Luis Garavito: cientista forense que entrevistou assassino em série fala sobre sua mente

Durante anos, o “pior assassino em série do mundo” estuprou e massacrou centenas de crianças – deixando pilhas de corpos de cidade em cidade – sem que ninguém ligasse...

O serial killer Luis Garavito durante as gravações do documentário “En las Manos de Dios”, do jornalista Guillermo Prieto la Rotta.

Durante anos, o “pior assassino em série do mundo” estuprou e massacrou centenas de crianças – deixando pilhas de corpos de cidade em cidade – sem que ninguém ligasse os pontos, mas quando a polícia encontrou uma vala comum contendo os ossos de 36 meninos – que inicialmente acreditou ser o trabalho de uma seita satânica – ela iniciou uma trilha que os levaria a um pedófilo assustadoramente conhecido como “La Bestia” – “A Besta”, que pode ter assassinado cerca de 400 crianças.

Se apresentando como um vendedor ambulante, trabalhador de caridade ou padre, Luis Garavito torturou, mutilou e abusou sexualmente de suas vítimas antes de cortar suas gargantas, até mesmo decapitando alguns enquanto estavam vivos, e deixando muitos em posições doentias com seus genitais decepados. Preso após ser condenado a um recorde de 1.853 anos atrás das grades na Colômbia, o psicopata prontamente descreveu seus crimes vis em detalhes sangrentos ao Dr. Mark Benecke, o único cientista forense com quem ele já concordou em falar.

Benecke interrogou o monstro em uma prisão, em julho de 2002, e, novamente três anos depois, com o objetivo de entrar em sua cabeça e descobrir o que o levou a matar de novo e de novo. Ficou claro como o andarilho era capaz de atrair crianças pobres e vulneráveis, incluindo meninos órfãos e sem-teto, para suas mortes em cidades em todo o país sul-americano. Para uma pessoa comum que não conhecia seu passado, ele poderia parecer amigável e sincero, mas para o especialista alemão, que uma vez analisou os crânios de Adolf Hitler e Eva Braun, Garavito era um “psicopata típico” dando um show.

O Dr. Benecke, natural de Colônia, Alemanha, disse em entrevista ao tabloide inglês Mirror Online:

“Ele é uma das pessoas mais amigáveis e de falas suaves que já conheci. Ele foi muito manipulador, mas de uma forma amigável. Ele é um típico assassino em série que age de acordo com suas fantasias. Ele é um pedófilo típico – suave, educado e amigável com crianças e outros. Garavito me disse que até teve pena de uma criança que ele matou, pois, o garoto lhe contou sobre ter sido abusado, e Garavito poderia entender isso pois ele foi abusado sexualmente o tempo todo quando criança.”

Apesar de aparentemente sentir pena do garoto, Garavito foi em frente e torturou-o até a morte. Foi uma das inúmeras histórias horríveis que surgiram quando o predador sexual infantil confessou ter estuprado e matado mais de 300 crianças entre 1992 e 1999, quando tinha 30 e 40 anos. A polícia suspeita que ele matou cerca de 400 pessoas em sua vida. A maioria das vítimas tinha entre 6 e 16 anos.

Garavito, agora com 63 anos, deu descrições horríveis de seus crimes e desenhou mapas para levar a polícia aos lugares onde enterrou ou jogou cadáveres. Os jornais colombianos o chamavam de “A Besta” e “o pior assassino em série do mundo”. Ele também era chamado de Tribilin, o nome do personagem da Disney, Pateta. Sua sentença totalizou mais de 1.800 anos, mas há temores de que ele possa ser libertado já em 2021 se a leucemia não o matar primeiro. Muitos dos assassinatos aconteceram da mesma maneira. Garavito perambulava pelos centros da cidade e atraía suas vítimas com ofertas de trabalho remunerado, dinheiro, doces ou drogas ilícitas enquanto se disfarçava de tudo, de um mendigo a um padre. Ele executou os assassinatos em pontos escondidos, incluindo encostas e áreas florestais nos arredores das cidades, e usava o mesmo local várias vezes antes de fugir da cidade.

Em alguns casos, a criança desavisada veria os corpos em decomposição de vítimas anteriores enquanto Garavito a levava ao local, mas já era tarde demais para escapar. O assassino altamente organizado, implacável e prolífico amarraria suas vítimas e começaria a torturá-las enquanto entornava garrafas de bebida barata. Quando ele terminava de abusar sexualmente delas, Garavito costumava cortar suas gargantas com uma faca que carregava com ele, deixando seus corpos ao ar livre. Ele decapitou e desmembrou algumas das crianças. Muitos foram encontrados com seus genitais decepados e colocados em suas bocas. Garavito foi capaz de se safar de seus crimes mudando de cidade e aparência, usando nomes falsos ou identidades roubadas.

Luis Garavito e sua aparência ao longo dos anos. Créditos da imagem: Reuters.

Sua carreira criminosa foi ajudada pelo fato de que as autoridades não perceberam que um assassino em série estava trabalhando. A polícia não levou alguns casos a sério por causa dos antecedentes desfavorecidos das vítimas, houve problemas organizacionais, as forças não tinham orçamento para testes de DNA e não se coletavam impressões digitais com frequência. Houve várias oportunidades perdidas para acabar com sua matança. Um deles foi em junho de 1996, quando um garoto desaparecido foi encontrado decapitado e brutalizado na cidade de Boyaca.

A mãe da vítima descobriu que seu filho estava em uma loja com um estranho que estava comprando doces para crianças. Quando Garavito foi interrogado pela polícia, ele admitiu ter comprado doces para as crianças, mas insistiu que não as havia molestado. Quatro dias depois de ser solto, ele matou um garoto de 13 anos nas proximidades de Pereira.

As autoridades não ligaram os pontos até que a vala comum foi encontrada em Pereira, uma cidade cafeeira no sopé dos Andes, em novembro de 1997. Crânios e ossos pertencentes a 36 meninos foram desenterrados, embora inicialmente se pensassem terem sido mortos por uma seita satânico. Uma força-tarefa nacional foi criada para investigar as mortes e explorar outros casos por semelhanças.

Enquanto os assassinatos continuavam, houve um grande avanço em fevereiro de 1998 depois que três meninos, com idades entre 11 e 13 anos, foram encontrados mortos em uma colina fora da cidade de Genova. Eram amigos que trabalhavam nas ruas vendendo chicletes e frutas para sustentar suas famílias pobres.

Na cena sangrenta, os detetives encontraram uma faca e um pedaço de papel com um endereço escrito nele. Acabou por ser a casa da namorada de Garavito. Uma bolsa contendo fotos das vítimas de Garavito, que havia sido mantida como “troféus”, e anotações que descreviam datas e detalhes dos assassinatos foram encontrados durante buscas no apartamento da namorada e na casa de um amigo, mas a polícia não conseguiu localizar Garavito e ele fez mais vítimas.

Em novembro de 1998, os crânios e ossos de 13 crianças foram encontrados em Pereira e uma semana depois uma vala comum contendo os restos mortais de mais 12 vítimas. Ele foi finalmente capturado em abril de 1999, depois que um sem-teto o impediu de tentar estuprar um garoto de 12 anos em Villavicencio, mas a polícia não sabia que eles tinham o seu homem na época, pois ele não tinha documento de identidade, dando-lhes um nome diferente. Mais tarde ele foi confrontado com provas esmagadoras provando que ele era o assassino em série Luis Garavito. Ele finalmente confessou e pediu perdão a Deus e à humanidade.

Amanda Pelaez mostra a foto do seu sobrinho Luis, desaparecido em Pereira, oeste da Colômbia, e uma das centenas de vítimas de Luis Garavito. Foto: El Nuevo Herald, 1 de Novembro de 1999.

Em dezembro de 1999, Garavito foi condenado a mais de 1.800 anos de prisão, mas pela lei colombiana o máximo que ele pode cumprir é de 40 anos. O país não tem pena de morte. Ele pode ser solto no próximo ano – depois de cumprir 22 anos – porque confessou e ajudou a polícia a encontrar os corpos das vítimas.

De acordo com a mídia colombiana, o assassino foi diagnosticado com leucemia terminal. Ele é mantido na solitária 24 horas por dia, 7 dias por semana, devido ao risco de ser assassinado por outros detentos. Garavito só aceita comida e bebida de alguns guardas em quem confia porque teme ser envenenado, e raramente concorda em deixar sua cela. Diz-se que ele passa seu tempo fazendo brincos e colares, e é relaxado e tagarela com os guardas.

O que o levou a matar?


Além de Garavito, o Dr. Benecke interrogou a irmã do assassino, investigadores e assistentes sociais para descobrir como ele se tornou o “verdadeiro bicho-papão”. Garavito sofreu abuso físico e sexual. Também foi negligenciado quando criança, tendo sido estuprado duas vezes por homens diferentes. O pai alcoólatra do colombiano forçou seus sete filhos a trabalhar em vez de frequentar a escola, proibiu Luis de ter uma namorada e o expulsou de casa várias vezes depois de discutirem.

Havia fatores genéticos e ele poderia ter sido exposto a substâncias nocivas quando estava no útero de sua mãe, afetando seu cérebro, disse o especialista.

Garavito deixou a casa da família na adolescência, mas lutou para manter um emprego e tornou-se alcoólatra. Aos 20 anos, ele procurou ajuda para a depressão e contou sobre ter pensamentos suicidas.

Benecke, que morava em Bogotá quando o assassino foi pego, descreveu Garavito como um “psicopata cristalino”, e um “sádico e pedófilo” que age apenas para se beneficiar. Ele acrescentou:

“Isso tudo se mistura e resultou aqui em um narcisista antissocial, um psicopata. Infâncias terríveis nem sempre estão presentes nos assassinos em série, mas aqui, ela adicionou peso a ele. Basicamente, as pessoas psicopatas não conhecem uma maneira melhor de sentir um vínculo verdadeiro e profundo com os outros, exceto vivendo suas fantasias com as vítimas. É o tipo mais louco de ligação imaginável”.

Garavito demonstrou impulsos homicidas e não mostrou nenhum sinal de remorso, mas alegou que queria entender a causa de suas ações e nunca mais mataria se fosse libertado.

Ele repreendeu o Dr. Benecke por não lhe trazer um presente caro. Disse o Dr. Benecke :

“Nós sempre bebemos café. Ele trocou as canecas de café, dele e minha, que foram trazidas pelos funcionários em nossas primeiras reuniões. Eu pensei que era uma espécie de gesto cultural amigável ou algo assim. Eu perguntei a ele. Ele tinha trocado as canecas porque achava que poderia ser envenenado. Ele não pensou que eu poderia, assim, acabar envenenado. Isso é típico de um psicopata. Além disso, ele chorou ao ver uma foto de duas pessoas que ele gostava, mas no segundo em que o café chegou ele parou de chorar. Suas lágrimas não foram convincentes. Ele disse que nunca mais mataria e até desenhou um mapa de todos os lugares onde ele colocou as vítimas, e os corpos foram encontrados lá. Isso não foi cooperação, mas apenas um jogo muito inteligente para chamar a atenção e obter todas as sentenças fundidas em uma, e funcionou.”

O especialista acrescentou:

“Ele é um homem de voz suave, amigável, e, como muitas pessoas psicopatas, muito honesto e aberto, se ele quiser ou se você não julgá-lo. Aprendi muito com ele, especialmente sobre o sequestro de crianças em plena luz do dia no meio de uma cidade, o que me ajudou a entender muitos casos depois. Ele é a essência do que é o combate ao crime – como ele poderia, sendo o psicopata que ele é, ter se tornado um membro da sociedade? Isso é possível para um criminoso violento antissocial e narcisista ou não?”

Fonte: Inside mind of ‘world’s worst serial killer’ dubbed ‘The Beast’ who butchered 400 kids. Mirror Online

Por:


Mariana
Texto

Glenda
Revisão

Marcus Santana
Revisão

Universo DarkSide – os melhores livros sobre serial killers e psicopatas

http://www.darksidebooks.com.br/category/crime-scene/

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