O Bar Luva Dourada: leitores do Aprendiz Verde contam o que acharam do filme sobre o serial killer Fritz Honka

O Bar Luva Dourada, filme alemão que conta a história do serial killer Fritz Honka e que está em cartaz em 11 cidades brasileiras, teve pré-estréia em São Paulo...

O Bar Luva Dourada, filme alemão que conta a história do serial killer Fritz Honka e que está em cartaz em 11 cidades brasileiras, teve pré-estréia em São Paulo no último dia 16. Além da exibição do filme, o evento contou com um bate-papo com a criminóloga Ilana Casoy e o escritor Santiago Nazarian.

Leitores do Aprendiz Verde estiveram na pré-estréia e escrevem abaixo o que acharam.

Daphne Toledo


A première do filme “O Bar Luva Dourada” foi um evento memorável. Além da oportunidade de assistir à película em primeira mão nos cinemas brasileiros, os espectadores ali presentes também tiveram outras regalias: um sorteio de livros da sinistra e formidável DarkSide, bate papo ao final da sessão com os ilustres Ilana Casoy e Santiago Nazarian (convidados escolhidos à dedo para complementarem a temática apresentada pelo filme e fechar a noite com chave de ouro), e até mesmo a possibilidade de participar de uma dinâmica interessantíssima, na qual uma câmera estrategicamente posicionada na sala de cinema gravaria o comportamento das pessoas diante de cada cena aterrorizante, para que depois as “melhores reações” fossem editadas num vídeo de divulgação.

O filme é biográfico e resgata parte da história de Fritz Honka, um serial killer alemão que agiu em Hamburgo entre os anos de 1970 e 1975. Fritz não foi um assassino que matou em larga escala, mas o que chamou a atenção em seus crimes foi seu modus operandi, já que ele escolhia mulheres idosas, normalmente acima do peso, que se prostituíam em troca de ninharias e que se encontravam em situações de extrema vulnerabilidade por razões diversas: carência, alcoolismo, solidão, falta de dinheiro e depressão. Numa Alemanha pós guerra, que ainda se reerguia cheia de sequelas, essas pessoas estavam esquecidas pela família, amigos e por todos, mas ainda encontravam consolo e acolhimento nas mesas do “Bar Luva Dourada”, onde se reuniam catatônicamente numa espécie de estranho grupo de rejeitados pela sociedade.

Fritz também era um deles. Cifótico, desengonçado, com um forte estrabismo, dentes podres e aparentando atraso mental, ele se refugiava no Luva Dourada procurando suas vítimas enquanto bebia compulsivamente e interagia com outros velhos frequentadores conhecidos. Num trecho do filme, alguém pergunta ao dono do bar o motivo de as cortinas estarem sempre fechadas, inclusive durante o dia. Ele responde que se as pessoas vissem o Sol brilhando, não iam querer estar ali bebendo. Essa é uma cena que descreve bem a atmosfera sórdida e angustiante que sentimos na maior parte do tempo.

O assassino atraía prostitutas decadentes que ninguém sentiria falta, e que muitas vezes nem pareciam lembrar-se que eram seres humanos, ao seu minúsculo e fétido apartamento e atribuía o mau cheiro do local, de maneira xenofóbica, às comidas que os vizinhos gregos faziam, quando na verdade o odor era proveniente dos pedaços de corpos que ele guardava num compartimento escondido numa das paredes. Na maioria das vezes, essas mulheres chegavam até lá indefesas e rendiam-se mecanicamente obedecendo seu senhor, porém, outras vezes negavam-se a fazer o que lhes era ordenado, resistiam ou faziam chacota da impotência sexual de Honka, e isso era o que faria a diferença entre a vida e a morte de cada uma delas. Estavam à mercê dos fetiches bizarros e rompantes de raiva machista de um maníaco.

Daphne e seu marido Rogério na pré-estréia de Bar Luva Dourada em São Paulo. Foto: Daphne.

A fotografia e direção de arte estão propositalmente diferentes do estilo habitual do premiado diretor Fatih Akin, entretanto, ainda assim estão muito bem executadas e o trabalho espetacular de maquiagem feito em Jonas Dassler, no papel de Honka, agregou muito valor à sua atuação impecavelmente perturbadora. Os coadjuvantes também mandaram muito bem e realmente estavam alinhados com o clima sufocante que sentíamos em cada take. Olhares, expressões, gestos, tudo muito bem trabalhado. Intencionalmente apáticos, patéticos e grotescos.

O roteiro seguiu bem amarrado, porém é focado apenas no período de atividade de Fritz como matador, e isso fez com que sentíssemos falta de mais informações à respeito da vida dele e de entendermos o que colaborou com a construção de sua personalidade, trejeitos, traumas e paranoias. De acordo com o diretor, havia uma preocupação em não querer “humanizar’ demais o personagem ou justificar seus atos monstruosos, o que é compreensível, mas a não abordagem desses temas também faz com que haja a sensação de que falta algo e de que algumas coisas ficaram vagas.

São cenas fortes, mas muito mais no sentido de serem aflitivas e repulsivas, do que sangrentas e explícitas. Para quem está esperando um terror gore, pode se decepcionar um pouco, porque este é um filme cru, feio e bonito, sensível e brutal, tudo ao mesmo tempo. Mas uma coisa é certa, existe uma proposta de que seja o mais fiel possível. Não é apelativo, não busca aprovação ou sustentação em cenas carniceiras, mas ainda assim consegue ser fascinante. Alguns jump scares foram inseridos em momentos aleatórios, mas realmente, com exceção das mortes propriamente ditas, muitas vezes a perturbação e o incômodo que sentimos é bem mais psicológico do que físico.

Rogério, Ilana Casoy e Daphne. Após a sessão rolou um bate-papo com a criminóloga. Foto: Daphne.

O Bar Luva Dourada é muito mais do que um filme de serial killer, é um retrato da exclusão, uma crítica à sociedade que finge não enxergar, permitindo que pessoas sejam marginalizadas e vivam sem rumo num mundo miserável, excluídas de tudo e sem motivação alguma para se levantarem e seguirem em frente.

Logo após a sessão, tivemos o sorteio com os extraordinários livros da DarkSide e em seguida, o bate papo com Ilana Casoy e Santiago Nazarian, mediado por Flávia Guerra, fluiu de maneira descontraída, com muitas perguntas, debates inteligentes e comentários relevantes sobre o perfil de Fritz, aspectos técnicos do filme, lembranças de momentos e casos investigados por Ilana e opiniões pertinentes de Santiago. Foi muito bacana poder conversar com pessoas tão influentes e profissionais nessa área logo depois de termos absorvido a história de Fritz e ela estar tão fresca em nossa mente. A experiência toda foi riquíssima em entretenimento e conhecimento!

Luciano, leitor do Aprendiz Verde, e sua acompanhante na pré-estréia de Bar Luva Dourada. Foto: Luciano.

Mais opiniões


“Não é bonito, é sujo, sinais da época, mecanismos, gatilhos que te leva para essência, ainda que doentia, do serial killer.”

[Maiara Almeida]

“Eu achei bem interessante o filme, mas não achei tudo isso que falaram. Achei que retratou o lado louco e solitário dele do que o serial killer em si”.

[Livia Fanuchi]

“Achei leve. Pensei que fosse mais gore.”

[Daylane Silva]

“O filme conseguiu retratar muito bem os assassinatos, foi bem repulsivo. Pra quem não está acostumado a ler sobre serial killers seria algo traumatizante”.

[Luana]

“O filme é simplesmente macabro”.

[Juliano]

“Ele supera expectativas em muitos pontos importantes, traz uma violência bem crua. Em geral ele me lembrou (e muito ) ‘Henry – Retrato de um Assassino’ (1986) e ‘Dahmer – O Canibal de Milwaukee’ (1993). O filme mostra um universo de pessoas completamente bêbadas, drogadas, suicidas e tristes com a vida, e nesse cenário o Honka atua impunemente (porque, afinal, como muitos outros serial killers ele tem a vantagem de ninguém ligar pras vítimas dele). Ótimo filme!

[Matheus Oliveira]

Onde assistir


  • Belo Horizonte: Cine Belas Artes
  • Brasília: Espaço Itaú • Cine Cultura Liberty Mall
  • Curitiba: Cine Paseo
  • Goiânia: Cinemas Lumière – Banana Shopping
  • Londrina: Cinemas Lumière – Shopping Royal
  • Niterói: Reserva Cultural
  • Porto Alegre: Guion Center
  • Recife: Cinema da Fundação – Derby (pré-estreia 20/07)
  • Rio de Janeiro: Estação Net Rio • Cine Santa Teresa • Cine Casal Barra Point • Cine Joia
  • Salvador: Circuito Saladearte – Cinema UFBA (pré-estreia 20/07)
  • São Paulo: Reserva Cultural • Espaço Itaú Augusta

Universo DarkSide – os melhores livros sobre serial killers e psicopatas

http://www.darksidebooks.com.br/category/crime-scene/

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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
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