Jeffrey Dahmer Arquivos do FBI: A morte de Adam Walsh

Este terceiro post da série Jeffrey Dahmer Arquivos do FBI aborda um telegrama contido no Documento 6 a respeito da suspeita de que Jeffrey Dahmer pudesse estar envolvido no...
Jeffrey Dahmer Arquivos do FBI - Adam Walsh

Jeffrey Dahmer Arquivos do FBI - A morte de Adam Walsh

Este terceiro post da série Jeffrey Dahmer Arquivos do FBI aborda um telegrama contido no Documento 6 a respeito da suspeita de que Jeffrey Dahmer pudesse estar envolvido no assassinato do garoto Adam Walsh.

27 de Julho de 1981 parecia mais um dia de diversão para Adam Walsh, uma típica criança americana a passear por um shopping em Hollywood, Flórida. Aos seis anos, o garoto estava apenas em busca de alguns jogos de Atari, o videogame que era o Playstation daquela época. O que ele iria encontrar, entretanto, seria a mais pura brutalidade. Alguém surgiria para lhe arrancar o muito que havia por viver.

Tudo aconteceu em pouquíssimo tempo. Quando a mãe retornou ao local onde havia deixado o filho, constatou que este não estava mais lá. Revé Walsh ficou mais e mais desesperada à medida que foi percebendo que não se tratava de um mero desencontro ou outro evento sem consequências. Era um desaparecimento, e ninguém demonstrava dispor de informações precisas que providenciassem uma localização rápida.

No dia 10 do mês seguinte, pescadores acharam a cabeça decapitada de Adam em um canal da cidade de Vero Beach, também na Flórida. O desfecho não podia ser pior. Quem seria o autor do homicídio? Quem teria sido tão cruel? Um parente próximo? Um conhecido? Um estranho qualquer? A identidade do assassino continuaria como assunto em voga nas décadas posteriores, contribuindo para aumentar o destaque de um caso que já se originara bastante notório.

Para começar, o pai da vítima, John Walsh, transformou-se em apresentador de TV bem-sucedido ao comandar o America’s Most Wanted, programa policial cuja essência se cruzava com o drama pessoal vivido. A família jamais deixou de cobrar a elucidação do crime, nunca permitiu que o mistério caísse no esquecimento da mídia e do público. O interesse da mídia e do público, ao contrário de sucumbir à passagem dos anos, manteve-se em alta.

Em 1983, o nome de Ottis Toole ligou-se definitivamente ao caso. O assassino em série, que tinha por hábito agir em dupla com o não menos brutal Henry Lee Lucas, confessou a autoria da atrocidade. A confissão foi recebida de forma contraditória pelas autoridades. De um lado, alguns acreditaram na riqueza dos detalhes contados por Toole. De outro, a validez dos depoimentos seria cada vez mais posta em xeque, conforme o homem escancarava sua tendência a assumir – fosse qual fosse a razão – assassinatos improváveis.

Foi somente em 1991 que a investigação passou a considerar o vínculo de outro serial killer com “vocação” para celebridade: ninguém menos que Jeffrey Lionel Dahmer. Exatamente na época em que Adam Walsh foi morto, a dispensa do Exército havia propiciado a volta de Dahmer aos Estados Unidos. Ele estava vivendo em Miami Beach, Flórida, geograficamente próximo ao local do crime. Coincidência ou não, o fato não haveria de ser ignorado pela polícia.

O ano de 2008 trouxe a notícia do fechamento do caso, ratificando a hipótese de que Toole teria sido o responsável. Em 1996, à beira da morte por insuficiência hepática, ele chegara a reafirmar seu completo envolvimento em conversa com uma sobrinha. A família Walsh mostrou-se satisfeita com a solução, pois desde sempre esteve inclinada a crer na culpa de Toole.

Com efeito, o assassinato em questão se encaixa mais no perfil de Toole – um sanguinário sem grandes critérios – que no perfil de Dahmer, um predador que agia de acordo ao direcionamento do que suas fantasias específicas determinavam. É de intrigar, porém, o modo escorregadio como o canibal de Milwaukee lidou com os questionamentos que lhe foram apresentados.

Veja por si mesmo, pela documentação do FBI, como Jeffrey Dahmer se portou quando chamado a responder sobre o caso Adam Walsh:

“Miami recebeu informação de que três testemunhas, separadamente, apareceram e puseram Dahmer no Hollywood Shopping Center na manhã em que Adam Walsh foi raptado na loja de departamentos Sears. Essas testemunhas foram descritas como cidadãos comuns confiáveis, e não como indivíduos à procura de notoriedade ou publicidade. Todas elas, depois de terem visto Dahmer no noticiário, entraram em contato com a polícia em diferentes momentos. Nada informa ou faz pensar que se conheçam entre si.

De posse dessa informação, Miami concordou em tentar garantir uma entrevista pessoal com Dahmer. Houve contato por telefone com o advogado de Dahmer, Jerry Boyle, em numerosas ocasiões. Os novos desdobramentos do caso Walsh foram apresentados a Boyle, e ele aquiesceu em ajudar desde que isso não colocasse seu cliente em risco. Conforme o Bureau e Milwaukee estão cientes, Dahmer tem se recusado a se implicar em casos ocorridos nesses estados onde se realiza a pena de morte. 

O advogado Boyle negou permissão para que seu cliente fosse entrevistado antes do julgamento. Ele indicou que Dahmer tinha uma informação (possivelmente, um álibi) que o eliminaria como suspeito do caso Walsh; porém, essa informação nunca foi compartilhada com Miami. Houve tentativa de obter essa informação antes do julgamento, mas Boyle não se colocou disponível e se recusou a retornar chamadas telefônicas, alegando que entraria em contato com o agente do caso de Miami depois do julgamento.

O último contato telefônico com Boyle ocorreu na terça-feira, 16 de Abril de 1992, quando ligaram para sua residência. Durante a conversa, ele apontou que Dahmer havia contratado um advogado da Filadélfia, Robert Mozenter, para atuar no caso. Boyle não pareceu entusiasmado em discutir o caso.

Em uma das conversas referidas acima, ele indicou que Dahmer tinha se tornado amigo de um dos detetives do Departamento de Polícia de Milwaukee. Miami ainda gostaria de entrevistar Dahmer, uma vez que ele é, atualmente, o único suspeito no caso. Se Milwaukee, através do Departamento de Polícia local, pudesse tentar facilitar uma entrevista, isso certamente auxiliaria no assunto Walsh.”

Federal Bureau of Investigation – Miami Office
[Assunto]: Jeffrey Dahmer
[Número do Arquivo]: 95-HQ-299705
[Data]: 30 de Abril de 1992

De acordo com o ex-agente do FBI Neil Purtell, investigadores de Wisconsin fizeram a conexão Walsh/Dahmer no mesmo dia em que o serial killer foi preso. Uma linha do tempo colocou Dahmer no sul da Flórida no mesmo dia em que Adam foi sequestrado. Além disso, seu local de trabalho, a Sanduicheria Sunshine Subs, ficava a poucos minutos do Shopping Hollywood. Outro fato que chama atenção é que Walsh foi decapitado e Dahmer decapitava suas vítimas para manter os crânios. Em 1981, Adam poderia ter servido como uma espécie de “treinamento” (apesar de Dahmer também ter decapitado e desmembrado sua primeira vítima, Steven Hicks). “Honestamente para Deus, Neil, eu não fiz isso. Sabe, Neil, quem matou Adam Walsh não pode viver em nenhuma prisão, nunca.”, teria dito Dahmer ao ex-agente do FBI durante um interrogatório. Numa entrevista para a rede ABC News em 2007, Purtell disse que Dahmer não confessou a morte de Adam por medo de ser morto na cadeia como um pedófilo.

Embora Dahmer estivesse vivendo na área na época do assassinato de Walsh, muitos especialistas sentem que o caso não se encaixa em seu modus operandi. As 17 vítimas conhecidas de Dahmer variavam de 14 a 36 anos, bem mais velhos do que Adam. Entretanto, lembremos que Dahmer fora preso por abaixar suas calças para dois garotos de 12 anos em Milwaukee e por molestar outro de 13.

Até a morte, Dahmer manteve sua versão de que não matou ninguém entre 1978 e 1987. O psiquiatra George Palermo, que examinou Dahmer antes de seu julgamento, disse que sempre acreditou que houvesse mais vítimas. Já Billy Capshaw, colega de quarto de Dahmer no Exército enquanto serviram na Alemanha, confessou ao seu terapeuta que o serial killer saía à noite e voltava na manhã seguinte com “sua camiseta encharcada em sangue.”

Dahmer foi um suspeito na morte de Adam Walsh, mas tudo o que investigadores conseguiram foram apenas coincidências. A polícia da Flórida descarta totalmente o envolvimento do canibal de Milwaukee na morte de Adam Walsh. O caso foi oficialmente fechado em 16 de Dezembro de 2008 com Ottis Toole sendo anunciado pelas autoridades como o assassino de Adam Walsh.

Continua:

A história completa de Jeffrey Dahmer, o “Canibal de Milwaukee”, pode ser lida no link abaixo:

Fonte consultada: FBI Records: The Vault. Jeffrey Lionel Dahmer.

Esta matéria teve colaboração de:

Tradução e texto:

clara

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