Jeffrey Dahmer Arquivos do FBI: Entrevista com o Canibal

Este quinto post da série Jeffrey Dahmer Arquivos do FBI aborda a entrevista dada por Dahmer a um agente do escritório do FBI de Miami. Esta entrevista está contida no Documento 2 dos arquivos liberados pelo Bureau sobre o caso.
Jeffrey Dahmer Arquivos do FBI - Entrevista - Destacada

Jeffrey Dahmer Arquivos do FBI - Entrevista

Este quinto post da série Jeffrey Dahmer Arquivos do FBI aborda a entrevista dada por Dahmer a um agente do escritório do FBI de Miami. Esta entrevista está contida no Documento 2 dos arquivos liberados pelo Bureau sobre o caso.

O que você faria para garantir que aquele parceiro de sexo casual não fosse embora no dia seguinte? Como fazer com que ele participasse, sem reclamar, de cada uma das suas fantasias?

Jeffrey Lionel Dahmer (1960-1994) encontrou uma solução muito pessoal para impasses do tipo. Uma saída que o levou a ser considerado um dos serial killers mais doentios da história dos Estados Unidos, tanto no que é relativo à natureza das motivações quanto nos aspectos do modus operandi. Esquartejamento, mumificação, necrofilia, canibalismo – tudo isso compunha o repertório do assassino, configurando a relação deste com as vítimas e refletindo um mundo interno de bizarrices.

Depois de capturado pela polícia de Milwaukee, Wisconsin, Dahmer concedeu dezenas de horas de entrevistas ao FBI. Nelas, fica claro que a intenção dos entrevistadores não apenas se resumia a reconstituir os passos do serial killer desde 1978, ano no qual ele cometeu seu primeiro assassinato, até 1991, quando sua prisão foi efetuada. Era necessário, além disso, sondar o íntimo do predador, compreender o que se movimentava em seu âmago, saber como e por que seus desejos se transformaram em pesadelo real.

A conversa que você vai ler a seguir é uma amostra pertinente do roteiro que a investigação costumava percorrer visando à obtenção de respostas objetivas. O entrevistado responde perguntas a respeito da possibilidade de seu envolvimento no rapto e homicídio do garoto Adam Walsh, ocorrido em 1981; explica os porquês de ter passado incólume por tanto tempo aos olhos da lei; fornece detalhes de como agia para atrair os homens que executava; e demonstra sua própria confusão, a nebulosidade que lhe tomou os sentidos no dia em que foi descoberto.

Ao mesmo tempo, este material é um meio de conhecer mais da personalidade de Jeffrey Dahmer. Constitui-se em caminho para adentrar sua subjetividade, aquilo que, mais do que qualquer outro fator, o fez tão único e famigerado. É inevitável, por exemplo, que ao tomarmos contato com os relatos de Dahmer acerca dos métodos seguidos para conservar partes dos corpos das vítimas, a alta capacidade de articulação demonstrada por ele nos faça duvidar do suposto constrangimento autoalegado.

Na mesma medida em que é assustador o contraste entre o teor e o tom da conversação – este último beirando a naturalidade –, também nos espanta uma postura de si para si que flerta com uma autocrítica disciplinada, cuja existência seria surpreendente se ligada ao arrependimento. No entanto, o que temos aqui é nada menos que um dos elementos-chave do mistério por trás dos monstros mais poderosos. Dos monstros cientes de sua monstruosidade e monstruosos o bastante para praticá-la ainda assim, Jeffrey Dahmer, sem dúvida, foi o mais enigmático.

A Entrevista

  • Esta entrevista foi feita em 13 de Agosto de 1992.
  • Abreviações: FBI – Federal Bureau of Investigation; JD – Jeffrey Dahmer

NÃO VISÍVEL #: 81-56073

CRIME & CLASSIFICAÇÃO DE HOMICÍDIO

DECLARAÇÃO DE: JEFFREY DAHMER

CENSURADO – DEPARTAMENTO DE POLÍCIA DE HOLLYWOOD

A seguir uma entrevista gravada, a data é 13 de Agosto de 1992 e foi tomada às 13h30. Esta entrevista foi dada por Jeffrey Lionel Dahmer, W/M, nascimento 21-5-60, ele está atualmente encarcerado na Columbia Correctional Facility em Wisconsin. Também presente neste momento o agente censurado do escritório do FBI de Milwaukee.

FBI – Como eu disse antes Jeffrey, meu motivo principal de vir aqui é falar com você sobre suas atividades após você ser dispensado do serviço militar e chegar no sul da Flórida. Basicamente o que eu gostaria de saber, quando você chegou ao sul da Flórida e como você chegou lá?

JD – Certo, eu fui dispensado seis meses antes do tempo do… do serviço por humm, beber demais… humm, eu não queria ser dispensado antes mas eles, eles dispensaram… Então quando eu cheguei eu acho que era Carolina do Sul… Eles me dispensaram e me informaram que me dariam uma passagem aérea para qualquer lugar dos EUA que eu quisesse ir. E eu não queria… Eu não queria ir para casa direto porque eu não me sentia confortável em explicar para meus pais porquê eu estava fora seis meses antes. Então eu decidi que Miami, Flórida, seria um lugar quente para ir. Eles me levaram até lá. Eu fiquei, acho que cheguei no final de… no final de Março, acredito.

FBI – Março de que ano?

JD – De humm, oitenta… oitenta e um acredito, não tenho certeza.

FBI – E você voou para onde, Miami ou Ft. Lauderdale?

JD – Miami. Fiquei uma semana em um hotel na costa, com uma vista de frente para o oceano.

FBI – Você se lembra do nome do hotel?

JD – Ao longo da Collins Avenue. Não, não me lembro do nome do hotel.

FBI – Era na Collins Avenue em Miami Beach?

JD – Na Collins Avenue em Miami Beach. Fiquei lá por uma semana e meu dinheiro acabou, não pensei direito, não planejei muito bem. E por um ou dois meses eu tive que dormir em… dormir literalmente debaixo das docas da praia e tomava banho uma ou duas vezes por semana em um quarto de hotel. Eu finalmente arrumei um emprego após dois meses lá, na Sunshine Subs…

FBI – Onde era isso? Sunshine Subs?

JD – Era na Collins Avenue também. Era um desses, um desses, humm… espécie de shopping… ficava logo após a Avenue. Tinha uma entrada particular e havia diferentes lojas por todo o lado… o lugar…

FBI – Quanto tempo você trabalhou lá?

JD – Humm, de… Abril a… Setembro eu acho.

FBI – Qual cargo você tinha?

JD – Tinha… humm… eu tinha todos os tipos de cargos, caixa, cozinheiro, faxineiro… E o cara me pagava por baixo dos panos para que ele não tivesse que… você sabe… E ao mesmo tempo eu recebia seguro desemprego então toda a situação era…

FBI – Você se lembra em qual escritório você recebia o seguro desemprego?

JD – O quê?

FBI – Em que escritório você recebia seu seguro desemprego?

JD – No centro de Miami eu acho.

FBI – Miami Beach ou na cidade de Miami?

JD – Acredito que era na cidade porque eu precisava pegar o ônibus para chegar até lá…

FBI – Nesse período que você trabalhava na Sunshine, você conseguiu alguma moradia?

JD – Eu…Eu guardei dinheiro suficiente para ter uma moradia por um tempo, em Maio… e eu tive um lugar de um quarto em Bimini Bay, é um lugar parecido com um motel.

FBI – Era em Miami Beach também?

JD – Bem na Collins Avenue aproximadamente… humm… talvez quinhentos metros de onde eu trabalhei, eu poderia andar até lá. E eu só tinha um quarto, pequeno, geladeira pequena, banheiro… TV.

FBI – Você ainda tem seu uniforme do exército com você? Suas fardas e coisas?

JD – Eu tinha uma mala com algumas das humm… com os papéis da minha dispensa do exército, roupas de civil, quanto à minhas roupas joguei todas fora, não queria ter nada mais a ver com os verdes.

FBI – Más memórias.

JD – Sim. Então eu não andava por aí com fardas ou algo assim.

FBI – Você não guarda nada do seu tempo no exército?

JD – Nem botas, nada.

FBI – Quanto você tinha em sua conta bancária?

JD – O valor mais alto que tive foi humm… um pouco a mais que mil.

FBI – Certo, mil. Você se lembra em qual banco era?

JD – O banco era próximo ao Sub Shop e eu não me lembro mais do nome. Mas eu trabalhava humm… todo dia, quase todo dia, de vez em quando eu tirava um dia de folga aos finais de semana. Eu trabalharia dez, doze turnos… humm da manhã à noite… e humm… não tinha nenhum tempo livre para recreação.

FBI – Você se lembra do nome do seu supervisor?

JD – Sim, ele era humm… deixe-me ver… Ken, acredito que seu nome era Ken Houleb.

FBI – Qual era seu sobrenome?

JD – Houleb eu acho, H-O-U-L-E-B. Ken Houleb.

FBI – Qual era a idade dele?

JD – Humm… Ele tinha em torno de 65 quando eu estava lá.

FBI – (W/M?)

JD – Sim. Negócio de família.

FBI – Você se lembra de algum colega de trabalho?

JD – Sim, tinha uma moça, poucos anos mais velha que eu, que veio da Inglaterra, e ela trabalhava lá antes de mim… e humm… nós nos demos bem juntos, tínhamos uma pequena amizade, conversávamos… E ela estava sempre preocupada sobre ser descoberta, de descobrirem que ela não tinha um green card. Ela estava sempre preocupada com isso.

FBI – Você se lembra do nome dela?

JD – Eu não me lembro do nome dela.

FBI – Quantos anos ela tinha?

JD – Provavelmente 28… Eu sei que ela veio da Inglaterra, ela tinha um sotaque inglês.

FBI – Seu único meio de transporte na época era público?

JD – Ônibus, era isso.

FBI – Transporte público.

JD – E… humm… como eu disse, eu trabalhava dez, doze horas por dia, a maior parte do tempo, então, eu não tinha muito tempo para curtir. Humm… bem, vamos ver mais. A única vez que eu realmente sai para algum shopping foi para o Omni Mall que fica no centro de Miami.

FBI – Certo.

JD – Eu fui lá uma vez. E dei uma volta. Uma coisa que me incomodava sobre aquele shopping era que… Muitas das joalherias aqui em Wisconsin, você sabe, o preço mais alto que você verá de uma joia na vitrine é 5 mil ou algo assim. Lá me lembro de ver por 250 mil dólares… humm… um broche de rubi na vitrine no shopping.

FBI – Era impressionante?

JD – Sim, você não vê coisas assim aqui. Mas eu apenas dei uma volta. Foi só isso o que fiz… quando peguei o ônibus.

FBI – Além do clima quente e tudo mais, houve uma razão específica para você escolher a Flórida?

JD – Essa foi a única razão.

FBI – Você nunca esteve lá antes?

JD – Nunca estive lá antes.

FBI – Você tem amigos ou família por lá?

JD – Ninguém.

FBI – E sobre seu tempo livre, o que você fazia em seu tempo livre lá?

JD – Andava pela praia, pela Collins Avenue. Bebia, muito, eu geralmente bebia em excesso após o trabalho porque quando eu não… humm… meu, apartamento, eu… eu odiava voltar para a praia para dormir lá, então eu ficava bebendo até talvez três da manhã, e nesse tempo eu fui roubado. Um cara pegou cem de mim.

FBI: Você reportou isso para a polícia?

JD: Não. Em outra vez eu me lembro de voltar à praia e lá estava… para o lugar onde eu havia, você sabe, minha área de dormir remexida. E haviam alguns outros caras lá e eles, eu quase fui esfaqueado porque eles não sabiam quem eu era. Eles pensaram que eu estava tentando roubar eles ou algo assim… Outra vez eu tropecei em uma gambá no meio da noite. Me assustou muito.

FBI – Sorte que você não foi mordido.

JD – Sim.

FBI – No seu tempo livre você se socializava com alguém? Ia a clubes?

JD – Só aquela moça.

FBI – Aquela moça, a inglesa?

JD – Sim.

FBI – E clubes?

JD – Eu ia, ia em alguns bares, os bares locais por lá.

FBI – Na área de Miami Beach?

JD – Sim.

FBI – Teve uma hora que você se mudou do quarto de Bimini, do apartamento em Bimini? Para algum lugar ao norte?

JD – Sim, para Ohio. Foi em Setembro.

FBI – Ah certo, vamos voltar então. Quando você ainda estava na Flórida. Você alguma vez se mudou para o norte de Miami Beach?

JD – O único lugar que eu tive residência foi em Bimini Bay. Este foi o único lugar que eu estive.

FBI – (Como se soletra isso?) Acho que é B-I-M-I-N-I.

JD – Era em torno de 400 o mês.

FBI – Você viajou pelo estado da Flórida?

JD – Fui para Ford Lauderdale uma vez com o namorado daquela moça, ele veio da Europa para tentar reatar o namoro com ela.

FBI – Você se lembra do nome dele?

JD – Eu não me lembro do seu nome. Eles não terminaram bem.

FBI – Ele era inglês também?

JD – Sim. E humm, ele tinha um carro. Uma vez nós empacotamos tudo e fomos de carro para Fort Lauderdale. E tomamos alguns drinks em algum bar lá e humm, fomos embora para casa, foi isso.

FBI – Que tipo de carro ele tinha?

JD – Não sei, algum carro quatro portas velho como um Dodge, mas não me lembro, apenas estou chutando.

FBI – Certo… E sobre quando você estava lá, você teve que procurar atendimento médico? Você alguma vez se machucou ou ficou doente de forma que precisou de atendimento médico em um hospital?

JD – Bem, o mais perto que cheguei disso foi na primeira semana lá em que bebi uma garrafa inteira de Grasshopper, humm… licor, sabe, licor, e eu fiquei ruim como um cachorro e eu liguei para o médico do hotel.

FBI – Ele foi para ajudar…

JD – Sim ele foi, ele foi.

FBI – Você se lembra do nome dele?

JD – Não me lembro.

FBI – E sobre a medicação, você precisou de alguma medicação prescrita?

JD – Não.

FBI –  Você alguma vez morou com outra pessoa que tivesse um apartamento ou casa?

JD – Nunca.

FBI – Você é muito fechado?

JD – Sim, muito ocupado trabalhando.

FBI – E você disse que nesse tempo você também teve problemas com álcool?

JD – Sim

FBI – Que derivava do…

JD – Todo o excesso, sim.

FBI – Isso era todo dia?

JD – Não todo dia, porque eu tinha que trabalhar, mas nos finais de semana, e no fim isso piorou porque eu terminava bebendo e acabando com meu dinheiro. E foi por isso que eu me mudei de volta para…

FBI – Você tinha que beber mais e mais para ficar no mesmo estado?

JD – Eu, eu posso aguentar uma impressionante dose de licor, e leva um bom tempo para me deixar bêbado, então sim, eu tenho uma grande tolerância ao álcool.

FBI – (Tolerância, sim, veja, eu não, sabe? Eu me embriago fácil.) Quando você consome grandes quantidades de álcool, você se lembra o que você faz? Você tem controle das suas ações?

JD – 99% do tempo eu tenho. A única vez que fui roubado eu não me lembro de voltar para o… lugar onde, você sabe, [fui encontrado] deitado em frente à loja sem minha carteira. Não me lembro dessa vez.

FBI – Qual era o comprimento do seu cabelo no momento em que você foi dispensado do exército, quando você vivia na Flórida?

JD – Assim.

FBI – Como está agora?

JD – Sim. Nunca tive maior que isso.

FBI – Em algum momento do ano passado, em duas ocasiões diferentes, eu tive duas testemunhas diferentes que vieram ao Departamento de Polícia de Hollywood para se encontrarem comigo. E… humm… uma…

JD – Eu me lembro de estar deitado em um quarto de hotel, que foi uma das vezes que eu tive um quarto de hotel, e me lembro de ver no noticiário que, você sabe… o garoto desaparecido Adam Walsh na mesma época em que o presidente foi baleado, então eu me lembro dessas histórias.

FBI – Está certo, Reagan foi baleado em Março de 81.

JD – Sim, certo… sim.

FBI – Então, esse cavalheiro veio à Flórida, você sabe, ele vivia em Hollywood e o outro cavalheiro ainda vive lá. E eu acho que eles estão seguindo seu caso, de Julho de humm… (91) Ano passado, 91.

JD – Sim.

FBI – Até o presente. E esse cavalheiro disse que ele teve um encontro com você lá. Você alguma vez foi ao shopping Hollywood?

JD – O único shopping que fui foi o Omni naquela única vez.

FBI – O Omni.

JD – Nunca fui, nem saberia como chegar ao shopping Hollywood.

FBI – Eu perguntei a esse cavalheiro, “Qual encontro você está falando?”, e ele disse, “Bem eu estava… humm, nessa loja dentro do shopping”… e humm… a pessoa que ele acredita ser você…

JD – Sim.

FBI – Foi até ele e tentou pegá-lo, teve uma conversa, perguntou a ele o quão bonito o dia estava lá fora e começou a seguir esse cavalheiro, ele pegou uma certa distância e continuou a andar pelo shopping e você o seguiu e eventualmente o perdeu dentro da loja Sears.

JD – Sim.

FBI – Esse é meu propósito de estar aqui. Você nunca esteve no Sears? Ou mesmo no Hollywood, Florida?

JD – Absolutamente não, não e não… Eu não tinha… um lugar para ir com ninguém onde eu me sentisse confortável de algum modo, me lembro de sentar após o trabalho uma noite na Collins Avenue e lá estava esse cara do Canadá e humm… Ele tentou me pegar… que é uma troca… e eu não, não queria nada com ele porque meu quarto estava uma bagunça e eu não me sentia indo para lá. Então não, eu não estava pegando pessoas ou tendo relacionamentos com ninguém.

FBI – Então esse outro cavalheiro veio até mim e falou conosco. Ele também, após ver você nos noticiários e também no jornal… ele trouxe o jornal do Alabama com ele… E ele disse que se lembra que estacionou o veículo dele no estacionamento e se aproximou da loja, e viu uma criança aparentemente tendo problemas com um homem.

JD – Sim.

FBI – Ele descreveu o homem, você sabe, similar a você, e esse outro…

JD – Coincidência…

FBI – Me desculpe?

JD – Que coincidência, não?

FBI – E humm… a coisa que bagunça a minha mente é que isto foi no meio de Julho e esse homem estava usando uma jaqueta do exército.

JD – Que ano isso supostamente aconteceu?

FBI – 81, quando você estava aqui.

JD – Ah 81, no Alabama… A única vez que estive no Alabama…

FBI – Não, não no Alabama… Hollywood, Flórida. Ele veio do Alabama para me contar sobre esse incidente de quando ele viveu em Hollywood, Florida.

JD – Ah sim, tudo bem.

FBI – E ele disse que o garoto dizia, “Eu não quero ir, eu não quero ir”, e esse homem estava brigando com ele quando o atirou dentro de um veículo.

JD – Sim.

FBI – E o veículo saiu. Eu perguntei: “Você viu o rosto desse homem e tudo?”, tudo o que ele disse: “eu vi seu perfil”, porque ele o viu de um ângulo. Eu disse, bem “quem você acredita que ele é?”, e ele disse: “Eu vi esse artigo no noticiário e no jornal, e tive um flashback e acredito que seja Jeffrey…”. 

JD – Unrum.

FBI – Eu disse, “bem nós precisamos investigar isso”.

JD – Certo.

FBI – Esse é o propósito da minha vinda.

JD – Certo.

FBI – E humm… agora nós queremos saber se você teve algo com o sequestro de Adam Walsh.

JD – Eu não o fiz. Você ouviu todos esses falsos testemunhos sobre eu ter feito alguma coisa com alguma mulher na Alemanha, isso se provou ser apenas um boato.

FBI – Não, eu não ouvi isso…

JD – Fale com censurado. Ele sabe tudo sobre isso.

FBI – Certo, falarei com ele.

JD – E as pessoas falam que me viram no Arizona e na Califórnia… Nunca estive lá. E humm… mas… Eu não posso provar que não fiz nada a elas…

FBI – Isso era o que censurado estava explicando.

JD – Eu contei para censurado que eu queria limpar minha consciência sobre todos. Então, humm… isso não faria… não faria nenhum sentido tentar esconder isso.

FBI – Sabe, como um indivíduo, até eu… eu teria me embaraçado sobre alguma coisa que fiz na vida… você sabe, eu posso divulgar certas coisas, mas há algumas coisas que eu guardaria em segredo, você sabe, talvez levasse para o túmulo comigo…

JD – Bem, eu não quero fazer isso. Então é por isso que eu extravasei tudo quando eu estava, eu estava sem esperanças de esconder de mais ninguém.

FBI – Certo.

JD – Hummm. 

FBI – E, como eu disse, é por isso que estamos aqui e você sabe que tenho que te fazer essas perguntas, se você tem algo com o sequestro e assassinato de Adam Walsh.

JD – Nada… nada.

FBI – Uma das coisas que me impressionaram semana passada quando falávamos de sua abertura e honestidade sobre isso, você lembra que conversamos sobre isso e, então, eu te perguntei e compartilhei com censurado se você tivesse feito isso, você nos contaria, e você disse “absolutamente” e então eu perguntei “por quê?”, e você tinha uma boa razão, é como você disse.

JD – Sem segredo, não existe uma razão para esconder nada mais, você sabe.

FBI – (O advogado do diabo, digo, camisetas brancas, essas pessoas que sempre temos que responder, eles dizem, “Bem, ele está com medo da pena de morte”. Florida tem pena de morte.)

JD – Eu agradeceria a pena de morte.

FBI – Eu sei que conversamos um pouco sobre isso semana passada.

JD – De fato se eu, se humm… Se isso me levasse a pena de morte eu admitiria. Eu estarei bem, isso cairia bem para mim.

FBI – Não, nós não queremos que você…

JD – Eu não quero apodrecer neste lugar.

FBI – Nós queremos….

JD – Eu ficaria mais do que feliz se terminasse desse jeito.

FBI – Nós queremos a pessoa certa responsável por esse assassinato, você sabe, não queremos alguém assumindo apenas por assumir e então ele receberia a pena de morte como no seu caso.

JD – Unrum.

FBI – Não, eu não queria isso. Eu apenas quero a verdade de você. (Eu apenas digo isso pelas coisas que ouvimos. Eu achei nossa conversa semana passada bem humm… bem aberta e honesta. Relembrando).

JD – Isso é bom.

FBI – (Algumas das coisas que você me disse fazem sentido. Fez sentido para mim. Como nós estávamos falando. Mas, então, nós temos esses outros que falam “não é por causa disso” ou “ele está envergonhado por ser uma criança”, saca?

JD – Nunca fui atrás de crianças, meu interesse era em adultos com idade para irem em bares, e todos que encontrei acho que estavam em idade de ir em bares.

FBI – (Conrad?)

JD – Conrad, eu pensei que ele tivesse idade, e a polícia também pensou. Por isso deixaram eu voltar com ele.

FBI – Eu vi fotos recentes dele. Não as fotos dos jornais… Ele se parecia com uma criança de doze anos naquelas… naquelas fotos. Mas quando você vê fotos antigas, ele aparentava ter 19, 20 anos.

JD – Certo, certo. E lá estava um garoto de 15 anos que eu levei de volta e que me acusou de sequestrar ele ou alguma coisa ou tudo humm… a polícia não acreditou nele porque a história dele estava errada, mas ele estava trabalhando no 219… limpando tudo, você sabe, durante a noite e, então, é, é incrível o quão jovens, o quão jovens algumas dessas pessoas são, que estão em bares… e tudo.

FBI – Eu lidei com um caso ruim semana passada, não sei se você viu os noticiários aqui ou algo assim mas aquela criança pequena perdida em Wilwaukee, uma garota de seis anos de idade…

JD – Eu não ouvi falar sobre.

FBI – Sim, ela foi raptada e então nós acabamos a encontrando morta três dias depois e isso foi triste, você sabe, o que uma criança de seis anos faria para alguém…

JD – Certo, certo. Não, não tenho interesse em crianças.

FBI – Eu gostaria de entrar em algum, você sabe, antecedentes pessoais e então adiante, você sabe, e… você gostaria de outro muffin?

JD – Não.

FBI – Tem certeza?

JD – Sim.

FBI – O quanto gostou deles?

JD – Eles são bons.

FBI – Eles são, acabei de pegar outro… digo, nossa, eles são bons.

JD – Sim.

FBI – Qual era seu relacionamento com seus pais enquanto crescia?

JD – Humm… muito bom. Bem comum.

FBI – Quantos irmãos existem na família?

JD – Eu tenho um irmão seis anos mais novo.

FBI – Só os dois?

JD – Sim.

FBI – Em qual idade você sentiu que havia algo diferente em você?

JD – Ah eu sabia, eu sabia qual era minha orientação por volta dos 13.

FBI – Que é preferencialmente homossexual?

JD – Unrum.

FBI – Isso foi quando você tinha 13?

JD – Certo.

FBI – Teve algum incidente específico que fez você perceber que havia algo diferente sobre você?

JD – Não, apenas pareceu o jeito como as coisas são e… não teve algum incidente específico que acionou isso… Você sabe, eles dizem que as pessoas são molestadas por alguém e é isso que as fazem se tornar homossexuais, isso nunca aconteceu no meu caso.

FBI – Você nunca foi vítima de abuso infantil?

JD – Não, então isso apenas pareceu que estava aqui, não importando se era verdadeiro ou não. Eu não sei, mas foi assim que pareceu para mim.

FBI – Certo. (Eu li algumas coisas recentemente sobre isso, você sabe, o hipotálamo, você sabe, nascer naturalmente assim, sem ter a ver com a criação…)

JD – Eu não sei o que é verdade ou não…

FBI – Tudo o que você pode fazer é falar por si mesmo.

JD – Certo.

FBI – Tem alguma pessoa que você tem confiança? Que você se confidenciou?

JD – Não, apenas eu.

FBI – Isso é certo? Você guardou para si.

JD – Certo.

FBI – Mesmo em seus anos de escola?

JD – Bem, eu tinha amigos e tudo, mas…

FBI – Sim.

JD – Os assuntos importantes eu guardava para mim.

FBI – Quais eram seus assuntos importantes?

JD – Ah apenas minha orientação, minha humm… falta de metas…

FBI – Você sente que era um fracassado? Nos seus dias de escola?

JD – Eu era.

FBI – Em qual idade você se envolveu com crime?

JD – Humm… desordem por estar bêbado começou, humm… quando eu tinha 18.

FBI – Você bebia em seus tempos de adolescente?

JD – Unrum, sim.

FBI – E quanto a drogas?

JD – Não, drogas não, apenas maconha durante o ensino médio, foi isso.

FBI – Ficar bêbado consumia todo o seu tempo?

JD – Sim, quando eu comecei a beber, e comecei no meu primeiro ano do ensino médio.

FBI – Você se formou no ensino médio?

JD – Sim.

FBI – Então isso provavelmente não teve efeito em seu…

JD – Não, isso não afetou muito minhas notas.

FBI – Como eram suas notas?

JD – Em torno de C, B.

FBI – Você participava de alguma atividade depois da escola?

JD – Humm… eles tinha um time de tênis que eu fiquei por um ano, meus primeiro anos… mas humm… não fiquei.

FBI – Você foi para a faculdade então?

JD – Por três meses.

FBI – Onde era?

JD – Estado de Ohio. E eu era um bêbado, literalmente bebi até minha saída.

FBI – Quando e o que você bebia?

JD – Humm… cerveja, cerveja. Aqueles drinks hueblien misturados… humm… licor, em bares locais… vinho.

FBI – Você se lembra quando teve seu primeiro contato homossexual?

JD – Humm… deixe-me ver… Bem, a primeira vez que eu me aproximei foi… foi na Alemanha, Lansthole, Alemanha, eu trabalhava em um hospital, hospital de Lansthole… e humm… um dos sargentos, acredito que ele era o tipo de sargento com duas patentes ou três… Ele tinha seu próprio apartamento e uma noite eu estava bebendo no clube local… Ele se aproximou de mim, disse que tinha uma festa acontecendo no apartamento dele, me perguntou se eu queria ir e eu disse que sim… E nós fomos, acabou que não havia ninguém no apartamento dele, apenas ele. E ele acendeu um cachimbo de haxixe, fumou um pouco, bebeu um pouco de cerveja, tomou um banho, voltou e tentou me levar para cama com ele. Eu disse “não, obrigado”, e fui andando e cambaleando para fora depois daquele haxixe… Era um haxixe bom… e humm… então essa foi a primeira vez que me aproximei. O primeiro encontro real foi em humm… uma livraria, em Milwaukee.

FBI – Em qual idade?

JD – Humm… provavelmente 22 ou 23, algo em torno dessa idade.

FBI –  Você ia atrás de materiais pornográficos?

JD – Ah claro, eu gastei milhares de dólares nisso ao longo dos anos, sim.

FBI – Nada na sua adolescência?

JD – Não, nada nesse tempo. A primeira vez que eu peguei um…

FBI – O que te levou em direção a materiais pornográficos?

JD – O quê?

FBI – O que chamou sua atenção especificamente?

JD – Ah, eles tinham mais pornografia na Alemanha.

FBI – É diferente da dos Estados Unidos?

JD – Humm… foi a primeira vez que eu vi pornografia com a orientação que eu tinha. Eles tinham mais na Alemanha, e como eu não poderia, não teria tempo ou lugar para desenvolver um relacionamento com alguém, eu apenas me satisfazia com pornografia, e então eu continuei comprando quando estive na Flórida. Provavelmente pela mesma razão que outras pessoas compram pornografia.

FBI – Quando você acabou pegando sua primeira vítima?

JD – Foi Steven Hicks.

FBI – Isso foi em Millwaukee?

JD – Sim, e eu iria…

FBI – Isso aconteceu em Ohio.

JD – Ohio, certo, certo… Isso foi há muito tempo, tudo o que vocês precisam é perguntar por…

FBI – Certo

JD – E vocês terão números completos desse.

Na foto: Reportagem de época sobre Steven Hicks, a primeira vítima de Jeffrey Dahmer. Créditos: FBI Vault.

Reportagem de época sobre Steven Hicks, a primeira vítima de Jeffrey Dahmer. Créditos: FBI Vault.

FBI – Houve algum evento em sua infância que você atribui como fator para ter se tornado um assassino em série?

JD – Não, nenhum.

FBI – O álcool?

JD – Ainda é um mistério para mim, você sabe, muitas pessoas são grandes bebedores e eles não saem e fazem isso. Eu não sei.

FBI – Até hoje você não sabe o por quê?

JD – Eu não tenho ideia. Eu não tenho ideia do porquê eu comecei a fantasiar e pensar, quando eu tinha 16 anos tudo começou a vir. Eu fui além disso com você na última entrevista…

FBI – Unrum.

JD – Então não, ainda é um mistério para mim. Eu não tenho ideia. E até os psicólogos não têm ideia. Tudo o que eles fazem é nomear as coisas com o que eles trabalham.

FBI – Claro. E quanto às suas vítimas, existia um modo específico para você selecioná-los ou era um crime de oportunidade?

JD – Humm… como eu disse, eu estava interessado em encontrar o tipo Tico e Teco, boa aparência e corpo de nadador.

FBI – Certo.

JD – O tipo ginasta… isso não foi um caso de odiar eles, era apenas… eu humm… era o único modo que eu encontrava de manter eles lá e comigo. Acredito que me deu um senso de controle total e aumentou o desejo sexual. Sabendo disso eu tinha total controle. E eu poderia fazer com eles o que desejasse. Essa era a motivação, não… não houve ódio envolvido.

FBI – Quando você vê um tipo específico de pessoa que deseja você tem um plano ou…

JD – Apenas…

FBI – Como você pegou essas pessoas, você instigava elas?

JD – Em bares, oferecia dinheiro, era basicamente isso.

FBI – Eles deliberadamente iam para o apartamento com você?

JD – Sim, sim.

FBI – Você nunca teve que ameaçar…

JD – Nunca ameacei.

FBI – Uma arma para coagir eles a irem?

JD – Não, nunca fiz isso.

FBI – Quando cresceu, diga-me, você esteve envolvido com… como um pedófilo?

JD – Não.

FBI – Você nunca teve desejos por crianças em momento algum?

JD – Não… em West Dallas teve um comportamento lascivo, em um parque, no qual estive envolvido, por volta de um ano.

FBI – Você foi preso?

JD – Sim. Mas humm… não teve, não existiu nenhum ataque a alguma criança ou algo assim, foi apenas masturbação.

FBI – Falando com censurado… acredito que nas entrevistas dele com você… ele disse que você pegava pesado com a masturbação?

JD – Certo.

FBI – Quando isso começou em sua vida?

JD – Hummm… não sei, 13, algo assim.

FBI –  E a obsessão apenas cresceu?

JD – Sim, e cresceu, todas as obsessões. Humm.. eu cometi um erro no primeiro encontro que tive com uma criança na rua, nós tínhamos a mesma idade, foi consensual em um forte…

FBI – Em Ohio?

JD – Sim, essa foi realmente minha primeira vez, mas foi um sexo leve, beijos, abraços, esse tipo de coisa.

FBI – Quantos anos você tinha na época?

JD – Eu tinha 14, acho que era 14 ou algo assim. Foi consensual.

FBI – E a próxima vez não aconteceu até quando você estava no…

JD – Certo.

FBI – No exército.

JD – Não foi, não foi até o incidente com Hicks. Não foi consensual.

FBI – Certo, essa obsessão que você fala sobre, digo, como você se controlava enquanto esteve no exército e durante a escola?

JD – Bebia pesadamente, pornografia, masturbação.

FBI – Isso satisfazia suas necessidades no momento.

JD – Sim. Mas uma vez tive a oportunidade e humm… um lugar em que eu poderia fazer essas fantasias se tornarem realidade e tentar mantê-las… Eu falei disso com você também… O desejo cresceu e cresceu, mais constante e forte.

FBI – Então você foi capaz de ter seu próprio apartamento, seu próprio lugar.

JD – Mesmo antes disso.

FBI – Mesmo antes?

JD – Eu estava guiado por isso o bastante para tentar… fazer, realmente fazer isso em West Dallas, antes de eu ter o apartamento, isso é o quanto eu estava sob controle e o quão forte o desejo era.

FBI – Quando você pensou em matar alguém? Quando isso entrou em sua mente?

JD – Quando eu tinha… quando eu tinha 15 ou 16 anos essas fantasias começaram a ocupar minha mente, porque elas começaram eu não sei. Eu nunca pensei que isso realmente aconteceria mas tudo estava ajustado tão perfeitamente que uma vez em Ohio…

FBI – Com o mochileiro?

JD – Sim, sim. Não há desculpas para isso, mas é muito estranho como tudo foi tão perfeito daquela vez.

FBI – O que, Jeffrey, nós não conversamos em grandes detalhes sobre essa fantasia, o que é isso que você… você enxerga quando fecha os olhos, a excitação, como é o sentimento? O que exatamente é isso?

JD – Sim… pense em um rapaz com boa aparência e jovem, ter total controle sobre ele, humm…humm…humm… não sei se matar veio disso, veio do jogo… o único modo de mantê-los e isso foi feito.

FBI – E então a dominação total, total.

JD – Certo.

FBI – Escravo do amor?

JD – Sim.

FBI – Certo, e quanto ao desmembramento?

JD – Isso, isso aconteceu mais como… humm… necessidade, a primeira vez eu não sabia como descartar os restos, mas depois que comecei a fazer isso, se tornou sexualmente excitante para mim.

FBI – Nós conversamos sobre os passeios na estrada.

JD – Unrum.

FBI – E você os levava de volta e os dissecava…

JD – Certo.

FBI – E tirava a pele deles [animais]…

JD – Não houve nada sexual nisso, foi apenas…

FBI – Curiosidade

JD – Curiosidade mórbida.

FBI – E quanto aos humanos…

JD – Isso se tornou sexual com o passar dos anos…

FBI – Talvez se você puder detalhar para mim exatamente o que… tirar a pele… existia algum…

JD – Humm… eu fiz isso uma vez… eu não sabia o que poderia ser feito, eu queria ver se poderia ser… possível. E apenas mantinha memórias, e os crânios.

FBI – Alguma outra parte do corpo?

JD – Os genitais algumas vezes, mãos… hummm… era isso. Uma vez eu tentei mumificar uma das cabeças… humm… eu… peguei o osso detrás daqui, e escavei o cérebro para fora e encharquei a cabeça toda com a carne ainda em acetona, e isso funcionou por um tempo. Essa foi a cabeça que guardei no armário do trabalho quando eu estava em liberdade condicional… mas essa foi a única vez que fiz isso.

FBI – Onde você aprendeu sobre, muito sobre anatomia, você tinha livros disso?

JD – Não, era tentativa e erro, e nesse tempo eu realmente não sabia muito sobre anatomia.

FBI – Você era um estudante.

JD – Sim, mas isso era apenas no campo geral, conhecimento geral… provavelmente tinha o conhecimento que qualquer um teria..

FBI – E sobre… como você aprendeu sobre o uso de químicos?

JD – Isso era tentativa e erro também. Eu havia ligado para alguns taxidermistas fingindo que eu era, que queria… secar peles de coelho ou algo assim. E existia essa farmácia perto do meu apartamento que tinha… onde você poderia comprar galões de clorofórmio e, também, formaldeído, então era bem conveniente.

FBI – Certo. Isso era como você controlava suas vítimas, com clorofórmio ou outros?

JD – Eu tentei isso, mas nunca funcionou. Por alguma razão esses dois químicos não funcionaram, mesmo se eu tivesse o tipo errado, não sei. Eram apenas as pílulas para dormir que eram mais eficientes.

FBI – Você nunca teve que usar força física para mantê-los lá?

JD – Uma, duas vezes eu tive. Eu nunca quis, eu queria… fazer isso o mais rápido e indolor possível, certo. E a vez que teve uma briga física eu estava sem as pílulas, essa foi a vez que te contei que o cara rolou no chão e bateu na mesa, tinha estátuas, aqueles grifos…

FBI – Grifos.

JD – E aquela outra vez quando aquele garoto de 15 anos foi comigo, ele trabalhava no bar, o bar 219?

FBI – Humm.

JD – Humm..humm… não tinha pílulas, então eu bati nele com uma marreta de borracha na parte de trás da cabeça. Ele saiu, voltou e pediu algum dinheiro, entramos em uma luta… isso terminou comigo deixando-o ir pela manhã… então ele foi e contou à polícia uma história maluca que eles não acreditaram e, então… mas essas foram as únicas duas vezes.

FBI – Que tipo de ferramentas você usava para desmembrar as vítimas?

JD – Uma faca de caça grande com um cabo de borracha, muito grande… comprei na loja de facas no Grand Mall.

FBI – Serrada?

JD – Não, sem serras. Era apenas grande, a lâmina era desse tamanho, grossa, muito afiada…

FBI – Funcionava?

JD – Sim.

FBI – Era fácil de fazer?

JD – Funcionava bem. Bem.

FBI – Algum problema em continuar?

JD – Não, apenas humm… eu me sinto desconfortável sobre isso ser gravado, não sabendo quem irá ouvir a fita, essa parte… vocês realmente precisam disso gravado?

FBI – Sim, é como eu disse, é para a ciência comportamental, para ensinar… (Eu estou disposto a tomar notas se você quiser desligar o gravador)

JD – Eu darei uma descrição geral.

FBI – Claro.

JD – Apenas cortava do esterno até a, então, área púbica. Removia os órgãos internos e então cortava a carne começando pelas panturrilhas, pernas e, então, acima, removia a cabeça e colocava no freezer, e humm… o osso… o esqueleto, que era descarnado, eu colocava em um galão grande que eu havia colocado aquela solução de limpeza para paredes, eu tirava a carne restante, fervia… e fazia o mesmo com a cabeça, então, eu teria um esqueleto limpo, um grande esqueleto limpo e humm… às vezes eu guardava porções da carne para consumo, a maioria ia para o lixo ou para uma solução de ácido, e muitos dos esqueletos não usados iam para a solução de ácido também… Ou eram jogados pela descarga do vaso sanitário… era como era feito.

FBI – Esse ritual que você tinha com suas vítimas, por quanto tempo isso durou com uma delas até você estar totalmente satisfeito?

JD – Por muito tempo, era apenas uma vez a cada dois meses, perto do fim era uma vez por semana.

FBI – Uma vez por semana?

JD – Sim, estava completamente fora de controle.

FBI – Quando os esqueletos começaram a se acumular em seu apartamento você se preocupou em ser pego? Ou com a polícia?

JD – Não, [só me preocupei] quando não pude mais colocá-los no freezer, assim eu tive que comprar um barril grande que era de um plástico pesado, então eu poderia acidificá-los sem vazamento ou cheiro. E isso livraria…

FBI – Teria que se livrar disso? Isso derretia ou…

JD – Isso, você pode comprar esses galões moringas de ácido muriático, é a forma diluída do ácido hidroclorídrico… Eu tinha 16 galões disso lá para usar em três esqueletos que estavam no tonel azul. Sim, isso iria acidificar e dentro de dois dias você podia esvaziar isso e jogar fora pelo vaso sanitário, inclusive ossos e, humm… coisas…

FBI – Quando você começou a se preocupar neste ponto em que você não poderia colocá-los mais no freezer, o que você fez?

JD – Eu comprei aquele tonel grande, coloquei os… coloquei nele os três esqueletos que eu não iria guardar, tinha, tinha humm… as cabeças não fervidas congeladas no freezer e um esqueleto que eu não iria ferver e guardar. Então eu iria jogar todas as moringas de ácido neles e acidifica-los, mas nunca tive essa chance.

FBI – Em algum momento você teve que remover alguma parte de corpo do seu apartamento e enterrá-la ou descartá-la em algum lugar?

JD – Nunca fiz isso, nunca fiz isso…

FBI – Então tudo estava em seu apartamento.

JD – Tudo estava no apartamento. Nada, ás vezes carne ia para o lixo, mas era embrulhada cuidadosamente e era indetectável, ninguém nunca percebeu isso.

Na foto: Desenho da planta do apartamento de Jeffrey Dahmer. Créditos: FBI Vault.

Desenho da planta do apartamento de Jeffrey Dahmer. Créditos: FBI Vault.

FBI – Você tem seu sistema pessoal de segurança?

JD – Sim, claro.

FBI – O que era isso?

JD – Eu instalei um sistema de segurança, 400 dólares. Instalei uma fechadura no banheiro, digo, no quarto…. tinha uma câmera, câmera falsa, e humm… instalei minhas próprias fechaduras nas portas, você sabe, porta corrediça, fechadura com chave…

FBI – Agora suas vítimas, você manteve relações sexuais com elas antes e depois de suas mortes?

JD – Antes e depois.

FBI – E depois.

JD – Certo.

FBI – Você praticava necrofilia.

JD – Sim e isso levou ao canibalismo, uma coisa levou a outra.

FBI – A obsessão?

JD – Sim.

FBI – O canibalismo, você cozinhava?

JD – Sim. Sim.

FBI – Algo que não perguntei semana passada e que eu me lembrei agora, quando você mantinha relações sexuais com eles, seria pênis no ânus?

JD – Algumas vezes.

FBI – Qual outro?

JD – Humm… algumas vezes era apenas masturbação… algumas vezes sexo oral… outras vezes eu faria um corte bem aqui na frente, um corte pequeno, eu sei que soa horrível e isso era humm… feito dessa forma.

FBI – Você achava isso…

JD – Eu fazia, sim.

FBI – Estimulante.

JD– Sim

FBI – Quer um cigarro?

JD – Eu gostaria de um sim…

FBI – Eu tive a sensação de que você gostaria.

JD – Sim.

FBI – Agora com qual vítima você avançou para algo diferente?

JD – Sim, teve uma coisa progressiva como eu disse na vez passada, quando eu comecei novamente… teve um período de um ano que não havia feito nada. Entre o incidente Hicks e o incidente no Hotel Ambassador, um hotel que eu nunca planejei que algo acontecesse, mas aconteceu. E humm… entre esse tempo eu estava tentando tudo, de roubo de túmulos até roubo de um manequim em uma loja de Boston, em South Ridge, para satisfazer o desejo sem machucar ninguém. Mas isso nunca funcionou e uma coisa levou a outra.

FBI – Aumentou o nível de intensidade.

JD – Sim, isso apenas aumentou.

FBI – Agora, quando você me fala sobre masturbação e humm… quantas vezes por dia você fazia?

JD – Duas, três.

FBI – E isso ainda não te satisfazia sexualmente?

JD – Me satisfazia por um curto período, mas nunca, nunca tirou o desejo de realização final e satisfação de qualquer jeito. Isso só poderia ser feito através do controle de alguém.

FBI – Isso foi a configuração mental, nós falamos sobre isso semana passada, apenas crescia…

JD – Sim, digo, era o maior foco da minha vida. Depois que saía do trabalho a primeira coisa que fazia era ir direto para lojas de pornô, fazia planos de ir a Chicago assistir strip-tease, humm… toda minha vida estava guiada através desse planejamento.

FBI – Você manteve algum diário desses incidentes?

JD – Nunca fui chegado a escrever cartas ou manter diários.

FBI – Então seu diário era basicamente a fantasia que você tinha em mente e você relembrava de…

JD – Usava as fotos que tirava.

FBI – Ah, você tirava fotos deles?

JD – Sim, fotos Polaroid. Se eu tivesse uma câmera que filmasse eu provavelmente a teria usado, mas nunca fui muito longe.

FBI – Você teve que segurar suas vítimas, digo, com bandagens ou algemas ou algo assim para mantê-las totalmente em controle?

JD – Eu comecei a fazer isso… com… deixe-me ver… Straughter, Senhor Straughter, e sim, eu comprei algemas na loja do exército e… fazia isso depois que estavam drogados, eu algemava eles… Eu os algemava e… eu não tinha interesse em tortura, isso não me interessava, tudo o que eu queria era tornar isso rápido e indolor para eles. Eu sei que soa ridículo eu dizer isso, mas essa era minha meta, então eu teria total controle sobre eles e não teria que me preocupar se eles iriam embora pela manhã e poderia completar minhas fantasias.

FBI – Então você aparentemente era consciente sobre essas pessoas terem dor.

JD – Por isso eu dava a elas pílulas para dormir antes… Sim, e… isso funcionava, digo, geralmente usava sete pílulas.

FBI – Que tipo?

JD – Halcium.

FBI – Como você os fazia tomar?

JD – Apenas misturava, eu dizia “vamos tomar um café”, colocava um pouco de creme irlandês nele, então o café dissolveria as pílulas, você sabe, eles nunca viam as pílulas lá… e era assim, dentro de meia hora eles estavam dormindo.

FBI – Teve uma vítima específica que foi a experiência sexual mais satisfatória para você?

JD – Humm… aquele que tirei mais fotos… um cara negro, encontrei ele em frente à livraria da Rua 27, você sabe, livraria que é… total, total coincidência, e estava, eram 3 da manhã, não tinha achado ninguém interessante nos bares do centro, eu estava apenas procurando por pornografia para ir dormir, e estava me aproximando da livraria quando o vi saindo, um cara bonito, perguntei se ele gostaria de ir comigo e ele disse “sim”, e… então ele foi o cara que eu mais tirei fotos.

FBI – Isso era como você se lembrava…

JD – Fotos e crânios… sim.

FBI – Essas eram suas recordações?

JD – Sim.

FBI – Você se envolveu em atividades satânicas?

JD – Isso, isso veio.

FBI – Em qual ponto?

JD – No meio ou no final… Eu nunca, nunca estive envolvido com algum grupo, mas estava lendo muita literatura sobre isso e me perguntava se era possível ganhar mais poder através de rituais e coisas assim. Eu não sabia, apenas estava experimentando…

FBI – Você se envolveu com rituais? No seu próprio apartamento?

JD – Às vezes sim… no quarto, por isso eu tinha um altar arrumado e tudo.

FBI – Você escondeu a fumaça quando os policiais chegaram? Você tinha um altar no seu quarto?

JD – Sim. Com os crânios pintados.

FBI – Como acontecia o ritual?

JD – Eu não tinha um roteiro…

FIM DO LADO A

JD – Então, após o incidente Hicks, a primeira vez, e… depois disso pareceu como se minha consciência tivesse queimado. Como se eles tivessem se tornado mais objetos que pessoas, e eu não pensava nas famílias, não pensava no que eles passariam, não, minha consciência apenas…

Na foto: Foto de época mostra Shirley Hughes, mãe de Anthony Hughes, uma das vítimas de Jeffrey Dahmer. Créditos: FBI Vault.

Foto de época mostra Shirley Hughes, mãe de Anthony Hughes, uma das vítimas de Jeffrey Dahmer. Créditos: FBI Vault.

FBI – Ficou fácil de fazer?

JD – Sim, o desejo de cumprir as fantasias começou a me consumir…

FBI – Então esses alvos eram apenas pessoas eventualmente sem vida, apenas objetos?

JD – É como os vejo, sim… É por isso que nunca os tive que conhecer, isso tornou mais fácil… apenas objetos sexuais.

FBI – Como você se sentiria… a vítima negra que você falou sobre, você teve sentimentos por ele, pois você sentia como se ele…

JD – Eu não gostei do jeito que tive que mantê-lo, tive que esfaqueá-lo na garganta com uma faca por que ele não estava dormindo completamente, então não, não gostei do jeito que aconteceu…

FBI – Quanto tempo você mantinha a vítima até você ter que…

JD – Bem, eu tinha o freezer, então, se eu quisesse, eu podia manter por um tempo indefinido. Com a carne, usualmente, por dois ou três dias.

FBI – Você não mataria seu… após ter uma experiência sexual com essas pessoas, você os matava naquele dia ou poderia deixá-los no apartamento enquanto você fazia as atividades do dia seguinte?

JD – Durante, durante a noite, depois que os pegava, era quando eu os matava. Exceto quando eu comecei, comecei a usar a técnica da perfuração.

FBI – Que técnica é essa?

JD – Eu estava ficando cansado de matar eles e… ter que descarná-los, então eu… humm… queria ver se era possível…

FBI – (Inaudível)

JD – Eu queria ver se era possível fazer… de novo isso soa nojento, zumbis, pessoas que não teriam o controle sobre si mesmas, mas seguiriam… mas seguiriam minhas instruções sem resistência… então humm… depois que comecei a usar a técnica de perfuração eu os mantinha bem, como no caso Conrad, por isso ele acabou queimando toda a casa uma vez, eu não achei que ele teria coerência o bastante para fazer isso mas ele fez.

FBI – Então você perfurava o cérebro deles?

JD – Sim e injetava ácido muriático no lobo frontal, mas nunca funcionou, não funcionou bem o suficiente, acabava em morte… Um cara, Jeremiah Weinberger, ele humm… ele foi o homem que encontrei no Carol’s Bar em Chicago, ele esteve comigo uns dois dias antes de morrer, mas no segundo dia ele estava em um estado de coma e quando voltei do trabalho na segunda noite ele havia morrido, e esse episódio particularmente me aterrorizou porque ele foi o único que morreu com seus olhos, seus olhos bem abertos. 

FBI – Isso o incomodou?

JD – Sim, ninguém mais havia morrido assim antes.

FBI – Algum tipo de relação interpessoal entre vocês?

JD – Humm…

FBI – O resultado foi sua morte com os olhos bem abertos.

JD – Sim, seus olhos estavam bem abertos, não sei porque… o que causou isso, mas…

FBI – Em algum momento a polícia foi uma preocupação com você?

JD – Sim, muitas vezes.

FBI – Ser pego… muitas vezes?

JD – Aquela vez no meio da noite… 3 da manhã em uma estrada deserta onde fui parado por policiais em Bath, Ohio, e tinha partes de um corpo no assento traseiro, e eles me deram uma multa por dirigir fora da faixa… tive que fazer o teste para ver se estava bêbado e tudo, e eles me perguntaram “que coisas são essas?” e eu disse “é apenas lixo que não tive tempo de jogar fora mais cedo hoje.”.

FBI – Eles perguntaram dos sacos?

JD – Sim, eles falaram dos sacos, pensei que eles olhariam dentro…

FBI – Sentir o cheiro deles.

JD – Eles poderiam sentir o cheiro… os dois… me assustou muito…

FBI – Depois, quando eles apenas o multaram e o deixaram ir, o que você pensou?

JD – Eu não podia acreditar, pensei que estava sonhando… Então fui para casa e essa foi a primeira vez… a segunda vez foi no hotel… onde eu acordei e o cara estava morto embaixo de mim… Eu não sabia como, como eu lidaria com isso… nunca tinha acontecido…

FBI – (Inaudível)

JD – Sim.

FBI – E essa foi a vez que você teve que sair e comprar uma mala para levá-lo embora?

JD – Humm…

FBI – Você o desmembrou?

JD – Não, ele coube na mala.

FBI – Ele coube?

JD – Sim.

FBI – Mas aquele taxista te ajudou…

JD – A colocá-lo no porta malas, sim.

FBI – Você o levou para casa?

JD – Sim, a casa da minha avó… Eu não tinha intenções de fazer nada como aquilo, nunca tinha feito para esse propósito. Mas depois disso, tudo começou novamente.

Na foto: A casa da avó de Jeffrey Dahmer em West Allis, Milwaukee. Créditos: FBI Vault.

A casa da avó de Jeffrey Dahmer em West Allis, Milwaukee. Créditos: FBI Vault.

FBI – Teve outro incidente que você nos contou semana passada com o… humm… Em 1988 quando a polícia veio, que você foi para a prisão por… O irmão de Sinthasomphone e eles revistaram seu apartamento…

JD – Humm…

FBI – E você tinha o crânio.

JD – Isso foi humm… mesmo antes disso teve um período, bem, não vou dizer isso na gravação… Foi na época em que eu tinha aquela cabeça mumificada e isso foi após, sim, foi após a época em que fui preso por tirar fotos. Eles revistaram meu apartamento, eu tinha um apartamento na Rua 24 e eles olharam lá, eles apenas não puxaram uma toalha, por isso não viram o crânio.

FBI – Eles tinham uma visão direcionada, estavam procurando por fotografias e drogas, mas deixaram passar o crânio.

JD – Sim. E outra vez eu tinha a cabeça mumificada em uma… caixa de metal que tinha no armário, e eu levei para o trabalho, foi onde a mantive, no trabalho… por um ano. E teve a vez que a polícia veio perguntando questões sobre o cara que foi baleado ou estrangulado no andar de cima, eles vieram no meu apartamento e deram uma olhada e não viram nada.

FBI – Você não tinha nada a ver com esse cara que foi estrangulado?

JD – Nada, absolutamente nada.

FBI – Algo que achei interessante na última vez que nos falamos foi como você compartilhava sua vida.

JD – Nunca.

FBI – Nada passava.

JD – Sim. Então, na época que aquele cara de 15 anos que encontrei trabalhando no bar gay… Ele fugiu e contou a polícia que eu o havia sequestrado e eles não acreditaram nele…

FBI – Sim, a história foi tão bizarra que eles não acreditaram nele.

JD – E, então, a vez do Sinthasomphone, você sabe, o corpo estava caído no quarto e tudo o que eles precisavam fazer era olhar no quarto e teria sido isso. Então tiveram muitos casos próximos demais.

Na foto: Keisone e Saysamone, irmãos de Konerak Sinthasomphone, morto por Dahmer no final de Maio de 1991. Créditos: FBI Vault.

Keisone e Saysamone, irmãos de Konerak Sinthasomphone, morto por Dahmer no final de Maio de 1991. Créditos: FBI Vault.

FBI – Muitos contatos com a polícia, mas você foi conseguiu evitar ser pego.

JD – Certo.

FBI – Fale de sua maneira. Em nenhum momento, por causa da sua obsessão por isso, você desejou ser pego.

JD – Nunca, absolutamente nunca. Não, não havia um desejo secreto no subconsciente de ser pego. Tenho certeza disso. Mas isso é o quanto o desejo se tornou poderoso, não pensava que estava perto demais nessas vezes, eu ainda era dirigido a pensar que esse era o único modo que poderia ter satisfação… na vida, se parecia com isso.

FBI – Você tinha mais satisfação com o ato sexual ou de controlar o indivíduo?

JD – Meio a meio.

FBI – Meio a meio. Ter o controle e ajudar a ter a gratificação e o ato sexual.

JD – Sim, está certo. De fato apenas sair e… e humm… caçar era uma emoção, nunca saber quem iria encontrar, quão bonito ele seria, o quanto de diversão nós teríamos… isso. Isso era parte da diversão…

FBI – Pergunta idiota, mas você alguma vez tentou ser heterossexual como Conrad… alguma vez esteve com alguma mulher…

JD – Nunca fiz, nunca tive interesse.

FBI – Sem desejo, porque você sabia disso desde os 13…

JD – Certo.

FBI – Em outro lugar?

JD – Poderia ter feito isso na Alemanha, eles tinham hotéis de prostituição por lá, onde você paga e, você sabe…

FBI – Mas você não experimentou?

JD – Não.

FBI – E suas vítimas, você não as discriminava, eles eram brancos e negros.

JD – Não, essa é a coisa que estávamos falando antes. O Millwaukee Journal tentou fazer isso parecer racial. Absolutamente não. Digo, se eu tivesse um tipo, todos meus caras se pareceriam com dançarinos Tico e Teco, esse era o tipo que eu ia atrás. O tipo que faz strip-tease em Chicago e coisas assim. Mas humm… não havia nada racial sobre isso. Absolutamente nada. Como poderia ser? Digo, o primeiro cara era branco, o segundo era branco, o terceiro indo americano, o quarto hispânico, e então alguns caras negros, o asiático, judeu, porto riquenho, outro cara branco… não é racial…

FBI – Com qual vítima você se envolveu primeiramente com canibalismo?

JD – Humm… foi o… Rick Beeks, seu, seu apelido era Cash, ele tinha isso tatuado no seu peito, ele tinha por volta de 30 anos, trabalhava em bares e coisas assim, prostituto… Foi a primeira vez, com o coração… e, então, depois o segundo cara que encontrei na livraria da rua 27… foi o mais agradável…

FBI – O canibalismo era uma gratificação sexual também?

JD – Era. Começou como experimentação… fez-me sentir que eles eram parte de mim…

FBI – Isso é interessante.

JD – E então isso me deu satisfação e existia uma gratificação.

FBI – Como você os preparava?

JD – Humm… no fogão, na frigideira, humm… como você prepara um pedaço normal de carne, eles seriam humm.. cortados em, você sabe, tamanhos que eram pequenos o bastante para comer.

FBI – Algum outro órgão?

JD – Humm… corações, fígados, coxa, bíceps, bíceps…

FBI – Qual era o gosto?

JD – Humm… não tem um modo de dizer isso sem soar… nojento.

FBI – Eu não acho isso ofensivo.

JD – Bem… eu, eu não sei descrever isso. Você já comeu filé, não?

FBI – Humm… é um dos meus favoritos.

JD – Sim, muito macio.

FBI – Quando você finalmente foi preso, certo, teve algum tipo de alívio? Que você falou “Deus está finalmente acabado.”?

JD – Apenas… em terror.

FBI – Ou você se arrepende de ter sido pego?

JD – Eu não me arrependo disso. É a parte engraçada, parte de mim se arrepende… Não, está bem.

FBI – Você tem certeza?

JD – Sim… Intelectualmente eu sei que esta é a melhor coisa que poderia ter acontecido para mim e todos os envolvidos, porque eu não poderia parar. Humm… então eu sei intelectualmente que essa é a melhor coisa para todos… No nível emocional ainda existe muita vontade de ser livre para ir em Chicago, beber, gastar as noites nos clubes noturnos… Você sabe… a vida noturna. Então isso causa tensão. Causa muita tensão às vezes. Às vezes eu lido melhor que outros. Os finais de semana são os piores.

FBI – Por que isso? Por que esse era seu padrão?

JD – Sim.

FBI – Foi isso que pensei.

JD – Era muito divertido, tenho que admitir, muito excitante…

FBI – Seguir e caçar…

JD – Não necessariamente a parte macabra, mas apenas estar lá na multidão naquele tipo de atmosfera.

FBI – A liberdade de…

JD – Não ter que fingir que eu era algo que não sou. Você sabe… E assistir o strip-tease, era algo muito bom.

FBI – Existiam strippers homens.

JD – Sim.

FBI – Certo…

JD – Eu geralmente ia para o Bistro 2, é um bom lugar em Chicago… Carol’s, The Vortex, esses grandes clubes noturnos, ficavam abertos até às 4 da manhã. E eles tinham as saunas, gastava o resto na noite nelas.

FBI – Quanto custava?

JD – Por volta de 16 dólares a noite apenas para entrar.

FBI – E valia tudo?

JD – Valia tudo. Hidromassagem, sauna, sala de vapor, eles tinham tudo arrumado… eles tinham a visão.

FBI – Existe um lugar em Nova Iorque, acima da Rua 50 ou algo assim, não me lembro do nome, faz tanto tempo, faz 10 anos desde que fui designado para lá, mas era a mesma coisa, homem, mulher…

JD – Não, não era.

FBI – Sim, tudo… tudo, a única regra nesse lugar era se a pessoa dissesse “Não”

JD – Não era não.

FBI – Não era não.

JD – A mesma coisa nesses…

FBI – Não poderia manter (inaudível)

JD – Certo, certo.

FBI – Não havia algo diferente que a polícia pudesse ter feito para te pegar antes?

JD – Nada.

FBI – Nada.

JD – Exceto olhar no carro, nas sacolas… no quarto.

FBI – Vasculhar mais.

JD – Sim.

FBI – Vasculhar mais quando eles investigaram… as vezes é apenas uma reclamação normal.

JD – Bem, eles teriam que abrir, destrancar o freezer… e eles teriam me… Eles teriam que vasculhar o armário… Eu tinha tudo trancado.

FBI – Alguns desses incidentes seriam detectáveis se eles tivessem dado um passo extra em pegar o tonel…

JD – Teve um…

FBI – Ou ter olhado no saco de lixo, eles poderiam ter sentido o odor…

JD – Humm…

FBI – Qualquer coisa, mas era fácil apenas…

JD – Procurar no quarto onde o corpo estava, certo, ou no armário onde os crânios… alguns crânios estavam.

FBI – Há alguma lição para aprender disso, como eu vejo, e aprender com isso, você sabe, ser mais minucioso… ser mais profissional para dar uma segunda olhada.

JD – Digo, eu tinha o apartamento em perfeito estado, limpo, não parecia que tinha algo acontecendo, então…

FBI – Bem, isso foi um grande impacto…

JD – Certo.

FBI – Pessoalmente quando revisto, eu olho como se a pessoa fosse culpada, e então faço minha primeira impressão e digo “Ei, não é essa, essa pessoa é organizada e limpa e…”, então, você dá o tempo.

JD – Era uma grande fachada.

FBI – Eu iria te perguntar isso, isso era um passo? Era uma fachada?

JD – Eu gosto de manter o lugar limpo, mas, você sabe, funcionou como vantagem também.

FBI – O que você fazia com o sangue?

JD – Tudo era feito no banheiro, então isso apenas escorria pelo ralo.

FBI – Pelo ralo?

JD – Correto.

FBI – Havia algo de diferente que suas vítimas pudessem ter feito para fugirem?

JD – Não depois que eram drogadas.

FBI – Uma vez que você as drogava elas eram suas?

JD – E a única, única razão para o último cara ter fugido foi por eu ter ficado inconsciente por, no mínimo, 6 horas de acordo com o que ele disse, não tenho memória de nada que aconteceu, mas eu ainda estava em funcionamento…

FBI – Certo, isso foi censurado (inaudível)

JD – Sim.

FBI – Quantas pílulas para dormir você deu a ele na época?

JD – Humm… 5 ou 6.

FBI – 5 ou 6?

JD – Eu não tinha pílulas para dormir na época.

FBI – O que eram elas?

JD – Halcium, 125mg.

FBI – Então você fez algo que não faria usualmente e perdeu o controle sobre a vítima.

JD – Correto, eu planejei pegá-lo muito bêbado, mas não funcionou. Eu não estava bêbado. Eu estava tomando cuidadosamente umas duas cervejas naquele dia, não estava bêbado, não sei porque apaguei naquele dia.

FBI – Você estava muito cansado ou algo assim?

JD – Eu estava cansado, mas não apaguei por estar muito cansado.

FBI – Especialmente se você tivesse o controle da mente.

JD – Correto.

FBI – Mas…

JD – Certo, é algo que você mantém seus, mantém em seus dedos… não tenho ideia do por que metade do meu cérebro se desligou. É o que parece. E humm… eu voltei à consciência 5 minutos antes de ouvir baterem na porta e lá estava a polícia. Eu não tive tempo de encobrir a história ou nada, foi apenas…

FBI – Você sabia em certo ponto. Certo.

JD – Certo.

Na foto: Tracy Edwads, "O Homem que Conseguiu Escapar". Edwards conseguiu fugir do apartamento de Dahmer e chamar a polícia. Créditos: FBI Vault.

Tracy Edwads, “O Homem que Conseguiu Escapar”. Edwards conseguiu fugir do apartamento de Dahmer e chamar a polícia. Créditos: FBI Vault.

FBI – Você fala muito bem, articula muito bem, quanto é seu QI, você sabe?

JD – Na média.

FBI – QI médio.

JD – Uma nota média pelo o que escutei quando fui testado.

FBI – Foram testes recentes?

JD – Sim.

FBI – Você deve ler muito, é bem óbvio.

JD – Agora sim, como eu disse, eu não costumava ler, apenas ia para casa e me jogava na TV, saca, assistia TV…

FBI – Você teve alguma religião no começo da infância e adolescência?

JD – Não como criança, eu tentei… eu tentei por volta de dois anos com minha avó e gostei disso, isso é outra história… não funcionou… Desejos ficaram fortes e mais fortes… e eu apenas desisti, então não, não tive um grande envolvimento com religião ou algo assim. Apesar de sempre sentir que há algo a mais do que apenas essa vida, eu nunca… eu nunca realmente quis pensar sobre religiosidade porque eu estava envolvido em coisas horríveis e eu não queria nem pensar sobre isso. Eu percebi que eu tomaria o caminho de avestruz se eu não pensasse nisso, então eu nunca teria que lidar com isso. O que era estúpido…

FBI – Você acreditava em reencarnação, ou você acredita em reencarnação?

JD – Não, eu sei que isso é muita tolice, você sabe… mas eu apenas, como disse, estava pegando o caminho de avestruz. Eu me sentia bem, talvez se não pensasse nisso ou seriamente nisso eu nunca teria que lidar com isso, você sabe, talvez se eu não me preocupasse em ser pego eu nunca seria pego. Minha estupidez estragou tudo.

FBI – Sim, mas é comum. É muito comum a negação ou a cabeça nas nuvens, caminho de avestruz como você chama isso.

JD – Humm…

FBI – Quem é a pessoa na sua vida que você considera mais significante?

JD – Bem, minha mãe e meu pai são significantes, e minha avó também… esses três, acredito.

FBI – Você alguma vez olha para o passado e pensa em alguém, algum indivíduo ou alguma coisa…

JD – Tão longe quanto olhar para algum indivíduo ou algo, humm… não. Não.

FBI – Existe alguém que influenciou sua vida? Uma pessoa em particular?

JD – Não. Eu tenho que falar que eu influenciei minha própria vida. Eu nunca tentei moldar minha vida para alguém ou copiar alguém. Nunca tive interesse em, em seguir alguns dessas humm… histórias verdadeiras de crimes, você sabe, como algumas pessoas que gostam de comprar essas revistas e ler sobre, eu não tinha interesse.

FBI – Isso é interessante, digo, você era interessado em histórias policiais na TV ou…

JD – Bem, claro que eu assistia tudo, até agora, você sabe, eu assisto. É entretenimento para assistir.

FBI – Você tem um interesse…

JD – Sim, eles são interessantes. Mas nunca fui tão longe como entrar na livraria Walden e comprar essas revistas de detetive e essas histórias, eu nunca fiz isso. Nunca tive interesse. Eu ia para a estante de ocultismo e… olhava. Mas apenas isso.

FBI – Quando você saiu da infância para a adolescência, o que você se viu tornando?

JD – Humm… Eu apenas tinha um vago sentido de querer ser algo, fazer alguma coisa em negócios, algum tipo de trabalho de vendedor, mas eu estava bebendo muito nessa época.

FBI – Não era como se você fosse seguir os passos de seu pai?

JD – Não.

FBI – Ou do seu avô?

JD – Não, não.

FBI – Você não estava planejando metas futuras?

JD – Não, não era bom em fazer planos para o futuro.

FBI – O que você acha que foi sua maior ruína, digo, foi quando você começou com materiais pornográficos e isso te levou para um próximo nível? Se você pudesse eliminar essa coisa em sua vida…

JD – Humm…

FBI – Quais resultados você acha que teria se eliminasse isso?

JD – Se eu pudesse eliminar essas fantasias, essas fantasias esmagadoras, que começaram quando eu tinha 15 ou 16 anos, isolá-las, não pensar nelas, não alimentá-las… eu provavelmente teria parado tudo. E se eu tivesse uma espécie de humm… humm… uma moral forte… humm… orientações, que eu acredito, você sabe, acredito em seguir…

FBI – Certo. Pessoal.

JD – Sim. E eu acredito que não tive nenhuma… e o resto disso foi um desastre… Pornografia? Não, não, isso não faz as pessoas fazerem isso.

FBI – Não, mas você era absorto na pornografia…

JD – Apenas preenchia as fantasias. Mas não acredito que teria impedido isso de acontecer.

FBI – Então você deve ter tido muito tempo desocupado, que você tinha essas fantasias ocupando constantemente sua vida ao invés de ter outras distrações.

JD – Sim, porque eu não tinha nenhum material pornográfico antes do incidente Hicks.

FBI – Isso é interessante e quero te perguntar o que veio primeiro, as fantasias ou a pornografia?

JD – As fantasias.

FBI – (Inaudível) Então não há nada que você pudesse ter feito?

JD – Não. É algo que apenas…

FBI – Veio e a pornografia foi um modo de satisfazer o…

JD – Certo.

FBI – A curiosidade de olhar e alimentar e…

JD – Correto.

FBI – Então essas fantasias começaram com 14 ou 15 anos?

JD – 14 ou 15.

FBI – Isso foi após o incidente com seu vizinho, a criança?

JD – Sim. Sim. Mas isso não acionou coisa alguma… isso, isso foi apenas… humm… aposto que acontece muito, provavelmente, você sabe…

FBI – Ah sim.

JD – Duas pessoas experimentando…

FBI – Oportunidade (até heterossexual)

JD – Sim.

FBI – Homens jovens podem experimentar, você sabe, nessa idade com, você sabe…

JD – A única vez que eu fui atacado foi quando tinha 13 ou 14 anos, e estava indo para a casa de um amigo uma noite e esses três caras, três caras do último ano do ensino médio, me bateram sem razão alguma com um black jack no meu pescoço… e humm… eu fui para casa muito assustado com isso.

FBI – Machucou também.

JD – Sim. E sem razão alguma, você sabe, eu não fiz nada a eles ou algo assim, eles apenas procuravam alguém para bater.

FBI – Tem pessoas lá fora que fazem isso.

JD – Sim.

FBI – Sem dúvida disso. Seus pais eram disciplinadores?

JD – Eles me deram muita disciplina. Sim.

FBI – Algum dos dois tinha problemas com álcool?

JD – Não. Nenhum dos dois bebia ou fumava. Nada. Poderia pegar mais um de você?

FBI – Parece que estão prontos para trocar de turno, estão todos se despedindo.

JD – Ah eles estão?

FBI – Sim.

JD – Eu não posso achar outro ponto que acionou isso.

FBI – Eles deixam você fumar na cela?

JD – Ah sim.

FBI – Esses caras estão todos vindo para cá.

JD – Certo.

FBI – Não tenho nenhuma objeção, o que eles podem fazer comigo? Você sabe, não quero causar problemas para você.

JD – Sim.

FBI – Ou da próxima vez que eu vir aqui, você sabe, mas humm… Você tem mais alguma pergunta? Humm, voltando atrás agora, você tem algum remorso pelo que fez?

JD – Um grande remorso. Eu, eu tinha esperanças, quero dizer… humm… uma coisa que … uma coisa que eu tenho… que me quebra a cabeça é por que eu não consigo gerar mais sentimento… quero dizer, se eu conseguisse… sentir mais emoção… isso talvez não teria acontecido. Mas apenas parece que minha emoção… meu lado emocional foi amortecido.

FBI – Dormente?

JD – Sim.

FBI – Dormente, mas isso é normal, digo, isso é a reação normal para uma situação anormal. Mas se você tivesse se envolvido emocionalmente com essas pessoas…

JD – Eu nunca teria…

FBI – Você provavelmente nunca teria matado eles.

JD – Certo. Não.

FBI – Ou se eles tivessem…

JD – Certo, certo. Humm, longe de me sentir mal pelo que fiz, sim eu me sinto mal, eu sei que é errado, mas isso não faz bem a ninguém, nenhuma lágrima de crocodilo… Digo…

FBI – Claro, antes de matar um ser humano, você experimentou com animais?

JD – Não, nunca matei animais. Nunca fiz isso. Eu sempre usei animais mortos, apenas para experimentar.

FBI – Aquele cara está te encarando…

JD – Está tudo certo.

FBI – Alguma outra pergunta que você gostaria de fazer? De novo Jeff, gostei da nossa conversa.

JD – Certo, obrigado pelos muffins e pelo livro.

FBI – E eu aprecio sua sinceridade conosco e humm.. apenas para reiterar meu maior propósito de vir aqui para você saber, a investigação de Adam Walsh, e você está sendo gravado dizendo que não teve nada com isso.

JD – Nada com isso.

FBI – O assassinato e sequestro.

JD – Eu ouvi isso no noticiário, mas não tive nada com isso.

FBI – E se você tivesse algo, você quer outro? Você admitiria?

JD – Humm… certo, sim. Humm… sim, acho que vou pegar mais um.

FBICensurado ficará feliz que você gostou dos muffins dela

Esta entrevista será concluída na quinta-feira, 13-8-92, aproximadamente às 14h45. Obrigado.

Continua:

A história completa de Jeffrey Dahmer, o “Canibal de Milwaukee”, pode ser lida no link abaixo:

Fonte consultada: FBI Records: The Vault. Jeffrey Lionel Dahmer.

Esta matéria teve colaboração de:

Tradução da entrevista:
rafa

Texto:
clara

Curta O Aprendiz Verde No Facebook


"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
Deixe o seu comentario:
  • Lecter

    Muito boa matéria. Infelizmente, existem muitos por ai, piores que esse, que nunca serão pegos. Existem entrevistas com vários assassinos por ai documentados; Infelizmente o que mais gostaria de ler, não existe “Ed Gein o real Hannibal Lecter”. Continuem com o excelente trabalho.

  • Larissa

    Dahmer sempre dizia que ele não gostava de matar suas vítimas, que isso era apenas o meio que ele encontrou de poder exercer o controle sobre a pessoa sem resistência. No fundo eu não acredito nada nisso, mas ele consegue fazer com que a gente sinta confiança em suas palavras. Incrível a capacidade de manipular as pessoas.

  • Sabrina&Dahmer

    Ai…amo esse blog
    cheio de detalhes..amo vcs!!!!

  • Lidson Mendes

    O cara foi super amistoso na entrevista, aparentava uma calma fora do comum bem diferente de vários psicopatas por aí.

  • Nathaly

    O agente do FBI a todo momento quer afirmar que Jeffrey esforçou para esconder suas vítimas. ahhaha NAO É VERDADE.
    Estava tudo na casa e os erros dos policiais não foram comuns. Além disso fora feito uma denuncia por telefone sobre um menor de idade que tentou fugir dele em rua publica. hahaha Que intervista bosta do FBI. É nítido falar que o agente do FBI o conduz…
    Jeffrey se faz de bonzinho e nao fala nada além do esperado. Será mesmo que essas são todas suas vítimas ?
    E o Leonel (pai) que sempre apoio o filho, é um pai tão bondoso ?
    ATT, 2017

  • Pingback: Jeffrey Dahmer Arquivos do FBI: Vítimas Identificadas | Blog O Aprendiz Verde()

DarkSide Books

RELACIONADOS

Dupla Identidade – Bruno Gagliasso

Glória Perez

Ilana Casoy

OAV TV

OAV TV

Queremos Você!

Queremos Você!

Siga-nos no Twitter

Siga-nos no Facebook!

21 Anos de Arquivo-X

20 Anos da Execução de Andrei Chikatilo

20 Anos da Execução de John Wayne Gacy

O nascimento de um serial killer

Categorias

Contribua com O Aprendiz Verde!

Bate-Papo

Blogs Brasil

Follow

Get every new post delivered to your Inbox

Join other followers

Follow

Get every new post delivered to your Inbox

Join other followers