Fim do Mistério: Hannibal Lecter desmascarado

Dezembro de 2008 foi um mês agitado. Eu não lembro especificamente o que eu fazia em dezembro de 2008, mas sei que centenas de milhares de acontecimentos percorriam o...
Hannibal Lecter Desmascarado

Hannibal Lecter desmascaradoHannibal Lecter desmascarado

Dezembro de 2008 foi um mês agitado.

Eu não lembro especificamente o que eu fazia em dezembro de 2008, mas sei que centenas de milhares de acontecimentos percorriam o mundo nesse período. Alguns banais, outros nem tanto.

O.J. Simpson era sentenciado a, no mínimo, 15 anos de prisão por roubo e sequestro. Na Alemanha, o governo disponibilizava 100 mil fotos históricas à Wikipedia. Em Minya, Egito, 57 pessoas morriam em um acidente de ônibus. Na Rússia, o Presidente Vladimir Putin ameaçava cortar o fornecimento de gás na Ucrânia. Na Macedônia, o primeiro-ministro do país era condenado a três anos de prisão por abuso de poder. A Fundação do Software Livre entrava com um processo contra a fabricante Cisco por usar componentes GPL em seus equipamentos. As ruínas de uma cidade do Império Wari eram encontradas no Peru. Fósseis de dinossauros eram encontrados na China. Um repórter entrevistava um ex-condenado mexicano, o último a ser condenado à morte no país…

Como disse, centenas de milhares de acontecimentos ocorreram neste mês. Nenhum especial, nenhum que até hoje nos faça lembrar. Mas, se eu pudesse resumir os acontecimentos de dezembro de 2008 aos citados acima, qual deles você acredita ter mais chances de despertar a curiosidade daqui a 100 anos? Principalmente dos fãs de crimes, literatura e cinema de horror?

Uma entrevista qualquer, realizada em dezembro de 2008, numa esquecida cidade mexicana, e que até o dia de hoje era totalmente desconhecida, é o evento que entrará (na verdade já entrou) para a história da cultura popular. É o acontecimento que os fãs de cinema e horror se lembrarão para o resto de suas vidas, especialmente os fãs de um dos maiores vilões da história do cinema, o canibal Hannibal Lecter.

Em algum dia do mês de dezembro de 2008, o jornalista mexicano Juan Carlos Rodríguez entrevistou um homem. Uma pessoa qualquer, um desconhecido. Esse homem já estava velho, numa cadeira de rodas. Entretanto, em sua juventude, havia cometido um terrível crime; e foi o último criminoso a ser condenado à morte no México. Até aí, nada de mais. Uma matéria qualquer, sobre mais um senhor condenado à morte. Mas o que Juan Carlos Rodriguez não sabia é que estava frente a frente com o homem que inspirou um dos maiores vilões da história do cinema, um vilão que rendeu milhões e milhões de dólares para a indústria, deu (e ainda dá) emprego pra muita gente, e assustou meio-mundo. E essa entrevista, hoje, já é história.

Levou apenas dois dias…

Quem leu o texto Hannibal Lecter: Raio-X do Canibal. Realidade ou ficção? viu que eu fiz uma atualização no dia 27 de julho de 2013, uma atualização importante. Nesse dia, a revista Times publicou uma nova introdução escrita por Thomas Harris do livro O Silêncio dos Inocentes. E nessa introdução, pela primeira vez, o criador de Hannibal Lecter dizia quem fora o homem que o inspirara a criar o mais famoso dos seus personagens. Diante de tal acontecimento, o mundo das artes entrou em ebulição, pois, finalmente, Thomas Harris falava quem era o homem da vida real por trás de sua mais famosa criação. Entretanto, Harris não disse o nome real do homem e o chamou apenas de “Dr. Salazar”. Segundo ele, Dr. Salazar era um médico assassino que conhecera numa prisão no México em 1963. Para não expô-lo, Harris deu-lhe apenas um apelido: Dr. Salazar. E parecia que a real identidade de Dr. Salazar permaneceria um mistério, já que, a princípio, só o fato de Harris, um recluso escritor, falar sobre ele já era uma grande vitória para os fãs do canibal e de crimes mundo afora.

E eu disse bem a palavra acima: “Parecia…”

Apenas dois dias após a Times publicar tal notícia, a versão mexicana da Vice, uma empresa de mídia baseada em Nova York, publicou uma matéria que, novamente, fez chacoalhar o mundo. A matéria trouxe o inimaginável: o nome REAL do homem que inspirou Hannibal Lecter, o maior vilão da história do cinema (de acordo com o American Film Institute).

Vocês devem estar pensando: “Largue de enrolar, quem é o cara?” Eu poderia apenas citar o seu nome aqui, mas preferi trazer para vocês a matéria traduzida da Vice na íntegra, até porque ela foi escrita pelo mexicano que descobriu a real identidade do Dr. Salazar, Diego Enrique Osorno, famoso escritor de crimes.

Está preparado para conhecer o Hannibal Lecter da vida real?

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Hannibal Lecter é de MonterreyHannibal Lecter é de Monterrey

Hannibal Lecter é de Monterrey

  • Por Diego Enrique Osorno

Semana passada, fãs de horror descobriram que um dos mais notórios vilões do cinema, Hannibal Lecter, foi inspirado em um médico mexicano, cujo autor Thomas Harris conheceu enquanto visitava a cadeia para entrevistar outro prisioneiro, Dykes Askew Simmons. Na última primavera, através do meu editor, eu recebi uma mensagem de Harris, que queria que eu descobrisse a identidade de alguém que havia sido encarcerado na prisão do estado de Nuevo Leon durante os anos 50 e 60.

Por alguns momentos, eu pensei que iria sustentar um intercâmbio epistolar com Harris, como Hannibal fez com alguns de seus pacientes. Quando eu li a nota, entretanto, ficou claro que eu era apenas uma espécie de detetive contratado. Sua nota dizia:

-> Eu preciso de informações sobre um médico, conhecido na imprensa como “O Lobo de Nuevo Leon”, que foi prisioneiro na prisão do estado de Nuevo Leon em meados dos anos de 1950 e 1960. Eu não sei seu nome. O médico foi condenado por matar caronistas em Nuevo Leon, desmembrá-los e jogar os pedaços, aos poucos, para fora do seu carro à noite. O médico salvou a vida de outro prisioneiro, Dykes Askew Simmons, quando Simmons levou um tiro de um guarda enquanto tentava escapar.

-> O médico também tratou de pessoas pobres enquanto era prisioneiro, e tinha um escritório médico na prisão.

-> Simmons foi um texano condenado em Nueno Leon, em março de 1961, por assassinar três jovens pessoas da família Perez Villagomez, em outubro de 1959. Ele foi condenado à morte, sentença posteriormente comutada para 30 anos. Ele permaneceu na prisão do estado de Leon State de 1961 até sua fuga, em 1969. O caso Simmons, e provavelmente o caso do médico, foi coberto pelos jornais El Norte e Nuevo Leon e El Sol de Nuevo Leon. Dois dos repórteres do El Norte que escreveram sobre Simmons foram Ricardo Bartres e Esteban Ardines.

-> Qualquer ajuda será muito bem vinda.

Primeiramente, meu trabalho parecia ser muito simples. Com tantos detalhes, eu não pensei que seria difícil descobrir o nome do assassino que interessava tanto Harris. Eu comecei minha busca com um telefonema para o escritor Eduardo Antonio Parra, um dos mestres da literatura de crimes do nordeste mexicano, cujo trabalho muito admiro. Eu dei a ele todos os detalhes, mas, infelizmente, ele não conhecia ninguém que se encaixasse na descrição. Então, eu procurei por Hugo Valdés, autor de The Crime of Aramberri Street, um romance baseado em um incidente ocorrido no bairro de Antiguo, na cidade de Monterrey, na virada do século passado.

Novamente, sem sorte.

Logo eu recebi outra mensagem de Harris:

-> Estou muito feliz por contar com sua ajuda para identificar o médico que tratou de Dykes Askew Simmons. Obrigado por seu tempo. A identidade do médico é o meu principal interesse, e qualquer detalhe sobre ele. Eu não preciso de informações sobre o caso Simmons, exceto pelo seu contato com o médico.

-> Eu assisti com interesse a sua discussão no youtube sobre os problemas atuais no México e desejo-lhe bem.

Eu, então, decidi um curso diferente de ação. Eu procurei dois ex-agentes do escritório do promotor, um ex-comandante e um ex-promotor. Eu perguntei a eles se eles lembravam de algum prisioneiro que preenchia a descrição de Harris, mas eles não conheciam. A pesquisa me levou a fazer um rápido índice dos principais crimes de celebridades dos anos 60 e 70 em Monterrey.

Foi quando Harris escreveu novamente, com mais algumas pistas:

-> O diretor do presídio na época era Miguel Guardiana Barra. Um dos inspetores de polícia tinha Sarquiz no nome. Eu espero que a informação seja útil.

-> Só para esclarecer. Tudo que preciso é do nome do médico, há alguns fatos sobre seus crimes. Ele esteve na prisão no final dos anos 50 e 60, na mesma época de Dykes Askew Simmons. Ele foi condenado por vários assassinatos nos quais as vítimas foram desmembradas. Ele tratou pacientes enquanto estava preso. Ele salvou a vida de Simmons quando ele levou um tiro. Ele era membro de uma proeminente família no México.</span>

-> Quando eu souber seu nome poderei continuar com minha publicação. Obrigado por sua ajuda. Felicidades.

Quando eu estava prestes a ir para a Capela de Alfonsina, na Universidade Autônoma de Nuevo Leon, para cavar a coleção de periódicos e verificar os jornais do final dos anos 50 e início dos anos 60, minha namorada me ligou para dizer um nome: Doutor Ballí. Ela, uma ávida leitora de todas as formas de contos criminais, tinha investigado com amigos e família e acabou encontrando o cara de Harris. Todo o meu trabalho duro foi superado por algumas conversas informais da minha namorada.

Uma vez sabendo o nome, decidi me aprofundar um pouco mais. Eu encontrei uma história sobre Ballí escrita em 2008 e com uma curiosidade: Ele foi o último prisioneiro condenado à morte no México. Sorte do doutor. Sua sentença foi comutada e, depois de uma longa estada, ele deixou a prisão no ano 2000. O título da história é Eu não quero reviver meus fantasmas e é de autoria de Juan Carlos Rodriguez, um antigo amigo e colega do jornal Milenio.

Eu liguei para ele para perguntar sobre sua experiência com o médico.

“Você se lembra de uma entrevista que você fez com um médico sentenciado à morte?”, eu perguntei.

“Alfredo Ballí Treviño?”

“Sim. Você sabe se ele ainda está vivo?” Perguntei.

“Não sei. Eu acho que sim. Eu me lembro, mais ou menos, onde ele vivia e trabalhava [como médico], embora tecnicamente ele não poderia estar trabalhando por ser um ex-presidiário”.

“Tem mais detalhes?”

“Não muito. Na verdade, essa entrevista surgiu porque um advogado nos disse onde poderíamos encontrá-lo, e nós o encontramos”.

“Seu consultório era em Colonia Talleres?”

“Sim. Foi muito austero. Eu não me lembro o número exato da rua”.

“O que aconteceu com ele? Ele ainda está vivo?”

“Eu acho que sim”.

Usando as informações fornecidas por Juan Carlos Rodriguez e informações recolhidas na coleção de periódicos, eu preparei um dossiê volumoso para Harris, que eu resumi da seguinte forma:

  • O nome do médico que tratou Dykes era Alfredo Ballí Treviño.
  • Ele foi sentenciado à morte por “crimes de homicídio qualificado, com sepultamento clandestino e usurpação de profissão”.
  • Seu caso está sob o número penal 263/59, no escritório do promotor no estado de Nuevo Leon.
  • O caso foi aberto em 9 de outubro de 1959.
  • A sentença do caso foi proferida em maio de 1961.
  • Na justiça do México, o caso é interessante porque envolveu uma pessoa que foi legalmente sentenciada à morte. A pena de morte não é praticada desde então (embora nós tenhamos um governo que pratica de uma forma extrajudicial).
  • Mais interessante, a sentença foi comutada.
  • Todos os sinais sugerem que o Dr. Alfredo Ballí Treviño morreu em 2010. Até esse ano, ele praticou a medicina em um consultório na esquecida colônia de Monterrey.
  • O endereço é: Calle Artículo 123, Colonia Talleres, Monterrey, Nuevo León, México CP 64480 Norte.

Harris respondeu com agradecimentos. Agora eu sei que ele precisava da informação para concluir o prólogo para a edição de aniversário de 25 anos de O Silêncio dos Inocentes. No texto, publicado na Times, Harris narra que, aos 23 anos, ele viajou até Monterrey para entrevistar Dykes Askew Simmons. E lá ele conheceu uma figura que o inspirou a criar Hannibal Lecter. Em seu texto, ele se refere ao homem como Dr. Salazar. Dr. Salazar é o Dr. Ballí, e o Dr. Ballí é o alter ego do Dr. Hannibal Lecter que, sob o domínio de Harris, possui uma forma singular e sinistra de falar, que nunca esquecerei.

“Você já viu sangue na luz do luar? Parece bastante negro”.

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Alfredo Ballí Treviño. Esse é o nome do médico com quem Thomas Harris conversou na prisão e, posteriormente, serviu de inspiração para que o escritor criasse Hannibal Lecter. Como visto por vocês acima, a namorada de Diego Osorno acabou descobrindo o nome real do Dr. Salazar, Dr. Ballí. De posse do nome, Diego fez algo que todos nós fazemos. Quando você tem alguma dúvida ou quer pesquisar sobre algum nome, o que você faz? Joga no Google, ora bolas!

Pesquisa no Google para "Alfredo Ballí Treviño" traz nos primeiros resultados matéria publicada no jornal mexicano Milenio.Pesquisa no Google para “Alfredo Ballí Treviño” traz nos primeiros resultados matéria publicada no jornal mexicano Milenio.

Diego descobriu uma matéria sobre o Dr. Ballí publicada no site do jornal Milenio, uma matéria feita por um conhecido, o jornalista Juan Carlos Rodríguez. A partir daí, as coisas ficaram bem fáceis. E quatro anos após essa matéria ter sido publicada no site do jornal Milenio, pessoas do mundo inteiro a estão acessando, não apenas para saciar suas curiosidades, mas para ver o rosto do homem que hoje é história. A matéria de Juan Carlos Rodríguez com o desconhecido Alfredo Ballí Treviño, realizada em dezembro de 2008, pode ser lida traduzida abaixo:

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Alfredo Ballí TreviñoAlfredo Ballí Treviño

No quiero revivir mis fantasmas

  • Matéria publicada em 05 de dezembro de 2008

Alfredo Ballí Treviño não é um ex-presidiário qualquer. Aos 81 anos de idade é o único em Nuevo León que pode se orgulhar de ser a última pessoa a ser condenada à morte e ainda estar vivo.

Em conversa com o diário Milenio de Monterrey, Ballí disse que seu passado está enterrado e que não quer reviver o que aconteceu 47 anos atrás.

“Se você quiser, podemos conversar sobre o que você quiser, exceto por aquilo. Não quero reviver meu passado negro. Não quero reviver meus fantasmas, é muito difícil, o passado pesa, e a angústia que sinto realmente faz ser muito difícil conviver com ela”.

Sentado numa cadeira de rodas devido a uma lesão em sua coluna, o médico, que foi manchete nos jornais em 1961, atende pessoas idosas na colônia de Talleres.

“Eu não me lembro há quantos anos sou médico, eu atendo as pessoas do bairro, eu tento ajudar as pessoas idosas como eu”.

Ballí Treviño foi sentenciado à morte por assassinato, sepultamento clandestino e usurpação de profissão, mas foi libertado 20 anos depois.

“Eu acho que saí em 1981, realmente não me lembro, no começo foi muito difícil, mas ao longo dos anos as coisas foram melhorando, apesar de alguns dias de depressão”, diz ele.

Foi confinado por matar Jesus Castillo Rangel, mas foi libertado depois de pagar a pena máxima, 20 anos, que era imposta a assassinos naquela época.

“Eu paguei o que tinha que pagar, agora só espero o castigo divino”, assegura.

A parte final da sentença dada pelo juiz Marco Antonio Leija Moreno, numerado 263/59, ainda é legível: “Considerando o homicídio qualificado com agravante de premeditação, vantagem e traição, o acusado é condenado à pena de morte, que será reduzida a simples privação da vida”.

Quando perguntado sobre sua sentença de morte e a possibilidade de ser aplicada novamente, ele responde: “Eu não tenho muito a dizer, minha opinião é apenas isso, uma opinião, e os juristas são os únicos que têm a decisão”.

Atualmente, o médico que trabalha em seu consultório está ciente de que seus pais estão internados num asilo, ambos passam dos 100 anos de idade. Por enquanto, ele diz que seu objetivo principal não é parar de trabalhar e sim ser capaz de andar novamente.

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Vamos por partes. Para começar, Harris, em seu email, diz a Diego Osorno que o médico que ele procurava era um serial killer que matava e desmembrava caroneiros.

Entretanto, o homem encontrado por Diego, Dr. Ballí, foi condenado por apenas 1 assassinato. Ao que parece, Harris se enganou. Diego Osorno não teria colocado sua reputação em jogo e Harris não teria engolido facilmente se esse realmente não fosse o homem. O conhecido e respeitado tablóide inglês The Times, assim como o Daily Mail, disse que Dr. Ballí era homossexual e teria assassinado um amante, um “crime passional”, diz o Times. Pesquisando, encontrei uma matéria publicada na revista mexicana Proceso, datada de 8 de novembro de 2006. A matéria intitulada Descarta el magistrado Marco Antonio Leija la pena de muerte como solución fala sobre a pena de morte no México e cita o caso de Alfredo Ballí Treviño. A matéria diz o seguinte:

“De acordo com a resolução penal, em 9 de outubro de 1959, Ballí Treviño pediu ajuda, como de costume, ao médico (Jesus) Castillo Rangel, pedindo dinheiro emprestado quando ele teve uma dificuldade financeira. O médico concordou, mas ao abrir uma caixa de primeiros-socorros, Ballí notou cinco mil pesos e exigiu que o médico lhe emprestasse o dinheiro. Com a recusa do médico, Ballí pegou um bisturi e degolou a vítima. Castillo Rangel caiu no chão com a jugular cortada, mas não morreu, de modo que o agressor arrastou-o para o banheiro, onde ligou o chuveiro e aumentou a ferida com o bisturí para acelerar a morte”.

Após assassinar o colega de profissão, Ballí chamou um outro médico, Francisco Carrera Villareal, para ajudá-lo a descartar o corpo. Eles foram até a casa de um tio de Francisco Carrera, de quem pegaram uma pá emprestada. Ballí e Francisco foram até um lote baldio e enterraram o corpo de Castillo. Mas o que os dois não contavam era que o tio de Francisco, suspeitando que houvesse algo errado, havia-os seguido e descobrira o corpo enterrado.

Durante o julgamento, descobriu-se que os três médicos, Alfredo Ballí Treviño, Jesus Castillo Rangel e Francisco Carrera Villareal, eram homossexuais e viviam um triângulo amoroso.

“…a tal ponto chegou sua relação íntima com Jesús Rangel que começaram a realizar atos obscenos, em que o expoente (Carrera) intervinha como sujeito ativo, e Jesús como passivo”, diz um trecho do processo publicado na revista Proceso.

Após a identificação do “verdadeiro Hannibal Lecter”, repórteres invadiram o bairro de Colonia Talleres em Monterrey. Segundo o Daily Mail, os moradores locais ficaram relutantes em falar sobre ele. Um morador disse que Dr. Ballí trabalhava numa pequena clínica onde cuidava de pessoas pobres. Dois outros homens disseram ter recebido tratamento do médico, “uma pessoa boa que nunca cobrou pelas consultas”, disseram eles.

O mistério finalmente acabou. O homem que serviu de modelo para o personagem Hannibal Lecter tinha como nome Alfredo. Era mexicano, médico, homossexual e assassino. Chamado de louco por alguns, foi o último prisioneiro a ser condenado à pena de morte no México, mas cumpriu 20 anos e foi solto. Passou o resto dos seus dias cuidando de pessoas pobres e idosas, sem cobrar nada, e morreu em 2009, aos 82 anos. Ponto final.



Fontes Consultadas: Vice, Daily Mail, Proceso, Milenio

Com colaboração

Revisão por:

hellen

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