Julgamento de Luka Magnotta: Psiquiatra diz que Magnotta estava esquizofrênico quando matou Jun Lin

Luka Rocco Magnotta estava esquizofrênico quando matou Jun Lin, atolado em uma psicose na qual não podia distinguir o certo do errado, testemunhou uma psiquiatra na última semana. Marie-Frederique...

Marie-Frédérique Allard - Julgamento Luka Magnotta

Na foto: A médica psiquiatra Marie-Frédérique Allard nos corredores do tribunal onde ocorre o julgamento de Luka Magnotta. Créditos: La Presse.

Luka Rocco Magnotta estava esquizofrênico quando matou Jun Lin, atolado em uma psicose na qual não podia distinguir o certo do errado, testemunhou uma psiquiatra na última semana.

Marie-Frederique Allard é uma especialista contratada pela defesa para avaliar a responsabilidade criminal de Magnotta no momento do assassinato.

O argumento é a chave do caso para a defesa, pois apesar de ter admitido o assassinato, Magnotta declarou-se inocente por motivos de doença mental.

Allard disse ao júri que ela consultou provas da polícia e registros médicos, além de se encontrar pessoalmente com Magnotta por cerca de 25 horas.

Ela disse que o réu estava sofrendo de esquizofrenia, que a sua percepção da realidade foi distorcida e que, embora ele soubesse o que estava fazendo, não tinha consciência de que era errado.

“Essa doença estava presente em 25 de Maio de 2012”, disse Allard. “É a responsável pelas cinco acusações contra ele.” Magnotta estava “experimentando uma perda da realidade” no dia em que Lin foi morto.

“Ele era incapaz de julgar a natureza e a qualidade de suas ações,” disse Allard, adicionando que ele não foi capaz de raciocinar sobre a noção de certo e errado sobre essas ações.

A psiquiatra disse que o caso Magnotta é interessante do ponto de vista médico – seu pai era esquizofrênico e o estigma associado ao transtorno mental, em parte, alimentou em Magnotta uma negação de sua própria doença.

O júri ainda ouviu que em 2001, aos 19 anos, Magnotta foi diagnosticado como esquizofrênico paranoide. O diagnóstico foi encontrado em documentos médicos do Hospital Memorial Ross em Lindsay, Ontário. Um psiquiatra que o viu em Abril de 2001 citou Magnotta como “uma representação bizarra”. Ele disse ainda que não poderia afirmar se ele estava fingindo.

“Eu não estou certo com o que estamos lidando”, disse Allard, lendo as notas do psiquiatra ao júri. “Tenho a sensação de que ele está procurando algum ganho secundário, mas eu não sei exatamente o que ele tem intenção de obter.”

Quando ele foi diagnosticado com esquizofrenia paranoide, Magnotta estava vivendo em um lar para pacientes com esquizofrenia e sofreu uma overdose ao tomar pílulas anti-psicóticas. Ele tentara o suicídio. Segundo a psiquiatra, o réu não gostava de viver lá e sentia-se isolado. Ainda segundo ela, o risco de suicídio é muito alto entre pessoas com esquizofrenia – em particular aqueles que estão lidando com a doença no estágio inicial e com a depressão ao mesmo tempo.

O histórico médico de Magnotta é cheio de momentos em que ele negou abertamente seus sintomas. “Há uma negação dos sintomas, da doença, ao longo dos anos”, disse a psiquiatra.

No mesmo dia em que Allard testemunhou, o júri ficou sabendo que Magnotta se apaixonou por um enfermeiro em Abril de 2013. O homem o cumprimentou e Magnotta aparentemente o interpretou mal, acreditando que o estendimento da mão do enfermeiro era uma abertura para uma relação sexual.

A psiquiatra Dra. Renée Roy, que trata Magnotta desde sua chegada ao Canadá, testemunhou que ele escreveu uma carta explícita ao homem e até diminuiu as luzes de sua cela numa tentativa de seduzi-lo.

“A única coisa que aconteceu… o enfermeiro em questão era gentil e o elogiou por sua roupa,” disse ela.

Magnotta posteriormente expressou desapontamento por tê-lo interpretado mal. Renée disse que ele ficou bastante triste quando o enfermeiro foi transferido para outra penitenciária.

Continuaremos acompanhando o julgamento. Não deixe de nos acompanhar no Facebook e Twitter.

Com informações: The Globe and Mail

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