Robert Ressler, o homem que entendia serial killers

“Em um nível muito pessoal, eu só queria saber que força é essa que toma uma pessoa e a leva à beira do abismo.” Um mistério sem...
Robert Ressler
Robert Ressler - O Homem que Entendia Serial Killers - Capa

Robert Ressler – O Homem que Entendia Serial Killers

“Em um nível muito pessoal, eu só queria saber que força é essa que toma uma pessoa e a leva à beira do abismo.”

[Robert Ressler]

Um mistério sem solução?

Poderia ser o roteiro de um filme ou uma piada de mau gosto, mas, em meados do ano de 2013, uma mulher autointitulada “Diana, a caçadora de motoristas” foi alvo de uma caçada policial após dois motoristas de ônibus serem assassinados em Juarez, México, cidade junto à fronteira de El Paso, no Estado do Texas. Um dia após os assassinatos, a redação do jornal El Diario de Juarez recebeu um e-mail da suposta assassina sugerindo que suas ações foram uma retaliação a violações cometidas por motoristas contra mulheres, muitas delas trabalhadoras noturnas de fábricas. “Eu sou um instrumento que vingará várias mulheres que aparentam serem fracas, mas, na realidade não são. Somos valentes, e se não nos respeitam, seremos respeitadas pelas nossas próprias mãos; as mulheres de Juarez são fortes”, dizia um trecho do e-mail.

Diana, a caçadora de motoristas, é apenas mais um capítulo na sombria história de Cidade de Juarez. Desde agosto de 1993, uma onda de assassinatos sem precedentes chamou a atenção da mídia mundial. Fontes familiarizadas com o caso estimam que mais de 300 jovens mulheres foram brutalmente assassinadas. As vítimas eram tipicamente jovens bonitas e morenas, na faixa de 14 a 16 anos, que desapareciam a caminho ou saindo de fábricas de montagem de capital estrangeiro e com péssimas condições de trabalho conhecidas como maquiladoras. Seus corpos, muitas vezes mutilados, acabavam no deserto ou às margens das estradas que levam a acampamentos de posseiros ao redor da cidade.

A primeira vítima “oficial” do caso foi uma jovem chamada Alva Chavira Farel, espancada, estuprada e estrangulada em janeiro de 1993. Dois anos depois, em meados de setembro, mais de quarenta cadáveres foram encontrados, alguns com os seios decepados e os mamilos arrancados a dentadas. A terrível assinatura do lunático homicida fez a imprensa o apelidar de “El Depredador Psicópata”.

Em 1998, um grupo de mulheres da Cidade do México atraiu a atenção da mídia para a questão de que nada estava sendo feito para parar os assassinatos. Três anos depois, em Novembro de 2001, oito mulheres foram encontradas assassinadas e desovadas em plantações de algodão. Perdidos e sem saber o que fazer para parar as mortes, autoridades mexicanas decidiram pedir ajuda ao mais famoso profiler do século passado: Robert Kenneth Ressler. Criminologista e antigo profiler (aqueles caras que traçam perfis de serial killers, uma profissão eternizada no cinema por Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes – lembram-se dele ensinando o bê-á-bá à aterrorizada profiler estagiária Clarice Starling?) do FBI, Ressler foi contratado para ajudar a reduzir o número de suspeitos da investigação e treinar a força-tarefa mexicana na psicologia de serial killers. Robert examinou toda a documentação e concluiu que nem todos os assassinatos estavam ligados por similaridades.

“Eles estavam falando de mais de 100 mulheres naquele momento e dizendo que alguém estava descontrolado e tinha matado todas elas. Quando nós classificamos todos os casos, nós finalizamos com 76 homicídios de interesse. Eu fiz uma avaliação preliminar com o VICAP (banco de dados de crimes) e determinei que um número (dos assassinatos) estava conectado e alguns não. Alguns suspeitos eram claramente membros da família, outros membros de gangues… Eles tinham um sujeito sobre custódia, um egípcio chamado Latif Sharif, que tinha um registro terrível nos Estados Unidos por estupro e agressão, e quando ele escapou do país começou a agir no México. Ele foi acusado por uma dezena de homicídios. Eu também acreditava que alguns dos assassinatos fossem realizados por pessoas que possivelmente atuavam em equipe ao longo da fronteira de El Paso. Então nós também nos encontramos com a polícia de lá para obter sua colaboração.”.

[Robert Ressler]

Depois da prisão de Sharif, a polícia mexicana alardeou que o caso estava encerrado, mas logo cadáveres começaram a se acumular novamente. Ressler suspeitou que o assassino poderia seguir as mulheres ou até mesmo ser um motorista de ônibus. Ele então estabeleceu um sistema de segurança nos ônibus, que deixavam as jovens trabalhadoras em casa durante a noite.

“Eu saí atrás dos ônibus com policiais e vimos que eles estavam deixando aquelas mulheres em locais escuros. Qualquer um interessado em sequestrá-las tinha apenas que segui-los. Alguns dos motoristas conheciam as rotas e eles poderiam facilmente retornar mais tarde, quando não estivessem dirigindo para pegar aquelas garotas.”.

[Robert Ressler]

No ano seguinte, cinco motoristas de ônibus foram presos por treze dos assassinatos e desaparecimentos e tornaram-se suspeitos de mais cinco. Posteriormente, outros dois motoristas foram presos e uma testemunha chegou a identificar um deles como sendo o homem que ela viu desovando um corpo no mesmo campo onde sete outros foram encontrados. Os motoristas Victor Uribe e Gustavo Gonzalez confessaram o sequestro, o estupro e o assassinato de mulheres. Um deles disse que havia matado outras três, embora seus corpos nunca tenham sido encontrados. Victor e Gustavo eram uma dupla de serial killers que viviam bêbados e quando avistavam uma mulher vulnerável, a obrigavam a entrar em sua van para estuprar e matar.

Apesar de tempos em tempos novas vítimas aparecerem mortas, a atuação de Ressler no caso ajudou a polícia mexicana a prender vários dos assassinos que aterrorizavam as mulheres de Juarez. Antes perdidos, a polícia mexicana sabia agora como procurar o suspeito certo para cada tipo de assassinato e como traçar um perfil psicológico baseado na cena de um crime – aprendizagem adquirida com a passagem do profiler americano. Somente alguém como Robert poderia extrair o máximo de informações de uma cena de crime e dizer quais assassinatos poderiam estar ligados a uma mesma pessoa. Além disso, somente um especialista como ele poderia escrever um perfil psicológico preciso com base nas informações do caso. No mundo irreal de séries televisivas, como CSI e Law & Order, caçar um assassino é mais fácil do que tirar um pirulito da boca de uma criança. Na TV, as cenas dos crimes mostram sempre padrões claros, que são facilmente descobertos pelos detetives. Mas, na vida real, extrair informações de cenas de crimes e traçar perfis criminais pode ser bastante complicado. Somente aqueles com grande experiência e estudo podem realmente prestar uma assistência útil.

Robert Ressler - o homem que entendia serial killers - bsu

Um Novo Departamento para o FBI

“Eu tinha um interesse especial em serial killers, porque acreditava que a psicologia era uma grande ferramenta para explicar por que e como eles matavam.”.

[Robert Ressler]

A primeira vez que muitas pessoas ouviram falar da Unidade de Ciência do Comportamento (BSU na sigla em inglês) do FBI, também conhecida como “Caçadores de Mentes” ou “Esquadrão Psíquico”, foi pelo filme (ou pelo) livro O Silêncio dos Inocentes, de Thomas Harris. No livro, a criação do personagem diretor da unidade, Jack Crawford, foi influenciada, até certo ponto, por conversas que o escritor teve com o Agente Supervisor Especial Robert Ressler. Quando Thomas Harris visitou a Unidade de Ciência do Comportamento para realizar pesquisas para o seu livro, Ressler era um criminologista nacionalmente conhecido e chefe da BSU. Ele, entretanto, não era o pioneiro da Unidade; na verdade, era um dos discípulos dos pioneiros Howard Teten e Pat Mullany, e aprendera com eles os princípios de psicologia envolvidos na criação de perfis criminais.

“Teten e Mullany faziam parte da equipe original que se ocupou em traçar perfis e avaliar cenas de crimes. Eles começaram em 1969, organizando pessoas para este programa e, quando a Academia do FBI foi inaugurada, em 1972, a unidade ficou realmente estabelecida. Eu me juntei a eles em 1974.”.

[Robert Ressler]

Após servir oito anos no exército, de 1962-1970, (onde estudou psicologia criminal), Ressler, pós-graduado da Universidade do Estado de Michigan, foi recrutado por um agente do escritório do FBI em Lansing para atuar como agente especial em Chicago, New Orleans e Cleveland. O agente de Lansing acabou se tornando um diretor assistente na sede do FBI, em Quantico, Virginia, e Ressler foi recrutado para a Unidade de Ciência do Comportamento, em 1974, no mesmo ano em que Ted Bundy iniciava sua horrível onda de assassinatos.

No início, Robert e outros proeminentes agentes especiais, dentre estes John Douglas e Roy Hazelwood, refinaram e aperfeiçoaram as inovadoras técnicas de Teten e Mullany. Seus trabalhos restringiam-se a lecionar para os estudantes da academia, mas logo Ressler e companhia estariam promovendo novas inovações que culminariam na fantástica contribuição de tirar do anonimato a figura do profiler psicológico e levá-lo até a linha de frente da consciência pública.Talvez, o pontapé inicial disso tudo tenha ocorrido no início de 1978.

Ficando famoso

Em janeiro de 1978, Terry Wallin, 22 anos, grávida de três meses, foi encontrada morta e terrivelmente mutilada em sua casa, em Sacramento, Califórnia. O assassino removera os órgãos internos e colocara as fezes do cachorro da vítima em sua boca. Além disso, um copo de iogurte encontrado perto do cadáver indicava que o assassino havia bebido o sangue da mulher. Assustados e perdidos com a investigação e acreditando que o assassino poderia ser o autor de outros crimes semelhantes, a polícia da Califórnia resolveu pedir ajuda ao FBI e até então desconhecida Unidade de Ciência do Comportamento. Com informações enviadas por teletipo, Ressler elaborou um perfil preliminar sobre o assassino. O perfil dizia:

Homem branco, com idade entre 25 e 27 anos, magro, de aparência desnutrida. Residência suja e malcuidada, local onde as provas do crime serão encontradas. Histórico de doença mental e possivelmente já esteve envolvido com drogas. Tipo solitário que não tem convívio com homens ou mulheres, e que deve passar a maior parte do tempo em casa, onde mora sozinho. Desempregado. Provavelmente recebe algum tipo de pensão por invalidez. Nenhum registro militar prévio; abandonou a escola ou faculdade. Talvez sofra de uma ou mais formas de psicose paranoica.

Em sua autobiografia Whoever Fights Monsters (Aquele que Luta com Monstros, 1992), Ressler explica o raciocínio por trás do perfil. Ele supôs que o assassino, tal como a vítima, fosse branco, porque o homicídio em série é geralmente intrarracial, ou seja, brancos costumam matar brancos, negros costumam matar negros e assim por diante. Robert também sabia que assassinatos sádicos e brutais, dos quais o homicídio de Wallin era um exemplo, são quase sempre cometidos por homens na casa dos vinte ou trinta anos.

O agente restringiu a idade presumida do suspeito para a faixa de 25 a 27 anos, porque a extrema brutalidade do assassinato sugeria que o autor estava em um estágio avançado de psicose.

“Ficar louco como o homem que despedaçou o corpo de Terry Wallin não é algo que acontece da noite para o dia. Leva-se de oito a dez anos para desenvolver o nível profundo de psicose que vem à tona nesse tipo aparentemente irracional de assassinato. A esquizofrenia paranóide normalmente se manifesta pela primeira vez na adolescência. Supondo que a doença tenha surgido por volta dos 15 anos, e somando dez anos a essa estimativa, temos um indivíduo na faixa etária de 25 a 27 anos.”

[R. Ressler]

O restante do perfil derivava logicamente da inferência de que o assassino sofria de um quadro violento de psicose. Como ele fala no livro, Ressler pensou que o assassino devia ser magro ou até mesmo esquelético, porque indivíduos introvertidos e esquizofrênicos não comem bem, não se preocupam com a alimentação e tendem a pular refeições. Da mesma forma, eles são negligentes com a aparência e pouco se importam com o asseio ou com a organização. Ninguém gostaria de viver com uma pessoa assim, então o assassino deveria ser solteiro.

“Essa linha de raciocínio me levou a postular que a casa dele seria uma bagunça e também que ele não teria servido ao Exército, porque, antes de tudo, era desorganizado demais para ser aceito como recruta; se ele tivesse algum tipo de ocupação, seria subalterna, talvez porteiro ou catador de papéis; introvertido demais até mesmo para atuar como empregador. Era mais provável que fosse um recluso vivendo à custa de uma pensão por invalidez.”

[R. Ressler]

Teria Ressler acertado o perfil do assassino? Pouco tempo depois, a polícia prenderia o serial killer. Quem era ele?

seta

Robert Ressler - O Homem que Entendia Serial Killers - Richard Chase

Na foto: Richard Chase, 27 anos; esquelético, sofria de esquizofrenia paranoide. O serial killer morava sozinho e vivia de uma pensão do estado.

Encontrando os Assassinos

“Sem o perfil criminal, investigadores não têm ideia do que ou quem procurar. Eles não sabem a idade, nem o sexo, nem a raça. Não têm ideia da personalidade do indivíduo.”.

[Robert Ressler]

Após o sucesso na elaboração deste e de vários outros perfis criminais, os profilers comportamentais saíram pelos Estados Unidos oferecendo seu conhecimento às agências estaduais. Ressler e seus companheiros treinavam policiais na psicologia criminal. Mas, em dado momento, eles concluíram que era preciso mais do que livros para dar exemplos aos alunos. Sem a permissão de seus superiores, eles decidiram frequentar prisões de segurança máxima para entrevistar alguns dos mais notórios assassinos da América.

“Robert sempre dizia: ‘ao invés de pedirmos permissão, vamos em frente e, se eles não gostarem, pedimos perdão.’”.

[John Douglas]

“Em 1974, ainda não existia a unidade de operações. Nós estávamos apenas ensinando. Por volta de 1978, eu vim com a ideia de aprimorar nossa capacidade instrucional para conduzir abrangentes pesquisas com personalidades criminais e violentas. Sugeri, então, que fossemos até às prisões e entrevistássemos criminosos violentos para obter um melhor controle sobre eles e elaborar uma fundação para traçar perfis criminais. Se eu estivesse na Califórnia, por exemplo, eu entraria em contato com o agente que era o nosso coordenador de treinamento lá, e ele agendaria entrevistas em prisões locais com pessoas como Charles Manson ou Sirhan Sirhan.”.

[Robert Ressler]

Enquanto eles viajavam de cidade em cidade treinando policiais, Robert e os outros pensavam em quais criminosos daquela localidade poderiam ser entrevistados.

“A abordagem era: ‘Vamos ver se esses bandidos sairão e conversarão conosco’. Acho que nenhum se recusou a conversar com a gente’”.

[John Douglas]

Entrar na mente de psicopatas assassinos teve o seu preço, mas o trabalho dos profilers formou uma grande amplitude de conhecimento, que culminou no lançamento de livros até hoje usados por profissionais da área. O programa inicial de entrevistas envolveu 36 criminosos confessos. E, no decorrer dessas entrevistas, Robert Ressler cunhou o termo que hoje está na boca do povo: “serial killer”. Em sua autobiografia, Ressler conta que, no início dos anos 1970, enquanto participava de uma conferência na academia britânica de polícia, ouviu um colega fazer alusão a “crimes em série”, no sentido de uma série de estupros, roubos, incêndios criminosos ou assassinatos.

“Não foi a partir de um caso específico. Apenas se tornou evidente que eu estava lidando com muitos casos que eram homicídios repetitivos. A mídia estava classificando-os como mass murders (assassinatos em massa) sem qualquer diferenciação. Eu e meus colegas tomamos consciência do fato de que este era um termo demasiadamente genérico. Pensamos que deveríamos encontrar um meio de identificar diferentes formas de comportamentos homicidas. ’Serial’ torna-se mais ou menos evidente porque eu estive na Inglaterra e lá eles chamavam crimes repetitivos de ‘crimes em série’ ou ‘série de crimes’. Eu não queria plagiar o termo britânico, eu estava pensando paralelamente àquelas linhas. Quando eu era uma criança, ia ao cinema e nós víamos aquelas aventuras em série de dez minutos (uma espécie de trailer), que eles usavam antes de exibir a sessão principal e levavam várias semanas para exibir a história completa. Foi assim que eu comecei a chamar aqueles crimes de ‘serial killings.”.

[Robert Ressler]

A criação do termo “serial killer” é creditada a Ressler, entretanto, existem provas documentadas de que a expressão “serial murderer” (homicida em série) já existia pelo menos 12 anos antes de Ressler tê-la inventado. De acordo com Jesse Sheidlower, editor do dicionário Oxford de língua inglesa, o termo pode ser rastreado até 1961, quando aparece em uma citação do Merriam-Webster’s Third New International Dictionary. A citação, atribuída ao crítico alemão Siegfried Kracauer, diz: “(Ele) nega que seja o homicida em série procurado”. (Primeiro uso documentado do termo “homicida em série”).

É interessante notar a fala de Robert quando diz que “a mídia estava classificando todos eles como ‘mass murders’ (assassinatos em massa) sem qualquer diferenciação.”. Na década de 1970, Ressler e seus companheiros já sentiam essa necessidade de diferenciar crimes em massa de crimes em série e de outros tipos. E apesar dos caçadores de mentes terem cunhado o termo “serial killer” nessa época, ele só chegaria ao conhecimento do público e se tornaria popular cerca de 20 anos depois. Ainda em 1991, quando os crimes de Jeffrey Dahmer estamparam jornais no mundo inteiro, o termo não era de conhecimento público. Para comprovar o que digo, clique aqui e veja a primeiríssima reportagem do caso Dahmer. No início dela, o repórter diz: “Policiais removeram caixas e caixas com partes de corpos. Evidências no que parece ser de um psicopata assassino em massa”.

Robert Ressler - O Homem que Entendia Serial Killers - Bill Jacocks e Robert Ressler em Quantico, 1980

Na foto: Bill Jacocks e Robert Ressler na sede do FBI em Quantico, Virgínia. Data: 1980.

Voltando ao final dos anos de 1970 e quando Ressler e companhia decidiram entrevistar assassinos condenados, com objetivo de desenvolver uma base para elaboração de perfis criminais, os entrevistadores focaram em informações cruciais que envolviam:

  • Como os assassinatos eram planejados;
  • Como os assassinatos eram cometidos;
  • O que os assassinos faziam depois com o corpo;
  • O que eles faziam e pensavam depois que saíam da cena do crime ou do local de desova.

Para realizar as entrevistas detalhadamente, os agentes pesquisaram sobre o assassino e sua forma de agir. Desta forma eles poderiam estabelecer um “interesse focado” no sujeito alvo. Foco transmite respeito, e isso geralmente ajuda a estabelecer conexão com o assassino e consequentemente gera resultados. Era importante compreender o mundo do sujeito e entrar nele sem nenhum julgamento sobre os crimes cometidos. O objetivo era obter informações e todos os participantes do projeto tinham que manter isso como objetivo principal. Entre os assassinos que compuseram a lista, Ressler incluiu um que o tinha influenciado quando criança, William Heirens. Em dezembro de 1945, com 16 anos, Heirens invadiu um apartamento no lado norte de Chicago para roubar. Confrontado por Frances Brown, de 33 anos, ele atirou e a matou. Com uma faca encontrada na casa, desferiu golpes em seu cadáver. Ele tentou lavá-la e, por fim, escreveu no espelho com um batom: “Pelo amor de Deus, me apanhem antes que eu mate mais. Eu não posso me controlar.” No mês seguinte, William matou e desmembrou uma menina de seis anos e espalhou seus pedaços nos bueiros de esgoto. A polícia tentou rastreá-lo, mas não obteve sucesso até Junho de 1946, quando Heirens entrou em um apartamento e foi perseguido e preso pela polícia. Ele confessou, adicionando mais um assassinato que não havia sido ligado a ele, tendo sido condenado posteriormente por três mortes.

“Mesmo que criança, eu tinha interesse na aplicação da lei. Eu brincava de polícia e ladrão e, na época, meu pai trabalhava para o Chicago Tribune e trazia para casa o jornal. Eu percebi que havia um assassino à solta em Chicago matando mulheres e deixando frases escritas nas paredes, então eu comecei a acompanhar tudo. Antes que ele fosse identificado, eu convoquei outras crianças para um jogo em que formávamos uma agência de detetives. Nós tínhamos armas de brinquedo e câmeras e seguíamos os vizinhos por toda parte e conduzíamos exames da cena do crime para encontrar ‘O assassino do Batom’. Nós pegamos velhos tubos de batom de nossas mães e escrevemos coisas nos muros. Nós fazíamos isso todos os dias e no final do dia nós reuníamos para comparar observações. Então, quando o assunto se concluiu com a prisão de Heirens, todos parabenizamos a nós mesmos pela nossa parte na investigação, que apanhou o assassino.”.

[Robert Ressler]

Robert Ressler - o homem que entendia serial killers - William Heirens

Na foto: William Heirens. Data: 2 de Julho de 1946. Foto: nbcchicago.

Quando Robert foi até o sul do estado de Illinois lecionar, se lembrou que Heirens estava no presídio Vienna Men’s Correctional Facility, não muito longe dali. Ressler, então, conseguiu uma permissão para entrevistá-lo.

“Foi estranho, porque muitas crianças tinham seus heróis no esporte ou coisas assim e eu queria encontrar este serial killer. Eu contei a ele que havia acompanhado seu caso. Ele era cerca de nove anos mais velho do que eu e foi um tipo de surpresa que, de certa forma, ele tinha um fã.”.

[Robert Ressler]

Além da entrevista com Heirens, Ressler esteve envolvido em muitas outras, e na lista estavam assassinos como Charles Manson, Sirhan Sirhan, Richard Speck, Edmund Kemper, John Wayne Gacy, Jeffrey Dahmer e David Berkowitz.

Ed Kemper

Edmund Kemper, o “Assassino de Colegiais”, estava entre os 36 homens que concordaram em ser entrevistados pelos caçadores de mentes. Com 2.06m de altura e um histórico de crimes horrendos, Kemper foi, de longe, um dos mais assustadores serial killers que Ressler entrevistou. E dos seus encontros com o grandalhão, Robert tem uma história arrepiante para contar.

Ao final da terceira entrevista na Prisão de Vacaville, Califórnia, Kemper colocou as asas de fora. Em duas entrevistas anteriores, Ressler fora acompanhado de outra pessoa, mas, na terceira, pensando ter conseguido um bom relacionamento com o assassino, o profiler decidiu ir sozinho. Péssima decisão. Eles ficaram trancados numa cela apertada no corredor da morte durante quatro horas. Quando Robert apertou o botão para ir embora, ninguém apareceu. Ele continuou a falar e a apertar o botão. Nada. Kemper percebeu a apreensão do profiler e disse:

“Relaxe! Se eu estivesse louco, você estaria em sérios problemas, não estaria? Eu poderia arrancar sua cabeça e colocá-la na mesa para cumprimentar o guarda.”.

O profiler relata que se iniciou, então, uma “briga mental” entre ele e o serial killer, com o primeiro tentando ganhar tempo e tentando dar a impressão de que poderia se defender e o segundo se divertindo ao ver o medo no rosto de Robert.

“Minha mente ficou alerta. Eu imaginava ele me alcançando com seus longos braços, prendendo-me a uma parede e me estrangulando até meu pescoço estar quebrado. Não levaria tempo, e a diferença de tamanho entre nós me garantia que eu não seria capaz de lutar com ele por muito tempo. Então eu disse que se ele mexesse comigo estaria em sérios apuros. E foi aí que ele zombou: ‘O que eles fariam? Cortariam meus privilégios de ver TV?'”

[Robert Ressler]

O guarda apareceu e Kemper sorriu dizendo que só estava brincando. Ressler nunca mais foi sozinho a uma entrevista com ele. Outro notório caçador de mentes, John Douglas, disse que Kemper é, de longe, um dos mais brilhantes assassinos que ele já entrevistou.

Robert Ressler - O Homem que Entendia Serial Killers - Ressler e Ed Kemper

Na foto: Robert Ressler e Ed Kemper.

Robert Ressler - O Homem que Entendia Serial Killers - Robert Ressler e Edmund Kemper

Na foto: Robert Ressler e Ed Kemper.

David Berkowitz

Em 1979, Ressler entrevistou, em Attica, David Berkowitz, o famoso “Filho de Sam” – serial killer responsável por seis assassinatos em Nova Iorque no verão de 1977. Era permitido a Berkowitz manter um livro de recortes de jornais que ele havia compilado sobre seus atos. Essa foi a forma encontrada pelo assassino de manter viva suas fantasias. Ficou claro para Robert que a história de David de que um cão demônio havia lhe ordenado os assassinatos era invenção. Durante as três entrevistas que o profiler fez com o serial killer, ele descobriu que a história na verdade foi inventada, uma tentativa de convencer as autoridades de que Berkowitz era louco. “Sua real razão para atirar em mulheres era seu ressentimento em relação à sua própria mãe e também devido a sua incapacidade de estabelecer relacionamentos com mulheres.”, disse Robert.

Berkowitz ficava excitado durante as perseguições e assassinatos e, após os crimes, ele se masturbava. Também admitiu ao profiler que as perseguições tornaram-se uma espécie de aventura noturna para ele. Ele saía para caçar e, se não encontrasse uma vítima, voltava às cenas dos crimes anteriores na intenção de revivê-las.

“Era uma experiência erótica para ele ver os restos das manchas de sangue no chão e policiais sentados em seus carros andando pelas redondezas; ele costumava contemplar essas experiências e se masturbar.”.

[Robert Ressler]

Tal comportamento é comum entre os serial killers, eles voltam às cenas dos crimes não por culpa, mas por querer reviver as memórias de seus crimes para obtenção do prazer sexual. Ressler ainda descobriu que Berkowitz planejava ir aos funerais de suas vítimas, mas ficou com medo de que a polícia suspeitasse. Ir e assistir a funerais é uma prática bastante frequente de alguns tipos de assassinos, inclusive por esse motivo, determinados crimes tem os atos fúnebres registrados por fotografias pela polícia.

Para saber os passos da polícia, David começou a frequentar bares de encontros de policiais na esperança de escutar conversas sobre o caso. Ele também tentou, sem sucesso, encontrar os túmulos de suas vítimas. Como muitos serial killers, ele alimentava seu ego doentio através da atenção que os jornais davam aos seus crimes. A ideia de enviar uma carta aos jornais veio de um livro sobre Jack, o Estripador. Ressler descobriu que após a imprensa chamá-lo de Filho de Sam, ele adotou o apelido como seu, e até mesmo criou uma logomarca para ele.

John Wayne Gacy

Outro notório psicopata que se sentou à mesa com Ressler foi John Wayne Gacy Jr. Gacy, um homem de negócios e filantropo de Des Plaines, Illinois, que se tornou um suspeito no desaparecimento de um garoto em 1978. Dentro de um mês, investigadores encontraram os restos de 28 jovens enterrados num espaço sujo e apertado debaixo de sua casa. Ele admitiu ter desovado mais cinco em um rio perto dali. Quando julgado por aqueles assassinatos, ele alegou insanidade e um dos psicólogos que o examinou afirmou que ele havia experimentado trinta e três casos separados de compulsão dissociada, também conhecida como “impulso irresistível”. O júri não comprou isso e Gacy foi considerado culpado e sentenciado à morte. Como recurso para atrasar sua execução, ele se disponibilizou a dar algumas entrevistas. Robert já havia falado com ele algumas vezes e, pouco antes da execução, foi novamente. O mais interessante nesta história é que Gacy e o caçador de serial killers moraram no mesmo bairro em Chicago. Gacy chegou até a bater na porta de Ressler durante o Halloween para distribuir doces. Ressler não poderia imaginar que anos depois aquele mesmo homem gordo seria a base para seu estudo sobre serial killers organizados.

“Nós vivíamos na mesma rua. Foi estranho estar com ele. Entrei na investigação depois que a polícia já o tinham como suspeito. Eles suspeitaram dele pelo menino desaparecido e então começaram a encontrar os corpos, então os ajudei a classificar o que eles realmente tinham de um ponto de vista de múltiplos homicídios. Eles nunca haviam encontrado alguma coisa como aquela antes. Eu também os ajudei a preparar a acusação para o caso.”.

[Robert Ressler]

Sobre estar face a face com um homem assim, Ressler lembra-se de Gacy como manipulador.

“Ainda que ele fosse sociável e extrovertido em muitas entrevistas que tive com ele, suas tentativas de manipulação revelavam uma grande parte de sua personalidade, padrões e motivos. Ele ficava com raiva e depois amigável. Em uma única sessão atravessamos uma gama de emoções. Muito disso era encenação de sua parte, mas parecia que estávamos nos dando bem. Não houve equívoco, no entanto. Eu estive lá para explorá-lo a fundo. Eu acreditava que ele fosse responsável por mais de 33 homicídios. Ele havia viajado para 14 estados na época em que tudo isso se passou, então eu estava tentando obter mais informações e ele tentava manter seu status quo como vítima. Ele dizia que ‘aqueles caras’ (vítimas) o enganaram, e que tinha muitas histórias sobre eles, mas se você colocasse todas elas juntas, não faziam qualquer sentido.”.

Ao final do último encontro, Gacy presenteou Ressler com um de seus quadros: O Palhaço Assassino.

Robert Ressler - O Homem que Entendia Serial Killers - Gacy e Ressler

Na foto: John Wayne Gacy e Robert Ressler. Data: 1994.

Robert Ressler - O Homem que Entendia Serial Killers - Gacy e Ressler

Na foto: John Wayne Gacy e Robert Ressler. Data: 1994.

Gacy estava entre os muitos assassinos manipuladores que Ressler encontrou, mas, em alguns casos, ele era chamado por ter um tipo de especialidade que poucos outros profilers tinham.

Arthur Shawcross

Antes de ingressar no FBI, Ressler também serviu como agente Supervisor na Divisão de Investigação Criminal do Exército dos Estados Unidos e esta experiência foi bastante útil para examinar assassinos que alegavam ter sido vítimas de stress pós-traumático após servirem na guerra do Vietnã. Um deles foi o sinistro Arthur Shawcross.

No caso de Shawcross, que havia assassinado, pelo menos, 11 mulheres em menos de dois anos, a perícia de Robert foi particularmente astuta. Shawcross, aos 28 anos, matou e mutilou duas crianças. Pelos assassinatos, passou 15 anos na prisão e depois foi solto em liberdade condicional. Uma vez em liberdade, começou a matar prostitutas em Rochester, Nova Iorque. Ele foi pego em Janeiro de 1990 com a ajuda de um perfil do FBI que indicava que o assassino iria retornar ao local da desova dos corpos para lhes infligir mutilações pós-morte. Na busca pelos corpos de várias mulheres desaparecidas, a polícia de Nova Iorque encontrou uma no gelo em Salmon Creek, na autoestrada 31. No alto da ponte estava um homem gordo, de meia idade, entrando em um carro. Quando eles o apanharam, anotaram seu homem: Arthur Shawcross.

Enquanto Arthur confessava seus crimes em detalhes e ainda mostrava à polícia a localização de mais dois corpos, seu advogado de defesa trazia especialistas em psiquiatria para comprovar que ele sofria de lesões no cérebro, que causavam estados dissociativos e desordens de stress pós-traumático – ambas tendo como gatilho os abusos quando criança e experiências no Vietnã. Shawcross alegou que se tornou um adepto do assassinato quando serviu no Vietnã. Certa vez, ele passou alguns dias sozinho na selva após ver soldados americanos serem mortos. A ruptura emocional o teria transformado num assassino. Sem sentimentos, tornou-se um predador de humanos. Ele afirmou que havia matado crianças e depois assumido o papel de terrorista. Ele matava pela emoção, estimulado pelos episódios de extrema violência que havia testemunhado.

“Neste caso, o promotor Charles Siragusa chamou o psiquiatra forense Dr. Park Elliot Dietz. Eu havia recrutado Dietz na Unidade de Ciência do Comportamento como consultor, então, em virtude de Siragusa não estar familiarizado com a terminologia e com os registros militares, Dietz recomendou que eu fosse lá. Examinei os registros militares e os comparei com as entrevistas que Dietz havia feito. As informações que surgiram indicavam que Shawcross estava simulando um pouco. Estava claro que ele agia como um enganador e que escancarou a história de como suas tendências homicidas surgiram. A princípio, ele estava sob hipnose com a psiquiatra de defesa Dorothy Lewis; nós vimos as fitas que ela tinha e percebemos que as entrevistas eram falsas. Ele apenas estava levando-a no bico.”.

[Robert Ressler]

No final, o júri se convenceu de que Shawcross tinha consciência do que estava fazendo e ele foi condenado por 10 assassinatos. O acusado ainda se declarou culpado por mais uma morte e recebeu a pena de prisão perpétua.

Robert Ressler - o homem que entendia serial killers - Arthur Shawcross e familia

Na foto: Arthur Shawcross ao lado da esposa e filha. Foto: Creative commons.

Após a série inicial de 36 entrevistas com assassinos condenados, Ressler e seus companheiros compilaram informações essenciais e aprenderam bastante sobre comportamento criminoso. Ao final das entrevistas eles tinham uma visão completa sobre:

  • Padrões de valores de um criminoso;
  • O desenvolvimento de fantasias sexual-homicidas;
  • Padrões do processo de pensamento de um criminoso;
  • Níveis de recordação de um crime;
  • Grau do senso de responsabilidade de um criminoso;
  • A evolução do MO (Modus Operandi) a partir da experiência;
  • A natureza do ritual na cena do crime.

Robert e outros agentes da Unidade de Ciência do Comportamento passaram a dar aulas e atuar como consultores em diversos casos de assassinatos pelo País. Ressler cita dezenas de casos em seus livros. Um deles ocorreu no gelado coração dos Estados Unidos, o Nebraska.

John Joubert

Em 18 de Setembro de 1983, o adolescente Danny Joe Eberle desapareceu enquanto trabalhava distribuindo jornais na pacata Bellevue, Nebraska. Ele havia distribuído apenas três dos setenta jornais naquele dia. Sessenta e sete jornais foram encontrados ao lado de sua bicicleta e três dias depois seu corpo esfaqueado foi descoberto a seis quilômetros de distância. Por o assassinato envolver uma criança, e devido ao Presidente Ronald Reagan recentemente ter colocado assassinatos e sequestros de crianças sob jurisdição federal, a polícia local teve que contatar o FBI. Os federais norte-americanos responderam ao chamado enviando o agente especial John Evans. Uma das primeiras ações de Evans foi contatar a Unidade de Ciência do Comportamento. Nessa época, apesar de serem desconhecidos por departamentos de polícia (e por policiais durões que achavam a ciência do comportamento algo suspeito), Ressler, Douglas, Hazelwood e companhia eram bastante respeitados e conhecidos por agentes federais, muito devido ao sucesso em casos como o de Richard Chase e dos assassinatos em série de crianças em Atlanta, 1980.

Ao saber do caso, Robert Ressler – que estava num seminário – imediatamente viajou ao Nebraska. As notícias iniciais não foram boas para a equipe de investigação local. Pelos poucos detalhes que escutou do garoto jornaleiro morto, Ressler se lembrou de outro caso – o de um adolescente jornaleiro desaparecido um ano antes de Des Moines, uma cidade próxima. O garoto nunca foi encontrado e logo Ressler pensou na possibilidade dos dois casos terem alguma conexão.

É sempre importante entender a geografia da cidade quando tais incidentes ocorrem. Bellevue, Nebraska, era uma pequena cidade, em grande parte dependente dos empregos oferecidos pela Base da Força Aérea de Offutt, onde o Comando Aéreo Estratégico dos Estados Unidos estava situado. O pai de Danny Joe já havia trabalhado na base. Era uma cidade unida, onde as pessoas se sentiam seguras.

O que Ressler particularmente gostava em uma investigação era estar envolvido desde o início. Dessa forma, ele poderia decidir quais itens ou informações eram importantes e quais só poderiam atrapalhar a investigação. Quando chegou na cidade, Robert foi até o local onde o corpo de Danny fora encontrado. O profiler procurava por pistas específicas.

“Numa cena de crime olhamos para tudo. A posição do corpo, a condição do corpo. Há uma grande diferença entre uma facada no coração e uma no pescoço, assim como há em remover um coração ou um órgão sexual. Nas cenas dos crimes existem pistas diretas que nos dão o retrato da personalidade do assassino.”.

[Robert Ressler]

Havia uma série de sinais de que o assassino não estava muito preocupado em ocultar o cadáver, o que, segundo Ressler, indicaria um comportamento compulsivo, ou algo que ele não poderia facilmente controlar. O profiler achou bastante significativo o fato de o assassino ter deixado o corpo de Danny Joe em um lugar que poderia ser visto. Era um beco sem saída, mas não muito longe de uma área onde pessoas iam e vinham. Além disso, o agressor havia pego Danny Joe durante as primeiras horas do dia e não se preocupou em levar sua presa por uma estrada e descartá-la na beira de um rio. Para o assassino, o fato do corpo poder ser encontrado facilmente parecia não o importar. Era um comportamento de alto-risco.

As notícias que saíram no dia seguinte diziam que Danny Joe havia sido esfaqueado, mas Ressler disse que era pior do que isso. O adolescente estava deitado com o rosto para baixo no capim, suas mãos e pés amarrados com uma corda atrás das costas. Sua boca havia sido tapada com fita cirúrgica, que também foi utilizada em torno dos seus tornozelos e pulsos. Sua roupa, com exceção da cueca, fora removida, e o corpo esfaqueado várias vezes, incluindo rosto e pescoço. Isso indicava que o menino havia sido prisioneiro por um curto período de tempo num lugar diferente de onde fora encontrado. Nesse caso, parecia mais provável que ele fora morto pouco antes de ser encontrado. Enquanto o crime parecia ter conotação sexual, não havia nenhuma evidência desse tipo de agressão, nem antes nem depois da morte.

Reunindo as migalhas de informações, Robert juntou-as num relatório preliminar. Na época, as abordagens utilizadas pela Unidade de Ciência do Comportamento haviam sido testadas poucas vezes, mas Ressler sentiu-se confiante de que, a partir de sua longa experiência no Exército e seus anos como investigador do FBI, pudesse dar uma ideia precisa à força tarefa sobre o do tipo de agressor.

Dados os relatos de testemunhas que viram um homem num carro atrás do garoto, Robert escreveu que o suspeito seria um homem branco em um carro. Ele acrescentou, com base em seu conhecimento de agressores sexuais, que, provavelmente, o homem fosse jovem, no final de sua adolescência e início dos vinte anos. Danny Joe foi raptado em um bairro branco e ninguém relatara alguém estranho pelo local, muito menos alguém negro, asiático ou hispânico. Mesmo com a falta de relatórios, Ressler estava certo de que era um homem branco. Parecia possível, uma vez que não havia sinais de luta ou resistência, que o homem fosse amigável e não ameaçador, até mesmo Danny Joe poderia conhecê-lo e se sentir seguro.

Apesar de um caso semelhante no ano anterior, Robert acreditava que o autor do crime havia feito seu debut em Bellevue. “Eu pensei que era o seu primeiro assassinato”, escreve ele em Whoever Fights Monsters. Existia a possibilidade também de que dois homens estivessem operado em conjunto – um para atrair o menino e outro para segurá-lo durante o rapto. O método de descarte do corpo sugere pânico ao invés de experiência, e o autor do crime tinha familiaridade com a área, pois ele sabia que o local era um beco sem saída. Ressler não acreditava que Danny Joe fora amarrado enquanto esteve em poder do criminoso, apenas no momento do assassinato.

Ressler continuou em seu perfil dizendo que o agressor não tinha mais do que o ensino médio. Ele provavelmente era empregado em um trabalho que exigia poucos conhecimentos. Embora o crime tenha sido planejado antecipadamente, parecia que o assassino não completara todos os passos, como se apenas uma parte de sua fantasia fosse trabalhada, o que mostrava pouca inteligência e pouca experiência. Apesar de o crime parecer ter conotação sexual, mas sem penetração, era provável que o autor cometera o crime guiado por fantasias. Ele provavelmente era solteiro e tinha algum problema de desequilíbrio mental ou emocional, que fez parte de toda sua vida. Apesar de não estar claro de que maneira, ele era um desviante.

Em termos do que procurar, Robert pensou que, havendo a possibilidade de que Danny Joe fora mantido refém em algum lugar por alguns dias, o criminoso poderia ter perdido alguns dias de trabalho, caso ele fosse um empregado. “Esta última característica eu sugeri devido às minhas entrevistas com assassinos. Muitos, como Berkowitz, me disseram que o exato momento em torno do assassinato é muito importante para eles, para que eles possam se ausentar antes e depois de suas rotinas.”, escreve Ressler. Além disso, o criminoso pode tentar entrar na investigação, supostamente para ajudar, mas, na verdade, à procura de informações. Neste caso, se um desenho for feito, deve ser mantido apenas entre os envolvidos na investigação.

O fato de ele ter cometido o sequestro nas primeiras horas da manhã sugeria que o assassino poderia ter passado a noite anterior bebendo. Abuso de álcool pode ter lhe dado poderes para cometer o crime. Ressler achou que o criminoso considerara a possibilidade de desmembrar o corpo, mas decidiu apenas descartá-lo. Seu assassinato parecia hesitante e espontâneo, ao contrário de um assassinato bem planejado. O assassino também infligira alguns ferimentos incomuns na perna e no ombro da vítima, possivelmente para esconder marcas de mordidas.

Ressler compartilhou suas ideias sentado numa mesa redonda com o grupo de investigadores locais. Ele indicou que o criminoso era, provavelmente, um solitário com tendências homossexuais latentes que trabalhou em algum lugar com crianças – talvez um treinador ou líder escoteiro. Ele não acreditava que o homem fosse um serial killer.

A força tarefa colocou policiais para vigiar o local do crime caso o assassino pudesse voltar para reviver o episódio. O telefonema de um homem para a casa da mãe da vítima perguntando se Danny Joe poderia sair para brincar não pode ser rastreado. Um suspeito, apelidado de Alvin, chegou a ser preso, mas Ressler não acreditou que ele fosse o assassino. Semanas se passaram e, apesar do trabalho árduo da polícia local, ninguém foi preso. A esperança tornou-se sinônimo de temor, pois, quem quer que fosse, a única esperança da polícia era de que ele atacasse novamente.

Dois meses e meio depois, os temores se concretizaram. Christopher Walden, 12 anos, desapareceu em 2 de Dezembro de 1983. Dessa vez, duas testemunhas o viram entrar no carro de um homem branco. Dois dias depois, seu corpo foi encontrado numa densa área florestal a oito quilômetros da cidade. Ele estava vestido apenas de cueca e fora selvagemente morto. Esfaqueado múltiplas vezes, Christopher quase teve a cabeça decepada. Havia também uma horrenda marca em seu tronco (uma espécie de figura esculpida a faca). Alguns diziam ser uma estrela, outros que lembrava uma planta. Clique no link abaixo e veja por vocês mesmo.

Foto1

Se fosse o mesmo assassino, estava claro que sua violência havia aumentado. Após um exame, verificou-se que não houve penetração sexual. Ressler foi contatado novamente. John Evans disse a ele que outro garoto havia sido sequestrado e assassinado na área. Quando Robert comparou os crimes, ele viu que os meninos tinham altura e corpo semelhantes, e isso, a aparência, pode ter sido um fator para atrair o assassino. Ressler revisou seu perfil e disse que o assassino estava na casa dos vinte anos e que não era muito grande. Ambos os garotos foram sequestrados e levados em um veículo. Ambos foram forçados a se despir, e, mesmo assim, não foram estuprados. Ressler viu isso como uma espécie de “raiva de um assassino com ele mesmo” e uma negação de sua própria homossexualidade. Em seu livro, Robert diz que conversou com um investigador e disse que o criminoso poderia ser um recruta que faz trabalho mecânico, não intelectual. Ele reiterou que ele poderia estar envolvido em alguma ocupação que lidasse com crianças.

Mas existiam diferenças. Ressler acreditava que Danny Joe havia sido mantido em cativeiro e depois morto. Já Christopher parecia ter sido levado e assassinado imediatamente. Danny Joe foi deixado em um lugar bastante visível, perto de uma estrada. Já o corpo de Christopher foi melhor escondido. O vestuário do primeiro foi levado, já o do segundo foi empilhado ao lado do corpo. Danny Joe havia sido amarrado com corda e fita, Christopher não.

Ressler e Evans decidiram dizer para a imprensa alertar pais e crianças sobre um homem emboscando pré-adolescentes ao redor de escolas e igrejas – qualquer lugar que crianças poderiam se concentrar. E graças ao alerta do FBI, em 11 de Janeiro de 1984, a funcionária de uma escola para crianças ligou para a polícia para alertar sobre um homem branco dirigindo em volta do colégio. Ela anotou a placa e informou aos policiais. De quem era o carro? John Joubert, 20 anos, recruta da Base da Força Aérea de Offutt.

Robert Ressler - O Homem que Entendia Serial Killers - John Joubert

Na foto: John Joubert.

A comparação do perfil de Ressler a Joubert mostrou inúmeros acertos. Joubert estava na casa dos vinte anos, era sexualmente perturbado, era um recruta que trabalhava com radar, era baixo (1.70m e esguio) e bom com as mãos. Ele também trabalhava com crianças – era assistente de um líder escoteiro local, o que lhe dava acesso a garotos.

Para Robert, Joubert tinha transtorno compulsivo-obsessivo, era sadista e sofria de desordem da personalidade esquizóide. Isso significava que ele tinha crenças estranhas, mas não era psicótico. Joubert culpou sua mãe por muitos de seus problemas de infância e desenvolveu uma abordagem ritualizada dos seus crimes. Ressler e outros especialistas concluíram que ele sabia o que estava fazendo e que tinha um certo grau de controle sobre o seu comportamento. Ele não estava em estado psicótico durante seus crimes, portanto, não poderia ser considerado insano.

A história de Ressler e John Joubert não terminou quando ele foi preso pelos dois assassinatos no Nebraska. Em meados de 1984, Robert dava aulas para policiais do Oregon quando mostrou slides do caso Joubert. Um dos policiais que assistia à aula viu semelhanças entre o caso e um crime não resolvido de Portland. E foi aí que uma terceira vítima, Richard Stetson, 11 anos, desaparecido em 22 de Agosto de 1982, entrou na lista de Joubert.

Após os processos legais contra Joubert terem terminado, Ressler e outro agente foram até o presídio entrevistá-lo como parte dos estudos conduzidos pela Unidade de Ciência do Comportamento. Ele viu que Joubert, agora com 28 anos, passava seu tempo desenhando em papel de seda suas fantasias sobre violência contra garotos. “Uma mostrava um menino ao lado da estrada, amarrado feito um animal; o segundo desenho era de um garoto de joelhos e um homem deslizando uma faca sobre ele.”, diz Ressler.

Joubert não queria falar, mas deu informações úteis sobre as tensões que havia experimentado antes de começar a ter tais fantasias violentas, e antes de começar a matar. Em dois casos, ele perdera amigos próximos, o que o deixou bastante frustrado e confuso. Isso confirmou a impressão de Ressler de que o estresse é um instrumento no desenvolvimento da violência. Quando Ressler perguntou sobre morder, Joubert explicou suas fantasias de canibalismo que vinham desde a infância. Ele tentou apagar as mordidas cortando as carnes das vítimas. Ele admitiu sentir-se excitado ao ler revistas policiais e aprendeu com elas o que fazer para não ser detectado. Os meninos que o atraíam eram os que se assemelhavam com ele na idade em que começou a ter interesse por outros garotos. De certo modo, ao assassinar os três garotos, Joubert estava matando a si mesmo, matando o que mais lhe envergonhava, a homossexualidade. Como um favor, Joubert solicitou um conjunto de fotos das cena dos crimes, favor que Ressler negou. John Joseph Joubert IV, 33 anos, foi eletrocutado em 17 de Julho de 1996.

Robert Ressler - o homem que entendia serial killers - J Joubert

Na foto: John Joubert, um mês antes de ser eletrocutado. Foto: Crime Library.

Ressler permaneceu na Unidade de Ciência do Comportamento durante 16 de seus 20 anos no FBI, se aposentando em Agosto de 1990. Nesses 16 anos, ele introduziu vários programas que contribuíram para o desenvolvimento do Centro Nacional para Análise de Crimes Violentos. Em 1985, se tornou o primeiro Gerente do VICAP (The Violent Criminal Apprehension Program – Programa de Captura de Criminosos Violentos) – sistema que teve seu desenvolvimento apressado após Robert entrevistar Ted Bundy, que, inclusive, pediu para que o profiler o deixasse fazer parte da Unidade de Ciência do Comportamento, ajudando na psicologia de serial killers. O conceito por trás do VICAP era coletar informação sobre homicídios resolvidos ou não, especificamente aqueles que eram seriais, aleatórios e/ou envolvendo sequestro. O banco de dados também incluía informações sobre pessoas desaparecidas onde existia grande suspeita de crimes bárbaros e cadáveres não identificados cuja causa da morte parecia ser homicídio. Agências locais e internacionais poderiam se conectar a um crescente banco de dados e fornecer mais informações ou utilizar as informações armazenadas para ajudar a solucionar seus próprios crimes.

Após a aposentadoria, Ressler passou a dirigir o Serviço Internacional Forense de Comportamento, contribuindo e sendo co-autor de vários livros, incluindo Sexual Homicide: Patterns and Motives (1988), The Crime Classification Manual (1992), Whoever Fights Monsters (1992), Justice is Served (1994), e I have Lived in the Monster (1997). Suas especialidades incluíam:

  1. Perfis de personalidades criminais;
  2. Agressões sexuais;
  3. Avaliação de ameaças;
  4. Análise de cenas do crime;
  5. Negociações com Reféns.

Na defesa do canibal

“Jeffrey Dahmer me pegou, eu fiquei intrigado. Ele me fez rever todo meu conhecimento de profiling. Ele parecia tão normal. Seu caso foi especial, ele me convidou para entrar em sua mente.”.

[Robert Ressler]

Logo depois de se aposentar, em 1992, o profiler fez algo até então inimaginável. Embora colegas o tenham criticado, Ressler serviu como um perito na defesa do serial killer canibal Jeffrey Dahmer. Jeffrey era um enigma. Vivendo em um apartamento em Milwaukee, seu nome apareceu como um tsunami para o público em Julho de 1991, quando um homem chamado Tracy Edwards correu pela vida nas ruas da cidade com algemas nas mãos. Para a polícia ele contou que um homem louco o tentara matar. Edwards levou os policiais até o apartamento 213 do edifício Oxford e o que se seguiu foi um verdadeiro pesadelo. O cheiro nauseante que os policiais sentiram naquele lugar parecia indicar o horror. Uma olhada mais aguçada dentro do apartamento revelou cabeças humanas, intestinos, corações e rins armazenados no freezer. Mas não era tudo. Ossos e pedaços decompostos de corpos humanos estavam dispostos por toda parte. Fotografias mostravam corpos mutilados; clorofórmio, serras elétricas, um barril de ácido e formaldeído contam o resto da história. No total, os investigadores encontraram os restos de 11 homens. Dahmer confessou e acrescentou mais seis à lista.

Seu primeiro assassinato ocorreu quando ele tinha 18 anos. Sentindo-se sozinho na casa de sua família, ele conheceu o adolescente Steven Hicks, que pedia carona numa estrada, e o levou para casa. Eles beberam e, quando Hicks quis ir embora, Dahmer bateu com um haltere em sua cabeça. ”Eu não sabia mais como mantê-lo lá.”, contou ele a Robert durante suas nove horas de entrevistas. Dahmer rapidamente descobriu que ficava excitado mantendo outros seres humanos em cativeiro e, quando ele cortou o corpo de Hicks em pedaços para descartá-lo, ficou mais excitado ainda.

Tempos depois, quando Dahmer morava com sua avó, começou a pegar homens e levar para casa. Lá ele os drogava e os estrangulava, depois fazia sexo com o cadáver e os desmembrava. Em alguns casos ele não se lembrava do ocorrido e acreditava ter espancado as vítimas até a morte num estado de embriaguês. Então ele mudou para o seu próprio apartamento e seguiu suas compulsões com mais regularidade. Em um esforço para criar escravos parecidos com zumbis, um estágio mental compatível a alguém sem intelecto, ele experimentou fazer furos nas cabeças de suas vítimas inconscientes com uma furadeira e injetar ácido ou água fervendo em seus crânios (um homem realmente saiu pela porta, sem raciocinar, mas logo retornou). Para Ressler, ele disse que tentou cortar as faces de suas vítimas para fazer máscaras, mas não foi capaz de conservá-las corretamente.

Quando o advogado de defesa solicitou sua opinião, Ressler deixou claro que, enquanto estivesse livre para trabalhar para ambos os lados de um determinado caso, não aceitaria um que o deixasse desconfortável.

“O acordo que eu tinha com Gerry Boyle (advogado de Dahmer) era que ele não tentaria salvar o pescoço de Dahmer e devolvê-lo livre para a sociedade. O melhor que poderia acontecer era Jeffrey passar o resto de sua vida numa instituição para doentes mentais. Na verdade, se ele se curasse lá, Boyle retardaria o julgamento de alguns dos homicídios onde Dahmer poderia ser considerado normal, para que, se fosse libertado, tivesse de voltar ao tribunal e ser processado pelos outros casos. Foi uma defesa infalível, que serviu aos interesses de Dahmer como uma pessoa mentalmente doente e ao mesmo tempo serviu aos interesses da sociedade. Então fiquei com ele, porque no final de seus assassinatos, acreditei que ele estava mentalmente doente, coisa que ele não estava no início. Ao longo de seus 17 homicídios, ele mostrou um desequilíbrio do seu estado mental. Ele era organizado no início e tornou-se desorganizado no final. Com isso em mente, a minha tarefa foi entrevistá-lo longamente e dar a Boyle um relatório. Valeu muito a pena, pois aprendi mais sobre este tipo de comportamento.”.

[Robert Ressler]

Robert Ressler - O Homem que Entendia Serial Killers - Ressler e Dahmer

Na foto: Robert Ressler e Jeffrey Dahmer.

Ao final dos dois dias de entrevistas com Dahmer, Ressler concluiu que o serial killer era tanto organizado como desorganizado e sofria de dissociação, um estado agudo de “descompensação mental”. “Era como se existisse dois Jeffs”, diz Ressler no documentário The Man Who Lives with Monsters. O profiler sugeriu que Dahmer sabia o que estava fazendo, mas devido à sua natureza desorganizada, ele realmente não podia compreender seus atos num sentido geral. Ele acreditava que o serial killer deveria passar o resto de sua vida numa instituição mental, visão não compartilhada pelo júri que o condenou a 15 perpétuas. Ressler diz em seu livro autobiográfico que Dahmer era diferente de todos os outros serial killers que já havia entrevistado e que ele poderia fazer parte de uma “nova raça” de serial killers. Ele viu em Jeffrey inúmeros comportamentos desviantes, muito mais do que em qualquer outro.

Dahmer foi morto na prisão por outro preso, Christopher Scarver e, segundo Ressler, ambos não pertenciam àquele lugar. Dahmer e Scarver deveriam ter sido colocados em uma instituição mental e não ido para uma prisão comum.

“Eu senti empatia pela pessoa atormentada e distorcida que se sentou diante de mim.”.

[Robert Ressler]

Investigador Internacional

Mesmo quando Ressler ampliava sua experiência a nível nacional, como no caso Dahmer, ele também era chamado para casos no exterior. Um que ele se lembra muito bem foi de um serial killer cuja violência ultrapassou muitos dos assassinos mais notórios nos EUA. Entre Julho e Outubro de 1994, 15 corpos de mulheres na casa dos 20 anos foram encontrados na África do Sul, próximos do subúrbio de Cleveland em Pretória-Johannesburgo. Todas elas tinham sido estupradas e estranguladas, todas estavam expostas abertamente, e o assassino retirado itens pessoais da cena. A maioria das vítimas eram viajantes, desempregadas ou estudantes. Um homem foi identificado como sendo o criminoso, porém, quando mais 15 corpos apareceram no ano seguinte em outro subúrbio afastado, Atteridgeville, estava claro que o real assassino ainda estava à solta. Sete meses mais tarde, um outro esconderijo de corpos foi descoberto próximo a Boksburg com o mesmo modus operandi, com a diferença de que todos os corpos foram desovados juntos, próximos dos outros. Os três grupos de vítimas chegaram a ser apelidados de assassinatos ABC, devido as áreas em que foram encontrados (Atteridgeville, Boksburg e Cleveland).

Chegando ao continente africano, Ressler teve a companhia de Micki Pistorius, a primeira profiler da África do Sul e tia de Oscar Pistorius, o herói olímpico que foi acusado de assassinar a namorada em 2013 e que atualmente está no foco da mídia mundial devido ao seu julgamento.

“Eles tinham mais de quarenta homicídios que acreditavam estarem conectados. Havia uma psicóloga chamada Micki Pistorius que estava trabalhando como voluntária junto ao serviço de polícia da África do Sul. Uma vez que eles não tinham experiência em múltiplos homicídios violentos, ela se interessou em me trazer. Desde que o apartheid terminara, havia uma certa falta de controle da polícia, pois eles estavam recuando de sua postura opressiva, e depois de anos de opressão, algumas pessoas colocam as manguinhas pra fora. A taxa de assassinatos deles tinha ultrapassado a dos EUA e olha que nós tínhamos uma das mais altas do mundo. Então eles me levaram para trabalhar no que viria a ser uma série de 43 assassinatos documentados cometidos por uma pessoa.”.

[Robert Ressler]

Uma das primeiras coisas que Robert e sua força tarefa recém treinada fizeram foi retornar às cenas do crime para ver o que eles poderiam determinar sobre o comportamento do assassino. Ficou claro que ele (ou eles) havia retornado aos locais. Também existiam evidências, de uma cena de crime para outra, de escalonamento e desenvolvimento de competências. Ressler deduziu que o criminoso era familiarizado com as áreas, havia realizado vigilância prévia e, também, tornara-se arrogante. Ele também, provavelmente, atraía as vítimas ao invés de atacá-las de surpresa.

O perfil resultante foi bastante detalhado. O criminoso era negro, proprietário de um veículo, parecia estar bem de vida, era jovem e tinha um forte desejo sexual. Ressler acreditava que ele logo estaria contatando a polícia ou os jornais, o que de fato ele fez. Em uma ligação anônima, o serial killer contou que estava cometendo os assassinatos porque foi falsamente acusado de estupro e sua estadia na prisão o transformara em um assassino. Segundo ele, as mulheres que ele matava eram o reflexo da mulher que falsamente o acusou de estupro.

Robert Ressler - o homem que entendia serial killers - Vitima do serial killer

Na foto: Vítima do serial killer. Foto: Biography Channel.

Robert Ressler - o homem que entendia serial killers - Vitima do serial killer -

Na foto: Vítima do serial killer. Foto: Biography Channel.

“Nós colocamos alguns dos princípios básicos e ele foi pego, de modo que foi um sucesso”.

[Robert Ressler]

E ele era Moses Sithole, 31 anos de idade. Crescido num lar sem pai, Sitholes foi abandonado pela mãe numa delegacia de polícia e passou três anos num orfanato de onde fugiu. Como identificado por Ressler, é muito comum na infância de serial killers a figura do pai ausente. Em adição, a rejeição da mãe deixou profundas marcas no jovem Sitholes, e isso provavelmente iniciou seu ressentimento e ódio contra mulheres. Ressler gosta de citar este caso em seus livros por um detalhe interessante. Patrick, irmão de Sitholes, não escolheu o lado errado da vida, ao contrário, cresceu e tornou-se um homem bem sucedido de acordo com os padrões sul-africanos. Como diz Ressler, o ambiente social é apenas uma parte do todo.

A nova geração

Durante os anos de 1990 e 2000, Ressler continuou a dar workshops em criminologia; trabalhou como perito e introduziu o sistema VICAP em outros países, incluindo Japão, África do Sul e Polônia. Enquanto Robert era consultado em casos como o do serial killer sul-africano e das mulheres mortas em Juarez, ele também trabalhava duro para reduzir o buraco entre a psiquiatria e aplicação da lei. Para isso, ele convidou dois especialistas para a empresa que criou, a FBS International. Ressler os chamava de “a nova geração” de profilers e é claro que eles trouxeram uma nova perspectiva. Eles eram Thomas Muller, Chefe do Serviço de Psicologia Criminal do Ministério Federal Austríaco do Interior, e Christie Kokonos, uma psicóloga forense americana.

Robert Ressler - o homem que entendia serial killers - Thomas Muller

Thomas Muller (foto) fora treinado na Polícia Federal austríaca e era ex-membro da Swat. Após se graduar em psicologia, tornou-se um especialista em negociação com reféns, psicologia criminal anormal, perfis criminais e avaliação de ameaças. Criou o serviço de Psicologia Criminal da Áustria e tornou-se um dos mais conhecidos profilers europeus, tendo trabalhado em casos como o do canibal alemão Armin Meiwes e do sequestrador austríaco Josef Fritzl. Além disso, trabalhou em conjunto com Ressler para treinar especialistas na Polônia, Alemanha, África do Sul e Reino Unido.

Christie Kokonos, uma especialista em rapto, homicídio, estupro, suicídio e fatalidades autoeróticas, era conhecida por realizar pesquisas abordando interdisciplinarmente a ciência forense, através da integração de técnicas de investigação e pesquisa psicológica. Atualmente trabalha em avaliações psicológicas de presos que pedem liberdade condicional e também em avaliações de risco de agressores sexuais violentos na prisão estadual de Riverfront, em Camden, Nova Jersey.

O projeto original do FBI em estudar criminosos violentos tinha como objetivo compreender as estruturas da fantasia que motivavam o assassino serial e sexual. Ressler e seus novos associados, Muller e Kokonos, continuaram a examinar este fenômeno com a inclusão dos insights (reconhecimento do próprio paciente de que alguma coisa estranha se passa com ele) da psicologia com a esperança de desenvolver um corpo de conhecimento mais padronizado. Durante anos, Ressler deu palestras para grupos de psicólogos explicando o sistema do FBI numa tentativa de incentivar profissionais a trabalhar com ele. Ressler queria derrubar a barreira que separava psicólogos e psiquiatras dos aplicadores da lei, como o FBI, por exemplo.

“Os analistas originais que vieram da ciência comportamental trabalhavam em Quantico e isso foi se espalhando do campo da aplicação da lei para o campo acadêmico. Ideias trazidas pelo Dr. Park Dietz e outros como ele, começaram a ser disseminadas na comunidade profissional, onde a psiquiatria inicialmente estava em desacordo com a abordagem do FBI. Após isso, muitos profissionais de saúde mental acompanharam essas ideias. Ao longo dos anos, a comunidade forense praticamente aceitou o que estava sendo feito em ciência comportamental e absorveu isso.”.

[Robert Ressler]

Essa aproximação foi importante porque o trabalho forense costumava ser simplesmente uma linha lateral que alguns médicos poderiam assumir, mas na maioria das vezes eles tinham pouca experiência com criminosos e cenas de crime.

“Se você voltar ao passado, nos primeiros casos criminais onde psiquiatras atuaram, você verá que eles trabalhavam apenas com teorias, ao invés de experiência. A diferença agora é que os profissionais são psiquiatras forenses em tempo integral, eles podem dedicar toda sua carreira aos aspectos forenses do negócio. Eles podem entrar numa cena de crime, analisar informações, ver fotos, entrevistar infratores, e testemunhar no tribunal. Eles agora estão mais experientes.”.

[Robert Ressler]

E uma das entusiastas deste direcionamento é a psicóloga e associada de Ressler, Christie Kokono:

“Eu sou diferente como profiler porque eu não sou da lei e, tradicionalmente, é de onde os profilers vieram. Eu sou da área de saúde mental e, normalmente, não temos acesso à aplicação da lei e ao que eles fazem. A maioria dos psicólogos nunca viu uma cena de crime ou fotos de crimes; eles não têm ideia do que se passa em uma investigação; não tem treinamento e são completamente alienados de como uma investigação se desenrola. Para fazer esse tipo de trabalho, eles precisam ser capazes de olhar para uma imagem de uma vítima e entender as lesões que veem. Muitas pessoas da área de saúde mental falham em compreender os criminosos sexuais e o papel das fantasias em seu comportamento e motivações. Então eu estou ajudando a colocar a lei e a saúde-mental juntas. Eu ajudo a educar a justiça sobre o que eles precisam para colocar em seus relatórios, por exemplo, para ajudar a manter um estuprador em série na prisão. Os policiais precisam entender o quanto é importante fazer uma entrevista completa com a vítima, a fim de colocar as coisas na ordem certa e saber como os diversos transtornos mentais correspondem a atos específicos de violência. Eles também precisam saber que existem diferentes tipos de estupradores. Compreender o que procurar é importante. Na verdade, ambos os lados precisam de treinamento para que possam determinar se os infratores são susceptíveis a reincidência, que tipo de vítima ele pode escolher, e se eles podem começar a ramificar-se. Psicologia e aplicação da lei precisam trabalhar juntas. É o momento certo para fazer isso.”.

Enquanto esteve com Ressler, Kokonos viu nele habilidades de supervisão e ensino. Em um incidente, como um teste, eles fizeram seus perfis separadamente e, em seguida, os compararam.

“Nós trabalhávamos em um caso de agressão sexual e assassinato no norte da Pensilvânia. Uma garotinha, de 11 anos, foi sequestrada após deixar uma festa de Halloween. Ela caminhava para casa com outra garota, mas a poucos quarteirões de sua casa elas tomaram caminhos diferentes. Uma testemunha realmente viu quando ela descia a rua e em seguida viu um homem saindo de uma rua lateral. Ele agarrou a garota, a jogou em um carro, e foi embora antes que alguém pudesse chegar. Isto foi numa quarta-feira. Na quinta-feira eles encontraram uma peça de roupa dela e na manhã de sexta-feira a encontraram. Nós acreditávamos que ela não tinha sido morta até a noite de quinta-feira, portanto, o homem que a sequestrou a tinha mantido viva por um período de tempo. Isso é incomum, e eu pensei que era provável que ele repetiria e que, no passado, poderia ter feito algo sexualmente desviante. Eu estudei todas as informações da cena do crime e escrevi meu perfil. Enviei para o Sr. Ressler as fotos e os relatórios e então enviei o meu perfil em um envelope lacrado. Eu tinha um encontro em sua casa com a Polícia Estadual e quando nós chegamos lá, ele deu a polícia sua versão de como ele pensava que o agressor era e então ele abriu meu envelope. Ele leu e disse: ‘Você leu minha mente?”

Para Kokonos, este foi um momento gratificante, em grande parte porque ela viu seu desenvolvimento como profissional, analisando os detalhes de um crime e traçando um perfil.

O trabalho de Ressler pode ser visto hoje nas ações que visam a troca de conhecimento entre aplicadores da lei e profissionais da saúde mental. Muitos profissionais da lei são treinados em psicologia e muitos psicólogos interessados no campo forense estão obtendo uma melhor compreensão de crimes e suas cenas. Como disse Kokono, juntar as duas disciplinas é fundamental para melhorar as técnicas de avaliação de perfis.

Infelizmente, o grandioso trabalho de Robert Ressler foi interrompido em 5 de maio de 2013. Neste dia, Ressler, 76 anos, faleceu em decorrência de complicações do Mal de Parkinson.

Hoje, o FBI emprega equipes de agentes que fazem o que Robert e seus colegas da Unidade de Ciência do Comportamento começaram a 40 anos atrás. Seu legado, não só para investigadores e profilers, mas para o mundo, é inestimável. Seu trabalho inovador juntamente com a abordagem única na compreensão de criminosos violentos abriu a porta para autoridades de vários países ao redor do mundo organizar e desenvolver suas próprias agências com seus próprios profilers. Ressler compartilhou seu conhecimento através de numerosos livros e artigos, mas o mais importante, em um nível humano, o trabalho de sua vida ajudou a suavizar as feridas deixadas nas famílias que foram vítimas de criminosos violentos. Ressler é um verdadeiro herói, um herói da vida real que ajudou milhares de pessoas a não se tornarem vítimas de homens cruéis. Para os que aprenderam e seguiram seus passos, é um mentor e professor extraordinário.

Robert Ressler - o homem que entendia serial killers - Lecter

No campo das artes, seu trabalho contribuiu para mudar a história do cinema e entretenimento. Quando Thomas Harris visitou a Unidade de Ciência do Comportamento e conversou com Robert Ressler com objetivo de escrever O Silêncio dos Inocentes não sabia que décadas depois o impacto do seu livro faria florescer todo um nicho de filmes e séries de TV. Seven – Os Sete Pecados Capitais, Dexter, CSI, Law & Order, The Following, e tantas outras não me deixa mentir. Podemos dizer que Ressler realizou um trabalho de consultoria para O Silêncio dos Inocentes e está presente no livro na figura de Jack Crawford, o personagem que é o diretor da Unidade de Ciência do Comportamento. O Agente Fox Mulder, personagem principal de uma das mais bem sucedidas séries de TV da história americana, Arquivo-X, foi totalmente baseado em Ressler, basta ver o perfil do personagem: “…psicólogo formado em Harvard; cooptado para a Unidade de Ciência do Comportamento onde especializou-se em traçar perfis de assassinos em série (profiling psicológico); designado para a Unidade de Crimes Violentos em 1988…” Arquivo-X serviu de inspiração para Lost, Fringe, Supernatural, Bones, e tantas outras séries que vieram em seu rastro.

Apesar da fama e reputação bem merecida, Ressler sempre se colocou à disposição daqueles que precisavam de sua ajuda. Seu trabalho pelo mundo ajudando autoridades é um exemplo. Humilde, deixou lições, duas delas são: nunca deixamos de aprender e, não é feio pedir ajuda, mesmo que você seja considerado o melhor no que faz.

Livros

Robert Ressler - o homem que entendia serial killers - Whoever Fights Monsters

Título: Whoever Fights Monsters – My Twenty Years Tracking Serial Killers for the FBI

Título traduzido: Aquele que Luta com Monstros – Meus Vinte Anos Rastreando Serial Killers para o FBI

Autor: Robert Kenneth Ressler

Lançamento: 1992

O Livro: Relato perspicaz e bastante informativo dos vinte anos de carreira no FBI e do desenvolvimento do Programa de Captura de Criminosos Violentos (VICAP). Numerosas entrevistas de Ressler com assassinos confessos (dentre eles David Berkowitz, Ed Kemper e Ted Bundy) estão presentes no livro. Vemos que o uso de princípios de ciência do comportamento e os muitos anos de experiência como detetive dão a ele uma excepcional habilidade para “ler” uma cena de crime e desenvolver um perfil criminal do agressor. Seu envolvimento em múltiplas investigações de serial killers dão a nós, leitores, uma visão de dentro do trabalho da polícia.

Robert Ressler - o homem que entendia serial killers - I have lived in the Monster

Título: I Have Lived in the Monster: Inside the Minds of the World’s Most Notorious Serial Killers

Título traduzido: Eu Tenho Vivido no Monstro: Por dentro das Mentes dos Mais Notórios Serial Killers do Mundo

Autor: Robert Kenneth Ressler e Tom Shachtman

Lançamento: 1998

O Livro: Um mergulho profundo dentro da mente criminal. Ressler fala sobre seus anos pós-FBI, recontando seu trabalho como profiler criminal independente em alguns dos mais famosos casos de assassinatos em série de nossa época. Engenhosamente juntando pistas de cenas de crimes com padrões e métodos de matança, Ressler explica sua tarefa no auxílio em investigações de casos internacionais como o assassinato de Wimbledon Common na Inglaterra, os assassinatos ABC na África do Sul, e o gás venenoso no metrô do Japão, em 1995. Testemunhamos também a fascinação de Ressler por serial killers; entrevistas profundas com John Wayne Gacy, além de uma discussão surpreendentemente sincera com o assassino canibal Jeffrey Dahmer. O livro é ousado na tentativa de compreender as mentes depravadas dos serial killers. Robert Ressler mostra que isto é tão fascinante quanto chocante.

Robert Ressler - o homem que entendia serial killers - Justice is Served

Título: Justice is Served

Título traduzido: Seja Feita a Justiça

Autor: Robert Kenneth Ressler e Tom Shachtman

Lançamento: 1994

Páginas: 220

O Livro: Antes de caçar serial killers e de entrar para a Unidade de Ciência do Comportamento em 1974, Robert Ressler, então agente especial do FBI lotado em Cleveland, ficou frente a frente com um caso de assassinato que poderia muito bem virar filme. Neste livro, Ressler conta a história real de como ele direcionou seus esforços para provar que o juiz de Cleveland Robert Steele foi culpado de organizar o assassinato de sua esposa Marlene em 1969. A investigação de Ressler leva a políticos, prostitutas, cafetões, jogadores e assassinos, todos em um mundo de ganância, sexo pago e traições.

Robert Ressler - o homem que entendia serial killers - Sexual Homicide - Patterns and Motives

Título: Sexual Homicide – Patterns and Motives

Título traduzido: Homicídio Sexual – Padrões e Motivos

Autor: Robert Kenneth Ressler, Ann Burguess e John Douglas

Lançamento: 1988

O Livro: Este livro-referência apresenta dados, descobertas e as implicações do longo estudo patrocinado pelo FBI sobre serial killers. As lendas do FBI Robert Ressler, Ann Burguess e John Douglas apresentam suas conclusões das entrevistas com trinta e seis assassinos sexuais confessos e encarcerados. O estudo ajudou a construir um novo e valoroso banco de informações escancarando o assassino sexual serial em detalhes quantitativos e qualitativos. Além das extensas entrevistas com autores de crimes, outros tipos de dados foram obtidos de consultórios psiquiátricos e registros criminais, transcrições de crimes e relatórios de prisões. Este livro é indispensável para quem deseja seguir carreira de psicólogo criminal, criminologista, e áreas correlatas.

Robert Ressler - o homem que entendia serial killers - Crime Classification Manual

Título: Crime Classification Manual

Título traduzido: Manual de Classificação de Crimes

Autor: John Douglas, Ann Burguess, Allen Burguess, Robert Ressler

Publicação: Terceira edição publicada em 2013

Páginas: 566

O Livro: Excelente livro que classifica os três principais tipos de crimes violentos, incêndios, e agressão sexual baseada na motivação do agressor e padronização. O livro consumiu dez anos de pesquisas e o trabalho constitui a base da investigação contemporânea do profiling. A obra fornece a policiais e outros agentes da lei, assim como profissionais da área da saúde mental, acesso à mesma informação usada pelo FBI para coordenar suas investigações de crimes hediondos. Também indispensável.

Download: Faça o download do livro clicando neste link.



Fontes consultadas: College of Saint Benedict Saint John’s University; Schechter, Harold (Serial Killers – Anatomia do Mal); Ressler K., Robert (Whoever Fights Monsters); Crime Library; Forensic Behavioral Services International (FBS) – disponível em fbsinternational.com; Fredericksburg; Robert Ressler – The Man Who Lives with Monsters; murders.ru.

Esta matéria teve colaboração de:

wendel

Psicóloga forense

Revisão por:

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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
Deixe o seu comentario:
  • Raquel

    Matéria espetacular, já tinha ouvido falar em Robert Ressler e sua trajetória, apesar de não ter tido acesso a material tão vasto e bem escrito, até agora. Dá pra sentir sua angustia ao ficar sozinho com um assassino condenado que não tinha mais nada a perder e me impressionou a forma como ele conduziu o trabalho com Jeffrey Dahmer, acredito que todas as minha curiosidades serão sanadas com os livros citados, vou procurar. Uma pergunta: estou lendo todo o blog aos poucos e notei que a matéria sobre o Canibal de Milwaukee é uma das mais completas e com muito material em vídeo e fotos, é impressionante lê-la até o fim; Gostaria de saber se tem matérias completas sobre o Canibal de Rotenburg, Ed Kemper, Ted Bundy e demais citados no texto sobre Robert Ressler. Mais uma vez O Aprendiz me deixa o dia todo presa na cadeira, (lendo em doses homeopáticas para dar tempo de outras atividades). Abraços

    • http://www.oaprendizverde.com.br/ O Aprendiz Verde

      Obrigado Raquel. Matérias completas sobre estes que citou não temos, mas temos sobre vários outros. Como você deve ter observado, produzir tais matérias não é nada fácil, daí a falta de tantos nomes por aqui. Pra se ter uma ideia, essa matéria do Ressler vinha sendo feita desde seu falecimento em maio de 2013 e só foi finalizada agora. Há centenas de nomes, mas o tempo é curto. Aos poucos vamos escrevendo sobre eles. Abraços!

      • Raquel

        Claro que sei Aprendiz, eu não conseguiria escrever sobre tanta gente assim, por este motivo admiro seu trabalho. Vou continuar lendo e aprendendo com o blog. Abraços mil.

  • Jocastro

    Showww…

  • Julie

    Incrível. Adoro como as matérias daqui são bem completas e esclarecem coisas sobre eles que não encontramos em outros sites.
    Estão de parabéns.

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  • Rub.88

    Pesquisando sobre Richard Speck encontrei essa materia e me surpreendi que as informações no começo do texto se parecem muito com livro 2666 do escritor chileno Roberto Bolaño que nem sabia que tinha sido expirado em fatos reais. No romance fica em suspenso quem estava por traz da maioria dos assassinatos. O seu post complementou a estoria do livro…

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