Texas Killing Fields: os campos de matança do Texas

Ao sul do Texas, em meio à trechos pantanosos de terra baldia e campos de petróleo abandonados, a Interstate 45 liga as cidades de Dallas e Houston. Como toda...

Ao sul do Texas, em meio à trechos pantanosos de terra baldia e campos de petróleo abandonados, a Interstate 45 liga as cidades de Dallas e Houston. Como toda estrada, a I-45 transporta diariamente centenas de caminhoneiros e viajantes, que trafegam por seus mais de 450 quilômetros de planícies, riachos, pântanos, campos e fazendas. Muitos passam por suas curvas sem sequer imaginar os segredos e histórias obscuras que suas paisagens quase monocromáticas escondem.

Conhecida também como uma das estradas mais sangrentas da América, a I-45 carrega a alcunha de Texas Killing Fields (Campos de Matança do Texas, em tradução livre). Desde o início dos anos 1970, a polícia local já encontrou mais de trinta corpos de mulheres que foram descartados nas proximidades da Interstate 45. Desde assassinos em série conhecidos da polícia até assassinos e sequestradores ainda desconhecidos, muitos passaram a utilizar os Campos de Matanças do Texas como local de descarte final de suas vítimas.

De 1967 à 2006, quase 40 corpos já foram encontrados. Com idades que variam dos 12 aos 40 anos e padrões de aparência que muitas vezes se repetem, a polícia texana presume que os crimes sejam de autoria de mais de um assassino em série. As autoridades trabalham com a identificação de padrões entre as vítimas que possam levar ao mesmo assassino, separando-as em grupos de semelhança.

Em abril último, duas vítimas com identidades antes desconhecidas, foram finalmente identificadas. Usando novas técnicas de mapeamento genético e genealógico, junto à estudos do DNA das vítimas e pesquisas às listas de desaparecidos, a polícia conseguiu, depois de 20 anos, identificar Audrey Cook, de 31 anos, e Donna Prudhomme, de 34. Anteriormente, Audrey e Donna eram conhecidas pelas autoridades apenas pelos codinomes Jane Doe e Janet Doe.

Audrey Cook e Donna Prudhomme foram identificadas pelas autoridades de League City, Texas, em abril de 2019. Seus corpos foram encontrados nos chamados “Campos de Matança” em 1986 e 1991, respectivamente.

Fico feliz em saber que essas garotas têm seus nomes de volta. Que elas vão ter sua própria foto e não um desenho que foi feito a partir da reconstrução de seus crânios, que vão ter um túmulo, que seus irmãos possam saber o que aconteceu com suas irmãs e que seus pais saibam o que aconteceu com suas filhas . Não é só porque essas garotas foram identificadas, mas saber quem elas são pode realmente ajudar no avanço da investigação e nos dar uma pista que nos leve a encontrar seu assassino ou assassinos“, disse Kathryn Casey, que acompanhou os casos desde os anos 1980 e escreveu o livro Deliver Us: Three Decades of Murder and Redemption in the Infamous I-45/Texas Killing Fields (2015).

Embora a maior parte dos crimes da Interstate 45 permaneça sem solução, a polícia tem esperança de conseguir juntar as peças e trazer justiça para as vítimas. Conheça a seguir os principais casos registrados nos Campos de Matança do Texas.


Um serial killer e 11 vítimas


Entre 1971 e 1977, onze jovens do sul do Texas foram encontradas mortas em circunstâncias similares. No dia 26 de novembro de 1971, o primeiro corpo foi descoberto. Colette Wilson, de 13 anos, que desapareceu em junho do mesmo ano em uma parada de ônibus depois da aula, foi a primeira vítima dos Killing Fields. Wilson tinha cabelo preto, olhos azuis e foi encontrada nua e com um único tiro, que saiu de uma arma de baixo calibre, na cabeça.

Suspeita-se que Edward Harold Bell esteja envolvido em alguns desses assassinatos ou em todos. Ele foi condenado pelo assassinato do marinheiro Larry Dickens, em 1978. Dickens foi morto após confrontar Bell depois que ele saiu de sua picape nu da cintura para baixo e começou a se masturbar na frente de um grupo de meninas em Pasadena. A mãe de Dickens viu quando Bell atirou em seu filho quatro vezes, esvaziando sua pistola, em seguida, pegou um rifle no carro e deu um tiro final na cabeça da vítima. Assassino em série autoproclamado, Edward Harold Bell deu múltiplas confissões de sua cela, revelando como sequestrou e matou adolescentes na década de 1970, descrevendo crimes ainda não resolvidos.

Bell, que faleceu no último dia 20 de abril aos 82 anos, afirmou ter passado por uma “lavagem cerebral do governo que o tornou um assassino”, confessou ter sequestrado, estuprado e matado diversas garotas em Houston, Galveston, Webster e Dickinson. Os assassinatos vieram em ondas: cinco em 1971 e mais seis entre 1974 e 1977. Seis adolescentes, acrescenta, foram assassinadas aos pares.

Bell nomeou três vítimas de 1971: Debbie Ackerman e Maria Johnson, de 15 anos, surfistas de Galveston e esquiadoras aquáticas experientes que desapareceram após receberem uma carona, e Colette Wilson, de 13 anos, que nunca chegou em casa depois de participar de um acampamento.

Oficialmente, todos os três casos permanecem sem solução. Além de Bell, outra teoria das autoridades do Condado de Brazoria diz que Colette Wilson e outra garota foram assassinadas por um condenado morto em uma fuga da prisão em 1972. Os ossos de Wilson foram encontrados em um reservatório misturado com os de uma menina desaparecida de Houston, Glória Ann Gonzales, 19 anos.

Em 1998, Bell descreveu o assassinato de Ackerman e Johnson em cartas escritas de sua cela de segurança máxima em Huntsville, 17 anos após o crime: “Eu estava com a cabeça lavada [brainwashed – lavagem cerebral] em matar Deby (sic), Ackerman e Maria Johnson em novembro de 1971“, Bell escreveu. Ele detalhou como atirou nas garotas e descreveu a ponte remota de onde os corpos foram recuperados.

Ackerman e Johnson foram vistas pela última vez entrando em uma van branca, perto de uma sorveteria. Seu sequestrador as amarrou, as desnudou da cintura para baixo e deixou seus corpos em um canal.

Bell possuía, em 1971, um Ford Van branco, vivia em uma casa de praia ao longo de Offatts Bayou, e tinha estado na loja de surf que ambas as meninas visitaram antes de suas mortes, de acordo com documentos e entrevistas.

Bell identificou outra de suas vítimas como uma adolescente de Houston chamada “Pitchford”, sequestrada perto de Gulfgate Mall. Registros do médico legista do Condado de Harris e arquivos de jornais revelaram ser Kimberly Rae Pitchford, uma jovem de 16 anos que morava perto do aeroporto de Hobby. Ela nunca mais voltou para casa depois de fazer uma aula de direção na Frank Dobie High School, em Houston. Seu corpo foi encontrado em uma mata no Condado de Brazoria em janeiro de 1973.

As meninas de Galveston. A história das 11 garotas assassinadas entre 1971 e 1977 foi tema da excelente série “The Eleven” (As Onze, em tradução literal) do canal A&E, em 2017.

Em 04 de agosto de 1971, as amigas Rhonda Johnson e Sharon Shaw, ambas com 14 anos, desapareceram após passarem o dia em uma praia de Webstern, Texas. Os corpos só foram encontrados em janeiro de 1972, quando pescadores avistaram um crânio flutuando no Clear Lake, a nove quilômetros da Interstate 45. As garotas foram amarradas juntas, e baleadas na parte de trás da cabeça.

Em novembro do mesmo ano, Debbie Ackerman e Maria Johnson, de 15 anos, desapareceram após entrarem em uma van branca depois de saírem de uma sorveteria nas proximidades da I-45. Dois dias depois, seus restos mortais foram encontrados em um canal perto da estrada, entre Galveston e League City. As garotas foram amarradas, despidas da cintura para baixo, estupradas e baleadas na cabeça. Segundo Bell, outros seis assassinatos ocorreram em meados da década de 1970, incluindo o de Pitchford e duas meninas em Dickinson.

Registros mostram que Bell possuía uma propriedade a poucos minutos de carro da loja em Dickinson, Texas, onde duas estudantes do ensino médio, Georgia Geer, 14, e Brooks Bracewell, 12, foram vistas pela última vez em 1974. Seus ossos foram encontrados em um córrego em 1976 e identificados em 1981.

Das três restantes, uma foi morta depois de pegar carona perto da FM 2004 em Santa Fé, e duas de Houston, uma morena e outra ruiva.

Se você pudesse me dar imunidade de qualquer tipo de acusação, eu poderia contar muita coisa à você e eu o farei“.

[Edward Bell, a um jornalista que o visitou na prisão]

Michelle Garvey


Dois dias antes de completar 15 anos de idade, no dia primeiro de junho de 1982, Michelle Garvey desapareceu de sua casa na cidade de New London, no estado do Connecticut. A ruiva saiu pela janela de seu quarto durante à noite, algo que já havia feito outras vezes. Com o longo histórico de fugas, o desaparecimento de Michelle não recebeu muita atenção dos investigadores, que acreditavam que a garota reapareceria na casa de parentes em alguns dias, como havia feito em suas escapadas anteriores. Porém, 30 anos se passaram sem que houvesse nenhuma notícia de seu paradeiro.

Um mês depois, em julho de 1982, o corpo em decomposição de uma garota ruiva de olhos azuis foi encontrado em um campo baldio na Interstare 45, no Texas, a quase três mil quilômetros de distância. A desconhecida, que segundo as autoridades tinha entre 15 e 20 anos e tinha o mamilo esquerdo invertido, havia sofrido agressões sexuais antes de ser assassinada. O seu corpo foi encontrado vestido com roupas marrons, incluindo uma camisola de mangas compridas e camisa de botões com um desenho de cavalo bordado no seu bolso. A causa da morte foi determinada como estrangulamento. O corpo foi descartado após algumas horas da morte.

Em pontos opostos do país, os dois casos – o desaparecimento de Michelle em Connecticut e o corpo encontrado no Texas – só foram conectados 31 anos depois, em 2014. O corpo encontrado no Texas foi exumado após um detective amador, Polly Penwell, afirmar que o corpo encontrado em 1982 no Texas era o de Michelle. Ele sugeriu ao Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas, e ao médico legista do Condado de Harris, que as semelhanças nos casos apontavam para a mesma pessoa. O corpo foi identificado como sendo de Michelle em janeiro de 2014 depois do ADN dos seus restos mortais ter coincidido com o do seu irmão mais novo, Sean Garvey. 

De volta à Connecticut para ser enterrada pela família, Michelle Garvey ainda é um enigma para a polícia e o FBI. Investigadores tentam compreender, agora, como a garota chegou até o estado do Texas, e o que aconteceu durante os 30 dias nos quais permaneceu desaparecida. Para a família e autoridades, a identificação da jovem é um ponto importante para o seguimento da investigação, que agora tenta descobrir quem é o assassino de Michelle Garvey.

Krystal Baker


Em 05 de março de 1996, Krystal Baker, de 13 anos, saiu da casa de sua avó, localizada nas proximidades da Interstate 45, com destino à sua casa, que ficava a alguns quilômetros. Após algumas horas de atraso, a família chamou a polícia e registrou o desaparecimento da garota. Ao fim da noite, no mesmo dia, seu corpo foi encontrado sob uma ponte que cruza um dos rios da I45.

Krystal apresentava evidências de espancamento, cortes no rosto e no olho esquerdo, uma grande laceração em sua coxa esquerda, até a panturrilha, e cortes nos pés. O corpo também mostrava abrasões no pescoço, que, segundo as autoridades, confirmavam que a causa final da morte foi estrangulamento mecânico com uma fita. Além disso, a autópsia confirmou que Krystal foi estuprada antes de ser morta e despejada sob a ponte.

Kevin Edison Smith. Foto: Chron.

Por 14 anos, o crime permaneceu sem solução. Até que em setembro de 2010, investigadores de casos sem solução decidiram enviar novamente para avaliação forense o vestido que Kystal usava quando foi encontrada. Os novos testes detectaram uma mancha de sêmen, da qual foi retirado uma amostra de DNA. Ao combinar a amostra com informações do banco de dados federais, os detetives identificaram Kevin Edison Smith.

Kevin, que trabalhava como soldador em uma refinaria texana, tinha 29 anos na época em que assassinou Krystal. Em 2012, ele foi condenado à prisão perpétua após um acordo com a promotoria: eles não pediriam a pena de morte se ele cooperasse em outros casos não solucionados. Ele é um forte candidato a ser um dos vários assassinos em série que operaram na I45, principalmente no corredor entre as cidades de Galveston e Houston – um dos crimes no qual ele é suspeito, a vítima foi estuprada, espancada e quase decapitada ao ser estrangulada. Mas até o momento, ele não foi acusado de nenhum outro crime.

William Lewis Reece


O texano William Lewis Reece, de 58 anos, é acusado dos assassinatos de Tiffany Johnston, de 19 anos, Jessica Cain, de 17 anos, e Laura Smither, de 12 anos. Ele também é suspeito da morte de Kelli Cox, de 20 anos de idade, cujos restos foram descobertos fora de Houston e identificados em 2016.

Reece passou cerca de 10 anos no sistema prisional de Oklahoma pelo estupro de outras duas mulheres. Ele foi libertado seis meses antes do rapto de Smither.

Reece se tornou um suspeito no caso Smither depois que os investigadores descobriram que ele era um criminoso sexual registrado que estava trabalhando na Moore Ranch Road, perto de onde Laura foi vista pela última vez. Naquele dia em particular, Reece foi liberado do trabalho mais cedo por causa da chuva. Depois que foi provada sua culpa neste crime, os investigadores começaram a ligá-los a outros assassinatos.

Laura Smither e Kelli Cox. Foto: Dallas News.

Tiffany Johnston e Jessica Cain. Foto: Dallas News.

Para especialistas, ele se encaixa na definição de um serial killer por escolher suas vítimas por sexo e idade, além de obter prazer do controle que exercia sobre as vítimas antes de suas mortes.

Reece já estava cumprindo uma sentença de 60 anos de prisão no Texas por um sequestro quando foi ligado aos quatro assassinatos. Após as acusações, ele levou a polícia até os locais onde descartou os cadáveres de Cain e Cox.

Todas as quatro mulheres desapareceram em um período de quatro meses em 1997.

Reece se declarou inocente do assassinato de Johnston, mas os promotores de Oklahoma estão buscando a pena de morte neste caso. Ele enfrenta mais duas acusações de assassinato – Smither e Cain – em Galveston, no Texas, mas estas estão suspensas devido ao seu julgamento em Oklahoma.

Anthony Allen Shore


O serial killer e molestador de crianças Anthony Shore foi oficialmente ligado e condenado pelo assassinato de uma criança, duas adolescentes e uma mulher. Ele operou de 1986 a 2000, e ficou conhecido como o “Assassino do Torniquete” devido à sua assinatura: uma ligadura com uma escova de dentes ou um bastão de bambu para apertar ou soltar o tecido em torno do pescoço de suas vítimas.

Sua primeira vítima conhecida foi Laurie Tremblay, de 14 anos, morta em 26 de setembro de 1986. Tremblay estava caminhando para a escola quando foi atacada. Depois de estuprá-la, Shore a estrangulou e jogou seu corpo atrás de um restaurante mexicano em Houston. Alguns anos depois, em 16 de abril de 1992, Shore agrediu sexualmente e estrangulou Maria del Carmen Estrada, de 21 anos, uma imigrante mexicana que estava trabalhando de babá.

Em 19 de outubro de 1993, Shore entrou na casa de Selma Janske, de 14 anos, a atacou e a estuprou; no entanto, ele não a matou e, em vez disso, fugiu da cena a pé.

Diana Rebollar, de 9 anos, foi assassinada em 8 de agosto de 1994, depois de ser espancada e estuprada. Um vizinho lembrou de uma van estranha que frequentava a área. O caso foi conectado ao de Maria del Carmen Estrada pelo modus operandi do assassino, que a matou com uma corda com um bastão de bambu preso em volta do pescoço.

Sua última vítima confirmada foi Dana Sanchez, 16 anos, que morreu em 6 de julho de 1995. Shore lhe ofereceu carona em sua van. Ele tentou agredi-la sexualmente, mas a garota resistiu e foi estrangulada. Sete dias depois, Shore deu um telefonema anônimo para uma estação de notícias local, informando onde ele deixou o corpo de Dana.

Em 1998, ele foi preso e condenado por molestar sexualmente suas próprias filhas, Tiffany e Amber. Como resultado, ele foi obrigado a fornecer amostras de DNA. Em 2000, e com o avanço do DNA, investigadores de casos não solucionados resolveram tirar a poeira dos arquivos de Maria del Carmen Estrada e testar o DNA encontrado debaixo das unhas da vítima – pele do assassino. Devido a problemas com o laboratório que realizou os testes, o resultado positivo só viria em 2003.

Após 11 horas de interrogatório ele confessou os quatro assassinatos. Perguntado sobre a sua peculiar assinatura, o torniquete, ele respondeu que o fazia “porque eu machuquei o meu dedo enquanto matava Tremblay”.

Shore foi acusado e julgado apenas do assassinato de Carmen Estrada. Em 18 de janeiro de 2018 ele foi executado com uma injeção letal.

Henry Lee Lucas


Algumas linhas de investigação afirmam que Henry Lee Lucas foi o primeiríssimo serial killer da I-45, nos anos 1970. Ele admitiu ter assassinado centenas de pessoas, porém, acredita-se que a maioria dos crimes seja falsas confissões. Sabe-se que Lucas percorreu a Costa do Golfo quando alguns dos primeiros assassinatos da Interstate 45 começaram a se tornar conhecidos. No entanto, ele nunca foi ligado sem margem para dúvidas a nenhum dos casos não resolvidos. Lucas afirmou que a maioria de suas vítimas eram pegas ao longo das rodovias interestaduais, oferecia-lhes carona e, às vezes, um jantar ou uma bebida. Em 1975, depois de passar um tempo na prisão pela tentativa de sequestro de três adolescentes, ele conheceu seu parceiro de crime Ottis Toole. Em uma de suas várias entrevistas, Lucas disse que Toole o ajudou a cometer muitos dos assassinatos nas estradas.

Oficialmente, Henry Lee Lucas foi condenado por matar 11 pessoas. Entretanto, o número de vítimas pode (e deve) ser muito maior. Acredita-se que ele esteja ligado a uma série de assassinatos não resolvidos no Condado de Williamson e na Interstate 35, no centro do Texas.

Robert Abel


Andarilho e vagabundo, Henry Lee Lucas tinha o perfil que um leigo apontaria o dedo se alguém lhe perguntasse quem poderia estar matando pessoas em uma estrada.

Robert Abel não.

“Modesto” e “calmo”, Robert Abel formou-se com honras e o seu primeiro emprego é o sonho de metade dos estudantes de engenharia do mundo inteiro: Nasa. Engenheiro da Nasa, ele ajudou a criar a famosa série de foguetes Saturno que levou o homem à Lua. Em 1990, o engenheiro se aposentou, comprou umas terras perto dos campos de petróleo do Texas e construiu um rancho. Anos depois, quando a polícia apareceu no seu rancho com algumas perguntas, ele ficou muito interessado nos detalhes da investigação, oferecendo qualquer ajuda possível e até emprestaria seus cavalos se os policiais quisessem.

Investigando assassinatos não resolvidos, a polícia do Texas chegou até o engenheiro através de um perfil do assassino criado pelos caçadores de mentes do FBI, nos anos 1970.

Após o falatório na região de que a polícia estava desconfiada de Abel, sua ex-esposa (ele casou e se separou três vezes) contatou o investigador principal, Gary Bittner, e disse que às vezes seu ex-marido tinha ataques de raiva, além de demonstrar crueldade. Ela nunca o viu maltratar um ser humano, mas de vez em quando ele espancava os seus cavalos. Quando um morria, Abel não o enterrava, deixando-o apodrecendo no Sol para os urubus comerem. Com outra ex-esposa, também especialista da Nasa, Abel se separou apenas 41 dias depois de se casar. O motivo? Uma noite ela não quis fazer sexo.

O FBI convenceu um juiz a emitir um mandado de busca para a fazenda inteira, mas o juiz deu apenas 12 horas para a polícia federal americana procurar alguma coisa. Eles confiscaram um dente de ouro, uma coleção de fotografias e armas. Entretanto, nada pôde ser ligado a um assassinato. O dente de ouro era do próprio Abel, exames de balística de suas armas deram negativo e as fotografias não mostravam nada demais.

A polícia recuou, mas Tim Miller não.

Tim Miller é fotografado em 2017 sentado em seu escritório. Atrás, na parede, um quadro de sua filha Laura, assassinada em 1984. Foto: JOSEPH RUSHMORE FOR HUFFPOST.

Tim Miller é pai de Laura Miller, desaparecida em setembro de 1984. Os restos mortais de Laura foram encontrados em um campo na I45 em fevereiro de 1986.

Tim acreditava piamente que Robert Abel era o responsável pela morte de sua filha, ou pelo menos o responsável por algum (ou alguns) assassinatos de outras garotas na I45. Ele passou a enviar cartas ameaçadoras ao ex-engenheiro da Nasa e a vigiá-lo quase que 24 horas por dia. Na justiça, Abel conseguiu uma medida protetiva contra Tim, mas isso não impediu o pai que continuou nas sombras. Tim chegou a confessar a amigos que tinha vontade de sequestrar e enterrar vivo no deserto de Nevada o engenheiro.

Ele não realizou o seu desejo, mas um belo dia invadiu o rancho de Abel e colocou uma pistola Magnum .357 em sua cabeça, obrigando-o a confessar o assassinato da filha. Abel suplicou por sua vida e Tim virou as costas e foi embora.

Então, em abril de 1997, um novo assassinato ocorreu – o corpo de uma menina de 12 anos foi encontrado em uma lagoa perto de Pasadena. Quatro meses depois, Jessica Kane, 45, desapareceu. Assim que Miller descobriu o que havia acontecido, reuniu uma equipe de voluntários e marcharam até o rancho de Robert Abel. Com a permissão de Abel, os homens liderados por Tim vasculharam e remexeram a terra da fazenda, na esperança de encontrar algum corpo. Eles não encontraram nada.

Robert Abel cometeu suicídio em 2005. Ele parou o seu carro nos trilhos de um trem e o esperou chegar. Pouco tempo antes, Tim esbarrou com Abel na rua e pediu perdão por seus erros.

Mais tarde, o FBI admitiu que o perfil original apresentava falhas e eliminou Robert Abel da lista de suspeitos de assassinos da I45. No entanto, a polícia texana ainda não está convencida de sua inocência e declaradamente ainda o considera um dos principais suspeitos.

O escritor anônimo


Em 22 de dezembro de 2005, veículos de comunicação de Houston informaram que uma carta havia sido enviada a Tim Miller por alguém que alegava ser o assassino de sua filha e de outras mulheres. A carta foi feita a partir de recortes de jornais e revistas. No local onde o corpo de Laura foi encontrado, em sua memória, Tim havia colocado uma cruz de madeira, que depois apareceu derrubada e quebrada. Também foram deixados alguns CDs com conteúdo pornográfico no local.

Nesta foto de 21 de Setembro de 1997, Tim Miller contempla a cruz apodrecida que ele ergueu em 1986 no local onde o corpo de sua filha Laura foi encontrado. Foto: D. Fahleson, Houston Chronicle.

É bem provável que a pessoa que enviou a carta é a mesma que foi até os “campos de matança” para vandalizar o memorial de Laura Miller. Como a carta chegou apenas alguns meses depois da morte de Robert Abel, as autoridades do Texas acreditam que ela possa ter sido feita por um membro da família ou amigo de Robert Abel, com propósito de limpar o nome do engenheiro.

Clyde Hedrick


Em 2010, o incansável Tim Miller entrou em contato com delegacia geral de Galveston e com o FBI pedindo para eles reinvestigarem outro homem que ele achava suspeito no assassinato de sua filha. O homem era Clyde Hedrick e as autoridades atenderam ao pedido.

Inicialmente, investigadores revisaram o caso de Ellen Rae Beason, 30, desaparecida em julho de 1984 e cujos restos mortais foram encontrados em 29 de julho de 1985. Uma olhada mais aprofundada no caso revelou que o primeiro patologista limpou mal os ossos da falecida e não prestou atenção à uma profunda rachadura no crânio.

Em 2012, uma nova análise dos restos mortais confirmou que a rachadura só poderia ter sido causada por um poderoso e direcionado golpe.

Qual é uma das maneiras de um assassino em série se safar? Quando a polícia e peritos realizam um trabalho mal feito. Parece piada, mas na época, a polícia descobriu que Clyde Hedrick foi a última pessoa a ser vista com a vítima. Questionado, ele disse que eles foram nadar em um lago e Ellen Beason se afogou. Transtornado e “apavorado”, ele colocou o corpo em sua camionete e saiu pela estrada procurando um lugar para jogá-lo fora. Ele passou em um detector de mentiras e a polícia arquivou o caso. “Nós o colocamos em um polígrafo e ele passou. Nós não temos evidência de crime. Vamos fechar o caso“, disse o Xerife na época.

Décadas depois, quando os restos mortais de Beason foram exumados e uma nova análise concluiu que ela fora assassinada com uma pancada na cabeça, a casa caiu para Hedrick.

Em abril de 2013, 28 anos após a morte de Beason, Hedrick foi acusado de homicídio. Pouco antes do julgamento, os investigadores disseram a Tim Miller que Hedrick confessara a seus companheiros de cela não só o assassinato de Beason, como também o de sua filha Laura e de uma garçonete chamada Fe. Ele se gabou de como estuprou Laura antes de matá-la.

Em seu julgamento, uma ex-esposa disse que entre 1991 e 1993, tempo em que ficaram juntos, Hedrick ao chegar em casa da rua, dizia que havia “feito de novo”. Uma outra ex-esposa revelou que, em 1996, ele apareceu com uma faca suja de sangue e pediu para ela dar cabo dele. Ele foi condenado a 20 anos de prisão.

Na prisão, Hedrick voltou atrás em suas confissões e até o momento não foi oficialmente acusado de nenhum outro assassinato.

Mark Stallings


Em 2001, Mark Roland Stallings confessou alguns assassinatos dos “Campos de Matança” nos arredores de League City, porém, ele teria apenas 15 ou 16 anos de idade quando as mulheres que ele confessou ter matado desapareceram. Preso desde 1991 por roubo e outros crimes, sua confissão pode ter sido apenas uma maneira de melhorar seu status na prisão. Com histórico de violência, Stallings trabalhou na Star Dust Trailrides, empresa aberta pelo ex-engenheiro da Nasa Robert Abel após a sua aposentadoria em 1990. Dentro de um campo de petróleo, a Star Dust Trail Rides circunda a I-45. Mas apesar de suas confissões, Stallings nunca foi acusado em nenhum dos assassinatos.

Colaboração de:


Universo DarkSide – os melhores livros sobre serial killers e psicopatas

http://www.darksidebooks.com.br/category/crime-scene/

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