Arthur G Dozier para Garotos: a escola dos horrores

Esta é uma foto do meu irmão, Gregory Sampson, tirada dias antes dele ir para a Dozier em 1965. Ele chegou na escola em 16 de março de 1965...
Arthur G Dozier Para Garotos - Foto

A escola do horrores - capaEscola para Garotos da Flórida

A escola dos Horrores - Gregory Sampson

Esta é uma foto do meu irmão, Gregory Sampson, tirada dias antes dele ir para a Dozier em 1965. Ele chegou na escola em 16 de março de 1965 e fez 13 anos um dia depois. Ele voltou para casa no final de outubro ou início de novembro de 1965 em uma cadeira de rodas, um remendo no olho direito, não podia falar, e mal movia os braços. Ele nunca se recuperou e morreu em 6 de junho de 1966. Eu não sei o que aconteceu com ele na Dozier e nunca vou saber. Então, descanse em paz meu querido irmão, eu ainda te amo e sinto sua falta todos os dias. Após sua morte eu admito que fui à loucura.

Quando cheguei a Dozier não muito tempo depois da morte do meu irmão, contaram-me histórias sobre a Casa Branca e como eles trataram meu irmão. Eu gostaria de poder lembrar o nome do garoto que sabia sobre ele, mas tem sido um inferno há muitos anos.

[Depoimento de Jeffrey Sampson, irmão de Gregory]

A escola dos Horrores - Jerry Cooper

Meu nome é Jerry Cooper e eu me lembro de uma vez em que entrei na Casa Branca; havia um menino no outro quarto chorando à espera de seu espancamento, foi ele quem contou quantas chicotadas eu levei: 135. Ele achou que eu tinha morrido. Quando eu entrei pela primeira vez na Casa Branca pensei que seria morto, como um menino que estava deitado do lado fora, que senti estar morto. Por puro medo tentei escapar. O guarda Tidwell me prensou na parede pelo pescoço e pisou no meu pé, quebrando-o. Eu levei um soco na boca que jogou meus quatro dentes da frente para minha garganta, era sangue por todos os lados. Eles me amarraram na cama e ninguém podia escutar meus gritos. Eles começaram me batendo na bunda e a medida que meus gritos iam parando passaram para os joelhos. Meu bumbum ficou dormente após umas 40 chicotadas. A dor não pode ser explicada. Eu tenho um monte de cicatrizes na coxa direita, onde a correia cortou a carne. Eles me vestiram e as roupas ficaram pregadas em minhas feridas. Quando os meninos me viram ficaram chocados. Minha boca sangrava o tempo todo e não me alimentei direito por semanas. Meus testículos estavam inchados na cor preta e azul. Nunca pude ter filhos, mas adotei três e eles estão muito bem.

A escola dos Horrores - Roger Dean Kiser

Eu tinha por volta dos 12 anos quando fui chamado para o escritório do diretor. Eles me disseram que em breve eu visitaria a Casa Branca, que era um quarto de tortura para garotos que quebravam alguma de suas regras ou tentava escapar. Eu fui mandado para a Dozier após tentar fugir de um orfanato. Eu fiquei preso por dez anos pelo “crime” de não ter pais que cuidassem de mim. Um medo extremo tomou conta de mim quando me disseram que iria para a Casa Branca. Quase desmaiei de medo. Quando era levado para lá, tentei pensar no que fazer, se fugia ou talvez cometesse suicídio. Qualquer coisa era melhor do que as coisas que aconteciam lá. Fui jogado numa sala com cerca de 50 meninos, todos petrificados de medo. Um dos homens me puxou pelo colarinho da camisa, me sufocando. Tentei puxar a camisa para baixo mas ele me jogou no caixão. Quebrei o nariz com o impacto, o sangue escorria enquanto minhas pernas apenas não funcionavam. Deus não me ouviu naquele dia. Me levaram até uma sala onde me espancaram. Pensei que minha cabeça ia explodir. A coisa vinha mais e mais. Eu gritava e chutava e gritava mais ainda, mas não adiantou. A próxima coisa que me lembro é de estar no escritório do homem de um braço só. Lembro-me de limpar a baba e sangue da minha boca. Meu corpo parecia que estava pegando fogo. Deus, Deus, Deus, doeu muito. Eu nunca vou esquecer disso até o dia em que eu morrer. Quando olhei no espelho meu rosto estava encharcado de sangue. Minhas costas estava preta e azul. Eu parecia um monstro.

[Depoimento de Roger Dean Kiser. Kiser é autor do livro “The White House Boys: An American Tragedy” (“Os Garotos da Casa Branca: Uma Tragédia Americana)]

A escola dos Horrores - Bobby Daxter

Eu cresci com meu avô porque minha mãe era uma bêbada que escolhia homens como ela para viver. Em 1947, por alguma razão, meu avô deixou minha mãe cuidar de mim. Ela me batia sem motivo algum. Comecei a fugir da escola e a ficar na rua porque minha mãe e meu padrasto brigavam constantemente. Fui parar na Dozier. Fugi de lá uma vez e quando me capturaram fui espancado ferozmente. Outra vez fui levado até a fábrica de sorvete por ter brigado. Eu não tolerava bullying e um dia um garoto chamado Davis, de 15 anos, estava abusando de um menor de 10 anos, Freddie Surber. Eu bati em Davis e fui levado para ser espancado novamente. Após me dar algumas centenas de chicotadas, Hatton perguntou se tinha valido a pena. Eu respondi: “Cada chicotada!” Pensei que ele me bateria de novo, mas não o fez. Eu deixei aquele lugar em abril de 1951. A experiência na Dozier fez eu ter respeito por uma autoridade inexistente. Meu temperamento me colocou em algumas situações ruins, mas ao ficar adulto aprendi a controlá-lo. A falta de confiança nos outros será sempre uma parte de mim. Obrigado a todos os meninos da Casa Branca por trazerem esta história à tona.

[Depoimento de Bobby Daxter. Na foto, Bobby e seu tio no dia em que Bobby saiu da Dozier].

A escola dos Horrores - Larry Houston

Meu nome é Larry A. Houston. Fui mandado para a Dozier quando tinha apenas 14 anos. Eu venho de uma família desestruturada e quando cheguei lá, pensei que seria muito bom. O psicólogo de lá chamava Dr. Robert Curry. Quando você era entrevistado por ele, ele fazia perguntas estranhas como “Você gosta de masturbar? Já pensou em fazer sexo com sua mãe?” Fui mandado para a Casa Branca porque alguém disse aos homens que me ouvira falar em fugir. Quando cheguei lá, o Sr. Hatton, o Sr. Tidwell, e um outro homem me esperava. O cheiro do lugar era mofado e bolorento. Estava com outros três meninos e em dado momento Tidwell apareceu e perguntou quem queria ser o primeiro. Ninguém respondeu. Ele então apontou o dedo pra mim e me mandou ir para uma sala, o que fiz imediatamente. Estava tremendo e morrendo de medo. Tidwell disse para eu baixar as calças, deitar na cama, morder o travesseiro e olhar para a parede. Hatton pegou uma tira de couro do tamanho de um cabo de vassoura. O primeiro golpe foi tão forte que senti minha bunda ser aberta. Eu gritei de dor e Tidwell disse: “O que foi que eu disse garoto, é melhor você calar a boca!” Eu cerrei os dentes e Hatton bateu tão forte quanto podia. Eu podia ouvir a correia bater no teto e na parede, era o momento em que eu sabia que ela estava chegando. Perdi a conta quando chegou em 39, mas logo acabou. Eu estava com tanta dor e as pernas dormentes mas eu ainda podia sentir o sangue escorrendo. Quando me olhei no espelho estava todo preto e azul. Levei duas semanas para ficar bom e, acredite, enquanto estive lá, nunca mais mencionei a palavra “fugir”. Ouvi um monte de rumores lá sobre abusos sexuais e de que os meninos negros apanhavam muito mais do que os brancos, mas nunca testemunhei nada. Fiquei sabendo que quem era pego fugindo levava 100 chicotadas. Não posso imaginar ninguém recebendo esse número, as poucas mais de 40 que levei me deixaram todo rasgado. Agradeço a Roger Kiser por iniciar esse assunto todo. Você trouxe à tona muitas lembranças escondidas que precisavam ser ditas. Um agradecimento especial a Karl Schultz, onde quer que você esteja, obrigado por ser meu melhor amigo na Dozier.

A escola dos Horrores

Meu nome é John Patterson II. Eu tinha 13 anos quando fui mandado para a Dozier. Quando cheguei lá achei que o lugar muito legal. Pensei que lá seria muito melhor do que viver numa casa sendo abusado. Poucos dias depois descobri o quanto estava errado. Briguei com um garoto e fomos enviados a Casa Branca. Dos homens de lá, eu apenas lembro do nome Tidwell. E a única razão pela qual eu lembro dele é porque ele só tinha um braço. Lembro de ter tirado minha cueca e deitado em uma cama velha. Ele disse para eu não falar nada e olhar para a parede. A primeira vez que a cinta bateu na minha nádega foi tão forte que o meu corpo se levantou. Segurei meus dentes para não gritar de dor. Eu sabia que se gritasse eles começariam do zero. Eu podia sentir a correia cortando minha pele e o sangue escorrendo. Após o espancamento lembro de vestir minha cueca e quando a tirei novamente havia pele grudada. Eu voltei para a Casa Branca algumas vezes, muitas por tentar escapar. Fiz isso tantas vezes que me foi dado um apelido: coelho. Eles diziam que eu tinha sangue de coelho. Eu fui um dos garotos que sobreviveram às 100 chicotadas. Hoje eu tenho 55 anos e ainda tenho pesadelos com a Casa Branca. Aquele lugar era um verdadeiro inferno.

A Escola da Flórida para Garotos

A Florida School for Boys (Escola da Flórida para Garotos), também conhecida como Arthur G. Dozier School for Boys, foi uma escola reformatório fundada no estado americano da Flórida, na cidade de Marianna, em primeiro de janeiro de 1900. Por um longo tempo foi o maior reformatório juvenil dos Estados Unidos. Um segundo câmpus foi aberto na cidade de Okeechobee em 1955. A Dozier era dividida em dois sub-câmpus, o Lado Sul, ou Número 1, para estudantes brancos, e o Lado Norte, ou Número 2, para estudantes de “cor” (negros), que ficaram segregados dos estudantes brancos até 1968.

Em 1929, um bloco de concreto contendo 11 salas e duas celas (uma para brancos e outra para negros) foi construído para “corrigir” internos problemáticos. Ela foi apelidada de “Casa Branca” e foi o palco de abusos físicos e psicológicos até 1967, quando passou a ser usada como depósito.

Em 1968, o governador da Flórida, Claude Kirk, disse após uma visita a escola que “alguém deveria ter soprado o apito aqui há muito tempo”. Naquela época, a escola abrigava 564 meninos, a maioria estava lá por ter cometido delitos pequenos como fugir da escola ou de casa. Muitos vinham de lares problemáticos onde eram abusados e espancados. Vagando pelas ruas, muitos eram enviados para a Dozier. Na época, não era segredo para ninguém que a escola utilizava punição corporal e, em 1969, como parte de uma reorganização governamental, a escola passou para a gestão da Divisão de Serviços da Juventude do estado da Flórida.

A Dozier era considerada uma das melhores instituições para menores infratores dos Estados Unidos. Muitos dos meninos que chegavam lá ficavam maravilhados com o local. Havia um mini-trem em que eles podiam se divertir; piscina para tomar banho e fazer treinamentos de resgate e um pequeno zoológico. Além de aulas de física, inglês, matemática e outras disciplinas, eles podiam se empenhar em diversas outras atividades como cuidar do rebanho bovino, tirando leite; aprender a arte de corte e costura, dentre outras atividades.

Em 1982, uma inspeção revelou que os meninos da escola eram “amarrados e mantidos por isolamento durante semanas”. A União Americana pelas Liberdades Civis (UCLA, na sigla em inglês) entrou com uma ação por maus tratos. Nesta época, a escola abrigava 105 meninos com idades entre 13 e 21 anos. Em 1987, diante de uma chuva de processos contra a escola, o sistema de justiça juvenil da Flórida passou para o controle federal. Pouco a pouco, durante as décadas de 80 e 90, os horrores cometidos dentro da Dozier tornaram-se assunto de discussão.

Os Garotos da Casa Branca

Em 16 de janeiro de 2009, um ex-interno da Dozier, Roger Dean Kiser, publicou o livro The White House Boys: An American Tragedy (Os Garotos da Casa Branca: Uma Tragédia Americana)

No livro, ele narra todo o horror dos garotos que eram levados até a Casa Branca. Seguindo o seu exemplo, vários ex-internos da escola vieram à público dar os seus testemunhos, alguns deles lidos por vocês no início deste post. No mesmo ano, a escola foi tema de uma extensa reportagem do jornal da Flórida, St. Petersburg Times. A reportagem, For Their Own Good (Para Seu Próprio Bem), foca nas alegações de garotos que ficaram internados durante as décadas de 1950 e 1960. Pela primeira vez, ex-internos vieram a público e disseram como eles apanhavam com um cinto de couro de três metros de comprimento. Um ex-interno diz na matéria que ele foi punido na Casa Branca onze vezes, recebendo mais de 250 chicotadas. Mas os garotos não eram apenas torturados. Na Casa Branca havia uma sala de estupro e alguns dos meninos abusados tinham apenas nove anos de idade.

O caso ganhou repercussão nos Estados Unidos e em fevereiro de 2010 uma investigação pedida pelo governador da Flórida foi conduzida para verificar as alegações de abuso, tortura e o pior, morte, na Casa Branca. Segundo os ex-internos, os brancos eram torturados e os meninos negros… mortos!

Mais de uma centena de entrevistas foram conduzidas com ex-internos, famílias e ex-membros da escola. A investigação durou 15 meses e, mesmo com exames forenses, não produziu nenhuma evidência concreta de tortura ou morte dentro da escola.

A escola dos Horrores - Casa BrancaNa foto: Construção sendo conduzida na Dozier. Ao fundo, a infame Casa Branca, onde segundo ex-internos, espancamentos e tortura eram conduzidos. Créditos: Florida Memory.

A escola dos Horrores - Troy TidwellNa foto: Troy Tidwell (de bengala). Segundo ex-internos, Tidwell era um dos carrascos da Casa Branca. Data da foto: 2009. Créditos: Tampabay.

Troy Tidwell, um dos funcionários da escola na década de 1960 e apontado pelos ex-internos como um dos torturadores, disse que as punições na Casa Branca não eram excessivas e eram conduzidas com as tiras de couro porque havia a preocupação da diretoria da escola de que palmadas com pás de madeira poderiam ferir os meninos.

A investigação terminou e não foram encontradas evidências tangíveis de que houvera abusos físicos e sexuais na escola. O promotor Glenn Hass decidiu não acusar ninguém no caso. Segundo ele, perante a lei, não seria possível provar ou não que houvera crimes dentro da escola.

Mas isso mudou há poucos dias atrás. Quer saber por que?

A Universidade do Sul da Flórida

Segundo os ex-internos, havia um cemitério no Lado Norte da escola, o lado dos negros. Segundo eles, poderiam haver mais de 50 estudantes enterrados lá. O Lado Norte foi fechado em 1990 e, desde então, tornara-se um lugar abandonado.

Kiser, em seu livro, diz que alguns dos meninos eram queimados no incinerador da escola. Segundo ele, havia relatos de meninos que haviam visto pedaços de corpos humanos no chiqueiro, onde restos de comida eram despejados pelos funcionários da escola para alimentar os porcos.

A história despertou o interesse de Erin Kimmerle, antropóloga forense e professora associada da Universidade do Sul da Flórida. Liderando uma equipe de antropólogos, biólogos e arqueólogos, ela começou a explorar o campus da Dozier em Marianna.

A equipe usou radares que penetram no solo para identificar possíveis corpos e em 2012 Kimmerle veio a público falar sobre o que muitos já sabiam: segundo ela, os radares detectaram dezenas de sepulturas.

Entretanto, para confirmar que havia corpos nessas sepulturas, era necessário uma ordem judicial para cavar na propriedade.

Em 6 de agosto de 2013 o governador Rick Scott deu autorização para a Universidade do Sul da Flórida escavar e examinar supostos restos mortais que fossem encontrados.

Na época, Robert Straley, um porta-voz dos Garotos da Casa Branca, disse que ele suspeitava que além do cemitério de negros, havia também um de brancos.

“Eu acho que tem pelo menos 100 corpos lá. Eles irão encontrá-los. Tenho certeza absoluta disso. Tem um cemitério de brancos no lado branco”.

“Eles vão encontrar um monte de corpos lá, e há muitos outros que nunca serão encontrados”, previu Kiser durante entrevista em outubro de 2013.

E ontem, 28 de janeiro de 2014, jornais norte-americanos e de outras partes do mundo trouxeram em suas manchetes:

seta

A escola do horror - Los Angeles TimesReportagem do The Los Angeles Times de 28 de janeiro de 2013.

Restos de 55 encontrados na notória ex-escola reformatória da Flórida

Disse o The Los Angeles Times:

“Por décadas, os parentes de alguns meninos da notória Escola para Garotos Arthur G. Dozier tem lutado para descobrir o que aconteceu com eles depois que desapareceram em meio a relatos de espancamentos, torturas e agressões sexuais em Marianna, Flórida. Nesta terça-feira, pesquisadores e antropólogos forenses deram um passo mais perto para fornecer respostas. Os restos mortais de 55 pessoas foram descobertos nas dependências da escola”.

Ossos, dentes e outros artefatos foram recuperados de todos os 55 corpos. A partir de agora, os restos serão submetidos à exames de DNA. Os túmulos não estavam marcados e alguns esqueletos foram encontrados na mata quer cerca o local. Segundo Kimmerle, os corpos pertencem a meninos que morreram entre as décadas de 1920 e 1950.

“Todas as análises necessárias para responder às várias perguntas devem ser feitas. E é nossa intenção responder a maioria dessas perguntas o mais rápido possível”, disse Kimmerle à mídia americana.

Registros da Dozier dizem que alguns estudantes morreram de gripe, pneumonia, tuberculose, assassinados por outros internos e em um devastador incêndio em 1914. Entretanto, o número de corpos encontrados pela equipe de Kimmerle é muito maior do que o número oficial de mortos da instituição.

A Arthur G Dozier para Garotos funcionou até junho de 2011 quando foi fechada pelo estado.

Finalmente, após 114 anos, Kimmerle e sua equipe, cavando na sujeira da escola, conseguiram extrair as provas que todos precisavam para finalmente acreditar nas vozes solitárias que durante anos assombravam a si mesmos. Tais vozes, é importante salientar, todas brancas. As vozes negras, infelizmente, não sobreviveram. Os trabalhos continuam e é óbvio que Kimmerle e sua equipe podem encontrar um cemitério no lado branco. É óbvio também que muitos meninos brancos morreram nas mãos daqueles que deviam cuidar, mas em comparação, a maioria dos que iam para debaixo da terra, incinerados ou alimentados aos porcos, eram negros. Mas antes que algum leitor diga que os brancos são uma raça desprezível e blá blá blá, é bom deixar claro: o diretor-chefe do Lado Norte (o lado dos negros) era negro!

A escola do horrores - Itens encontradosNa foto: Abaixo à direita, objeto encontrado num túmulo que pode ser a fivela do cinto pertencente a um garoto negro que desapareceu quando estava na Dozier. Créditos: ABC News.

A escola do horrores - JornalNa foto: Recorte de jornal mostrando o torturador Troy Tidwell (na ponta à esquerda) Créditos: The White House Boys.

A escola do horrores - RW HattonNa foto: R.W. Hatton, um dos “disciplinadores” na Casa Branca. Créditos: The White House Boys.

A escola do horrores - Roger Dean KiserNa foto: Roger Dean Kiser, autor do livro The White House Boys: An American Tragedy, segurando um dos instrumentos de tortura de R.W. Hatton. Créditos: The White House Boys.

A escola do horrores - Maurice CrockettNa foto: Recorte de jornal mostrando Maurice G. Crockett, diretor negro do Lado Norte. Crockett é citado ao lado de Arthur Dozier, Troy Tidwell e R.W. Hatton, como os responsáveis por espancar os internos. Créditos: The White House Boys.

A escola do horrores - Arthur DozierNa foto: Arthur G. Dozier. Chefão e carrasco, Dozier era o diretor-chefe da Escola para Garotos da Flórida. Foi um dos principais torturadores da escola. Posteriormente a escola passou a ser chamada pelo seu nome. A foto é datada de meados dos anos 50. Créditos: State Archives of Florida, Florida Memory.

A escola do horrores - Presentes de NatalNa foto: Presentes de Natal sendo entregues aos meninos do Lado Norte na Arthur G. Dozie. A foto é datada de meados dos anos 50. Créditos: State Archives of Florida, Florida Memory.

A escola do horror - ReformaNa foto: Garotos participam de reformas na Arthur G. Dozier. Data desconhecida. Créditos: Universidade do Sul da Flórida.

A escola do horrores - BarquinhosNa foto: Meninos brincam na piscina da Arthur G. Dozier com barquinhos. A foto é datada de meados dos anos 50. Créditos: State Archives of Florida, Florida Memory.

Identificado primeiro corpo

  • Atualizado em 7 de Agosto de 2014

George Owen Smith, este é o nome do primeiro estudante da Arhtur G. Dozier a ser identificado. Sete meses depois de 55 corpos serem encontrados nas dependências da escola, os irmãos de Owen podem finalmente dormir em paz.

George Owen Smith foi enviado para a Arhtur G. Dozier em 1940, aos 14 anos, por roubo de carro. Ele nunca mais foi visto. Aos seus pais foi dito que ele morrera de pneumonia após fugir da escola e se esconder numa casa. Seu pai faleceu na década de 1960, sua mãe nos anos de 1980. E na beira da morte, ambos pediram para que seus filhos, irmãos de Owen, continuassem à sua procura. “Você encontrará Owen e o trará de volta?”, escutou de seu pai, Ovell Krell, irmã de Owen. “Eu tentarei até o dia que eu morrer, Papai”, ela respondeu.

E após mais de 70 anos, Krell, hoje uma senhora de 85 anos, encontrou o irmão. “Eu o colocarei com o meu pai”, disse ela numa coletiva de imprensa hoje.

A identificação de Owen só foi possível devido aos irmãos do garoto terem enviado amostras de DNA para comparação. Erin Kimmerle, antropóloga chefe, disse que novas identificações podem sair a qualquer momento. As informações são da rede CNN.

A Escola dos Horrores - George e os irmãosNa foto: George Owen Smith, fazendo careta ao lado dos irmãos em uma de suas últimas fotos. Smith morreu aos 14 anos sob circunstâncias misteriosas em 1941. Créditos: Tampabay.

Na foto: Ovell Krell, irmã de Smith, segura a foto do irmão em coletiva de imprensa nesta quinta-feira. Créditos: CNN.Na foto: Ovell Krell, irmã de Smith, segura a foto do irmão em coletiva de imprensa nesta quinta-feira. Créditos: CNN.

A Escola dos Horrores - Ovell KrellNa foto: Ovell Krell, 85, fala em coletiva de imprensa sobre o irmão George Owen Smith, que desapareceu após ser internado na Arthur G. Dozier. Créditos: Associated Press.

Continuamos acompanhando o caso. Tão logo surja novas informações atualizaremos o post. Acompanhe-nos no Facebook e Twitter.



Para saber mais: For Their Own Good;

Para saber mais: Sumário investigativo da investigação dos abusos na Arthur G. Gozier School for Boys.

Fontes consultadas: State Archives of Florida, Florida Memory; The Official White House Organization (fotos e depoimentos); The Los Angeles Times; Daily Mail; CNN; WTSP.

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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
Deixe o seu comentario:
  • Jessica

    Caramba, que coisa horrível! E essa escola funcionou até 2011…
    É mais inacreditável ainda que crimes assim não são divulgados, eu pelo menos leio grande parte aqui!
    Espero que a verdade seja esclarecida logo pra que essa pobres pessoas, vivas ou mortas, e suas famílias, tenham pelo menos um pouco de paz e justiça.

    Parabéns pelo blog, Aprendiz!

  • Bruno Monteiro Barros de Souza

    Ótimo site, ótima matéria!!!! parabéns!!!!!!

  • Danielle

    Nossa, ótimo post! Quando se lê sobre abusos dá pra se ter uma pequena noção do sofrimento vivido pelas pessoas, mas esse texto foi tão forte e detalhista, que chega a nos fazer sentir uma agonia tão grande e um medo dos humanos – de nós mesmos. =s
    Tem um video onde indicam ser da casa branca por dentro, caso alguém se interessar: http://baycommunitynews.com/video/Marianna%20White%20House.mp4

    *retirado daqui: http://baycommunitynews.com/dozier-school-children-bodies-senator-bill-nelsonwhere-theres-smoke-theres-fire-theres-no-statute-of-limitations-on-murder/

    • http://www.oaprendizverde.com.br/ O Aprendiz Verde

      Obrigado por compartilhar Danielle. Abs!

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