Julgamento de Luka Magnotta: A criação de Luka Rocco Magnotta, segundo o psiquiatra Joel Watts 

Um mês antes de matar e desmembrar Jun Lin, Luka Magnotta foi ao Jewish General Hospital onde contou a um psiquiatra que não conseguia dormir, e estava se sentindo...
Luka Magnotta

Na foto: O psiquiatra Joel Watts, à esquerda, e o advogado de Luka Magnotta Luc Leclar, à direita, durante um intervalo do julgamento. Créditos: Dario Ayala. National Post.

Na foto: O psiquiatra Joel Watts, à esquerda, e o advogado de Luka Magnotta Luc Leclar, à direita, durante um intervalo do julgamento. Créditos: Dario Ayala. National Post.

Um mês antes de matar e desmembrar Jun Lin, Luka Magnotta foi ao Jewish General Hospital onde contou a um psiquiatra que não conseguia dormir, e estava se sentindo impulsivo e irritável. 

Ele disse ao psiquiatra do plantão, Dr. Joel Paris, que tinha um histórico de esquizofrenia paranoide, que frequentemente ouvia vozes, e tinha medo de estar sendo seguido.

Magnotta contou ao Dr. Joel Paris e ao residente de serviço naquele dia que havia sofrido repetidos abusos sexuais de um primo quando tinha 14 anos. Ele tinha medo de ser abandonado, enganado, e sentimentos crônicos de solidão.

Paris encaminhou Magnotta a um CLSC (centro local de serviços comunitários) para terapia e sugeriu antidepressivos para sua mania compulsiva de puxar o cabelo.

Algumas semanas depois, em 29 de maio de 2012, a polícia de Montreal descobriu o primeiro de vários pacotes contendo partes do corpo de Jun Lin. Magnotta havia jogado algumas delas no lixo e enviou outras pelo correio por todo o país. Ele descartou a cabeça de Lin no Parque Angringon.

Aquela visita ao JGH em 17 de abril foi a última de uma longa série de consultas com psiquiatras e hospitais que havia começado quando Magnotta tinha 17 anos, de acordo com um relatório de 124 páginas apresentado no tribunal pelo psiquiatra Joel Watts, durante o seu julgamento por homicídio em primeiro grau.

O relatório – preparado pelo psiquiatra, que passou 38 horas e 30 minutos ao longo do ano passado com Magnotta, e também conversou com parentes, médicos da família de Magnotta e psiquiatras – detalha uma triste vida de instabilidade, paranoia e uma busca incessante por amor.

“Ele frequentemente procurava clínicas se sentindo confuso, desamparado, e achava que não era capaz de fazer nada direito,” diz o relatório.

“Tudo que eu queria era alguém que me amasse e cuidasse de mim,” disse Magnotta a Watts.

Uma infância difícil

O relatório detalha o que aparenta ser um caso clássico de uma criança que se perdeu. Magnotta não foi mandado à escola até a 5ª série, começou a ouvir vozes aos 17 anos, e foi tratado esporadicamente por graves distúrbios mentais.

Magnotta descreveu sua mãe como uma mulher obcecada por limpeza, sempre usando uma máscara cirúrgica, luvas de borracha e lavando repetidamente as mãos de seus filhos.

Ela os educou em casa, e algumas vezes deixava os filhos trancados do lado de fora da casa ou do carro, e deixava seus coelhos de estimação ao relento para que morressem de frio, contou Magnotta a Watts.

Magnotta afirmou que sentia que sua avó materna, Phyllis Yourkin, havia sido a pessoa que realmente o havia criado. Frequentemente ela o vestia com as roupas dela e dormia com ele quando era menor. Ele gostava de brincar com Barbies, e sentia que queria ser uma garota.

Uma vez, ele conta que sua avó lhe disse: “Você segura o copo como uma bicha.”

Tímido, desajeitado, reservado e sofrendo com acne, o jovem Eric sempre era provocado pelo seu irmão menor, Conrad, que também o chamava de “bicha”, contou sua irmã Melissa a Watts.

Ele era obcecado por estrelas de cinema como Marilyn Monroe – ele disse que sentia como se a alma dela estivesse dentro dele. Ele escreveu uma resenha para a escola sobre Ava Gardner e Sharon Stone, a estrela do filme “Instinto Selvagem.”

Em 1994, o pai de Magnotta teve uma séria crise de esquizofrenia e se divorciou da mulher. Alguns anos depois, seu filho mais velho receberia o mesmo diagnóstico.

Foi a avó de Magnotta, preocupada com o fato de ele estar ouvindo coisas, falando alto e parecendo assustado, quem o levou primeiro a um psiquiatra em meados de 1999. Após aquele diagnóstico de esquizofrenia paranoide, ele largou o ensino médio, deu entrada num benefício por incapacidade e foi admitido em um abrigo psiquiátrico, onde frequentemente acreditava que o governo o estava seguindo e que seu telefone estava grampeado.

Ele tinha 18 anos.

De Newman para Magnotta

Durante seus vinte e poucos anos, Eric Newman, que legalmente havia mudado seu nome em 2005 para Luka Rocco Magnotta, em uma tentativa de se “reinventar”, foi tratado da esquizofrenia em hospitais de Scarborough, Lindsay e Toronto, bem como na Harrison House, um abrigo para pessoas com problemas mentais. Frequentemente lhe prescreviam medicamentos antipsicóticos, mas não o levavam a sério.

O perfil online macabro de Magnotta veio à tona pela primeira vez em 2010, após ele ter se mudado para Nova Iorque sem nenhum acompanhamento psiquiátrico regular. Em Dezembro de 2010, vídeos de Magnotta asfixiando gatos apareceram online e causaram a ira de grupos defensores de animais.

No ano seguinte, em Miami, ele foi levado ao Hospital Mount Sinai pela polícia e mantido na ala psiquiátrica por 48 horas. A equipe do hospital que o admitiu o descreveu como alguém “ultra organizado”, com expressões emocionais normais e adequadas. Mas ele não conseguiu se lembrar como foi de Miami a Nova Iorque ou há quanto tempo estava lá.

“O prontuário médico de 19 de janeiro de 2011 indica que Magnotta estava com medo de um homem que havia abusado dele no passado e temia que esse indivíduo pudesse voltar para pegá-lo,” Watts menciona no seu relatório. No dia seguinte, uma psiquiatra examinou Magnotta e o descreveu como alguém ansioso, paranoico e desorganizado, e achou que ele estava sofrendo de psicose.

Magnotta ligou para a mãe dele do hospital e pediu que ela dissesse à equipe que ele não precisava ser mantido lá, o que ela recusou.

Ele voltou para Nova Iorque e depois para Toronto antes de decidir ir para Montreal em Fevereiro de 2011. Ele alugou um apartamento mobiliado na Charlevoix St., e então se mudou de novo em Julho. Finalmente, em Fevereiro do ano seguinte, ele se mudou para a Décarie Blvd., onde mataria Lin.

Aparentemente, segundo o relatório psiquiátrico de Watts, Magnotta tentou buscar ajuda para sua doença até um mês antes de assassinar Lin em Maio de 2012, mas não conseguiu. Assim que chegou a Montreal, ele procurou uma clínica para obter uma receita para sua medicação, mas lhe foi dito que ele necessitava do encaminhamento de um clínico geral para um psiquiatra. Entretanto, Magnotta não possuía um médico.

“Ele frequentemente procurava clínicas se sentindo confuso, desamparado, e achava que não era capaz de fazer nada direito,” Watts escreve. “Ele acrescentava: ‘tudo que eu queria era alguém que me amasse e cuidasse de mim.’”

No outono de 2011, Magnotta ainda não estava tomando medicamentos. Ele pegou dois gatos, os quais nomeou Jasmin e Kenny, porque ele se sentia sozinho. Seu namorado de Nova Iorque, Manny, foi ao apartamento dele, onde Magnotta estava cuidando da píton de estimação de um amigo.

“Simplesmente aconteceu”, Magnotta contou a Watts. “Eu estava realmente assustado e não conseguia parar de tremer.”

No dia seguinte, Magnotta disse que sentia como se estivesse à beira de um colapso nervoso quando pôs o outro gato na banheira, após Manny ter lhe dito novamente para “fazer aquilo.”.

“Ele não sabia como o vídeo havia sido postado na internet, mas lembrava que Manny disse que ele podia vender os vídeos ‘em sites de vídeos torrent’,” diz o relatório de Watts.

Depois de os vídeos terem sido postados, Magnotta foi para Londres por alguns dias, em Dezembro de 2011, onde foi entrevistado pelo repórter britânico Alex West sobre os vídeos com gatos. Alguns dias após a entrevista, o jornal de West, o The Sun, recebeu um email ameaçador que Magnotta mais tarde admitiu ter enviado.

“Desta vez, entretanto, as vítimas não serão pequenos animais,” escreveu ele. “Eu irei, no entanto, mandar para vocês uma cópia do novo vídeo que irei fazer. Sabem, matar é diferente de fumar… você realmente consegue parar de fumar.”

Magnotta disse a Watts que estava enojado consigo mesmo por ter enviado aquilo e afirmou que sua motivação era “talvez assustar pessoas.”.

Em Março de 2012 – dois meses antes de Lin ser morto – Melissa Newman falou com o irmão através do Skype. Ela disse a Watts que ele parecia confuso, como se estivesse possuído, e falava desconexamente sobre comida e o cabelo da avó.

“Ele tinha um olhar vazio, o que ele dizia não fazia sentido,” contou ela a Watts.

Uma mudança gradual havia acontecido desde 2006, disse ela. Seu irmão havia mudado o nome para Luka Magnotta, nome de um vinhedo em Ontario, porque não gostava de si mesmo e queria se reinventar.

Ele se tornou “mais distante, menos capaz de expressar seus sentimentos, seu olhar era perdido e ele não tinha mais senso de humor,” Melissa Newman disse ao psiquiatra.

Na foto: O réu Luka Magnotta, em foto apresentada durante seu julgamento pelo assassinato do estudante chinês Jun Lin. Reprodução Internet.

Na foto: O réu Luka Magnotta, em foto apresentada durante seu julgamento pelo assassinato do estudante chinês Jun Lin. Reprodução Internet.

Vozes ordenaram a Magnotta que matasse Lin

No começo de Maio de 2012, Magnotta contou a Watts que Manny retornou a Montreal, mas ele disse a seu ex-namorado que não queria vê-lo porque ele era “doente”.

Mais tarde naquele mês, e pouco antes do assassinato, ele enviou à sua mãe um cartão de dia das mães com 20 dólares canadenses dobrados dentro. Por volta do horário da morte de Lin, ele enviou várias mensagens de texto para o telefone da avó, que as mostrou para a irmã dele, Melissa. Às 7h22min da manhã de 25 de Maio, depois de matar Lin, Magnotta fez uma ligação para aquele número, que durou quase quatro minutos. Nenhuma das mulheres se lembra da chamada.

De acordo com o relatório do psiquiatra, Magnotta disse-lhe que em 24 de Maio, o dia em que se encontrou com Lin no McDonald’s perto da Snowdon Metro e o levou para casa, ele estava se sentindo “realmente estranho” e sua “cabeça estava a mil”.

Durante os seus encontros com Watts, Magnotta oscilou entre afirmar que Manny havia ligado repetidamente e dito a Lin para amarrar Magnotta e fazer sexo com ele, e culpar as vozes na sua cabeça, dizendo “eu não me lembro do que estava acontecendo. Foi como um apagão. Eu me lembro de me sentir molhado, ouvindo (vozes) dizendo, ‘corte’.”.

Manny, disse ele, continuou ligando e dizendo que Lin poderia ser um agente trabalhando para o governo. Então as vozes lhe disseram a mesma coisa, e que ele deveria matar Lin.

“Na minha cabeça, ele era um agente, estava com medo de que ele tivesse me envenenado e que era por isso que eu estava me sentindo mal.”

Watts escreveu em seu relatório que Magnotta parecia estar quase ofegando enquanto recontava os detalhes da noite.

Magnotta disse que Manny lhe orientou a colocar as evidências do crime no lixo e pôr o corpo em uma banheira.

“Era como se houvesse alguém dentro de mim assumindo o controle, como um espírito dentro de mim; às vezes meu corpo ficava lento, como se alguém me fizesse andar e falar lentamente e então deixando minha mente lenta e acelerada,” contou Magnotta.

Magnotta teria conhecido este suposto Manny em 2010, enquanto trabalhava como acompanhante em Nova Iorque. Manuel Lopez, seu nome completo, era adepto de bondage e de orgias, as quais ele filmava.

Magnotta contou a Watts que Lopez retirou os medicamentos dele, dizendo que eram eles que causavam sua ansiedade, e tentou convencê-lo de que a Cientologia era a resposta para seus problemas psiquiátricos. Magnotta alega que explicou sua doença e necessidade de medicação para Lopez, mas o homem ficou furioso e bateu nele.

Magnotta conseguiu uma nova receita, afirmou ele, mas desenvolveu um medo crescente do que havia se tornado um relacionamento abusivo e fez planos para se mudar para Miami. Mas em vez de fugir de seu namorado abusivo, Magnotta disse que levou Manny consigo para a cidade.

O tribunal ainda precisa descobrir evidências do paradeiro de Manny Lopez, ou se ele ao menos existe.

Em seu relatório, apresentado no julgamento, Watts detalhou um monólogo longo e desconexo de Magnotta no qual ele chama as coisas que fez de “nojentas”.

“Quando eu penso nelas, eu odeio a mim mesmo, eu não sei por que estou vivo,” Watts cita as palavras de Magnotta.

“Eu me sentia como se não soubesse por que estou aqui, por que eu nasci, desde que era mais novo.”

Continuaremos acompanhando o julgamento. Não deixe de nos acompanhar no Facebook e Twitter.

Fonte: Leaderpost

Esta matéria teve colaboração de:

Tradução por:

marcus

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