Hannibal Lecter: Raio-X do canibal. Realidade ou ficção?

A Besta Mais diabólico do que o arqui-inimigo de Sherlock Holmes, Dr. Moriarty, e mais letal do que Jason Voorhees, Hannibal Lecter, o assassino em série criado pelo escritor...
Hannibal Lecter - Raio X do Canibal

Hannibal Lecter: Realidade ou ficção?

Hannibal Lecter: Realidade ou ficção?

A Besta

Mais diabólico do que o arqui-inimigo de Sherlock Holmes, Dr. Moriarty, e mais letal do que Jason Voorhees, Hannibal Lecter, o assassino em série criado pelo escritor Thomas Harris, conquistou o fascínio do público como nenhum outro personagem de ficção nos últimos tempos. Dr. Hannibal, “o Canibal Lecter apareceu pela primeira vez como um coadjuvante, mas importante personagem, no romance Red Dragon (Dragão Vermelho). No livro seguinte, The Silence of the Lambs (O Silêncio dos Inocentes), Lecter já era o destaque. Nele, o escritor foca na complexa relação do assassino com a inexperiente agente do FBI Clarice Starling. Nesses dois romances, Lecter, à sua maneira, ajuda o FBI a caçar dois ativos serial killers que estão à solta. Ele próprio não é o alvo da lei, até Hannibal, o terceiro livro da série. Em Hannibal, Lecter está foragido e usa de seus velhos truques. Com o rosto alterado por uma cirurgia plástica, ele assume uma nova identidade e se muda para Florença, Itália, um ambiente perfeito para executar os seus refinados gostos. Vive entre pinturas de Giotto e Johann Fussli, ilustrações de Dante e ao som de Bach, que dedilha em seu piano. Clarice Starling, agora uma agente especial graduada, sai à sua caça, na esperança de recapturar o astuto psiquiatra que tem um peculiar gosto por carne humana.

Mas quem é Hannibal Lecter? Em quais “modelos” da vida real Thomas Harris se baseou para criá-lo? O quanto dele é ficção e o quanto é real? Ele é puramente uma invenção literária, ou alguém como ele pode estar andando pelas ruas neste exato momento?

O retrato que Harris pintou de Hannibal Lecter é vívido e aterrorizante. Seus olhos são claros como o céu celestial, seus dentes pequenos e brancos parecem refletir sua voz calma e pauseada. É um homem maduro, de meia-idade, pequeno e compacto, que se move com graça e num incomum silêncio. Ele tem seis dedos em uma mão, o dedo do meio é perfeitamente replicado, a forma mais rara da polidactilia. Seu olfato é altamente apurado, característica que podemos notar quando ele detecta o perfume de Clarice Starling, L’Air du Temps, no primeiro encontro de ambos em O Silêncio dos Inocentes. Nota: ela não estava usando o perfume naquele dia.

Antes de ser pego, ele era um respeitado psiquiatra e patrono das artes na cidade de Baltimore, Maryland. Nasceu no leste europeu, em uma família aristocrata, e seu pai, conhecido apenas como Conde Lecter, era descendente direto do guerreiro Hannibal o Grim (1365-1428). Apesar de pertencer a uma família nobre, sofreu dificuldades indescritíveis durante sua infância na Segunda Guerra Mundial, principalmente após a morte de seus pais. Após o fim da guerra, o castelo em que vivia foi transformado num orfanato e ele passou os próximos anos vivendo lá. Frequentemente era atacado por seus colegas, e sofreu abuso de um monitor. Aos 13 anos, passou a morar na França com seu tio, Conde Robert Lecter. Extremamente inteligente, entrou muito cedo na faculdade de medicina. E ao mesmo tempo que sua inteligência aflorava, um lado obscuro de sua personalidade vinha à tona. Após cometer uma série de assassinatos na Europa, o jovem Hannibal foge para os Estados Unidos, onde completa sua residência médica na cidade de Baltimore.

Em 1975, Lecter é preso pelo agente especial do FBI Will Graham. Graham investigava assassinatos em série na área de Baltimore quando pediu a Lecter, já conhecido por ser um brilhante psiquiatra, que o ajudasse na investigação. Em uma visita à casa de Lecter, Will Graham nota uma ilustração, num dos livros do psiquiatra, idêntica à cena de um dos crimes. Lecter é preso e levado a julgamento. É considerado insano pelas autoridades, um “psicopata puro”, segundo o diretor do manicômio para onde ele foi levado. Nove homicídios são atribuídos a ele na área de Baltimore, embora as autoridades suspeitassem que houvesse muitos outros. Ele é apelidado de “Hannibal o Canibal” por um tabloide.

Na Foto: Hannibal Lecter sob custódia da polícia de Baltimore. Data: 1975. Créditos: Red Dragon.

Na Foto: Hannibal Lecter sob custódia da polícia de Baltimore. Data: 1975. Créditos: Red Dragon (versão cinematográfica).

Essa é a vida resumida da criação mestre de Thomas Harris. Mas uma pergunta fica no ar. Qual o modelo do mundo real que Harris utilizou para criar Lecter?

Thomas Harris é um escritor que raramente dá entrevistas. É um daqueles que preferem deixar seu trabalho falar por si. Sabe-se que ele fez uma intensa pesquisa na Unidade de Ciência Comportamental do FBI, agora chamada de Unidade de Apoio Investigativo, quando escreveu seus livros. É claro que ele aprendeu bastante sobre assassinos em série e seus hábitos reais. Então, quanto ele tirou dos casos que estudou e quanto veio de sua própria imaginação?

Uma vez que Thomas Harris não nos explicará de onde surgiu Lecter, podemos dar uma de detetives e, à nossa maneira, traçar um perfil com o que sabemos sobre ele. Podemos, inicialmente, comparar serial killers da vida real aos personagens criados pelo escritor e, assim, tentar chegar a uma conclusão. Então é isso o que vamos fazer! Para efeitos de análise, e diferentemente do que fiz no último post sobre Dexter, creio ser mais interessante usar apenas a versão literária de Hannibal Lecter, até porque versões cinematográficas ou televisivas de livros pecam por, muitas vezes, não serem fiéis aos originais. Mesmo que a interpretação de Lecter pelo ator Anthony Hopkins no cinema tenha sido de gelar os ossos, será mais produtivo partir da fonte primária. Vamos, então, começar por Jame Gumb, o travesti serial killer de O Silêncio dos Inocentes.

seta

Jame Gumb

Na Foto: O ator Ted Levine como Jame Gumb na versão cinematográfica de O Silêncio dos Inocentes (1991).

Nascido na Califórnia em 1949, Jame Gumb foi abandonado pela mãe, prostituta e alcoólatra, aos dois anos de idade. Passou os próximos dez anos vivendo de lar em lar, sendo abusado sexualmente numa dessas casas. Aos 12 anos, durante um surto, matou seus avós. Foi mandado para um centro de reabilitação psicossocial , onde aprendeu o ofício de alfaiate. Após sair do hospital, morou em Baltimore, onde começou um relacionamento amoroso com um homem chamado Benjamin Raspail. Posteriormente, Raspail o deixou para iniciar outro romance com um marinheiro sueco chamado Klaus. Após o rompimento com Raspail, Jame Gumb iniciou processos para passar por uma cirurgia de mudança de sexo, cirurgia que foi negada por uma junta de psiquiatras por causa dos seus profundos distúrbios psicológicos. Devido a essa incapacidade de obter a permissão para fazer a cirurgia, ele passou a fazer terapia com um renomado psiquiatra de Baltimore, Dr. Hannibal Lecter. Posteriormente, Jame Gumb muda-se para Belvedere, Ohio, e passa a trabalhar no ramo da alfaiataria. E é em Belvedere que Gumb concebe a ideia de que, se por meios legais ele não poderia virar uma mulher, costurando uma roupa com pele de mulher e vestindo-a, ele poderia ser uma. Ele passa então a matar mulheres para retirar suas peles, e assim costurar uma roupa feminina para vesti-la. Pelos seus crimes, é apelidado de “Buffalo Bill”, um notório personagem histórico americano que viveu no século 19 e era conhecido por ter escalpelado um índio cheyenne.

Thomas Harris claramente usou modelos da vida real para criar esse serial killer de O Silêncio dos Inocentes. Jame Gumb indiscutivelmente assemelha-se ao serial killer Ed Gein, que também serviu de modelo para Norman Bates no filme Psicose, de Alfred Hitchcock, (leia aqui). Ed Gein viveu no coração da terra do estado de Wisconsin, Estados Unidos, nos anos de 1950. Era um homem quieto e introvertido, que suportou durante toda a vida o abuso de uma mãe dominadora. Psicopata e esquizofrênico, para aliviar seu sofrimento interno, considerou uma operação de mudança de sexo, mas dadas as restrições de sua existência num pequeno povoado da década de 50, ele decidiu tentar outros caminhos. O que ele fez? Passou a se vestir com peles de mulheres. Assim como Jame Gumb, Ed Gein matava mulheres, retirava suas peles e as costurava, criando “roupas” femininas. Ele vestia essas roupas e, assim, sentia-se uma mulher. Ed Gein também costurou abajures, pulseiras, cintos…

Outro serial killer da vida real que inspirou Harris na concepção de Jame Gumb foi Ted Bundy. Parte do modus operandi de Ted Bundy foi copiada por Harris e inserida no modus operandi de Jame Gumb. Ted Bundy, um serial killer que matou mais de 30 mulheres na década de 1970, usava um gesso falso em um dos seus braços para enganar suas vítimas. Fingindo estar com o braço machucado, ele pedia para inocentes universitárias ajudá-lo a carregar objetos para dentro do seu carro. Assim que a garota entrava no carro para ajeitar os objetos, ele a atacava. Em O Silêncio dos Inocentes, Jame Gumb se utiliza da mesma estratégia para pegar uma vítima, com um gesso em seu braço, ele pergunta à mulher se ela pode ajudá-lo a carregar uma poltrona para dentro de sua van. Uma vez que a mulher está dentro do carro, Jame Gumb a ataca.

Pelo exposto acima, nota-se claramente que Harris utilizou elementos reais para criar o vilão principal de O Silêncio dos Inocentes. E Hannibal Lecter? O escritor também poderia ter se espelhado em serial killers reais para criá-lo? Se sim, seria evidente que ele procurasse características em assassinos antropofágicos, canibais. David Sexton, autor de “The Strange World of Thomas Harris: Inside the Mind of the Creator of Hannibal Lecter” (“O Estranho Mundo de Thomas Harris: Por dentro da Mente do Criador de Hannibal Lecter”), diz que Harris uma vez disse a um bibliotecário da cidade onde passou a infância, Cleveland, Mississipi, (não confundir com Cleveland, Ohio) que Lecter foi inspirado em um assassino chamado William Coyne, que havia escapado da prisão em 1934 e perpetuado uma onda de medo em Cleveland, incluindo atos de assassinato e canibalismo. Não existem documentos que sobreviveram à passagem do tempo, e as façanhas de Coyne se tornaram uma espécie de lenda local. Harris cresceu ouvindo essas histórias, e isso certamente fez germinar uma semente em sua mente, uma semente que, no futuro, geraria um fruto chamado Hannibal Lecter. David Sexton sugere também que o assassino galês Jason Ricketts, que assassinou e esviscerou um companheiro de cela na prisão de Cardiff, País de Gales, também teria sido um possível modelo para Lecter.

O Quinteto Canibal

Em março de 1990, a cidade de Tóquio suspirou aliviada quando Tsutomu Miyazaki confessou o sequestro, assassinato e desmembramento de quatro meninas colegiais entre 1988 e 1989. Miyazaki, que  tinha 26 anos na época, vinha de uma respeitável família de classe média japonesa e sua posição social acabou sendo um ingrediente a mais para o choque da sociedade nipônica diante dos seus crimes. Modesto na aparência, Miyazaki era um solitário que trabalhava numa gráfica. Ele nasceu com as mãos deformadas, problema que não o deixava virar as palmas das mãos para cima e nem segurar, com facilidade, objetos. Ele confessou que cozinhou e comeu as mãos de uma de suas vítimas.

Conforme descrito pelos especialistas do FBI, Robert Ressler e Tom Shachtman, em seu livro I Have Lived in the Monster, Miyazaki brincava com as famílias das vítimas durante o período que estava solto, escrevendo cartas e assinando com um nome feminino, “Yuko Imada”, o que literalmente significa “agora eu tenho coragem”, mas também é um trocadilho em japonês para “agora eu vou te dizer”.

Harris poderia ter se inspirado nesse canibal japonês? Não muito. De todos os crimes mencionados nos romances, nenhuma vítima de Lecter era criança. A polidactilia de Lecter poderia se relacionar de alguma forma com a deformidade de Miyazaki, entretanto, a condição de Lecter nunca é descrita como uma desvantagem e, ao contrário, as mãos de Miyazaki fizeram dele objeto de deboche perante seus colegas, e pode ter acelerado sua descida rumo à loucura. Outro ponto que leva a crer que o japonês não foi uma real inspiração para Lecter é que a extensão dos seus crimes só veio à tona em 1990. Lecter fez sua primeira aparição em Dragão Vermelho, 1981, nove anos antes, por isso, é impossível que Miyazaki tenha sido uma fonte direta para Hannibal Lecter.

O serial killer canibal de Milwaukee, Jeffrey Dahmer, também foi sugerido como um possível modelo para Lecter. Dahmer, que matava, desmembrava e comia jovens homossexuais, alegou que comer suas vítimas fazia com que seus espíritos pertencessem eternamente a ele. Ele mantinha carne em sua geladeira e, assim como Ed Gein, era fascinado por partes dos corpos de suas vítimas. Ele mantinha seus órgãos genitais em formol e fervia a cabeça para descolar a carne do crânio. Pintava-o de cinza e colocava em uma estante no seu apartamento.

Mas, como com Miyazaki, os crimes de Dahmer só apareceram para o mundo muito após a primeira aparição de Hannibal Lecter, por isso é fato que ele não foi uma inspiração para o primeiro Lecter. Dahmer era um canibal mais dedicado do que o japonês, talvez ele possa ter sido uma inspiração para o Lecter que apareceu em Hannibal, o terceiro livro da série. Entretanto, as vítimas de Dahmer não correspondem exatamente às de Lecter. Dahmer matava homens jovens, já Lecter preferia homens maduros. De qualquer forma, é muito mais provável que Lecter preferisse ter Dahmer em seu menu do que sentar à mesa com ele.

Outra possível fonte para Lecter é o serial killer canibal Nikolai Dzhurmongaliev. Nascido no Cazaquistão, ele tinha como missão de vida livrar o mundo da prostituição. Conseguiu eliminar 47 mulheres antes de ser pego. Embora o sexo de suas vítimas não correspondesse ao das vítimas de Lecter, Dzhumongaliev compartilhava com Lecter o gosto de uma bela refeição. O russo tinha como hábito preparar pratos étnicos de suas vítimas e serví-los a seus amigos.

“Dzhurmongaliev sempre foi visto como um homem excepcionalmente calmo, com um ar de silêncio, mas quando provocado, atingia com força alarmante aqueles que tentavam contê-lo”, escreveu os autores de “Real vs. Fiction: The Minds of Serial Killers” (“Realidade vs. Ficção: As Mentes dos Serial Killers”).

Calmo, silencioso… são características compatíveis com o comportamento de Hannibal Lecter.

Satisfação Sexual? Não.

Andrei Romanovich Chikatilo foi apelidado de “Hannibal Lecter russo” em virtude do incrível número de assassinatos que cometeu. Oficialmente foram 52, entre crianças, adolescentes e adultos, de ambos os sexos, que morreram em suas mãos, e o canibalismo fazia parte de sua assinatura. Descrito como educado e inteligente, Chikatilo foi um serial killer ativo entre 1978 e 1990. Ficou conhecido como “O Estripador da Floresta” (leia sua história aqui), por causa da localização preferencial para cometer seus assassinatos. Matar era a única maneira de ele obter satisfação sexual e ele chegou a dizer que comer úteros e testículos lhe dava uma “satisfação animal”. Thomas Harris poderia ter se baseado em Chikatilo? Sabe-se que o FBI acompanhou de perto o caso do serial killer russo. Apesar de os Estados Unidos e a Rússia estarem em guerra fria, o FBI tinha total conhecimento do caso e sabiam cada passo dado pelos investigadores soviéticos em busca do assassino canibal. É suposição, mas Harris pode ter tido conhecimento do caso Chikatilo tendo acesso aos arquivos do FBI, mas mais uma vez, as vítimas de Chikatilo não correspondem às de Lecter.

Outro ponto que nos faz pensar é que o aristocrata Lecter não desceria tão “baixo” a ponto de matar para simplesmente obter satisfação sexual, orgasmo. Veja, por exemplo, sua atitude com Miggs, seu insano vizinho de cela no Hospital Estadual de Baltimore. Durante sua primeira visita a Hannibal Lecter, Clarice Starling tem seu rosto atingido pelo sêmen de Miggs. Durante a conversa de Starling com Lecter, Miggs masturbou-se e jogou seu sêmen no rosto da policial. No dia seguinte, Miggs é misteriosamente encontrado morto em sua cela. Ele havia engolido a própria língua. Quando Starling perguntou a Hannibal se ele fora o responsável, ele intencionalmente ignorou o fato.

Mas, ao contrário dos citados acima, Harris facilmente poderia ter se inspirado no canibal Albert Fish para criar Lecter. Fish era um homem velho quando foi preso em 1934, e sua mania de escrever cartas sobre seus crimes nos dá uma perspectiva única sobre ele. Ao contrário dos outros serial killers canibais mencionados até agora, Fish, cujo alvo eram crianças, não matava por satisfação sexual. Ele matava pelo indescritível prazer de saborear uma doce, fresca e assada carne de uma criança. Lecter tem todas as habilidades de um chef francês, e Fish também tinha toda uma preparação especial para os jovens seres humanos que abatia. Em uma de suas cartas, ele descreve a alegria de comer um pequeno escoteiro cujas orelhas, nariz, rosto e barriga foram transformados num suculento guisado. “Eu nunca comi um peru assado tão bom quanto a doce gordura do seu traseiro”, diz ele.

Fish, que frequentemente se autoflagelava, foi condenado em 1934 por assassinar Gracie Budd, 10 anos. Ele foi condenado a eletrocussão, uma punição que aparentemente o atraía. Um repórter do jornal novaiorquino Daily News, que cobriu seu julgamento, escreveu que “seus olhos lacrimejantes brilharam com a ideia de ser queimado por um calor mais intenso do que as chamas com a qual muitas vezes queimava a carne que satisfazia seus desejos.”

Na Foto: Albert Fish. Data: 20 de fevereiro de 1935. Créditos: Corbis.

Na Foto: Albert Fish. Seria ele, o Hannibal Lecter da vida real? Data da foto: 20 de fevereiro de 1935. Créditos: Corbis.

Mas Fish era um homem mais insano do que qualquer outra denominação que poderíamos dar pra ele. Mais doente do que demoníaco. Um senhor que passou a vida inteira escondendo sua insalubre predileção alimenticea.

A verdade é que nenhum dos canibais mencionados acima se aproximam do perfil de Hannibal Lecter, cujos antecedentes literários certamente incluem “Drácula”, “Sherlock Holmes” e “Satã” de John Milton. Esses canibais da vida real não compartilham das vítimas ou do modus operandi de Hannibal, mas certamente são importantes para chegarmos às raizes das origens do Dr. e, claro, se este texto estivesse sendo escrito por um especialista em traçar perfis psicológicos, certamente tal análise teria sido feita.

Estudando Hannibal Lecter

Para traçar um perfil de Hannibal Lecter, nós devemos ignorar seu caráter descrito por Thomas Harris em seus livros, bem como o assustador retrato do psiquiatra feito por Anthony Hopkins no cinema. Em vez disso, devemos nos referir a ele da mesma forma que os maiores especialistas do mundo fariam. Ao traçar um perfil de um homem como esse, o FBI o tacharia de “UNSUB”, ou sujeito desconhecido. Um perfil não é baseado no que o especialista espera encontrar (um psicopata, esquizofrênico, paranoico, etc), mas no que ele tem em mãos. E o que especialistas costumam ter? Evidências coletadas nas cenas dos crimes. Sabemos a partir dos livros que Lecter matou 28 pessoas. Harris descreveu esses assassinatos de diversas formas, alguns com grandes detalhes, já outros apenas como nota de rodapé. E examinando o rastro de sangue deixado por Lecter, poderemos ser capazes de obter algumas pistas sobre suas origens.

Durante a primeira visita de Clarice Starling, Lecter zomba do sistema do FBI por categorizar serial killers em organizados e desorganizados.

“De fato, a maior parte da psicologia é pueril, policial Starling, e aquela praticada na Ciência do Comportamento nivela-se com a frenologia. A psicologia, para início de conversa, não recebe material humano muito bom. Vá ao departamento de psicologia de qualquer universidade e observe os estudantes e o corpo docente: são radioamadores entusiasmados e personalidades de mentalidade precária. Dificilmente podem ser consideradas as melhores cabeças no campus. Organizados e desorganizados: realmente, um pensamento de nível muito baixo.”

[Hannibal Lecter, O Silêncio dos Inocentes]

Apesar de ter os seus métodos insultados, o FBI classificaria Lecter como um assassino organizado. Suas cenas de crimes mostram que ele tinha um plano e que, claro, realizou-o perfeitamente. O assassinato do policial italiano Rinaldo Pazzi em Hannibal, teve um extraordinário planejamento. Para começar, ele descobriu que um ancestral do policial teve uma horrenda morte. Foi esviscerado vivo e enforcado no famoso palácio de Vecchio. Lecter mata Rinaldo no mesmo lugar e da mesma forma que o seu antepassado. Certamente um meticuloso planejamento. Com relação a isso, e apenas a título de curiosidade, Anatoly Slivko, (veja aqui), um serial killer russo dos anos 80, disse que apenas o fato de planejar a morte de uma pessoa já o fazia obter prazer.

Outra característica presente em serial killers organizados e compartilhada por Lecter é o tempo que ele passa com suas vítimas. Geralmente, Lecter passa algum tempo com elas. Ele saboreia a experiência ao mesmo tempo que coloca para fora suas terríveis fantasias.

Serial killers matam pessoas em função de uma fantasia única e pessoal. A morte lhes permite vivê-la. Ed Gein, por exemplo, matava mulheres para retirar suas peles e as vestir, pois ele queria ser uma mulher. Lecter também escolhia suas vítimas para saciar sua fantasia e, apesar do seu fascínio por Clarice Starling, todas elas eram homens. E isso é um fator importante aqui. Serial killers costumam matar o mesmo tipo de pessoa. Jack, O Estripador assassinava apenas prostitutas; o francês Thierry Paulin, apenas mulheres idosas. Já Lecter, apenas homens. Por quê? Essa pergunta será respondida mais adiante.

O modus operandi de um assassino são as ações que ele toma para matar. A assinatura é o que ele faz por trás disso, um comportamento ritualístico que satisfaça algum aspecto de sua fantasia. O canibalismo é a assinatura de Lecter, mas ele não se dá por satisfeito em apenas comer suas vítimas. Ele deve brincar com elas. A elaborada preparação de um jantar cinco estrelas de carne humana, como a que vimos em Dragão Vermelho, é uma grande parte de sua fantasia. Em uma balança, o ato de comer, de preparar o jantar e ver seus convidados comendo a iguaria, tem o mesmo peso. A propósito, a preparação do cérebro ainda “vivo” de Paul Krendler em Hannibal, é uma receita digna de aparecer às 9h da manhã no Mais Você de Ana Maria Braga, não? Não! Isso é mais requintado, não é mesmo? Mudo minhas palavras, é uma receita digna da revista Gourmet.

O posicionamento ou a mutilação sistemática do corpo da vítima é outra característica comumente exibida por serial killers organizados. O assassino pode deixar algum objeto sobre ou perto do corpo, ou então, ele pode retirar alguma coisa do mesmo. Qualquer que seja, isso está intimamente ligado à fantasia do assassino e chamamos a isso de ritual

Na Foto: Cena do filme "Hannibal" de 2001. A morte de Rinaldo Pazzi.

Na Foto: Cena do filme “Hannibal” de 2001. A morte de Rinaldo Pazzi.

O grand finale de Rinaldo Pazzi, em Hannibal, certamente pode ser visto como um ato de ritual, mas um exemplo melhor é Klaus, o marinheiro sueco que aparece em O Silêncio dos Inocentes e cujos restos mortais Clarice Starling encontra no banco de trás de uma limousine ano 1938 trancada num armazém. No início, ela descobre um manequim vestido com um smoking sentado no banco de trás. A cabeça do manequim é coberta por uma capa preta, como se estivesse cobrindo a gaiola de um papagaio. Quando Starling remove a capa, ela encontra uma cabeça humana parcialmente submersa em um líquido.

“A cabeça no interior do boião fora cortada com perícia logo abaixo do maxilar. Estava de frente para ela, os olhos há muito opacos e leitosos pelo álcool que os conservara. A boca estava aberta e a língua pendia ligeiramente para fora, muito cinzenta. Ao longo dos anos o álcool evaporara em parte, até a cabeça descansar no fundo do boião. O alto do crânio projetara-se através da superfície do fluido e começava a apodrecer. Virada num ângulo parecido com o das cabeças de corujas em relação ao corpo, olhava boquiaberta e estúpida para Starling”.,

[Thomas Harris, O Silêncio dos Inocentes]

Quando Starling pergunta a Lecter sobre a vítima, ele admite que colocara a cabeça de Klaus no carro, mas diz que não matou o homem. Segundo Hannibal, Klaus havia sido morto por Benjamin Raspail, primeiro flautista da Orquestra Filarmônica de Baltimore, e paciente do próprio Lecter. Um homem “fraco”, cuja musicalidade ofendeu os ouvidos do psiquiatra. Mas o próprio Lecter tinha dúvidas sobre a autoria do assassinato. Para o médico, o real autor da barbárie foi um ex-amante de Benjamin e também um ex-paciente, Jame Gumb. Benjamim teria assumido o crime para proteger seu macabro ex-amante. Lecter posteriormente mata Raspail e serve seu pâncreas e timo em um jantar para o presidente e maestro da orquestra. Por alguma razão, Lecter assumiu a responsabilidade e embelezou o crime do ex-amante de Raspail, criando um cenário macabro para o repouso final de Klaus. Mas por quê?

As vítimas de Lecter eram todos homens. Na maioria dos casos, ele passou um tempo com eles, completando seu premeditado e elaborado plano. Tudo bem que ele matou um policial durante sua fuga em O Silêncio dos Inocentes, mas sinto segurança em dizer que essa morte não foi planejada a fim de satisfazer suas fantasias, e sim um ato brutal de sobrevivência. Algumas vítimas ele conhecia muito bem, como Raspail e Pazzi, outros, como o pesquisador do censo cujo fígado ele consumiu com algumas favas e um saboroso vinho chianti, foram mortos impulsivamente. O pesquisador do censo, no caso, foi morto simplesmente porque o que ele fazia para viver ofendeu Lecter. Na verdade, um elemento comum entre todos os assassinatos de Lecter é que as vítimas, de alguma forma, ofenderam suas sensibilidades. O pesquisador do censo tentou “quantificá-lo” como se ele fosse apenas mais um homem na face da terra. Pazzi era corrupto e insignificante. Dr. Chilton, que dirigia o hospital no qual Lecter ficou preso, e Krendler eram burocratas mesquinhos e vingativos. Raspail era um músico ruim e tinha uma personalidade irritante. Já Miggs, ele não tinha boas maneiras.

Diferente de outros serial killers, Lecter não levava lembranças ou troféus de suas vítimas. Ele não tinha interesse em reviver seus atos e, aparentemente, não era um obcecado por suas fantasias. Ele tinha apenas as suas memórias.

A esse ponto, chegamos a algumas características interessantes sobre a personalidade assassina de Hannibal Lecter. Ele era um serial killer organizado, planejava metodicamente cada assassinato, não levava nada de suas vítimas como troféu, embelezava seus assassinatos, matava apenas homens maduros e que considerava insignificantes. Mas nada ainda está respondido. E a principal pergunta é: Qual é essa fantasia que ele mantém tão junta e que deve alimentá-lo como se existisse um animal enjaulado em sua alma?

Por que matar homens mesquinhos, rudes e comuns?

Por que comê-los? E não apenas comê-los, mas jantar com eles, tornando-os objetos do seu desgosto em suas refeições?

O que exatamente é a fantasia de Hannibal Lecter?

A resposta, creio eu, está na história de Mischa.

Mischa

A ciência comportamental tem nos ensinado que a grande maioria dos serial killers não nascem assim, eles são formados por uma combinação de fatores que começa na infância. O turbulento projeto para a escalada da violência é quase sempre originado por suas fantasias interiores, fantasias que são respostas diretas a eventos traumáticos que ocorreram quando ele ainda era criança ou jovem.

O trauma na vida de Lecter ocorreu quando ele tinha 11 anos. Nessa idade, ele testemunhou a horrenda morte de sua amada irmã Mischa. Em Hannibal, Thomas Harris nos apresenta um sonho que Lecter tem quando ele cochila durante uma viagem de avião. É uma memória reprimida de um evento que aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. No sonho, seus pais estão mortos, sua propriedade tomada por desertores, e existem crianças trancadas num celeiro.

Antes de lhes apresentar o sonho de Lecter, deixe-me contextualizá-los.

O ano é 1944. A Europa arde nas chamas da Segunda Guerra Mundial. Hannibal Lecter tem 11 anos, e há três mora escondido com sua família numa cabana em uma floresta da Lituânia com medo da blitzkrieg de Hitler. Sua irmã, Mischa, tem apenas 5 anos, e os dois possuem um vínculo muito forte, com muito carinho e amor. Em um belo dia, seus pais, tutor e demais familiares morrem durante um bombardeio alemão. O pequeno Lecter encontra-se sozinho e desesperado, ao seu lado, sua pequena irmã, os únicos sobreviventes além de outras poucas crianças. A relação dos dois passa a ser ainda mais forte já que Lecter assume precocemente o papel de cuidar, proteger e alimentar Mischa. Tempos depois, a casa onde ambos vivem é invadida por um grupo de desertores e saqueadores lituanos.

O Sonho

“A miscelânea de desertores, que usavam a remota cabana de caça, comiam o que conseguiam encontrar. Uma vez encontraram um miserável e pequeno veado, esquelético, com uma seta espetada, que arranjara por baixo da neve e sobrevivera. Levaram-no de volta ao acampamento para não terem de o transportar…”

Hannibal Lecter observa através de uma fenda no celeiro os desertores trazendo o veado, o animal fazia força e torcia a cabeça para se libertar da corda atada ao pescoço.

“… não queriam disparar um tiro e conseguiram quebrar-lhe as patas finas e retalhar-lhe o pescoço à machadada, insultando-se em várias línguas, pedindo uma gamela antes que o sangue se perdesse.

O escanzelado veado não tinha muita carne e, dois dias depois, talvez três, os desertores de longos sobretudos, hálitos fedorentos e deixando um rasto de vapor, atravessaram o caminho de neve desde a cabana de caça, destrancaram o celeiro e voltaram a escolher entre as crianças enroscadas na palha. Nenhuma delas estava congelada e, portanto, optaram por uma viva. Apalparam a coxa, o antebraço e o peito de Hannibal Lecter e escolheram em vez dele a sua irmã Mischa, levando-a, para brincar, segundo disseram. Ninguém que era levado para longe para brincar alguma vez regressou.

Hannibal apertou Míscha com tanta força, agarrou Mischa até em cima lhe fecharem a pesada porta do celeiro, atordoando-o e partindo-lhe o osso do antebraço.

Eles levaram-na através da neve ainda manchada com o sangue do veado.

Ele rezou tanto para que pudesse ver Mischa novamente que sua prece consumiu sua mente de 6 anos de idade [no sonho, Lecter acredita ter 6 anos], mas isso não apagou o som do machado. Sua prece para vê-la novamente não foi inteiramente respondida – ele viu alguns dos dentes de leite de Mischa no fedorento buraco que os desertores usavam, situado entre a cabana onde dormiam e o celeiro onde mantinham as crianças presas, que foram o seu sustento em 1944 depois da queda da Frente Oriental…”.

Na Foto: Mischa e Hannibal Lecter. Filme: Hannibal Rising (2007).

Na Foto: Mischa e Hannibal Lecter. Filme: Hannibal Rising (2007).

Mischa, a irmãzinha de Lecter, foi morta com um machado, e canibalizada pelos desertores. Sua horrível morte, e posterior consumo de sua carne pelos desertores, formou a fantasia que moldou Hannibal Lecter, uma fantasia de vingança. Em seu sonho, suas reprimidas memórias lhe mostram desertores brutos e rudes. Eles não parecem soldados desertores, mas covardes, baixos, vis por definição. São homens cujo hálito fede. Após comer sua irmã, eles assumem a propriedade dos seus pais e colocam os jovens moradores locais no celeiro. Massacram um veado como apenas os neandertais fariam. Eles gritam como abutres gananciosos quando veem o sangue derramado penetrando a neve.

Vingança

Quando cresce, Lecter tem como alvo homens que ele considera mesquinhos e rudes. Raspail, o horrível flautista; Krendler, o burocrata vingativo; Pazzi, o policial corrupto; o pesquisador do censo, cujo trabalho julgava medíocre; Mason Verger, o pedófilo que por um milagre sobreviveu a ira de Lecter. Todos eles nada mais eram do que o reflexo dos desertores, dos lixos humanos que comeram sua irmã.

Obviamente ele come suas vítimas porque eles comeram Mischa. Uma espécie de olho por olho. Mas e a preparação do jantar? Por que servir seus órgãos salpicados com manteiga e cebolinha? Por que gastar quantias exorbitantes em vinhos para acompanhar essas entradas humanas? A resposta é: porque Lecter tem o ego inflado, é vaidoso. Ele se considera melhor do que os trogloditas que mataram e comeram sua irmã. Ele tem aquele requinte de uma linhagem nobre. Ele nunca comeria carne assada no espeto numa esquina. Ele é sofisticado. Sua meticulosa preparação de carne humana é a sua maneira de jogá-la na cara dos desertores que roeram os ossos de Mischa como animais do mato.

Embora Harris provoque seus leitores com a expectativa de que Lecter irá machucar Clarice Starling no momento em que tem a chance, Clarice talvez seja a mais protegida entre todos os personagens dos livros por um simples fato: Lecter a vê como uma substituta de Mischa. É como se ela fosse sua irmãzinha. Quando ela está sob seu feitiço, ele diz, “E foi assim que acabei por acreditar que tinha de haver um lugar no mundo para Mischa, um lugar vago para ela, e concluí, Clarice, que o melhor lugar do mundo era o seu.”

Esta é a eterna fantasia incrustada na mente do serial killer canibal Hannibal Lecter, vingar sua irmã Mischa e restaurá-la para o lugar de dignidade e refinamento que ela sempre mereceu. Ao final de Hannibal, o terceiro e último livro da série, Lecter alcança o seu objetivo. Ele mata os assassinos de Mischa, representados por homens que ele julga inferiores, e traz de volta sua querida irmã, representada na pessoa de Clarice Starling. Mas isso significa que o seu reinado de terror tenha acabado? Sua mente está satisfeita? O que há mais para ele fazer?

Na vida real, as fantasias de serial killers nunca são alimentadas o suficiente para, um dia, parar. Na realidade, ela evolui e se torna mais elaborada, consumindo mais do assassino. Ele continua matando porque nunca chega a satisfação plena, não há nenhum tipo de encerramento das fantasias que compõem seu mundo particular. Similarmente, um serial killer fictício continua sua série de matanças até quando o público tiver interesse. De tempos em tempos mais um livro é publicado mostrando um detetive na caça do serial killer, assassino… Drácula, que sempre sai do seu túmulo para aparecer em novos filmes e livros. Ano após ano. O espírito de Lecter vai continuar, se não diretamente na pena de Thomas Harris, de alguma outra forma, como uma espécie de clone de algum serial killer que aparece em algum filme ou série. Posso citar alguns.

Mas não existe um substituto para o verdadeiro Hannibal Lecter, e espero que não exista um substituto para a verdadeira Mischa. Clarice Starling pode não satisfazer para sempre esse desejo em Lecter. Muitos fãs do médico psiquiatra esperam ansiosamente que ele tenha fome de novo, uma esperança de que ele saia para caçar “desertores” e jantá-los. Talvez o Sr. Harris nos presenteie com outra parcela deliciosamente horripilante da vida do canibal mais famoso do mundo.

Informações

Hannibal Lecter - MugshotNome: Hannibal Lecter

Conhecido como: Hannibal o Canibal, Lloyd Wyman, Dr. Fell e Sr. Closter

Nascimento: Lituânia, 1933

Profissão: Médico psiquiatra

Residência médica: Hospital Johns Hopkins. Baltimore, Maryland. Estados Unidos

Definição: Serial killer

Categoria: Organizado

Vítimas: 28 conhecidas, 8 na europa, 9 em Baltimore, 5 durante sua fuga e 6 posteriormente

Características: Narcisismo, canibalismo, sofisticação, arrogância, insano

Captura:1975

Fuga:Após uma viagem a Memphis, Tennessee, em 1983, para ajudar autoridades na captura de um serial killer conhecido como Buffalo Bill, foge de sua cela. Permanece foragido até os dias atuais.

Criado por: Thomas Harris

No cinema: Brian Cox (Manhunter), Anthony Hopkins (O Silêncio dos Inocentes, Hannibal e Dragão Vermelho), Gaspard Ulliel (Hannibal Rising)

Na TV: Mads Mikkelsen (Hannibal)

Obs.: Na imagem acima, Anthony Hopkins na pele de Hannibal Lecter na versão cinematográfica de O Silêncio dos Inocentes lançada em fevereiro de 1991.

Hannibal Lecter - Dragao Vermelho - Livro

Livro: Red Dragon

Título no Brasil: Dragão Vermelho

Autor: Thomas Harris

Data de publicação: outubro de 1981

Gênero: Crime, horror

Páginas: 480

País: Estados Unidos

Resumo: Um serial killer conhecido como Fada do Dente está matando aleatoriamente famílias durante a lua cheia. O agente do FBI Jack Crawford destaca Will Graham, um brilhante investigador especialista em traçar perfis criminais, para investigar os assassinatos. Graham era conhecido por ter prendido o serial killer canibal Hannibal Lecter anos antes. Após inspecionar as cenas dos crimes, Graham conclui que deverá visitar o psiquiatra Lecter no manicômio e pedir sua ajuda para traçar o perfil de Fada do Dente e, assim, capturá-lo.

Obs.: O romance foi adaptado para o cinema em 1986 com o título de Manhunter, com o ator Brian Cox interpretando Hannibal Lecter. Uma segunda versão para o cinema foi lançada em 2002.

Hannibal Lecter - O Silencio dos Inocentes - Livro

Livro: The Silence of the Lambs

Título no Brasil: O Silêncio dos Inocentes

Autor: Thomas Harris

Data de publicação: 1988

Gênero: Crime, horror

Páginas: 352

País: Estados Unidos

Resumo: Jack Crawford, chefe da divisão do FBI em traçar perfis psicológicos de serial killers, destaca uma jovem trainee do FBI, Clarice Starling, para submeter um questionário ao brilhante psiquiatra e serial killer canibal, Hannibal Lecter. Lecter está preso em uma instituição mental cumprindo uma pena de 9 prisões perpétuas por uma série de assassinatos. Entretanto, a real intenção de Crawford é tentar com que Lecter ajude o FBI a traçar o perfil psicológico de um serial killer que está a solta, Buffalo Bill, cujo modus operandi envolve sequestrar mulheres gordas, deixá-las sem comer por três ou quatro dias, e então matá-las, retirar suas peles e descartar seus corpos em rios.

Obs.: O livro é a continuação de Dragão Vermelho publicado oito anos antes. O romance foi adaptado para o cinema em 1991. A versão cinematográfica do livro entrou para a história do cinema. Foi o terceiro filme da história a vencer as cinco principais categorias do Oscar: melhor filme, melhor diretor (Jonathan Demme), melhor atriz (Jodie Foster), melhor ator (Anthony Hopkins) e melhor roteiro. Até hoje é listado por críticos como um dos melhores filmes já feitos.

Hannibal Lecter - Hannibal - Livro

Livro: Hannibal

Título no Brasil: Hannibal

Autor: Thomas Harris

Data de publicação: 08 de junho de 1999

Gênero: Crime, horror

Páginas: 484

País: Estados Unidos

Resumo: Sete anos após os acontecimentos de O Silêncio dos Inocentes, Clarice Starling é chamada para capturar o terrível serial killer canibal Hannibal Lecter, que fugira de sua jaula sete anos antes. Mas não é só o FBI quem está atrás de Lecter. Ele também é perseguido pelo corrupto agente da justiça americana Paul Krendler, que por sua vez fora contratado pelo sádico pedófilo Mason Verger, cujo rosto fora completamente desfigurado após uma sessão de terapia com Lecter.

Obs.: O livro é a continuação de O Silêncio dos Inocentes, publicado onze anos antes. O romance foi adaptado para o cinema em 2001 com direção de Ridley Scott.

Hannibal Lecter - Raio X do Canibal - Hannibal Rising

Livro: Hannibal Rising

Título no Brasil: Hannibal: A Origem do Mal

Autor: Thomas Harris

Data de publicação: 05 de dezembro de 2006

Gênero: Crime, horror

Páginas: 323

País: Estados Unidos

Resumo: O livro narra a infância de Hannibal Lecter nos terríveis anos de guerra, sua adolescência na França e a sua eterna busca por vingança de sua irmã Mischa, comida por desertores durante a II Guerra Mundial.

Obs.: Um ano depois de lançado, o livro virou filme sob direção de Peter Webber.

Hannibal foi o primeiro livro a tocar na infância de Hannibal Lecter. Em Hannibal ficamos sabendo que, durante a segunda guerra mundial, Lecter assistiu ao horrendo assassinato de sua irmãzinha Mischa, que posteriormente foi canibalizada por um grupo de famintos homens. Um trauma que ele carregou pelo resto de sua vida.

Sabe-se que houve sim canibalismo durante o período da guerra. Com a escassez de alimentos, animais e crianças eram mortos e canibalizados. Não só durante a guerra, mas em períodos em que houve escassez de alimentos, como na Ucrânia nos anos 30 e na China, durante o governo totalitário de Mao-Tse-Tung, houve relatos e mais relatos de canibalismo. Harris poderia ter se inspirado nesses casos para compor Hannibal Lecter? Sim. E isso fica mais evidente quando olhamos para a infância de um serial killer canibal da vida real citado anteriormente. Lembram-se do Hannibal Lecter russo?

Olhando para a infância de Andrei Romanovich Chikatilo, especialistas destacam duas experiências chaves que podem ter contribuído para o seu futuro comportamento criminoso. Nascido na Ucrânia dos anos 30, Chikatilo teve uma infância extremamente difícil e sombria. Segundo sua mãe, seu irmão mais velho havia sido canibalizado durante o Holodomor, período em que houve uma séria escassez de alimentos no país. Desde a mais tenra idade, Chikatilo era assombrado por sua mãe: “Ela me advertia. Não saia no quintal! Os canibais comeram o seu irmão e comerão você!”, disse ele no documentário Meu Mundo Maravilhoso ou Contra Chikatilo…

Chikatilo cresceu e tornou-se um dos piores serial killers canibais que se tem notícia. O medo de ser comido na infância poderia tê-lo levado a comer partes de suas vítimas quando adulto? Comer suas vítimas era o mesmo que vingar o seu irmão? São perguntas sem respostas. Mas para uma, há resposta. Thomas Harris poderia ter se inspirado na infância de Andrei Romanovich Chikatilo para descrever a infância de Hannibal Lecter? Creio que sim. Os crimes de Chikatilo vieram a tona em 1990 e Hannibal só foi lançado em 1999. Então é bem possível que Harris tenha se inspirado na história desse canibal para descrever Lecter. Em última análise, a resposta para uma das perguntas do começo desse texto é: sim, Hannibal Lecter é uma mistura de ficção e realidade e, talvez, mais realidade do que ficção.

27 de julho de 2013

  • Texto atualizado em 27 de julho de 2013

Dezenove dias após eu publicar este texto que vocês acabaram de ler, eis que me deparo com a seguinte revelação:

seta

The Times

The Times

Isso mesmo! Pela primeira vez em 32 anos, finalmente, Thomas Harris revelou a real inspiração para o mais famoso canibal da literatura. Daqui a cinco dias, em 1 de agosto de 2013, será oficialmente lançado um novo livro. Não é uma continuação de Hannibal, mas sim uma edição especial sobre os 25 anos do lançamento de O Silêncio dos Inocentes. Em “Silence Of The Lambs: 25th Anniversary Edition” Thomas Harris traz uma nova introdução para o mais famoso dos seus livros e, pela primeira vez, revela a real inspiração para Hannibal Lecter. Diante de tal notícia, eu poderia ter escrito um novo post ou fazer algumas modificações neste que vocês acabaram de ler, entretanto preferi por não modificar o texto já escrito e sim fazer uma atualização, pois creio ser bastante válida esta análise lida por vocês.

A Revista Times publicou hoje, 27 de julho de 2013, uma parte da nova introdução presente no livro. Infelizmente, apenas assinantes podem ter acesso ao conteúdo, mas fazendo uma pesquisa aqui e outra acolá, consegui extrair algumas informações importantes, informações as quais passo agora para vocês. E não é só isso, disponibilizo abaixo seis, das sete páginas iniciais, deste lançamento que tem tudo para levantar os pelos dos fãs do mais famoso canibal da cultura pop.

Nesta nova introdução, o escritor Thomas Harris revela o homem que inspirou Hannibal Lecter. E ele é um médico assassino que Harris conheceu quando visitou uma prisão no México, em meados dos anos de 1960. Harris tinha 23 anos na época e foi até a prisão para entrevistar um assassino norte-americano que cumpria pena por lá, Dykes Askew Simmons, um homem considerado insano pelas autoridades mexicanas e que cumpria sentença perpétua por ter assassinado três pessoas.

Na foto: O americano Dykes Askew Simmons Jr. durante um teste no polígrafo em 1963. Créditos: Corbis.

Na foto: O americano Dykes Askew Simmons Jr. durante um teste no polígrafo em 1963. Créditos: Corbis.

Dykes Askew Simmons, um conhecido criminoso do Texas, viajou de férias até o México em outubro de 1959. No mesmo mês, três pessoas da mesma família foram brutalmente assassinadas na cidade de Monterrey. Uma das vítimas, antes de morrer, conseguiu dar uma descrição detalhada do assassino. Simmons foi preso e acusado do triplo homicídio, tornado-se o primeiro americano a ser condenado a morte no México, pena que posteriormente foi comutada para prisão perpétua. Em meados de 1969, Simmons fugiu da prisão. Foi encontrado morto pouco tempo depois, em 25 de setembro de 1969, dentro de um carro no Texas. Sua morte até hoje não foi totalmente explicada. Alguns sugerem que ele foi espancado até a morte, já outros dizem que sua morte decorreu de um acidente automobilístico.

E foi este assassino que Thomas Harris foi visitar na prisão. Mas não foi só ele quem Harris entrevistou, ele também encontrou-se com outro prisioneiro da cadeia, quem?

Serial killers - O Canibal de Milwaukee - Olhar

Na prisão, Harris ficou sabendo que Simmons havia tentado uma fuga um ano antes. Ele levou um tiro de um dos guardas e teve sua vida salva por um outro detento, um médico… e assassino, que também cumpria pena por lá. Seu nome: “Dr. Salazar”. Anotem este nome!

“Dr. Salazar era um homem pequeno, ágil, com cabelo vermelho escuro. Ele ficou muito quieto e havia uma certa elegância nele”, diz Thomas Harris na nova introdução de Silence Of The Lambs: 25th Anniversary Edition.

Nesta edição especial de O Silêncio dos Inocentes, Harris explica como ele foi apresentado ao médico assassino por um guarda da prisão que, a princípio, não dissera sobre o violento passado do médico. Harris diz ainda que Dr. Salazar não é o verdadeiro nome do médico (misterioso Harris, não?) e diz como ele ficou impressionado com a conversa do médico assassino mexicano.

A entrevista começou com o médico dizendo para Harris como cuidou do prisioneiro americano, como ele estancou o sangramento,… a entrevista que, parecia ser uma conversa comum, foi se tornando bastante sombria até o ponto do médico começar a questionar Harris sobre a desfigurada aparência de Simmons e assuntos complexos como a “natureza do tormento” e “as vítimas de Simmons.”.

Após a conversa com Dr. Salazar, Harris descobriu, através do diretor da prisão, sobre o seu sombrio passado, “Ele nunca deixará este lugar. Ele é louco”, disse o diretor para o assustado Thomas Harris.

O escritor diz ainda no livro que o médico cumpriu 20 anos de prisão e, o mais importante, que ele foi a inspiração real para sua mais famosa criação. Harris diz que, enquanto rascunhava Red Dragon, surgiu a necessidade de criar um personagem que possuía uma “…compreensão peculiar da mente criminosa. Não foi Dr. Salazar. Mas devido ao Dr. Salazar, eu pude descrever seu colega e companheiro de profissão Hannibal Lecter”.

Como eu disse anteriormente, Hannibal Lecter é uma mistura de ficção e realidade e, talvez, mais realidade do que ficção. Esta edição especial de aniversário de O Silêncio dos Inocentes já está em pré-venda em sites como a Amazon. E para vocês, leitores do blog, disponibilizo abaixo, traduzida, as páginas 9, 10, 11, 12, 14 e 15 do livro. A página 13 foi omitida da pré-visualização e não está disponível.

Hannibal Lecter - Raio X do Canibal - Silence Of The Lambs - 25th Anniversary Edition

Livro: Silence Of The Lambs: 25th Anniversary Edition

Título no Brasil: Não lançado

Autor: Thomas Harris

Data de publicação: 01 de agosto de 2013

Gênero: Crime, horror

Páginas: 432

País: Estados Unidos

Resumo: Edição reembalada com uma nova introdução do autor para celebrar o vigésimo quinto aniversário do lendário best-seller O Silêncio dos Inocentes. A estagiária do FBI Clarice Starling caminha no mais profundo asilo escutando os gemidos e sussuros de criminosos insanos. Ela está lá para encontrar com o monstro da última cela, e ele sabe que ela está chegando. Ela encontra o Dr. Lecter lendo a vogue italiana. Ele olha para cima, olha para ela. Seu olhar parece um pulsar na cabeça de Starling, mas ela só pode ouvir o seu acelerado batimento cardíaco. O que ela não sabe, é que Lecter também pode ouvir, seu coração.

Silence Of The Lambs: 25th Anniversary Edition

Páginas 9, 10, 11, 12, 14 e 15 traduzidas

Página 9

Há 25 anos atrás em um prédio em Sag Harbor de piso inclinado, eu escrevi as palavras finais de “O Silêncio dos Inocentes”. De repente eu percebi que tinha terminado o romance e lá estava na página o meu título. Senti muito feliz, sai do meu escritório rolando minha cadeira para trás até ela bater na parede atrás.

Ainda no encalço das pessoas no livro, ainda sentindo o cheiro de pólvora no quarto, eu queria dizer em voz alta os nomes das pessoas que eu amava.

Uma memória de infância se intrometeu. Como um pequeno brincando de cowboy, eu atirei num pardal; eu estava no mato olhando para o pássaro, quente em minha mão, lágrimas quentes no meu rosto.

Eu balancei minha cabeça e pensei sobre os primórdios…

Uma vez, a revista Argosy me pediu para ir a prisão de Nuevo Leon State na cidade de Monterrey, México, para entrevistar um americano que estava no corredor da morte por assassinar três jovens pessoas.

Eu tinha 23 anos e pensava que a cobertura de batidas policiais no Texas tinha me ensinado sobre tudo no mundo.

O prisioneiro era Dykes Askew Simmons, um ex-paciente mental. Quando eu olhei, eu vi um homem branco,

Página 10

trinta e poucos anos, cerca 1,80 metros, 79 kg, cinza e castanho. Marcas distintas: uma plástica de fundo de quintal reparava um lábio leporino, pequenas cicatrizes na cabeça. Ele tinha os olhos de uma tartaruga feroz. Esses eram cobertos na maior parte do tempo com óculos escuros.

Simmons me apresentou a alguns dos seus companheiros de prisão, um deles o oficial de justiça do seu julgamento, agora preso por saquear uma propriedade, e um fotógrafo que estava trancafiado por roubar relógios de pessoas mortas num acidente de carro. O fotógrafo puxou a manga da camisa para mostrar os cinco relógios que ele estava usando, me ofereceu um bom preço em um Bulova com um lado manchado.

Simmons também me apresentou a sua esposa, uma bonita enfermeira de Ohio, que casou com ele após sua prisão. Eles tinham permissão para encontros conjugais nas noites de sábado e usavam cobertores para cobrir a frente da cela durante a privacidade.

A mulher era agradável e repousante para se olhar, um oásis naquele lugar.

Simmons havia tentado escapar mais ou menos um ano antes, subornando um guarda para deixar a porta destrancada e fornecé-lo uma pistola. Simmons entregou o dinheiro e se aproximou da porta proibida, para descobrir que a porta estava trancada e que fora traído. O guarda enfiou o dinheiro em suas calças e atirou em Simmons. Ele não sangrou até a morte porque um habilidoso médico da prisão o salvou.

Quando eu perguntei sobre o tratamento médico de Simmons, o diretor abriu o consultório médico da prisão e me apresentou ao doutor.

Página 11

Dr. Salazar era um homem pequeno, ágil, com cabelo vermelho escuro. Ele ficou muito quieto e havia uma certa elegância nele. Ele me convidou para sentar.

A mobília era pouca. Sentamos em bancos. Um armário contra a parede continha frascos rotulados. Havia poucos instrumentos. Agulha e linha, um esterilizador, tesouras e, curiosamente, um espéculo.

O médico respondeu minhas perguntas sobre os ferimentos e sobre como ele estancou o sangramento.

Dr. Salazar fez uma torre com seus dedos colocando-os sob o queixo e olhou para mim.

Dr. Salazar: “Sr. Harris, como você se sentiu quando olhou para Simmons?”

Harris: “Eu estava tentando ver se ele se encaixava em qualquer descrição do assassino.”

Dr. Salazar: “Você se permite uma impressão além disso?”

Harris: “Não realmente.”

Dr. Salazar: “Ele foi sensível às suas perguntas?”

Harris: “Bem, sim, mas eu não podia dizer muito. Ele tem uma pele muito grossa. Ele tem respostas evasivas.”

Dr. Salazar: “Respostas evasivas para as perguntas que espera. Ele estava usando seus óculos escuros na cela?”

Harris: “Sim.”

Dr. Salazar: “Lá dentro, não é?”

Harris: “Sim.”

Dr. Salazar: “Por que você acha que ele usa os óculos de sol?”

Harris: “Talvez para se esconder um pouco.”

Dr. Salazar: “Quer dizer que os óculos de sol adicionam um elemento de simetria ao seu rosto? Melhora sua aparência?”

Harris: “Eu realmente não sei a respeito, doutor. Ele parece ter sido espancado, em torno de sua cabeça”.

Página 12

Dr. Salazar fechou os olhos, talvez buscando ser paciente, e abriu-os novamente. Os olhos do Dr. Salazar eram marrons com faíscas granuladas, como as pedras de sol.

Dr. Salazar: “Ele virou seu rosto quando conversou com você, cerca de dez graus para a esquerda?”

Harris: “Talvez ele tenha desviado o olhar, as pessoas fazem isso.”

Dr. Salazar: “Você acha Simmons feio? Não foi um trabalho muito bom no lábio, não é?”

Harris: “Não.”

Dr. Salazar: “Você verá Simmons novamente, Sr. Harris?”

Harris: “Eu acho que sim. Ele irão nos levar para tirar algumas fotos em seu carro.”

Dr. Salazar: “Você tem óculos de sol com você, Sr. Harris?”

Harris: “Sim.”

Dr. Salazar: “Posso sugerir que quando você questioná-lo, não use seus óculos de sol?”

Harris: “Por quê?”

Dr. Salazar: “Porque ele pode ver seu reflexo neles. Você acha que Simmons foi atormentado no pátio da escola, por ele ser desfigurado?”

Harris: “Provavelmente. É algo costumeiro.”

O médico parecia divertido.

Dr. Salazar: “Sim. Costumeiro. Você já viu fotos das vítimas, as duas jovens mulheres e seu pequeno irmão?”

Harris: “Sim.”

Dr. Salazar: “Eles eram jovens atraentes?”

Harris: “Eram. Pessoas jovens de uma boa família. Boas pessoas me disseram. Você não está dizendo que eles o provocaram, certo?”

Dr. Salazar: “Certamente não. Mas (quanto mais) cedo o tormento, mais facilmente o tormento (vem)… imaginado.”

A página 13 foi omitida da pré-visualização

Página 14

“Insano? Vejo pacientes entrarem em sua sala.”

O diretor deu de ombros e estendeu suas mãos abertas.

“Ele não é louco com os pobres.”

Fui para casa e escrevi o meu artigo sobre Dykes Simmons.

Voltei para minha vida. Cobri crimes em outras partes do México e nunca mais vi o doutor novamente.

Enquanto isso, a esposa de Simmons anunciou sua gravidez. A medida que as semanas passavam, ela crescia pouco a pouco. Em algum momento no terceiro trimestre, houve uma visita conjugal no sábado, o dia que as irmãs enfermeiras vinham do convento para cuidar dos presos doentes. A esposa de Simmons despediu-se dele ao final do dia.

Quando as irmãs enfermeiras chegaram naquele dia, elas contavam doze. Mas treze deixaram a cadeia. Uma delas era Dykes Simmons, que vestia roupas e sapatos de uma freira, roupas as quais sua esposa trouxera sob o vestido de grávida.

Simmons voltou para o Texas. Poucos meses depois ele foi encontrado morto em um carro em Fort Worth após uma briga.

Dr. Salazar serviu 20 anos na cadeia. Quando ele saiu, foi para o bairro mais pobre de Monterrey para cuidar de pobres e idosos. Seu nome não é Salazar. Eu o deixei em paz.

Muitos anos depois, eu estava tentando escrever um romance. Meu detetive precisava falar com alguém com um entendimento peculiar da mente criminosa. Perdido no túnel do trabalho, meu detetive foi até o Hospital do Estado de Baltimore

Página 15

para Criminosos Insanos afim de se consultar com um dos presos. Quem você acha que estava esperando na cela? Não era o Dr. Salazar. Mas devido ao Dr. Salazar, eu pude descrever seu colega e companheiro de profissão Hannibal Lecter.

Thomas Harris

Sag Harbor, NY

Maio de 2013

Então pessoal, acho que não preciso dizer mais nada, não é mesmo? Lendo as linhas acima, alguém lembrou do Fada do Dente? O serial killer de Dragão Vermelho?

  • Leia também: Hannibal Lecter desmascarado. Saiba o nome real de Dr. Salazar! Clique aqui!



Com colaboração

Revisão por:

hellen

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