Serial Killers: As Contemporâneas de Jack – Mary Ann Britland

Este post é parte da série “As Contemporâneas de Jack”: histórias de serial killers mulheres que viveram na mesma época de Jack, o Estripador, mas ao contrário dele não gozaram...
Mary Ann Britland - serial killer

Mary Ann Britland - serial killer - Capa

Este post é parte da série “As Contemporâneas de Jack”: histórias de serial killers mulheres que viveram na mesma época de Jack, o Estripador, mas ao contrário dele não gozaram da fama, não se tornaram assuntos de livros, muito menos filmes; seus crimes ficaram perdidos no tempo e na história, e não fosse o trabalho (tipo old school) de pesquisadores/escritores/jornalistas/entusiastas/etc (como este que aqui escreve), muitos nunca saberiam que um dia elas existiram.

Elas são europeias, elas são assassinas, elas são diabólicas, elas são serial killers. Elas são mulheres!

O assassinato em série nunca foi um fenômeno moderno que pareceu surgir nos anos 1970 com seus representantes máximos vindos dos Estados Unidos: os Bundy’s, Kemper’s, Gacy’s e Berkowitz’s da vida. Serial killers são tão antigos quanto a própria humanidade. É bem verdade que parece haver um ciclo. De tempos em tempos, eles, de repente, surgem. São centenas, milhares deles. E, da mesma forma que surgem, desaparecem nas sombras. Definitivamente hoje não há o número de assassinos em série que experimentamos, por exemplo, nos anos de 1970. Por quê? Não faço a mínima ideia. Claro, podemos especular, mas deixemos isso para outra hora.

Um outro momento em que serial killers infestaram o mundo foi na Europa do final do século 19. E eles não eram homens. Eram mulheres!

As quatro enforcadas


Se um dia você visitar Manchester, na Inglaterra, caminhar pela Southall Street e sentir um calafrio de gelar a espinha, não se surpreenda – muitos corpos já foram enterrados ali.

Todas as pessoas executadas por seus crimes na Prisão de Strangeways entre março de 1869 e 13 de agosto de 1964 – exatamente 100 – foram enterradas em uma cova sem identificação no local. Os cadáveres só foram retirados de lá após uma rebelião na prisão em 1990, e levados até o Cemitério Backley, onde foram cremados.

Todos os cem enterrados em Southall Street foram enforcados. Desde 1861, os ingleses puniam cinco tipos de crimes com a morte, incluindo traição e assassinato.

A maioria daqueles que seriam enforcados sabia quem os mataria, muitas vezes encontrando seu carrasco na noite anterior. “O carrasco costumava entrar nas celas na noite anterior e se apresentar, mas isso foi considerado muito horripilante, então eles pararam“, diz Steve Fielding, autor de Hanged at Manchester (2008).

Dos 100 presos enforcados entre 1869 e 1964, 96 eram homens. Enterradas na Southall Street havia quatro mulheres.

Southall Street

Louie Calvert foi enforcada em 1926, aos 29 anos, pelo assassinato de duas pessoas; Margaret Allen, motorista de ônibus e crossdresser, foi enforcada em 1948, aos 41 anos, por matar um vizinho a marteladas; Louisa May Merrifield, “A Envenenadora de Blackpool”, foi enforcada em 1953, aos 47 anos, por matar com raticida a patroa no endereço 339 Devonshire Road, Blackpool.

E havia Mary Ann Britland, a serial killer – a primeira mulher a ser executada em Strangeways.

A Assassina do Vermífugo Harrison


“Eu disse que as pessoas mais cruéis e insensíveis em seus atos assassinos são muitas vezes as mais covardes após a condenação. Um exemplo que me ocorre é o caso de Mary Ann Britland, a quem executei na prisão de Strangeways”.

[James Berry, My Experiences as an Executioner, página 76]

A história de Mary Ann Britland seria um clássico conto de amor não correspondido se não fosse pelas três pessoas que ela assassinou com raticida.

Os dois amores da vida de Britland se chamavam Thomas. Ainda adolescente, ela conheceu o primeiro deles: Thomas Britland. Em 1866, aos 19 anos, eles se casaram na Igreja St. Michael’s em Ashton-under-Lyne, cidade da grande Manchester. O casal teve dua filhas, Elizabeth e Susannah, e vivia uma vida simples e pacata, com Mary Ann trabalhando em uma fábrica de dia e garçonete a noite em um bar.

Vinte anos de casamento se passaram até ela ser novamente fisgada pelo cupido. Mary Ann se apaixonou pelo vizinho, Thomas Dixon, um homem casado e mais jovem. Era um amor proibido alimentado apenas pela mente de Mary Ann, que logo se tornou platônico. Não se sabe se Thomas Dixon tinha conhecimento ou não do interesse de sua vizinha casada, mas se teve, ele não correspondeu. Mas Mary Ann ficou cega de amor e fez de tudo para se casar com seu vizinho bonitão. Talvez se algumas pessoas saíssem do caminho deles, Thomas Dixon olharia para ela.

O amor platônico que Mary Ann sentia por seu vizinho estava tão a mostra que sua filha Elizabeth, 19 anos, desconfiou. E Mary Ann percebeu que a filha estava desconfiada de que a mãe tinha interesse no vizinho. A mulher, então, fez um seguro de vida em nome da filha e foi até uma farmácia: “Ratos estão infestando a minha casa, o que o senhor tem?”. O farmacêutico indicou um raticida chamado “Harrison Vermin Killer”. Como o produto continha estricnina e arsênico, Mary Ann teve que assinar a compra.

Em março de 1886, Mary Ann matou a própria filha com o raticida, pegando o seguro de vida no valor de dez libras. Semanas depois, em 3 de maio, ela matou seu marido Thomas Britland da mesma forma. O médico legista atestou a causa da morte por epilepsia.

Mary Ann Britland. Foto: James Berry - My Experiences as an Executioner.

Mary Ann Britland. Foto: James Berry – My Experiences as an Executioner.

Chocados com as mortes repentinas de marido e filha, Thomas Dixon e sua esposa Mary abriram a porta de sua casa para abrigar Mary Ann. Ela agradeceu a gentileza matando Mary Dixon em 14 de maio.

As três mortes, todas com sintomas idênticas e incomuns para a idade das vítimas, levantou suspeita. Um médico-legista examinou o cadáver de Mary e encontrou grandes quantidades de arsênico e estricnina. Os corpos de Elizabeth e Thomas Britland foram exumados e grandes quantidades de veneno também foram encontrados nos restos mortais. Mary Ann e Thomas Dixon foram presos em seguida. Ela confessou os assassinatos dizendo que queria se casar com Dixon. No curso da investigação, ficou provado que Thomas Dixon nada tinha a ver com as mortes.

Mary Ann Britland foi a julgamento em 22 de julho de 1886. Em “What The Judge Saw“, o juiz Edward Abbott Parry diz que:

“O caso durou dois dias…A evidência era esmagadora. As três pessoas falecidas foram envenenadas por estricnina. A Sra. Britland comprou ‘pó de rato’ em quantidades suficientes para matar todos eles, e não havia evidência de qualquer rato cujo produto pudesse ter sido usado…Mesmo se não houvesse provas suficientes para garantir uma condenação, a Sra. Britland teve muitas conversas indiscretas sobre ‘pó de rato’ e envenenamento, e estava ansiosa para descobrir se tal envenenamento poderia ser rastreado após a morte…”

Durante o julgamento, Mary Ann interpelou o juiz várias vezes implorando por misericórdia. Não sendo atendida, gritava por Deus em enorme desespero.

Antes do juiz pronunciar a sentença, em defesa, Mary Ann disse que “eu sou completamente inocente…Eu não sou culpada de forma alguma“, então quebrou-se em lágrimas, chorando copiosamente.

Quando o juiz condenou-a à morte, Mary Ann gritou no tribunal:

“Nunca administrei nada a Mary Dixon! Nada!”

Enquanto a serial killer se desesperava na casa da lei, o juiz continuava:

“E que você seja levada daqui para a prisão de onde veio, que dali você seja levada para um lugar de execução, e que lá você seja enforcada pelo pescoço até que você esteja morta, e que seu corpo seja enterrado dentro do recinto da prisão.”

Como relata Edward Abbott Parry em sua obra, Mary Ann foi levada aos gritos em direção a Strangeways.

O carrasco inglês James Berry executou 131 pessoas por enforcamento entre 1884 e 1891, dentre elas Mary Ann Britland. Sua carreira como carrasco foi abreviada quando autoridades inglesas o suspenderam do cargo após vários erros em execuções. Foto: My Experiences as an Executioner.

O carrasco inglês James Berry executou 131 pessoas por enforcamento entre 1884 e 1891, dentre elas Mary Ann Britland. Sua carreira como carrasco foi abreviada quando autoridades inglesas o suspenderam do cargo após vários erros em execuções. Na execução de Robert Goodale, por exemplo, em 1885, o criminoso foi decapitado devido a um erro no comprimento da corda. Foto: My Experiences as an Executioner.

Na manhã de 9 de agosto de 1886, Britland se tornou a primeira mulher a ser executada na prisão de Strangeways. Do lado de fora, uma multidão se reuniu, curiosos em face da chegada da morte a um ser humano. Mary Ann mal podia andar e praticamente teve de ser carregada por duas guardas femininas até o alçapão onde o carrasco James Berry aguardava. James Berry escreveu sobre este dia em “My Experiences as an Executioner“:

“Ela foi um exemplo de uma classe de pessoas cujas três semanas antes da morte foi a maior crueldade possível…Ela orou por muito tempo e, aparentemente, pedia a ajuda de Deus de modo sincero, mas não reconheceu sua culpa até quase o último momento, quando viu que não haveria esperança de alívio. Quando a manhã da execução chegou, ela estava tão enfraquecida a ponto de ser totalmente incapaz de se sustentar, e ela teve que ser levada até o cadafalso por duas guardas femininas. Durante uma hora antes da execução, ela gemia e chorava cada vez pior, e quando entrei em sua cela ela começou a gritar, gritar bem alto. Todo o caminho até o cadafalso, seus gritos eram de partir o coração, embora sua voz já estivesse fraca pelo sofrimento, e quando o capuz branco foi colocado sobre sua cabeça, ela soltou gritos que um dos repórteres descreveu como algo ‘que se espera no momento da separação do corpo e espírito através do terror mortal’. As guardas femininas a seguraram até que o laço foi fixado, em seguida, seus lugares foram tomados por dois guardas homens que rapidamente deram um passo para trás após o meu sinal, e antes que ela tivesse tempo de balançar para os lados ou colapsar, o alçapão foi aberto e a pobre mulher estava morta.”

Mais sobre esta série:

Fontes consultadas: [1] My Experiences as an Executioner – James Berry; [2] What the judge saw, being twenty-five years in Manchester by one who has done it – Edward Abbott Parry; [3] EXECUTION OF MARY ANN BRITLAND – New Zealand Herald. 2 de outubro de 1886;

Universo DarkSide – os melhores livros sobre serial killers e psicopatas

http://www.darksidebooks.com.br/category/crime-scene/

Curta O Aprendiz Verde No Facebook

Deixe o seu comentario:
DarkSide Books

RELACIONADOS

OAV TV

OAV TV

Queremos você!

Queremos Você!

O Aprendiz Verde no WhatsApp!

OAV no Whatsapp

Siga-nos no Twitter

As últimas notícias

Categorias

× Receba nosso conteúdo no WP