Manson: A Biografia – Top 10 Seguidores de Charles Manson

Em qualquer época que tivesse nascido, Charles Manson teria sido um homem mau. Mas as peculiares e únicas circunstâncias dos anos de 1960 deram a ele e a seus...
Top 10 Seguidores de Charles Manson

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Top 10 Seguidores de Charles Manson

Em qualquer época que tivesse nascido, Charles Manson teria sido um homem mau. Mas as peculiares e únicas circunstâncias dos anos de 1960 deram a ele e a seus crimes uma simbólica ressonância, ou seja, viver naquela época propiciou que o seu comportamento vibrasse numa frequência própria, com maior amplitude e alcance.

Drogas, amor livre, dissidência política, rebelião juvenil contra o sistema, os discursos inflamados de Malcolm X, os de paz de Martin Luther King, o assassinato de Kennedy, aquela década foi o ambiente perfeito para Charlie. O caos que podia ser cheirado nas ruas fez florescer seu poder de manipulação, e isso combinou com sua malevolência numa mistura altamente volátil. A América nunca mais seria a mesma.

Em 1967, após passar sete anos na cadeia, Manson foi libertado e caiu direto com suas trouxas no bairro de Haight-Ashbury, São Francisco, o berço do movimento hippie. Tudo o que ele viu ali lhe deixou fascinado. “Alguém ofereceu uma flor a Charlie, ele teve sua primeira viagem de ácido e adorou aquilo, e passou uma noite ou duas na grama fofa do Parque Golden Gate.”, escreve Jeff Guinn em Manson: A Biografia. Mas o que mais chamou a atenção de Charlie foram os Diggers, um grupo de anarquistas que se estabeleceram no Haight em pleno verão do amor. “Charlie certamente aprovou o fato de as mulheres dos Diggers fazerem a Maior parte do trabalho enquanto os homens davam ordens”, diz Guinn.

Um zé-ninguém e vagabundo durante toda sua vida, o pequenino Manson sempre ansiou por respeito e admiração. Ele queria mandar, liderar, ter pessoas atrás dele que o seguissem e fizessem o que ele mandasse. Andar pelas ruas do Haight observando como os Diggers agiam fez brotar em sua mente uma semente: 

“No Haight, havia uma maneira óbvia de atrair seguidores, uma maneira que atraía o considerável ego de Charlie e requeria exatamente os talentos que ele possuía – imaginação, eloquência, e uma habilidade misteriosa (adquirida em partes iguais pela sobrevivência pragmática na prisão e nos cursos de Dale Carnegie) para manipular os outros, descobrindo e então explorando suas ambições e fraquezas.”

[Manson: A Biografia – Capítulo 7, “Charlie no Verão do Amor”]

Com seu violão, Charlie foi capaz de misturar-se na cena hippie em São Francisco. Charlie aprendeu sobre as drogas e de como elas poderiam ser usadas para influenciar pessoas. Ele começou a atrair um grupo de seguidores, muitos dos quais eram mulheres jovens cujos problemas emocionais faziam delas presas fáceis. A maioria eram de adolescentes ingênuas que se rebelaram contra os pais. Manson derrubava suas inibições, dizendo a elas que eram lindas e que o mundo precisava delas. Com a ajuda de LSD e anfetaminas, Charlie alterava suas personalidades e as moldavam às suas necessidades.

O resto já podemos dizer que é história. Naquele verão de 1967 no Haight, Charles Manson conseguiu sua primeira seguidora. Dois anos depois ele tinha um verdadeiro esquadrão de assassinos, prontos e ávidos por seguir e executar suas ordens. Como dito, a América nunca mais foi a mesma.

“[Eu e meu pai] andávamos por todo lugar, na Inglaterra e Los Angeles. Na era pré-Charles Manson em Los Angeles – antes do clã Manson assassinar Sharon Tate e seus amigos – nós também pegávamos carona por todo lugar. Los Angeles era inocente antes daquilo; aqueles assassinatos significaram o fim dos ideais utópicos da era do Poder das Flores dos anos 60.”

[Slash, ex-guitarrista do Guns N’ Roses, em sua biografia]

“A orquestrada campanha de abate de Manson e seu discurso incendiário de guerra racial criou uma atmosfera de medo em toda endinheirada Los Angeles.”

[Gavin Martin, Sabotage Times]

“O medo era generalizado em Los Angeles na segunda-feira. A carnificina em Cielo enviou ondas de pânico através dos enclaves ricos da cidade. Mesmo cercas eletrônicas não foram suficientes para manter as pessoas seguras. Antes do assassinato de Sharon Tate, as lojas de artigos esportivos em Beverly Hills vendiam apenas algumas armas de fogo por dia. Nos dois dias desde a sua morte, uma loja vendeu duzentos. Cães de guarda eram colocados à venda por 200 dólares, mas agora o preço havia saltado para US$ 1.500 mil.”

[Jeff Guinn, Manson: A Biografia – Capítulo 14, “LaBianca e Shea”]

Top 10 Seguidores de Charles Manson

Aproveitando o lançamento do excelente Manson: A Biografia, pela editora DarkSide Books, listamos abaixo os 10 principais seguidores do homem que entrou para a história como sinônimo do mal.

Em nossa listagem, levamos em consideração características como fidelidade, obediência e fanatismo.

seta

10. O Puxa Saco


Top 10 Seguidores de Charles Manson - Bruce Davis

Bruce McGregor Davis

Bruce Davis conheceu Charles Manson e suas garotas no início de Outubro de 1967. Davis havia abandonado a escola no Tennessee e seguido rumo à costa da Califórnia. Em algum ponto ele topou com Manson dirigindo um ônibus com algumas garotas dentro. Logo seu objetivo de vida se resumiu a tornar-se o braço direito daquele cabeludo baixinho e mandar nas garotas sempre que tivesse a oportunidade.

A adesão de Davis veio a calhar, já que Charlie estava um pouco nervoso. Isso porque dois homens que acompanhavam ele e as garotas na viagem haviam caído fora depois de decidirem que a vibe dentro do buzão estava muito esquisita.

“As garotas consideravam Bruce Davis um magricela pomposo, mas Charlie queria que elas o aceitassem no grupo, e foi o que fizeram.”, escreve Jeff Guinn em Manson: A Biografia.

Davis era um dos que mais puxava o saco de Manson e isso o fez tornar-se um de seus principais seguidores. Manson confiava tanto nele que o enviou até a Inglaterra para buscar aporte financeiro e estudar o funcionamento de outros grupos e seitas.

Dois anos depois de conhecer Manson, participou nos assassinatos do músico Gary Hinman e do rancheiro Shorty Shea – o qual Manson acreditava tê-lo delatado à polícia. Tem hoje 72 anos e continua preso na Califórnia.

[Passagem em Manson: A Biografia]: “Bruce Davis teria dito a alguns membros da Família que ele, Clem e Charlie se armaram com baionetas compradas de excedentes do Exército, e quando levaram Shea suficientemente para longe do rancho, de modo que não houvesse testemunhas, eles ‘o desmembraram como se fosse um peru de Natal’.”

Leia também:

9. O Retardado


Top 10 Seguidores de Charles Manson - Steve Grogan

Steve Dennis Grogan

Depois de abandonar o ensino médio, Steve Dennis Grogan perambulou por comunidades na Califórnia até parar, na primavera de 1967, no Rancho Spahn, uma propriedade rural conhecida por ter sido um set de filmagens de filmes de faroeste e de diversas séries de TV como “Bonanza” e “Zorro”. Lá, virou um dos rancheiros.

Em 1968, Charles Manson e sua família de desajustados apareceram no rancho procurando um local para morar. Utilizando dos favores sexuais de suas seguidoras e trabalhando de graça, Manson conseguiu fazer com que o dono do local, o velho George Spahn, os deixasse viver por lá. Segundo Jeff Guinn em Manson: A Biografia:

“O adolescente Steve Grogan parecia tão idiota que alguns membros da Família acreditavam que ele era retardado. Diferentemente de Flynn e Shea [dois outros rancheiros em Spahn], Grogan adorava tudo sobre Charlie e seus seguidores e implorava para juntar-se a eles. Para Charlie, inteligência importava bem menos do que lealdade hesitante e Grogan logo foi aceito como parte da Família. Seu novo nome agora era Clem.”

[Jeff Guinn, Manson: A Biografia – Capítulo 10, “Os Ranchos”]

Muitos acreditavam que Steve era retardado, já outros sentiam que ele apenas fingia ser idiota. Foi ele quem destruiu – sob ordens de Manson – a Ferrari do baterista dos Beach Boys, Dennis Wilson. “Mas apesar de sua reputação bem merecida como o mais retardado de todos os membros da Família, Clem era um discípulo muito útil para Charlie. Ele faria qualquer coisa que Charlie quisesse desde que não fosse muito complicado.”, diz Guinn.

Em Junho de 1969, Steve foi preso por mostrar seu pênis para um grupo de crianças. Ele foi enviado para um hospital psiquiátrico mas fugiu e voltou para seu líder supremo. Dias depois, ele foi um dos escalados por Manson para a segunda noite de assassinatos. “Clem foi uma ótima junção ao grupo, pois ele faria tudo o que lhe fosse dito”, diz Guinn. Clem ficou do lado de fora da casa dos LaBianca enquanto eles eram assassinados por outros membros da Família. Após o crime, Clem, Manson, Linda Kasabian e Susan Atkins foram até Venice, oeste de Los Angeles, com objetivo de matar o ator Saladin Nader. Manson deixou-os na porta do prédio do ator e disse a Clem para matá-lo, e então foi embora. O assassinato só não foi cometido porque Linda mentiu sobre não saber ao certo qual apartamento Nader morava (os dois se conheciam de uma carona que o ator deu a Linda meses antes).

Semanas depois, Steve ajudou Manson, Bruce Davis e Tex Watson a matar o rancheiro Donald “Shorty” Shea. 

Preso com vários outros membros da Família em 10 de Outubro de 1969, Grogan foi a julgamento em 1971. Foi condenado a pena capital pelo júri, mas o juiz James Kolts mudou sua sentença para prisão perpétua argumentando que “Grogan era tão estúpido e chapado em drogas que não podia decidir nada por si mesmo.”

Na prisão, Clem transformou-se de um zumbi drogado a um jovem maduro e arrependido. Em 1977, ele desenhou um mapa que levou as autoridades ao corpo enterrado de Shorty Shea. O corpo do rancheiro foi encontrado inteiro, o que desmentiu a fala de Bruce Davis de que eles “o desmembraram como se fosse um peru de Natal“.

Em 18 de Novembro de 1985, Grogan foi libertado da prisão. Até hoje, ele é o único membro condenado da Família Manson a sair da cadeia.

Músico talentoso, Clem comumente é visto tocando em shows de jazz pelo Estados Unidos. Curiosidade mórbida: Clem chegou a tocar guitarra com Bobby Beausoleil em um reformatório quando ambos eram adolescentes. Anos depois os dois estariam envolvidos com Charles Manson e atrás das grades. Foi Beausoleil quem incentivou Clem a voltar a tocar guitarra após este sair da cadeia. Não só incentivou como também construiu uma guitarra para o amigo “retardado”. Você pode ver Clem em ação com a guitarra dada pelo seu “parça” Beausoleil no vídeo abaixo. Ele é o senhorzinho de branco com chapéu.

[Passagem em Manson: A Biografia]: “Com Tex fora, o meio retardado Clem tornou-se o braço direito de Charlie, empunhando uma espingarda e, obviamente, esperançoso de uma chance para provar ao seu amado líder que ele estava entusiasmadamente disposto a matar ao seu comando.”

8. A Pequena Sexy


Top 10 Seguidores de Charles Manson - Ruth Ann Moorehouse

Ruth Ann Moorehouse

Em uma de suas viagens pela costa da Califórnia, em 1967, Charles Manson pegou carona com um ex-pastor gordo da igreja Congregacional. Seu nome: Deann Moorehouse.

Inocente, Moorehouse levou aquele cabeludo bom de papo para passar uns dias em sua casa. Ao chegar lá, Manson não resistiu ao pedaço de mau caminho Ruth Ann Moorehouse, a filha adolescente de Deann. Mas antes de encher os ouvidos da adolescente ingênua com baboseiras pseudo-filosóficas, Manson conseguiu com que Deann lhe desse seu piano surrado. Manson o arrastou por alguns quarteirões, onde o trocou com um dos vizinhos dos Moorehouse por um micro-ônibus Volkswagen caindo aos pedaços.

“O micro-ônibus significava que Charlie agora não só podia se mover, mas tinha espaço para trazer cinco ou seis pessoas consigo”, diz Jeff Guinn em Manson: A Biografia.

A primeira que ele carregou foi a pequena e sexy Ruth Ann que, como muitas adolescentes, achava que o mundo lá fora era maravilhoso e que o cool era viver longe dos pais. Denunciado pela mãe da garota, eles foram pegos na estrada e Charlie preso. Antes que pudessem ser separados, Manson deu um conselho a adolescente: case com qualquer homem. Mulheres casadas eram legalmente emancipadas de seus pais, e uma vez casando, Ruth Ann poderia abandonar seu marido para viver com Charlie.

Meses depois, Ruth Ann abandonou seu marido para se juntar a Charlie e se tornou uma de suas mais fieis e importantes seguidoras. Como Susan Atkins e Leslie Van Houten, ela era sexy o suficiente para seduzir homens para se juntar ao grupo e quase nunca causava problemas, obedecendo com satisfação todas as ordens de Manson.

Ruth Ann foi a peça-chave para Manson se infiltrar na nata da música na época. Utilizando-a como uma espécie de isca sexual, Manson entrou no círculo de amigos do baterista dos Beach Boys Dennis Wilson. Era a garota preferida do letrista Gregg Jakobson (Beach Boys) e do produtor musical Terry Melcher (The Byrds). Melcher, inclusive, pensou em levá-la como empregada doméstica para sua casa. Manson adorou a ideia, pois a sexy adolescente poderia fazer a cabeça do produtor para que ele assinasse um contrato de gravação com o guru cabeludo.

“Quando Jakobson não estava zanzando com Ruth Ann, Charlie falava com ele sobre a indústria musical, sobre quem Jakobson conhecia. Jakobson percebeu qual era o negócio – as pessoas tentavam chegar até ele para usar seus contatos a seu favor o tempo inteiro.”

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia]

Fora os serviços sexuais prestados a magnatas da música (e também a motoqueiros que Charlie usava como uma espécie de guardas-costas), Ruth Ann também era útil ao sair com outras mulheres da Família para revirar latões de lixo em busca de comida para o grupo, mendigar e cuidar das crianças que nasciam ou vinham com garotas que eram adicionadas ao clã.

Na noite dos assassinatos Tate-LaBianca, Ruth Ann ficou bastante chateada por Manson não tê-la escolhido para participar nas mortes, alegando a outros da Família que o guru escolheu apenas “as mercenárias”. Ela chegou a confidenciar a um motoqueiro que não esperava a hora de pegar o seu primeiro “porco”.

Ela foi presa juntamente com a Família em Outubro de 1969. Morou brevemente com a mãe e se reconectou com a Família durante o julgamento de Manson pelos assassinatos Tate-LaBianca. Permaneceu leal a Manson até o fim, contando mentiras para autoridades e fazendo vigília juntamente com outras garotas na porta do tribunal.

Durante o julgamento, ela tentou matar uma das testemunhas, Barbara Hoyt, dando a ela uma dose quase letal de LSD. Grávida na época, Ruth Ann foi condenada a 90 dias de prisão, mas nunca cumpriu a sentença.

Com o tempo foi desligando da Família. As últimas notícias que há sobre ela reportam que Ruth Ann Moorehouse mora em algum lugar do centro-oeste americano com seu marido e três filhos.

  • Áudio do interrogatório do LAPD (Departamento de Polícia de Los Angeles) com Ruth Ann Moorehouse em 30 de Dezembro de 1969. Clique aqui.

[Passagem em Manson: A Biografia]: “Bancando o anfitrião cortês, Charlie sempre disponibilizava Ruth Ann a Melcher para seu bel prazer. As outras moças também ficavam disponíveis para ele, mas Ruth era a favorita de Melcher.”

7. A Fada de Asas


Top 10 Seguidores de Charles Manson - Leslie Van Houten

Leslie Van Houten

Nascida em 23 de Agosto de 1949 em Los Angeles, Leslie Van Houten viveu uma vida tranquila até os 14 anos quando seus pais se divorciaram. Rebelde sem causa, começou a questionar a autoridade (mãe, professores , leis) e abandonou a escola, tornando-se sexualmente ativa bastante nova. Em plena contracultura, Leslie tornou-se viciada em drogas, especialmente maconha e LSD. No verão do amor de 1967, mudou-se com um namorado para o Haight. Andou nas mesmas ruas que Manson, mas enquanto o guru maltrapilho andava maravilhado em meio aos hippies, Leslie se desiludiu com o uso de drogas pesadas e a hostilidade da geração paz e amor. Voltou grávida para a casa de sua mãe, que a obrigou a fazer um aborto.

Aos 18 anos, voltou para São Francisco com uma amiga chamada Dee. Em dado momento, Dee conheceu um guitarrista chamado Bobby Beausoleil. Logo, Beausoleil, sua namorada Gail e uma amiga do casal chamada Catherine Share convidaram Leslie para uma viagem sem destino pela costa da Califórnia. Após inúmeras brigas entre o casal Beausoleil-Gail, Leslie deixou-se convencer pela recém-conhecida Share: havia um cara chamado Charlie, e ele era tudo sobre o amor. Influenciada por Share, Leslie Van Houten se juntou à Família Manson no verão de 1968 e logo ficou hipnotizada pelo madman.

“Eu fiquei absolutamente intrigada e hipnotizada por Manson e eu acreditei que ele era alguém muito especial e extraordinário”, disse Leslie numa entrevista décadas depois.

Ela virou uma das seguidoras preferidas de Manson. Anotava as músicas que Charlie cantava, lia a Bíblia para ele enquanto Manson supervisionava os outros seguidores nas viagens diárias movidas a ácido lisérgico e, principalmente, servia de moeda de troca sexual. Por ser uma das mais bonitas, Leslie era constantemente “disponibilizada” para manter relações sexuais com homens os quais Manson queria algo em troca. Gregg Jakobson e Dennis Wilson são dois exemplos.

“Quando eles [gangue de motoqueiros Satanás Retos] queriam sexo, eles podiam escolher entre as mulheres disponíveis da Família, como sempre, mas agora, as garotas mais bonitas, Ruth Ann e Leslie, eram colocadas em disponibilidade constante para eles. O fato de as duas gostarem de passar tempo com os motociclistas ajudava.”, diz Guinn em Manson: A Biografia.

Por ser uma das mais inteligentes na Família, foi uma das escolhidas por Manson para participar na segunda noite de assassinatos.

Dos três seguidores que efetivamente participaram do assassinato do casal LaBianca, Leslie foi a mais relutante. 

“Leslie ainda não havia participado além de ajudar Pat a segurar Rosemary no quarto enquanto Tex esfaqueava Leno, então agora Tex ordenou que ela profanasse o cadáver de sua segunda vítima. Rosemary caiu morta de bruços, então eles arrancaram o vestido e a camisola dela e Leslie esfaqueou repetidamente suas nádegas e pernas. Tex não sentiu que ela estava muito entusiasmada, mas pelo menos ela estava fazendo algo como Charlie havia instruído.”

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia. Capítulo 14. “LaBianca e Shea”]

Após os assassinatos, a Família se mudou para o Vale da Morte, deserto da Califórnia, onde Charlie profetizou que encontrariam um poço sem fundo onde poderiam viver eternamente. Lavando a cabeça de seus seguidores com sua pseudo-filosofia barata e doses de LSD, muitos entraram em parafuso. Leslie, em especial, queria se tornar um elfo com asas.

“Leslie Van Houten estava se sentindo mal porque estava convencida de que asas de elfos haviam prematuramente brotado de suas costas e não estava em segurança ainda, pois não estava no poço sem fundo.”

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia. Capítulo 15. “O Vale da Morte”]

Foi presa com toda Família Manson em 10 de Outubro de 1969.  Julgada ao mesmo tempo em que Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Charles Manson, seu comportamento no tribunal foi da tranquilidade ao bizarro. Durante os dias de júri, seu advogado foi encontrado morto após sair em viagem. Uma investigação conduzida pelo LAPD não encontrou provas de que integrantes da Família, sob ordens de Manson, o mataram.

Leslie Van Houten foi condenada a pena capital, sentença que, tempos depois, foi comutada para prisão perpétua. Na cadeia, formou-se em literatura inglesa pela Universidade de Antioch e editou um jornal que ensinava presos a ler. 

Tem hoje 65 anos e continua encarcerada na Califórnia.

[Passagem em Manson: A Biografia]: “Leslie era mais inteligente do que Charlie gostava que seus seguidores fossem; pessoas inteligentes poderiam questionar seus ensinamentos. Porém, ela era muito atraente e, junto com Ruth Ann, conseguiu para Charlie duas lindas moças, que eram usadas para conseguir o que queriam de homens que não faziam parte da Família. Outro atributo de Leslie, que foi o que provavelmente pesou a seu favor para Charlie, eram suas habilidades de secretária, incluindo taquigrafia.”

6. O Cão de Guarda


Top 10 Seguidores de Charles Manson - Catherine Gypsy Share

Catherine “Gypsy” Share

Nascida em Paris, França, em 1942, Catherine Share ficou órfã durante a Segunda Guerra Mundial quando seus pais cometerem suicídio. Adotada por um casal de americanos, mudou-se para a Califórnia onde tentou a carreira de atriz. Durante as filmagens de um filme adulto, conheceu o jovem guitarrista Bobby Beausoleil. Ela passou a viver com ele e sua namorada Gail, viajando numa aventura adolescente pela costa da Califórnia. Beausoleil e Gail deram a Catherine o apelido de Gypsy.

Em dado momento da viagem, Beausoleil resolveu parar em Topanga Canyon para visitar um conhecido: Charles Manson.

Gypsy imediatamente se sentiu atraída pelo espírito da Família Manson, especialmente pela forma como Charlie era ligado a música. Ela mesmo era uma musicista bastante talentosa, tocava violino e tinha uma voz bastante bonita. Bobby Beausoleil não era um membro da Família Manson, e logo ele e suas duas mulheres estavam na estrada, mas conhecer Charlie causou um impacto profundo na mente de Gypsy.

E antes mesmo de entrar para a Família Manson, Gypsy se tornou uma das mais fanáticas e importantes recrutadoras para o rebanho de ovelhas de Charlie. A primeira a cair na lábia de Gypsy foi Leslie Van Houten, uma adolescente que Gypsy conheceu através de Bobby Beausoleil. Gypsy, Leslie, Bobby e Gail viajavam pela costa da Califórnia quando Gypsy insistiu que ela e Leslie deveriam se juntar àquele homem fantástico.

“Havia aquele cara chamado Charlie que ela havia conhecido através de Beausoleil, e Charlie era um verdadeiro guru que poderia ensiná-las a viver melhor. Ela até mesmo insinuou [a Leslie] que Charlie poderia ser algo mais do que um mortal.”

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia. Capítulo 9. “Charlie e Dennis”]

Depois de abandonar Bobby Beausoleil e Gail, Gypsy insistiu para entrar na Família e conseguiu. De brinde, Manson ganhou a sexy Leslie Van Houten. “Gypsy estava preparada para devotar-se completamente a Charlie, e estava bem claro que ela tivera sido uma eficiente recrutadora para ele – ela já havia convencido Leslie a querer fazer parte da Família.”, diz Guinn.

Enfeitiçada pelo psicopata, Gypsy virou uma espécie de cão de guarda de Manson. E, como ele havia previsto, Gypsy logo se tornou líder entre as mulheres da Família, uma autoridade comprometida em assegurar que todas as instruções de Charlie fossem seguidas minuciosamente. Se alguém ousasse questionar as ordens do Deus Charlie, era severamente repreendido por ela.

Em dado momento, o fanatismo fez dela a segunda na hierarquia, abaixo apenas de Manson, e isso é absolutamente notável tendo em vista que as mulheres, na visão de Manson, deveriam sempre estar abaixo de todos os homens, ser submissas e falar somente o necessário.

No verão de 1969, Gypsy perseguiu o produtor da banda The Doors até ele escutar as fitas de gravação de Manson gravadas um ano antes.  Pouco tempo depois, convenceu Linda Kasabian a entrar para a Família. Meses depois, Kasabian seria a motorista do carro que levaria os assassinos para as noites de assassinatos.

Gypsy foi presa com a Família em 10 de Outubro de 1969. Durante o questionamento policial, ela não deu nenhuma informação sobre os assassinatos, e eventualmente foi liberada. Durante o julgamento de Manson, juntou-se a outras garotas numa vigília na frente do tribunal, raspando a cabeça e cortando um X no meio da testa. Era o pombo mensageiro de Manson que, mesmo preso, dava ordens para os seguidores que estavam livres. Gypsy tentou convencer Linda Kasabian a mentir sobre os assassinatos e ajudou Ruth Ann Moorehouse no plano para matar Barbara Hoyt no Avaí.

Em seu testemunho no julgamento Tate-LaBianba, Gypsy disse que as mortes foram ideia de Linda Kasabian e chegou a ser presa por cinco dias após proferir xingamentos ao juiz. Em 1971, Gypsy participou de um assalto a uma loja de armas com outros membros remanescentes da Família Manson. O objetivo era acumular armas para sequestrar um avião no aeroporto de Los Angeles e matar um passageiro por hora até Charlie e todos os outros membros presos da Família serem libertados. “Eles concordaram que pelo menos algumas pessoas deveriam ser fuziladas antes de suas exigências serem atendidas.”, diz Guinn.

O plano fracassou e Gypsy foi presa. Libertada alguns anos depois, foi presa novamente por fraudes envolvendo cartões de crédito. Após sair novamente da cadeia sumiu de vista, reaparecendo para o público em Julho de 2006 no Rancho Spahn, quando foi entrevistada para a série Our Generation do The History Channel. 

[Passagem em Manson: A Biografia]: “Gypsy e Linda [Kasabian] começaram a se falar, e Gypsy lhe contou tudo sobre a Família e, especialmente, Charlie Manson, um belo homem a quem todos admiravam. No Rancho Spahn, todos iriam gostar de Linda e sua filha e, claro, iriam cuidar delas. Gypsy convidou Linda para ir com ela em uma visita.”

5. A Bibliotecária


Top 10 Seguidores de Charlie Manson - Mary Brunner

Mary Theresa Brunner

Mary Brunner tem uma importância única na história da Família Manson: ela foi a primeira pessoa a ser recrutada por Charlie e a primeira a dar à luz ao primeiro bebê da Família – Ursinho Puff, filho dela com Manson.

Em 1967, Mary Brunner era uma bibliotecária na Universidade de Berkeley, Califórnia, quando um jovem brilhante se tornou professor assistente no departamento de matemática. Seu nome: Theodore Kaczynski, ou simplesmente: “Unabomber”. Mary Brunner pode ter topado com “Ted” nos corredores, mas seria com outro psicopata que ela se envolveria.

Charlie Manson havia acabado de chegar em Berkeley após passar sete anos na prisão. Isolado do mundo numa cadeia, ele não tinha ideia do pandemônio que a América vivia naqueles dias, e também nem importava. O que ele queria mesmo era fazer sucesso com sua música e arrumar um lugar para dormir. E foi andando pelas ruas do campus que Charlie conheceu Mary Brunner. A vida da jovem pacata e virgem nunca mais seria a mesma.

“Ainda nova na área, Mary não possuía muitos amigos. Charlie sempre percebia quando uma garota era solitária. Aquela era uma boa presa. Mary estava passeando com seu cachorro, e Charlie inicialmente a abordou fazendo carinho no animal. Ele estava com seu violão e cantou algumas músicas para ela. Eles conversaram sobre as mais diversas coisas – a grande causa social de Mary era proteger o meio ambiente, e Charlie a convenceu de que se sentia exatamente da mesma forma. Quando Charlie habilmente mencionou que não tinha lugar para ficar, Mary disse que ele poderia dormir no apartamento dela por algumas noites até encontrar outro lugar. Aquela era toda a abertura que Charlie precisava.”

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia. Capítulo 6 “Berkeley e o Haight”]

E uma noite durou semanas e mais semanas. Como todo bom psicopata, Manson usava as fraquezas de Mary para explorar em benefício próprio. Bastante solitária, a moça não queria perder aquela companhia agradável e que a fazia se sentir bem, mesmo que o cara levasse outras mulheres para o apartamento dela para fazer sexo. “A obrigação dela era pagar o aluguel, cozinhar para ele, lavar suas roupas, fazer amor sempre que ele estivesse com vontade, e tolerar quaisquer outras garotas que ele trouxesse para casa”, diz Guinn.

Em Julho de 1967, Mary ficou grávida de Charlie, e em Abril deu à luz a Ursinho Puff. “Quando o bebê veio, ele estava invertido. Mary sofreu terrivelmente e havia uma grande incerteza, mas de alguma forma ela e o bebê sobreviveram.”, diz Guinn. Como uma das veteranas na Família, Mary era constantemente colocada por Manson para supervisionar recém-chegados ao rebanho além de fazer sexo com quem ele ordenasse. Mary chegou a ser “cedida” a outro seguidor, Tex Watson, como uma parceira fixa.

Foi uma das cúmplices na morte do músico Gary Hinman, assistindo a todo o sofrimento de Hinman ao ser espancado por Bobby Beausoleil e ajudando a limpar as digitais. Um mês antes de toda Família ser presa, Mary voltou para sua casa no estado de Wisconsin para ficar com seu filho Ursinho Puff, cuja guarda estava com sua mãe. Após a descoberta da ligação da Família Manson com os assassinatos Tate-LaBianca, Mary foi caçada pela polícia e aceitou contar o que sabia em troca de imunidade no caso Hinman, mas depois voltou atrás. Durante o julgamento Tate-LaBianca voltou para o Rancho Spahn com membros remanescentes da Família e foi uma das pessoas (ao lado de Gypsy) que assaltaram uma loja de armas com intuito de sequestrar um avião para matar passageiros enquanto Manson não fosse libertado. Pelo crime, passou seis anos e meio na cadeia, época em que, finalmente, renunciou ao homem que estragou sua vida.

Após sair da cadeia, Mary desapareceu da vista do público. Voltou para sua cidade natal,  Eau Claire, Wisconsin, onde mudou de nome e criou Ursinho Puff.

[Passagem em Manson: A Biografia]: “Às vezes, Charlie aplicava surras completas em Mary, derrubando-a e chutando-a enquanto ela estava no chão. Ele tentava não deixar a maioria dos seguidores verem aquela sua faceta, mas avisou a Lynne e Pat que se elas não fizessem exatamente o que fosse mandado, a mesma coisa aconteceria a elas.”

4. A Fanática


Top 10 Seguidores de Charlie Manson - Lynette Fromme - Capa

Lynette “Squeaky” Fromme

Lynette Alice Fromme. Uma das mais fanáticas seguidoras de Manson, se tornou uma das mais famosas, mesmo não tendo participação em nenhum dos assassinatos.

Nascida em Santa Monica, Califórnia, Lynette Fromme cresceu em Westchester, Califórnia, onde seu pai William trabalhava como engenheiro aeronáutico. Fromme foi uma criança bastante talentosa e chegou a excursionar por todo os Estados Unidos e Canadá com um grupo de música e dança chamado Lariats. Era bastante articulada e participava de tudo quanto é tipo de clubes. Em suas aulas de teatro na escola fez amizade com Phil Hartman, que eventualmente ganhou fama com seus shows de humor no Saturday Night Live, Os Simpsons, e Newsradio. Chegou a ser votada como a “Personalidade Plus” do colégio.

Mas com a chegada da adolescência os problemas começaram. Seu pai era um homem bastante controlador e tirano, daqueles que não deixa a filha adolescente sair para uma festinha com as amigas. Como uma resposta para a tensão que tinha em casa, Fromme se tornou rebelde, usando drogas, álcool e iniciando sua vida sexual em idade precoce. Ficou conhecida entre os colegas de trabalho por queimar a si mesmo com cigarros acesos e grampear o próprio braço com uma pistola de grampo. Nessa época namorou com Bill Siddons, um dos supervisores de turnês da banda The Doors, mas o cara cascou fora devido ao comportamento perturbado da adolescente.

Em Maio de 1967, aos 18 anos, brigou com o pai e saiu de casa sem rumo; sentou no banco de uma praia e começou a pensar na vida. Foi quando um mendigo se aproximou dela. Seu nome: Charles Manson.

O maltrapilho costumava fazer passeios sem rumos pela costa da Califórnia. Com Mary Brunner pagando suas contas em Berkeley, Manson pegava um carro velho e saia dirigindo pelas cidades ao longo do Oceano Pacífico. Ao passar por uma praia em Venice, farejou uma presa pequena e ruiva, que soluçava de tanto chorar: Lynette Fromme.

“Sua primeira impressão foi de que ele parecia um mendigo com alguma classe. Charlie disse a ela que era chamado de Jardineiro porque cuidava de todas as jovens flores no Haight. Logo eles estavam sentados juntos e Lynne contou-lhe toda a vida dela, como ela era frustrada e queria fugir de tudo. Charlie não poderia ter parecido mais simpático, ainda que misterioso. Ele lhe disse, ‘O caminho para deixar uma sala não é pela porta; simplesmente não queira sair, e você está livre.’.”

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia. Capítulo 6. “Berkeley e o Haight”]

Usando suas técnicas de manipulação aprendidas na cadeia, Charlie fez a cabeça de Fromme. Ele disse que estava voltado para o Haight e que adoraria a companhia da adolescente. “Inicialmente Lynne disse que não, ela tinha que concluir o semestre na faculdade, mas quando Charlie se virou e saiu andando ela pulou do banco e correu atrás dele.”, diz Guinn. O resto já é história.

Era a segunda pessoa que Manson angariava para o seu rebanho. Ele levou a moça para o apartamento de Mary Brunner e logo – após intensas lavagens cerebrais nas duas – estava fazendo sexo a três com elas. “Os três sairiam em passeios pelas colinas onde Lynne e Mary tirariam as roupas e brincariam de serem ninfas da floresta enquanto Charlie tocava uma flauta que havia encontrado em algum lugar.”, relata Guinn.

Quando Charlie e a Família se mudaram para o Rancho Spahn, Lynne foi designada para cuidar do dono do lugar, George Spahn, de 80 anos. Manson queria um lugar para ficar e nada melhor do que “fornecer” para o velho uma ruivinha novinha para ele aproveitar. Fazer sexo com Spahn estava entre as tarefas de Lynne. “Spahn obviamente gostava do contato físico com Lynne, principalmente de dar-lhe pequenos e rápidos beliscões. Lynne reagia com um grito alto, agudo e estridente, então George começou a chama-la de ‘Squeaky’ (‘Rangente’). O apelido pegou.”, diz Guinn. Mas mais do que sexo, ela era uma espécie de espiã infiltrada no covil do fazendeiro, fazendo a cabeça dele para que a Família permanecesse lá e deixando Charlie informado sobre qualquer movimento do velho cowboy. Era ela quem relatava a Charlie sobre Shorty Shea, um dos funcionários do rancho, e que comumente se apresentava a Spahn oferecendo-se para expulsar o bando de hippies mau encarados. Posteriormente Shea seria morto por integrantes da Família.

Squeaky foi presa juntamente com outros integrantes da Família em Outubro de 1969, mas foi solta por não ter participado nos assassinatos Tate-LaBianca. Permaneceu fiel a Charlie, sendo sua pomba mensageira fora da prisão e executando suas instruções como uma fanática religiosa. Ameaçou Dennis Wilson de morte por ele não ter supostas fitas de gravação de Manson e voltou para Spahn com os membros remanescentes da Família, assumindo o comando e convidando a imprensa para visitá-los. Charlie era tudo sobre o amor, dizia ela.

“Publicações locais e nacionais logo passaram a apresentar longos artigos sobre o estilo de vida simples da Família; fotógrafos os exibiram realizando tarefas para o rancho, brincando em seus riachos e cavernas (a pequena e sexy Ruth Ann sempre posava na frente), ou mesmo saindo para revirar lixo. As pessoas começaram a ir até Spahn e alugar cavalos, porque os seguidores de Manson usualmente seriam aqueles que os entregariam as rédeas. “

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia. Capítulo 17. “Charlie está Famoso”]

Durante o julgamento Tate-LaBianca, Manson constantemente desafiava seu advogado Paul Fitzgerald, alegando que ele deveria defendê-lo da forma que ele queria.  Fitzgerald tinha uma linha de defesa que acreditava ser melhor, mas Manson não concordava. Durante uma noite, o advogado chegou em sua casa e encontrou Squeaky em sua cama oferecendo uma escolha: ou ele cooperava com Charlie, ou da próxima vez encontraria membros não tão amigáveis da Família. Fitzgerald escolheu a primeira opção. 

Participou juntamente com Ruth Ann, Gypsy e Clem da tentativa de assassinato da testemunha Barbara Hoyt e, mesmo com a condenação de Manson, continuou durante anos numa cruzada para manter o nome de seu líder máximo em evidência. E para fazer com que todos nunca esquecessem o nome Manson, Squeaky tinha que fazer algo grande.

“Na manhã de 5 de Setembro de 1975, o Presidente dos Estados Unidos Gerald Ford caminhava pela rua indo do seu hotel para a capital do estado da Califórnia em Sacramento, onde ele se encontraria brevemente com o Governador Jerry Brown. O cronograma de Ford não era segredo; havia sido publicado nos jornais locais. Uma pequena multidão alinhou-se a caminhada do presidente. Entre eles estava Squeaky, vestindo sua habitual roupa vermelha de freira e escondendo debaixo de suas vestes uma poderosa pistola semiautomática Colt .45. Ford percebeu aquela roupa colorida; a mulher parecia querer apertar as mãos. Quando ele se virou a ela, Squeaky levantou a arma. Ela foi atacada por um agente do Serviço Secreto que agarrou a arma e a derrubou no chão, enquanto outros agentes levavam Ford embora, Squeaky resmungou, ‘Dá para acreditar? Não disparou’, e perguntou ao agente que a derrubou, ‘Por que você o está protegendo? Ele não é um servidor público.’.”

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia. Capítulo 19. “O Homem Errado no Lugar Certo na Hora Certa”]

Top 10 Seguidores de Charlie Manson - Lynette Fromme

Na foto: A seguidora mais fanática de Charles Manson, momentos depois de atentar contra a vida do Presidente dos Estados Unidos. Reprodução Internet.

A arma aparentemente falhou e o Presidente dos Estados Unidos da América se safou de virar uma estatística da Família Manson.

Condenada à prisão perpétua, Squeaky esperneou e se jogou no chão. Durante seus anos de cadeia, tentou assassinar uma presa com um martelo e continuou sua cruzada, através de cartas, para manter a Família fiel a Manson. Em 1987, fugiu da cadeia após ouvir notícias de que Charlie estava com câncer nos testículos. Foi recapturada e em 2009, após passar 34 anos na cadeia, saiu em liberdade condicional. Recusou-se a dar entrevistas e mudou-se para o estado de Nova Iorque, onde permanece até hoje.

[Passagem em Manson: A Biografia]: “Kaufman obteve uma primeira impressão bastante forte das mulheres de Charlie. Lynne, ele percebeu, era a doida mais obcecada por Charlie, seguindo qualquer palavra dele.”

3. A Insensível


Top 10 Seguidores de Charles Manson - Patricia Krenwinkel

Patricia Dianne Krenwinkel

Patricia Krenwinkel, ou simplesmente Pat, foi a terceira seguidora de Charlie Manson – após Mary Brunner e Lynette Fromme.

Manson conheceu Pat através de um colega de prisão, Billy Green, durante uma viagem em seu ônibus Volkswagen. Ela morava com sua irmã e um sobrinho de nove anos em Manhattan Beach, nos arredores de Los Angeles. “De acordo com Pat, sua irmã era viciada em drogas e o garoto de nove anos era incorrigível. Billy disse à irmã de Pat que Charlie precisava de um lugar para ficar, e assim que Charlie foi introduzido ao lar caótico de Pat ele se aproveitou disso.”, relata Guinn.

Charlie seduziu a garota e fez sexo com ela. Quando ele perguntou se Pat queria ir embora com ele, ela disse sim. Sua crença de que Manson seria seu namorado foi derrubada quando ele parou o buzão para pegar Mary e Squeaky. Agora ele tinha três mulheres e todas se davam bem entre si. E para lembrá-las de quem era o chefe, Charlie sempre as testava.

“Charlie sempre aparentava ter facas à mão. Às vezes ele levava Mary, Lynne e Pat para a mata e fazia com que elas se posicionassem em frente a uma árvore. Então ele dava alguns passos para trás e atirava a faca para espetá-la na árvore logo acima das cabeças delas, como algum número de circo. Isso as amedrontava, mas Charlie explicou que era um meio de testar se elas realmente confiavam nele. Se elas desviassem, significava que não confiavam. Elas, então, tentavam permanecer completamente imóveis, e quando faziam isso Charlie sempre lhes dizia o quanto eram maravilhosas. Aquele tipo de elogio vindo dele fazia o risco valer a pena.”

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia. Capítulo 7. “Charlie no Verão do Amor”]

Na Família, Pat exibiu uma quieta mas intensa personalidade. Era tranquila e realizava as tarefas mais difíceis, além de ajudar a cuidar das crianças. Com Charlie, era extremamente dedicada. Talvez não porque ela o visse como um Deus supremo – como Squeaky, por exemplo – mas por conhecer a faceta do mal de Manson, um lado mostrado nas surras que ele aplicava em Mary Brunner e nela também.

Na primavera de 1968, Pat e outra integrante da Família, Yeller, saíram pedindo carona pela famosa Sunset Strip em Los Angeles. Elas mal levantaram os dedos quando um cara alto e de boa aparência parou e lhes ofereceu carona. Seu nome: Dennis Wilson.

Baterista dos Beach Boys, Wilson era um roqueiro milionário com uma queda para o lema “viva rápido, morra jovem”. Dennis levou as duas garotas para sua casa onde lhes ofereceu biscoitos e leite. Foi embora e ao chegar à meia noite em sua mansão encontrou Charlie e toda Família na sala de estar. Ele ficou perplexo, mas mudou de ideia quando as garotas de Manson começaram a aparecer de todos os lados com os seios de fora e pela trilha sonora que saía do som: Beatles.

Do esquadrão de assassinos escalados por Manson na noite dos assassinatos da atriz Sharon Tate e seus amigos, Pat foi a terceira a ser escolhida. Sua timidez e falta de habilidades sociais davam a impressão de que ela era fria e insensível. Por essas qualidades distorcidas, Manson acreditou que ela seria uma assassina perfeita. “Nós éramos pequenos gatinhos perdidos ​​mentalmente”, revelou Pat anos depois em uma entrevista.

Foi ela quem assassinou Abigail Folger, uma das visitas da atriz Sharon Tate na fatídica noite de 9 de Agosto. “Folger se afastou, correndo também para o gramado. Pat correu atrás dela e a pegou. Na tentativa de matá-la, Pat esfaqueou Folger várias vezes e continuou sem saber se ela tinha morrido”, relata Guinn. Após ir embora, “Pat se queixou de que sua mão doía – enquanto esfaqueava Folger, a faca frequentemente atingia o osso, e o impacto machucou sua mão.”

Na noite seguinte, participou dos assassinatos do casal LaBianca. “Pat não estava apenas disposta, mas ansiosa.”, diz Guinn. Rosemary LaBianca sentiu a disposição de Pat; a seguidora de Manson a esfaqueou várias vezes e – não se sabe exatamente se foi ela ou Tex Watson – esculpiu à faca no abdômen de Rosemary a palavra “guerra”.

“Pat cravou um longo garfo na barriga de Leno e introduziu uma pequena faca de cozinha em sua garganta por debaixo da fronha. Charlie queria uma cena de crime espetacular e ela lhe daria uma.”

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia. Capítulo 14. “LaBianca e Shea”]

Foi presa juntamente com os outros membros da Família em Outubro de 1969, mas saiu em fiança e foi morar com sua mãe no Alabama. Em Dezembro de 1969, foi acusada em sete casos de assassinatos. Julgada juntamente com Manson, Leslie Van Houten e Susan Atkins, mentiu em seu testemunho e agiu como uma espécie de fantoche controlado por Manson. Ao ser condenada à morte, gritou aos jurados dizendo para trancarem suas portas e ficarem atentos aos seus filhos.

Prisioneira modelo, graduou-se em Serviços Humanos pela La Verne e é ativa em programas prisionais como os Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos, além de treinar cachorros para deficientes visuais. Tem hoje 66 anos e continua presa na Califórnia.

[Passagem em Manson: A Biografia]: “Durante sua estadia de três dias (na casa de Pat e sua irmã) Manson focou completamente em Pat, fazendo amor com ela e lhe dizendo que ela era bela, algo que homem algum já havia lhe dito antes. No terceiro dia ele pediu-lhe que deixasse a cidade com ele; ele iria dirigir por toda a América. Pat queria ir embora, mas foi cautelosa o bastante para perguntar a opinião de Billy Green. Green disse que ela devia ir com Charlie – que mal faria?”

2. A Tresloucada


Top 10 Seguidores de Charles Manson - Susan Atkins

Susan Denise Atkins

“De todos os seguidores que vieram até Charlie nos primórdios do seu ministério, nenhuma era mais excêntrica ou mais desesperada do que Susan Atkins, de vinte anos.”

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia.  Capítulo 7. “Charlie no Verão do Amor”]

Nascida na Califórnia em 7 de Maio de 1948, Susan perdeu a mãe para o câncer quando tinha 15 anos. Brigando contra um pai que entrou em parafuso após a morte da mulher, Susan caiu no mundo, abandonou a escola e se mudou para São Francisco, onde arrumou um emprego como operadora de telemarketing. Vivia só e depressiva num quarto alugado. “Como Lynne, ela tentou o suicídio. Susan necessitava de aceitação e, acima de tudo, atenção.”, diz Guinn.

Após passar por uma série de namorados abusivos, foi presa no Oregon e solta meses depois. Trabalhou como dançarina de topless, época em que fez parte de um show do satanista Anton LaVey, mas não durou no grupo devido ao uso excessivo de drogas e um caso grave de gonorreia. Como um verdadeiro Zumbi sem rumo, Susan acabou nas ruas do Haight, berço do movimento hippie.

Durante uma visita a amigos no apartamentos deles no bairro, Susan conheceu um homem que mudaria sua vida.

“Charlie estava lá com seu violão…. Enquanto cantava, Charlie acompanhava a si mesmo no violão, como de costume dedilhando acordes simples em vez de quaisquer notas intrincadas. Mas aquilo não importava para Susan – reações extremas eram sua marca registrada, e ela imediatamente decidiu que Charlie era um violonista virtuoso. Quando ele terminou a música, Susan continuou contemplando-o admirada, e o sinal não escapou a Charlie. Ali podia estar justamente a garota de que precisava. Ele aproveitou para usar a técnica de Dale Carnegie que consistia em descobrir o que a outra pessoa desejava e demonstrar como ele poderia oferecer isso. No caso de Susan, era simples. Ela obviamente admirou o violão dele, e Charlie disse que se realmente quisesse, Susan poderia pegar e tocá-lo. Ela ficou impressionada – como aquele estranho podia saber que ela estava pensando naquilo? Eles dançaram um pouco ao som de alguns discos, e depois fizeram sexo, com Charlie usando uma preliminar já bastante experimentada. Ele sabia que muitas garotas se sentem culpadas por desejarem sexualmente seus pais, então ele trouxe isso à tona antes de começarem a fazer amor. Ele disse a Susan que para se libertar das experiências ruins e das inibições que a oprimiam, ela precisava imaginar que estava fazendo amor com o pai dela. Quando eles terminaram, Charlie prometeu a Susan que jamais a deixaria cair. Era tudo o que ela precisava; ela jurou que o seguiria a qualquer lugar.”

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia.  Capítulo 7. “Charlie no Verão do Amor”]

Como todas as outras mulheres da Família, Susan era usada para fazer sexo com homens os quais Manson acreditava poder tirar algo em troca. “Sexo com estranhos tornou-se uma rotina diária para as mulheres da Família.” Charlie trazia de homens famosos e importantes, como Dennis Wilson e Gregg Jakobson, a motociclistas e traficantes de drogas. “[Manson]  dizia às mulheres para fazerem fila em frente a eles. Charlie às vezes segurava as costas das lindas meninas, mantendo-as como um prêmio especial para os visitantes VIP. Cada homem era encorajado a escolher a garota que quisesse e Charlie ordenava a ela que fosse com o homem em questão e fizesse tudo que lhe fosse ordenado. Se a garota se recusasse a fazer algo, significava que ela ainda tinha algum tipo de bloqueio e Charlie a punia, às vezes a fazendo tirar a roupa até ficar completamente nua na frente de todos e então, ridicularizá-la. Era eficiente. As meninas aprenderam a não recusarem qualquer convite e a nunca parecerem relutantes ou melindrosas.”, relata Guinn.

Susan tinha um  gosto especial pelas missões noturnas da Família. Vestidos de preto, membros do grupo escolhiam casas aleatórias durante a noite para invadir enquanto os moradores estavam dormindo. Dentro, eles rastejavam pelo chão, mudando as coisas de lugar e roubando objetos de valores. Tais missões foram úteis como ganho de experiência para as futuras expedições assassinas do grupo.

Em meados de 1968, foi a seguidora designada por Manson para procurar um lugar no Condado de Mendocino para a Família viver. “Susan no comando foi um golpe de mestre de Charlie – ela adorava a autoridade extra e tomou aquilo como um sinal de que Charlie confiava nela. Ela fez o possível para imitá-lo quando dava ordens aos outros. Eles estavam ressentidos, mas ainda faziam o que ela mandava.”, diz Guinn. Mas ela próprio jogou um balde de água fria nos planos de Manson quando começou a corromper a juventude local oferecendo drogas alucinógenas. 

Em Julho de 1969 acompanhou Bobby Beausoleil, Bruce Davis e Mary Brunner até a casa do músico Gary Hinman. Como Mary Brunner, ajudou a limpar as impressões digitais deixadas na casa do falecido. Para a Família, Susan se gabou do assassinato dizendo que “Foi realmente estranho e ele fez barulhos engraçados.”. Muitos, enojados com os comentários da “louca”, fugiram do Rancho Spahn.

Duas semanas depois, Susan foi o segundo membro da Família a ser escolhido por Manson para participar da primeira noite de assassinatos. Para Charlie, ela era capaz de qualquer coisa, ou seja, uma funcionária perfeita para executar seu plano diabólico.

Como nas antigas, em suas missões noturnas, Susan e os outros assassinos não tiveram dificuldades em entrar na mansão de Sharon Tate. Ela caminhou até o quarto da atriz e disse: “Venham comigo. Não digam uma palavra ou vocês estão mortos.”. Sharon Tate e Jay Sebring ficaram surpresos, mas atenderam ao pedido daquela estranha. De joelhos na sala de estar, as vítimas imploraram para não serem mortas. Voytek Frykowski, amigo do marido de Sharon Tate, foi o primeiro a tentar escapar, se atracando com Susan no chão. “Frykowski ficou com as mãos livres e lutou com Susan, os dois rolaram no chão, com Frykowski envolvendo as suas mãos nos longos cabelos de Susan e Susan cegamente apunhalando-o com sua faca, afundando a lâmina principalmente nas pernas de Frykowski. Ele gritou enquanto lutava.”, diz Guinn.

Grávida de oito meses, Sharon Tate viu com horror todos seus amigos serem mortos como porcos por aquele bando de invasores. Ao suplicar por sua vida, escutou de Susan Atkins: “Escute aqui vadia, não me importo com você! Não me interessa se vai ter um bebê! É melhor você se preparar. Você vai morrer, e eu não sinto nada por isso”. 

“Susan, ansiosa como sempre por elogios, se gabava com Charlie de quem ela tinha matado por ele, e Charlie respondeu que ela havia feito isso para si mesma.”

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia. Capítulo 13. “Tate”]

E foi devido a necessidade de Susan em aparecer e à sua boca grande que a polícia conseguiu ligar a Família Manson aos assassinatos de Tate-LaBianca. Após ser presa com outros integrantes da Família em Outubro de 1969 por suspeita de roubo e tráfico de drogas, Atkins começou a se gabar para companheiras de cela dos crimes cometidos por ela e por um guru chamado Charlie.

Susan Atkins, Patricia Krenwinkel

Na foto: O trio assassino: Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Leslie Van Houten. Após Manson talhar um X na testa durante seu julgamento, suas garotas o seguiram. Reprodução Internet.

O julgamento de Susan, Pat, Leslie e Manson foi como um show de horrores. O trio prometeu sexo aos carcereiros em troca de libertação e Susan deu um show a parte; ora rasgando papéis da mão do promotor, ora reclamando de dores de barriga inexistentes, ora esperneando e proferindo ofensas ao juiz, dentre outros ultrajes. Em seu testemunho, disse que matou todo mundo e deu detalhes escabrosos sobre o abate de Tate. Sua fala claramente dava a entender que Manson a ordenara à assumir toda a culpa. Não teve jeito. E mesmo com seu advogado argumentando que ela tinha apenas 22 anos, os jurados a condenaram a câmara de gás, sentença comutada posteriormente para prisão perpétua.

Na cadeia, declarou-se uma cristã nascida de novo e escreveu um livro de memórias. Ficou mais de 20 anos sem falar com Leslie Van Houten, que a criticava por colocar Deus no meio de sua redenção. Susan Atkins foi diagnosticada com câncer no cérebro em 2008, e faleceu no ano seguinte. No final de sua vida repudiou Charles Manson e trabalhou vigorosamente em programas destinados a ajudar às jovens mulheres presas. 

[Passagem em Manson: A Biografia]: “Susan andou pelo corredor e olhou através de uma porta aberta para o quarto de hóspedes. Abigail Folger olhou por cima de seu livro e sorriu. Ela não ficou chocada ao ver um estranho na casa. Tate e Polanski sempre acolhiam bem todos os convidados. Esta mulher parecia ser mais uma. Susan sorriu e acenou com o dedo. Folger acenou de volta e retomou a leitura. No final do corredor, Susan olhou para o quarto principal e viu Sharon Tate e Jay Sebring conversando. Eles aparentemente estavam em uma conversa profunda e nem notaram Susan. Susan voltou para a sala de estar, passando pelo quarto de Folger novamente, acenando para ela por uma segunda vez. Quando ela se juntou a Tex novamente, disse bem baixinho que havia outras três pessoas dentro da casa. Tex pediu para que ela os levasse até ele.

1. O Anjo da Morte


Top 10 Seguidores de Charles Manson - Charles Watson

Charles Denton Watson

O primeiro lugar de nossa lista não poderia ser outro, Tex Watson levou consigo à morte até Cielo e Waverly Drive. Cão de caça de Manson, o herói de futebol americano do colegial massacrou sete pessoas em dois dias, cravando para sempre seu nome entre os mais sanguinários assassinos que este mundo já viu.

Nascido em um pequeno vilarejo do Texas, Watson era um dos garotões mais conhecidos de sua cidade. Alto e bonitão, destacou-se – com menção honrosa – no time de futebol americano do colégio e em outros esportes. Seus olhos azuis eram sua arma com as meninas e todos na cidade acreditavam que o cara teria um futuro brilhante. “[Após ir para a Califórnia] espalhou-se o boato de que ele havia ido para Hollywood estrelar comerciais da Coca-Cola. As garotas que o tinham conhecido no colégio estavam convencidas de que ele se tornaria uma estrela do cinema por ser tão bonito.”, relata Guinn. 

Mas não foi bem assim. Em Los Angeles, os interesses de Watson se resumiam a fumar maconha e viver os prazeres da vida na meca do cinema e música. Em meados de 1968, Watson dirigia seu carro quando um cara alto e loiro pediu carona. Seu nome: Dennis Wilson. Sim, até mesmo estrelas milionárias do rock pediam carona naqueles tempos. E Watson não poderia resistir a um convite para visitar a mansão do ilustre caroneiro, não é mesmo? Responda rápido, com quem Watson topou quando entrou na casa do baterista famoso?

“Quando Watson e Dennis chegaram, Charlie e a Família já estavam lá, e tanto Charlie quanto as garotas causaram uma grande impressão em Watson. Charlie aparentemente tinha tudo que Watson queria – mulheres, uma filosofia que eliminava qualquer senso de culpa, e uso constante de drogas. Watson, por sua vez, era exatamente o que Charlie sempre quis, uma possível adição masculina à Família com habilidades excepcionais como mecânico e disposição para seguir ordens. Não foi preciso muito da persuasão de Charlie para Watson implorar para se juntar aos seguidores. Ele logo ficou conhecido pelo previsível apelido de Tex, e provou ser útil para Charlie por animadamente executar tarefas. Junto com Charlie, ele era o único membro da Família a realmente ir à mansão de Terry Melcher na Cielo.”

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia. Capítulo 9. “Charlie e Dennis”]

Servindo às suas próprias necessidades, Manson impediu que Tex fosse um membro integral da Família, isso porque o bonitão não era de todo obediente. Uma coisa era mandar em adolescentes ingênuas e solitárias, outra era dar ordens esdrúxulas para um marmanjo de mais de 1.90m. Charlie dizia que ele devia renunciar ao seu ego para realmente fazer parte da Família. Se ele trabalhasse duro e nunca reclamasse, talvez poderia convencer o guru. “Frequentemente entorpecido por drogas e bebidas, Tex passava cada hora de seu dia tentando demonstrar o quanto era desprovido de ego e um trabalhador disposto.”, relata Guinn.

E o trabalho duro fez Tex entrar em parafuso. Provavelmente achando claustrofóbica a vida na Família, Tex simplesmente desertou, indo embora do Rancho Spahn e deixando Charlie para trás. Meses depois, ele reapareceu, a vida longe de Charlie parecia chata demais. Obviamente, Manson o perdoou, claro, o cara era um monstro no que dizia respeito a mecânica de carros, e agora Charlie precisava de muitos já que ele veio com um papo de uma guerra racial chamada Helter Skelter e todos na Família deveriam fugir para um poço sem fundo no deserto onde viveriam eternamente.

Fora o trabalho com os buggies, Tex ajudava Manson na compra e venda de drogas e no roubo de carros. Em meados de 1969, Tex tragou o potente alucinógeno beladona e ficou doidão. Após voltar a si, o bonitão do colegial nunca mais foi o mesmo.

“Antes, Tex sempre foi calmo e de natureza doce. Agora ele parecia mais rude, mesmo que às vezes, e mandão, de uma maneira que jamais havia sido antes. Ele de repente pareceu considerar-se o braço direito de Charlie e o líder representante da Família sempre que Charlie não estivesse no rancho. Phil Kaufman, ao encontrar o Tex pós-beladona, ficou tão irritado com sua nova atitude forçada que deu um soco em seu rosto. Algumas das mulheres da Família ficaram com medo de Tex, mas Charlie não estava preocupado. Um Tex mais durão e mais ríspido poderia ser útil em algum momento.” 

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia. Capítulo 11. “A Bíblia e os Beatles”]

E esse novo Tex realmente foi útil nas noites do dia 9 e 10 de Agosto de 1969. “No seio da Família as mulheres serviam aos homens, e se o assassinato tivesse que ser feito, um homem tinha que estar no comando. Charlie não tinha muitos candidatos. Só Tex tinha todos os atributos necessários. Ele era grande e durão, um ex-atleta ossudo do ensino médio que ainda estava em forma física decente, apesar de seu ininterrupto uso de drogas. Tex desejava ser importante, nas últimas semanas, ele estava agindo mais instável e mais agressivamente, dando ordens a outros membros da Família que estavam ao redor e dando a impressão de que ele era o não oficial segundo-em-comando”, relata Guinn.

Na missão do dia 9 de Agosto, Tex foi escalado por Manson para ser o líder do esquadrão de assassinos. Os outros eram Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Linda Kasabian (a única na Família que tinha uma carteira de motorista válida). E Tex não decepcionou. Em 9 de Agosto de 1969 ele invadiu uma mansão na Cielo Drive e matou todo mundo que estava lá dentro.

O primeiro a morrer foi Steve Parent, 18, que estava na hora e lugar errados. Tex, então, invadiu a casa de Sharon Tate e acordou Voytek Frykowski, que dormia no sofá, com um chute na cabeça. “Eu sou o diabo e estou aqui para fazer o negócio do diabo”, disse Tex. Após reunir todos na sala, Watson deu um tiro na barriga do cabeleireiro de celebridades Jay Sebring após este reclamar do tratamento violento de Watson com Sharon Tate. Furioso por não ter encontrado dinheiro na casa, Tex começou a esfaquear Jay Sebring, que agonizava no chão, na frente de todos. Após massacrar Sebring, Tex levantou-se e, com as mãos pingando sangue, disse: “Vocês todos vão morrrer!” Desesperadas, Abigail Folger e Sharon Tate imploraram por suas vidas. Já Frikowsky, entrou em pânico após escutar a sentença de morte de Tex, e se atracou com Susan Atkins no chão. Atkins o esfaqueou nas pernas e Tex terminou o serviço dando tiros nele e o golpeando na cabeça com o cabo do revólver. Incrivelmente, o polonês ainda conseguiu correr para fora da casa, mas Tex o perseguiu, desferindo inúmeras facadas em seu corpo. Ao olhar para o lado, viu Patricia Krenwinkel esfaqueando Abigail Folger, que também correra para o gramado. Para certificar que Abigail não sobreviveria, o Anjo da Morte caminhou até a vítima e a encheu de facadas. Voltou para a casa e esfaqueou 16 vezes a bela atriz Sharon Tate enquanto Susan a segurava.

No dia seguinte, o Anjo da Morte entrou na casa do casal Leno e Rosemary LaBianca. O lugar havia sido escolhido por Charlie por ele achar que os moradores daquele lugar eram pessoas ricas. Seus assassinos deveriam ir lá, matar todo mundo e roubar o máximo de dinheiro que conseguissem. Leno foi morto por Tex com golpes de baioneta; já Rosemary foi esfaqueada por Patricia Krenwinkel e, posteriormente, Tex, que foi conferir se o trabalho havia sido “bem feito”.

Após os horríveis assassinatos, toda a Família mudou-se para o Vale da Morte, mas antes, Tex ajudou Charlie, Bruce Davis e Clem a liquidar o rancheiro Shorty Shea, um antigo rival do guru. Sentindo que a barra estava pesada, o Anjo da Morte fugiu para sua pequena cidade no Texas, onde era visto como um homem acima de qualquer suspeita, chegando até a namorar firme uma garota local. Após uma extensa investigação da polícia, Tex foi descoberto e preso. Ele e seu advogado brigaram ferozmente durante nove meses contra sua extradição para a Califórnia e, uma vez, extraditado, enfrentou sozinho seu julgamento pelos spree killings. Como todos os outros da Família, foi condenado a morte.

Como quase cem por cento dos presos que frequentam prisões, Watson voltou-se para a religião, criando até um site, o Abounding Love. Escreveu um livro autobiográfico e em 1979 casou-se com Kristin Joan Svege, 20 anos, com quem teve quatro filhos (através de visitas conjugais na cadeia). O casal divorciou-se em 2003, mas continuaram amigos. Em 2009, Tex graduou-se em Gestão de Negócios e já tentou sair em liberdade condicional 14 vezes. Tem hoje 68 anos e continua preso na Califórnia.

[Passagem em Manson: A Biografia]: “Tex tomou ácido durante o dia, e também cheirou Metedrina que ele e Susan Atkins haviam secretamente escondido. Os produtos químicos em seu sistema combinavam com a sua ambição de líder dentro da Família, como tenente-chefe de Charlie. Tex concordou que ele seria o líder dos assassinatos copycat – era seu dever.”

Por que Bobby Beausoleil não está na lista?


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Nome comumente ligado à Família Manson, Bobby Beausoleil, como bem retrata Jeff Guinn em Manson: A Biografia, nunca foi um membro da Família. Assim como Charlie, Beausoleil tinha o ego inflado, e nunca se sujeitou ou caiu na conversa fiada do guru. Ele e Manson eram apenas amigos cujos interesses às vezes coincidia. 

Mas ele assassinou Gary Hinman sob pressão de Manson!


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Realmente, mas Bobby também tinha interesse em acabar com Hinman. Beausoleil foi o intermediário numa transação de drogas que deu errado. Ele comprou a mescalina de Hinman que foi repassada para uma gangue de motoqueiros chamada Satanás Retos, que viviam aparecendo no Rancho Spahn. Os motoqueiros acharam a qualidade da droga horrível e exigiram o dinheiro de volta de Beausoleil sob pena de matar o guitarrista. Arquiteto da maldade como era, Manson aproveitou-se da situação para influenciar Beausoleil: “vá lá e arranque todo o dinheiro de Hinman, pague o que deve aos motoqueiros e traga o resto para a gente!” Quando Hinman ameaçou contar a polícia sobre o caso, Manson deu uma dica a Bobby: “Acabe com ele ou você prefere ir preso?” Manson sempre foi um aproveitador, um homem que soube usar as pessoas e os seus problemas para benefício próprio. 

“Quando a década de 1960 chegou, Charles Manson já era um predador da vida social. Quase todo mundo que tinha alguma coisa com ele foi prejudicado de alguma maneira, e Charlie nunca se importou. Gregg Jakobson compara Charlie a uma célula cancerígena por danificar tudo que é saudável existente ao redor. Não há nada de místico ou heroico sobre Charlie – ele era um sociopata oportunista.”

[Jeff Guinn. Manson: A Biografia. Capítulo 19. “O Homem Errado no Lugar Certo na Hora Certa”]

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Fontes consultadas: Manson: A Biografia – Jeff Guinn; DarkSide Books, 2014.

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