Christopher Scarver: esquizofrênico, psicótico e assassino

Há 19 anos atrás, um dos mais notórios serial killers da história era morto na prisão. Jeffrey Dahmer entrou para a história não só pela forma horrenda como matou...
Christopher Scarver

Christopher Scarver - Esquizofrenico, psicotico e assassino

Christopher Scarver

Há 19 anos atrás, um dos mais notórios serial killers da história era morto na prisão. Jeffrey Dahmer entrou para a história não só pela forma horrenda como matou suas vítimas, mas também por sua doentia e fantasiosa mente. Seu assassino, um homem de 25 anos, não era muito diferente.

Christopher Scarver foi acusado de assassinato um ano antes de Dahmer ser preso. Ele foi enviado à prisão afirmando que era o filho de Deus e que vozes diziam a ele em quem confiar e em quem não confiar.

Scarver nasceu e cresceu em Milwaukee. De uma família com cinco irmãos, ao terminar o segundo grau, matriculou-se num programa de estágio em carpintaria. Ele completou o estágio mas não foi contratado. Seu supervisor foi demitido e com sua demissão foi-se a possibilidade de emprego para Scarver. Irritado pela perda do emprego, Scarver começou a culpar o gerente branco da empresa por seus problemas. Para Scarver, tudo era uma questão entre negros e brancos.

Sem emprego, sua mãe o fez sair de casa. Para piorar, sua namorada estava grávida. Pressionado, ele planejou vingar-se.

Ele invadiu o escritório da empresa onde estagiou em 1 de junho de 1990. Ele queria acertar as contas com o gerente, mas foi um outro funcionário quem pagou pela ira de Scarver.

Com um revólver apontado para um funcionário local, Steven Lohman, Scarver exigiu o dinheiro do cofre a um outro funcionário, John P. Feyen. Quando Feyen lhe deu apenas 15 dólares, Scarver deu um tiro na cabeça de Lohman.

“Agora você acha que eu estou brincando? Preciso de mais dinheiro!”, gritou Scarver para Feyen.

Ele atirou mais duas vezes no corpo sem vida de Lohman enquanto forçava Feyen a preencher um cheque. Quando Scarver deu um outro tiro na cabeça de Lohman, Feyen conseguiu empurrá-lo e sair correndo da sala.

Em entrevistas com psiquiatras, Scarver disse não querer ir pra um hospital psiquiátrico porque os médicos poderiam transformá-lo num “vegetal”, além do mais, as vozes diziam para ele ir para a prisão.

Scarver aguardava julgamento quando o serial killer Jeffrey Dahmer foi pego e os horrores que ocorriam no apartamento 213 foram revelados. Duas mentes doentias de Milwauke que logo se encontrariam.

Diferentemente da maioria dos esquizofrênicos, Scarver era um homem perigoso. Ele acreditava que Deus havia lhe ordenado a cometer os crimes. E em 28 de novembro de 1994, esse mesmo Deus apareceu com uma perigosa missão para ele: assassinar dois brancos racistas que odiavam negros. Pelo menos era isso o que Deus havia dito a ele.

Há exatos 19 anos, algo muito estranho aconteceu na penitenciária Columbia Correctional Institution, em Portage, estado de Wisconsin, Estados Unidos.

Sob o pretexto de limparem o banheiro da academia da prisão, três presos foram escoltados por policiais para realizarem a limpeza. Mas esses não eram três presos quaisquer. Um era uma notória figura do crime e assassino racista que odiava negros e que matou a própria mulher; o outro, um esquizofrênico e psicótico negro assassino de quase dois metros de altura que vivia culpando os brancos pelas desgraças que acometiam sua raça; E o terceiro era o mais sinistro e macabro dos três: um bizarro serial killer canibal que assassinou mais de uma dezena de negros e cometeu as mais sinistras atrocidades que uma mente humana pode imaginar contra os corpos das vítimas.

Eles eram, respectivamente: Jesse Anderson, Christopher Scarver e Jeffrey Dahmer.

Por um fator até hoje desconhecido, esses três homens foram deixados sozinhos pelos policiais. Preciso realmente detalhar o que aconteceu entre esses três simpáticos senhores dentro desse banheiro?

Enquanto esteve preso na Columbia Correctional Institution, Scarver sempre mostrou um comportamento psicótico, com contínuas alucinações auditivas e ilusões psicóticas. Ele acreditava que Deus havia ordenado-lhe a cometer os assassinatos de Lohman, Anderson e Dahmer. Ele também tentou o suicídio duas vezes (uma vez atirou a si mesmo no fogo). Foi preciso que Scarver assassinasse Anderson e Dahmer para que os agentes penitenciários de Wisconsin concluíssem que eles não podiam garantir a segurança de outros detentos ou funcionários. Scarver não podia ficar ali.

Após ter ficado brevemente detido no Centro Médico de Prisioneiros Federais dos Estados Unidos para avaliação psiquiátrica, ele foi transferido para a ADX, a mais segura prisão do sistema Federal norte-americano, em Florence, no Colorado. Scarver ficou detido na ADX por cinco anos sem nenhum tipo de incidente, surpreendentemente bem comportado. Ele recebeu fitas de áudio para reprimir as alucinações auditivas, e era permitido a ele ter contato diário com outros detentos.

Mas o seu bom comportamento na ADX não foi suficiente para que ele permanecesse por lá. Em 2000, a pedido de agentes penitenciários de Wisconsin, Scarver foi transferido para a então recém-construída prisão “Supermax”, o Programa de Instalação Segura de Wisconsin, em Boscobel. A Supermax de Wisconsin foi projetada para abrigar detentos particularmente violentos ou perturbadores, cujo comportamento podia ser controlado apenas pela separação, movimento restrito e acesso direto limitado aos funcionários e outros detentos. E a mudança de ares causou sérios problemas a Scarver. As condições da Supermax pioraram suas doenças mentais, causando a ele angústia e sofrimento mental.

Os funcionários da prisão supostamente desconheciam a melhora no comportamento de Scarver na ADX, e portanto, não levaram em consideração essa informação ao pedir sua transferência para a Supermax. Esse foi o primeiro erro. A instalação Supermax possuía um sistema de classificação restritiva, pelo qual os detentos deveriam passar para entrar na instalação. A todos os detentos era dado o Nível 1 (o mais restritivo) por pelo menos 30 dias iniciais. Após esse tempo, os detentos poderiam progredir para os níveis mais altos (menos restritivos), após atender critérios comportamentais, e assim receber transferência da Supermax para uma prisão menos restritiva caso conseguissem ultrapassar o nível 5.

O Nível 1 incluía ficar confinado o dia inteiro, exceto por quatro horas semanais, numa cela pequena, sem janelas e constantemente iluminada com pouco ou nenhum contato com outros seres humanos. As celas não possuíam ar-condicionado e eram extremamente quentes durante os meses de verão. Scarver ficou totalmente descompensado nesse ambiente. Possivelmente, o calor da cela interagiu com seus remédios antipsicóticos. E a iluminação constante, juntamente com a proibição de usar suas fitas de áudio, exacerbaram sua psicose. Durante o tempo em que passou na Supermax, Scarver teve comportamentos autodestrutivos, como bater a própria cabeça contra a parede e cortar seus pulsos e cabeça com uma lâmina na tentativa de remover as vozes de dentro de sua cabeça. Além disso, ele tentou suicidar-se em duas ocasiões distintas por meio de overdose de medicações antipsicóticas e depois ingerindo uma grande quantidade de comprimidos Tylenol.

A mudança para um ambiente prisional muito mais hostil, onde foi submetido ao confinamento, acarretou em Scarver graves consequências, causando uma exacerbação da doença mental, nomeadamente a esquizofrenia, o que resultou em uma acentuada deterioração, pois o stress é um fator que agrava significativamente os sintomas da patologia.

Um fator a ser levado em conta na esquizofrenia são as tentativas de suicídio, sendo que os índices apresentam-se elevados, tanto na evolução da doença quanto em quadros pós-psicóticos; os sintomas depressivos e o desespero frequentemente são desencadeadores da ação suicida.

Scarver não foi capaz de progredir além do Nível 1 durante seus três anos de prisão na Supermax. Gestores da prisão atribuíram o comportamento bizarro de Scarver e sua inabilidade de progredir além do Nível 1 à sua personalidade não cooperativa e difícil. Além disso, eles não sabiam por quê sua psicose teimava em perturbá-lo. O problema, como já sabemos, era aquele ambiente quente e restritivo. Scarver, eventualmente, foi transferido para uma prisão estadual no Colorado, onde recebeu permissão para interagir com outros detentos. O resultado? Os diretores daquele presídio não relataram nenhum problema com dele.

Em 2005, Scarver entrou com uma ação de direitos civis, alegando que os funcionários da Supermax violaram seu direito constitucional de não ser submetido a punições cruéis e incomuns. A juíza do caso, após dispensar acusações contra vários dos acusados, considerou que o júri poderia razoavelmente descobrir que os réus restantes haviam violado o direito constitucional de Scarver ao submetê-lo a condições de confinamento que haviam agravado significadamente sua doença mental. No entanto, ela concedeu julgamento sumário para os réus restantes na condição de “imunidade qualificada”. Ela decidiu que a lei estabelecida não determinava a ilegalidade de seu comportamento. Scarver recorreu.

O tribunal de apelações confirmou a sentença do tribunal de primeira instância, sem abordar a questão da imunidade qualificada. O tribunal opinou que não haviam evidências de que os funcionários estavam cientes de que as condições da prisão de segurança máxima exacerbavam sua doença e causava agonia severa. Os funcionários estavam cientes da agonia de Scarver; no entanto, eles não a atribuíram às condições de confinamento. Em outras palavras, pelos funcionários não terem consciência de que as condições às quais eles submeteram Scarver exacerbavam sua doença e causavam o sofrimento, eles não poderiam ser acusados de ser indiferentes a ele. Assim, a alegação de Scarver de ser submetido à punição cruel e incomum não podia ser fundamentada.

O tribunal de apelações descobriu evidências de que o Programa de Instalação Segura de Wisconsin agiu em favor dos interesses de Scarver com o melhor de sua capacidade. Eles citaram que Scarver recebia “atenção psiquiátrica constante”, medicação antipsicótica, e era observado de perto pela equipe de funcionários da prisão. Pelo fato da Supermax (supostamente) não ter ciência da melhora comportamental de Scarver na prisão federal em Florence, Colorado, o tribunal fundamentou que os funcionários da prisão não estavam a par de alternativas melhores e mais apropriadas para sua prisão. Ironicamente, o Juiz afirmou que, se os advogados de Scarver haviam argumentado que os funcionários da prisão estavam conscientes da literatura correcional amplamente divulgada sobre os efeitos do isolamento e condições severas sobre doentes mentais, um argumento muito melhor poderia ter sido montado, afirmando que os funcionários estavam cientes dos riscos ao detento e, mesmo assim, eram deliberadamente indiferentes à sua situação.

Além disso, o tribunal de apelações observou que o histórico de doenças mentais de Scarver e o assassinato de dois detentos durante sua estadia num ambiente menos restritivo criou uma situação que dificultou seu tratamento.

Medidas sensatas realizadas por funcionários de prisões para proteger outros detentos e funcionários podem agravar doenças psicóticas de indivíduos como Scarver. Em tais casos, eles opinam que essas ações não são constitucionais, pois os funcionários da prisão devem receber “liberdade considerável” ao elaborar medidas para controlar o psicótico e violento detento. Funcionários de prisões não devem ir além do que é necessário para estabelecer segurança. Finalmente, o tribunal observou que a Constituição americana não fala sobre condições das prisões e que a gestão delas cabe às autoridades estaduais, e não federais.

Christopher Scarver - Esquizofrenico, psicotico e assassino - Revista

Foto: Christopher Scarver ficou conhecido após assassinar o serial killer Jeffrey Dahmer. Créditos: Revista People.

Scarver continua preso no Colorado. Em 2011, ele enviou uma série de cartas para um jornalista do canal norte-americano Today’s TMJ4. Nas cartas, ele reclama que os guardas da prisão não deixam ele praticar sua religião, o hinduísmo, e que por pedir por isso ele foi trancafiado na solitária. Bom, parece óbvio que Scarver não é o tipo de preso que pede com educação para praticar sua religião, e provavelmente ele pediu por isso e, tendo seu pedido negado, pode ter surtado, fato que ocasionou sua ida para a solitária (se o que ele disse realmente for verdade).

Scarver voltou a aparecer em abril de 2012 quando sites americanos noticiaram que ele planejava escrever um livro contando por quê se viu obrigado a assassinar Dahmer. Segundo fontes, Scarver contaria todos os detalhes envolvendo a morte de Dahmer, inclusive quais teriam sido suas últimas palavras. “Scarver planeja revelar as doentes brincadeiras e jogos sádicos mentais que Dahmer fazia com seus companheiros de prisão”, disse uma reportagem do TMZ.

Aparentemente nenhuma editora se interessou pela história de Scarver.

No fim das contas, o psicótico Christopher Scarver parece ter razão em um ponto: existe sim um abismo entre negros e brancos. E esse abismo pode ser visto até mesmo quando falamos em crimes. O negro é estigmatizado pela mídia como sujo, pobre e criminoso. É tamanho o preconceito que, quando um branco comete um crime bárbaro, o mesmo é exaustivamente noticiado como se isso fosse algo inimaginável de acontecer. “Um branco(a) não poderia fazer isso? Como pode?” Intrigada, a mídia arma o seu circo, como no caso Yoki e Marcelo Pesseghini. Do outro lado, é tão “normal” um negro cometer crimes hediondos que quando um caso como o dos Canibais de Garanhuns acontece, é interpretado como algo tão “corriqueiro” que nem merece 10 segundos em qualquer telejornal de horário nobre. Certo, Jorge Negromonte e sua trupe não são negros, mas são pobres e mestiços, e isso se enquadra no que digo.

Recentemente, a mídia americana fez uma sensacional cobertura sobre o caso Ariel Castro e suas sequestradas brancas. Mas o mesmo não aconteceu com um caso bem pior e ocorrido na mesma cidade. Três mulheres negras desapareceram neste ano de 2013. Em julho descobriu-se que elas foram mortas por um serial killer, também negro. Alguém me diz o nome deste serial killer? Eu sei que você não pode me dizer. Você não sabe. E se leu alguma coisa a respeito, você tem uma vaga lembrança. Qual a lógica? Um caso de sequestro, mas sem mortes, tem uma cobertura muito maior do que um caso envolvendo um serial killer e três mulheres mortas? A resposta é simples: as vítimas de Ariel Castro eram brancas, e as do serial killer Michael Madison, negras.

E não pense que isso é paranoia. Segundo um estudo de 2010 da Universidade Rowan, na Pensilvânia, cerca de 80% da cobertura de notícias sobre crianças desaparecidas é voltada para vítimas que não são negras, enquanto apenas 20% se concentra em crianças negras.

“Nossas vítimas são codificadas por cores… Uma vítima apropriada para a mídia é aquela que parece com um jornalista. O nosso ideal de pessoa vulnerável, a vítima, é da pessoa branca e do sexo feminino”, disse o professor da Universidade de Nova York, Charlton McIlwain, em uma reportagem para a BBC.

O irônico é que Scarver foi um negro que ficou famoso por matar um branco. Mais uma vez, ele só ficou famoso por ter assassinado um branco. Você pode argumentar que ele não assassinou qualquer pessoa, ele assassinou Jeffrey Dahmer, ora bolas! E Dahmer ficou conhecido não por ser branco, mas por ter assassinado de forma bizarra 17 pessoas. Sim, essa percepção é válida. Agora, isso foi elevado à décima potência pela aparência de Dahmer: loiro, branco, alto, magro, olhos verdes… Como eu disse anteriormente, quando um branco como Dahmer comete um crime bizarro, a mídia tende a mitificá-lo. Diga rápido: Me diga o nome de um serial killer negro. Difícil, né? Por que é difícil se o assassinato em série não é algo restrito a apenas uma raça? Quando pensamos em serial killers, nomes como Jeffrey Dahmer, Ted Bundy, Andrei Chikatilo e John Wayne Gacy vem automaticamente em nossas mentes. Todos brancos! Acredito eu que isso se enquadra no que eu disse anteriormente. Como eles são brancos, alguns bem sucedidos, a mídia enxerga-os como uma rara e bizarra manifestação maligna da raça. Além disso, a notícia se torna muito mais vendável. Mais uma vez, negros serial killers não merecem ser mencionados pela mídia porque isso é algo “comum” entre eles. Deixem essa gentalha suja para lá! Além do mais, negros não vendem. É o pensamento. E eu, particularmente, já comprovei isso na prática. Não só a mídia, mas também nós, os consumidores de notícias, também não gostamos de negros e não queremos ler notícias sobre negros. Os posts desse blog sobre assassinos negros são os menos vistos. Quando publico um post no Facebook sobre um negro, a interação é muito menor (quando há). Agora, um assassino branco, os números vão lá em cima. Se ele for bonito como Dahmer, então… Dúvida?

Veja esse post. Uma vítima negra na imagem que foi morta por um serial killer negro. Três compartilhamentos e um comentário. Em outras palavras, ninguém se interessou. O mesmo se enquadra este post.

Agora vejam esse post. Um jovem branco, bonito e assassino. Mais de quarenta compartilhamentos com cerca de 30 comentários. As pessoas se interessaram. E olha que essa postagem foi feita três meses antes do primeiro, ou seja, a página tinha muito menos seguidores.

Acreditem, existem muitos serial killers negros bizarros como Dahmer. Mas não temos tempo para eles. Tanto nós quanto a mídia preferimos os brancos. Se Dahmer fosse negro, creio que vocês não estariam lendo este texto, pois Scarver não existiria para o mundo.

Ele estava certo. É sempre uma questão entre negros e brancos.

Christopher Scarver: Cartas de um Assassino


Fontes consultadas: TMZ (Jeffrey Dahmer’s killer. Appetite for a Book Deal), BBC Brasil (Raptos nos EUA: vítimas brancas ganham mais atenção da mídia?), Project Posner (CHRISTOPHER J. SCARVER, Plaintiff-Appellant, v. JON LITSCHER, et al., Defendants-Appellees.)

Esta matéria teve colaboração de:

Psicóloga forense

Revisão por:

ester

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