Lee Chun-Jae: suspeito confessa assassinatos diante de homem condenado injustamente por um dos crimes

O homem acusado de ser o serial killer mais famoso da história da Coreia do Sul admitiu ter matado 14 mulheres e meninas três decadas atrás — e afirmou estar...

Vídeo feito durante as investigações dos Assassinatos de Hwaseong.

O homem acusado de ser o serial killer mais famoso da história da Coreia do Sul admitiu ter matado 14 mulheres e meninas três decadas atrás — e afirmou estar surpreso por não ter sido capturado antes.

Lee Chun-jae, hoje com 57 anos, confessou os crimes diante de Yoon, que foi condenado injustamente por um homicídio que mais tarde foi atribuído ao assassino em série, num tribunal na cidade de Suwon.

“Eu não achava que os crimes ficariam enterrados para sempre.”

— Lee Chun-jae

Lee já havia admitido os crimes para a polícia no fim do ano passado, mas essa é a primeira vez em que ele fala publicamente sobre o assunto. Yoon  — cujo nome completo não foi divulgado por conta de uma lei sul-coreana que protege a privacidade de suspeitos e criminosos  — foi solto em 2008, após passar 20 anos preso pelo estupro e assassinato de uma garota de 13 anos, em 1988.

No outono de 1988, uma garota de 13 anos foi estuprada e morta na própria cama. O crime teria perturbado qualquer comunidade rural como Hwaseong, mas àquela altura ela era a oitava mulher a ser assassinada em menos de dois anos.

Quase um ano depois do crime, a polícia apareceu na casa de um rapaz de 22 anos, que estava se preparando para jantar.

Yoon se lembra de perguntar: “O que é isso?”

“Não vai demorar”, responderam os policiais.

Yoon foi levado a uma pequena sala com uma única mesa na delegacia local, onde foi mantido algemado e interrogado durante três dias sobre o estupro e assassinato da garota. Mal comia, e só podia levantar para ir ao banheiro. Sempre que tentava dormir, os policiais o acordavam. Por fim, eles conseguiram arrancar dele uma confissão.

Segundo ela, na noite do assassinato Yoon teria saído para tomar um pouco de ar. Durante a caminhada, ele teve que parar várias vezes para descansar — a poliomielite adquirida na infância havia o deixado com uma deficiência tão grave que ele foi dispensado do serviço militar obrigatório. Por volta de meia-noite, Yoon avistou a luz de uma casa e sentiu um repentino “desejo de estuprar”. Ele escalou o telhado da casa e atacou a garota, embora soubesse que os pais dela estavam dormindo no quarto ao lado. Depois do crime, Yoon teria queimado as roupas e voltado para casa.

“Aqueles dias foram como um pesadelo. Quando você não consegue dormir por três dias, não sabe o que disse. Não lembra o que fez. Não consegue pensar direito. Só vai respondendo as perguntas.”

— Yoon

Yoon acabou assinando três confissões e admitiu o crime em julgamento, na esperança de evitar a pena de morte. Hoje ele reconhece que foi torturado, mas na época não sabia nada sobre a lei.

O homicídio é um dos 10 assassinatos que aconteceram entre 1986 e 1991, e que ficaram conhecidos como os “Assassinatos de Hwaseong” por causa da região onde as vítimas foram mortas. Por décadas, os nove outros casos permaneceram sem solução e foram revisitados no filme Memórias de um Assassino, lançado em 2003 e dirigido por Bong Joon Ho, mesmo diretor de Parasita.

Região de Hwaseong, onde ocorreram os crimes. Cada ponto vermelho representa o local onde uma vítima foi encontrada.

Com a prisão de Lee, a polícia resolveu reexaminar alguns casos antigos, depois que evidências de DNA o conectaram pelo menos 4 dos Assassinatos de Hwaseong. Yoon, que sempre alegou inocência, conseguiu o direito a um novo julgamento, no qual os advogados tentarão anular sua condenação.

Entretanto, apenas a confissão de Lee não basta, já que não existem evidências de DNA o ligando diretamente ao homicídio.

Durante a última audiência do novo julgamento de Yoon, em 1º de novembro, Lee afirmou que ao ser detido pela polícia na época dos crimes estava usando o relógio de uma das vítimas. Mas os policiais o interrogaram apenas por estar andando sem documentos — e ele foi solto pouco depois.

“Ainda não entendo [por que não foi considerado suspeito]. Os crimes aconteciam à minha volta e eu não tentava esconder muito as coisas, então achei que seria capturado facilmente. Havia centenas de policiais. Eu trombava com detetives o tempo todo, mas eles sempre me perguntavam sobre pessoas perto de mim.”

— Lee Chun-jae

Lee afirmou que não tinha um motivo para matar a garota de 13 anos não demonstrou nenhuma emoção ao descrever o crime. “Foi um ato impulsivo.”

“Eu soube que um homem com deficiência havia sido preso, mas não sabia por qual crime ele tinha sido preso, já que cometi muitos [crimes].”

— Lee Chun-jae

Lee também pediu desculpas aos membros das famílias de suas vítimas — e a Yoon.

“Soube que muitas pessoas foram investigadas e sofreram injustamente. Gostaria de me desculpar com todas essas pessoas. Eu vim, testemunhei e descrevi os crimes na esperança de que [as vítimas e suas famílias] encontrem algum conforto quando a verdade for revelada. Viverei minha vida em arrependimento.”

— Lee Chun-jae

Pouco se sabe sobre a garota morta em 1989 e a família dela, que jamais deu entrevistas.

Lee está preso desde 1994, cumprindo uma pena de prisão perpétua pelo estupro e assassinato de sua cunhada no mesmo ano, de acordo com oficiais do tribunal de Daejeon e do Ministério da Justiça da Coreia do Sul. Ele não pode ser processado pelos Assassinatos de Hwaseong, porque segundo a lei do país os crimes já prescreveram.

Lee Chun-jae em foto antiga, e em fotografia recente.

Na época dos assassinatos, Hwaseong era uma região rural onde aproximadamente 226 mil pessoas viviam espalhadas em vários vilarejos. Crimes violentos não eram comuns na área.

A polícia investiu todos os seus recursos na caça ao serial killer, incluindo mais de 2 milhõs de diárias pagas — recorde que permanece até hoje, de acordo com a agência de notícias Yonhap. Milhares de pessoas, incluindo Yoon — que possui uma deficiência causada por poliomielite e sequer terminou o ensino fundamental — acusaram a polícia de praticar tortura durante as investigações.

Em julho deste ano, o chefe da agência policial da província de Gyeonggi Nambu, Bae Yong-ju, admitiu que durante a investigação inicial, em 1989, a polícia agrediu Yoon e o obrigou a assinar uma confissão falsa. Um documento oficial informa que havia uma testemunha no momento da confissão de Yoon, mas Bae reconheceu que isso não era verdade.

Bae também afirmou que as autoridades concluíram que Lee era responsável por todos os 10 assassinatos ocorridos em Hwaseong entre 1986 e 1991.

Após a audiência, Yoon afirmou que precisa de tempo para digerir o que aconteceu. Ele já tinha dito antes que se sente frustrado por todos os anos de injustiça e que deseja passar o resto de sua vida com um homem inocente.

Quero limpar minha falsa acusação, e quero minha honra de volta.”

— Yoon

Atualmente, Yoon é um cinquentão bastante sociável, que trabalha em uma fábrica de processamento de couro na província de North Chungcheong, a algumas horas de trem de Seul. Ele ainda caminha com dificuldade. À primeira vista, ele é alegre e simpático, com voz alta e riso solto. Mas a vida não foi gentil com ele.

Quanto estava no terceiro ano da escola, sua mãe faleceu num acidente de carro. Depois disso seu pai desapareceu, e Yoon teve que abandonar a escola para trabalhar. Ele foi para Hwaseong, onde pediu esmolas na porta de um restaurante por um ano. Aos 11 anos, começou a trabalhar num centro de máquinas agrícolas, e aos 22 estava em treinamento para se tornar um técnico qualificado. Ele jamais teve uma namorada, e pelo menos essa parte de sua confissão é verdadeira.  “Eu nem sequer tentava falar com as garotas, porque achava que ninguém iria gostar de um aleijado com eu”.

Fonte consultada: Man who confessed to being one of South Korea’s most-notorious serial killers says he’s surprised he wasn’t caught sooner. CNN.

Por:


Marcus Santana
Texto

Universo DarkSide – os melhores livros sobre serial killers e psicopatas

http://www.darksidebooks.com.br/category/crime-scene/

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