Lust Murderers: Assassinos de Luxúria

O “Lust Murderer” . Por John Douglas e Roy Hazelwood. Boletim do FBI. Abril de 1980 . Em 29 de agosto de 1975, o corpo nu e mutilado de...
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www.oaprendizverde.com.brLust Murderers

O “Lust Murderer”


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Por John Douglas e Roy Hazelwood. Boletim do FBI. Abril de 1980

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Em 29 de agosto de 1975, o corpo nu e mutilado de uma mulher de 25 anos, mãe de duas crianças, foi encontrado nas proximidades de Columbia, na Carolina do Sul. Os dois seios haviam sido removidos e o sistema reprodutor deslocado; o corpo possuía inúmeras perfurações com cortes bem visíveis e havia, também, indícios de canibalismo.

Este foi o cenário de um lust murder (assassinato de luxúria), um dos crimes mais hediondos cometidos pelo homem. Embora não seja uma ocorrência comum, é algo que assusta e chama a atenção do público de uma forma que nenhum outro crime consegue.

A primeira preocupação são os fatores que diferenciam o lust murder dos homicídios sádicos mais comuns, evidências físicas presentes na cena que possam ajudar a determinar o(s) indivíduo(s) responsável(is), e possíveis características pessoais do assassino. Os autores não pretendem afirmar que o material apresentado é aplicável a todos estes crimes ou a seus perpetradores, mas sim que a maioria dos crimes e agressores envolvidos irão apresentar as características estabelecidas. Os dados apresentados não foram quantificados, mas são baseados no exame de registros de casos feito pelos autores, entrevistas com investigadores, e uma revisão cuidadosa da literatura. Podem surgir pequenas variações nos termos usados, dependendo da fonte de referência.

A opinião dos autores é de que o lust murder é único e se distingue do homicídio sádico pelo envolvimento do ataque e mutilação ou deslocamento de seios, reto ou genitais. Além disso, embora sempre haja exceções, basicamente dois tipos de indivíduos cometem lust murder. Estes indivíduos serão classificados como personalidades Antissociais Organizadas e Associais Desorganizadas.

O Antissocial Organizado

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O lust murderer antissocial organizado (antissocial) apresenta total indiferença aos interesses e bem-estar da sociedade e exibe um comportamento irresponsável e egocêntrico. Apesar de desprezar as pessoas em geral, não as evita. Em vez disso, ele é capaz de apresentar uma faceta amigável por quanto tempo for necessário, afim de manipular pessoas para alcançar seus próprios objetivos. Ele é um indivíduo metódico e astucioso, como se demonstra na perpetração de seu crime. Ele está plenamente consciente da ilicitude de seu ato e de seu impacto na sociedade, e é por esta razão que ele comete o crime. Ele geralmente vive a alguma distância da cena do crime e irá perambular por ali, procurando por uma vítima. O Dr. Robert P. Brittain, autor de “The Sadistic Murderer” [O Assassino Sádico, em tradução livre], afirmou: “Eles (assassinos sádicos) se excitam com crueldade, seja em livros ou filmes, reais ou fictícios”.

O Associal Desorganizado

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O lust murderer associal desorganizado (associal) apresenta características primárias de aversão à sociedade. Estes indivíduos preferem sua própria companhia à de outras pessoas e seriam caracterizados como solitários. Eles encontram dificuldades em relações interpessoais e consequentemente se sentem rejeitados e solitários. Eles não possuem a astúcia do tipo antissocial e cometem seus crimes de uma forma mais frenética e menos metódica. Provavelmente, o crime será cometido à curta distância de sua residência ou local de trabalho, onde ele se sente seguro e mais a vontade.

O Crime

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O lust murder é premeditado nas fantasias obsessivas do perpetrador. Ainda assim, o assassino pode agir “no calor do momento” quando a oportunidade se apresenta. Isto é, o assassino planejou o crime precisamente em suas fantasias, mas não decidiu conscientemente realizar aquelas fantasias até o momento do crime. Consequentemente, a vítima é tipicamente desconhecida do assassino, fato corroborado pelos casos estudados pelos autores.

A localização do corpo da vítima pode ser indicativa do tipo de assassino envolvido. Caracteristicamente, o tipo associal abandona o corpo no local da morte e, embora o lugar não esteja à vista do observador comum, não há tentativa de escondê-lo. Do contrário, o tipo antissocial comete o crime em um local afastado ou isolado e pode, depois, transportar o corpo para uma área onde é mais provável que seja encontrado.

Embora não haja intenção consciente de ser pego, o tipo antissocial deseja a excitação derivada da publicidade sobre a descoberta do corpo e seu impacto na comunidade da vítima.

O lust murder é cometido de uma forma brutal e sádica. Apesar de as vítimas poderem ser tanto homens quanto mulheres, o crime é em sua natureza predominantemente heterossexual e intrarracial. O corpo das vítimas apresenta mutilações grosseiras e/ou remoção dos seios, reto ou genitais e pode ser submetido a perfurações ou cortes excessivos com um instrumento afiado. A morte da vítima geralmente ocorre pouco depois da captura ou ataque, e a mutilação acontece após a morte. O Dr. J. Paul de River nota em seu livro, Crime and the Sexual Psychopath [O Crime e o Psicopata Sexual, em tradução livre]:

“O lust murderer, usualmente, após matar sua vítima, tortura, corta, mutila ou rasga sua vítima nas regiões próximas ou sobre a genitália, reto, seios nas mulheres, e na região do pescoço, garganta e nádegas, uma vez que usualmente estas partes contém forte significado sexual para ele, e servem como estímulo sexual”.

Se, entretanto, houver evidência física ou médica indicando que a vítima foi submetida à tortura ou mutilação anterior à morte, este fator indica que o agressor era do tipo antissocial, em vez do tipo associal.

Um lust murderer raramente usará uma arma de fogo para matar, uma vez que sentirá muito pouca gratificação psicossexual com uma arma tão impessoal. Mais frequentemente, a morte decorre de estrangulamento, força bruta ou do uso de um instrumento afiado e pontiagudo. O tipo associal é mais propenso a usar uma arma e pode deixá-la na cena do crime, enquanto o tipo antissocial pode carregá-la consigo ao abandonar o local. Portanto, a escolha da arma pelo assassino e sua proximidade com a cena podem ser bastante significativas para a investigação.

O Dr. de River comenta que o instrumento em si pode ser simbólico para o assassino e ele pode posicioná-lo em um local próximo à vítima. É uma forma de comportamento orgulhoso e exibicionista e pode ser sexualmente gratificante para ele.

O investigador pode descobrir que a vítima foi mordida nos seios, nádegas, pescoço, barriga, coxas ou genitais, uma vez que essas regiões possuem associações sexuais. Amputação de membros ou dos seios, ou, em alguns casos, total dissecação também pode ocorrer. A dissecação do corpo da vítima, quando cometida pelo tipo antissocial, pode ser uma tentativa de dificultar a identificação da vítima. O indivíduo associal trata a vítima de forma bastante semelhante, como uma criança curiosa com seu novo brinquedo. Ele se envolve num exame exploratório das partes sexualmente significantes do corpo numa tentativa de determinar como elas funcionam e como são por dentro.

Ocasionalmente, nota-se que o assassino espalhou o sangue da vítima em si mesmo, na vítima, ou na superfície sobre a qual jaz o corpo. Esta atitude é mais frequentemente associada com o tipo associal e se relaciona com o frenesi incontrolável do ataque.

A penetração peniana na vítima não é algo esperado no tipo associal, mas é predominantemente associada ao tipo antissocial, chegando até mesmo aos limites da necrofilia. Estas atividades da parte dos antissociais refletem seu desejo de ultrajar a sociedade e chamar atenção para seu total desdém pela aceitação social. O tipo associal mais comumente introduz objetos estranhos nos orifícios do corpo numa prova de comportamento curioso, ainda que brutal. Evidências de ejaculação podem ser encontradas na vítima, perto dela, ou em suas roupas.

Frequentemente, o assassino levará algum “troféu”, normalmente um objeto ou peça de vestuário pertencente à vítima, mas ocasionalmente ele pode ter uma lembrança mais pessoal do encontro – um dedo, uma mecha de cabelo, ou uma parte do corpo com associação sexual. O “souvenir” é levado para permitir que o assassino reviva a cena em fantasias posteriores. O assassino aqui está realizando sua fantasia, e a total posse de sua vítima é parte dela. Como mencionado anteriormente, o perpetrador pode praticar um ato antropofágico e tal ato é indicativo de envolvimento associal.

Finalmente, o cenário em si conterá muito menos evidências físicas quando o assassino é do tipo antissocial. Como afirmado, o indivíduo classificado como antissocial é bastante astuto e mais metódico que o tipo associal, que comete um ataque mais ensandecido. É interessante notar, entretanto, que ambos os tipos podem se sentir compelidos a retornar à cena do crime, embora por diferentes razões. Enquanto o tipo associal pode retornar para praticar mais mutilações ou reviver a experiência, o tipo antissocial volta para determinar se o corpo foi descoberto e para verificar o progresso da investigação. Houve casos em que um tipo antissocial mudou o corpo de lugar para assegurar sua descoberta.

De grande interesse é o desejo quase obsessivo do tipo antissocial de acompanhar a investigação policial, até mesmo ao ponto de frequentar locais frequentados por policiais para ouvir discussões sobre crimes não solucionados, ou de alguma forma inserindo-se na investigação. Em um caso, o assassino voltou à cena após ela ter sido examinada por técnicos de laboratório da polícia e depositou peças de roupa que a vítima usava no dia em que foi morta. Em dois outros casos, o assassino visitou o cemitério e deixou objetos pertencentes à vítima no túmulo dela. É como se ele estivesse fazendo um “jogo” com as autoridades. Tais ações aparentam aumentar sua “sede de poder” ou desejo por controle.

Perfil do Lust Murderer

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Que conjunto de circunstâncias cria um indivíduo que se torna um lust murderer? Os autores não possuem conhecimentos suficientes para explicar os múltiplos e complexos fatores casuais associados com o desenvolvimento psicológico do indivíduo que comete crime tão hediondo. Porém, é geralmente aceito que os alicerces da personalidade são construídos nos primeiros anos de vida. Embora estresse extremo, uso frequente de narcóticos ou abuso de álcool possam causar desorganização da personalidade na vida adulta, os primeiros anos é que são cruciais na estruturação e desenvolvimento da personalidade.

O lust murderer raramente será oriundo de um ambiente de amor e compreensão. É mais provável que ele tenha sido uma criança negligenciada ou vítima de abusos que sofreu com enormes conflitos nos começo da vida e foi incapaz de desenvolver e usar dispositivos de enfrentamento (isto é, mecanismos de defesa). Se ele fosse capaz de fazer isso, teria resistido à pressão colocada sobre ele e se desenvolvido normalmente na infância. Deve-se enfatizar que muitos indivíduos são criados em ambientes que não favorecem um desenvolvimento psicológico saudável, mas ainda assim se tornam indivíduos produtivos. Essas tensões, frustrações e ansiedades subsequentes, junto com a inabilidade para lidar com elas, podem levar o indivíduo a se afastar da sociedade, que ele vê como hostil e ameaçadora.

Durante este processo de internalização, ele se mantém recluso e isolado das outras pessoas e pode, eventualmente, decidir pelo suicídio como uma alternativa a uma vida de solidão e frustração. Os autores designaram esta reação à vida como associal desorganizada. Este tipo possui baixa autoestima e secretamente rejeita a sociedade que acredita rejeitá-lo. Familiares e conhecidos o descreveriam como uma pessoa boa e tranquila que guarda tudo para si mesma, mas nunca reconheceu seu potencial. Durante a adolescência, ele pode ocupar-se com atividades voyeurísticas ou roubo de roupas femininas. Tais atividades servem como um substituto para sua inabilidade em se aproximar sexualmente de mulheres de modo maduro e confiante.

O indivíduo designado pelos autores como do tipo antissocial organizado nutre sentimentos de hostilidade semelhantes, mas escolhe não se afastar ou internalizar sua hostilidade. Em vez disso, ele a manifesta publicamente através de atos agressivos e aparentemente sem sentido contra a sociedade. Tipicamente, ele começa a demonstrar sua hostilidade na transição da puberdade para a adolescência. Ele poderia ser descrito como uma pessoa problemática e manipuladora, preocupada apenas consigo mesma. Ele experimenta dificuldades com a família, amigos e “figuras de autoridade” através de atos antissociais que podem incluir homicídio. Thomas Strentz e Conrad Hassel, na edição de junho de 1978 do Journal of Police Science and Administration [Jornal de Administração e Ciência Policial, em tradução livre], escreveu sobre um jovem que havia matado pela primeira vez com a idade de 15 anos e foi internado numa instituição para doentes mentais. Após ser liberado, ele matou e desmembrou oito mulheres. O objetivo do antissocial é se vingar da sociedade e infligir dor e castigo nas outras pessoas.

O Papel da Fantasia

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Como notado, o lust murder é premeditado nas fantasias obsessivas experimentadas tanto pelos assassinos antissociais e associais. A fantasia lhes proporciona uma válvula de escape de um mundo de ódio e rejeição. O Dr. James J. Reinhardt, em seu livro Sex, Perversions and Sex Crimes [Sexo, Perversões e Crimes Sexuais, em tradução livre], escreveu:

“Um estudo desses casos revela quase invariavelmente uma longa luta contra o que Reik chama de ‘impulso inicial’. Através da fantasia o assassino tenta evitar o ato fatal, enquanto ao mesmo tempo satisfaz suas necessidades psíquicas compulsivas no desenvolvimento e no uso da fantasia. Estas [fantasias] sádicas parecem sempre preceder o ato brutal do lust murder. Essas fantasias se apresentam das formas mais grotescas e cruéis. O pervertido, neste nível de degeneração, pode fazer uso de imagens pornográficas, episódios cruéis e grotescos da literatura, das quais ele retira suas fantasias. Nesses momentos, sua imaginação viaja até que ele perca todo o contato com a realidade, apenas para de repente se descobrir compelido a levar suas fantasias ao mundo real. Isto é feito, aparentemente, arrastando ‘objetos’ humanos para esta fantasia“.

James Russel Odom, julgado e condenado junto com James Clayton Lawson pelo lust murder brutal descrito no começo deste artigo, afirmou que enquanto ele e Lawson estavam numa instituição para doentes mentais, eles expressavam suas fantasias sobre mulheres: 

[Odom] estuprando-as e Lawson mutilando-as… (nós fantasiamos tanto que às vezes eu não sabia o que era real)”. 

Se ele realiza sua fantasia (comete o crime), seu objetivo será destruir a vítima e desse modo se tornar seu único possuidor. James Lawson (mencionado acima) teria afirmado:

“Então eu cortei a garganta dela, para que ela não pudesse gritar… naquele momento eu queria cortar seu corpo para que ela não se parecesse com uma pessoa e destruí-la para que ela não existisse. Eu comecei a cortar seu corpo. Eu me lembro de ter extirpado seus seios. Depois disso, tudo que eu lembro é que continuei cortando seu corpo”.1

A vítima pode representar algo que ele deseja sexualmente, mas é incapaz de se aproximar. Lawson continua falando: “eu não estuprei a garota. Eu só queria destruí-la”.

Raramente são encontrados tipos associais capazes de manterem relacionamentos heterossexuais normais. Eles podem desejar tais relacionamentos, mas também os temem. O Dr. Reinhardt, numa entrevista com um famoso lust murder, escreveu:

“… ele a princípio negou sequer ter tentado algum tipo de contato sexual com garotas. Dois dias depois, em uma de suas raras demonstrações de emoção, ele contou, parecendo bastante envergonhado, que havia acontecido duas vezes, mais tarde corrigindo para oito vezes, em que ele havia tocado garotas ‘nos seios’ e então apertado ‘suas coxas’. Sempre após fazer isso, ele imediatamente irrompia em lágrimas e ‘ficava chateado e não conseguia dormir’”.

O Perfil Psicológico

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O perfil psicológico é uma tentativa educativa de fornecer informações específicas às agências de investigação sobre o tipo de indivíduo que comete determinado crime. Deve-se enfatizar claramente desde o início que o que se pode fazer nesta área é limitado, e os procedimentos investigativos indicados não devem ser suspensos, alterados ou substituídos pelo recebimento de um perfil. Em vez disso, o material fornecido deve ser considerado e empregado como outra ferramenta investigativa. O processo é uma arte e não uma ciência, e embora possa ser aplicável a vários tipos de investigação, seu uso é restrito inicialmente a crimes de violência ou de potencial violência.

Quando preparado pelo FBI, o perfil pode incluir a idade do agressor, etnia, sexo, status socioeconômico, estado civil, nível de escolaridade, antecedentes criminais, local de residência em relação à cena do crime e certos traços de personalidade.

Um perfil é baseado em padrões característicos ou fatores singulares que possam distinguir certos indivíduos da população em geral. No caso do lust murderer, pistas para estes fatores singulares são encontrados no corpo da vítima e na cena do crime e podem incluir a quantidade e localização das mutilações realizadas, tipo de arma usada, causa da morte e posição do corpo. O profiler procura por pistas que indiquem a provável configuração de personalidade do indivíduo responsável.

Na preparação do perfil, é preferível ter acesso à cena do crime antes que ela seja alterada. Na maioria dos casos, isto é impossível. Como alternativa à presença na cena do crime, o profiler pode fazer uso de relatórios da investigação, protocolos de autópsia, fotografias detalhadas do corpo, da cena, da área ao redor dela, bem como um mapa informando o último paradeiro conhecido da vítima em relação à sua localização atual e qualquer informação conhecida a respeito da vítima e de suas atividades.

Existem crimes violentos nos quais há uma ausência de singularidade; portanto, não é possível traçar um perfil. Entretanto, é improvável que isso aconteça no caso de um lust murder.

Resumo

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Embora não seja uma ocorrência comum, o lust murder assusta e chama a atenção do público de uma forma que nenhum outro crime consegue. O lust murder envolve a morte e subsequente mutilação de seios, reto e região genital da vítima. O crime é tipicamente heterossexual e intrarracial em sua natureza e é cometido por um dos dois tipos de indivíduos: de personalidade associal desorganizada e antissocial organizada.

O tipo antissocial organizado se sente rejeitado e odeia a sociedade na qual vive. Seus sentimentos de hostilidade são manifestados abertamente, e o lust murder é a expressão final do ódio que ele sente. O tipo associal desorganizado também se sente rejeitado e odeia o mundo em que vive, mas se afasta e internaliza seus sentimentos, vivendo em um mundo de fantasias até que resolva realizá-las com suas vítimas.

Embora existam similaridades na prática do lust murder, existem determinados fatores que podem indicar o tipo de personalidade envolvida. Estes fatores incluem a localização do corpo, evidências de tortura ou mutilação ocorridas antes da morte, espalhamento do sangue da vítima, evidências de penetração peniana ou canibalismo, e a disponibilidade de evidências físicas na cena do crime.

O crime é premeditado nas fantasias obsessivas experimentadas tanto pelo tipo associal quanto pelo antissocial, mesmo quando se trata de um crime de ocasião, no qual a vítima usualmente é desconhecida do assassino.

O uso do perfilamento psicológico em tais crimes pode ser de grande ajuda para determinar o tipo de personalidade envolvido. É uma busca por pistas que indiquem a provável configuração de personalidade do(s) indivíduo(s) responsável(is). É uma ferramenta útil, mas não deve alterar, suspender ou substituir os procedimentos investigativos indicados.

ROBERT R. HAZELWOOD
JOHN E. DOUGLAS
Special Agents
Behavioral Science Unit
FBI Academy
Quantico, Va.

Primeira página do artigo "The Lust Murderers", escrito pelos caçadores de mentes do FBI John Douglas e Roy Hazelwood.Primeira página do artigo “The Lust Murderers”, escrito pelos caçadores de mentes do FBI John Douglas e Roy Hazelwood.

Assassinos Selvagens


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Lust Murder, também conhecido como erotofonofilia, constitui uma categoria muito específica de homicídios. Segundo Holmes & Holmes (2010), os assassinos hedonistas, que são aqueles que matam por prazer, são divididos em três tipos: 

  1. lust murder;
  2. thrill killer (assassino de emoção) e;
  3. comfort killer.

Em relação ao lust murder, podemos observar a clara evidência da componente sexual nos homicídios. Estes crimes tem o sexo como motivação principal, tanto no momento da morte quanto no período que a antecede, e também depois que o crime foi consumado. Com alguma frequência há comportamentos de necrofilia envolvidos, sendo esta, parte da fantasia subjacente.

A erotofonofilia corresponde a comportamentos de ordem sexual – na maioria das vezes sádicos – que resultam na morte da vitima, assim diferenciam-se de outras formas de homicídios, mesmo daqueles que também são decorrentes de motivação sexual. O lust murder é um tipo de desvio do instinto sexual que engloba várias parafilias, dentro destes comportamentos desviantes podemos citar a antropofagia, a necrofilia, o picquerismo, o vampirismo e a flagelação.

  • Antropofagia: é uma forma de canibalismo, onde o agressor morde a vitima e arranca pedaços da carne para comer diretamente no corpo da mesma, ou então, utiliza instrumentos cortantes para cortar pedaços da vitima e comer em seguida. Vários assassinos ficaram conhecidos por terem guardado pedaços das vitimas para posteriormente cozinhar e consumir.
  • Necrofilia: Os assassinos necrófilos sentem o desejo e a necessidade de sexo com mortos, portanto matam as vítimas com o objetivo de terem relações sexuais com os seus corpos. Quando este desvio está associado ao lust murder, o comportamento será recorrente, ou seja, com o passar do tempo o assassino só conseguirá obter prazer se tiver relações sexuais com cadáveres.
  • Picquerismo: é a parafilia que melhor caracteriza os lust murderers. Constitui um desejo de cortar, ferir ou esquartejar um corpo. Em regra geral, incidem nas regiões sexuais.
  • Vampirismo: é o comportamento de beber sangue, humano ou animal, no qual é atribuída satisfação sexual, normalmente, o sangue é consumido durante e após o homicídio.
  • Flagelação: é uma forma de sadomasoquismo, onde a gratificação é obtida por meio de agressões com chicotes, podendo ser dirigida à outrem ou a si próprio.

É de suma importância ressaltar que, quando falamos em lust murder, estamos nos referindo a uma tipologia muito específica de crime, onde a gratificação sexual é obtida através de atos de mutilação e esquartejamento, e não através do sexo em si. A satisfação sexual está, nestes casos, ligada com a intensidade, frequência e duração dos atos, sendo uma subcategoria específica dentro dos crimes motivados por sexo. Adicionalmente, Simon (1996) diz que nem todo lust murder será, obrigatoriamente, um sádico.

Citado no artigo de Douglas/Hazelwood, o serial killer Edmund Kemper é um lust murderer clássico cujo modus operandi envolvia mutilação, desmembramento e necrofilia.  Foto: Santa Cruz County Sheriff's Office.Citado no artigo de Douglas/Hazelwood, o serial killer Edmund Kemper é um lust murderer clássico cuja assinatura envolvia picquerismo e necrofilia. Foto: Santa Cruz County Sheriff’s Office.

Os crimes praticados por lust murderers têm como característica principal os atos extremos de violência e brutalidade, que envolvem mutilações, remoção de órgãos e partes do corpo (seios, genitais) e estripamentos. É muito comum, nestes crimes, os assassinos rasgarem ou cortarem as vitimas nas nádegas, pescoço e órgãos sexuais.

Em regra geral, as mutilações acontecem após a morte da vitima, mas não é raro que hajam ferimentos de natureza ante, peri e post mortem; muitas vezes as vítimas morrem em decorrência destas lesões. O assassinato constitui uma parcela integrante do crime, mas não é a parte fundamental.

Na foto: O serial killer de prostitutas Peter Sutcliffe e sua esposa Sonia. Reprodução Internet.Na foto: O “Estripador de Yorkshire” Peter Sutcliffe e sua esposa Sonia. O serial killer é outro exemplo de Lust Murderer. Seu modus operandi consistia em atacar mulheres com martelos, deixando-as inconscientes (as vezes elas já faleciam com os golpes), e então atacava brutalmente seus troncos e genitálias com uma faca ou uma chave de fenda afiada. Ao todo 13 mulheres morreram e 8 sobreviveram, embora mutiladas, aos seus ataques. Foto: Reprodução Internet.

O agressor somente obtém o ápice de prazer através da vivencia da sua fantasia, isto é, quando concretiza todo o ritual de extrema violência, e é esta excitação que o propulsiona a matar. Tendencialmente a evolução dos crimes dar-se-à de forma cada vez mais violenta, bem como a diminuição do período de “resfriamento emocional”, que é o intervalo entre as mortes. Um exemplo é Danny Rollling, o “Carniceiro de Gainesville”, que em um fim de semana massacrou cinco adolescentes -quatro garotas e um garoto. 

Em 24 de Agosto de 1990, Christina Powell e Sonja Jarson, de 18 anos, foram amarradas e amordaçadas com fita adesiva e, em seguida, estupradas e assassinadas com uma faca de caça. Após mutilar os corpos, Rolling deixou-os em poses sexuais obscenas. Na noite seguinte, ele esfaqueou até a morte Christa Hoyt, 19, e depois cortou fora seus mamilos, abriu-a do esterno à virilha e a decapitou, colocando a cabeça em uma prateleira. Dois dias depois, ele matou a jovem Tracey Paules, 23, e seu colega de quarto Manuel Taboada, 23. Como anteriormente, Tracey foi cortada como um animal de caça. Após ser preso, autoridades descobriram que a onda de matança de Rolling vinha do ano anterior, quando assassinou três pessoas de maneira semelhante em Shreveport, Louisiana.

O serial killer e lust murderer Danny Rolling durante audiência preliminar de seu julgamento. Data: 31 de Maio de 1991. Foto AP Photo/Chris O'Meara.O serial killer e lust murderer Danny Rolling durante audiência preliminar de seu julgamento. Data: 31 de Maio de 1991. Foto AP Photo/Chris O’Meara.

Ao longo dos crimes, os agressores vão estabelecendo internamente ligações entre a sua sexualidade e violência, essa relação, que passa a ser uma fantasia, é ensaiada inúmeras vezes na mente do criminoso. É habitual o consumo de pornografia, principalmente de caráter sadomasoquista, juntamente com masturbação compulsiva.

É possível afirmar que os lust murderers possuem comportamentos de caráter impulsivo e compulsivo, e deste modo tornam-se incapazes de abstraírem-se do seu mundo interno.

Para estes agressores, as vítimas representam um papel secundário no cenário, sendo apenas objetos que o mesmo utiliza para satisfazer seus desejos macabros. É comum a procura por uma tipologia especifica de vítima, com características físicas que se encaixem na fantasia dele, sendo elas desconhecidas do mesmo. Cada homicida sexual em série possui os seus critérios de escolha extremamente personalizados. Com exceção de Taboada, que morreu porque vivia na mesma casa de Tracey Paules, as vítimas de Danny Rolling eram morenas de rostos delicados, brancas e de olhos castanhos.

Autores indicam que o gênero da vitima dependerá da sexualidade do agressor, podendo ser mulher ou homem, mas a maioria é de orientação heterossexual. Estudos evidenciam que, na maioria das vezes, o lust murderer tende a escolher como vitima alguém da mesma afinidade populacional que a dele e suas fantasias de violência sexualizada iniciam-se ao longo da adolescência.

O lust murderer precisa do contato direto com a vitima, e é essa a razão de tamanha violência, o ataque é feito de forma brutal, normalmente com armas corto perfurantes ou estrangulamento.

Por norma, o local de crime difere de onde a vitima é encontrada e geralmente a arma utilizada não é deixada no local. Existe a utilização de objetos que funcionam como instrumento para violar as vítimas. Em regra geral, estes homicidas não descartam os cadáveres em uma área em particular (ao contrario dos assassinos motivados por poder e controle que criam “cemitérios” para depósito dos corpos).

Um dos mais assustadores lust murderers da história, o russo Sergey Golovkin trucidou 11 meninos entre 1986 e 1992 nos arredores de Moscou. Suas vítimas eram esfoladas, cortadas e desmembradas, dentre outras crueldades. Na imagem acima ele é filmado pelas autoridades russas durante a reconstituição de um de seus crimes. Reprodução Youtube.Um dos mais assustadores lust murderers da história, o russo Sergey Golovkin trucidou 11 meninos entre 1986 e 1992 nos arredores de Moscou. Suas vítimas eram esfoladas, cortadas e desmembradas, dentre outras crueldades. Na imagem acima ele é filmado pelas autoridades russas durante a reconstituição de um de seus crimes. Reprodução Youtube.

As Origens


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Muitos autores procuraram explicar o motivo pelo qual um indivíduo, aparentemente normal, torna-se um assassino em série, um lust murderer, um predador de vidas humanas.

Para tentar entender o que leva alguém a ultrapassar todas as barreiras morais e éticas de nossa sociedade, traremos algumas das teorias que procuram explicar o funcionamento psíquico e, por consequência, os aspectos comportamentais destes indivíduos. São modelos que apresentam bastante relevância sobre os homicídios de caráter sexual, como por exemplo os lust murders. São eles:

  • modelo motivacional, de Burgess et. Al. (1986);
  • modelo de controle do trauma, de Hickey (2001) e;
  • modelo integrativo, de Purcell e Arrigo (2006).

Em suma, todas as teorias buscam o mesmo, ou seja, responder à questão fundamental: Por que algumas pessoas agem com tamanha maldade e perversidade, por que matam outras pessoas que nunca lhes fizeram mal?

Lenda da psiquiatria forense, a Dra. Ann Wolbert Burgess publicou inúmeros trabalhos em conjunto com os caçadores de mentes do FBI Robert Ressler, John Douglas e Roy Hazelwood. Foto: Reprodução Internet.Lenda da psiquiatria forense, a Dra. Ann Wolbert Burgess publicou inúmeros trabalhos em conjunto com os caçadores de mentes do FBI Robert Ressler, John Douglas e Roy Hazelwood. Foto: Reprodução Internet.

O modelo motivacional foi concebido com base nas investigações do FBI, com uma amostra de 36 assassinos em série. Este estudo teve como objetivo buscar informações sobre o histórico pessoal de casa assassino, os detalhes do seu desenvolvimento psicossexual, características de personalidade, seleção das vítimas e modus operandi. Desta maneira, o estudo de Burgess et. Al. (1986) contempla os fatores psicológicos e também cognitivos dos assassinos em série, em suma, os autores deste modelo acreditam que a grande influencia nestes homicidas é o modo como eles pensam.

Os resultados por eles obtidos nesta amostra de agressores, indicam que houve o surgimento prematuro de fantasias sexuais violentas e que estes indivíduos despenderam de um grande tempo “sonhando acordado”, ou seja, construindo fantasias e histórias de agressões e sexo, das quais resultam a masturbação, na maioria das vezes, compulsiva. Ficou evidente também que os indivíduos foram progressivamente (ao longo de seu desenvolvimento) desligando-se das regras sociais e isolando-se e, por consequência, as suas fantasias passaram a ter uma proporção de maior relevância, funcionando como uma “proteção” para as frustrações quotidianas.

Para além dos fatores de ordem comportamental, o modelo motivacional de Burgess inclui os elementos que são cruciais no desenvolvimento da personalidade, tais como:

  • acontecimentos na infância e adolescência;
  • o ambiente familiar em que cresceram;
  • traumas físicos e emocionais;
  • traços de personalidade;
  • isolamento social;
  • mentiras constantes;
  • preferência por atividades auto eróticas e fetichismos;
  • episódios de agressividade e;
  • sentimento de que deveria receber tratamento privilegiado em relação aos outros.

Vale salientar que acontecimentos negativos ocorridos na infância e pré adolescência podem promover um défice na formação de vínculos e laços afetivos. Tendencialmente, a criança sentirá dificuldade em estabelecer relações próximas, aproximando-se dos outros de modo pouco confiante, o que potencializa o isolamento. O isolamento permite que a criança crie um “mundo imaginário” que irá substituir as relações de afeto da vida real. Contudo, uma criança que se desenvolve dentro deste contexto fantasioso tornar-se-á um adolescente solitário. O resultado pode ser um indivíduo com excessiva dependência destas fantasias e cenários mentais, que não constitui de forma normativa as interações sociais, tornando-se um adulto com visão deturpada e negativa em relação aos outros e a sociedade que o rejeita. Emerge-se, então, uma completa falta de respeito aos outros, instituições e às regras.

O estudo de Burgess evidenciou que todos os assassinos em série analisados apresentavam fantasias com temas específicos, relacionados com poder, controle, violência, tortura, vingança e morte. Além disso, a maneira como eles pensam influencia as suas vivencias quotidianas e a forma como cometem os crimes.

A fuga para este universo fantasioso permite a eles vivenciarem estados de excitação sexual que auxilia a redução do stress, tesão e frustrações, processo este que contribui para a intensificação do isolamento social em decorrência do afastamento da realidade. Com o decorrer do tempo este universo de fantasia torna-se a principal fonte de energia do indivíduo. Os homicidas sexuais criam esquemas mentais de maneira a assimilar a informação e justificar seus erros, deste modo protegem e preservam o seu mundo fantasioso.

O psicólogo forense Eric W. Hickey. Foto: Reprodução Internet.O psicólogo forense Eric W. Hickey. Foto: Reprodução Internet.

O segundo modelo que referimos anteriormente, o modelo de controle de trauma proposto por Hickey (2001), teve como objetivo explicar como um indivíduo começa a matar e como este comportamento é perpetuado. Esta investigação complementou o estudo de Burgess, porém, Hickey focalizou em outros aspectos que predispõem a conduta criminosa, como os crimes contra a vida cometidos repetidamente.

De acordo com esse modelo, muitos assassinos em série são permeáveis a fatores de influência e predispostos a cometer crimes. Tais fatores estão relacionados com aspectos sociais, biológicos, psicológicos ou, então, a combinação entre estes. Em resumo, os aspectos biológicos podem explicar uma certa predisposição (genética ou neurológica) em certos indivíduos para os comportamentos desviantes. As questões de ordem psicológica apontam para doenças mentais e perturbações de personalidade. Por fim, os aspectos sociais indicariam que o ambiente pode influenciar o modo como o indivíduo se desenvolve.

Sendo assim, esse modelo apresenta uma série de condições favoráveis ao surgimento de condutas homicidas. Para tanto, a receita da criação de um serial killer incluiria eventos traumáticos (principalmente na infância e/ou adolescência), sentimentos de frustração e rejeição, baixa autoestima e pouca tolerância a frustração, tendência a voltar-se ao seu mundo imaginário (e que com o tempo evoluirá para a violência). Dentre os fatores facilitadores de passagem ao ato, podemos citar o uso excessivo de pornografia, assim como o consumo de substâncias psicotrópicas.

Capa do livro "A Psicologia do Assassinato de Luxúria", dos criminologistas Catherine Purcell e Bruce Arrigo. Foto: Reprodução Internet.Capa do livro “A Psicologia do Assassinato de Luxúria”, dos criminologistas Catherine Purcell e Bruce Arrigo. Foto: Reprodução Internet.

Por fim, o modelo integrativo, desenvolvido por Purcell e Arrigo (2006), objetivou o estabelecimento de uma categoria para o lust murder, de modo a separá-lo dos outros homicídios sexuais. Os autores propuseram um esquema que pretende explicar a etiologia da erotofonofilia, a maneira como surge, e como o intensificar dos comportamentos parafílicos pode desencadear atos tão cruéis de violência sexualizada. Desta maneira, os primeiros quatro componentes que explicam a composição sistêmica destas condutas parafílicas são:

  1. todos os fatores que influenciam o desenvolvimento do indivíduo e a sua formação pessoal;
  2. presença de baixa autoestima;
  3. surgimento precoce de fantasias sexuais de conteúdo violento e;
  4. o desenvolvimento da parafilia.

Este processo baseia-se, substancialmente, no desenrolar e intensificar das fantasias violentas, que poderão se “materializar”, tornando-se, desta maneira, insuficientes para atenuar as necessidades de satisfação sexual daquele indivíduo que, por sua vez, poderá se transformar em um potencial ofensor sexual, especificamente, um lust murderer.

FIM


.

Esta matéria teve como objetivo disponibilizar o famoso artigo de quatro páginas de John Douglas e Roy Hazelwood sobre lust murderers, publicado em 1980 em um boletim do FBI, assim como a visão moderna do tema através da perspectiva de outros autores.

“A conexão entre luxúria e o desejo de matar… O crime sádico sozinho torna-se o equivalente ao coito”.

[Richard von Krafft-Ebing, “Psychopathia Sexualis”, 1886, explicando o que é o assassinato de luxúria]

120 anos depois…

“Os assassinos de luxúria possuem fantasias profundamente arraigadas e carregadas de erotismo nas quais seus ataques funcionam.”

[Catherine Purcell e Bruce Arrigo, “The Psychology of Lust Murder”, 2006]

Referências:
[1] Barra da Costa, J.M. (2013). Perfis Psicocriminais. Do estripador de Lisboa ao profiler. Lisboa: Pactor.
[2] Burgess, A.,Douglas, J., Ressler, R., & Hartman, C.R. (1986) “Criminal Profiling from Crime Scene Analysis”, Behavioural Sciences and the Law 4: 401-421.
[3] Purcell, C., & Arrigo, B. (2006). The psychology of lust murder – Paraphilia, sexual killing, and serial homicide.New York: Academic Press.
[4] Hickey, E. (2001). Serial murderers and their victims (3rd ed.). Belmont, CA: Wadsworth.
[5] Hickey, E. (2005) Sex Crimes and Paraphilia, Upper Saddle River, NJ: Prentice-Hall.
[6] Holmes, R.& Holmes, S. (2002 ) Current perspectives on sex crimes. London: Sage Publications.
[7] Holmes, R., & Holmes, S. (2010). Serial murder (3rd ed .). Thousand Oaks, CA: Sage Publications.
[8] Douglas, J., & Burgess, A. Ressler, R.,(1995). Sexual homicide: Patterns and motives. New York: Free Press

Esta matéria teve colaboração de:

marcus
Tradução – Artigo Douglas/Hazelwood

Psicóloga forense – Texto

Revisão

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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
Deixe o seu comentario:
  • Fagner

    Excelente, parabéns.

  • Felipe C

    Jack o Estripador seria um lust murderer?

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