Serial Killers: As Contemporâneas de Jack – Sindicatos de Matadoras de Maridos

Este post é parte da série “As Contemporâneas de Jack”: histórias de serial killers mulheres que viveram na mesma época de Jack, o Estripador, mas ao contrário dele não gozaram...

Sindicatos de Matadoras de Maridos - Capa

Este post é parte da série “As Contemporâneas de Jack”: histórias de serial killers mulheres que viveram na mesma época de Jack, o Estripador, mas ao contrário dele não gozaram da fama, não se tornaram assuntos de livros, muito menos filmes; seus crimes ficaram perdidos no tempo e na história, e não fosse o trabalho (tipo old school) de pesquisadores/escritores/jornalistas/entusiastas/etc (como este que aqui escreve), muitos nunca saberiam que um dia elas existiram.

Elas são europeias, elas são assassinas, elas são diabólicas, elas são serial killers. Elas são mulheres!

O assassinato em série nunca foi um fenômeno moderno que pareceu surgir nos anos 1970 com seus representantes máximos vindos dos Estados Unidos: os Bundy’s, Kemper’s, Gacy’s e Berkowitz’s da vida. Serial killers são tão antigos quanto a própria humanidade. É bem verdade que parece haver um ciclo. De tempos em tempos, eles, de repente, surgem. São centenas, milhares deles. E, da mesma forma que surgem, desaparecem nas sombras. Definitivamente hoje não há o número de assassinos em série que experimentamos, por exemplo, nos anos de 1970. Por quê? Não faço a mínima ideia. Claro, podemos especular, mas deixemos isso para outra hora.

Um outro momento em que serial killers infestaram o mundo foi na Europa do final do século 19. E eles não eram homens. Eram mulheres!

Sindicatos de Matadoras de Maridos


O final do século 19 e início do século 20 foi marcado por um número sem precedentes de mulheres serial killers.

Um subtipo muito comum dessas assassinas deu origem ao termo “Sindicatos de Matadoras de Maridos” – esposas que se uniam em uma espécie de sororidade para liquidar seus cônjuges. Em todos os casos estudados para este post [e muitos outros ao longo de anos de leitura], o modus operandi é o mesmo. Tudo começa com uma Matriz: uma assassina de maridos que acaba por descobrir ser bastante fácil despachar pessoas usando veneno. Em dado momento da vida ela descobre uma amiga, vizinha ou conhecida que também tem o desejo de se livrar do marido e acaba compartilhando seus conhecimentos sobre assassinato por envenenamento. O boca-a-boca passa a atrair mais mulheres interessadas em despachar o cônjuge e a Matriz percebe que pode ganhar um bom dinheiro conseguindo e vendendo veneno a interessadas. Nasce, então, um mercado da morte cuja real extensão, em cada caso, tornou-se impossível de ser medido (seja por falta de conhecimento na época ou por desinteresse mesmo).

O caso mais famoso no ocidente é o das Criadoras de Anjos de Nagyrév, cuja história é fantasticamente contada no livro de Béla Bodó “Tiszazug: A Social History of a Murder Epidemic” (2003). Mas muito antes de Nagyrév, a Europa [principalmente o grande Império Austro-Húngaro, que existiu de 1867 a 1918 e englobava países como Áustria, Hungria, Romênia, Sérvia e Croácia] sofreu com tais “sindicatos”, e neste post vamos citar alguns que foram descobertos noticiados na virada do século 20.

A envenenadora em série e empreendedora da morte Kathi Lyukas. Ilustração de Mikaelly Silva.A envenenadora em série e empreendedora da morte Kathi Lyukas. Ilustração de Mikaelly Silva.

A envenenadora em série e empreendedora da morte Kathi Lyukas. Ilustração de Mikaelly Silva.

Kathi LyukasRomênia


Miercurea Sibiuluim, Romênia | 1882

Ela era uma mulher de meia idade, 52 anos, estatura baixa e de feição serena, conhecida por vender seus pequenos e saborosos bolos em um pequeno comércio. Se existia alguém para desconfiar dessa empreendedora do ramo alimentício, esses eram os químicos da região de Miercurea Sibiuluim, sudoeste da Transilvânia, Romênia. (Essa cidade também é conhecida pelo nome de Szerdahely, quando fazia parte do grande Império Austro-Húngaro). Isso porque Kathi Lyukas vivia aparecendo na porta deles querendo um tiquinho de arsênico. O que essa mulher tanto quer com veneno? Matar a rataiada que infestava a sua casa. Bom, era o que ela dizia, e eles não viam problema em fornecer um pouquinho do pó.

Mas atrás da “expressão gentil e maternal em seu pequeno rosto“, Kathi Lyukas mantinha um rentável negócio de matar pessoas. Ela abreviou a vida do seu primeiro marido ministrando arsênico a ele. Quando ninguém descobriu a real causa da morte, então ela matou o segundo e, depois, vendo que a coisa era praticamente indetectável, passou a empreender como as suas conterrâneas (de época) Thekla Popov e Zsuzsanna Fazekas. Ela fazia bolos envenenados com arsênico para mulheres que queriam se livrar dos seus maridos. Com o tempo o negócio cresceu e as vítimas passaram a ser qualquer um que alguém quisesse tirar do caminho, mulher ou criança, jovem ou velho. As clientes principais eram mulheres que se cansavam de seus maridos ou amantes, ou que desejavam tirar uma rival do caminho. Era comum também filhos ou netos encomendarem seus quitutes para receberem a herança mais cedo.

As fontes sobreviventes do caso não relatam como ela foi desmascarada, afirmando apenas que Lyukas confessou seis assassinatos e que foi acusada de 26 outros. Em seu julgamento, Kathi Lyukas se fez de coitadinha, com “um ar de grande piedade, permanecendo o dia inteiro com um rosário na mão,” como revelou o London Daily News em 21 de dezembro de 1882.

Ela foi condenada “a um longo período de servidão penal“, mas a população e a promotoria se enfureceram, e o tribunal acabou revendo sua sentença: pena de morte. Ela foi enviada para a prisão de Szombathely (Hungria) e em 30 de novembro de 1882 foi enforcada. (Szombathely: Steinamanger, no alemão).

"ENVENENAMENTO EM LARGA ESCALA NA HUNGRIA. Uma mulher camponesa húngara chamada Lyukas Kathi foi enforcada sexta-feira em Steinamanger. Ela foi acusada de ter cometido 26 assassinatos ao vender bolos envenenados para pessoas que desejaram se livrar de seus parentes. Ela confessou seis mortes, duas das quais foram seus próprios maridos." The Wholesale Poisonings in Hungary - Lloyd’s Weekly Newspaper. 3 de Dezembro de 1882.

“ENVENENAMENTO EM LARGA ESCALA NA HUNGRIA. Uma mulher camponesa húngara chamada Lyukas Kathi foi enforcada sexta-feira em Steinamanger. Ela foi acusada de ter cometido 26 assassinatos ao vender bolos envenenados para pessoas que desejavam se livrar de seus parentes. Ela confessou seis mortes, duas das quais foram seus próprios maridos.” The Wholesale Poisonings in Hungary – Lloyd’s Weekly Newspaper. 3 de Dezembro de 1882.

Eva Sarac - serial killer sérvia

A envenenadora em série e empreendedora da morte Eva Sarac. Ilustração de Mikaelly Silva.

Eva Sarac & Makrena SérviaStankovic


Bingula, Sérvia | 1890

“Em certos casos, a morte vinha rapidamente, enquanto noutros vinha gradualmente. Eva Sarac…foi a instigadora desses vários crimes. Ela era uma espécie de bruxa da aldeia que preparava feitiços de amor para as garotas da localidade, assim como veneno para os homens.”

Enquanto Jack, o Estripador deixava um rastro de corpos mutilados de mulheres em Londres, homens se contorciam em agonia na vila sérvia de Bingula – um remoto lugar quase na fronteira com a Croácia – que ainda hoje não passa de 900 habitantes.

Apesar do número reduzido de moradores, durante a década de 1880, era comum homens jovens e aparentemente saudáveis morrerem em Bingula e em vilarejos adjacentes, incluindo Erdevic e Divoš. A causa mortis, entretanto, estava longe de ser natural. Os homens daquela região da Sérvia estavam sendo assassinados. Durante anos, mulheres mataram indiscriminadamente, e teriam continuado não fosse a boca grande de uma delas. 

Makrena Stankovic, 48 anos, morava em Bingula com sua sobrinha. A mulher não era flor que se cheire – ou você acha que alguém que envenenou o marido, o sogro e um vizinho pode ser gente boa? -, por isso, quando precisou de uma grana, não pensou duas vezes em surrupiar 100 florins [moeda da época] de sua sobrinha. A garota não gostou nem um pouco e questionou a tia sobre o dinheiro que, por sua vez, fez pouco caso. A sobrinha, então, ameaçou denunciá-la. Péssima ideia. “Não faça isso, vou pagá-la hoje a tarde, mas antes venha tomar um cafezinho preparado com todo o amor por sua tia querida”. De repente, a sobrinha de Stankovic caiu doente, e faleceu horas depois.

Makrena Stankovic - serial killer sérvia

A envenenadora em série e empreendedora da morte Makrena Stankovic. Ilustração de Mikaelly Silva.

Anos de matança deu a Makrena Stankovic uma sensação de impunidade tão grande que ela começou a se gabar para qualquer um que cruzasse sobre como se livrou de sua sobrinha inconveniente. Na verdade, naquelas bandas, existia um verdadeiro comércio da morte.

A “bruxa-mor” era Eva Sarac. Foi ela quem começou tudo. Ela obtinha arsênico de papel mata-moscas, cuja quantidade de arsênico poderia matar de três a quatro pessoas. As reportagens sobreviventes do caso relatam que foi Eva quem ensinou a arte do assassinato com arsênico a Makrena Stankovic. “Makrena Stankovic, a pessoa principal neste terrível drama, é sem dúvida uma pupila de Sarac“, revelou o Mid-Surrey Times, em julho de 1890. Quantas pessoas cada uma matou ao longo dos anos não se sabe, mas algumas mortes foram confirmadas com a exumação dos corpos de vítimas suspeitas.

“Havia literalmente uma sociedade de envenenadoras, aconselhando e ajudando umas as outras, de modo que algumas das mulheres foram implicadas em todos os assassinatos. O veneno usado foi o arsênico, obtido a partir de papéis mata-moscas, e era administrado na bebida e comida das vítimas. Uma das acusadas, Eva Sarac, que ensinou todas as outras seu terrível comércio, faleceu na prisão há um tempo atrás. As vítimas supostamente passam de cinquenta.”

[Fifty Women Prisoners – The New York Times, 13 de Julho de 1890]

As duas serial killers, com o tempo, passaram a compartilhar seus dotes profissionais com outras mulheres, o que fez surgir um verdadeiro “Sindicato de Matadoras de Maridos”. Autoridades conseguiram rastrear os crimes até 1880. Antes disso, era quase que impossível saber se Eva ou Makrena estavam envolvidas em alguma morte. Dez anos depois, quando Makrena, às gargalhadas, espalhou para qualquer um que quisesse ouvir sobre como despachou sua sobrinha, alguém decidiu investigar. Corpos foram exumados e um químico encontrou elevados níveis de veneno nos cadáveres.

HUSBAND POISONERS (Envenenadoras de Marido, em tradução literal). Mid-Surrey Times, Inglaterra. 5 de Julho de 1890, página 8.

HUSBAND POISONERS (Envenenadoras de Marido, em tradução literal). Reportagem do jornal inglês Mid-Surrey Times sobre o caso das envenenadoras sérvias. Data: 5 de Julho de 1890, página 8.

Foram presas, além de Eva e Makrena, Nata Nestorov, 48 anos, moradora de Bingula, acusada de envenenar o marido; Milica Plavsic, 53 anos, moradora de Divoš, acusada de vender arsênico para fins de assassinato; Stephanie Illoie Bailie, 49 anos, moradora de Bingula, acusada de envenenar o marido; Mara Danilovic Savkaric, 36 anos, moradora de Erdevic, acusada de envenenar o marido e outro homem; Jela Radojeic Ostojic, 39 anos, moradora de Erdevic, acusada de envenenar o marido; Stevka Jagmasevic, 54 anos, moradora de Erdevic, acusada de envenenar o marido; Ljuba Gavrilovic, 38 anos, acusada de envenenar o marido; uma mulher de nome Sremcic, 35 anos, acusada de envenenar o irmão; e Milda Maralic, 60 anos, moradora de Neštin, acusada de envenenar uma mulher.

Eva Sarac cometeu suicídio na prisão em outubro de 1889 e por isso nunca foi julgada por seus crimes. Um relato sobrevivente deste caso, publicado no Northern Argus, da Nova Zelândia, em 15 de agosto de 1890, revela que dez mulheres foram levadas a julgamento; quatro foram sentenciadas à morte, uma a prisão perpétua, três a 15 anos de prisão e duas foram absolvidas. A matéria não cita os nomes das envolvidas e termina dizendo que “Como o Imperador da Áustria nunca assina uma sentença de morte contra uma mulher, aquelas que foram sentenciadas ao patíbulo não serão executadas.“.

Madame PionicskiSérvia


Srbobran, Sérvia | 1891

Pouco mais de um ano depois do julgamento das envenenadoras em série de Bingula, um outro julgamento sacudiu àquela mesma região da Sérvia. Em 1891, na pequena cidade de Srbobran [também conhecida como Szenttamás, no húngaro] – distante apenas 85 quilômetros de Bingula – uma outra empresária da morte foi desmascarada gerenciando um Sindicato de Matadoras de Maridos. 

Disse o New Zealand Herald, da Nova Zelândia, repetindo as informações de agências europeias:

“…elas pertenciam a uma gangue de envenenadoras que poderiam empregar qualquer uma que desejasse remover um inimigo. A líder da gangue é uma mulher chamada Madame Pionicski, que comprava os venenos e habilmente os misturava em vários licores e artigos de comida. Esses eram comprados, principalmente, por mulheres que desejavam envenenar seus maridos…Várias senhoras influentes estão comprometidas”.

É interessante o fato de as duas localidades – Bingula e Srbobran – serem muito próximas e os assassinatos terem acontecido ao mesmo tempo. O negócio de Eva Sarac ultrapassou as fronteiras dos vilarejos com Madame Pionicski abrindo uma “franquia” em Srbobran? Ou foi o contrário? Elas se conheciam? Estavam ligadas? Poderia existir um mercado negro de assassinatos de maridos por arsênico em larga escala na Sérvia? Ou tudo não passou de coincidência?

Não há muito o que dizer sobre Madame Pionicski a não ser o fato de que ela se encaixa perfeitamente no perfil das serial killers empreendedoras que tocavam seus sindicatos da morte: mulher de meia idade que um belo dia descobriu poder despachar o marido sem levantar suspeitas; pegou gosto pela coisa e logo percebeu que podia fazer uma grana repassando a sua experiência à outras mulheres.

Como na maioria dos casos envolvendo Sindicatos de Matadoras de Maridos, a polícia chegou tarde demais, tornando impossível saber quantos assassinatos foram cometidos e quantas mulheres estavam envolvidas. Exumando um corpo aqui e ali, autoridades ligaram Madame Pionicski a três assassinatos, incluindo o do marido e do próprio pai. Outras duas mulheres, de nomes Kurjakow e Kernaez também foram presas e acusadas de envenenarem um amante e o marido, respectivamente. Mas as evidências eram fracas e elas foram absolvidas no julgamento. Reportagens de época indicam pelo menos 10 mortes confirmadas, mas apenas Pionicski foi condenada – pegou a perpétua.

Marie HevesyRomênia


Pecica, Romênia | 1895

“O assassinato de maridos, principalmente por meio de veneno, mais especialmente arsênico, tem sido um crime frequente entre os camponeses húngaros. Não se passa um ano sem que um ou mais julgamentos de pessoas acusadas de tais assassinatos em uma parte do país aconteça.”

[Killing Off Husbands – The Argus. 23 de Março de 1895]

Definitivamente o Império Áustro-Húngaro da virada do século 20 não era um lugar seguro para homens casados. O assassinato de homens por mulheres através do arsênico era endêmico e espalhado por todos os lugares. O caso Marie Hevesy é interessante porque ocorreu em uma cidadezinha da Romênia chamada Pecica, na fronteira com a Hungria, distante apenas 189 quilômetros de Nagyrév. Você já ouviu falar deste vilarejo, não?

Marie Hevesy foi presa em 21 de março de 1895 e acusada de envolvimento em “vários assassinatos a sangue frio“. Descrita como jovem e bonita, o jornal australiano The Argus, citando como fonte original o inglês The Standard, revelou que “ficou provado que Hevesy agiu como uma espécie de agente entre mulheres camponesas cansadas de seus maridos e certos assassinos profissionais“. De acordo com a reportagem, Hevesy deu cabo de sua cunhada e de maridos das clientes, mas também “terceirizava” o serviço contratando assassinos profissionais.

Ela foi descoberta quando um desses assassinos, que já estava na prisão há 15 anos, confessou às autoridades ter matado a mando de Marie. Uma investigação subsequente comprovou inúmeros assassinatos de maridos de camponesas na localidade. Dado o tempo em que este prisioneiro já estava preso, podemos presumir que os crimes datavam de antes de 1880. A única reportagem sobrevivente deste caso não cita o número de vítimas tampouco se outras cúmplices foram presas. Marie Hevesy desapareceu na história.

Os crimes desta romena são interessantes porque nos mostram a prática generalizada de envenenamentos de maridos por mulheres naquela região da Europa. Desta maneira fica fácil entender o caso Nagyrév. E mais uma vez, Nagyrév fica a um pulo de Pecica. Poderia a velha Zsuzsanna Fazekas, a grã-mestre dos assassinatos em série de Nagyrév ter vindo de Pecica? Ter ouvido falar de Hevesy? Historiadores e pesquisadores não sabem a origem de Fazekas, apenas que um belo dia ela apareceu em Nagyrév. Seria ela uma assassina vinda de Miercurea Sibiuluim, Pecica, Bingula ou Srbobran?

Um único texto sobre Marie Hevesy foi reproduzido em vários jornais da época, como no australiano The Argus. Data: 25 de março de 1895.

Um único texto sobre Marie Hevesy foi reproduzido em vários jornais da época, como no australiano The Argus. Data: 23 de março de 1895.

Maria Azalai Jagerhungria


Hódmezővásárhely, Hungria | 1897

“Um dos mais sensacionais julgamentos do século terminou na Hungria. Sete pessoas foram acusadas de crimes monstruosos.”

[Poisoned for Insurance Money –Awful Crimes In Hungary – The New York Tribune. 21 de Agosto de 1897]

“As vítimas eram, na maioria dos casos, homens casados que eram assassinados por suas esposas. Os motivos dos crimes, geralmente, era o desejo de obter o seguro de vida.”

[End of Sensational Poisoning Cases at Budapest – Newark Daily Advocate. 24 de Julho de 1897]

Se surgiu o interesse no leitor de fazer um mochilão pelos destinos sombrios deste post, começando por Pecica e depois indo até Nagyrév, eu sugiro dar uma parada no meio do caminho para conhecer uma cidade de nome impronunciável mas igualmente sombria: Hódmezővásárhely. Pernoitando em Pecica, você poderá sair de manhã e dirigir de carro até Hódmezővásárhely, onde desfrutará de um delicioso café da manhã. Após ver o que a cidade tem de bom, e se quiser almoçar na vizinha Nagyrév, é só dirigir mais uma hora de carro, em direção ao norte. Essas três cidadezinhas ficam a míseras duas horas de distância de uma extremidade a outra, com  Hódmezővásárhely no meio delas. 

O que une esses três lugares não é apenas a curta distância, mas também uma horda de serial killers mulheres que levaram à morte centenas de pessoas, a maioria homens. Não dá para acreditar em coincidência, os Sindicatos de Matadoras de Maridos estavam ligados uns aos outros através de suas serial killers. Quem teria sido o elo de ligação entre esses inúmeros “sindicatos” isso nunca saberemos. 

A proximidade entre as três cidades se vê no mapa. Ao sul Pecica, cidade romena na fronteira com a Hungria. Ao norte Nagyrév. E no meio delas Hódmezővásárhely, palco de centenas de assassinatos em série no final do século 19. Foto: Google Maps.

A proximidade entre as três cidades se vê no mapa. Ao sul Pecica, cidade romena na fronteira com a Hungria. Ao norte Nagyrév. E no meio delas Hódmezővásárhely, palco de centenas de assassinatos em série no final do século 19. Foto: Google Maps.

“Feiticeira do Veneno” – esse foi o apelido dado pela mídia da época à assustadora serial killer húngara Maria Alazai Jager (Jáger Mari, no húngaro). A camponesa de aparência comum e frágil, tinha a estatura baixa, 1.52m, 62 anos, era “gorda. Seu rosto é duro, mas não repulsivo. Seu rosto expressa notável determinação. Os pequenos olhos são duros e cruéis.” Mas por debaixo de seu rosto não repulsivo, havia uma mulher capaz de “enfraquecer as sensibilidades [de outras mulheres]…tendendo a torná-las indiferentes ao valor da vida humana.”

Alazai Jager tinha uma “inteligência notável“, mas não tinha estudo. Ela não podia ler nem escrever. Ainda assim, ela destoa da maioria das envenenadoras em série de seu tempo pela capacidade de fabricar o próprio veneno e, claro, ter sido capaz de escapar impune por décadas e décadas.

Uma típica mulher húngara de seu tempo, Alazai Jager casou-se muito cedo e teve uma filha. O marido morreu, provavelmente envenenado por ela, então ela se virou para uma profissão comum naqueles tempos: parteira. Entretanto, naqueles tempos de pobreza, ela percebeu que muitas mulheres não tinham o desejo de dar à luz, então, de parteira, ela passou à prática do aborto. Um de seus apelidos, “aborteira alemã”, indica todo o desgosto de seus conterrâneos para com ela – uma mulher que não possuía licença do governo para realizar partos, que não tinha cursos ou conhecimentos de enfermagem. Tão grande era o ódio nacional húngaro na época para com qualquer coisa alemã que chamar alguém de “alemão” ou “alemã” era o mais horrível dos xingamentos.

Destruindo Crianças


Crianças que não eram bem vindas ao mundo viviam muito pouco quando Azalai Jager era chamada. A “mania de matar” cresceu gradualmente em sua alma diabólica. Quantas vidas de crianças ela destruiu é impossível determinar. Ela mesmo, em suas confissões à polícia e durante o julgamento, disse não ter a mínima ideia. Por vinte anos ela atuou em partos e abortos, e foi estudando métodos para matar bebês que ela descobriu o veneno.

Azalai Jager passou a preparar suas próprias misturas com materiais que ela encontrava em beiras de estradas. Apaixonada pela química, ela parou de matar bebês, abandonando completamente o mercado de abortos. Ela montou um laboratório no porão do seu casebre, e logo percebeu que o mercado de venenos era muito mais interessante do que o de partos ou abortos. Clientes não faltavam. Estranhamente, naqueles tempos, tirar a vida de um bebê indesejado não era visto como algo tão grave, digo isso porque a reputação de aborteira de Azalai Jager era conhecida na região e ninguém nunca a delatou às autoridades. Portanto, também não é de se estranhar quando pessoas começaram a procurá-la para tirar pessoas bem maiores do que bebês do caminho.

Começou com esposas que queriam se livrar de seus maridos, mas logo o nicho foi expandido para maridos que também queriam se livrar de suas esposas ou de parentes; filhos ou netos que queriam receber a herança mais cedo; vizinhos que não iam com a cara do outro etc. Era só procurar a “Feiticeira do Veneno”, aquela bruxa velha que produzia poções mágicas e letais. Para muitas clientes mulheres, era mais fácil, rápido e barato do que encarar um tribunal de divórcio, por exemplo. E os maridos inconvenientes não davam motivos para se divorciar. Com o tempo, sua fama se espalhou, e Azalai Jager passou a ser procurada por mulheres de vários vilarejos adjacentes.

Ela usava três tipos de venenos: beladona, arsênico e cloreto de mercúrio.

A beladona é uma das plantas mais tóxicas encontradas no hemisfério oriental. A ingestão de apenas uma folha pode ser fatal para um adulto, embora a toxicidade possa variar em função do estado vegetativo da planta, da sua idade e de fatores genéticos e ambientais. A raiz da planta é geralmente a parte mais tóxica. Azalai cultivava beladona em sua horta particular, de modo a ter estoque para o ano inteiro. De sua janela ela olhava a sombra mortífera da planta crescendo aos seus olhos. Já o arsênico era um produto onipresente na Europa do século 19. Os minérios de níquel e as montanhas de Hartz na Alemanha produziam quantidades gigantescas do veneno que era distribuído por todo o continente. O metal podia ser adquirido em qualquer lugar, todos tinham, estava ao alcance de qualquer um. O veneno ativo, ácido arsenioso, é bastante simples de ser fabricado. Da mesma forma, o mercúrio era outro metal de fácil alcance. O custo para preparar os venenos era mínimo, centavos, já o preço de venda…lucro.

Uma extensa reportagem do jornal The World, de 11 de julho de 1897, revela que Azalai Jager não pensou inicialmente na montanha de dinheiro que poderia ganhar. Ela era má. Só queria matar. E gostava de ajudar conhecidas nesta tarefa. Ela era uma mulher simples, não precisava de muito para viver, então dinheiro não era o objetivo principal.

O Sindicato


Azalai era uma envenenadora hábil. Nenhuma de suas vítimas morria de repente. Isso ela adquiriu da experiência. Mortes súbitas atraíam atenção, o negócio tinha que ser lento.

Azalai viveu a vida inteira em Hódmezővásárhely e conhecia cada pessoa da cidade. Quando alguém era selecionado como alvo, Azalai se tornava o árbitro do destino do infeliz. Ela não tinha compaixão ou piedade, e o fato dela conhecer cada pessoa da cidade mostra o seu nível de sadismo. Cada pessoa exigia uma preparação diferente. Uma mulher doente exigia uma quantidade muito menor de veneno do que um homem saudável e musculoso. Uma vez que a vítima era determinada, Azalai calculava com a precisão de um engenheiro o tempo em que ela estaria morta. A feiticeira do veneno prolongava ou interrompia o sofrimento de suas vítimas como bem entendesse.

Sua grande dificuldade era lidar com a pressa de parte de seus clientes. Uma mulher jovem casada com um homem mais velho, por exemplo, não tinha muita paciência em esperar para colocar as mãos nos bens e assumir um romance com o vizinho bonitão. Em sua ansiedade para matar, muitos clientes administravam uma grande dose de veneno de uma só vez. Azalai instruía a quantidade exata, “coloque no café”, dizia ela.

“Ano após ano, essa mulher macabra, que morava sozinha em sua casa, destilava venenos e os vendia. Quando ela saía da cidade, era para dar uma olhada naqueles que ela havia condenado à morte…A visão das criaturas atormentadas pela dor chegando ao seu fim a enchia de um horrível prazer. Seus sofrimentos eram música para sua alma. Ela assistia a todos eles, desde o momento em que o veneno foi administrado pela primeira vez até o momento da morte vir e levá-los embora. Ela olhava para eles com calma, sem expressão de interesse. Mas internamente ela estava em um tumulto de terrível êxtase. Essa era a sua maior alegria – ver o veneno agarrando os sinais vitais dos condenados. Ela assistia às lutas deles pela vida, e um júbilo feroz e horrível a possuiu.”

[A Woman Who Has Poisoned More Than 100 People – The World]

Em 11 de julho de 1897 o jornal americano The World publicou uma extensa reportagem sobre a serial killer Azalai Jager. "Uma mulher que envenenou mais de 100 pessoas. Uma parteira húngara que praticou o assassinato como uma arte fina. Incapaz de ler ou escrever, ela se encantou pelo assassinato lento por veneno," diz a reportagem. Foto: The World.

Em 11 de julho de 1897 o jornal americano The World publicou uma extensa reportagem sobre a serial killer Azalai Jager. “Uma mulher que envenenou mais de 100 pessoas. Uma parteira húngara que praticou o assassinato como uma arte fina. Incapaz de ler ou escrever, ela se encantou pelo assassinato lento por veneno,” diz a reportagem. Foto: The World.

Com o tempo, Azalai organizou um grupo de envenenadores – três homens e duas mulheres. Mas diferentemente da feiticeira do veneno, estes estavam interessados no dinheiro. E o dinheiro foi a sua ruína. A morte tornou-se um negócio a partir do momento que as vidas daqueles marcados passaram a ser seguradas. Imediatamente o negócio trouxe altos lucros e, inevitavelmente, sua alegria em matar aumentou.

Mas a adição do componente dinheiro foi a ruína de Azalai e seu sindicato. Enquanto eles matavam camponeses pobres por sadismo, inveja, ciúme ou o que quer que seja, ninguém se importou. Agora, com tantas mortes misteriosas seguradas em vida, as seguradoras desconfiaram. Elas estavam perdendo dinheiro.

Matando pelo seguro de vida


Alertados por seguradoras, as autoridades húngaras finalmente iniciaram uma investigação. Nesse ponto, o sindicato liderado por Azalai Jager tornara-se tão ganancioso e desumano que estava matando os próprios membros da família pelo seguro de vida. Cada membro do sindicato matou alguém da família, uma mulher envenenou os próprios pais.

Detetives chegaram a Hódmezővásárhely e passaram a andar entre os camponeses. Meses se passaram até finalmente eles conseguirem rastrear de onde vinha tantos cadáveres.

JUNHO DE 1897: Investigando a morte misteriosa de um camponês do vilarejo, funcionário de uma mulher chamada Juliana Kotl, os detetives descobriram veneno na despensa. Todos na casa foram interrogados e os homens da lei começaram a suspeitar dos outros funcionários da madame. Eles haviam feito um seguro de vida em nome do falecido e logo confessaram o envenenamento, afirmando ter comprado arsênico de um homem chamado Gulyas Kis-Samuel – um dos braços direito de Azalai Jager.

Sete pessoas foram presas, incluindo Azalai, e levadas até Budapeste. Segundo relatos da época, a feiticeira do veneno mostrou uma alegria horrível ao relembrar seus crimes. Ela não podia dizer ao certo quantas pessoas matou, mas em mais de 30 anos de carreira, foram mais de 100 certamente.

Azalai Jager em foto durante o seu julgamento. Foto: Delmagyar.

Azalai Jager em foto durante o seu julgamento. Foto: Delmagyar.

Frau Czorduz foi condenada a morte – ela assassinou pelo menos quatro pessoas; um homem identificado como Horvath matou a família inteira e também foi condenado a morte; o mesmo destino teve a feiticeira do veneno. Nomes de outros membros do sindicato não aparecem nas reportagens da época. 

O que aconteceu a Azalai Jager não se sabe. O interesse da mídia desapareceu com o fim de seu julgamento e não há qualquer citação sobre ela após 1897.

Outros Casos


SérviaNome: Persa Czirin

Ano: 1886

Local: Pančevo, Sérvia

Crimes: O único texto sobrevivente do caso Persa Czirin revela que “algum tempo atrás o correspondente húngaro do Standard reportou um grande número de prisões feitas em certas vilas do Sul da Hungria, habitadas principalmente por sérvios e romenos. As evidências mostraram que uma epidemia em larga escala de envenenamento eclodiu entre as mulheres do lugar, que administravam arsênico aos seus maridos…“. Os assassinatos em série teriam sido descobertos em meados de 1886 e um julgamento condenou uma das assassinas, Draga Radovancey, à morte. “Uma velha camponesa, Persa Czirin, que fornecia o veneno, foi inocentada por falta de provas“, atestou uma publicação do Southland Times de 14 de junho de 1886.

CroáciaNome: desconhecido – conhecida como a “Envenenadora de Aingula”

Ano: 1887

Local: Srijem, Croácia

Crimes: Em novembro de 1887, “sete jovens viúvas da vila de Aingula e uma velha viúva, que preparava os venenos e vendia para elas, foram presas” em uma remota região da Croácia. Os crimes da Envenenadora de Aingula foram descobertos após vários homens jovens e recém casados morrerem repentinamente. As mortes, todas ocorridas logo após o casamento, chamaram a atenção das autoridades que decidiram investigar. As autoridades descobriram que “uma mulher idosa” arquitetou um plano diabólico para enriquecer: convenceu garotas jovens e bonitas a se casarem com fazendeiros da região; elas, então, os envenenariam e dividiriam o espólio do falecido. “Não foi dito que tipo de veneno foi usado por essa assassina em larga escala, mas a triste história relembra nomes de envenenadoras femininas conhecidas, como Borgia, Brinvilliers e Tofana“, disse o australiano The Record em 24 de dezembro de 1887.

RomêniaNome: Marie Nikodem & Lisa Triku

Ano: 1899:

Local: Jebel, Romênia

Crimes: Onze mulheres e três homens foram levados a julgamento no ano de 1899 na Romênia por envenenamentos em série. O que destoa este da maioria dos casos envolvendo “empreendedoras do veneno” é que o instigador de tudo foi um homem, George Korin, um farmacêutico local. Para encobrir as mortes, o farmacêutico contava com a cumplicidade do médico da região, Dr. Johann Mayer. Ele emitia certidões de óbito falsas; homens que eram assassinados por suas esposas morriam de “causas naturais”, segundo o médico. “Korin conhecia os segredos de família de todos e as mulheres camponesas, principalmente, eram ingênuas. Ele aprendeu a como tentar uma jovem esposa camponesa, que pouco se importava com o marido, a fazer um seguro de vida para o marido e livrar-se dele de maneira sumária e desavisada“. Se Korin descobrisse que uma mulher casada tinha um amante, ele logo a convenceria a usar seu pó mágico. E assim o cemitério da pequena vila de Jebel ia enchendo. Quando Frau Lisa Triku enterrou seu quarto marido, as autoridades desconfiaram. Dezesseis corpos foram exumados e em todos foram encontrados níveis de arsênico que davam para matar dois homens. Das 12 assassinas presas, duas cometeram suicídio: Jeanette Gaga, 20, e Icenia Diminetzku, uma “linda e jovem mulher“. Marie Nikodem [Mikodam, em algumas fontes] envenenou dois maridos. As duas serial killer foram condenadas a prisão perpétua. Já o farmacêutico, que matou sua esposa para ficar com o seguro de vida, pegou 15 anos de prisão. John Mayer, que também deu cabo de uma amante, foi absolvido. “A sentença leve recebida pelo farmacêutico é a mais surpreendente de todas. Ficou provado, no decorrer do julgamento, que ele fornecia arsênico para todas as mulheres envenenadoras, sabendo para o que seria usado,” escreveu o jornal americano The Centralia Enterprise and Tribune em 22 de julho de 1899.

envenenadoras em série

Os doze réus do caso romeno em Jebel. Imagem publicada no New York Journal em 18 de julho de 1899.

RomêniaNome: Nikola Bettuz

Ano: 1900

Local: Chisoda, Romênia [cidade apenas 78 quilômetros ao sul de Pecica]

Crimes: por mais de três anos, homens jovens e fortes morreram misteriosamente no vilarejo romeno de Chisoda. Ali também havia um sindicato de mulheres serial killers que mataram pelo menos 40 homens. “A instigadora de todos esses crimes hediondos é Nikola Bettuz, a vidente da cidade que vendia o veneno com a qual os assassinatos foram cometidos. Até agora, a polícia exumou quarenta corpos e o químico do governo encontrou em cada um traços de um veneno específico,” escreveu o Fort Wayne Sentinel em 20 de outubro de 1900.

hungriaNome: Balapa (algumas fontes citam Valapa)

Ano: 1905

Local: Hódmezővásárhely, Hungria

Crimes: os assassinatos em série por envenenamento na cidade húngara de Hódmezővásárhely não cessaram com a prisão da feiticeira do veneno Maria Azalai Jager. Ela deixou discípulas. (Isso também mostra que a polícia não prendeu todas as assassinas em 1897). Uma dessas discípulas atende pelo nome de Balapa. Como sua concidadã Azalai Jager, Balapa era uma aborteira que foi acusada de matar pelo menos 20 bebês e participar no assassinato de seis homens. Neste último caso, ela teria fornecido o arsênico às esposas. “A polícia visitou uma feiticeira de reputação chamada Balapa para prendê-la. Quando Balapa ficou sabendo que estava sendo procurada, engoliu uma quantidade de veneno, mas se recuperou após um antídoto ser administrado“, escreveu o The Daily News em 10 de julho de 1905.

Dezenas de outros casos envolvendo “sindicatos de matadoras de maridos” ocorreram durante os séculos 19 e 20. Neste post expomos alguns ocorridos entre 1882 e 1905. Por quê este tipo de crime era tão comum naqueles tempos é uma questão em aberto. Certo mesmo é que mais de 100 anos depois estas mulheres e suas vítimas estão completamente esquecidas. 

Mais sobre esta série:

Fontes consultadas: [1] The Wholesale Poisonings in Hungary – Lloyd’s Weekly Newspaper. 3 de Dezembro de 1882; [2] Hanged for Many Murders – London Daily News. 21 de Dezembro de 1882; [3] A Wholesale Murderess – The Camperdown Chronicle. 7 de Fevereiro de 1883; [4] HUSBAND POISONERS – Mid-Surrey Times. 5 de Julho de 1890, página 8; [5] Sem Título – Northern Argus. 15 de Agosto de 1890, página 3; [6] Fifty Women Prisoners – The New York Times. 13 de Julho de 1890, página 4; [7] Professional Poisoners – New Zealand Herald. 17 de Outubro de 1891; [8] Wholesale Poisoning In Hungary – The New Zealand Herald. 16 de Julho de 1892; [9] Killing off Husbands – The Argus. 23 de Março de 1895; [10] Méregkeverő Vásárhelyen: ismerjék meg a rettenetes Jáger Marit, akit nem is így hívtak – Del Magyar; [11] A Woman Who Has Poisoned More Than 100 People – The World. 11 de Julho de 1897, página 29; [12] Slay Their Husbands – In Hungary Wives Tired of  Their Spouses Kill Them by Using a Mysterious Poison – Fort Wayne Sentinel. 20 de Outubro de 1900, página 1; [13] Town Talk – The Record. 24 de Dezembro de 1887; [14] Poisoning Mania – The Maitland Mercury & Hunter River General Advertiser. 27 de Dezembro de 1883, página 3; [15] Wholesale Poisoning of Husbands – Southland Times. 14 de Junho de 1886; [16] Pity for twelve proved poisoners – New York journal. 18 de Julho de 1899; [16] A Witch Poisoner – The Daily News. 10 de Julho de 1905;

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http://www.darksidebooks.com.br/category/crime-scene/

Com colaboração de:


Rochele Kothe
Revisão – Psicóloga Forense

Mikaelly Silva
Ilustração Kathi Lyukas, Eva Sarac e Makrena Stankovic – Desenhista

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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
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