Peter Dupas: O Monstro Mutilador

Sua distinta assinatura, a remoção dos seios das vítimas, foi descrita como “um ato depravado de desprezo.”
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Peter Norris Dupas

Peter Norris Dupas

Mersina Halvagis nunca imaginou que seria assassinada em um cemitério. Nenhuma pessoa inocente e decente imaginaria.

Em vez disso, nas palavras de um juiz da Suprema Corte, a Srta. Halvagis acreditava que o Cemitério de Fawkner era um “lugar de paz e reflexão”, e estava lá para “prestar homenagens à sua avó”, no entanto, a jovem mulher encontrou a morte.

Foi há 17 anos que a Srta. Halvagis, 25 anos, foi sozinha ao cemitério visitar o túmulo da avó. Infelizmente, o serial killer Peter Norris Dupas – um dos misóginos mais depravados da Austrália – também estava no cemitério naquele dia.

No último dia 1 de Novembro, a família de Halvagis se reuniu na sepultura dela para lamentar sua morte. Seu pai George e sua mãe Christina são praticamente visitantes diários lá.

“Está se tornando pior enquanto o tempo passa”, disse George Halvagis ao Herald Sun duas semanas atrás. “Ainda estamos vivendo um inferno.”

Por volta das 3h45min da tarde de 1 de novembro de 1997, Halvagis levou flores e uma garrafa de Sprite ao salão de chá do cemitério e dirigiu o carro do noivo para o setor norte, próximo da seção ortodoxa grega. Ela caminhou pelo corredor M até o túmulo da avó – ala M33 – e depositou as flores e o refrigerante de limão.

Halvagis pode ter falado com a avó, ou rezado uma prece silenciosa. Ela não percebeu Dupas se aproximando.

Um gorducho de óculos e pinta de duende, Dupas aproveitou a oportunidade e atacou – pelas costas.

Halvagis provou ser a vítima perfeita para o assassino covarde: era uma mulher sozinha pesando apenas 45 kg e com apenas 1,55m de altura.

Na foto? Mersina Halvagis, 4, com seu pai George Halvagis, do lado de fora da loja da família em Warracknabeal, em 1987. Créditos: Herald Sun.

Na foto: Mersina Halvagis, 4, com seu pai George Halvagis, do lado de fora da loja da família em Warracknabeal, em 1987. Dez anos depois, Mersina seria selvagemente morta em um cemitério, quando prestava homenagens a avó. Créditos: Herald Sun.

Nas palavras do juiz da Suprema Corte Philip Cummins (que condenou Dupas no seu primeiro julgamento): “As últimas ações (da Srta. Halvagis) eram típicas dela. Uma moça jovem e bonita, num lugar de paz e beleza, pensando não apenas em si mesma, mas nos outros – devotada, atenciosa e bondosa.”

A respeito de Dupas, o juiz afirmou: “Exatamente como a presença da Srta. Halvagis no cemitério era típica da bondade dela, sua presença no cemitério era típica da sua maldade: ardilosa, predatória e homicida.”

O ataque a faca foi descrito como “repentino, selvagem e brutal, mas direcionado.”

A jovem Halvagis tentou lutar, erguendo as mãos em sua defesa. Entretanto, como disse o juiz Cummins, ela não tinha chances contra a força de Dupas, sua faca e seu ódio.

Dupas, que havia abordado outra mulher e tinha sido visto por outras pessoas no cemitério naquele dia, esfaqueou Halvagis no pescoço, peito e abdome. Ele infligiu mais de 50 ferimentos durante o ataque enlouquecido.

Nas palavras da juíza da Suprema Corte Elizabeth Hollingworth (que condenou Dupas num segundo julgamento): “Deve ter sido um sofrimento absolutamente terrível para ela… tragicamente, parece que a Srta. Halvagis simplesmente estava no lugar errado na hora errada.”

O noivo de Halvagis, Angelo Georgievski, começou a se preocupar quando Halvagis não voltou para casa nem fez contato naquela noite. No começo da manhã, ele e o pai dele foram ao cemitério.

O carro dele – o qual Halvagis tinha pego emprestado naquele dia – estava trancado no estacionamento. A polícia chegou e Georgievski encontrou o corpo de sua namorada entre dois túmulos.

Na foto: O túmulo onde Dupas atacou Mersina. Créditos: Herald Sun.

Na foto: O túmulo onde Dupas atacou Mersina. Créditos: Herald Sun.


Na foto: Angelo Georgievski e sua noiva Mersina Halvagis, fotografados cerca de um ano antes dela ser assassinada. Créditos: Herald Sun.

Na foto: Angelo Georgievski e sua noiva Mersina Halvagis, fotografados cerca de um ano antes dela ser assassinada. Créditos: Herald Sun.

O Serial Killer

Peter Dupas nasceu em Sydney, em 6 de julho de 1953; era o caçula de três irmãos.

Quando ainda era criança, sua família mudou-se para Melbourne.

Ele frequentou a escola primária de Frankston e em seguida foi para a Waverley High School, onde as crianças o apelidaram de Pugsley (Feioso) – sem dúvida em homenagem ao garoto rechonchudo do seriado A Família Addams – e zombavam do seu peso. Entretanto, este tratamento cruel não explica sua confusa aversão interior às mulheres.

Ele foi uma criança mimada e mais tarde diria a psiquiatras que sua mãe era superprotetora e seu pai um perfeccionista que o fazia se sentir incapaz.

Além do seu próprio, não há registros de comportamento criminoso na família dele.

Na foto: À esquerda Peter Dupas em uma foto de escola. À direita o ator Ken Weatherwax como Pugsley, de "A Família Addams." Créditos: Herald Sun.

Na foto: À esquerda Peter Dupas em uma foto de escola. À direita o ator Ken Weatherwax como Pugsley, de “A Família Addams.” Créditos: Herald Sun.

Dupass foi incapaz ou relutou em fornecer qualquer explicação racional ou sincera para seus acessos de raiva regulares e seu comportamento inadequado desde o seu primeiro ataque conhecido, na adolescência. Isso aconteceu quando ele esfaqueou uma vizinha, sem motivo.

Dupas estava na sétima série quando o primeiro de muitos especialistas tentou entrar na mente dele, no Hospital Psiquiátrico de Larundel.

O diagnóstico foi que Dupas era um adolescente solitário “preso em um conflito emocional entre a necessidade de corresponder às expectativas de seus pais e a necessidade inconsciente de expressar sua agressividade e sua masculinidade em desenvolvimento.”

Ele terminou o décimo-primeiro ano, e então deixou o colégio para começar a trabalhar como aprendiz de torneiro mecânico. Ele não permaneceu naquele emprego. Dupas tinha outras coisas em sua mente distorcida.

Depois de se comportar ao estilo “Peeping Tom” (“A Tortura do Medo, no Brasil) ao completar 18 anos, Dupas foi preso e acusado de estupro pela primeira vez – ao atacar uma mulher na casa dela em Mitcham.

Ele foi mantido sob custódia no Hospital Psiquiátrico de Mont Park para diagnóstico e tratamento, mas obteve permissão para ser liberado.

Enquanto estava em liberdade, ele foi preso por uma patrulha num banheiro em Rosebud após denúncias de que havia um depravado observando garotas tomarem banho. Desta vez ele retornou a Larundel e se internou voluntariamente por seis meses. Os psiquiatras não conseguiram encontrar nenhum distúrbio psiquiátrico grave. “Entretanto”, eles concluíram, no que era a prova de um enorme erro de julgamento, “nós não acreditamos que excluímos a possibilidade de haver problemas na personalidade dele.”

Depois de ser multado por vadiagem e comportamento ofensivo em Rosebud, Dupas foi condenado pelo estupro em Mitcham e encarcerado pela primeira vez. O juiz do condado John Leckie descreveu o ataque como um dos piores tipos de estupro – contra uma jovem mulher casada, na casa dela – e sentenciou o homem de 21 anos a nove anos de prisão, com mínimo de 5.

Dois meses após ser libertado em 1979, Dupas estuprou uma mulher sob a mira de uma faca num banheiro público em Frankston. Durante 10 dias, antes de ser capturado, ele também esfaqueou uma idosa no peito, perseguiu e ameaçou outra mulher com uma faca e tentou agarrar uma terceira.

Apesar do histórico de agressões, o juiz Leo Lazarus sentenciou-o a cumprir apenas seis anos e meio de prisão – novamente com um mínimo de cinco anos.

Quatro dias após esta liberação, Dupas estuprou uma mulher de 21 anos que se bronzeava na praia de Blairgowrie, em 3 de março de 1985. O estupro aconteceu a 4 quilômetros de onde uma mulher havia sido assassinada, 16 dias antes.

Dupas, na época, estava cumprindo as últimas semanas de sua pena por estupro em Frankston, mas descobriu-se mais tarde que ele estava sob liberdade provisória quando a banhista Helen McMahon foi assassinada. Ele foi preso perto da cena do estupro de Blairgowrie após estacionar seu carro em local proibido.

Condenando Dupas pela segunda vez, o juiz Leckie disse que a tentativa anterior do juiz Lazarus em reabilitar Dupas havia fracassado miseravelmente. Ele sentenciou Dupas a 12 anos de prisão com um mínimo de 10 anos.

Enquanto cumpria sua pena mínima de 10 anos, Dupas se casou com uma enfermeira, 16 anos mais velha que ele, na ala psiquiátrica da Prisão de Pentridge. Drogas destinadas a diminuir a libido foram administradas, mas sem muito sucesso.

Pela primeira vez, Dupas afirmou compreender seus problemas.

Na foto: A esposa do serial killer Peter Dupas. Ela era 16 anos mais velha que ele. Créditos: Herald Sun.

Na foto: A esposa do serial killer Peter Dupas. Ela era 16 anos mais velha que ele. Créditos: Herald Sun.

Mas menos de dois anos após sua libertação, em 3 de janeiro de 1994, ele foi capturado fugindo após ter feito cortes nas mãos de uma jovem que lutava para impedir que ele a estuprasse num banheiro em Lake Eppalock. Quando a polícia vasculhou seu furgão, encontrou facas, algemas, uma balaclava, camisinhas, um rolo de fita adesiva, fita isolante, uma pá e uma folha plástica.

Apesar do grau de premeditação envolvido, os promotores não conseguiram sustentar a acusação de tentativa de estupro – assim as acusações contra Dupas foram reduzidas para cárcere privado.

Ele foi condenado a três anos e nove meses de prisão, com um mínimo de dois anos e nove meses, e foi solto em 29 de setembro de 1996.

Nessa época o casamento dele havia chegado ao fim. Sua esposa, que acreditava que Dupas era “assexuado” e tímido perto de mulheres, agora sabia o que ele escondia em seu interior – um monstro manipulador e predatório. “Ele era duas pessoas vivendo sob a mesma casca”, disse mais tarde a mulher ao Sunday Herald Sun. “Uma era meiga e gentil, a outra era puro mal, mas eu nunca soube disso.”

Dupas foi condenado por matar três mulheres, mas a polícia suspeita que ele seja responsável por vários assassinatos não solucionados.

Em outubro de 1997 ele matou a prostituta Margaret Maher e deixou sua assinatura única e terrível antes de descartá-la perto da Hume Highway em Somerton.

Maher se prostituía para comprar drogas, trabalhando em paradas de caminhões e postos de gasolina ao longo da Hume Highway e pegando carona para seus programas. Ela representou uma oportunidade para Dupas.

Halvagis foi a segunda vítima de homicídio do serial killer estuprador.

Em abril de 1999 ele trucidou a psicoterapeuta Nicole Patterson, 28 anos, na casa dela em Northcote, mutilando-a após matá-la de maneira similar à que fez com Maher.

Sua distinta assinatura, a remoção dos seios das vítimas, foi descrita como “um ato depravado de desprezo.”

À esquerda Margaret Maher. À direita Nicole Patterson. Créditos: Herald Sun.

Na foto: À esquerda Margaret Maher. À direita Nicole Patterson. Créditos: Herald Sun.

Dupas planejou cuidadosamente o assassinato de Patterson, tendo marcado uma consulta usando um nome falso e fingindo ter problemas no relacionamento. Ele só queria matá-la.

Ele a esfaqueou 27 vezes e a mutilou em seu consultório. Ele foi indiciado pela morte de Patterson, e um júri o condenou em agosto de 2000.

“Você considerou Nicole Patterson como nada mais que uma presa para ser encurralada e morta”, disse o juiz Frank Vincent quando o condenou a prisão perpétua sem possibilidade de condicional.

“Em um nível fundamental de humanidade, você nos apresenta a terrível, ameaçadora e irrespondível questão: como você se tornou o que é?”

[Frank Vincent, Juiz]

Na foto: Uma fotografia da polícia de Peter Dupas tirada após sua prisão pelo assassinato de Nicole Patterson. Créditos: Herald Sun.

Na foto: Uma fotografia da polícia de Peter Dupas tirada após sua prisão pelo assassinato de Nicole Patterson. Créditos: Herald Sun.

Na foto: Peter Dupas chega à Suprema Corte em Julho de 2004. Créditos: Herald Sun.

Na foto: Peter Dupas chega à Suprema Corte em Julho de 2004. Créditos: Herald Sun.

Em agosto de 2004, um júri declarou Dupas culpado pelo assassinato de Maher. O juiz Stephen Kaye o sentenciou à segunda pena de prisão perpétua sem possibilidade de condicional, afirmando que Dupas era motivado por uma “maldade absoluta.”

“Você matou intencionalmente uma mulher indefesa e inofensiva que, como todas as suas outras vítimas, não tiveram chance de defesa contra você”, disse o juiz ao monstro vil. “Ao longo de três décadas você esteve aterrorizando mulheres neste estado”

A publicidade sobre os casos Patterson e Maher fez com que surgissem testemunhas do assassinato de Halvagis.

Uma testemunha crucial foi o arruinado ex-advogado Andrew Fraser, que dividiu uma cela com Dupas na prisão de Port Phillip enquanto cumpria pena por porte de drogas.

Dupas repetiu elementos do assassinato de Halvagis para Fraser e fez confissões incriminatórias na prisão.

Um primeiro júri considerou Dupas culpado pela morte de Halvagis em agosto de 2007. Ele recorreu, teve um segundo julgamento concedido e foi condenado novamente, em novembro de 2010.

“Você parece ser motivado por um ódio profundamente intrínseco, pervertido e sádico pelas mulheres, e um total desprezo por elas e por seu direito de viverem,” disse a juíza Hollingworth ao condenar o homem de 57 anos à sua terceira pena de prisão perpétua, sem condicional.

As três famílias sofrem até hoje.

George Halvagis se tornou um símbolo das vítimas do crime. Sua campanha por justiça o levou a pressionar parlamentares, policiais e a imprensa para manter o caso em evidência, conseguir uma recompensa oferecida de 1 milhão e mudar a lei para que policiais possam interrogar presidiários a respeito de outros crimes.

“Estou tentando me assegurar de que cada assassino tenha o que merece,” afirmou o pai de Halvagis certa vez.

Há duas semanas ele disse ao Herald Sun: “Eu não quero que ninguém mais passe pelo que nós passamos.”

Como é de praxe, Dupas recorreu da sentença do caso Halvagis – mas fracassou. Até a decisão do tribunal de apelações, a família Halvagis havia esperado por justiça durante 15 anos.

Do lado de fora do tribunal após o julgamento de Dupas em dezembro de 2012, o Sr. Halvagis disse: “Acabou. Minha família e eu já passamos por coisas demais.”

O irmão de Halvagis, Bill, disse que a família estava emocionada com o resultado. “(Pelo fato de a apelação) ter sido rejeitada após 15 anos, finalmente Mersina pode descansar e nós podemos seguir nossas vidas e nos lembrar dela… e valorizar os momentos que tivemos com ela,” disse ele.

Mais de 3 milhões foram gastos pela Victorian Legal Aid (instituição estatal australiana, criada por lei, encarregada de prestar o serviço de atendimento aos hipossuficientes, atuando tanto na área cível quando criminal), pelo Escritório da Promotoria Pública e pelos tribunais em 33 procedimentos legais desde que Dupas foi acusado de homicídio pela primeira vez.

Andrew Fraser se candidatou a receber parte da recompensa de 1 milhão por seu papel como testemunha-chave que ajudou a garantir um veredito de culpa.

Na foto: Kathleen Downes, 95, foi horrivelmente morta em Brunswick. Suspeita-se que ela foi morta pelo serial killer Peter Dupas. Créditos: Herald Sun.

Na foto: Kathleen Downes, 95, foi horrivelmente morta em Brunswick. Suspeita-se que ela foi morta pelo serial killer Peter Dupas. Créditos: Herald Sun.

Em julho de 2013, detetives tiveram cinco horas para interrogar Dupas sobre o esfaqueamento e morte em 1997 da idosa Kathleen Downes em sua casa de repouso em Brunswick. Downes foi esfaqueada por volta das 6h30min da manhã de 31 de dezembro, quase dois meses depois de Halvagis ter sido assassinada.

Um detetive do caso afirmou que o telefone da casa de Dupas foi utilizado para contatar a casa de repouso de Downes duas vezes, em novembro de 1997.

O tribunal descobriu que outra ligação supostamente foi feita na véspera de ano novo daquele ano, apenas duas horas antes da vítima ter sido esfaqueada e morta.

Supostamente Andrew Fraser teria dito aos investigadores que Dupas lhe confessou que “eles nunca me pegarão por isso” – em referência ao assassinato de Downes.

A polícia nunca desistiu da esperança de indiciá-lo se e quando surgirem evidências suficientes.

Na foto: George Halvagis no túmulo onde sua filha Mersina foi morta. Créditos: Herald Sun.

Na foto: George Halvagis no túmulo onde sua filha Mersina foi morta. Créditos: Herald Sun.

Na foto: George e Christina Halvagis no túmulo da filha. Créditos: Herald Sun.

Na foto: George e Christina Halvagis no túmulo da filha. Créditos: Herald Sun.



Fonte: Mersina Halvagis: Serial killer Peter Dupas has inflicted misery on many

Esta matéria teve colaboração de:

Tradução por:
marcus

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