigos, dentre eles, o de 2 homens.

-> Steven Hunter: “Adorei as fotos … Parece bom. De partir o coração lol.”

-> Sarah Cafferkey: “Hehe não perca o seu tempo amigo (:”

-> Steven Hunter: “Mesmo… É melhor ter uma bebida lol. Vejo você!”

-> Chris Stewart: “Sim eu também, vamos fazer a 3″

-> Sarah Cafferkey:“Ao contrário da forma como sua mente funciona, nem todo mundo opera de um maneira sexual. Pessoas maduras do sexo oposto são capazes de ter uma amizade baseada em interesse genuíno. Pare de ser imaturo sob o facebook. Vou deletar voce se voce for incapaz de ser normal.”

Sarah (que morava sozinha) não sabia, mas poucos dias depois, seu amigo de facebook, Steven Hunter, iria até sua casa fazer uma “visita”.

As autoridades entraram em contato com os dois homens. Chris Stewart prestou depoimento e foi liberado, porém Steven Hunter, sumiu do mapa. Ele não foi encontrado em sua casa e não apareceu para trabalhar.

No fim de novembro, Steven Hunter foi preso e confessou o assassinato de Sarah. A polícia acredita que Steven Hunter foi até a casa de Sarah e a viu no jardim tomando uma cerveja. O homem se aproximou dela e começou uma conversa. Sarah não sabia, mas estava conversando com o “simpático” homem que dias antes ela discutiu no Facebook. Na conversa de ambos no Facebook, Steven diz: “É melhor ter uma bebida lol”

Será que Steven pediu uma bebida a Sarah? Será que ela entrou na casa para pegar uma bebida? Ele foi atrás dela? Não se sabe. Mas o fato é que Steven matou Sarah dentro da sua própria casa, com várias facadas. Colocou o seu corpo dentro do seu próprio carro e dirigiu por Melbourne. No dia seguinte colocou o corpo de Sarah dentro de um latão em uma casa em Point Cook.


Na Foto: Sarah Cafferkey é enterrada em Melbourne em um caixão rosa, a sua cor preferida.Na Foto: Sarah Cafferkey é enterrada em Melbourne em um caixão rosa, a sua cor preferida.

Na Foto: O assassino de Sarah, Steven Hunter, é preso em Melbourne.Na Foto: O assassino de Sarah, Steven Hunter, é preso em Melbourne.

Mais detalhes sobre esse caso, provavelmente, apenas em fevereiro de 2013, quando Steven será julgado. Fica o alerta!

O Aprendiz Verde - Crime 22


Massacre em FamíliaMassacre em Família

07 de Dezembro de 2012. Penha, Santa Catarina. Brasil

Era noite de sexta-feira, 7 de dezembro. Clientes em um bar da rua Tijucas, município catarinense de Penha, bebiam animados e jogavam conversa fora enquanto outros apenas observavam a movimentação. Estamos numa cidade do interior brasileiro, em um bairro onde todo mundo conhece todo mundo, sabe o que todo mundo faz e em grande parte tem algum grau de parentesco.

Por isso quando gritos estarrecedores vindos do lote da família do aposentado Luiz Nilo Flores, 72 anos, ecoou pela rua, todos pararam o que estavam fazendo e começaram a olhar uns para os outros. O que estaria acontecendo dentro da casa do Luiz? A preocupação logo deu lugar ao desespero quando Luiz Carlos Flores, 38 anos, filho do aposentado, apareceu com as mãos na cabeça, desesperado e correndo pela rua. Ele gritava:

“Mataram meu pai, mataram minha irmã, mataram meu sobrinho, minha mãe… onde está minha mãe?”

Minutos depois, Roberto Luiz Flores, 50 anos, filho de Luiz Nilo e irmão de Luiz Carlos, acorda com os gritos da multidão que havia tomado a rua. Na sua janela, batidas frenéticas o fizeram pular da cama. Ele cruza a rua transtornado depois de ouvir da multidão que seus pais, sua irmã e seu sobrinho estavam mortos. Ao entrar no quarto dos pais, ele vê o corpo do seu pai caído ao lado da cama. No quarto da irmã Leopoldina, manchas de sangue denunciavam o horror, ela jaz deitada atrás da porta. O sobrinho estava morto em cima da cama do seu quarto. Pouco tempo depois, outro filho do casal encontraria o corpo da mãe, Carmem Cunha Flores, 69 anos, perto de uma vala no quintal.


Na foto: Imagem da casa da família Flores, local do massacre que vitimouObs.: Clique na imagem para ampliar. Na foto: Imagem da casa da família Flores, local do massacre que vitimou a família no dia 07 de dezembro de 2012. Créditos: Google Street View

Um verdadeiro massacre. A família inteira fora morta com violentos golpes de martelo e marreta que deixaram seus rostos desfigurados e cabeças espatifadas. Eles eram:

  • Luiz Nilo Flores, 72 anos,
  • Carmem Cunha Flores, 69 anos, esposa de Luiz
  • Leopoldina Flores, de 41 anos, filha do casal
  • Pedro Henrique, de 10 anos, filho de Leopoldina


Na Foto: O enterro da família Flores. Ao fundo é possível ver Luiz Carlos Flores (camisa azul). Na Foto: O enterro da família Flores. Ao fundo é possível ver Luiz Carlos Flores (camisa azul). Os caixões foram lacrados devido ao estado dos corpos.

A solução do crime foi imediata. O homem que vocês vêem na foto acima, desolado no enterro da sua própria família, foi quem matou com requintes de crueldade seu próprio pai, sua própria mãe, sua irmã e seu sobrinho.

A contradição no seu depoimento e a desconfiança de parentes foi o necessário para a polícia. Segundo o delegado Rodolfo Farah Valente Filho, as mortes não foram premeditadas. Luiz Carlos, que é usuário de cocaína, estaria sob efeito da droga quando matou a marteladas e marretadas a sua família. De comportamento difícil, muito devido ao seu vício, Luiz Carlos era sempre cobrado pela sua irmã Leopoldina. Na noite do crime, ele resolveu vingar da sua irmã. Além das cobranças, ele achava que ela explorava seus pais. Isso, porém, pode ser apenas uma desculpa. Na sua mente, ele achou que a morte da irmã traria muito sofrimento para os seus pais, e foi ai que ele também decidiu assassiná-los. Ele golpeou sua mãe com uma marreta no quintal, entrou na casa e assassinou violentamente a irmã e o pai com um martelo. O sobrinho foi morto por ter testemunhado o massacre.

Segundo o delegado, Luiz não possui antecedentes criminais e existe a possibilidade de que ele tenha cometido os assassinatos durante um surto psicótico, um acesso de loucura. Rodolfo Farah não descarta a hipótese de ele ter problemas psicológicos, mesmo tendo confessado a autoria do assassinato.

Uma curiosidade. Notaram uma senhora sentada num banquinho na imagem (mais acima) da casa onde ocorreu o massacre? Tirei a imagem do Google Street View. O Google Street View é um site que mostra cidades em 360 graus. Para isso, o Google coleta imagens usando câmeras especiais, além de fazer automaticamente a combinação das fotos tiradas com a localização exata, graças ao GPS (Sistema de Posicionamento Global).

É comum pessoas serem registradas pelas câmeras do Google Street View. E quando o google resolveu mapear a cidade de Penha em Santa Catarina, quem eles capturaram sentada no seu banquinho em frente à sua casa na rua Tijucas?


Na Foto: Dona CarmemClique na Imagem Para Ampliar. Na Foto: Imagem do Google Street View da rua Tijucas mostra a Dona Carmem Cunha Flores sentada no seu banquinho em frente sua casa. Imagem foi tirada pelo carro do Google e postada em setembro de 2011.

O Aprendiz Verde - Crime 22 mais 1

Adam LanzaAdam Lanza

14 de Dezembro de 2012. Newton, Connecticut. Estados Unidos.

Eu terminava o texto sobre os crimes do narcotráfico mexicano quando hoje, 14 de dezembro de 2012, dia que escrevo essas linhas, me deparei  com mais um triste e horrível crime: O massacre na escola Sandy Hook Elementary School, na cidade de Newton, estado norte-americano de Connecticut. Creio que nós, seres humanos dotados de empatia e compaixão, nunca teremos a capacidade racional de entender o que leva um adolescente a matar a própria mãe, invadir uma escola e assassinar, massacrar crianças. E mesmo que essa pessoa seja um doente, alguém com distúrbios mentais, é difícil entender.

O dia 14 de dezembro de 2012 entrou para a história norte-americana como o dia em que Adam Lanza, 20 anos, cometeu um dos piores assassinatos em massa da história do país. Dos assassinatos em massa cometidos por atiradores nos Estados Unidos, o Massacre em Newton fica atrás apenas do massacre cometido por  Cho Seung-Hui, que em 2007 assassinou 33 pessoas na Universidade da Virgina.

Noah Pozner, 6 anosNoah Pozner, 6 anos. Em foto tirada um dia antes de ser morto. Foto: Associated Press

Catherine Hubbard, 6 anosCatherine Hubbard, 6 anos. Foto Handout

Grace McDonnel, 06 anos. Foto: Associated PressGrace McDonnel, 6 anos. Foto: Associated Press

Josephine Gay, 7 anosJosephine Gay, 7 anos. Foto: Handout

Caroline Previdi, 6 anosCaroline Previdi, 6 anos. Foto: Handout

Olivia Engel, 6 anos. Foto: FacebookOlivia Engel, 6 anos. Foto: Facebook

Jessica Rekos, 6 anos. Foto: Facebook.Jessica Rekos, 6 anos. Foto: Facebook.

Dylan Hockley, 6 anos. Foto: FacebookDylan Hockley, 6 anos. Foto: Facebook


Emilie Parker, 6 anosEmilie Parker, 6 anos

Na Foto: Charlotte Bacon, 6 anos. Foto: HandoutNa Foto: Charlotte Bacon, 6 anos. Foto: Handout


Na Foto: Ana Marquez, 6 anosNa Foto: Ana Marquez, 6 anos. Foto: Enterprise News and Pictures

Na Foto: James Mattioli, 6 anosNa Foto: James Mattioli, 6 anos

Na Foto: Neil Heslin e seu filho Jesse Lewis, 6 anos, morto no Massacre em Newton.Na Foto: Neil Heslin e seu filho Jesse Lewis, 6 anos, morto no Massacre em Newton.

Na Foto: Chase Kowalski, 7 anos.Na Foto: Chase Kowalski, 7 anos.

Nancy Lanza, 52 anos, era a típica mulher norte-americana. Muito popular e querida entre os seus vizinhos, gostava de organizar partidas de dama e encontros de amigos em sua casa. Totalmente diferente de Nancy, era o seu filho mais novo, Adam Lanza, 20 anos. Adam era um solitário que parecia viver em um mundo paralelo. Não conversava com ninguém, não tinha amigos e parecia um vegetal. Mas quantos jovens mundo afora não são assim?

Diferentemente de outras mulheres, Nancy tinha um hobby peculiar: ela adorava armas. Tinha uma coleção legalmente constituída sob as leis do estado de Connecticut. E uma das diversões preferidas de Nancy era sair para atirar junto com seus dois filhos: Adam e Ryan. Mas o que Nancy nunca poderia imaginar é que numa sexta-feira, 14 de dezembro de 2012, Adam, o seu caçula, pegaria uma de suas armas e apontaria para o seu próprio rosto. E o pior: ele puxaria o gatilho.


Na Foto: Nancy Lanza, 52 anos. Nancy teve o seu rosto estraçalhado por um tiro dado pelo seu próprio filho no dia 14 de dezembro de 2012.Na Foto: Nancy Lanza, 52 anos. Nancy teve o seu rosto estraçalhado por 4 tiros disparados pelo seu próprio filho no dia 14 de dezembro de 2012.

Os planos de Adam para a manhã do dia 14 não envolvia apenas a sua mãe. Com uma máscara no rosto e vestindo um uniforme de combate preto e um colete militar. Ele pegou o carro de sua mãe e dirigiu até a Sandy Hook Elementary School. No banco de trás do carro, uma Glock e uma Sig Sauer, ambas pistolas, e uma rifle calibre .223.

O homem por trás da máscara

Dizer quem era Adam Lanza nessa altura do campeonato é chover no molhado,  tudo são apenas suposições. Há quem diga que a separação dos seus pais teria seriamente afetado o seu já “estranho” comportamento. Sua relação com o irmão Ryan também não era das melhores. Tão ruim que eles não se falavam a 2 anos. Um vizinho de Adam, Ryan Kraft, 25 anos, que cresceu com os Lanza, disse que os irmãos tinham comportamentos extremos.

“Adam dava birras. Eles não eram garotos normais e pareceram mais deprimidos após a separação dos pais.”

O vizinho de Adam também lembra de algo bastante incomum. Algumas vezes ele olhou o pequeno Adam enquanto Nancy saía para algum compromisso. E foi da mãe de Adam que Ryan Kraft escutou estranhas ordens.

“Ela (Nancy) dizia para ficar de olho nele o tempo inteiro, nunca virar as costas para ele, ou mesmo ir até o banheiro.”

A estranha ordem tem um porque. Adam sofria da Síndrome de Riley-Day, ou seja, por uma desordem em seu sistema nervoso, ele não podia sentir dor. Pessoas que sofrem dessa síndrome, podem cair em cima de agulhas ou se queimarem com fogo que mesmo assim não sentem dor. Por isso a preocupação da mãe de Adam.


Na Foto: Adam Lanza. Adam chegou a se queimar várias vezes na tentativa de sentir dor.Na Foto: Adam Lanza. Adam chegou a se queimar várias vezes na tentativa de sentir dor. “Ele queria sentir alguma coisa”, comentou sua mãe para amigos.

Os pais de Adam, Peter Lanza e Nancy Lanza, divorciaram-se em 2009, depois de 28 anos de casamento. Peter vive hoje na cidade de Stamford, também em Connecticut, com sua nova esposa. Ele é vice-presidente financeiro da General Electric, uma das maiores empresas de energia do mundo.

No colégio, Adam era calado, tímido e tinha um perfil gótico. Não gostava de contatos e quando alguém tentava conversar, ele respondia de forma grossa. Seu lugar preferido na sala de aula era a primeira cadeira ao lado da porta. Uma maneira rápida dele sair dali. Uma ex-colega, Olivia DeVivo, disse que: “Lembro dele falando sobre alienígenas e explosões. Não ficamos surpresos, ele sempre pareceu alguém que fosse capaz de fazer isso. Ele simplesmente não se conectava no colégio. Ele era tão invisível que as pessoas nem sequer percebiam que ele poderia estar com algum problema, que ele precisasse de ajuda psicológica.”

Matt Baier, outro ex-colega de Adam, disse que em situações sociais, Adam ficava bastante desconfortável, mas que ninguém o incomodava. “Ninguém o incomodava. Pelo que eu vi, as pessoas deixavam ele ser o que era.”

“Ele vestia roupa preta e seu rosto era branco. Ele e seu irmão andavam com pessoas estranhas”, disse Kathryn Urso, mãe de um ex-colega de Adam.

Beth Israel, mãe de uma ex-colega de classe de Adam, diz que ele sempre foi um garoto problemático.

“Adam era estranho desde os 5 anos. Por mais horrível que seja, não posso dizer que estou surpreso… Queime no inferno Adam!”, escreveu Tim Dalton, um ex-colega de classe, em seu perfil no Twitter. Tim posteriormente apagou o tweet.


Na Foto: Uma imagem tirada Na Foto: Uma imagem tirada no colégio mostra Adam ao lado de colegas de classe.

Apesar do lado obscuro de Adam, ele era reconhecido por seus colegas e familiares como bastante inteligente. Ele chegou a fazer alguns cursos de curta duração na Universidade do Estado de Connecticut, onde recebeu nota máxima em Ciência da Computação.

“Gostaríamos de sair com ele, ele era um bom garoto. Ele era inteligente. Ele foi, provavelmente, uma das crianças mais inteligentes que eu conheci. Ele provavelmente era um gênio,” disse Joshua Milas, ex-colega de Adam.

Marsha Lanza, tia de Adam, disse que ele foi criado em uma casa onde os pais nunca teriam hesitado em pedir ajuda para sua saúde mental.

“Nancy não negava a realidade”, disse Marsha.

Nancy parecia saber do problema do filho. Ela chegou a abandonar seu emprego de professora para cuidar do garoto.

Acima, o jornalista Jacob Wycoff diz em seu Twitter que Adam era autista e que sua mãe havia abandonado sua profissão para cuidar do filho.

Além de cuidar de Adam, ela passava os dias procurando por uma universidade que pudesse receber o filho. Ela planejava mudar com seu filho para um lugar onde ele pudesse continuar seus estudos. Os estados de Washington, Carolina do Sul e Carolina do Norte eram os preferidos.

“Eles recentemente foram a diferentes universidades procurando pelo melhor programa para Adam, e pela melhor moradia,” disse Russ Hanoman, um vizinho da família.

Entretanto, o desejo da mãe de ver o filho em uma universidade foi bruscamente interrompido por duas de suas paixões: O filho Adam e suas armas.

O Massacre

Nancy Lanza estava deitada em sua cama quando seu filho entrou no quarto. Ele deu quatro tiros a queima-roupa no seu rosto que ficou totalmente desfigurado. Após matar a mãe, Adam Lanza dirigiu até a escola onde estudou o Jardim de Infância, a Sandy Hook, onde chegou pouco antes das 9:30 da manhã (12:30 horário brasileiro).

As 9h30 da manhã começam as aulas na escola, que é rodeada por uma bucólica floresta. Adam entra na escola atirando contra a porta de entrada. Armado com um rifle Bushmaster com capacidade para mais de 30 tiros, e duas pistolas que juntas podem carregar 32 balas, ele abre fogo dentro da escola. Atacou inicialmente a primeira sala de aula que viu após entrar, e assim por diante.

Quando Adam Lanza abriu fogo dentro da escola, algumas professoras e professores esconderam-se debaixo de suas mesas com seus alunos. Outras não.

“Estávamos conversando quando ouvimos pop pop pop. Eu escondi debaixo da mesa, mas elas não. Elas não pensaram duas vezes em confrontar ou ver o que estava acontecendo,” disse Diane Day, uma terapeuta da Escola.

As mulheres as quais Diane se referem, que não se esconderam debaixo da mesa, são a diretora e a psicóloga da escola, Dawn Hochsprung, 47 anos, e Mary Sherlach, 56 anos. As duas foram mortas com vários tiros, assim como Lauren Rousseau, 30 anos, professora na escola.

Na Foto: A diretora da escola Sandy Hook, Dawn Hochsprung .Na Foto: A diretora da escola Sandy Hook, Dawn Hochsprung .

Na Foto: A psicóloga Mary Sherlach, 56 anos.Na Foto: A psicóloga Mary Sherlach, 56 anos.

Na Foto: A professora Lauren Rousseau, 30 anos.Na Foto: A professora Lauren Rousseau, 30 anos.

As 9h35, o serviço de emergência norte americano, 911, recebe a primeira chamada de socorro. Cinco minutos depois da chamada a polícia chega. Eles começam a evacuar estudantes e professores até uma estação do corpo de bombeiros que fica a 600 metros da escola.

Fotos mostram crianças chorando e saindo em fila indiana de dentro da escola.


Na Foto: Estudantes saem em fila indiana orientados por uma professora logo após os disparos dentro da escolaNa Foto: Estudantes saem em fila indiana orientados por uma professora logo após os disparos dentro da escola

As 9h45, 15 minutos depois de Adam dar o primeiro tiro, uma equipe da SWAT começa a varrer o local. Até esse momento ninguém sabia quem era o atirador ou se ele ainda estava dentro da escola.

Ao entrarem em uma das salas de aula, a equipe da Swat presencia uma cena chocante. Uma jovem mulher, uma professora, crivada de balas deitada no chão. Em baixo do seu corpo… crianças. Todas chorando. Ao abrirem o armário da sala. Os policiais encontram mais crianças.

A professora era Victoria Soto, 27 anos, muito popular entre os alunos. Victoria morreu protegendo seus estudantes. Ao escutar os tiros, ela escondeu seus alunos, todas crianças, dentro de um armário. Mas, aparentemente, ela não teve tempo de colocar todos. Adam Lanza entrou na sala. Ela entrou na frente das crianças, protegendo-as. Adam a crivou de balas.


Na Foto: Victoria Soto, 27 anos. Professora da Escola Sandy Hook, era bastante popular entre os alunos. Era conhecida pelo hábito de mascar chicletes.Na Foto: Victoria Soto, 27 anos. Professora da Escola Sandy Hook, era bastante popular entre os alunos. Era conhecida pelo hábito de mascar chicletes. Foto: Enterprise News and Pictures.

“Ela pegou suas crianças e colocou-as no armário. Perdeu sua vida protegendo aqueles pequeninos. Ela foi encontrada debruçada sobre suas crianças, seus alunos. Ela fez o que ela achava que era a coisa certa. Estou orgulhoso que Vicki tenha protegido suas crianças do mal,” disse Jim Wiltsie, primo de Victoria, em entrevista para a rede ABC News.

A irmã de Victoria Soto chegou minutos depois ao atentado. Desesperada ela tentava obter notícias da irmã. Ela não sabia que Victoria havia dado sua vida pelos seus alunos. Sua imagem desesperada, com um telefone celular no ouvido, ecoou pelo mundo.

seta


Na Foto: Jilian Soto, irmã da professora Victoria Soto, se desespera ao tentar obter notícias da irmã.Na Foto: Jilian Soto, irmã da professora Victoria Soto, se desespera ao tentar obter notícias da irmã através do seu telefone celular. Foto: Associated Press.

As 10 horas, o presidente Barack Obama é comunicado do atentado. Meia hora depois a polícia confirma: O atirador está morto. Um homem vestindo roupas pretas é encontrado morto com um tiro na cabeça em uma das salas de aula da escola. Ao lado dele duas pistolas. Revirando o corpo do atirador, a polícia encontra uma carteira de identidade, o nome: Ryan Lanza. Adam havia pego a carteira de identidade do seu irmão, o que posteriormente levou a polícia, erroneamente, a identificar o atirador como Ryan.

Cinco horas após o primeiro tiro na escola, o presidente americano Barack Obama, visivelmente abalado, fala a nação enquanto tenta conter suas lágrimas.



Na Foto: Familiares choram seus mortos. Créditos: ReutersNa Foto: Familiares choram seus mortos. Créditos: Reuters

Na Foto: Senhora chora ao tentar receber notícias.Na Foto: Senhora chora ao tentar receber notícias.

Na Foto: Uma classe inteira. Todos mortos.Obs.: Clique Para Ampliar. Na Foto: Uma classe inteira de alunos. Todos mortos. Créditos: MailOnline

O saldo do massacre foram 20 crianças mortas, 6 adultos e o atirador. Diferentemente do que disse Barack Obama em seu discurso (com dados ainda não oficiais), as crianças tinham entre 6 e 7 anos. Segundo o médico legista H. Wayne Carver, a maioria das vítimas levou vários tiros.

“Haviam balas por todas as partes, cabeças, extremidades, troncos”, disse o médico.

Os pais das crianças mortas identificaram seus filhos através de fotos, uma forma de minizar o choque, disse o médico.

Bom, o que dizer? Na verdade… não há o que dizer. O ano de 2012 termina como começou: Horripilante e macabro.

É importante citar outro crime bastante notório de 2012, crime o qual eu não citei nesta lista, já que ele ocorreu após a publicação deste texto. O estupro coletivo ocorrido na Índia que vitimou uma estudante de fisioterapia certamente deve entrar nessa lista. O crime chocou o mundo. A estudante de 23 anos, foi espancada e estuprada seguidamente por quatro homens dentro de um ônibus em Nova Déli. O caso gerou comoção e revolta na Índia. Em setembro de 2013, quatro acusados foram condenados a morte.

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