Narco Satânicos: Adolfo de Jesus Constanzo, o Padrinho da Morte

Nascido e criado em um ambiente cercado por misticismo e bruxaria, Adolfo de Jesus Constanzo cresceu para se tornar um dos mais macabros assassinos do século 20. Conheça sua história.
Adolfo de Jesus Constanzo - Foto

Adolfo de Jesus Constanzo - Capa

Férias na Primavera


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“Que os não crentes se matem com as drogas. Nós vamos lucrar com sua tolice.”

[Adolfo de Jesus Constanzo]

Matamoros, México – um passeio comum do outro lado do Rio Grande a partir de Brownsville, Texas – tem sido um popular ponto de encontro de férias de estudantes universitários americanos desde a década de 1930. É uma típica cidade de fronteira, com tudo o que isso implica naquelas bandas: casas de prostituição, shows de sexo ao vivo, drogas e álcool abundantes, pobreza e crime. A cada primavera, cerca de 250 mil estudantes americanos descem em massa até Matamoros, saboreando a sensação de sentir tudo o que um solo estrangeiro pode oferecer. Os estudantes que resolveram tomar todas em Matamoros no início da primavera de 1989 só não sabiam que a cidade mexicana registrara 60 desaparecimentos não resolvidos nos três primeiros meses daquele ano. Talvez se eles soubessem desta estatística, não teriam ido para lá passar as férias.

Um dos estudantes que resolveu ver o que Matamoros tinha de bom foi Mark Kilroy.

Mark Kilroy e seu amigo Bradley Moore conversavam sobre as férias da primavera desde o início do segundo semestre de 1988. Pelo menos duas vezes por semana, Bradley telefonava para Mark ou Mark telefonava para Bradley, e eles conversavam sobre cerveja, garotas, praia, o concurso da Miss Tanline e Matamoros. Mark era um estudante de medicina da Universidade do Texas e Bradley estava no segundo ano de engenharia elétrica da Texas A&M. Antes da faculdade, eles haviam sido colegas no ensino médio e jogado juntos no time de basquete. Ambos haviam passado as férias da primavera em South Padre Island, Texas no ano anterior, mas não juntos. Dessa vez, os dois amigos queriam curtir os prazeres da vida juntos.

Mark Kilroy. Foto: Brownsville Herald.

Mark Kilroy. Foto: Brownsville Herald.

As férias para Braldey Moore começaram em 10 de março quando ele pegou seu Mustang e dirigiu até Austin, Texas, para pegar seu amigo Mark Kilroy. De Austin eles foram até Santa Fe, cidade no Condado de Galveston, onde pegaram outros dois amigos: Bill Huddleston e Brent Martin. Eles passaram três dias na estrada, paquerando garotas e curtindo a praia em South Padre, antes de partir para Matamoros, seu destino final.

No caminho, eles almoçaram no Sonic Drive-In em Port Isabel, onde conheceram algumas garotas da Universidade do Kansas que também estavam a caminho de Matamoros. Kilroy e seus amigos seguiram com as garotas, em carros separados, até Brownsville, deixando o carro do lado americano da fronteira e cruzando a ponte até o México a pé. Já em Matamoros, eles passaram a tarde num bar chamado Sgt. Peppers, então garotos e garotas tomaram caminhos diferentes. No dia seguinte, Kilroy e sua turma escolheram o bar Los Sombreros, um lugar com muito neon e música alta, para curtir a noite. O que eles não sabiam era que aquele bar havia sido o palco de um assassinato cometido no ano anterior. Um assassino de aluguel conhecido como El Duby matara um adolescente naquele local, assim como um policial que estava em seu encalço.

Do Los Sombreros, os garotos partiram para o London Pub, onde permaneceram ao lado do bar, bebendo e conversando. Bonito, Mark chamava a atenção das garotas e, em dado momento, foi para fora do bar com uma bela morena. Quando seus amigos saíram, Mark estava conversando com a moça, escorado em um carro. Os cinco saíram pela Avenida Alvaro Obregon, conhecida por ser o point de Matamoros. E foi aí que algo estranho aconteceu.

*Google Street View: Irish Pub, antigo London Pub, local onde há 27 anos atrás Mark Kilroy e seus amigos se divertiram durante as férias da primavera.

Na madrugada de 14 de março de 1989, Mark Kilroy sumiu sem deixar vestígios. Nas ruas abarrotadas de gente, seus amigos não perceberam quando Kilroy deixou de segui-los. Os três procuraram por ele até os bares fecharem e as ruas ficarem vazias. Não havia nenhum traço dele. Era como se Mark Kilroy tivesse desaparecido da face da terra.

A brutal morte do agente federal Enrique Camarena foi capa da Revista Time.

A brutal morte do agente federal Enrique Camarena foi capa da Revista Time.

No dia seguinte, Bradley, Bill e Brent informaram seu desaparecimento à polícia local. Ao contrário dos 60 outros desaparecimentos na cidade, Kilroy era americano, de família importante, e seu sumiço logo chamou atenção. Na época, muitos se lembraram de Enrique Camarena, morto quatro anos antes por narcotraficantes mexicanos. Camarena era um agente da DEA (órgão de polícia federal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos encarregado da repressão e controle de narcóticos) disfarçado que foi descoberto, torturado e assassinado. Seu crânio, mandíbula, nariz, rosto e traqueia foram esmagados, suas costelas quebradas, e um buraco aberto em sua cabeça com uma chave de fenda, por onde seus torturadores injetaram drogas para garantir que ele permanecesse consciente enquanto era torturado.

Assombrados por essa terrível memória, a família de Kilroy anunciou uma recompensa de 15 mil dólares para quem desse informações sobre o paradeiro do garoto. Por ser do outro lado da fronteira, as autoridades americanas não puderam fazer nada, mas mantiveram um olhar atento sobre o caso. Enquanto isso, a polícia de Matamoros interrogava mais de 100 criminosos conhecidos (em um processo que todos conhecemos muito bem: água gaseificada atada com molho de pimenta, aplicadas nas narinas dos suspeitos). Alguém tinha de falar alguma coisa. Desaparecimentos de pessoas locais podiam ser ignorados, mas de um universitário americano pegava feio.

A polícia de Matamoros conduziu a investigação com o melhor que tinham, mas foi tudo em vão. Nenhum dos suspeitos presos havia visto ou ouvido falar de Mark Kilroy. Parecia que nada poderia resolver o mistério.

Os amigos de Mark Kilroy, Bradley Moore, Bill Huddleston e Brent Martin, falam à imprensa americana. Reprodução Internet.

Os amigos de Mark Kilroy, Bradley Moore, Bill Huddleston e Brent Martin, falam à imprensa americana. Reprodução Internet.

George Bush e os pais de Mark Kilroy

Os pais de Mark Kilroy, Jim e Helen (à direita), ao lado do então presidente dos Estados Unidos, George Bush, em encontro para pedir ajuda no caso do desaparecimento de seu filho. Foto: Getty Images.

Na época, autoridades mexicanas estavam ocupadas com uma de suas periódicas campanhas antidrogas, erguendo aleatoriamente barricadas em distritos de fronteira. As operações foram projetadas não para prender os Senhores das Drogas, mas sim seus capangas e testas de ferro. Um desses criminosos, bastante conhecido em Matamoros, era Serafin Hernandez Garcia, o servo leal e sobrinho de 20 anos de idade do barão das drogas Elio Hernandez Rivera. Em 1º de abril de 1989, Serafin dirigia por uma estrada rural de Matamoros quando passou, sem perceber, por uma barreira com policiais disfarçados. Os policiais seguiram o rapaz como um lobo que espreita a presa até o momento certo do abate. Serafin entrou em uma fazenda decadente onde os policiais logo notaram plantações de maconha e um clima nada amistoso, o lugar não cheirava bem. Eles ficaram à espreita e foram embora. Oito dias depois, com força total e um mandato de busca, a cavalaria policial invadiu o rancho e prendeu Serafin e outro traficante, David Serna Valdez. Em custódia, os dois pareciam tranquilos, até mesmo com ar de superiores. Qual seria o motivo de tanta tranquilidade?

Serial killers - O Canibal de Milwaukee - Olhar

Segundo os dois traficantes, nada poderia detê-los, nem mesmo a polícia, pois eles estavam “protegidos” por um poder acima da lei dos homens.

“Foi a coisa mais estranha. Um deles chegou a rir para os detetives. ‘Você não pode me manter aqui’, disse ele bastante sério. ‘Logo, estarei livre’. Eles não estavam preocupados. Eles pensavam que nós não poderíamos feri-los. Eles achavam que estavam protegidos. Levou um tempo para convencê-los do contrário”.

[Juan Benítez Ayala, delegado encarregado do caso]

Enquanto Serafin e Valdez falavam sobre poderes sobrenaturais ao delegado, detetives interrogavam o zelador do rancho, que logo afirmou sobre vários outros membros do cartel de drogas que frequentemente visitavam aquele lugar, nomeado de Rancho Santa Elena. E o zelador ainda falou mais. Certa vez ele viu um “gringo loiro” amarrado na carroceria de uma camionete. A luz acendeu e um dos policiais lembrou sobre o caso do estudante americano desaparecido. O tal gringo loiro poderia ser Mark Kilroy? De volta à delegacia, investigadores perguntaram a Serafin se ele conhecia o estudante americano desaparecido. Para refrescar a cabeça do traficante, a polícia mostrou a ele fotos de Kilroy. A resposta foi chocante. Tranquilo, sereno e como se estivesse narrando uma história qualquer, Serafin admitiu (mesmo sem ter sido perguntado) que havia participado do sequestro e assassinato de Mark Kilroy, não só dele, mas de vários outros ao longo do ano anterior. E mais: ele admitiu que o Rancho Santa Elena era a sede de um culto de adoração satanista de traficantes utilizado para sacrifícios humanos. Mark Kilroy fora sacrificado a Satã em troca de proteção ao culto contra a polícia. “É nossa religião”, explicou Serafin. “Nosso vodu”.

O líder dos adoradores das trevas era Adolfo de Jesus Constanzo, “O Padrinho”, disse Serafin, um mestre da magia africana Palo Mayombe. Era Constanzo quem ordenava os sequestros e executava os assassinatos. Segundo Serafin, O Padrinho torturava e sodomizava as vítimas antes de sacrificá-los no altar. O coração e o cérebro das vítimas eram arrancados e fervidos em um guisado canibal antes de o corpo ser decapitado e a espinha dorsal extirpada. Além de proteção ao culto, cada vez que uma grande transação de drogas era concretizada um jovem ou criança era sacrificado no altar.

Mas estaria este sinistro jovem falando a verdade?

Serafin Hernandez Garcia filmado pela polícia no Rancho Santa Elena. Imagens: Serial Killers and Cult Leaders: Adolfo Constanzo "El Padrino" - The Black Magic Torturer & Murderer.

Serafin Hernandez Garcia filmado pela polícia no Rancho Santa Elena. Imagens: Serial Killers and Cult Leaders: Adolfo Constanzo “El Padrino” – The Black Magic Torturer & Murderer.

Com Serafin algemado no camburão, policiais retornaram ao rancho. Lá, o rapaz prontamente apontou o local onde havia um cemitério. Com uma pá, ele mesmo cavou o primeiro de 12 corpos enterrados em uma linha perfeitamente reta. Todas as vítimas eram homens. Alguns haviam sido baleados à queima-roupa e outros agredidos até a morte com um facão. Um desses corpos era o de Mark Kilroy. Seu crânio estava dividido em dois, mas sem sinal de seu cérebro.

Em um galpão nas proximidades, policiais encontraram uma grande chaleira de ferro transbordando sangue. Misturado ao sangue havia restos de animais e 28 gravetos (os “palos” do Palo Mayombe), os quais os discípulos de Constanzo usavam para se comunicar com espíritos na vida após a morte. Flutuando na chaleira estava um pote – juntamente com aranhas e escorpiões – e dentro dele estava o cérebro de Mark Kilroy.

Policiais desenterram um corpo no Rancho Santa Elena

Policiais desenterram um corpo no Rancho Santa Elena. Foto: Snapped: Killer Couples.

Agentes da Polícia Federal mexicana observam um corpo desenterrado do Rancho Santa Elena - Foto - John Hopper - AP

Agentes da Polícia Federal mexicana observam os restos mortais de uma vítima de sacrifício humano desenterrados do Rancho Santa Elena. Foto: John Hopper – AP.

Corpos desenterrados do Rancho Santa Elena. Foto: Reprodução Internet.

Corpos desenterrados do Rancho Santa Elena. Foto: Reprodução Internet.

Policiais que viram aquelas cenas nunca mais esqueceriam. Atônitos, eles agora se entreolhavam, todos com o mesmo pensamento: quem teria coragem de ir atrás de um louco lunático capaz de realizar tal atrocidade? Realizador de rituais satânicos, astuto e cercado por discípulos fortemente armados: quem em sã consciência teria coragem de ir atrás de um cara desses?

Mas esse é o trabalho policial e eles teriam de fazê-lo. A pergunta era: em que lugar do mundo eles poderiam encontrar Adolfo de Jesus Constanzo?

seta

Adolfo de Jesus Constanzo - Aprendiz de Feiticeiro

Aprendiz de Feiticeiro


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Nascido no dia 1º de Novembro de 1962, em Miami, Adolfo de Jesus Constanzo era filho de uma imigrante cubana que deu à luz a ele quando tinha apenas 15 anos. Constanzo foi o primeiro filho de Delia Aurora Gonzalez del Valle, cada um de um pai diferente. Quando Constanzo tinha seis meses de idade, Aurora levou-o para ser abençoado por um padre haitiano praticante do Palo Mayombe, que disse que o menino era “o escolhido” e “destinado a um grande poder.” Adolfo era ainda uma criança quando mudou com sua mãe para San Juan, Porto Rico, e apesar de supostamente ter sido batizado como católico e de brevemente ter servido como coroinha, a verdadeira fé da família repousava no ocultismo. Em Porto Rico, Aurora mergulhou no Palo Mayombe e ensinou tudo o que sabia a seu filho, que também recebia ensinamentos de outros praticantes da religião, alguns vindos do Haiti.

Em 1972, a família voltou para Miami e Adolfo, com dez anos, passou a dedicar-se em tempo integral ao aprendizado do oculto com um padre haitiano no bairro cubano Little Havana.

“A mãe de Adolfo introduziu-o ao culto de Santeria por volta dos nove anos de idade, com viagens para Porto Rico e Haiti, onde teve lições de vodu, mas ainda havia mais segredos a serem aprendidos e, em 1976, ele foi iniciado no Palo Mayombe. Seu padrinho do oculto já era alguém rico por trabalhar com traficantes locais, e ele transmitiu uma filosofia que Adolfo levaria para seu túmulo. Adolfo repetia o que seu padrinho lhe ensinou: ‘que os não crentes se matem com as drogas. Nós vamos lucrar com sua tolice'”.

[Raising Hell, Michael Newton, página 105]

A mãe de Constanzo definitivamente não era uma mulher boa. Além de apresentar ao filho a arte das trevas, Aurora foi presa 30 vezes por diversos crimes que vão desde invasão a domicílio para furto, fraudes de cheques, roubo e negligência infantil. Mas ela sempre saia em liberdade condicional, creditando o fracasso da lei em mantê-la presa ao seu misticismo religioso. E por falar em misticismo, proprietários que alugavam suas casas para a mulher sempre eram surpreendidos com sangue e pedaços de corpos de animais, os quais eram sacrificados em rituais satânicos. A mulher costumava deixar as casas sem pagar o aluguel, apenas para os donos as encontrarem como se o próprio demônio tivesse feito uma visita ali. Sua fama entre os vizinhos era o de uma bruxa, e aqueles que a irritavam costumavam encontrar cabeças de bode ou galinhas mutiladas em suas portas.

“Elena Menedez encontrou um ganso morto com a cabeça em volta em um lenço vermelho, e Carmen Reigada abriu sua porta para encontrar uma galinha decapitada em seu alpendre logo após seu filho discutir com Del Valle”.

[The Grisly Secrets of a Lonely Ranch. People Magazine, 1º de Maio de 1989]

“A mais tenra memória de infância de Adolfo Constanzo não era a de um brinquedo favorito ou o sorriso de sua mãe, mas o borbulhante estertor da garganta cortada de uma galinha, seu sangue oferecido aos deuses antigos africanos. Ele se acostumou a uma casa cheia de decadência e sangue. Seu presente por bom comportamento era um animal para mutilar ou matar… Havia o abraço diário da morte dentro da casa suja e manchada de sangue, a base da magia Palo Mayombe. Delia ensinou que ele devia apreciar o cheiro da carne em decomposição, assim os maus espíritos estariam dentro dele, possuídos por ele”.

[Buried Secrets, Edward Humes, páginas 65-66]

Cópia de registro policial de Fausto Rodriguez e Delia Aurora, irmão e mãe de Adolfo Constanzo. A família costumava dar sobrenomes falsos para enganar autoridades. Foto: Getty Images.

Cópia de registro policial de Fausto Rodriguez e Delia Aurora, irmão e mãe de Adolfo Constanzo. A família costumava dar sobrenomes falsos para enganar autoridades. Foto: Getty Images.

“O Padrinho de Constanzo não era um homem interessado em feitiços de amor ou atos de benevolência, mas sim no derrame de sangue e assassinato. Ele passou essa sede de sangue ao seu jovem aprendiz, administrando lições, espancamentos e exposição ao macabro até um ponto que nada mais afetava Adolfo. Constanzo tomou os espancamentos como parte deu seu crescimento; conheceu o horror com o entusiasmo de uma criança”.

[Buried Secrets, Edward Humes, página 56]

Uma criança criada desde a mais tenra idade em tal ambiente não poderia seguir outro caminho a não ser o do mal. Constanzo seguiu os passos de sua mãe, mutilando pequenos animais em rituais, cometendo pequenos crimes e frequentando bares gays em sua adolescência. 

“Ele ainda era um adolescente quando começou a frequentar points gays em Miami e Fort Lauderdale. Seu bonito rosto quadrado, penetrantes olhos castanhos, o cabelo tingido de vermelho e o jovem corpo atlético imediatamente chamavam atenção quando ele entrava nos bares. Ele não tinha dificuldades em atrair amantes para uma noite apenas ou romances de um mês ou mais”.

[Hell Ranch, Clifford L. Linedecker, página 21]

Aluno meia-boca no ensino médio, mas não na magia negra, o interesse de Adolfo era aprender os segredos da feitiçaria com seu mentor. Juntos, eles roubavam sepulturas e derramavam sangue sobre bonecos de vodu para amaldiçoar seus inimigos.

Segundo relatou sua mãe posteriormente, em 1976, Constanzo começou a exibir poderes psíquicos, como prever eventos futuros com precisão incrível. Meses antes do atentando ao Presidente norte-americano Ronald Reagan, em 1981, Adolfo supostamente previu o evento e proclamou que Reagan iria sobreviver aos seus ferimentos. Entretanto, o mesmo Constanzo não teve tanta sorte em prever o seu futuro, que incluiu duas prisões por furto em 1981, em um dos casos ele roubou uma motosserra.

No início de 1983, aos 21 anos, Adolfo finalmente escolheu seu santo padroeiro, o Kadiempembe, a versão de Satanás em sua religião. Com a benção de seu padrinho, ele devotou a si mesmo como um adorador do mal, tudo para obter lucro. O ritual de sua iniciação final o infligiu cicatrizes com seu mentor esculpindo à faca símbolos místicos em seu corpo. “A minha alma está morta”, Adolfo proclamou durante o clímax da cerimônia. “Eu não tenho nenhum Deus”.

O aprendiz era agora um mestre.

No mesmo ano ele recrutou seus primeiros discípulos. Morando na Cidade do México, ele conheceu o homossexual Martin Quintana Rodriguez e Omar Orea Ochoa, este último, obcecado pelo ocultismo desde os 15 anos. Seduzidos, logo Adolfo proclamaria ele como o “homem” e os outros dois como suas “mulheres”. Em pouco tempo Adolfo reuniu outro seguidor e, para executar seus rituais, Constanzo e seus três discípulos começaram a roubar covas para retirar ossos humanos. Logo sua reputação de possuir “poderes mágicos” estava por toda cidade.

“Em meados de 1984, Adolfo mudou-se para a Cidade do México, onde se tornou uma espécie de ‘vidente das estrelas’, ganhando uma grande quantia em dinheiro e vivendo luxuosamente em um apartamento bastante arrumado. Ele atraiu uma série de pessoas famosas e coloridas, incluindo estrelas do entretenimento, modelos, dançarinas transexuais, políticos, empresários, senhores do crime, policiais e funcionários do governo”.

[Programmed to Kill, David McGowan, página 89]

Adolfo Constanzo

Adolfo de Jesús Constanzo.

Dentre os seus clientes incluíam, pelo menos, quatro membros da Polícia Judiciária Federal do México, um deles era Salvador Garcia, chefe máximo do departamento de combate a drogas do México. Outro era Florentino Ventura Gutierrez, chefe do braço mexicano da Interpol. Políticos, músicos e atores famosos, empresários ricos, todos procuravam O Padrinho para pedir proteção e mais dinheiro. Em um mundo de corrupção sem limites, foi Florentino Ventura Gutierrez quem apresentou Constanzo à sanguinária família Calzada. Em um país onde o suborno permeia todos os níveis da aplicação da lei, com policiais federais, às vezes, servindo de ponte para troca de favores, a corrupção não é incomum, porém, neste caso, a devoção dos seguidores de Constanzo era mais profunda do que dinheiro. Dentro ou fora da farda, eles adoravam Adolfo como um semideus, alguém capaz de levá-los até o mundo espiritual.

A lábia afiada fez de Adolfo alguém bastante próximo à poderosa família de narcotraficantes. Seus trabalhos de magia negra pedindo proteção à família e seus negócios no tráfico renderam a ele um carro Mercedes Benz e outro apartamento luxuoso. Achando que tinha os Calzada em mãos, Adolfo tentou uma cartada arrogante: ele queria fazer parte dos negócios da família, em outras palavras, receber metade de todo lucro da venda de drogas. Os Calzada riram do jovem petulante. Um grande erro.

“Em 30 de Abril [1987], Guilhermo Calzada e seis membros de sua família desapareceram sob circunstâncias misteriosas. Eles foram dados como desaparecidos em 1º de Maio. No escritório de Guillermo a polícia encontrou velas derretidas e outras evidências do que parecia ser uma estranha cerimônia religiosa. Seis dias depois a polícia começou a pescar pedaços de corpos mutilados no Rio Zumpango. Sete corpos foram recuperados no decurso de uma semana, todos com sinais de tortura sádica – dedos da mão, dedos do pé e orelhas removidos, coração e órgãos sexuais extirpados, parte da coluna vertebral arrancada, cabeças sem cérebro. O que não foi encontrado alimentou o caldeirão de sangue de Constanzo, construindo sua força para as conquistas maiores que viriam”.

[ibid, página 70]

Coincidentemente (ou não), o macabro assassinato da família Calzada ocorreu na Noite de Santa Valburga, comemorada todo 30 de Abril. Reza a lenda que neste dia bruxas e demônios saem da escuridão para celebrarem juntos. É uma noite bastante esperada por bruxas e feiticeiros de todo mundo, pois se acredita que seus feitiços fiquem mais fortes.

Após ter trucidado a família Calzada, Adolfo tinha agora que procurar outros cantos. E ele escolheu Matamoros.

Sara Aldrete

A Madrinha


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Sara Maria Aldrete Villareal nasceu em 06 de Setembro de 1964 em Matamoros. Filha de um eletricista, Sara cruzou a fronteira para cursar o ensino médio na Porter High School, em Brownsville. Professores se lembram dela como uma estudante modelo, inteligência acima da média e candidata a um futuro brilhante. Mas seu caminho até a faculdade foi interrompido quando ela iniciou um romance com um morador de Brownsville chamado Miguel Zacharias, 11 anos mais velho. Eles se casaram no dia das bruxas de 1983 e cinco meses depois já estavam separados.

No final de 1985, Sara solicitou e recebeu seu green card. Seu próximo passo foi matricular-se na Texas Southmost College (TSC), em Brownsville. Admitida em um programa de “trabalho-estudo”, Sara começou a dar aulas de educação física em janeiro de 1986, dividindo seu tempo como professora de aeróbica e secretária assistente no departamento de atletismo da faculdade. Até o final daquele semestre, Sara se destacaria tanto fisicamente como academicamente. Com 1.86m de altura, a moça foi uma das 33 escolhidas dentre os 6.5 mil estudantes da instituição para o famoso livro de assinaturas, do biênio 1987-1988. Seu nome foi impresso no quadro de honra da instituição além de ter ganhado o prêmio de atleta destaque da TSC.

Com a dissolução de seu casamento, Aldrete voltou a morar com seus pais em Matamoros. Uma escada foi construída do lado de fora da casa até seu quarto no segundo andar, tudo para que ela tivesse sua privacidade. Na maioria dos finais de semana e nas férias, ela estava em casa. Atraente e popular entre os homens, ela não tinha dificuldades em encontrar pretendentes, um deles era Gilberto Sosa, traficante de drogas associado à poderosa família Hernandez.

Em 30 de julho de 1987, Aldrete estava dirigindo por Matamoros quando um Mercedes cortou-a no trânsito, quase provocando um acidente. O motorista que desceu do carro chamou atenção de Sara: ele era bonito, calmo e educado. “Olá, meu nome é Adolfo Constanzo”, disse ele. Houve uma química instantânea entre eles. Com uma conversa agradável, Constanzo observou com prazer como o aniversário de Sara era o mesmo de sua mãe. Coincidência?

O quase acidente de trânsito, na verdade, não foi por acaso. Constanzo estava monitorando Gilberto Sosa, observando suas conexões. O encontro com Sara Aldrete foi cuidadosamente planejado. Adolfo tinha planos para ela e isso envolvia sua iniciação no oculto. Duas semanas depois desse encontro, Constanzo viu Aldrete e Sosa em Brownsville e se aproximou dos dois, ele cumprimentou Sara, mas se recusou a apertar a mão de Sosa. Dias depois, uma ligação anônima revelou a Sosa que Sara estava vendo outro homem. Aldrete negou, mas o ciumento Sosa não acreditou e rompeu o relacionamento. Em busca de consolo, Aldrete foi ao encontro de Constanzo, ela queria desabafar com um amigo, e se surpreendeu quando Adolfo lhe disse que havia visto o rompimento de seu relacionamento com Sosa em suas cartas de tarô. O feiticeiro armou e enganou direitinho a bonita mexicana.

“Adolfo cortou o relacionamento de Sara com Sosa através de um telefonema anônimo. Ele ligou para Sosa e revelou a infidelidade de Aldrete. Encantada por Adolfo, Sara mergulhou em seu mundo, emergindo como A Madrinha – ou ‘bruxa chefe’ – de seu culto, adicionando suas próprias ideias de tortura no sacrifício de pessoas”.

[Raising Hell, Michael Newton, página 108]

Ele finalmente levou Aldrete para a cama, mas a união sexual dos dois foi curta. Constanzo não fez segredo sobre sua preferência por homens. A contragosto, Aldrete aceitou, já manipulada pelo aspecto religioso do relacionamento dos dois. Até o final do verão daquele ano, colegas de Aldrete da TSC notariam uma drástica mudança em seu comportamento. De uma aluna brilhante a uma especialista em bruxaria e magia, que não parava de falar sobre os poderes da escuridão e da luz. Constanzo passou a chamá-la de “A Madrinha”, sua contraparte no culto, com os mesmos poderes e importância. Ele sondou suas ligações com a família Hernandez, prevendo que o líder Elio logo se aproximaria dela para se aconselhar (Elio tinha uma queda por Aldrete, motivo principal que fez Adolfo se aproximar dela). Quando Elio o fez, em novembro de 1987, Sara apresentou o todo poderoso barão das drogas mexicano ao Padrinho. O plano de Adolfo finalmente alcançara seu objetivo.

Coração Satânico


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Como sempre acontece nesse meio, os negócios da família Hernandez iam de mal a pior, dilacerados por problemas internos e ameaçados por concorrentes externos. Era tudo o que Adolfo precisava. Usando todos os truques de “magia” que tinha, Constanzo persuadiu Elio e o resto do cartel que o Palo Mayombe poderia resolver todos os seus problemas. Inimigos poderiam ser eliminados em rituais satânicos e tais rituais, por sua vez, manteriam a família e seus colaboradores seguros de qualquer mal. Se eles fossem fiéis a Constanzo, todos se tornariam invisíveis às autoridades e à prova de balas durante tiroteios. Em troca, tudo o que ele pedia era 50% dos lucros e o controle efetivo da família.

Elio aceitou.

Os sacrifícios humanos começaram imediatamente e tornaram-se mais elaborados e sádicos quando a sede do culto mudou-se para o Rancho Santa Elena, a 36 quilômetros de Matamoros. Lá, em 28 de maio de 1988, Constanzo atirou no traficante Hector de la Fuente e em um fazendeiro chamado Moises Castillo, mas a morte dos dois não o satisfez. Na Cidade do México, em 16 de julho, ele supervisionou a tortura e desmembramento de Raul Paz Esquivel, um travesti e ex-amante de Jorge Montes, membro da seita. Os restos mortais de Esquivel foram descartados na rua e encontrados por crianças que ficaram aterrorizadas com o que viram.

Mutilação e dor eram essenciais para a Palo Mayombe. Sangue e vísceras alimentavam a nganga – um caldeirão manipulado por paus usado por Constanzo para sintonizar-se com o mundo espiritual. Os demônios a que ele servia eram mais propensos a sorrir durante um sacrifício em que alguém morria em agonia. “Eles devem morrer gritando”, dizia o Padrinho ao seu rebanho. O estupro de suas vítimas era mais uma questão de poder, dominação do que algo relacionado ao Palo Mayombe.

Em 10 de agosto de 1988, membros da família Hernandez roubaram um carregamento de drogas no valor de US$ 800 mil de um grupo rival. Em represália, Ovidio Hernandez, irmão de Elio, e seu filho de apenas dois anos de idade foram sequestrados pelo grupo inimigo. Ao saber do sequestro, Constanzo garantiu a Elio que poderia salvar seu irmão e sobrinho, mas alguém teria que morrer para isso. Dois dias depois, discípulos de Constanzo sequestraram um homem levando-o até o Rancho Santa Elena, onde o torturaram e o mataram enquanto entoavam orações à Satanás, pedindo a libertação segura de Ovidio Hernandez e filho. No dia seguinte, pai e filho foram libertados são e salvos. Nem mesmo um pedido de resgate foi feito. Adolfo, obviamente, reivindicou crédito total ao triunfo. Sua estrela foi subindo na organização e nem mesmo o suicídio de seu discípulo Florentino Ventura, na Cidade do México, em 17 de setembro, o incomodou. Talvez assombrado pelo que viu ou fez no Rancho Santa Elena, Ventura matou a esposa, um amigo e depois se matou.

Em novembro de 1988, o ex-policial e membro do culto, Jorge Valente de Fierro, 35, violou uma das regras do Padrinho, a de não usar drogas. Como lição de obediência aos outros, Gomez foi oferecido à Kadiempembe durante um sangrento ritual. Antes de ser desmembrado, Gomez foi fervido vivo em um grande caldeirão. Em fevereiro de 1989 foi a vez do contrabandista Ezequiel Rodriguez ser torturado até a morte no rancho. Ele apareceu sem ser convidado durante uma cerimônia e teve o seu destino selado pelo Padrinho. Nove dias depois, o culto sequestrou outro homem, nunca identificado, mas não puderam realizar a cerimônia tradicional já que a vítima lutou por sua vida de forma que Adolfo ordenou que Elio atirasse nele. Em 25 de fevereiro, os adoradores das trevas sequestraram Jose Garcia, o sobrinho de 14 anos de Elio. Quando eles perceberam o erro já era tarde demais. O garoto foi enterrado rapidamente para evitar qualquer descoberta por parte do chefão das drogas.

Nessa época, Constanzo tinha em mãos 800 quilos de maconha roubados de um grupo rival, e ele sentia que precisava de mais um sacrifício humano para garantir que a droga chegasse ao seu destino do outro lado do Rio Grande. Em 13 de março, um homem não identificado foi morto, mas o sofrimento da vítima não foi suficiente para a magia de Constanzo. “Tragam alguém que eu possa usar. Alguém que irá gritar”, ordenou Adolfo.

Na manhã seguinte os seguidores do Padrinho trouxeram um jovem branco, loiro e americano. Mark Kilroy.

“A sensação do mal era tangível. Você podia cheirar. Você podia sentir. Você certamente podia cheirá-lo, porque todo o lugar cheirava a morte. Eu passei 40 anos estudando bruxaria e todo tipo de coisa, estive em lugares e vi coisas que fariam seu cabelo ficar em pé, mas eu não estava preparado para o que eu encontrei naquele dia. Era horrível, simplesmente horrível. Eu me lembro de um cérebro. Então disse a eles [policiais]. ‘Isto é Palo Mayombe’. Naquela época ninguém havia visto algo daquele tipo, exceto eu, e eu sabia disso porque eu havia estudado. Lembro-me claramente de ter dito aos oficiais. ‘Vocês devem procurar um cubano. Foi um cubano quem fez isso. Isso não é coisa de mexicano.’ Eu sou um cientista. Tenho doutorado em antropologia pela Universidade do Texas. Mas depois que voltei de lá, coloquei uma cruz em volta do meu pescoço”.

[Tony Zavaleta, antropólogo consultado pela polícia mexicana na época do crime]

Kilroy quase escapou. Serafin e outros três discípulos estavam em uma caminhonete vermelha dirigindo pela Avenida Alvaro Obregon quando avistaram Kilroy. Um dos homens chamou o estudante como quem queria uma informação. Ao se aproximar, Kilroy foi pego e jogado dentro do carro. Forte, o garoto conseguiu lutar contra seus sequestradores e sair da caminhonete; correu por dois quarteirões antes de ser recapturado. Após ser amarrado e vendado, o universitário foi levado até o altar e alimentado com ovos, pão e água. 12 horas depois, Kilroy foi sodomizado e executado por Adolfo com um golpe de facão na nuca. Quando a polícia desenterrou o corpo de Kilroy, suas pernas estavam amputadas a partir dos joelhos e sua coluna vertebral, coração e cérebro removidos. Constanzo fez amuletos e colares das vértebras da vítima, os quais foram dados a seus discípulos que o usavam em torno do pescoço para que ficassem invisíveis para a polícia.

Nganga

A nganga de Constanzo. Foto: Delicia Lopez/AP.

Objetos de Adolfo Constanzo utilizados nos rituais satânicos. Foto: Delicia Lopez/AP.

Objetos de Adolfo Constanzo utilizados nos rituais satânicos. Foto: Delicia Lopez/AP.

Reportagem da Folha de São Paulo sobre a caçada a Adolfo de Jesus Constanzo. Data: 14 de Abril de 1989.

Reportagem da Folha de São Paulo sobre a caçada a Adolfo de Jesus Constanzo. Data: 14 de Abril de 1989.

Caça ao Feiticeiro


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Os poderes psíquicos de Constanzo devem ter falhado em março de 1989. Ele ficou chocado com a reação pelo desaparecimento de Mark Kilroy. Nem mesmo os tenebrosos assassinatos da família Calzada haviam produzido tamanho clamor. Algumas vítimas de Constanzo nunca foram dadas como desaparecidas; três deles, mais tarde desenterrados do rancho Santa Elena, nunca foram identificados.

Mark Kilroy era diferente. Ele vinha de uma família abastada, com conexões políticas. Indo mais ao ponto, ele era um turista americano cujo desaparecimento ameaçava se tornar um incidente internacional. A polícia local queria resolver o caso rapidamente, antes que sua reputação sofresse mais danos.

Mas Constanzo ainda tinha seus 800 quilos de maconha para transportar pela fronteira. Para garantir a segurança da carga, ele executou um sacrifício final no rancho, escolhendo o ex-namorado de Sara Aldrete como convidado de honra. Gilberto Sosa morreu aos gritos em 28 de março de 1989, e a droga, enfim, transportada com segurança em 08 de abril (mesmo Serafin Hernandez tendo levado a polícia até o rancho uma semana antes). A maconha renderia a Constanzo US$ 300 mil e o Padrinho, mais uma vez, sentiu-se como um Deus, protegido por seus poderes mágicos.

Mas o escudo de magia protetor desapareceu no dia seguinte. Quatro membros da família Hernandez foram presos em 09 de abril, antes que eles pudessem repassar a Constanzo o dinheiro de seu último grande negócio. O rancho começou a entregar seus segredos enterrados em 11 de abril, revelando 15 corpos enterrados (além dos 12 sepultados no cemitério, mais três foram encontrados em um pomar nas proximidades). Constanzo empreendeu fuga juntamente com Sara Aldrete, seus dois amantes, Martin Quintana e Omar Orea, e um assassino de aluguel da família Hernandez chamado Alvaro de Leon Valdez – “El Duby” para os íntimos. A casa de sua mãe em Miami era uma possibilidade, mas a chance de ser pego nos Estados Unidos fez Constanzo ficar longe do calor da Flórida, em vez disso, ele decidiu viajar e permanecer na Cidade do México, pingando de casa em casa de conhecidos.

Corpo de Mark Kilroy. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo de Mark Kilroy. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo de Mark Kilroy. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo de Mark Kilroy. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo de Mark Kilroy. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo de Mark Kilroy. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo encontrado no Rancho Santa Elena

Corpo encontrado no Rancho Santa Elena. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo encontrado no Rancho Santa Elena. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo encontrado no Rancho Santa Elena. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo encontrado no Rancho Santa Elena. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo encontrado no Rancho Santa Elena. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo encontrado no Rancho Santa Elena. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo encontrado no Rancho Santa Elena. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo encontrado no Rancho Santa Elena. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo encontrado no Rancho Santa Elena. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo encontrado no Rancho Santa Elena. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo encontrado no Rancho Santa Elena. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo encontrado no Rancho Santa Elena. Foto: Documentário Narcosatánicos.

Corpo encontrado no Rancho Santa Elena. Foto: Documentário Narcosatánicos.

As macabras descobertas em Matamoros se tornaram “o assunto” para o circo midiático da TV americana. Enquanto repórteres vinham de todo os Estados Unidos, Europa e até Japão, e Oprah Winfrey não parava de telefonar para o escritório do Xerife em Brownsville, Geraldo Rivera capitalizava a histeria com uma edição de seu programa na CBS: “Drogas, Morte e o Demônio: Ao Sul da Fronteira” foi o nome do episódio. “Estimativas dão conta de que existem mais de um milhão de satanistas neste país”, disse ele no programa, assustando milhares de telespectadores. A desinformação promovida pela mídia fez da caça ao Padrinho um show de horrores. Das serras de Matamoros à velha Chicago, Adolfo era “visto” em todos os lugares. Já a alta sacerdotisa Sara Aldrete era “vista” rondando escolas de todo o Vale do Rio Grande, supostamente ameaçando sequestrar e assassinar dez crianças americanas para cada um de seus discípulos presos no México. Uma igreja alternativa em Pharr, Texas, foi queimada por vândalos após rumores de que seus congregantes eram bruxas a serviço de Constanzo.

Devido aos rumores, autoridades dos Estados Unidos enviaram um grande efetivo de policiais até a fronteira com o México em busca do Padrinho e sua comitiva. Não encontraram nada, mas as buscas ganharam um alento em 17 de abril quando o patriarca da família Hernandez foi preso em Houston, Texas. Na casa onde ele estava escondido foram encontrados dinheiro e armas, mas nada relacionado ao ocultismo. Constanzo simplesmente desaparecera.

Como mágica.

Viagem Sem Volta Para o Inferno


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Enquanto isso, no México, a busca por Constanzo e Aldrete tomou dimensões de uma guerra santa. Em jogo não estava apenas a reputação da Polícia Federal mexicana, mas também a fé de um povo supersticioso, a polícia tinha de mostrar que o bem vence o mal. 15 dias após a polícia desenterrar os últimos corpos no rancho Santa Elena, o lugar foi queimado até não restar mais nada, com uma cruz de madeira fincada sobre as cinzas. Era uma mensagem clara ao Padrinho: “você é apenas um criminoso e nós vamos pegá-lo”. Queimando aquilo que mais representava para Constanzo – sua casa, seu altar, seu ponto de comunicação com o outro mundo -, a polícia mostrou aos mexicanos que eles não deviam temer o oculto, que a polícia não tinha medo e iria atrás até mesmo de um homem que supostamente se comunicava com o demônio. Eles não deviam temer o mal.

Em 18 de abril de 1989, Constanzo leu em suas cartas de tarô que algum informante deveria ter entregado o patriarca dos Hernandez e agora ele desconfiava de todos ao seu redor. Ele mantinha uma metralhadora Uzi o tempo todo em mãos e raramente dormia mais do que alguns minutos. Paranoico, começou a ameaçar seus discípulos com seu poder superior: “Eles [polícia] não podem matá-los, mas eu posso!”.

Polícia escolta Sergio Martinez, David Serna Valdez e Elio Hernandez Rivera até a delegacia em Matamoros. Data - 18 de Abril de 1989. Foto - John Hopper - AP

Polícia escolta Sergio Martinez, David Serna Valdez e Elio Hernandez Rivera até a delegacia em Matamoros. Data: 18 de Abril de 1989. Foto: John Hopper/AP.

Em 22 de abril, ele assistiu furiosamente uma reportagem na TV sobre a queima do seu galpão da morte no Rancho Santa Elena. Ele ficou ainda mais raivoso quando viu um curandeiro realizando um tipo de exorcismo no local, jogando água benta por todos os lados, principalmente sobre as cinzas fumegantes do galpão e as sepulturas. Adolfo destruiu todo o apartamento onde dormia com Aldrete e seus discípulos, quebrando lâmpadas e derrubando móveis. Era como se ele estivesse possuído, revelou Aldrete posteriormente.

Nascido da fusão dinâmica entre o cristianismo e antigas religiões indígenas, o México sempre foi um país com um rico legado de magia. Uma visita a qualquer mercado revela uma tradição milenar enraizada nos Astecas – enormes variedades de ervas estranhas e poderosas, poções e amuletos. Bruxos ou xamãs são populares em aldeias, lançam feitiços e cobram barato. Mesmo em cidades grandes como Matamoros as superstições antigas são um modo de vida. Quem não se lembra do bizarro caso da coruja queimada viva porque se acreditava que ela era uma bruxa? A magia é onipresente; em meados dos anos de 1980, uma das novelas mais populares era “El Maleficio”, que girava em torno da premissa de que um rico empresário era capaz de manter o poder por meio da oração noturna a Satanás. Mas nem todos no México usam a magia para o mal. Autoridades americanas que visitaram a delegacia em Matamoros notaram cordas de alho, pimenta e velas brancas, artigos usados para afastar espíritos ruins, portanto, não foi nenhuma surpresa quando um curandeiro foi chamado pela própria polícia para realizar uma cerimônia no rancho com objetivo de expulsar os demônios.

Em 24 de abril a polícia prendeu o discípulo Jorge Montes, invadindo sua casa a apenas três quarteirões de onde membros da família Calzada foram trucidados em 1986. Como outros que foram presos antes dele, Montes revelou todos os detalhes sórdidos do culto, nomeando Constanzo como o cérebro e chefe executor dos homicídios em série.

Três dias depois, Adolfo e seus quatro seguidores restantes sentaram em seu último esconderijo, um apartamento no Rio Sena, Cidade do México. Aldrete, temendo por sua vida, escreveu um bilhete em 02 de maio e jogou na rua pela janela do banheiro. O bilhete dizia:

“Por favor, chame a polícia judicial e diga a eles que neste prédio estão aqueles que estão sendo procurados. Diga a eles que uma mulher está sendo feita refém. Eu imploro por isso, porque o que eu mais quero é falar – ou eles irão matar a garota”.

Um transeunte encontrou o bilhete momentos depois, leu e manteve consigo, acreditando que era algum tipo de pegadinha. Lá em cima, Constanzo ficava cada vez mais louco. Ele começou a atirar maços de dinheiro do alto da janela e a apontar sua arma para as pessoas que passavam na rua. “Eles nunca irão me pegar”, dizia sem parar.

Ele fazia planos para deixar a Cidade do México quando, em 06 de maio de 1989, a polícia bateu no edifício em que estava. Indo de porta em porta, policiais começaram a questionar os moradores sobre uma criança desaparecida – um caso completamente diferente. Sorte da polícia. Azar de Adolfo. Quando O Padrinho viu os policiais do alto de sua janela, ele achou que eles estavam lá para pegá-lo e entrou em pânico, pegou sua metralhadora e abriu fogo contra eles. Em minutos, cerca de 180 policiais cercavam o prédio na tentativa de prender aquele lunático que atirava a esmo. O duelo digno de filmes durou 45 minutos e, milagrosamente, apenas um policial ficou ferido.

Quando Constanzo percebeu que escapar era impossível, ele entregou sua arma a El Duby e o deu novas ordens. Segundo o próprio El Duby:

“Ele disse para eu matar ele e Martin. Eu disse a ele que não podia fazer, mas ele me bateu na cara e me ameaçou com tudo de ruim, que o inferno seria muito ruim para mim. Então ele abraçou Martin, e eu apenas fiquei em frente a eles e atirei”.

seta

Adolfo Constanzo e seu amante Martin Ochoa mortos. Foto: The True Story Behind The Matamoros Cult Killings.

Adolfo Constanzo e seu amante Martin Quintana mortos. Foto: The True Story Behind The Matamoros Cult Killings.

Adolfo Constanzo e Martin Ochoa. Foto: The True Story Behind The Matamoros Cult Killings.

Adolfo Constanzo e Martin Quintana. Foto: The True Story Behind The Matamoros Cult Killings.

Constanzo quis morrer com seu amante preferido: Martin Quintana Rodriguez. “Ele queria morrer com Martin”, revelaria Aldrete. Quando a polícia invadiu o apartamento momentos depois, eles encontraram velas pretas, duas espadas, um crânio feito de cera branca e uma boneca de olhos vendados segurando outra boneca. Constanzo e Quintana foram encontrados caídos juntos dentro de um pequeno armário, seus corpos crivados de balas. Os três sobreviventes, El Duby, Sara Aldrete e Omar Orea Ochoa, foram imediatamente levados presos. “O padrinho não ficará morto por muito tempo”, advertiu El Duby aos policiais.

Reportagem da Folha de São Paulo sobre a morte de Adolfo de Jesus Constanzo.

Reportagem da Folha de São Paulo sobre a morte de Adolfo de Jesus Constanzo.

Ressaca


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Nas semanas que se seguiram, 14 membros da seita foram indiciados em várias acusações, incluindo assassinato múltiplo, tráfico de armas e drogas, conspiração e obstrução da justiça. Em agosto de 1990, El Duby foi condenado por matar Constanzo e Quintana, pegando um pena de 35 anos por cada morte; Omar Orea, condenado no mesmo caso, morreu de AIDS antes que pudesse ser sentenciado. Sara Aldrete foi absolvida do assassinato de Constanzo, mas sentenciada a seis anos por associação criminosa. A Madrinha continuou insistindo que ela nunca praticou o ocultismo e que só ficou sabendo dos assassinatos no Rancho Santa Elena pela televisão, algo que a pegou completamente de surpresa. Segundo a própria, ela foi tomada como prisioneira do grupo, vivendo em cárcere. Entretanto, todos os indícios apontavam para sua culpa. Várias vezes durante o interrogatório dos suspeitos, eles fizeram referências ao filme de horror “The Believers”, estrelado por Martin Sheen em 1987. O filme fala sobre um culto em Nova Iorque que realiza sacrifícios humanos em troca de dinheiro e poder. Elio Hernandez e outros disseram que Sara organizava sessões do filme para que todos assistissem, eles viram “várias vezes”, segundo ele. Uma busca posterior no quarto de Aldrete na casa de seus pais revelou um altar improvisado com velas pretas, colares, charutos, roupas de crianças e outros objetos perto de uma parede suja de sangue. Peritos identificaram os objetos como apetrechos de Santeria, uma obscura religião caribenha na qual deuses africanos são nomeados como santos católicos romanos, e Palo Mayombe.

Sara Aldrete fala a imprensa após ser presa em maio de 1989. Foto - AP

Sara Aldrete fala a imprensa após ser presa em maio de 1989. Foto – AP

Em 1994, Aldrete e quatro cúmplices foram condenados por vários assassinatos no rancho. Ela pegou 657 anos de prisão e seus companheiros, incluindo o barão das drogas Elio Hernandez e seu sobrinho Serafin, 67. Se um dia os três saírem da prisão, poderão ser deportados e processados nos Estados Unidos pela morte de Mark Kilroy.

Passados quase 30 anos dos assassinatos no Rancho Santa Elena, uma macabra lista de crimes relacionados ao oculto permanece sem solução no México. Da prisão, Sara Aldrete alertou:

“Eu não acho que a religião vai acabar com a gente, porque tem um monte de gente dentro. Eles encontraram um templo em Monterrey que nem está relacionado conosco. Isso irá continuar”.

Entre 1987 e 1989, a polícia mexicana registrou 74 assassinatos ritualísticos não resolvidos, 14 deles envolvendo crianças. O culto de Constanzo é suspeito em, pelo menos, 16 desses casos, todos envolvendo crianças e adolescentes, mas autoridades nunca tiveram provas suficientes para acusá-lo.

Em meados dos anos de 1990, o promotor Guillermo Ibarra fez a seguinte declaração:

“Nós gostaríamos de dizer, sim, Constanzo matou todos eles, e puf, todos os casos estariam resolvidos. E o fato é, nós acreditamos que ele é responsável por alguns deles, embora nunca possamos provar. E se ele não cometeu todos esses crimes, então significa que alguém o fez, alguém que ainda está lá fora”.

O corpo de Constanzo foi reclamado por sua mãe e transladado para Miami. O que a bruxa fez com ele não se sabe.

Trio Infernal - Adolfo Constanzo, Charles Manson e Jim Jones

Trio Diabólico


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Não são poucos os casos de crimes e homicídios relacionados à crenças religiosas, em sua grande maioria com uma extrema carga de crueldade e propósitos torpes. Devemos analisar estes crimes sob duas perspectivas: em primeiro lugar analisar se estes comportamentos não vão de encontro com os aspectos cruéis da natureza humana – ambiciosa e de inclinação sádica. Posteriormente devemos pensar se estes crimes são reflexos de uma insanidade que, por sua vez, encontra-se vazão no fanatismo, dando margem para as fantasias e delírios da doença mental.

É bem verdade que na grande maioria das vezes falamos somente da maldade humana, que encontra nas seitas as condições ideais para a realização de todos os seus macabros desejos assassinos, tudo sob o “véu” do ocultismo. Em outras palavras, pessoas ruins se escondem atrás de dogmas, inventando rituais que acabam por satisfazer seus desejos sádicos. Em muitos casos podemos facilmente observar o intensificar da crueldade nestes rituais, iniciando com o sacrifício de animais e profanação de túmulos, e posteriormente descambando para homicídios.

Seitas satânicas inúmeras vezes são associadas à delitos que variam desde o trafico de drogas até os mais hediondos homicídios.

Na verdade, a figura de Satanás tem servido como escudo para as verdadeiras aberrações (perturbações de personalidade), nomeadamente às psicopatias.

E por falar em psicopatias, Adolfo Constanzo lembra bastante dois notórios psicopatas do século 20: Charles Manson e Jim Jones.

Como Manson e Jones, Constanzo usava o sexo como ferramenta chave no controle de seus seguidores. Como citado anteriormente, seu objetivo principal em seduzir Sara Aldrete foi para obter acesso a Elio Hernandez, que possuía uma paixão secreta por Sara. Uma vez que ele conseguiu chegar até Elio através de Sara, ele a forçou a manter relações sexuais com o traficante. Foi assim que ele conseguiu a lealdade de Elio, assim como a aceitação mais fácil do barão das drogas em dividir 50% de seu lucro. Sexo com mulheres servia apenas quando Adolfo sentia que poderia obter algo em troca, seja para ele ou para seu culto. Já o sexo com homens mostrava que ele era o macho dominante.

“Ele voava de primeira classe, dirigia carrões esporte, usava diamante, anéis de safira e rubi em todos os dedos de ambas as mãos e colares de ouro. Ele comprava joias e roupas caras para seus amantes nas melhores lojas e, por duas vezes, comprou para o mesmo namorado cerca de US$ 10 mil em roupas. Ele os levava para viagens em destinos famosos como Acapulco e Las Hadas. Ele escrevia poesias e cartas de amor, cheias de promessas apaixonadas de fidelidade para, poucos meses depois, descartá-los por outros amantes. Ele foi uma borboleta social, sempre o membro dominador de seus relacionamentos românticos e nos negócios. Mesmo após os rompimentos, seus amantes permaneciam hipnotizados por seu charme e carisma”.

[ibid, pg. 28]

Como Jones e Manson, Constanzo sempre assumiu a posição dominante no sexo com homens (apesar de Manson não ser homossexual, ele estuprou alguns homens). Todos os três usavam o sexo com outros homens como forma de humilhá-los e mostrar quem estava no comando. Constanzo sodomizava suas vítimas antes de sacrificá-las. Dominação e manipulação eram os fatores que impulsionavam praticamente todas suas relações sexuais.

Há também outras semelhanças entre Constanzo e, por exemplo, Manson. Ambos eram os “cabeças” de seus cultos estruturados como famílias. O culto de Manson era literalmente chamado de “Família” e ele era o pai de todos, já Constanzo o Padrinho. Ambos os cultos usavam o tráfico de drogas como meio de financiamento. Manson e Constanzo eram traficantes e os dois tinham conexões com celebridades e pessoas importantes. Outro ponto que os liga é o comportamento de seus seguidores. Muitos dos membros dos dois cultos exibiram comportamentos bizarros. Em muitos casos eles foram descritos como sem emoção, com comportamento robotizado. Durante o julgamento de Charles Manson, seus cúmplices que sentaram no banco dos réus agiram como se fossem robôs, entoando canções em uníssimo e fazendo movimentos corporais sincronizados. O mesmo comportamento estranho notamos no caso Constanzo com seus seguidores até mesmo perdendo a noção da realidade, acreditando que uma força sobrenatural os tornava invisíveis para a polícia e na ressurreição de seu líder. Alguém lembrou de Leslie Van Houten, seguidora de Manson, que acreditava ser um elfo alado?

Uma grande diferença entre os dois eram seus pontos de vista sobre o uso de drogas. Enquanto Manson encorajava ativamente o uso de drogas entre seus seguidores como forma de controlá-los, Constanzo proibia furtivamente. Na visão de Adolfo, usuários de drogas não eram melhores do que animais, e ele chegou a assassinar sadicamente um membro do culto que cheirou cocaína. E por falar em assassinatos, o culto de Constanzo foi muito mais violento do que o de Manson. Começando com sacrifícios de animais e logo passando para humanos, sangue e corpos desossados eram algo comum para o culto de Adolfo desde o início. Olhando para Manson, é provável que ele nunca chegasse a esse ponto, mesmo se não tivesse sido preso. É provável que Constanzo usasse seus rituais satânicos como forma de instalar o terror em seus seguidores, amarrando-os em torno dele, um método muito mais eficaz e sanguinário do que o bombeamento de LSD no cérebro, como fez Manson.

Jim Jones é outra figura comparável a Constanzo. Ambos eram americanos de origem latina e bissexuais que usavam o sexo como ferramenta de controle. Os dois também invocaram um sentido de família para seus cultos. Como Manson, Jones era o “Pai”.

Por fim, existe ampla evidência de que esses três psicopatas adotaram sistemas radicais de religião como forma de controlar outras pessoas. No caso de Constanzo, sua amálgama do mal, além do Palo Mayombe e Santeria, continha elementos de vodu, satanismo e santismo (um sangrento ritual asteca), mas o elemento essencial era o sacrifício humano. Constanzo dizia a seus seguidores que o espírito e a essência das vítimas eram absorvidos por aqueles que realizam o sacrifício; os terríveis assassinatos eram cometidos durante orações que pediam força, riqueza e proteção contra a polícia e contra danos físicos.


Fontes consultadas: [1] The Believers: Cult Murders in Mexico. Rolling Stone. Buy Garcia, 29 de Junho de 1989; [2] The Work of The Devil. Texas Monthly. Gary Cartwright, junho de 1989; [3] Spring break revelry turns to horror as Mexican druglord kills University of Texas student in sicko human sacrifice voodoo ritual. New York Daily News, Mara Bovsun, 21 de Março de 2015; [4] Remembering Mark J. Kilroy. The Brownsville Herald, 7 de Março de 2009; [5] The True Story Behind The Matamoros Cult Killings; [6] Documentário Narcosatánicos; [7] Adolfo de Jesus Constanzo “The Witch Doctor”. Department of Psychology – Radford University; [8] The Grisly Secrets of a Lonely Ranch. People Magazine, 1 de Maio de 1989

Esta matéria teve colaboração de:

Rochele Kothe
Texto

Marina Ferezim
Revisão

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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
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