Mindhunter: fotos divulgadas pela Netflix ajudam a entender o que será a segunda temporada

A nova temporada de Mindhunter é um quebra-cabeça cujas peças estão sendo liberadas a conta gotas. Algumas delas foram disponibilizadas esta semana: trata-se de imagens divulgadas pela própria Netflix....

Mindhunter - série netflix

A nova temporada de Mindhunter é um quebra-cabeça cujas peças estão sendo liberadas a conta gotas. Algumas delas foram disponibilizadas esta semana: trata-se de imagens divulgadas pela própria Netflix. E elas ajudam a esclarecer um pouco a ainda misteriosa segunda temporada.

O que fica claro a partir dessas primeiras fotos da nova temporada, marcada para estrear em 16 de agosto, é algo que já sabemos: a segunda temporada é sobre o caso Atlanta Child Murders (Assassinatos Infantis de Atlanta, em tradução literal). Mas existe algo a mais nas fotos, muitos rostos familiares da primeira temporada que desempenham papéis-chave na nova. Incluindo Ed Kemper.

Você tem alguém, Holden? Alguém que você não pode pegar?” pergunta Kemper (Cameron Britton) ao agente do FBI Holden Ford (Jonathan Groff) no trailer que a Netflix já soltou para a imprensa. (O oficial sairá em breve). “Essa pessoa que você procura, ele tem uma fantasia de vida irresistível. Fantasias do que ele fez. Do que ele quer fazer. Seus sonhos irão consumi-lo. Logo, o mundo real será muito para suportar“, ele continua.

A quem Kemper se refere aqui não é claro, até porque isso poderia se referir a qualquer assassino em série. Mas acredito que seja o serial killer da vida real Dennis Rader. Na primeira temporada, Mindhunter mostrou cenas de Dennis, na série um funcionário da ADT Security e que acreditamos ser o infame Assassino BTK. Dennis aparece em duas fotos da nova temporada. O trailer também parece mostrar um de seus crimes – uma mulher assustada e gritando com o que encontrou amarrada em seu banheiro. Minha aposta é que nesta temporada Dennis continuará aparecendo em cenas desconexas, sendo a sua história provavelmente explorada em detalhes em uma temporada futura.

Imagem da segunda temporada de Mindhunter mostra o ator Cameron Britton, que interpreta o serial killer Ed Kemper. Foto: Divulgação Netflix.

Em alusão ao serial killer Dennis Rader, imagem mostra mulher assustada após descobrir algo amarrado em seu banheiro. Foto: Divulgação Netflix.

Um dos mais famosos criminosos do século passado, Charles Manson também aparecerá na segunda temporada, como atesta essa imagem (cujo ator Damon Herriman está incrivelmente parecido). Foto: Divulgação Netflix.

Mas, nova temporada, novos famosos psicopatas e assassinos em série da vida real. É o caso de Charles Manson, O Filho de Sam e o Assassino de Crianças de Atlanta.

Entre julho de 1979 e maio de 1981, pelo menos 29 crianças, adolescentes e adultos afro-descendentes, foram assassinados em Atlanta, Geórgia. Em 1982, Wayne Williams foi condenado por dois dos assassinatos. Após seu julgamento, Williams foi ligado a mais de 20 dos assassinatos, mas nunca foi julgado por nenhum deles.

Nos anos que se seguiram, muitos questionaram se Williams (61 anos atualmente), e que até os dias de hoje cumpre sentença de prisão perpétua, não foi erroneamente condenado. Este foi o tema do famoso podcast Atlanta Monster e do especial do Investigation Discovery The Atlanta Child Murders. É sabido através de várias publicações na mídia que Williams será o foco da segunda temporada. Em Mindhunter, o livro, o autor e ex-agente do FBI John Douglas dedica um capítulo especial ao caso.

Imagem da segunda temporada de Mindhunter mostra o agente do FBI Holden Ford olhando para uma mulher organizando fotos de crianças e adolescentes negros com a legenda “Desaparecidos”. Foto: Divulgação Netflix.

Imagem da segunda temporada de Mindhunter mostra homem segurando a foto de uma criança, provavelmente uma vítima do Assassino de Crianças de Atlanta. Foto: Divulgação Netflix.

As fotos da segunda temporada mostram novos personagens ligados aos assassinatos de crianças em Atlanta. A maioria das imagens mostram mulheres, provavelmente mães de vítimas ou desaparecidos, que lutaram por manter o caso sob os holofotes da mídia, apesar do descaso da imprensa da época.

Sabendo o que sabemos sobre o caso de Atlanta, fica claro que isso não será algo fácil de se resolver. E o teaser de Mindhunter deixa isso claro: “Como podemos pegar uma fantasia?” pergunta Tench a Kemper, ao que o serial killer responde, “Se ele é bom, você não pode“.

Bom, se temos certeza de algo é que Ford e Tench estão só no começo do processo da psicologia criminal aplicada a serial killers, portanto, eles tentarão a todo custo e nós, a audiência, trabalharemos juntos com eles.

Imagem da segunda temporada de Mindhunter. Foto: Divulgação Netflix.

Imagem da segunda temporada de Mindhunter. Foto: Divulgação Netflix.

Imagem da segunda temporada de Mindhunter. Foto: Divulgação Netflix.

Wayne Williams, o serial killer?


Em Mindhunter, o best-seller que originou a série de mesmo nome da Netflix, o autor John Douglas conta como ele e seu parceiro de FBI, Roy Hazelwood, atuaram no caso Wayne Williams.

De 1979 a 1981, alguém estava matando a juventude negra de Atlanta. Mais de 25 homens negros, alguns com apenas nove anos, foram estrangulados, espancados ou asfixiados. Para a polícia local, todas as pistas potenciais se transformaram em becos sem saída. A única pista real era a presença, em vários dos corpos, de fios de tecido. Alguns também continham fios que peritos determinaram ser pelos de cães. Douglas e Hazelwood, que chegaram depois de vários dos assassinatos, andaram pelo bairro onde as vítimas haviam vivido e concluíram que aqueles não eram crimes raciais; eles deduziram que o assassino era negro. “Para andar naquele bairro, o cara devia ser negro, um branco seria facilmente notado. Para dar carona a alguma criança ou levar alguém para longe dali, o cara devia ser negro”, cita Douglas em um artigo do Baltimore Sun em 1991. Eles também indicaram que a próxima vítima provavelmente seria despejada no Rio Chatahoochee, uma vez que esse era o padrão.

Google Street View: Ponte James Jackson Parkway, rio Chatahoochee, local onde no começo dos anos 1980 vários corpos de jovens negros foram descartados por um serial killer.

A polícia montou uma vigília, e em 22 de maio de 1981 essa estratégia pareceu ter funcionado. Nas primeiras horas da manhã, a patrulha de vigilância ouviu um barulho alto. Alguém jogou algo grande no rio. Na ponte James Jackson Parkway, eles viram um furgão branco da Chevrolet, e quando eles o pararam, o motorista se identificou como Wayne Williams, 23 anos, negro, fotógrafo e promotor de música. Os policiais o questionaram, mas quando ele disse que havia jogado um pouco de lixo, eles o deixaram ir.

Dois dias depois, a polícia encontrou o corpo de Nathaniel Cater, de 27 anos. Ele havia sido asfixiado, aproximadamente, 48 horas antes. Uma única fibra de tapete amarelo-verde foi encontrada em seu cabelo. A polícia conseguiu um mandado de busca para a casa e o carro de Wayne Williams, e a busca trouxe uma prova valiosa: os pisos da casa de Williams estavam cobertos com tapetes amarelos e ele também tinha um cachorro. Comparações entre as amostras retiradas das vítimas mostraram ser consistentes com o tapete de Williams. Três testes de polígrafos separados indicaram falhas por parte do suspeito.

A acusação baseou-se apenas em dois dos 28 casos suspeitos de assassinato – o do rio, Nathaniel Cater, e outro encontrado na mesma área um mês antes, Jimmy Ray Payne. Uma única fibra de náilon foi encontrada nos shorts das vítimas, e era compatível com o carpete do carro de Williams. A acusação também introduziu como evidência as fibras encontradas nos corpos de dez das outras vítimas, que também coincidiam com as do carro ou casa de Williams. No total, havia 28 tipos de fibras ligadas a Williams. Além disso, várias testemunhas se apresentaram e reconheceram a ligação dele com algumas das vítimas.

Wayne Williams (centro) aos 16 anos com amigos no porão da casa de seu pai em Dixie Hills, 1971. Seu pai, Homer, montou um estúdio para o filho no porão pois acreditava que ele tinha futuro na música. Oito anos depois, uma série de 28 assassinatos de crianças e jovens negros começou. (Boyd Lewis)

Wayne Williams (centro) aos 16 anos com amigos no porão da casa de seu pai em Dixie Hills, 1971. Seu pai, Homer, montou um estúdio para o filho no porão pois acreditava que ele tinha futuro na música. Oito anos depois, uma série de 28 assassinatos de crianças e jovens negros começou. (Boyd Lewis)

John Douglas atuou como consultor no julgamento de Williams em 1981, prevendo o comportamento do suspeito a certas estratégias. Em Mindhunter, Douglas registra o momento em que Williams perde o controle e grita dizendo que ele não se encaixava no perfil do FBI. Douglas também previu que Williams tentaria se impor e controlar o processo – e até mesmo que fingiria estar doente em um dia. “Era a vitrine para ele”, diz Douglas.

Depois de apenas 12 horas, o júri retornou com um veredicto de culpa contra Williams, com duas sentenças de prisão perpétua.

Para entender melhor Mindhunter, é OBRIGATÓRIO a leitura dos posts abaixo:

Universo DarkSide – os melhores livros sobre serial killers e psicopatas

http://www.darksidebooks.com.br/category/crime-scene/

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