Livro: Social Killers, Amigos Virtuais, Assassinos Reais

“Assassinato. Sequestro. Canibalismo. Suicídio. Você encontrará todos esses temas nas 33 histórias a seguir. Trata-se de narrativas reais sobre diversos assassinos que fizeram uso da internet para buscar, atrair...
Social Killers - Amigos Virtuais, Assassinos Reais - Livro
Social Killers - Amigos Virtuais, Assassinos Reais

Social Killers – Amigos Virtuais, Assassinos Reais

“Assassinato. Sequestro. Canibalismo. Suicídio. Você encontrará todos esses temas nas 33 histórias a seguir. Trata-se de narrativas reais sobre diversos assassinos que fizeram uso da internet para buscar, atrair e perseguir suas vítimas ou para se aproveitar delas de alguma forma. No decorrer deste livro, você lerá relatos chocantes e conhecerá um pouco sobre a vida de predadores virtuais de todo o mundo.”

[RJ Parker | JJ Slate. Social Killers: Amigos Virtuais, Assassinos Reais.com, página 13]


A internet tem facilitado enormemente certas tarefas do dia a dia. Com apenas alguns cliques, por exemplo, você pode comprar roupas, alimentos e mandar entregar uma refeição na porta da sua casa. Armin Meiwes usava a internet para encomendar um tipo incomum de comida: carne humana!

Armin Meiwes nasceu em primeiro de Dezembro de 1961, na cidade de Kassel, Alemanha. Seus pais pouco se interessavam por ele, por isso Armin teve uma infância solitária. Quando tinha 8 anos seus pais se separaram e o pai deixou-o sozinho com a mãe. Conforme crescia, Armin mostrou-se um bom menino, obcecado com o conto “João e Maria” dos irmãos Grimm. Sua parte favorita era quando a bruxa engordava João para depois cozinhá-lo e devorá-lo.

A mãe de Armin era controladora. Ela o acompanhava a toda parte e vivia gritando com ele em público. No entanto, não estava de fato interessada na vida do filho, então Armin criou um irmão imaginário, o qual batizou de “Franky” e com quem discutia seus pensamentos. Franky lhe dava ouvidos, ao contrário da mãe. Aos 12 anos, Armin desenvolveu o desejo anormal de devorar seus amigos para que eles pudessem ficar com ele para sempre.

Em 1999, a mãe de Armin faleceu. Sozinho na grande mansão da família em Amstetten, o técnico em manutenção de computadores, então com 38 anos, montou um santuário para a mãe. No quarto dela, que manteve intocado, pôs um manequim de plástico na cama para fingir que a mulher ainda estava lá. Nessa época, Armin começou a se interessar por pornografia, em especial aquela que envolvia tortura.

A obsessão de Armin por vídeos pornográficos violentos na internet levou-o a um site chamado The Canibal Café. As pessoas que visitavam as salas de bate-papo do site tinham interesse em canibalismo. Embora o site exibisse um aviso de isenção de responsabilidade, que deixava claro que tudo aquilo não passava de fantasia, para Armin aquele era o lugar perfeito para encontrar sua vítima.

No ano 2000, Armin postou uma mensagem na qual afirmava estar em busca de

“um homem jovem e robusto, com idade entre 18 e 30 anos, para ser abatido e devorado… Caso tenha entre 18-25, você é meu menino… Venha até mim e eu devorarei sua deliciosa carne”. 

Armin recebeu muitas respostas, mas a maioria dos postulantes não foi até o fim. Um deles era um homem chamado Borg Jose. Borg encontrou-se com Armin, mas, após se deitar sobre a mesa, à espera do abate, pediu de repente que o outro o libertasse, pois estava enojado. Armin deixou-o ir embora.

O último homem a responder à mensagem de Armin foi um engenheiro de 43 anos chamado Bernd-Jurgen Brandes. Bernd se declarava abertamente bissexual. Em 14 de fevereiro de 2001, entrou em contato com Armin e concordou voluntariamente em ser devorado por ele. Bernd escreveu:

“Eu me ofereço a você e deixarei que se sacie do meu corpo ainda vivo.”

Nos dias subsequentes, Armin e Bernd trocaram mensagens discutindo como Armin deveria comer Bernd e o que aquele deveria fazer em seguida com o corpo deste. Bernd deu várias sugestões; uma delas era que seu crânio poderia servir de cinzeiro. Bernd perguntou a Armin se seria o primeiro homem a ser morto e devorado por ele, ao que Armin confirmou que sim, ele seria sua primeira vítima.

Em 9 de março de 2001, Bernd foi para a casa de Armin. Eles se beijaram, fizeram sexo e então Armin deu a Bernd pílulas para dormir, umas pastilhas Vick contra a tosse e um pouco de álcool. Em seguida, Armin tentou arrancar o pênis de Bernd com os dentes, mas não conseguiu, então Bernd colocou seu membro sobre a mesa enquanto Armin o decepava com uma faca. Bernd tentou comer o próprio pênis cru, mas concluiu que a carne era “borrachuda”, difícil de mastigar. Foi quando Armin colocou o órgão genital em uma panela a fim de tentar fritá-lo com alho, sal, pimenta e um pouco de gordura de Bernd, para que os dois pudessem jantá-lo juntos. entretanto, Armin queimou o prato, tornando-o intragável, e acabou dando-o de comer ao cão. A essa altura, os ferimentos de Bernd já o haviam levado a perder uma enorme quantidade de sangue. Armin colocou-o na banheira e passou as três horas seguintes lendo um livro de Star Trek enquanto Bernd perdia cada vez mais sangue. Ele continuou vivo por mais dez horas. Finalmente, Armin apunhalou Bernd repetidas vezes no pescoço e matou-o, pondo fim a sua dor.

Mas a morte não foi o fim para Bernd. Armin pendurou seu cadáver em um gancho de carne e começou a cortá-lo em pedaços menores. Chegou a tentar moer os ossos da vítima para transformá-los em farinha. Todo o corpo foi desmembrado e os pedaços foram armazenados no freezer. Nos dez meses que se seguiram, Armin foi descongelado e comendo pedaços da carne de Bernd. Ele também tinha filmado a si mesmo enquanto assassinava Bernd e desmembrava seu corpo.

Em novembro de 2002, como seu estoque de carne humana já estava chegando quase ao fim, Armin começou a procurar outra vítima. Como da vez anterior, Armin postou uma mensagem no site detalhando seu pedido, desta vez acrescentando mais detalhes sobre seus propósitos. Um estudante austríaco viu a mensagem e relatou o caso à polícia. Em 11 de dezembro de 2002, a polícia fez uma visita surpresa à casa de Armin, onde encontraram o que sobrara da carne de Bernd juntamente com um vídeo que registrava o assassinato e os atos de canibalismo, além de diversas imagens de pornografia e tortura. Armin foi preso e confessou imediatamente o assassinato. Durante sete meses, a polícia reuniu elementos para abrir um inquérito contra Armin enquanto vasculhava seu computador em busca de mais provas.

Em 17 de Julho de 2003, Armin foi acusado de assassinato. Como já se esperava, foi um julgamento polêmico, pois muitos achavam que Bernd não havia sido forçado a nada, já que se oferecera para ser morto e devorado. Em 30 de janeiro de 2004, Armin foi condenado por homicídio culposo e recebeu uma sentença de oito anos e meio de prisão. No entanto, em abril de 2005, o tribunal ordenou um novo julgamento. Os advogados de acusação alegavam que Armin deveria ser condenado por homicídio doloso. Durante o novo julgamento, em janeiro de 2006, destacaram como as motivações de Armin satisfaziam seus desejos sexuais. Também argumentaram que Bernd não estava em condições de tomar decisões, visto que se encontrava bêbado e sob o efeito de drogas. Em 10 de maio de 2006, a sentença de Armin Meiwes foi convertida para prisão perpétua.

O advogado Harald Ermel e seu cliente, Armin Meiwes, durante o julgamento do canibal. Foto: AP.

O advogado Harald Ermel e seu cliente, Armin Meiwes, durante o julgamento do canibal. Foto: AP.

Social Killers


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Dada a presença cada vez maior da tecnologia em nossas vidas, não é de se espantar que alguns psicopatas e assassinos tenham se voltado para o mundo digital a fim de procurar vítimas. Mas engana-se quem acha que a internet é a vilã da história. O estudo da criminologia nos mostra que atrair vítimas através dos classificados tem sido a técnica preferida de certos assassinos psicopatas desde os primórdios do século XX – especialmente os tipos conhecidos como Barba Azul e Viúva Negra, que combinam o desejo sádico do predador com a ganância voraz do vigarista. Harold Schechter, em seu livro Serial Killers – Anatomia do Mal, cita o caso de uma viúva norueguesa de meia-idade chamada Belle Gunnes, que a partir de 1902 começou a atrair uma série de homens para sua “fazenda da morte” com um anúncio publicado no jornal Skandinaven:

“PROCURA-SE – MULHER QUE possui valiosa fazenda, bem localizada e em excelentes condições, busca um homem bom e confiável para casar. Recursos próprios são necessários a fim de prover o local com segurança de primeira qualidade.”

Os ávidos solteiros que responderam a esse anúncio desapareceram sem deixar vestígios. Mais de doze corpos esquartejados foram encontrados anos depois quando um incêndio na fazenda revelou as atrocidades às autoridades.

Cerca de dez anos depois, a milhares de quilômetros da Noruega, outro assassino psicopata usou dos classificados de namoro para se abastecer de vítimas. Mais de duas dezenas de mulheres acabaram sendo estranguladas e metidas em tambores cheios de álcool depois de responder aos anúncios de um jornal de Budapeste publicados pelo jovem funileiro Béla Kiss. Um anúncio típico, que Kiss usou pelo menos dez vezes, dizia o seguinte:

“Solteiro: quarenta anos, solitário; renda média de três mil libras por ano em empreendimentos comerciais, deseja corresponder-se com damas de boa educação com vistas ao matrimônio. Endereço: De Koller, Posta-restante, Granatos, Budapeste.”

Mas ao longo da história, muitos psicopatas utilizaram dos anúncios de terceiros para matar. Ao contrário de Béla Kiss ou Belle Gunnes, Albert Fish, por exemplo, usou o jornal para ler anúncios de pessoas (muitas a procura de emprego) no intuito de atraí-las para a morte. Em maio de 1928, ele deparou-se com um anúncio publicado na seção de classificados do New York World por Edward Budd, 18 anos, que estava à procura de um trabalho temporário de verão longe do calor sufocante da cidade:

“Jovem, 18, procura trabalho no campo.”

Assumindo a identidade de um fazendeiro de Long Island, Fish – que tinha a fantasia de castrar um rapaz e depois deixá-lo sangrar até a morte – apareceu na casa dos Budd em Manhattan, mas mudou de ideia quando viu a irmãzinha de Edward: Grace Budd, 12 anos, que acabou levada de casa e picada em pedacinhos. Fish confessou em uma carta que levou nove dias para comer todo o corpo da criança.

O vovô canibal Albert Fish, ao centro, é conduzido pelo detetive William King, que o capturou após seis anos de investigações, durante seu julgamento em 14 de dezembro de 1934. Foto © Bettmann/CORBIS.

O vovô canibal Albert Fish, ao centro, é conduzido pelo detetive William King, que o capturou após seis anos de investigações, durante seu julgamento em 14 de dezembro de 1934. Foto © Bettmann/CORBIS.

Um caso notório no Brasil é o do mecânico Heraldo Barroso Madureira que, assim como Fish, procurava suas vítimas através de anúncios nos jornais. Como num filme policial, ele recortava anúncios classificados dos jornais, ia aos endereços anunciados e assaltava e estuprava as mulheres que por ventura encontrava sozinhas em casa. Maníaco, dava preferência a anúncios que ofereciam vestidos de noiva. Sua história acabou inspirando Dias Gomes a escrever As Noivas de Copacabana, que virou uma minissérie exibida pela Rede Globo em 1992.

Com o advento da internet, muitos desses maníacos modernizaram suas táticas passando dos classificados de papel para as mídias digitais.

No final de 2011, quatro mulheres negras foram encontradas mortas no subúrbio da decadente Detroit. Cinco meses depois, a polícia indiciou James Brown, 24, pelos assassinatos. Segundo as autoridades, o homem conheceu suas vítimas através do site de classificados Backpage.com e as ludibriou, convidando-as para algo interessante na casa de sua mãe em Sterling Heights (suspeita-se que elas eram garotas de programa). Chegando lá, Brown as matou, colocou seus corpos em porta-malas de carros e descartou-os em bairros próximos.

Provavelmente, o uso mais bizarro da publicidade nos anais da psicopatologia sexual ocorreu no final de 2002, quando o alemão Armin Meiwes usou a internet para atrair sua vítima. A história descrita no início deste post é uma das 33 contadas no recém-lançado “Social Killers: Amigos Virtuais, Assassinos Reais.com”, livro de RJ Parker e JJ Slate.

Conhecida blogueira e autora de livros sobre crimes, JJ Slate se uniu ao velho conhecido da literatura criminal RJ Parker – de inúmeros livros, dentre eles destaca-se os escritos sobre Robert Pickton, Karla Homolka e Paul Bernardo, Admiradoras de Serial Killers e Cody Legebokoff – para escrever sobre os “Monstros das Mídias Sociais”, mais especificamente os “Assassinos da Internet”. Lançado a menos de um ano nos Estados Unidos, o livro já saiu no Brasil graças à editora DarkSide Books.

“Neste livro, nós detalhamos mais de trinta assustadoras histórias reais de assassinos que usaram a internet para localizar, perseguir, atrair, ou explorar suas vítimas. Facebook, Craiglist, MySpace, salas de bate-papo, sites de encontro – não importa onde você está online; assassinos estão à espreita nas sombras. Eles se escondem em salas de bate-papo sobre suicídio, procuram por acompanhantes no Craiglist, e criam perfis falsos em redes sociais para enganar e ganhar a confiança de suas vítimas. Alguém que você tem falado por meses ou mesmo anos pode ser uma pessoa completamente diferente do que você imagina.”

[JJ Slate]

E por falar em Craiglist, uma das histórias narradas no livro é a do serial killer de Long Island, um conhecido de quem acompanha o blog. Este ainda desconhecido psicopata usou o site Craiglist para atrair várias de suas vítimas. O Craiglist parece ser o playground de muitos assassinos, Miranda Barbour e seu marido Elytte também usaram o site para atrair e matar Troy LaFerrara, o mesmo aconteceu a Brooke Slocum e Charles Oppenneer, assassinados ano passado por Brady Oestrike. 

Estas histórias narradas em Social Killers mostram que a internet tem seus riscos e que cada pessoa pode ser um alvo em potencial, seja de bullying, roubo ou até mesmo assassinato.

Social Killers - Capa

Título: Social Killers – Amigos Virtuais, Assassinos Reais

Título original: Social Media Monsters: Internet Killers

Autor: JJ Slate, RJ Parker

Editora: DarkSide®

Idioma: Português

Páginas: 272

Edição: 1ª

Assunto: Literatura Estrangeira – Policial

Sinopse: SOCIAL KILLERS – AMIGOS VIRTUAIS, ASSASSINOS REAIS é um livro assustadoramente verdadeiro. Seus autores, RJ Parker e JJ Slate, reúnem alguns dos casos mais angustiantes de criminosos que usaram as redes sociais para se aproximar de suas vítimas. Stalkers, predadores sexuais, assassinos, canibais, torturadores. A lista, infelizmente, não é pequena. E novas solicitações de amizade continuam chegando a cada dia.

Com informações: [1] RJ Parker, JJ Slate, Social Killers – Amigos Virtuais, Assassinos Reais, DarkSide Books, 2015; [2] Harold Schechter, Serial Killers – Anatomia do Mal, DarkSide Books, 2013; [3] Blog JJ Slate, disponível em jenniferjslate.com;

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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
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  • Karla

    Comprei esse livro. É perfeito! Ainda não concluí a leitura, mas por tudo que já li até agora posso garantir que vale muitíssimo a pena compra-lo.

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