40 anos sem Lynda Healy; 40 anos do início do horror

Nome: Lynda Ann Healy Nascimento: 1952 Idade: 21 anos Desaparecimento: Seattle, Washington, 31 de janeiro de 1974 Local do Desaparecimento: Dormitório do Campus da Universidade de Washington Ocupações: Estudante de Psicologia...
Linda Healy

40 anos sem Lynda Healy - Capa

Lynda Ann Healy


Nome: Lynda Ann Healy

Nascimento: 1952

Idade: 21 anos

Desaparecimento: Seattle, Washington, 31 de janeiro de 1974

Local do Desaparecimento: Dormitório do Campus da Universidade de Washington

Ocupações: Estudante de Psicologia da Universidade de Washington; Locutora da rádio Northwest Ski Reports.

Características: Alta (1,70 m), magra, olhos azuis, cabelos lisos castanhos; morava num dormitório da Universidade de Washington com mais quatro amigas.

Obs.: Na noite do dia 31 de janeiro de 1974, Lynda foi até o bar Dante’s beber com amigos. Foi embora mais cedo e nunca mais foi vista.

Lynda Ann Healy era uma jovem que suspirava vida e seu nome fazia jus a ela. Seus olhos azuis cintilantes com seu longo cabelo castanho a diferenciava por onde quer que passasse. Uma mulher sexy, atraente e imponente com seu 1,70m. Estudante do último semestre do curso de Psicologia da Universidade de Washington, Lynda tinha como missão ajudar pessoas. Sua maior felicidade era trabalhar e ajudar crianças deficientes mentais. Era uma mulher obstinada que batalhava todos os dias, estudando e acordando as 5:30h da manhã para ir trabalhar na rádio Northwest Ski Reports, uma rádio a oeste de Washington que fornecia boletins sobre o tempo. Lá, sua bela voz era ouvida no nascer do sol, principalmente por esquiadores que esquiavam em várias áreas a oeste de Washington.

Vinda de uma família de classe média, Lynda entrou para a Universidade de Washington em 1970. Assim como vários outros estudantes, ela morava em uma casa dentro do enorme campus da Universidade. Ela dividia a casa com quatro outras amigas.

  • 31 de Janeiro de 1974

Sexta-feira é um dos melhores dias da semana. Talvez o melhor, é o começo da contagem regressiva para o fim de semana. É o dia mundial do happy hour e o dia ideal para os amigos do trabalho se reunirem para uma esticadinha no bar e para os milhares de jovens estudantes universitários que saem direto da sala de aula para o boteco que funciona ao lado da Universidade.

Há quarenta anos atrás, o dia 31 de janeiro também caiu numa sexta-feira. Centenas de jovens da cidade de Seattle saíram à noite para beber, azarar e se divertir. Que o diga os estudantes da Universidade de Washington. Sexta-feira era o dia ideal para tirar um pouco do estresse da semana e se divertir com os amigos, bebendo e jogando conversa fora. Um dos bares mais populares dos universitários em Seattle era o Dante’s.

*obs.: Clique na foto para ampliar. O Dante’s é um popular bar entre os estudantes da Universidade de Washington, em Seattle. O bar possui uma pista de dança, karaokê, mesa de sinuca e até um espaço para que as meninas mais “atiradas” possam dançar pole dance. Fonte: Google Street View.


*obs.: Clique na foto para ampliar. O número 5300 da avenida Roosevelt em Seattle. O endereço do bar Dante’s. Fonte: Google Street View.

Na foto: Duas frequentadoras do Bar Dante’s brincam no karaokê. Foto tirada em 2008. O Bar Dante’s existe até hoje e possui uma clientela bastante animada, composta principalmente por universitários da Universidade de Washington. Créditos: Bar Dante’s.

Na noite do dia 31 de janeiro de 1974, Lynda Ann Healy e alguns amigos foram até o Bar Dante’s, nas imediações da Universidade de Washington, para beber e se divertir. Os amigos bebiam no bar quando ela decidiu ir embora. Lynda estava cansada, e além do mais, tinha que acordar cedo no sábado para ir trabalhar na rádio. Ela saiu do bar sozinha e foi caminhando na fria e escura noite em direção à casa onde morava. Caminhando pela ruas da cidade universitária, Lynda sentiu medo. A escuridão da noite aliada aos sons do vento dançando por entre as árvores produzia um som fantasmagórico e arrepiante, como se aquele som quisesse dizer alguma coisa. Ela caminhava sozinha, mas o seu medo não era do escuro e nem do som do vento. Ela estava com medo porque 27 dias antes um crime bárbaro aconteceu no campus.

No dia 4 de janeiro de 1974, uma estudante que morava no mesmo campus foi encontrada em seu quarto em meio a uma poça de sangue. Joni Lentz, de 18 anos, foi selvagemente estuprada e espancada. Ela estava amarrada em sua cama, continha hematomas por todo o corpo, vários ossos quebrados, seu rosto ensanguentado e inchado, os olhos completamente roxos, os dentes da sua boca estavam quebrados. Um pedaço de madeira da cama havia sido quebrado e foi introduzido violentamente em sua vagina. A cena era horrenda quando suas colegas de quarto a encontraram. Joni Lentz foi levada para o hospital em coma. Milagrosamente ela sobreviveu ao ataque, mas infelizmente sofreu danos cerebrais que a deixaram inválida para o resto da vida, inclusive sem memória nenhuma do ataque que sofreu. O crime deixou todos (principalmente as mulheres) os estudantes da Universidade assustados. Joni Lentz era uma jovem muito bonita, com cabelos longos, lisos, bastante atraente. A polícia não encontrou pistas do criminoso mas concluiu que ele entrou dentro da casa através da janela do porão.

Por isso, Lynda apressou seu passo para chegar o mais rápido possível até sua casa. Ao chegar, ela olhou para os lados e a rua deserta parecia dizer para ela entrar o mais rápido possível para dentro. Ela pegou uma chave e abriu a porta. Dentro da casa, verificou se todas as portas estavam trancadas. Ao ver que sim, ela tirou seu casaco e pegou o telefone para ligar para o seu namorado. Conversaram um pouco e Lynda desligou o telefone. Abriu a porta do seu quarto e deitou em sua cama.

O Desaparecimento

O sol nasceu tímido em primeiro de fevereiro de 1974 e o friozinho do sábado era mais do que um excelente motivo para continuar dormindo debaixo da coberta. Mas naquela gostosa manhã, algo não deixava uma estudante da Universidade de Washington dormir. Essa estudante era amiga de Lynda, e morava na mesma casa, em um quarto ao lado do dela. Ela acordou as 06:00 horas da manhã. O cabelo bagunçado e a cara amassada pareciam mostrar seu descontentamento por ter seu sono atrapalhado. Ela acordou com um barulho que parecia vir do quarto de Lynda. Ela entrou no quarto e percebeu que o despertador da amiga estava tocando desde as 5:30h da manhã. A cama de Lynda estava arrumada e aparentemente ela não desligou o despertador antes de sair para o trabalho. No momento em que a amiga de Lynda desligou o despertador, o telefone tocou. Era um funcionário da rádio perguntando se ela sabia onde Lynda estava, pois já passava das 06:00h e ela ainda não havia chegado. Tudo parecia em ordem, a cama de Lynda estava arrumada e sua amiga disse ao funcionário da rádio que ela já tinha saído e que possivelmente estava a caminho.

Naquele sábado Lynda havia combinado de almoçar com seus pais. Mas ela não apareceu. Quando seus pais ligaram para suas amigas no campus e perguntaram sobre ela, o desespero começou a tomar forma. Anteriormente, os pais de Lynda já haviam ligado na rádio e foram informados que ela não havia aparecido para trabalhar naquele dia. Quando suas colegas do campus disseram não tê-la visto, todos começaram a ligar os fatos. Ninguém a havia visto desde a noite anterior no Bar Dante’s. Ela simplesmente desapareceu.

Durante toda a tarde do dia primeiro de fevereiro de 1974 todos tentaram em vão encontrar Lynda Ann Healy. Seu desaparecimento foi informado para a polícia de Seattle e detetives foram até a casa onde Lynda morava com quatro outras estudantes. E foi lá que todos perceberam que algo muito pior poderia ter acontecido a ela.

Os pais, as amigas, e os policiais entraram no quarto. Aparentemente estava tudo em ordem. A cama arrumada, nenhum sinal de arrombamento ou objeto fora do lugar. Mas ao olharem com mais atenção para a cama, suas colegas perceberam que ela estava arrumada de uma forma que Lynda não costumava fazer. Na verdade, Lynda nunca arrumava sua cama. Parecia que alguém havia arrumado a cama da estudante. Intrigado, um dos policiais retirou a coberta de cima. Uma grande mancha de sangue foi encontrada. Todos ficaram desesperados e imediatamente a polícia de Seattle iniciou uma investigação, uma investigação que ficaria perdida dia após dia. E o mais assustador é que quanto mais passavam os meses, mais estudantes da Universidade de Washington desapareciam. Matérias dos jornais da época mostram o mistério das estudantes desaparecidas. Algumas delas trazem o suposto nome do principal suspeito. Veja algumas abaixo com pequenas partes traduzidas:

40 anos sem Lynda Healy - Jornal

Na foto: Matéria publicada no jornal Spokane Daily Chronicle. Data: 2 de julho de 1974.

Mistério das Universitárias “Desaparecidas”

  • 2 de julho de 1974

Lynda Ann Healy desapareceu sem deixar rastro. Então veio Donna Gail Manson, Susan Elaine Rancourt e Georgann Hawkins. Autoridades policiais de Washington estão perplexas com o desaparecimento de quatro universitárias nos últimos seis meses…

Não há evidências em nenhum dos casos de que um crime foi cometido, embora cada uma das mulheres eram consideradas responsáveis e deixou para trás toda roupa e objetos pessoais.

Lynda Ann Healy, 21 anos, da Universidade de Washington, foi vista pela última vez na noite do dia 31 de janeiro… A cama em seu quarto estava vazia e havia manchas de sangue no travesseiro.

40 anos sem Lynda Healy - Jornal

Na foto: Matéria publicada no jornal Ellensburg Daily Record Data: 24 de julho de 1974.

Sem Pista das Garotas Desaparecidas

Polícia Teme o Pior

  • 24 de julho de 1974

Seis jovens mulheres, a maioria universitárias, desapareceram sem deixar pistas no Estado de Washington desde janeiro. Em cada caso, as jovens mulheres foram descritas por seus amigos e familiares como sérias e responsáveis – não o tipo que sai sem deixar recados. Todas desapareceram sem levar malas ou posses.

O fato das investigações estarem nas mãos de detetives de homicídios indica que a polícia teme o pior. Agências de polícia pelo país foram contactadas para ver se existem casos similares.

“Quando elas levam alguma coisa pessoal com elas, é um claro exemplo de fuga, mas quando elas deixam tudo para trás você tem que levar a situação um pouco a fundo”, disse um detetive de São Francisco.

O Dr. Richard Jarvis, um psiquiatra de Seattle, disse que se uma pessoa for a responsável por todos os casos, ele é “um cara doente que precisa elevar seu ego jogando a população ao terror”.

…os desaparecimentos começaram em 31 de janeiro quando Lynda Ann Healy, 21, uma estudante da Universidade de Washington, desapareceu de sua casa que dividia com quatro outras meninas de Seattle.

40 anos sem Lynda Healy - Jornal

Na foto: Matéria publicada no jornal Eugene Register-Guard. Data: 30 de agosto de 1974.

Desaparecimento de seis assusta universitárias

  • 30 de agosto de 1974

Universitárias pelo estado estão assustadas pelos misteriosos desaparecimentos de seis universitárias e a polícia num impasse por um fantasma chamado “Ted”. Nenhum corpo foi encontrado. Nenhuma prisão feita. A polícia checou dúzias de pistas e até apelou para hipnose e astrologia na busca por pistas concretas e suspeitos. Mas a polícia diz que se eles pegarem “Ted” amanhã, eles irão mais do que questioná-lo.

Existe pouca evidência sólida que ligue os seis casos exceto pelo fato das jovens mulheres serem atraentes, dependentes – e estarem desaparecidas desde fevereiro sem deixar rastro.

…Lynda Ann Healy, 21, desapareceu primeiro, em 1 de fevereiro de sua casa em Seattle.

Um jovem homem na casa dos 20 anos deu a pista mais sólida do caso. Ele viu um homem com gesso no braço se apresentando como “Ted” a Janice Ott e pedindo por ajuda para carregar um veleiro até seu Volskwagen marrom. Pessoas de todo noroeste reportaram ter visto homens como “Ted”.

A polícia está cautelosa em ligar os desaparecimentos. Mas o detetive Richard Kraske do Condado de King diz que alguns casos podem estar ligados. Duas universitárias de Ellensburg disseram ter encontrado um jovem homem com seu braço engessado que pediu para elas ajudarem a carregar livros para o seu Volskwagen. Um desses encontros aconteceu em 17 de abril, a noite que Susan Rancourt desapareceu.

40 anos sem Lynda Healy - Jornal

Na foto: Matéria publicada no jornal Eugene Register-Guard. Data: 7 de março de 1975.

Mais duas vítimas identificadas; uma delas uma universitária da OSU

  • 7 de março de 1975

Restos mortais de uma quarta mulher foram encontrados em uma área florestal perto de Seattle e foram identificados positivamente como de Elaine Rancourt, 18, de Anchorage, Alaska. Ela desapareceu da Universidade do Estado de Washington em 17 de abril de 1974. Ela está entre as nove mulheres que desapareceram de Washington e Oregon em 1974. Os restos mortais de quatro outras foram identificados semana passada.

Uma mandíbula encontrada em Corvallis, Oregon, foi identificada na quinta-feira a niote como sendo de Roberta Kahtleen Parks, 20 anos, de Lafayette, Califórnia. Ela desapareceu em 6 de maio da Universidade do Estado do Oregon. Na quinta-feira mais cedo, a polícia identificou os restos mortais encontrados em uma área perto de North Bend, cerca de 37 quilômetros de Seattle, como sendo de Lynda Ann Healy, 21, desaparecida de sua casa em 1 de fevereiro de 1974. Ela foi a primeira de uma série de jovens mulheres a desaparecer.

Os restos mortais de Brenda Carol Ball, 22, de Burien, foram identificados pela polícia na terça-feira. Ela estava desaparecida desde 1 de junho de 1974, quando foi vista saindo de um bar em Seattle às 14h. A área onde os restos foram encontrados fica num raio de oito quilômetros de onde os esqueletos de Denise Naslund, 18, e Janice Ott, 23, foram encontrados. Os restos de outro corpo encontrado na mesma área ainda passa por identificação.

Um homem conhecido como “Ted” foi visto no campus da CWSC dias antes de Rancourt desaparecer. A caçada por “Ted”, que chegou até a Austrália, continua.

seta

O Início do Horror

Como dito na matéria do Eugene Register-Guard, os restos mortais de Lynda Ann Healy foram encontrados em março de 1975 num local que ficou conhecido como “Cemitério de Cabeças de Ted Bundy”, na Montanha Taylor (Taylor Mountain), em Seattle. Vários crânios e mandíbulas foram encontrados lá em março de 1975. Todos os restos mortais foram identificados como sendo de mulheres, todas universitárias que haviam desaparecido um ano antes. A primeira delas: Lynda Ann Healy.

O resto da história muitos já devem conhecer. As universitárias foram mortas por um serial killer cujo nome “Ted” foi a principal pista para ligar o “mal encarnado” aos assassinatos.

Hoje faz quarenta anos que Lynda Ann Healy teve sua vida tirada de si. Faz quarenta anos que seus pais convivem com a dor da filha assassinada de modo tão selvagem e cruel. Quarenta anos depois, sua morte não é lembrada pela perda e sim por marcar o início do reinado de terror de Ted Bundy, um psicopata necrófilo que embarcou numa onda de crimes horrendos e que até hoje, 40 anos depois, ninguém conseguiu explicar.

É interessante notar como a sociedade gosta dos maus e não dos bons. Ninguém conhece o nome Lynda Ann Healy, nem mesmo sabem quem ela era. Do outro lado, todos conhecem o nome Ted Bundy. A data de hoje é significativa não só porque marca o início dos crimes de um dos piores serial killers do século 20, mas também porque uma vida foi tirada, e mesmo que ninguém se interesse por ela, sua importância é muito maior do que a “fama” conseguida pelo seu assassino.

Ted Bundy um dia aspirou se tornar governador do Estado de Washington. Pessoas que o conheceram disseram que ele poderia ter conseguido. Entretanto, sua vida secreta como serial killer impossibilitou tal carreira. Ele chamava essa urgência fatal de sua “entidade”, e sempre relatava seus atos em terceira pessoa.

Como já escrevi em outro post, Ted Bundy é um dos mais famosos serial killers da história. Apesar de muitos acreditarem que ele tenha começado a matar bem antes, sua onda de assassinatos em série começou em 31 de janeiro de 1974 quando ele assassinou brutalmente Lynda Ann Healy. Bundy nunca mencionou os detalhes dos seus crimes, mas acredita-se que ele tenha entrado pelo porão até o quarto de Lynda; bateu violentamente com um instrumento em sua cabeça e a sequestrou. Para onde ele a levou? Não se sabe. Bundy pode ter passado alguns dias com o corpo, praticando necrofilia, até esquartejá-lo e descartar a cabeça de Lynda em Taylor Mountain. Logo a cabeça de Lynda teria a companhia de várias outras universitárias.

Pouco antes de sua execução em 1989, ele confessou o assassinato de pelo menos 30 mulheres. Educado e charmoso, ele usou cada truque que podia pensar para persuadir a lei americana a salvá-lo da cadeira elétrica. Funcionou… por um tempo.

O psicólogo All Carlisle examinou Bundy após sua primeira prisão em 1975, antes de qualquer pessoa saber o quão mau era o serial killer. Psicólogo da Prisão do Estado de Utah na época, Carlisle fez um exame a pedido da justiça.

“Eu passei cerca de 24 horas com Bundy”, disse ele para Katherine Ramsland, autora do livro The Mind of a Murderer (A Mente de um Assassino).

O infame serial killer era charmoso e simpático quando lhe convia. Estando de frente ao psicólogo, sendo avaliado e podendo até receber uma avaliação positiva que o ajudasse a sair dali, Bundy era só sorrisos.

“Seus amigos me disseram que ele era inteligente, muito bem orientado, e tinha a perspicácia necessária para uma carreira política, e além disso era fiel a uma causa”.

Carlisle não viu nada em Bundy que era típico de um assassino, mas ele sabia através de outras fontes que ele podia ser perigoso. Assim, o psicólogo recomendou que, ao invés de sair em liberdade condicional, ficasse numa unidade prisional de segurança média. Quando ficou claro que Bundy planejava fugir, ele foi mandado para a ala de Segurança Máxima. Carlisle continuou a se encontrar com ele, coletando informações que mais tarde formou a base de sua teoria sobre serial killers.

O psicólogo publicou posteriormente um livro – I’m Not Guilty: The Development of the Violent Mind: The Case of Ted Bundy (Eu Não Sou Culpado: O Desenvolvimento de uma Mente Violanta: O Caso Ted Bundy) – em que oferece uma análise psicológica cronológica do serial killer.

No livro ele diz que vários fatores influenciaram o desenvolvimento de Bundy. Embora em sua última entrevista antes da execução, Bundy tenha culpado o vício em pornografia pelos seus atos, o psicólogo vê isso como algo muito simplista.

Ele foca suas palavras em mostrar como Bundy cruzou a linha da fantasia sexual para o assassinato e necrofilia. Ele faz algumas suposições interessantes na tentativa de explicar a mente de um dos piores serial killers modernos.

Carlisle propõe em seu livro que a capacidade de matar repetidas vezes ao mesmo tempo em que a pessoa aparentemente leva uma vida normal (como o fato de querer se tornar governador) se desenvolve através da evolução gradual de três processos principais:

  • Fantasia: a pessoa imagina cenários para entretenimento e auto-conforto;
  • Dissociação: a pessoa evita sentimentos e memórias desconfortáveis;
  • Compartimentalização: a pessoa relega diferentes ideias e imagens para quadros mentais específicos e mantém barreiras entre elas;

Carlisle afirma que serial killers podem apresentar uma pessoa pública que aparenta ser “boa” e também nutrir um lado escuro que permite criar fantasias homicidas de todos os tipos. E devido às suas memórias de abuso, decepção, humilhação, frustração, ou bullying, eles se voltam para essas fantasias para se confortarem. Eles podem até desenvolver uma identidade alternativa para se sentirem mais poderosos, com maior status. Bundy detalhou ao psicólogo fantasias que ele tinha de ser herói, fantasias as quais ele transformou em domínio sexual.

Crescendo e vivendo uma vida chata, normal, frustrante ou decepcionante, as fantasias negras podem se tornar mais atraentes. Eventualmente, a brutalidade pode crescer à medida que a mente passa a alimentar mais e mais tais fantasias, transformando-se num vício insaciável. Segundo o psicólogo, foi isso o que aconteceu com Bundy.

Assassinos como Bundy aprendem a se desviar dos outros para que eles não descubram seus segredos. Eles concebem diferentes conjuntos de valores para diferentes quadros de vida. Eles podem continuar funcionando perfeitamente no mundo “bom” ao mesmo tempo em que a perversidade cresce do outro lado. É a compartimentalização.

“Compartimentalização é um processo que todos nós podemos desenvolver em um grau ou outro. É um estado complexo da mente que pode variar de um nível saudável, como um ator que ensaia um personagem tão intensamente que ele começa a se sentir que é aquele personagem, a um nível maléfico, como o utilizado por Bundy e outros, um processo muito destrutivo que pode resultar em violência”, escreve Ramslund em seu livro.

Gradualmente a fantasia se funde com a realidade.

Uma vez que é muito difícil (alguns diriam quase impossível) ter o bem e o mal coexistindo dentro de uma mesma pessoa, Bundy tinha que encontrar uma maneira de minimizar a polaridade entre as duas partes. Seus critérios para determinar o certo e o errado foram gradualmente mudando ao longo do tempo. O que era errado para ele quando criança, pode ter se tornado aceitável durante o início da adolescência e desejável ao final dela.

Durante entrevistas, Bundy muitas vezes falava de forma desconexa enquanto tentava ser articulado. Carlisle explica essa peculiaridade dizendo que Bundy tentava passar uma imagem fascinante de si mesmo e que por isso se perdia. O psicólogo acredita que um estudo aprofundado da vida do serial killer ajudaria a lançar uma luz sobre a criança comum que emergiu de uma família comum, mas que se tornou um hábil assassino sexual.

“Eu acredito que Ted Bundy é o autor de sua própria criação, e meu objetivo principal neste livro é tentar explicar como ele fez isso”, diz Carlisle.

Quarenta anos depois da morte de Lynda Ann Healy e do início do reinado de terror de Bundy, o serial killer permanece um enigma. Se dúvidas, fanatismo e fama pairam sobre o nome Bundy, o mesmo não podemos dizer sobre suas vítimas. Ninguém fala sobre elas, ninguém escreve sobre elas. Há uma semana atrás li algumas reportagens sobre os 25 anos da execução de Ted Bundy, eletrocutado em 24 de janeiro de 1989. E até agora, não vi nenhuma matéria sobre os 40 anos da morte de Lynda Healy.

Eu estou certo, ninguém gosta dos bonzinhos.

Leia também: A Última Entrevista de Ted Bundy



Fontes consultadas: Ann Rule (The Stranger Beside Me); Spokane Daily Chronicle; Ellensburg Daily Record; Eugene Register-Guard; Carlisle, All (I’m Not Guilty: The Development of the Violent Mind: The Case of Ted Bundy); Ramsland, Katherine (The Mind of a Murderer).

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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
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