Estudo recente levanta diferenças entre serial killers homens e mulheres

Estudo realizado pela Universidade do Estado da Pensilvânia examinou o histórico de vida, os motivos, os métodos e a mentalidade de 64 mulheres serial killers na história americana.
Aileen Wuornos
Dorothea Montalvo Puente, condenada por assassinar seus inquilinos idosos e enterrá-los em seu quintal, está entre as 64 serial killers registradas na história dos Estados Unidos.

Dorothea Montalvo Puente, condenada por assassinar seus inquilinos idosos e enterrá-los em seu quintal, está entre as 64 serial killers registradas na história dos Estados Unidos. Foto: Associated Press.

Uma mulher jovem e cristã, de classe média, casada e de inteligência e educação medianas. Ela trabalha como enfermeira, ou babá, ou catequista – qualquer coisa que lhe permita lidar com pessoas mais necessitadas que ela.

Isto poderia descrever qualquer mulher nos Estados Unidos. Mas, de acordo com um estudo recente da Univesidade Estadual da Pensilvânia, este também é o perfil médio da serial killer americana.

“É chocante”, afirmou a professora de psicologia da Universidade Estadual da Pensilvânia, Marissa Harrison, condutora do estudo, em uma entrevista para o The Washington Post. “O perfil que traçamos parece exatamente com o de uma pessoa normal… não há como perceber”.

Marissa e seus colegas passaram meses combinando reportagens de jornais (desde a Revolução Americana) para descobrir cada registro de serial killers do sexo feminino (apesar de as definições variarem – Harrison considera como “serial killer” qualquer um que tenha matado três ou mais pessoas com um período de “resfriamento emocional” de uma semana ou mais entre cada assassinato).

Começando em 1821 com Martha “Patty” Cannon – a “diaba” líder de uma gangue, que de acordo com registros de jornais da época, cometeu pelo menos quatro assassinatos no decurso do seu negócio usual de sequestrar pessoas e vendê-las como escravos – o estudo examina o histórico de vida, os motivos, os métodos e a mentalidade de 64 mulheres serial killers na história americana.

Apesar de serial killers mulheres, tais quais famílias infelizes, serem horríveis a seu próprio modo, Harrison encontrou algumas semelhanças impressionantes entre todas elas. A maioria tinha um histórico de vida bastante mundano, veneno era sua principal arma, e quase todas elas assassinaram pessoas conhecidas, frequentemente membros de sua própria família. Em comparação, a maior parte das vítimas de serial killers homens são pessoas desconhecidas do assassino.

“Serial killers mulheres coletam, e serial killers homens caçam”, afirmou Harrison. “Foi muito interessante para mim, como psicóloga evolucionista, que isso refletisse tendências ancestrais”.

Harrison também encontrou evidências de influências evolucionárias no que leva mulheres a matar. Enquanto a maioria dos assassinos tendem a se envolver sexualmente de alguma forma – um estudo de 1995 descobriu que assassinatos em série cometidos por homens são caracterizados por um desejo de dominação, controle, humilhação e violência sexual sádica – mulheres assassinas têm maior possibilidade de matar por dinheiro ou poder.

“Me surpreendeu que as mulheres matassem por recursos, que eram seu principal objetivo no ambiente ancestral, e os homens matassem por sexo”.

[Marissa Harrison. “Female serial killers in the United States: means, motives, and makings”]

A maioria das serial killers utilizava papéis femininos a seu favor. Quase dois terços daquelas cujos dados estavam disponíveis foram descritas como pessoas atraentes em nível mediano ou acima da média, algo que o estudo afirma que elas exploravam para não despertar suspeitas. Elas também assumiam empregos em profissões estereotipicamente femininas – professoras, enfermeiras, babás ou cuidadoras de idosos – que lhes davam acesso a vítimas vulneráveis. E muitas vezes elas tinham apelidos delicados ou juvenis que são altamente dissonantes do horror de seus crimes.

Tomemos, por exemplo, “Jolly Jane” Toppan, enfermeira no Hospital Cambridge em Massachusetts. Em 1901, ela confessou ter envenenado dezenas de vítimas – entre elas 12 pacientes, seu senhorio, sua irmã adotiva e um amigo de infância. Segundo a história, ela teria dito à polícia: “esta é minha ambição, ter matado mais pessoas – mais pessoas indefesas – do que qualquer homem ou mulher que já tenha vivido”.

Na foto: Jane "Jolly" (jovial) Toppan, na adolescência. Reprodução internet.

Na foto: a serial killer Jane “Jolly” (jovial) Toppan, na adolescência. Reprodução internet.

Ou a “Senhoria da Casa da Morte”, Dorothea Dalvo Puente, uma mulher com cara de vovó que gerenciava um pensionato para idosos. Puente sacava suas aposentadorias para uso próprio, e assassinava todos os que reclamavam. A investigação policial descobriu sete corpos enterrados em seu quintal.

Uma discrepância é Aileen Wuornos, provavelmente a serial killer mais famosa dos Estados Unidos. Em vez de doentes ou idosos, as vítimas de Wuornos eram homens que ela baleava e deixava no acostamento de rodovias. Mas Wuornos falou sobre os assassinatos com a mesma brutalidade fria de Toppan: “eu os roubava, e eu os matava tão fria como gelo, e faria de novo, e eu sei que mataria outra pessoa porque odeio humanos há muito tempo”, disse ela.

A serial killer Aileen Wuornos em 2001. Foto: Associated Press/Peter Cosgrove.

A serial killer Aileen Wuornos em 2001. Foto: Associated Press/Peter Cosgrove.

“Psicopatas mulheres não são menos depravadas do que suas contrapartes masculinas. Via de regra, entretanto, a penetração brutal não é o que as excita. A excitação delas vem não de violar os corpos de estranhos com objetos fálicos, mas de uma grotesca e sádica paródia de intimidade e amor, como administrar remédio envenenado a um paciente sob seus cuidados, por exemplo, ou sufocar uma criança adormecida. (O que tornava Aileen Wuornos diferente era que ela era um raro exemplo, embora de forma alguma isolado, de uma mulher que perseguia e matava suas vítimas no mesmo estilo fálico e agressivo de serial killers homens como David Berkowitz, o “Filho de Sam”).”

[Harold Schechter. “Serial Killers – Anatomia do Mal“]

Serial killers do sexo feminino são um fenômeno raramente estudado, talvez por causa da ideia culturalmente intrínseca de que mulheres são incapazes de cometer tais crimes. Mas esse pode ser um equívoco fatal.

Em seu estudo, Harrison escreveu que a relutância em acreditar na ideia de que mulheres possam ser assassinas em série pode permitir que assassinas escapem impunes de seus crimes – em média, serial killers mulheres conseguem evitar a prisão pelo dobro de tempo dos homens. Suas vítimas pagam por esse tempo extra.

“Ao contrário das ideias preconcebidas sobre mulheres serem incapazes de chegar a tais extremos, as mulheres em nossos estudos envenenaram, asfixiaram, queimaram, estrangularam, espancaram e atiraram em recém-nascidos, crianças, idosos e pessoas doentes, bem como adultos saudáveis; frequentemente pessoas a quem conheciam e que provavelmente confiavam nelas”, conclui o estudo.

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Com informações: The Washington Post

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