Horror Moderno: O Monstro dos Andes

“Essas mãos tocaram o cérebro de Einstein, seguraram a arma dourada de Hitler e apertaram as mãos do pior serial killer do mundo.” É assim, mostrando suas mãos, que...
Pedro Alonso Lopez - Cela

O Monstro dos Andes

“Essas mãos tocaram o cérebro de Einstein, seguraram a arma dourada de Hitler e apertaram as mãos do pior serial killer do mundo.”

É assim, mostrando suas mãos, que o fotógrafo canadense Ron Laytner costuma se apresentar. Conhecido como um dos melhores e mais prolíficos fotógrafos do século passado, ele iniciou sua carreira como freelancer do jornal canadense Toronto Telegram.

“Meu nome é Ron Laytner. Estou aqui para te dar uma foto de capa”, disse ele, munido de sua câmera Kodak de US$ 4 dólares, ao então chefe-editor do jornal. O editor riu do garoto petulante, mas pediu que ele lhe mostrasse o que tinha. O resultado? Quatro de suas fotos de um sangrento tiroteio em Toronto foram primeira página no dia seguinte. No entanto, não foi apenas a fotografia que o tornou reverenciado, mas também seu apurado jornalismo. Seu talento para capturar um momento e transcrevê-lo em palavras fez dele um homem requisitado no mundo inteiro.

Ron Laytner hoje está aposentado. Vive em Fort Lauderdale, Estados Unidos, e adora contar suas centenas de incríveis histórias, nos mínimos detalhes, para quem quiser ouvir. E uma dessas histórias, ainda hoje, quando ele conta, o faz esfriar sua espinha.

Ron Laytner foi um dos poucos jornalistas do mundo a entrevistar o mais prolífico serial killer da história moderna. Em 1992, ele esteve frente a frente com ninguém menos que Pedro Alonso Lopez, considerado por muitos como o mais letal serial killer a pisar na face da terra. Pedro Alonso Lopez estava há 12 anos numa solitária no alto de uma montanha no Equador, e nunca havia recebido a visita de ninguém. Ron Laytner foi o primeiro a entrar na cela do homem que ficou conhecido como “O Monstro dos Andes”. Até hoje, o relato de Ron Laytner, junto às fotos que ele tirou de Lopez, é o que existe de mais bem documentado sobre esse assassino. E o que Ron Laytner viu naquele dia é o que vocês lerão abaixo.

O texto abaixo é a tradução livre de uma matéria de Ron Laytner publicada em 1998, época em que Pedro Alonso Lopez foi solto após passar quase 20 anos preso. A matéria que, na verdade, é a junção de vários textos escritos por Laytner, de 1992 a 1999, para revistas e agências de notícias, como a Associated Press, foi replicada nos quatro cantos do mundo. Dos Estados Unidos à República Tcheca; do Equador à Irlanda; da Escócia à África do Sul. E agora, vocês terão a oportunidade de lê-la aqui, no Blog O Aprendiz Verde. Por a matéria ser uma junção de várias outras, peca, em algumas partes, por não ser mais bem explicada, o que pode causar dúvidas, mas optamos por não mexer ou fazer alterações. Vocês a lerão na íntegra.

Uma pergunta: Vocês teriam coragem de viajar até o coração do Equador, subir por uma estrada de terra cercada por florestas até uma penitenciária incrustada nas montanhas, e entrar na cela de um dos piores serial killers da história? Ron Laytner teve.

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O Monstro dos Andes

Horror Moderno


Por Ron Laytner

O pior assassino da história moderna, um serial killer de jovens meninas, foi libertado da prisão e está livre para matar novamente.

Pedro Alonzo Lopez cumpriu menos de um mês de prisão no Equador por cada uma das 350 jovens meninas que ele assassinou em três países. Agora ele está livre, pois o país que o encarcerava não possui pena de morte, e deve libertá-lo após 20 anos.

Lopez ficou conhecido como O Monstro dos Andes, em 1980, quando levou perplexos policiais às covas de suas 53 vítimas no Equador, todas meninas entre nove e doze anos de idade.

Três anos depois, ele finalmente foi considerado culpado pelo assassinato de 110 meninas no Equador. Confessou outros 240 assassinatos de meninas, no Peru e na Colômbia.

Quando Lopez era um prisioneiro no Equador, este jornalista que aqui escreve foi o único a entrevistá-lo.

Encontrar o pior serial killer da história moderna requereu preparação.

Pedro Alonzo Lopez estava trancafiado no centro de uma abandonada seção da Prisão de Ambato, no topo da montanha, longe dos outros prisioneiros, para sua própria segurança.

Havia uma recompensa não oficial, acredita-se que levantada pelas famílias das vítimas, de US$ 25 mil dólares para qualquer guarda ou prisioneiro que o matasse. Em todos os três níveis de segurança por que eu passei na prisão, fui revistado a procura de armas.

Tirando meus sapatos, caminhei na ponta dos dedos pelo corredor e espiei sua cela por cima da pequena fenda. O Monstro dos Andes, como era conhecido, estava no chão, sentado contra  uma parede, mãos enormes flexionadas. Na parede atrás dele, dezenas de recortes de jornal sobre seu julgamento de assassinato em massa.

Eu sentei do outro lado do corredor, virei minha câmera e a coloquei em uma janela gradeada. Em algum lugar no corredor atrás de mim, um guarda fez um sibilante som. Os guardas gostavam de atormentar o serial killer, que acreditava que a qualquer momento seria morto por um deles.

O Monstro se mexeu. Ele rosnou e correu até a janela, agarrando as grades e resmungando. Foi quando eu capturei sua imagem em uma foto, mostrando sua raiva e poderosas mãos assassinas.

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Na Foto: Pedro Alonzo Lopez, em imagem capturada por Ron Laytner. Créditos: ronlaytner.com

Pedro Alonso Lopez, em imagem capturada por Ron Laytner. Créditos: ronlaytner.com

No dia seguinte, eu voltei ao local com o diretor. Enquanto os guardas com pistolas engatilhadas espiavam sua cela por uma pequena janela, cela na qual ele estava já havia 12 anos em confinamento solitário, eu comecei a entrar.

De fora das grades, o diretor da prisão, Victor Lascaño, apresentou-me e eu, tolo e inocentemente, estendi minha mão para o Monstro apertar.

Ele ficou surpreso. Provavelmente ninguém nunca o tocou desde quando ele foi trancafiado em 1980 após uma onda de matança que durou três anos.

Ele olhou em meus olhos e, então, tocou minha mão e começou a apertar. Sua enorme mão, que exerceu enorme pressão nos pescoços de meninas cujos olhos ficaram esbugalhados, agora utilizava seu poder em mim.

Minha mão ficou dormente. Se eu estivesse com um anel, meus dedos teriam quebrado. Em vez disso, as pontas dos meus dedos começaram a inchar como pequenos balões vermelhos, preenchidos com sangue. Eu estava para gritar, quando o Monstro, de repente, parou e sorriu. Foi aí que ele decidiu me conceder a única entrevista de sua vida.

Ele convidou o diretor da prisão, mas apenas se sua linda filha, que era intérprete, viesse junto.

Ele disse ao diretor que não tocava em uma mulher há 12 anos. Ele disse que iria em frente com a entrevista, mas apenas se ele pudesse tocar as mãos da filha do diretor.

Todos ficaram alerta. Nós três estávamos agora na cela do Monstro. Guardas empunharam suas pistolas em meio às grades. Se houvesse um tiroteio, eu rezaria para não ser atingido. Então, a corajosa garota estendeu suas mãos, e o Monstro dos Andes, muito cuidadoso, tocou-as. Da ponta dos dedos aos seus punhos, subindo e descendo com suas mãos.

Na Foto: Pedro Alonzo Lopez tocando as mãos da filha do diretor da prisão. Ao fundo, o olhar atento do jornalista Ron Laytner. Créditos: Ron Laytner portfolio.

Pedro Alonso Lopez tocando as mãos da filha do diretor da prisão. Ao fundo, o olhar atento do jornalista Ron Laytner. Créditos: Ron Laytner portfolio.

Será que ele agarraria seu pescoço e a mataria? O momento passou. Ele a soltou e começou a falar. Posteriormente, ele nos disse que ela tinha por volta dos 26… ela era muito velha para chamar sua atenção.

Com as pistolas apontadas continuamente para ele, ele não estrangularia nenhum de nós. O Monstro dos Andes respondeu a cada pergunta, perguntas que serial killer nenhum nunca antes havia respondido: Como é matar? Por que matar? E por que meninas novas?

Como um homem que faz a barba regularmente, toma banho e come, Lopez matava de duas a três meninas por semana. Essa regularidade seguiu por meses, anos.

Trancado em sua cela, assistido por nervosos guardas com pistolas nas mãos, o assassino em massa me disse:

“Eu sou o homem do século. Ninguém nunca irá se esquecer de mim.”

Lopez pegava suas vítimas, enganando-as em mercados com a promessa de lhes dar presentes como, por exemplo, espelhos de mão.

Ele as levava para esconderijos secretos onde, previamente, havia preparado suas covas. Às vezes havia corpos de vítimas anteriores deitadas lá.

Lopez acariciava suas inocentes vítimas, segurando-as em seus braços como um verdadeiro pai, antes de estuprá-las ao amanhecer.

Ele explica:

“Ao primeiro sinal de luz eu ficava excitado. Eu forçava a menina ao sexo e colocava minhas mãos em volta de sua garganta. Quando o sol nascia eu a estrangulava. Só seria bom se eu pudesse olhar em seus olhos. Eu nunca assassinei ninguém a noite. Teria sido desperdício no escuro. Eu tinha que vê-las à luz do dia.”

Ele disse que levava de cinco a quinze minutos para as meninas morrerem.

“Eu era muito atencioso. Eu ficava um longo tempo com elas para certificar que estavam mortas. Eu usava um espelho para checar se elas ainda estavam respirando.”

Lopez chegava a cortar pulsos e gargantas das vítimas para verificar se o sangue ainda estava bombeando. Se, de alguma forma, elas ainda estivessem vivas, ele terminaria o serviço.

“As vezes eu tinha que matá-las novamente. Elas nunca gritavam porque elas nunca esperavam o que poderia acontecer. Elas eram tão inocentes.”

Ele explicou como farejava suas vítimas.

“Eu caminhava por mercados procurando por uma menina com um certo olhar em seu rosto, um olhar de inocência e beleza. Ela deveria ser uma boa menina, sempre trabalhando com sua mãe. Eu as seguia, as vezes por dois ou três dias, esperando pelo momento que a mãe a deixasse sozinha. Eu dava a ela um bonito e brilhante presente, e então a levava comigo para a periferia da cidade, onde eu prometia dar a ela outro presente para dar a sua mãe.”

O assassino também revelou que gostaria de estuprar e matar crianças de turistas.

“Eu costumava seguir famílias de turistas, queria tirar suas lindas filhas loiras. Mas eu nunca tive a chance. Seus pais eram muito cuidadosos. Eles eram ingleses e russos.”

Lopez também tinha suas macabras festas com cadáveres de suas vítimas. Ele me disse, para espanto da intérprete:

“Minhas pequenas amiguinhas gostavam de companhia. Eu costumava colocar três ou quatro meninas em um único buraco e conversava com elas. Era como ter uma festa. Mas após um tempo, elas não podiam se mover, eu ficava chateado e saía para procurar novas meninas..”

Ele explicou por que apenas escolhia meninas novas.

“É como comer galinha. Por que comer galinhas velhas se você pode ter galinhas novas?”

Os crimes do monstro vieram à tona em 1979, quando um rio transbordou perto da cidade de Ambato, no Equador, e os corpos de quatro meninas emergiram.

Três haviam sido estranguladas com tanta ferocidade que seus olhos saltaram das órbitas. Os olhos da quarta criança permaneciam em sua cabeça, abertos e congelados em horror.

Na Foto: Os restos mortais de duas vítimas de Pedro Alonzo Lopez. Créditos: Ron Laytner portfolio.

Os restos mortais de duas vítimas de Pedro Alonso Lopez. Créditos: Ron Laytner portfolio.

Três dias depois, Lopez foi capturado quando tentava pegar outra menina. A sorte da menina de 10 anos foi que sua mãe, Carlina Ramon Poveda, viu-a de mãos dadas com Lopez caminhando para fora de uma feira. A mãe gritou.

Uma multidão de feirantes enfurecida pegou o estranho e o segurou até a polícia chegar.

Mas ele já havia sido capturado antes, revela Lopez.

“Índios no Peru haviam me amarrado e me enterrado na areia até o pescoço quando descobriram o que eu estava fazendo com suas filhas. Eles derramaram xarope em mim e estavam me deixando para ser comido pelas formigas. Mas uma senhora missionária americana veio em seu jipe e prometeu a eles que me levaria à polícia. Eles me deixaram amarrado na parte de trás do Jipe e fomos embora. Mas ela me libertou na fronteira da Colômbia. Eu não a machuquei porque ela era muito velha para me atrair.”

Mas ele não foi capaz de escapar da polícia do Equador. Para saber se Lopez havia assassinado as crianças ribeirinhas, a polícia colocou, disfarçado, o detetive Pastor Gonzales em sua cela. O detetive diz:

“Por 27 dias eu não dormi, com medo de ser estrangulado em minha cama. Eu mantive uma toalha enrolada em minha garganta. Mas eu enganei Lopez, fingindo que também era um estuprador. Ele se gabava de seus assassinatos no Equador, Colômbia e Peru. Isso foi além dos meus mais loucos pesadelos. Ele me contou tudo.”

Na Foto: o detetive Pastor Gonzalez. Créditos: Ron Laytner portfolio.

O detetive Pastor Gonzalez. Créditos: Ron Laytner portfolio.

Lopez levou os perplexos policiais às covas de 53 vítimas, então recusou-se a cooperar mais.

Dois meses depois, em 1980, ele foi considerado culpado de 110 acusações de assassinato.

A polícia disse que o assassino poderia ter sido acusado de um total de 350 assassinatos, mas julgamentos adicionais na Colômbia e no Peru teriam sido muito complexos e caros.

Lopez já havia sido condenado por assassinato antes de começar a caçar meninas. Ele cortou as gargantas de três homens que o estupraram quando ele cumpria pena por roubo em uma prisão colombiana. Ele tinha 18 anos.

Lopez disse que sabia que seria um assassino desde os oito anos de idade. Ele explica.

“Eu era o sétimo de 13 filhos de uma prostituta de Tolima, Colômbia. Todas as crianças dormiam em uma cama grande atrás de uma cortina que separava a cama na qual nossa mãe fazia seus negócios com homens. Minha mãe me jogou nas ruas quando eu tinha oito anos, após ela me pegar tocando os seios da minha irmã. Ela me jogou na periferia da cidade, mas eu encontrei o caminho de volta pra casa. No dia seguinte, ela me colocou em um ônibus e me deixou a mais de 360 quilômetros de casa. Lá, um homem me pegou e me levou para um prédio abandonado, onde me estuprou, seguidas vezes. Então, eu decidi fazer o mesmo com o máximo de meninas possível.”

Na Foto: Pedro Alonzo Lopez durante banho de sol no final dos anos 90. Créditos: Ron Laytner portfolio.

Pedro Alonso Lopez durante banho de sol no final dos anos 90. Créditos: Ron Laytner portfolio.

Ele tentou explicar seus assassinatos comparando a si mesmo com espectadores que assistem a touradas, o “momento da verdade”, quando o touro ou o matador enfrentam a morte.

Disse o Monstro dos Andes:

“Existe um maravilhoso momento, um divino momento, quando eu tenho minhas mãos em volta da garganta de uma jovem menina. Eu olho em seus olhos e vejo uma certa luz, uma faísca, de repente indo. Apenas aqueles que já mataram sabem do que estou falando. O momento da morte é fascinante e emocionante. Algum dia, quando eu for solto, eu sentirei esse momento novamente. Serei feliz por matar de novo. Essa é a minha missão.”

Naquela noite, eu fui para o meu quarto de hotel, abalado, sabendo que tinha acabado de conhecer o Diabo dentro de um homem. Eu tranquei a porta cuidadosamente. O pior serial killer do mundo estava lá fora, à noite, a apenas poucos quilômetros de distância. Eu fechei as persianas de madeira do meu quarto e empurrei uma peça da mobília contra a porta, travando-a. Eu estava nervoso. Então, de repente, eu mergulhei num sono profundo.

Às três da manhã, eu acordei com uma mão em volta da minha garganta, apertando e me sufocando. Eu gritei e caí no chão, quase quebrei o cotovelo. E foi ai que descobri que era a minha própria mão. Graças a Deus!

Em meu perturbado sono, agarrei minha própria garganta. E então pensei, pensei e pensei nas mais de 350 jovens meninas que morreram sozinhas e desesperadas nas mãos do Monstro e nos terríveis segredos que ele me contou.

Desde essa entrevista, eu continuo escutando a voz do mais mortal serial killer do mundo às gargalhadas.

“Em breve, eu serei um homem livre novamente. Eles me soltarão por bom comportamento em 1994 ou 1995”.

Durante a maior parte dos seus 18 anos preso, Pedro Alonzo Lopez temeu ser extraditado para a Colômbia, onde seria posto em frente a um pelotão de fuzilamento, pois o país tem pena de morte. Mas nunca aconteceu. Ao contrário, o pior serial killer da história moderna foi solto na escuridão da noite.

Eles foram a Pedro Alonzo Lopez algumas horas após a meia-noite, pouco depois do ano novo de 1995. Quatro guardas leais e um oficial o tiraram da solitária 29, na prisão Garcia Moreno em Quito (para a qual ele havia sido transferido), e algemaram por trás suas poderosas mãos e colocaram-no na parte de trás de uma van policial.

Lopez deve ter ficado receoso. Eles simplesmente o matariam para pegar recompensa?

Mas naquela noite, de acordo com a polícia, não houve tentativas contra sua vida, e o Monstro dos Andes saiu em liberdade.

Escoltado por dois veículos que protegiam o assassino em massa de possíveis ataques das famílias de suas 350 vítimas, ele foi levado até a fronteira com a Colômbia. O governo equatoriano disse que eles o deixaram lá porque ele não tinha visto para permanecer no Equador.

Foram dados a Lopez uma garrafa de água, novos sapatos, uma calça e camisas, uma pequena quantidade de pesos colombianos e um pacote de comida. Em seguida, ele foi solto.

Uma semana depois, a polícia encontrou o Monstro dos Andes de volta ao Equador, o melhor país para um serial killer, pela falta da pena de morte. Eles rapidamente colocaram Lopez do lado colombiano da fronteira e disseram para nunca mais voltar.

Enquanto isso, na Colômbia, Equador e Peru, famílias que escutaram que o Monstro estava livre, passaram a olhar cuidadosamente para suas jovens meninas no que foi descrito como “uma vida de terror.”

Linhas telefônicas em estações de rádio e estações de televisão, nos três países, foram inundadas com ligações de cidadãos que, supostamente, avistaram Lopez e pediam para a polícia capturá-lo.

Jose Rivas, comandante da polícia de Carchi no Equador, disse que Lopez foi visto nas montanhas entre o Equador e a Colômbia. A polícia, que carrega minhas fotografias de Lopez, atualmente está em sua busca, mas sem sucesso.

Questionado sobre a libertação do assassino no ano novo de 1995, o chefe de segurança Pablo Faguero admitiu: “Sim, soa estranho, mas esta é a nossa lei. A lei de nenhuma execução ou sentença maior do que 20 anos. Essa lei foi feita para proteger presidentes do Equador de serem mortos após revoluções e golpes militares. No passado, eles eram executados de maneiras terríveis, como, por exemplo, sendo esquartejados vivos por cavalos que eram amarrados em seus quatro membros. A lei parecia humana.”

Victor Lascaño, diretor da prisão de Ambato, onde Lopez ficou trancafiado antes de ser transferido para Quito, está aterrorizado com a possibilidade de ele atacar novamente, “Deus proteja as crianças. Ele é incurável e totalmente sem remorsos. Todo esse pesadelo pode começar de novo!”

“Ele não viverá muito”, previu a mãe de Maria Poveda, a jovem menina equatoriana que ajudou em sua captura. “Será uma bondade para o mundo se alguém matar esse demônio. O Monstro dos Andes não irá durar muito tempo lá fora. Talvez seja por isso que não ouvimos falar sobre desaparecimentos de meninas. Talvez alguém, mesmo da polícia colombiana ou equatoriana, já o tenha matado. Se eles tiverem, espero que eles o tenham feito sofrer.”

Na Foto: Carlina e sua filha Maria Poveda. Lopez foi preso após ser visto de mãos dadas com Maria saindo de uma feira em Ambato, Equador. Créditos:

Carlina e sua filha Maria Poveda. Lopez foi preso após ser visto de mãos dadas com Carlina saindo de uma feira em Ambato, Equador. Créditos: Ron Laytner Portfolio.

A polícia acredita que seja muito provável que muitos pais e irmãos de meninas assassinadas tenham ido atrás do Monstro dos Andes quando ele foi solto. Talvez ele, finalmente, tenha sido assassinado por alguém que acreditava estar fazendo um serviço para a humanidade.

Quando notícias da libertação secreta de Pedro Alonzo Lopes foram anunciadas, houve raiva entre familiares de suas vítimas e alguns foram à imprensa falar em mudar a constituição do Equador para reinstalar a pena de morte. Mas logo suas vozes foram abafadas.

[Lopez foi posteriormente deportado para a Colômbia]… Finalmente Lopez foi levado sob custódia à Colômbia e uma corte o considerou não culpado por razões de insanidade. Ele foi colocado em um hospital psiquiátrico e libertado dois anos depois (1998), após ser declarado curado. Lopez deveria ver um juiz uma vez por mês, mas após ser libertado, ele sumiu e nunca mais foi visto.

Ele provavelmente está de volta ao Equador, um lugar que se tornou campo de treinamento de serial killers que sabem que podem cumprir no máximo 20 anos de prisão.

Assassinatos em série é um tipo de crime que cresce no mundo. Acredita-se que por volta de 3% de todos os assassinatos cometidos no mundo são pelas mãos de serial killers.

Mas a polícia em volta do mundo tem a esperança de nunca existir outro como o Monstro dos Andes.

Na Foto: Pedro Alonzo Lopes durante banho de sol no final dos anos 90. Preso aos 31 anos, ficou 20 anos numa solitária. Envelhecido, sem os dentes da frente, nota-se o que o confinamento solitário numa prisãoCréditos:

Pedro Alonso Lopes durante banho de sol. Preso aos 31 anos, ficou 20 anos numa solitária. Envelhecido, sem os dentes da frente… nota-se o que o confinamento solitário faz a um homem. Créditos: Ron Laytner Portfolio.

Na foto: À esquerda acima, os feirantes que capturaram O Monstro dos Andes. À direita acima uma das covas onde foram encontradas suas vítimas. Abaixo à esquerda o monstro se exercita.

À esquerda acima, os feirantes que capturaram O Monstro dos Andes. À direita acima uma das covas onde foram encontradas suas vítimas. Abaixo à esquerda o monstro se exercita.

Na Foto: Investigadores e curiosos observam uma das covas onde Lopez enterrou várias vítimas. Créditos: Ron Laytner portfolio.

Investigadores e curiosos observam uma das covas onde Lopez enterrou várias vítimas. Créditos: Ron Laytner portfolio.

Fim

A matéria de Ron Laytner acabou, mas não o post. Como dito, o relato de Laytner é um dos melhores documentos que existe sobre Pedro Alonso Lopez, talvez o pior serial killer do século 20, mas que é praticamente desconhecido. E isso se torna ainda mais sério quando sabemos que ele foi solto em 1998. Há algumas incoerências na matéria de Laytner. Na matéria original, ele diz que Lopez foi solto pelas autoridades equatorianas em 1999, entretanto, Lopez foi solto em 1994. Fizemos essa correção no texto acima mas, se vocês lerem a matéria original, ele diz 1999. Outro ponto é quando ele diz que a pena máxima no Equador é 20 anos. A pena máxima no Equador, na verdade, é de 16 anos. Tanto é que Lopez, encarcerado em 1980, ficou 14 anos preso, ou seja, foi solto (por bom comportamento) dois anos antes de cumprir a totalidade de sua pena. Esses erros, entretanto, são apenas números, e não diminuem a sua história.

Em 2004, o Biography Channel transmitiu um excelente documentário sobre o serial killer. Com imagens raras tiradas de tv’s equatorianas, o documentário, junto ao relato de Ron Laytner, é hoje tudo o que existe para consulta sobre O Monstro dos Andes.

O documentário começa com o depoimento de familiares de meninas desaparecidas em Ambato, Equador. Apesar do número crescente de desaparecimentos, a polícia local não dá atenção ao caso, justificando que as meninas, na verdade, fugiram de casa.

Na foto: Jornal da época traz na capa a foto de meninas desaparecidas em Ambato. Créditos: Documentário Biography Channel.

Jornal da época traz na capa a foto de meninas desaparecidas em Ambato. Créditos: Documentário Biography Channel.

Em março de 1980, Pedro Alonso Lopez é capturado por comerciantes de uma feira da cidade. Diferentemente do relato de Ron Laytner, que disse que a feirante Carlina Ramon Poveda viu sua filha de 10 anos, Maria, de mãos dadas com Lopez saindo da feira, no documentário, Carlina e sua filha explicam de uma forma diferente.

“Ele me olhava de uma maneira engraçada, estranha e me chamava para ir com ele. Então fui até minha mãe e disse: ‘Mãe aquele homem está me olhando com uma cara feia e está me chamando para ir com ele'”, diz Maria Poveda, no documentário.

“Quando minha filha disse que o homem a estava chamando, lembrei das meninas desaparecidas, então chamei uns homens da feira e fomos atrás para pegá-lo. Quando o pegamos ele disse: ‘Eu sou um pobre trabalhador, um homem humilde, eu não sou um ladrão, eu não sou nada. Tenho um coração limpo'”, diz Carlina Poveda, no documentário.

Na Foto: Maria Poveda. Maria ainda trabalha com sua mãe na mesma feira em Ambato, feira a qual, em 1980, o Monstro dos Andes perambulou em busca de vítimas. Créditos: Documentário Biography Channel.

Maria Poveda. Maria ainda trabalha com sua mãe na mesma feira em Ambato, feira a qual, em 1980, o Monstro dos Andes perambulou em busca de vítimas. Créditos: Documentário Biography Channel.

Na Foto: Carlina Poveda. Créditos: Documentário Biography Channel.

Carlina Poveda. Créditos: Documentário Biography Channel.

Na Foto: A feira em Ambato, onde Pedro Alonso Lopez foi capturado por feirantes. Créditos: Documentário Biography Channel.

A feira em Ambato, onde Pedro Alonso Lopez foi capturado por feirantes. Créditos: Documentário Biography Channel.

Levado preso, Pedro Alonso Lopez contou sua terrível história para o detetive Pastor Cordoba Gonzalez. Em suas palavras, disse ter passado os últimos sete anos (e não três, como dito por Laytner) viajando por Peru, Colômbia e Equador. E que em sua estada por esses países, raptou, estuprou e matou, “pelo menos”, 300 meninas.

“Se alguém confessa centenas de assassinatos e o leva aos corpos de 57 pessoas, você tende a acreditar nele. Ele fez uma estimativa, e eu acho que sua estimativa de 300 ainda é baixa”.

[Victor Lascaño]

Lopez sentia orgulho do que falava, e disse aos investigadores ter feito diversas covas pelo país e que poderia provar. Para fazer com que Lopez continuasse sua história de horror, a polícia oferecia tudo de que ele gostava: cerveja, café e cigarros. E para horror dos próprios investigadores, Lopez falava a verdade. Nas seis semanas seguintes à sua captura, Lopez levou os investigadores a 57 covas de suas 110 vítimas no Equador.

“Ele lembrava de tudo: dia, hora, roupas, nomes, a feição das meninas. Tinha uma memória incrível. Seu comportamento era de satisfação quando nos mostrava as covas. Não sentia nada, remorso, culpa, nada. Levava-nos às covas e era como se nos mostrasse os seus troféus. Foi muito difícil para nós, mesmo sendo profissionais, tivemos que manter as emoções de lado”, diz, no documentário, o perito médico Rothman Rios.

Na Foto: Investigador segura o crânio de uma vítima de Pedro Alonso Lopez. Créditos: Documentário Biography Channel.

Investigador segura o crânio de uma vítima de Pedro Alonso Lopez. Créditos: Documentário Biography Channel.

Na Foto: Investigador segura o crânio de uma vítima de Pedro Alonso Lopez. Créditos: Documentário Biography Channel.

Investigador segura o crânio de uma vítima de Pedro Alonso Lopez. Créditos: Documentário Biography Channel.

Na Foto: Peritos analisam restos mortais encontrados em uma das covas que Pedro Alonso Lopez descartou suas vítimas. Créditos: Documentário Biography Channel.

Peritos analisam restos mortais encontrados em uma das covas que Pedro Alonso Lopez descartou vítimas. Créditos: Documentário Biography Channel.

Na Foto: Restos mortais de duas vítimas de Pedro Alonso Lopez. Créditos: Documentário Biography Channel.

Restos mortais de duas vítimas de Pedro Alonso Lopez. Créditos: Documentário Biography Channel.

Na Foto: Pedro Alonso Lopez durante interrogatório em 1980.

Pedro Alonso Lopez durante interrogatório em 1980.

Na Foto: Pedro Alonso Lopez durante interrogatório em 1980. Créditos: Documentário Biography Channel.

Pedro Alonso Lopez durante interrogatório em 1980. Créditos: Documentário Biography Channel.

Na Foto: Pedro Alonso Lopez. Créditos: Documentário Biography Channel.

Pedro Alonso Lopez. Créditos: Documentário Biography Channel.

Na Foto: Pedro Alonso Lopez é fotografado durante interrogatório em 1980. Créditos: Documentário Biography Channel.

Pedro Alonso Lopez é fotografado durante interrogatório em 1980. Créditos: Documentário Biography Channel.

Na Foto: Pedro Alonso Lopez é fotografado durante interrogatório em 1980. Créditos: Documentário Biography Channel.

Pedro Alonso Lopez é fotografado durante interrogatório em 1980. Créditos: Documentário Biography Channel.

Na Foto: Pedro Alonso Lopez fuma um cigarro durante interrogatório em 1980. Créditos: Documentário Biography Channel.

Pedro Alonso Lopez fuma um cigarro durante interrogatório em 1980. Créditos: Documentário Biography Channel.

Na Foto: Pedro Alonso Lopez durante interrogatório em 1980. Créditos: Documentário Biography Channel.

Pedro Alonso Lopez durante interrogatório em 1980. Créditos: Documentário Biography Channel.

Na Foto: Pedro Alonso Lopez, em 1980, ao lado de investigadores. Ao seu lado, à direita, o detetive Pastor Cordoba Gonzalez. Créditos: Documentário Biography Channel.

 Pedro Alonso Lopez, em 1980, ao lado de investigadores. Ao seu lado, à direita, o detetive Pastor Cordoba Gonzalez. Créditos: Documentário Biography Channel.

Na foto: Jornal equatoriano noticia a história do "Monstro dos Andes". Créditos:

Jornal equatoriano noticia a história do “Monstro dos Andes”. Créditos: Documentário Biography Channel.

Imediatamente Lopez virou uma celebridade. Algumas emissoras equatorianas o entrevistaram e em nenhum momento ele se sentiu tímido em discutir seus crimes, parecia sentir orgulho do seu reinado de horror, e até filosofava sobre a vida e a morte.

“Quando alguém morre, perde totalmente suas emoções, sua visão, sua capacidade de enxergar… na morte você esquece quem você é, tudo que você vê agora é escuridão.”

Ao dar uma entrevista a um repórter que escrevia sobre sua história, ele pergunta: “Isso entrará para a história, certo?”

“Sim”, responde o repórter.

“Será importante? Eu sou muito novo para morrer, cara.”

Na Foto: O Monstro dos Andes durante entrevista a um repórter equatoriano. Créditos: Documentário Biography Channel.

O Monstro dos Andes durante entrevista a um repórter equatoriano. Créditos: Documentário Biography Channel.

A seguir, numa tentativa de achar uma reposta para o terrível comportamento de Lopez, o documentário passa a investigar sua vida, vida sobre a qual ele contou nos mínimos detalhes para o investigador Pastor Gonzalez.

O pai de Lopez, Reyes, morreu antes do seu nascimento, no final de 1948, durante a guerra civil colombiana. Nascido em Santa Isabel, em outubro de 1949, Pedro foi criado por sua mãe, que trabalhava como prostituta. Homens entravam e saíam da sua casa todos os dias, e ele testemunhava sua mãe fazendo sexo.

“Quando ele era criança, por volta dos 5 anos, gostava de ensinar as outras crianças. Seu sonho era ser professor”, diz, no documentário, a mãe de Lopez, Benilda Lopez de Castañeda.

Enquanto, no documentário, Benilda diz que amava seu filho, Lopez diz o contrário. Segundo ele, ela o espancava diariamente. Um ponto que levanta dúvidas é quando ela diz que, aos 8 anos de idade, ele desapareceu de casa. Ela teria ficado desesperada e chorado durante dias. Tentou ir atrás do filho mas nunca o encontrou. “Chorei durante dias. Mataram o meu marido e agora raptaram meu filho”, diz ela.

Como visto por vocês na matéria de Ron Laytner, Lopez diz que não foi bem assim. Sua mãe o teria expulsado de casa após tê-lo pego acariciando os seios de uma das irmãs dele. O fato é que Lopez, aos 8 anos, encontrou-se sozinho na capital colombiana, Bogotá. Vivendo nas ruas, sozinho e desamparado, Lopez revirava lixos para comer. A violência tornou-se uma rotina em sua vida. E foi nas ruas de Bogotá que, segundo Lopez, ele “perdeu a inocência”. Foi abusado sexualmente por um homem que lhe ofereceu uma cama para dormir. “Eu era uma criança pequena, muito inocente. É uma coisa que nunca se esquece. Não nego que isso tenha me afetado. Sempre busco punir aqueles responsáveis. Minha vida foi desonesta devido ao meu abandono. Eu odeio. Quando via um homem abusando de um garoto, eu iria consertá-lo”, diz Lopez. Aparentemente, ao ficar adulto, Lopez não matou apenas menininhas, mas também alguns pedófilos estupradores.

Aos 10 anos de idade, Lopez foi acolhido por um casal de americanos que vivia em Bogotá. Por dois anos, teve uma vida estável, frequentando a escola. Porém, novamente, foi molestado por um professor e fugiu para o único lugar em que se sentia seguro: as violentas ruas de Bogotá.

Lopez viveu nas ruas da capital colombiana por 13 anos, até que, em 1969, aos 21 anos, foi preso pela polícia por roubar um carro. No segundo dia atrás das grades, Lopez foi brutalmente estuprado por dois outros prisioneiros. Poucos dias depois, Lopez mataria seus estupradores com uma faca. O duplo homicídio cometido por Lopez na prisão foi julgado como legítima defesa, e ele foi absolvido da acusação de assassinato. Na confissão feita a Pastor Gonzalez, ele diz: “A partir desse dia eu decidi que nunca mais seria uma vítima.” Nascia o Monstro dos Andes.

Em 1971, aos 23 anos, Lopez foi solto e iniciou sua onda de matança. Começou na Colômbia, passou pelo Peru, onde matou mais de 100 meninas, e chegou ao Equador, onde o número de suas vítimas chegou a 110.

“Ele dizia para elas que estava perdido, perguntava se elas poderiam ajudá-lo a encontrar um ponto de ônibus ou o caminho para a periferia da cidade. Ele se mostrava para as crianças como uma pessoa perdida, e isso as faziam acreditar mais. Então ele as levavam para um local esmo, um local que se elas gritassem ninguém poderia ouvir. Ele passava a noite inteira estuprando-as. No início da manhã ele estupraria novamente, para só então matar”, diz, no documentário, a psiquiatra forense Alexandra de La Torre Jamarillo.

“Ele dizia que as estrangulavam para elas poderem ir para o céu, para que não sofressem na terra”, diz Angel Lara Noriega, editor do jornal equatoriano La Verdad.

Um fato curioso ocorreu quando Lopez estava matando no Peru. Ao tentar estuprar uma menina de 9 anos em uma tribo dos Índios Ayacuchos, no nordeste do Peru, Pedro Alonso Lopez foi capturado pelos índios. Os índios torturaram Lopez durante horas e decidiram enterrá-lo até o pescoço e deixá-lo para ser comido por formigas. Quando estavam prestes a deixá-lo para os animais, uma missionária americana chegou e convenceu os índios de que aquilo não era o certo a ser feito. A missionária convenceu os índios a entregarem Lopez às autoridades peruanas. Os índios desenterraram Lopez e o amarraram na traseira do carro da missionária. Mas, ao contrário, a mulher libertou Lopez na fronteira com a Colômbia. Se os índios Ayacuchos tivessem concluído sua sentença de morte, o mundo nunca teria tido conhecimento dos crimes do colombiano.

Como as vítimas de Lopez eram indígenas e pobres, as polícias das cidades onde dezenas de meninas estavam desaparecidas não davam atenção. E isso permitiu que ele assassinasse um número espantoso de seres humanos. Em abril de 1979, ele apareceu em Ambato, Equador, e logo meninas da cidade começaram a desaparecer. Uma delas foi Hortencia Garcês Lozada, 11 anos.

Na Foto: Hortencia Garcês Lozada. Créditos: Documentário Biography Channel.

Hortencia Garcês Lozada. Créditos: Documentário Biography Channel.

“Minha mãe estava grávida na época e minha irmã passou a ajudar a família vendendo jornais nas ruas, uma maneira de aumentar a renda para ajudar nos gastos que teríamos com nosso irmão que viria”, diz, no documentário, Amparo Garcês Lozada, irmã de Hortência.

Em 15 de maio de 1979, Lopez perguntou a Hortência se ela queria ser sua guia na cidade e ofereceu algo que a menina não pôde recusar: uma nota de US$ 100 dólares equatorianos, cerca de R$ 10 reais. Ele a levou para longe do centro da cidade, até uma ponte, e então a estuprou, espancou e estrangulou. Ele colocou seu corpo em uma cova que havia preparado e a cobriu com os mesmos jornais que a menina vendia. Quando ela não voltou para casa, seu pai ficou desesperado.

“Eu a procurei por todas as partes. A polícia não se importou comigo, a polícia estava contra o povo. A polícia o ajudou a matar todas aquelas meninas”, diz, exaltado, Leonidas Garcês Lozada, pai de Hortência.

Neste país, apenas as pessoas ricas têm a assistência da polícia e da justiça”, disse outra irmã de Hortência, Rosa Lozada.

A polícia não investigou nenhum dos casos, sempre insistindo que as meninas haviam fugido de casa, e isso deixou o caminho aberto para Lopez fazer novas vítimas. Uma delas foi Ivanova Jácome, 9 anos, que desapareceu da padaria do seu pai no dia 14 de fevereiro de 1980. Dessa vez, Lopez erraria o alvo. O pai de Ivanova era um importante empresário dono de uma rede de padarias de Ambato, e o desaparecimento de sua filha foi investigado de perto pela polícia local.

Na Foto: Ivanova Jácome, desaparecia no dia 14 de fevereiro de 1980 em Ambato, Equador. Créditos: Documentário Biography Channel.

Ivanova Jácome, desaparecia no dia 14 de fevereiro de 1980 em Ambato, Equador. Créditos: Documentário Biography Channel.

Na Foto: O corpo de Ivanova Jácome, encontrado 20 dias depois do seu desaparecimento. Créditos: Documentário Biography Channel.

O corpo de Ivanova Jácome, encontrado 20 dias depois do seu desaparecimento. Créditos: Documentário Biography Channel.

“Eu distribui cartazes por todo o Equador. Mas não obtivemos nada. Quando encontraram o corpo dela fiquei destroçado. Foi muito trágico”, diz Carlos Jácome, pai de Ivanova.

Com a mídia publicando notícias sobre o desaparecimento e morte de Ivanova, as vozes dos pais de outras meninas desaparecidas começaram a ser ouvidas. Não havia dúvidas de que havia um serial killer na cidade raptando e matando jovens meninas. No mesmo mês de março, Lopez foi capturado em uma feira da cidade quando tentava raptar Maria Porveda. E no mesmo dia em que Lopez foi capturado, 9 de março, os pais de Ivanova enterravam sua filha.

Acabava a onda de horror de Pedro Alonso Lopez. As autoridades equatorianas o acusaram de 110 assassinatos no país, apesar de apenas 57 corpos terem sido encontrados.

“Eu sou o pior do pior. Um completo animal”, disse Lopez para Pastor Cordoba.

Em 1981, aos 33 anos, ele foi condenado à pena máxima no Equador: 16 anos. Após 12 anos na solitária, ele concedeu sua primeira entrevista para um jornalista, Ron Laytner.

“Eu, Pedro Alonso Lopez, autor desses atos, me declaro culpado. Eu, Pedro Alonso Lopez, que supostamente eliminou o maior grupo de insignificantes e, alegadamente, tirou suas inocências, digo que , na verdade, a inocência foi tirada de mim.”

Na prisão, Lopez passou por uma avaliação psicológica que o considerou um sociopata. Em diversas entrevistas que deu na véspera de ser solto, falou calmamente sobre seus crimes, não gaguejava, e sempre tinha uma resposta na ponta da língua.

“Ele sempre foi uma pessoa insignificante. Ele vivia nas ruas, não tinha reconhecimento social, e isso era algo que o fazia ser grande, importante, para mostrar ao mundo o que ele estava fazendo. Ele também dizia que as estavam salvando, porque elas eram pobres, como se isso fosse uma missão. Ele não tem consciência do certo ou errado. Ele não tem sentimento de culpa ou remorso pelo que fez. Ele não tem capacidade de entender o sofrimento ou a dor de outras pessoas. O que ele faz é para o seu próprio prazer. Pessoas com transtornos de personalidade costumam ser muito inteligentes, e eles usam suas palavras como um meio de tentar justificar seus atos. Eles são muito habilidosos”.

[Alexandra de La Torre Jamarillo]

Na Foto: O Monstro dos Andes, 45 anos, comemora ao ser libertado da prisão em Quito em agosto de 1994. Créditos: Documentário Biography Channel.

O Monstro dos Andes, 45 anos, comemora ao ser libertado da prisão em Quito em 31 de agosto de 1994. Créditos: Documentário Biography Channel.

“Senhor estou livre!”, gritou Lopez ao sair da cadeia. Mas sua alegria durou pouco. Apenas uma hora depois de solto, ele foi deportado para a Colômbia, sob alegação de não poder ficar no país por não ter as documentações necessárias. O documentário mostra a conversa entre o agente equatoriano e Lopez. “Você está ilegal e não tem a documentação. Eu não posso libertá-lo”, diz o agente.

Lopez, então, é levado até a fronteira com a Colômbia. Uma semana depois é capturado no Equador e levado novamente até a fronteira com a Colômbia onde, finalmente, é preso por autoridades locais e acusado de assassinatos. Foi julgado por vários assassinatos de crianças na Colômbia, mas considerado insano pelo tribunal. Ele é internado num hospital psiquiátrico de Bogotá.

Em fevereiro de 1998, psiquiatras o declararam são, e ele foi libertado sob duas condições: continuar seu tratamento psiquiátrico e aparecer uma vez por mês para um juiz. Lopez nunca mais apareceu. Em vez disso, ele viajou até a cidade de Espinal para ver sua mãe, que não via desde os oito anos de idade.

Na Foto: Benilda Lopez, mãe do Monstro dos Andes. Créditos: Documentário Biography Channel.

Benilda Lopez, mãe do Monstro dos Andes. Créditos: Documentário Biography Channel.

“Ele chegou e disse: ‘Mãe vim lhe pedir sua benção.’ Ele se ajoelhou e pediu minha benção. Depois, ele disse: ‘Mãe, vim pegar o que me pertence’. Eu respondi: ‘Mas eu não tenho nada, sou muito pobre. Como vou te dar alguma coisa?’ Eu tinha apenas uma cadeira e uma cama na casa, ele pegou essas duas coisas e colocou do lado de fora da casa, eu comecei a chorar e ele disse: ‘Se ninguém comprar isso eu coloco fogo.’ Então, uma mulher apareceu e comprou a cadeira e a cama, e ele foi embora”, diz Benilda Lopez.

Lopez pegou o dinheiro da venda e desapareceu. Foi visto perambulando por locais ermos, possivelmente revivendo os locais onde enterrou suas vítimas. Em 4 de junho de 1998, a agência de notícias Associated Press noticiou que Pedro Alonso Lopez havia sido preso na cidade de Cuenca, Equador. Ele foi capturado após policiais pararem o “andarilho”. Por não ter documentação para estar no país, Pedro teria sido deportado novamente para a Colômbia. Uma semana e meia depois, a mesma Associated Press noticiou que Lopez havia escapado da custódia policial na cidade fronteiriça de Ipiales, Colômbia. Foi a última vez que Pedro Alonso Lopez foi visto. Seu nome logo sumiu dos noticiários, até que…

seta

Outubro de 2002


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Na Foto: Alerta da Interpol. Créditos: Documentário Biography Channel.

Alerta da Interpol. Créditos: Documentário Biography Channel.

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CUIDADO: PESSOA CONSIDERADA PERIGOSA, DOENTE MENTAL, VIOLENTO E PROPENSO A COMETER DELITOS SEXUAIS CONTRA MENORES

Em 21 de outubro de 2002, a Interpol, polícia internacional, emitiu um alerta a pedido do governo colombiano. Segundo as autoridades do país, Lopez era o principal suspeito do assassinato de uma criança na cidade de Espinal. Foi a última vez que o seu nome foi pronunciado em um órgão oficial. Até os dias atuais, seu paradeiro permanece um completo mistério.

Uma coisa é certa, Lopez passou anos de sua vida matando crianças e, uma vez provado o gosto, nunca poderia parar. É óbvio que, após sair do hospital psiquiátrico, ele voltou a andar à procura de vítimas. Conseguiu matar? Não se sabe. É bem possível que ele esteja morto. Seja assassinado pelas mãos de parentes das centenas de vítimas ou morto pela sua debilitada e frágil saúde física e mental. Lopez era um velho debilitado, e não mais um homem de 30 anos, ele não conseguiria se safar com tanta facilidade como conseguiu em sua juventude. Alguns dizem que Lopez era um serial killer invisível que, estrategicamente, agia em lugares remotos e caçava vítimas que a sociedade ignora. Por isso, talvez, ele esteja, até hoje, fazendo a mesma coisa. Se estiver vivo, tem hoje 65 anos.

Informações


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Horror Moderno - O Monstro dos Andes - Pedro Alonso Lopez - Mugsho

Nome: Pedro Alonso López

Conhecido como: O Monstro dos Andes

Nascimento: 8 de Outubro de 1949 (65 anos). Santa Isabel, Tolima, Colômbia

Acusações: Roubo de carros e assassinatos

Captura: 9 de março de 1980. Província de Ambato, Equador.

Sentença: 16 anos em regime fechado no Equador (1980-1994). Três anos em um hospital psiquiátrico na Colômbia.

Soltura: 1994: Cumpriu 14 anos (solto por bom comportamento – Equador). 1998: Cumpriu três anos (solto por um laudo psiquiátrico – Colômbia)

Número de Vítimas: 57 confirmadas no Equador. Estimativas da polícia sugerem que o número de vítimas de Lopez chegue a 350 em 3 países.

Período: 1972-1980

Países: Colômbia, Peru e Equador.

Situação: Foragido.

“Senhor, eu não posso te dizer o exato número de vítimas. Eu sou superior, sou Deus. Eu dou a vida e só eu posso tirá-la.”

[Pedro Alonso Lopez]

Com colaboração:


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Revisão por:

hellen

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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
Deixe o seu comentario:
  • LuisGB72

    16 anos em regime fechado no Equador
    pela morte de 57 crianças, certo? Se eu li direito, são menos de 4 anos por
    morte ! ! ! PQP

    • O Aprendiz Verde

      Matou 1 ou 100, são 16 anos, a máxima por lá. Mas eles mudaram, hoje a máxima lá é 25 anos.

      • justiceiro do gueto

        esse merda nasceu fora da época tinha que ter sido meu vizinho de berço lá mesmo deus guiaria minhas mãos ate esse demônio e eu faria com ele oque ele já nasceu pra fazer .filho do cão

  • Robson

    Parabéns !! Esse é o melhor artigo
    que achei na internet sobre Pedro Alonso López. Não existe muitas informações
    sobre esse serial killer. Este post é o mais completo ! Muito bom.

  • Eduardo

    Que absurdo ! Como que deixam soltar
    um monstro desses simplesmente por bom comportamento ou sabe-se lá pelo o que
    foi constatado na laudo psiquiátrico ? Não é preciso ser um psicólogo pra
    constatar que se trata de um psicopata perigoso, dissimulado e inteligente. Ele
    merecia no mínimo a prisão perpétua por tantos crimes cometidos, no entanto
    está solto, provavelmente cometendo mais crimes.

    No mais, muito bom esse blog, continue com esse excelente trabalho ! Essa é a
    primeira vez que comento, mas já li outros posts sobre seriais killers aqui, e
    são os mais completos que achei na internet ! PARABÉNS !!!

  • Caroline Ferreira

    Muito bom ler um artigo sobre esse
    Serial Killer, apesar dele ter feito dezenas de vítimas, pouco é falado e o fdp
    ainda ta foragido..

  • Diego G

    Se eu pego esse cara eu iria fazer
    ele sofrer muito mais muito mesmo no inicio fiquei até com um pouco de pena
    dele por conta de sua infância mais depois que li o resto fiquei
    assustado.Meu maior medo é pensar que ele pode ainda estar fazendo fitinas por
    ai

  • Victor Xavier

    Falaaaa… muito boa as informações aqui contidas também.. eu tenho uma
    compilação muito detalhada sobre o palhaço assassino também.. vou ler com calma
    o seu texto e depois te falo!

    Abraços…

    http://boadaweb.blogspot.com

  • Cris

    A agressividade é intrínseca às
    funções do eu do homem, ou seja, uma estrutura distinguida por uma tensão
    agressiva, por uma intenção de agressão. “Tensão no sentido de oposição,
    já que o outro sempre se opõe, disputa o mesmo lugar do eu. Para o eu humano só
    existe um lugar possível: se eu não estou certo, se não ocupo o lugar daquele
    que está certo, então… estou errado e é o outro quem está certo; para o eu, é
    como se o outro tivesse se apropriado desse lugar…

    • Ganso

      O que será que ela quis dizer?

  • Patrick

    Disse que 3% dos assassinatos podem ser de serial Killers, o que indica que a cada dia se cresce mais esta pratica, e se formos contar aqueles desaparecimentos e assassinatos que são quase sigilosos? É algo que eu sempre penso, o mundo guarda mais segredos que só nós, humanos, podemos saber, segredos que não qual nós criamos.

  • lestat

    até agora estou de cara como a policia do equador é uma bosta. 350 inocentes não mão desse verme. e ninguém o mandou para a cova. pqp!

  • lestat

    até agora estou de cara como a policia do equador é uma bosta. 350 inocentes morreram na mão desse verme. e ninguém o mandou para a cova. pqp!

    • zueiro

      as dos Brasil sao uma beleza tbm né

  • Pingback: 101 Crimes Notórios e Horripilantes de 2013 | Blog O Aprendiz Verde()

  • Victória V.

    Que história horrenda! Meu Deus…
    Parabéns pra o pessoal que fez a matéria, só encontrei ela bem detalhada, aqui.
    Muito bom!

  • Pedrão.

    Muito sofrimento na vida deste homem,jogado na rua,pela mãe,so por causa de tetas,dai,pra diante,foi uma desgraça,nao acredito que ele foi para o inferno,a vida dele,foi um inferno.

    • Anônimo

      Ah, tá… matando mais de 350 meninas e a vida dele foi um inferno? até parece!

  • Pingback: Serial Killers: Os Assassinos Ludwig | Blog O Aprendiz Verde()

  • Pingback: Onde está o serial killer de Long Island? | Blog O Aprendiz Verde()

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