Albert Pierrepoint executou de monstros nazistas a serial killers, agora os objetos do mais famoso carrasco inglês irão a leilão

Espera-se que um diário detalhando centenas de execuções arremate milhares de libras quando for colocado sob o martelo. O livro de execução do carrasco mais famoso da Grã-Bretanha será...

Os objetos do mais famoso carrasco inglês irão a leilão no próximo dia 5 de junho em Londres. Foto: Boldon Auction Galleries Limited.

Espera-se que um diário detalhando centenas de execuções arremate milhares de libras quando for colocado sob o martelo. O livro de execução do carrasco mais famoso da Grã-Bretanha será leiloado em Tyneside, no Reino Unido.

Ele está entre uma coleção de itens pertencentes a Albert Pierrepoint, que será vendida em 5 de junho na Boldon Auction Galleries, com uma estimativa de £ 20.000 a £ 25.000. Os itens pertencem a um colecionador que deseja permanecer anônimo.

Albert Pierrepoint executou aproximadamente 600 pessoas em uma carreira de 25 anos que terminou em 1956. A coleção inclui seu diário que lista as execuções realizadas com detalhes, o molde de gesso do rosto e das mãos de Albert Pierrepoint, fotografias, documentos e seu relógio-corrente.

A venda também inclui o diário de seu pai,  Henry Pierrepoint. O pai de Albert, Henry, e seu tio, Tom, também foram carrascos antes dele.

O relógio-corrente de prata foi usado por Albert, Henry e Thomas em centenas de execuções entre 1900 e 1956.

O diário de anotações do carrasco britânico Albert Pierrepoint listando suas execuções. Foto: Chronicle Evening.

O diário contêm os nomes e idades de cada pessoa que ele executou juntamente com a altura e peso.

Somente na Alemanha e Áustria, Albert enforcou 200 pessoas condenadas por crimes de guerra. Ele também terminou com a vida de vários assassinos conhecidos – incluindo os serial killers Gordon Cummins, o “Estripador do Blackout”, John Haigh, “O Assassino do Banho de Ácido” e John Christie, “O Estrangulador de Rillington Place”. Também realizou várias execuções controversas, incluindo a de Timothy Evans, Derek Bentley e Ruth Ellis – a última mulher a ser enforcada na Inglaterra – e a de William Joyce, o Lorde Haw-Haw da Segunda Guerra.

O livro de execução de Henry Pierrepoint, pai de Albert, lista 434 mortes e contêm detalhes pessoais dos enforcados, incluindo nome, idade, altura, peso do prisioneiro e local de execução, além de detalhes acerca da estrutura física dos prisioneiros e calibre de seus pescoços;  “Corpo muito pesado, pescoço comum, careca…”, “pescoço muito fino, pouco flácido“. Um charuto de âmbar e marfim, com estojo forrado de veludo prateado,que também pertencia Henry Pierrepoint está incluso na venda.

Documentos e fotografias incluem o “Memorando de Condições que qualquer Executor deve seguir“, uma carta de agradecimento do Ministério da Guerra, escrita pelo tenente-coronel J.R.H. Robertson, referindo-se ao enforcamento de três homens em uma área isolada do deserto egípcio, fotografias da família Pierrepoint, Robert Fabian (Fabian of the Yard) e John Ellis (carrasco) e um exemplar do jornal Sunday Pictorial, de 13 de maio de 1945, com um artigo sobre John Amery, um fascista britânico pró-nazista enforcado por Albert Pierrepoint.

O diretor da Boldon Auction Galleries, Giles Hodges, disse: “Este é o conjunto mais fascinante de itens que eu já vendi. Não vou ver nada parecido novamente. Ele fornece uma visão notável sobre o papel do carrasco.”  

Quando saiu da escola, Albert Pierrepoint já tinha em mente o que queria ser quando crescer: “Gostaria de ser um carrasco público como meu pai, porque é preciso de um homem firme e com boas mãos para fazer o trabalho, igual meu pai e tio Tom“, comentou.

Tom Pierrepoint e seu sobrinho Albert Pierrepoint. Foto: Chronicle Evening.

Em dezembro de 1932, Albert Pierrepoint realizou sua primeira execução como assistente de seu tio. Eles viajaram até a prisão de Mountjoy, em Dublin, Irlanda, para o enforcamento de Patrick McDermott, um fazendeiro que havia assassinado o próprio irmão.

Em outubro de 1941, Pierrepoint realizou sua primeira tarefa como executor principal quando enforcou o assassino Antonio “Babe” Mancini.

Chegando no dia anterior à execução, foi-lhe dito a altura e o peso do prisioneiro e Albert viu o condenado através do “buraco de Judas”, na porta, para julgar sua constituição física. Pierrepoint, então, foi até a sala de execução para testar o equipamento usando um saco que pesava aproximadamente o mesmo que o prisioneiro e calculou a duração da queda usando a “Tabela de Gotas Domésticas”.

No dia da execução, Pierrepoint, seu assistente e dois agentes penitenciários, entraram na cela do condenado às oito horas da manhã. Pierrepoint puxou os braços do homem para trás com uma correia de couro, e todos os cinco caminharam para uma segunda porta, que levava à câmara de execução.  O prisioneiro foi levado a um lugar no alçapão onde Pierrepoint colocou um capuz branco sobre a sua cabeça e uma corda em volta do pescoço.

O olho de metal através do qual a corda estava presa foi colocado sob o maxilar esquerdo que, quando o prisioneiro caiu, forçou a cabeça para trás e quebrou a espinha. Pierrepoint empurrou uma alavanca, soltando o alçapão.

Após a Segunda Guerra Mundial, Pierreopint foi nomeado tenente-coronel honorário pela execução de 200 criminosos de guerra entre 1945 e 1949, em Hamelin, Alemanha e Graz, na Áustria, com uma taxa de mais de 10 pessoas executadas por dia.

Entre os executados estavam o comandante de campos de concentração Josef Kramer, a “Besta de Belsen”, Irma Grese, a “Cadela de Auschwitz”, que com 22 anos foi a mais jovem guarda de campo de concentração a ser executada por crimes em Bergen-Belsen e Auschwitz, e Bruno Tesch, co-inventor do inseticida Zyklon B usado no Holocausto para matar mais de seis milhões de pessoas.

Timothy Evans, executado injustamente por um crime, e Derek Bentley, enforcado pelo assassinato de um policial, estão na lista de execuções controversas de Pierrepoint.

Na época foi sugerido que o assassinato foi cometido por um amigo e cúmplice da Bentley. Seguiu-se uma campanha nos 45 anos seguintes para dar a Derek Bentley um perdão póstumo, concedido em 1993, e, posteriormente, mais uma campanha para a anulação de sua condenação por assassinato, ocorrida em 1998.

Albert Pierrepoint morreu em 1992.

Os mais famosos


Nome: Gordon Frederick Cummins

Nacionalidade: inglês

Data de Execução: 25 de Junho de 1942

Em Londres para um treinamento da Força Aérea Real, o recruta Gordon Cummins aproveitou do blecaute noturno da cidade para atacar seis mulheres, matando quatro delas. Os ataques ocorreram em apenas seis dias (9 a 14 de fevereiro de 1942). As vítimas foram mutiladas de tal forma que o médico legista comentou que o assassino era “um selvagem maníaco sexual“. Cummins foi executado por Albert Pierrepoint na Prisão de Wandsworth durante um ataque aéreo nazista. Cummins permanece um suspeito em outros assassinatos de mulheres ocorridos durante o blecaute em outubro de 1941.

Nome: Josef Kramer

Nacionalidade: alemã

Data de Execução: 13 de Dezembro de 1945

Com uma carreira “meteórica”, Josef Kramer subiu de cabo a comandante supremo de campos de concentração em sete anos. Em 8 de maio de 1944, se tornou o comandante de Auschwitz II-Birkenau, permanecendo seis meses no cargo. Lá, participou ativamente da seleção de prisioneiros para as câmaras de gás. Depois, foi transferido para Bergen Belsen, onde recebeu o apelido de “A Besta de Belsen”, permanecendo por lá, não fugindo, quando as tropas britânicas chegaram. Ele até levou os britânicos por uma tour pelo campo, mostrando corpos apodrecendo e ratos atacando prisioneiros que agonizavam devido à inanição. Julgado por uma corte militar britânica, ele foi considerado culpado de crimes de guerra e sentenciado à morte. Albert Pierrepoint o enforcou na prisão de Hamelin.

Nome: Irma Ida Ilse Grese

Nacionalidade: alemã

Data de Execução: 13 de Dezembro de 1945

Obcecada por Hitler e o Nazismo desde a adolescência, a “Cadela de Auschwitz” rapidamente galgou posições se tornando uma guarda da SS nos campos de concentração de Ravensbrück, Auschwitz e Bergen-Belsen. Foi amante do Anjo da Morte Josef Mengele e Josef Kramer. Anos antes de Ed Gein esfolar cadáveres para fazer abajures, Irma Grese fez o mesmo com as peles de três prisioneiras. Em seu julgamento, testemunhas contaram do seu sadismo extremo, espancando, atirando aleatoriamente ou soltando cachorros famintos em prisioneiros. Ela carregava sempre uma pistola e um chicote, que usou para açoitar até a morte mulheres. Condenada no mesmo julgamento de seu amante Kramer, foi enforcada também no mesmo dia por Albert Pierrepoint. “Rápido com isso“, foram suas últimas palavras.

Nome: William Brooke Joyce

Nacionalidade: norte-americano

Data de Execução: 3 de Janeiro de 1946

Americano de nascimento, William Joyce foi um entusiasta do fascismo e difusor da propaganda nazista na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Sua rádio situada na cidade alemã de Apen era ouvida por milhões de pessoas, 18 milhões só no Reino Unido. Em suas transmissões, ele exaltava Hitler e insistia para que os britânicos se rendessem. No dia do suicídio de Hitler, Joyce fez sua última transmissão e um mês depois foi preso por tropas britânicas na fronteira com a Dinamarca. Julgado em Old Bailey, Londres, foi condenado por traição e enforcado por Albert Pierrepoint.

Nome: Bruno Emil Tesch

Nacionalidade: alemã

Data da Execução: 16 de Maio de 1946

Químico e empresário, inventou o inseticida Zyklon B. juntamente com Gerhard Peters e Walter Heerdt. Em 1924 fundou a Tesch & Stabenow, uma empresa de controle de pragas. No final da Segunda Guerra Mundial, os soviéticos encontraram milhares de latas vazias que os nazistas usaram para armazenar o Zyklon B. Preso, Tesch foi acusado de fabricar e vender o inseticida usado para matar “quatro milhões e meio de pessoas por meio do Zyklon B no campo conhecido como Auschwitz/Birkenau“. Condenado, ele foi executado por Albert Pierrepoint na prisão de Hamelin.

Nome: John George Haigh

Nacionalidade: inglês

Data de Execução: 10 de Agosto de 1949

Jeffrey Dahmer não foi o primeiro serial killer a dissolver suas vítimas em um galão de ácido. Quarenta e seis anos antes, o inglês John Haigh assassinou e dissolveu em ácido sulfúrico os corpos de seis pessoas. Ele confessou no total nove assassinatos. O motivo dos crimes era financeiro. Após matar, ele forjava documentos das vítimas e vendia seus bens. Logo torrava o dinheiro e partia em busca da próxima presa. Ele foi executado por Albert Pierrepoint na prisão de Wandsworth. “Fratura da segunda e terceira vértebras cervicais… Laceração completa da medula espinhal“, escreveu o carrasco em suas anotações. 

Nome: Timothy John Evans

Nacionalidade: galês

Data de Execução: 9 de Março de 1950

Albert Pierrepoint executou um homem inocente em 9 de Março de 1950. Timothy Evans foi acusado do assassinato de sua esposa e filha na sombria 10 Rillington Place, em Notting Hill, Londres. Durante o seu julgamento, ele acusou o seu vizinho do andar de baixo, um certo John Christie, pelos assassinatos. Testemunha usada pelo promotor, Christie negou tudo com um sarcástico sorriso no rosto. O júri acreditou em Christie e Evans foi executado. Três anos depois, a polícia descobriu que John Christie era um terrível serial killer. O psicopata confessou ter matado a esposa e filha de Timothy, além da própria esposa e várias outras mulheres. Em 1966, Timothy Evans recebeu o perdão póstumo. Seu caso contribuiu para a abolição da pena de morte na Grã-Bretanha.

Nome: John Reginald Halliday Christie

Nacionalidade: inglês

Data de Execução: 15 de Julho de 1953

Um dos mais famosos serial killers da Inglaterra, sua história inspirou o ótimo filme “10 Rillington Place” com John Hurt. Psicopata sádico, o necrófilo John Christie assassinou pelo menos oito pessoas em seu apartamento na 10 Rillington Place, Notting Hill, Londres. Seus assassinatos doentios foram cometidos entre 1943 e 1953. Ele estuprava, queimava e estrangulava mulheres que atraia para sua casa. Algumas vítimas foram enterradas no jardim enquanto outras escondidas dentro da parede da cozinha. Antes de sua execução, Christie reclamou que seu nariz coçava. “Fique tranquilo, isso não irá mais incomodá-lo“, disse o carrasco Albert Pierrepoint.

Nome: Ruth Ellis

Nacionalidade: galesa

Data de Execução: 13 de Julho de 1955

Famosa modelo e gerente de boate em Londres, Ruth Ellis viveu uma vida atribulada com vários amantes e gestações. Os homens que surgiam em sua vida, apesar de endinheirados, não eram os melhores partidos. David Blakely foi um deles. Eles viveram um relacionamento aberto e tempestuoso por dois anos. Agressões verbais e físicas vinham de ambos os lados até que ela o matou com cinco tiros após David a ignorar em um encontro. Albert Pierrepoint a enforcou em 12 segundos e seu corpo ficou dependurado na corda por uma hora. Até hoje, a sentença imposta a Ruth Ellis é uma das mais controversas da história judicial britânica.

Fonte consultada: Notebook of executioner who hanged Nazi war criminals and serial killers up for auction – The Evening Chronicle;

Universo DarkSide – os melhores livros sobre serial killers e psicopatas

http://www.darksidebooks.com.br/category/crime-scene/

Colaboração de:


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