Reportagem Retrô: O Maníaco do Trianon – polícia prende matador de executivos homossexuais

Reportagem Retrô é uma coluna do blog O Aprendiz Verde que traz reportagens, matérias e artigos antigos publicados em algum lugar do nosso tempo-espaço. Trazer essas matérias é uma...
Maniaco do Trianon

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Reportagem Retrô é uma coluna do blog O Aprendiz Verde que traz reportagens, matérias e artigos antigos publicados em algum lugar do nosso tempo-espaço. Trazer essas matérias é uma forma de resgatarmos o passado e, por um instante, ter um vislumbre daquele registro de época.

A Reportagem Retrô de hoje foi publicada na Revista Veja em 6 de Setembro de 1989, e fala sobre a prisão do serial killer conhecido como “Maníaco do Trianon”.

seta

O matador do Trianon


Polícia prende maníaco que agia entre os executivos homossexuais do coração financeiro de São Paulo


.

  • Revista Veja – 6 de Setembro de 1989

Há uma área verde encravada numa das regiões mais movimentadas de São Paulo, a Avenida Paulista, por onde todos os dias transitam milhares de senhores circunspectos que trabalham no coração financeiro do país. Este lugar, o Parque do Trianon, em frente ao Museu de Arte de São Paulo, Masp, todas as noites se transforma num ponto de prostituição masculina, onde centenas de executivos homossexuais vão contratar os serviços de jovens rapazes. Desde a semana passada, sabe-se que o badalado Parque do Trianon é também o ponto de início de rituais macabros. Na última quarta-feira, a polícia de São Paulo encarcerou na Casa de Detenção, no pavilhão dos presos perigosos, um desses rapazes de aluguel, Fortunato Botton Neto, e descrobriu uma história espantosa. Botton confessou ter assassinado pelo menos treze pessoas, quase todas executivos que circulam de dia pela Avenida Paulista. Todos os crimes tiveram requintes de crueldade. “O primeiro dá medo, o segundo dá sede, e o terceiro dá vontade”, disse Botton a Veja.

Fortunato Botton, de 26 anos, foi preso há três semanas por acaso, numa operação quase banal da polícia. Ao sair de um encontro com um estudante de 19 anos, ele roubou os documentos de seu automóvel para extorquir dinheiro. Assustado, o rapaz procurou a polícia para denunciar o caso e levou os policiais até Fortunato. Na delegacia, ele confessou com facilidade outros crimes. Um deles foi o assassinato do psiquiatra Antônio Carlos Giácomo, há dois anos. Outro foi o do diretor de teatro Manoel Hiraldo Paiva. “Era para eu ter matado mais um monte, mas nem todos me levavam para o apartamento”, confessa.

Foto: Revista Veja.

Foto: Revista Veja.

Ritual Cruel – Em seus crimes, Fortunato costumava sempre seguir os mesmos rituais. Ao chegar ao apartamento de suas vítimas, ele tentava exotrquir dinheiro. Se não desse certo, tentava matá-las. Primeiro, dominava suas vítimas apertando-lhes o pescoço com o braço. A seguir, desferia uma série de facadas. A primeira, no abdômen. A segunda, no pescoço. Com a terceira, rasgava a veia jugular. Nessa altura, suas vítimas normalmente já estavam mortas. Entretanto, Fortunato prosseguia em seu sadismo. O item seguinte era estrangulá-las com as próprias mãos. Depois, procurava uma faca maior na cozinha para perfurar-lhes o coração. Terminada a matança, lavava-se no banheiro e partia em busca de jóias e dinheiro. “Eu levava qualquer coisa, nem que fosse um vaso de flor”, conta Fortunato.

A morte do psiquiatra Antônio Carlos Giácomo foi mais violenta. Ao enfiar a faca em seu coração, a lâmina entortou. Fortunato retirou a arma, consertou-a e a enterrou com mais força ainda. Segundo contou à polícia, ele estava com um ódio especial de Giácomo – o psiquiatra tentou improvisar uma seção de análise. Segundo diz, na maior parte das vezes matava porque suas vítimas não queriam lhe pagar as comissões que exigia. Em alguns casos, contudo, bastaram inofensivas observações para que agisse. “Já paguei um cara porque ele reclamou que eu fumava demais”, conta.

Com 1,80 metro, 80 quilos, corpo musculoso, louro e de olhos azuis, Fortunato diz que arranjou clientes poderosos, muitos deles casados. Entre eles, Fortunato contabiliza um grande industrial do ramo dos calçados, um antigo alto funcionário do Ministério do Planejamento, um diretor financeiro de um banco e até cantores de rock. Filho de operários paulistas, Fortunato diz que já visitou vários países, como Chile e argentina, e do Brasil só não conhece o Amapá. Ele tem algumas paixões – o seu ídolo é o ator Clint Eastwood. Na música ele adora a cantora francesa Edith Piaff. Também gosta de TV e assistiu a quase todos os debagtes dos presidenciáveis. Na próxima eleição, pretende votar no candidato do PCB, Roberto Freire, e na última foi eleitor de Luiza Erundina, do PT. Nos momentos de lucidez, Fortunato costuma devorar livros. Quando esteve preso pela primeira vez, de 1984 a 1986, acusado de roubo de veículos, lia até dois livros por semana. Fortunato adora Graciliano Ramos, de que já leu Vidas Secas, e Jorge Amado – gostou de Capitães de Areia. Na última quarta-feira, Fortunato iniciou e terminou a leitura de um livro de 330 páginas – Heliopolis, de William Golding. Ultimamente, ele vinha levando uma vida mais difícil. Há dois anos começou a consumir cocaína com uma ex-namorada, que chegava a até duas gramas por dia. Nessa época, perdeu os dentes numa briga de rua, colocou como meta só fazer tratamento dentário depois de matar seu agressor. “É sendo ruim comigo mesmo que eu aprendo a ser ruim com os outros,” diz Fortunato.

Nota do Aprendiz: Assassino de 13 pessoas, Fortunato Botton Neto morreu na cadeia aos 30 anos, em 1997, de Broncopneumonia decorrente da AIDS, que adquiriu de uma de suas vítimas.


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