Onde está o serial killer de Long Island?

"Ele é aquele que ri quando um gato é atropelado ou uma criança cai de sua bicicleta. Ele gosta do sofrimento dos outros."
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Onde Está o Serial Killer de Long Island - Capa

Na foto: Shannan Gilbert, uma suposta vítima do serial killer de Long Island. Desaparecida em Maio de 2010, em sua busca a polícia americana se deparou com o cemitério de um serial killer. Foto: Reprodução Internet.

O que aconteceu com o chamado Serial Killer de Long Island que aterrorizou a cidade de Nova Iorque três anos atrás? Se você é um leitor antigo deste blog, certamente lembra dos 10 corpos, incluindo pelo menos seis prostitutas, alguns desmembrados, que foram descobertos na Costa Sul de Long Island, Nova Iorque, entre Dezembro de 2010 e Abril de 2011.

Acredita-se que os assassinatos foram obra do ainda não identificado serial killer de Long Island (também chamado pela mídia de Assassino do Craiglist e Assassino de Gilgo Beach), que, baseado nas análises forenses dos restos mortais das vítimas, pode ter começado a matar há 15 anos atrás.

É bem possível que o serial liller de Long Island possa ter deixado Nova Iorque desde que o seu cemitério em Gilgo Beach foi descoberto pelas autoridades em 2010. E isso é bastante coerente com o perfil criminal desenvolvido por especialistas em psicologia forense.

O profiling de serial killers identifica as principais características da personalidade e comportamento de um suspeito com base nas características do crime, visando traçar um perfil psicológico e social, reduzindo assim o espectro de investigação. Embora não seja uma ciência exata, já é bem estabelecida entre criminologistas e investigadores profissionais, especialmente o FBI, sendo uma ótima ferramenta forense dentre muitas que são utilizadas na investigação de um crime. Em seu blog pessoal no Psychology Today, o professor de criminologia da Universidade Drew, Scott Bonn, diz que no vernáculo do profiling, este desconhecido serial killer de seis jovens e brancas prostitutas, e de outras quatro vítimas ainda não identificadas, incluindo um bebê do sexo feminino e um jovem asiático (acredita-se ser um travesti), todos descartados em Long Island, é um assassino “organizado”.

A tipologia que classifica os agressores em organizado e desorganizado foi desenvolvida pelo FBI e pode ser particularmente útil, sobretudo quando o crime em questão envolve o sexo como motivo primário (violação, agressão sexual, necrofilia e mutilação), o que claramente é o caso do serial killer de Long Island. A classificação desorganizado/organizado foi pioneira e – apesar de não ter um substrato teórico muito forte – basicamente veio para diferenciar características patológicas do ofensor com base na cena do crime.

Podemos facilmente correlacionar assassinos do tipo organizado com o comportamento padrão de um psicopata. Do outro lado, o tipo desorganizado reflete os comportamentos típicos de um sujeito com outra patologia, como, por exemplo, psicose; a desorganização pode até mesmo ser um reflexo da juventude do ofensor, da falta de sofisticação criminal, consumo de álcool e drogas, ou de demência mental. Em nosso caso aqui, por ser extremamente organizado, é bem possível que o serial killer de Long Island seja um psicopata, do mesmo naipe de assassinos como Ted Bundy, Robert Hansen ou Robert Pickton.

Assassinos organizados tomam providências para que os corpos de suas vítimas não sejam descobertos. O serial killer de Long Island descartava suas vítimas enroladas em sacos de aniagem em áreas remotas de Long Island. Tais áreas de despejo foram um fator essencial para durante anos ele matar sem ser detectado. Em contraste a este meticuloso seria killer, o infame Jack o Estripador, que assassinou pelo menos cinco prostitutas no final do século 19 em Londres, foi um clássico maníaco homicida desorganizado, cujos crimes foram espontâneos e casuais, com ataque  súbito e violento, no local onde a vítima era apanhada desprevenida. A cena de morte era a mesma da cena do crime. O Estripador saia para as ruas e cortava a primeira mulher que tinha oportunidade e as deixava no chão para serem encontradas. Outros exemplos de serial killers desorganizados são Ed Gein e Richard Chase, não a toa ambos possuíam transtornos mentais, que iam da esquizofrenia à psicose. Muitos especialistas também acreditam que o Estripador londrino sofria de algum tipo de doença mental.

Na foto: Lynn Barthelemy olha para uma fotografia de sua filha, Melissa, cujo corpo foi encontrado em Gilgo Beach em 9 de Dezembro de 2010. Créditos: T. J. Sloan Studios.

Na foto: Lynn Barthelemy olha para uma fotografia de sua filha, Melissa, cujo corpo foi encontrado em Gilgo Beach em 9 de Dezembro de 2010. Créditos: T. J. Sloan Studios.

Os pressupostos originais do profiling partem do principio de que a cena do crime reflete a personalidade do ofensor, que o modus operandi permanece semelhante no decorrer dos crimes, que a assinatura é constante de crime para crime e que a personalidade do ofensor não muda.

O agressor organizado, como o caso do serial killer de Long Island, planeja e executa seus assassinatos com muito cuidado, fazendo dele um indivíduo muito, mas muito difícil de capturar. Após estabelecer um primeiro contato com suas vítimas através do site de anúncios e classificados Craiglist, na Internet, ele se encontra com elas em seus próprios termos, as mata, e depois transporta seus corpos para descarte ao longo da costa de Long Island.

Scott Bonn diz que com base nos princípios do profiling psicológico, o desconhecido serial killer de Long Island é um homem branco, com idade entre 20 e 40 anos. Ele provavelmente é casado ou tem uma namorada. Tem estudo, é adepto do uso de tecnologias, articulado, e pode até ser charmoso. Sua vida financeira é segura, tem um trabalho de confiança e é dono do próprio carro ou veículo maior. Como parte de seu trabalho ou interesses, ele tem acesso – ou estoca – sacos de aniagem.

“Este é alguém que pode andar numa sala e ninguém notar,” disse Scott Bonn para uma reportagem do The New York Times em 2011. “Ele tem que ser persuasivo e racional o suficiente para ser capaz de convencer essas mulheres a encontrá-lo em seus próprios termos. Ele demonstrou habilidades sociais. Ele pode até ser charmoso.”

Embora atualmente ele não more na Costa Sul de Long Island, nem mesmo nas redondezas, ele é intimamente familiarizado com a área e no passado pode ter vivido lá. Acima de tudo, ele é cuidadoso e meticuloso. Ele sabe como cobrir seus rastros.

Significativamente, este assassino pode ser transiente e, talvez, um visitante anual da Costa Sul de Long Island durante o verão. Isto é sugerido pelo fato de que todas as vítimas prostitutas identificadas, embora desaparecidas em diferentes anos, foram dadas como desaparecidas entre o Dia do Memorial (última segunda-feira de Maio) e o Dia do Trabalho (primeira segunda-feira de Setembro).

Tal padrão não é realmente surpreendente. Duas das características que definem serial killers psicopatas organizados são o comportamento repetitivo e compulsivo cíclico, e a capacidade de voltar para suas vidas aparentemente normais entre os assassinatos. Mas se ele mora na região, tal comportamento pode ser um resultado direto de sua conexão com a área.  

“Essa sazonalidade pode ser devido à sua conexão com a área, ou parte de sua fantasia e ritual. Pode ser o momento de sua esposa, filhos ou pais estarem fora de férias. Há muitas possibilidades”, disse Jim Clemente, um profiler aposentado do FBI.

Também é possível que o assassino resida em Manhattan. Sete telefonemas feitos durante um período de seis semanas, em 2009, para a irmã de Melissa Barthelemy, uma das vítimas identificadas, foram rastreados até Manhattan. O assassino usou o telefone celular de Melissa para ligar para sua irmã e insultá-la. Inteligentemente e sabendo que poderia ser rastreado, ele fez os telefonemas da Times Square, um local onde diariamente passam milhares de pessoas e cuja identificação por câmeras de segurança, por exemplo, seria praticamente impossível.

Para Jim Clemente, o fato do assassino ligar para a irmã de Melissa e insultá-la “dá uma ideia de que ele é um sadista. Isso se refletiria em seus relacionamentos e trabalhos. Ele é aquele que ri quando um gato é atropelado ou uma criança cai de sua bicicleta. Ele gosta do sofrimento dos outros, e ele realmente gosta de ver e de causar [sofrimento].”.

O serial killer de Long Island não irá parar de matar até ser finalmente preso. Ele pode estar num período de hibernação agora, entocado. Mas por outro lado, ele pode ter ser mudado para outro local, onde continua caçando vítimas. Psicopatas sexuais meticulosos como ele e Ted Bundy amam demais o ato de matar para simplesmente parar. Bundy, como você bem se lembra, cruzou os Estados Unidos para evitar sua captura e continuar a matar. O serial killer de Long Island não poderia ter feito o mesmo?

Serial killers como Bundy, Dennis Rader, e o de Long Island, são movidos por fantasias e compulsões avassaladoras. Eles anseiam pelo ato de matar e não sofrem nenhum remorso pelo mal que fazem. Já foi demonstrado clinicamente que serial killers tem seus instintos amenizados quando são apresentados a imagens visuais de brutalidade e violência extrema, ao contrário de pessoas normais que se sentem agitadas e inconfortáveis em tais circunstancias.

Pedro Alonso Lopez afirmava que o momento de satisfação final dos seus crimes era alcançado quando ele extinguia a vida de suas vítimas através do estrangulamento. Uma pessoa nesta posição, “é Deus”, ele disse. Uma vez experimentado a emoção, o serial killer de Long Island, assim como Lopez e tantos outros, não irá parar. O que podemos fazer é esperar que este psicopata desconhecido seja pego antes que uma nova vala comum seja encontrada, o que, pessoalmente, acho bastante difícil. Ele é como um Israel Keyes, com a diferença de que ainda está solto. 

Para mais detalhes sobre o Serial Killer de Long Island leia nossos posts:

“Meu palpite é que [o serial killer de Long Island] é alguém tipo um paisagista, empreiteiro ou um pescador.”

[Joel Rifkin, o mais famoso serial killer a atacar em Long Island, responsável por pelo menos 17 assassinatos de prostitutas entre 1989 e 1993]

Vídeos: Reportagens legendadas sobre o serial killer de Long Island

Fontes consultadas: [1] Bright, Careful and Sadistic: Profiling Long Island’s Mystery Serial Killer (The New York Times); [2] Scott, Bonn, Ph.D. – Long Island Serial Killer, Where Are You Now? (Psychology Today).

Esta matéria teve colaboração de:

Psicóloga forense

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