101 Crimes Notórios e Horripilantes de 2020

Assistindo ao documentário Senna (2010), uma cena me chamou a atenção. Estamos em 1994 e o piloto brasileiro estreava em uma nova equipe, supostamente a melhor de todas: a...

Assistindo ao documentário Senna (2010), uma cena me chamou a atenção. Estamos em 1994 e o piloto brasileiro estreava em uma nova equipe, supostamente a melhor de todas: a Williams. Os carros da Williams haviam ganho os dois campeonatos anteriores com um pé nas costas e Senna se transferiu para lá em 1994 para pilotar o carro chamado por ele “de outro planeta”. Era o melhor piloto no melhor carro e isso causou um terrível medo no mundo do automobilismo: o de que Senna poderia ganhar todas as corridas do ano.

Quando o piloto brasileiro sentou pela primeira vez no cockpit, entretanto, percebeu que a coisa estava feia para o seu lado. Acontece que para frear o avanço dos carros da Williams e fazer o campeonato mais competitivo, a Federação Internacional de Automobilismo proibiu uma série de avanços tecnológicos que faziam com que o carro da Williams tivesse vantagem sobre os outros. Com a retirada de vários componentes eletrônicos, o carro ficou completamente instável e “nervoso”, nas palavras do próprio brasileiro. Correndo contra o tempo, durante todo o início daquele ano de 1994, Senna, os engenheiros e mecânicos da Williams tentaram, quase que de forma desesperada, fazer com que o carro se tornasse “guiável”.

Eles realizaram uma série de modificações no carro, alteraram configurações e testaram na pista, mas nada. E aí eu chego à tal cena do documentário. No fatídico GP de San Marino, no qual Senna faleceu ao bater contra um muro de concreto, durante os treinos, câmeras filmaram uma tensa conversa entre o brasileiro e David Brown, o seu engenheiro. Após realizarem mais modificações no carro, Senna saiu até a pista para testar e voltou aos boxes. Curioso para saber se o carro estava melhor, David Brown vai até Senna para ter o feedback. Resignado, com uma expressão extremamente tensa, preocupada e até de certa forma assustada, Senna diz:

“O carro está… pior!”

Sabemos o final dessa história. Mas por que estou citando essa cena do documentário Senna?

Ao passar o ano lendo e pesquisando centenas de casos para decidir a listagem final dos “101 Crimes Notórios e Horripilantes de 2020”, e escrevendo sobre estes casos, me aprofundando nas trevas do coração humano e, tendo eu, vários anos de experiência escrevendo sobre tudo de ruim que o ser humano pode fazer um com o outro, ano a ano, não pude deixar de lembrar dessa cena do documentário e fazer uma analogia com o momento atual, chegando à perigosa conclusão que:

O mundo está… PIOR!

Parece que nada pode piorar quando estamos supostamente no “fundo do poço”, mas piora! Ano a ano vem o réveillon e, nós, seres empáticos e otimistas, acreditamos que tudo irá melhorar como num passe de mágica, mas não, só piora. Guerras estúpidas, massacres motivados por questões inacreditáveis e assassinatos cometidos por puro primitivismo nos informam que nossa evolução se congelou em algum ponto do caminho, abrindo espaço para a semente adormecida do selvagerismo. Talvez, essa minha visão de mundo esteja momentaneamente prejudicada pelo horror advindo de um trabalho no qual o que me cerca é morte e maldade. Meses debruçado no abismo da depravação pode ter me afetado. É uma possibilidade. Por outro lado, a realidade é implacável e está aí aos olhos de todos, nua e crua. Um assassinato, muitas vezes, não é apenas o ato de um ser humano tirar a vida de outro, e sim o resultado final de uma equação complexa e medonha cujas variáveis se juntariam na direção do homicídio. Um pai que mata uma filha “pela honra” em algum país da Ásia ou Oriente Médio o faz porque aquela sociedade permite que ele faça isso. É a sua cultura. Ele foi ensinado a ser assim. Faz parte da sua construção moral e cívica. Da mesma forma, um homem negro espancado até a morte no Ocidente evidencia toda uma sociedade doente moldada por preconceitos e desumanizada pelo sistema vigente. Então, a maldade cometida contra o homem negro no estacionamento do Carrefour não está apenas naquele lugar ou dentro da tela da TV, ela está ao nosso redor, no ar que respiramos, fazemos parte dela, somos peças do quebra-cabeça.

Não irei me alongar mais nesta introdução até porque o leitor gastará muitas e muitas horas lendo, pensando e refletindo sobre cada um dos crimes abaixo. Apesar de estarem escritos em forma de resumo, cada um deles tem a riqueza suficiente de um livro. A listagem de crimes que se segue mostra a existência de uma tênue linha entre normalidade e barbárie. Alguns casos me deixaram muito impressionado e poderiam facilmente ser temas de interessantes discussões entre especialistas de várias áreas. Atenção, por exemplo, aos assustadores e alarmantes casos de feminicídios.

Este post compila 101 crimes notórios e horripilantes de 2020. Sem dúvidas é um ótimo material para conhecer o mal e suas diversas formas. Aqui vocês encontrarão crimes cometidos por psicopatas, assassinos em série, assassinos em massa, canibais, maníacos sexuais, terroristas, pessoas com problemas mentais, pais de família, ritualistas, justiceiros, governos etc. Ao final, vocês perceberão a falta de humanidade do homem com o homem, assim como sua genialidade quando se trata de planejar crimes diabólicos ao mesmo tempo em que sua estupidez é colocada para fora.

“Os 101 Crimes Notórios e Horripilantes do ano mostram em que mundo vivemos. Certamente irão chocar muitas pessoas. Muitos dos crimes citados aqui são tão horripilantes que muitos não acreditariam existir no mundo real. Por isso esteja preparado para ter sua alma sugada de um mundo doente e cada vez mais violento.”

[O Aprendiz Verde

Observações:

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Agradecimentos especiais a Lúcia Almeida, Elisa Araújo, Talita Dias, Margareth Takeuchi e a toda equipe de colaboradores do Aprendiz Verde.


1. O GeneralIraque


Bagdá, Iraque | 3 de Janeiro

Um avião secreto pousa de madrugada no aeroporto de Bagdá vindo de Damasco, capital da Síria. De dentro dele sai um dos homens mais poderosos do Oriente Médio: o general iraniano Qassem Soleimani, de 62 anos. Foi uma viagem marcada em cima da hora. Como arquiteto dos esforços estratégicos do Irã na região, Soleimani viajou até o Iraque para tomar parte de questões urgentes como a escalada de protestos antigovernamentais no país, alguns deles alimentados por sentimentos anti-iranianos. Um número crescente de iraquianos ficou desiludido com a queda da economia e o aumento do desemprego, e irritados com o poder exercido em seu país por Teerã.

Ao descer na pista, o general deu um sorriso ao ver um velho companheiro de batalhas: Abu Mahdi al-Muhandis, iraquiano de nascimento e iraniano de coração, líder da milícia xiita Kata’ib Hezbollah, apoiada pelo Irã. Os dois tinham assuntos complicados e inadiáveis para resolver. Com apertos de mãos, sorrisos e tapinhas nas costas, os dois entram dentro de um carro enquanto os guarda-costas entram em outro, e saem em direção a uma estrada de acesso ao final da pista.

O que os homens não sabiam era que na escura e fria noite de Bagdá, acima deles, um drone americano MQ-9 Reaper os observava sorrateiramente enquanto transmitia centímetro por centímetro seus movimentos ao Pentágono e à CIA.

O destino de Soleimani havia sido selado horas antes e era apenas uma questão de distância.

Quando os SUVs contornaram o perímetro do aeroporto, a uma distância segura de outros viajantes ou pessoas, o drone disparou dois mísseis que atingiram em cheio o carro de Soleimani e Muhandis. Um terceiro míssil seguiu rapidamente, atingindo o segundo carro que transportava os guarda-costas. Os impactos foram tão devastadores quanto letais. Muhandis foi completamente vaporizado enquanto Soleimani teve o corpo destruído. A imagem de sua mão decepada, ainda com o seu inseparável anel de rubi, em meio aos destroços, foi publicada em vários jornais. Veja abaixo:

Foto mostra o general Soleimani e seu inseparável anel de rubi em sua mão esquerda. A mão decepada do general com o anel no dedo foi recuperada na cena do crime. Foto: EPA.

Clique na imagem abaixo para ver mão do general:

Dez pessoas no total morreram no ataque, que foi ordenado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de seu resort de golfe na Flórida horas antes. Amado e uma figura extremamente importante em seu país, ninguém no ocidente nunca ousou tocá-lo até Trump dar a ordem. Analistas internacionais condenaram o ataque e a ONU concluiu ser um assassinato ilegal por ferir o direito internacional.

Imagem: veja abaixo imagens do cadáver de Soleimani e de uma metralhadora com pedaços humanos recuperada na cena do crime.

2. Papai, a professora me deu ZEROQuênia


Mutitu, Condado de Kitui, Quênia | 7 de Janeiro

Como fazia todos os dias, a professora Daisy Mbaithe Mbaluka acordou no dia 7 de janeiro e preparou suas duas filhas para a escola. Elas usavam duas scooters, com Daisy levando a mais nova em uma enquanto a mais velha ia na outra.

No meio do caminho, um grupo de homens, alguns armados com pedaços de paus bloquearam a passagem de Daisy e suas filhas, arrastaram a mulher mais velha pelos cabelos e começaram a espancá-la.

E eles não pararam enquanto a mulher não estivesse mortinha da silva. Quando isso aconteceu, eles incendiaram o cadáver. Sobraram apenas cinzas. Tudo foi testemunhado pelas filhas da vítima, que não puderam fazer nada.

Daisy era professora na Escola Primária Ndooni, e seus assassinos, pais de alunos para quem ela dava aula. O motivo do crime? As notas ruins dos filhões.

Dois suspeitos de participarem do linchamento foram presos e indiciados, Wambua Mwangangi e Chris Kyalo.

3. Influência de ColumbineMéxico


Torreón, Coahuila, México | 10 de Janeiro

Às 8h20 da manhã de 10 de janeiro de 2020, José Ángel Ramos, de 11 anos, pediu permissão para sua professora, María Medina, de 50, para ir até o banheiro da escola. Ela concedeu. Muitos minutos se passaram e como Ramos não retornava, María Medina foi até o banheiro. Ela pegou o menino em flagrante manuseando um arsenal. Naquele dia, o garotinho não foi no Colégio Miguel de Cervantes estudar, e sim matar.

Surpreendido pela professora, Ramos começou ali mesmo o massacre escolar que havia planejado. Após atirar e matar María Medina, ele saiu pelos corredores atirando, atingindo outros cinco estudantes antes de apontar a arma para a própria cabeça e apertar o gatilho, caindo ao lado do corpo de Medina.

Os cinco estudantes feridos sobreviveram.

Fotos do corpo sem vida do menino com as pernas dobradas para trás se espalharam pela Internet. Com Ramos morto fica difícil explicar os motivos que o levaram a tal barbárie, mas a sua vestimenta traz pistas. Ele vestia a mesma roupa que Eric Harris, um dos assassinos em massa de Columbine, usou no dia em que também perpetuou um ataque em seu colégio no Colorado, Estados Unidos, ao lado do amigo Dylan Klebold. Lia-se “Natural Selection” (Seleção Natural, em tradução literal) na camiseta branca de Ramos; ele usava suspensórios pretos e calça pretas, a mesma vestimenta de outros assassinos em massa jovens inspirados em Columbine, como Vladislav Igorevich Roslyakov (Kerch, Ucrânia).

Um olhar na vida familiar do pequeno assassino mostrou um pai narcotraficante, uma mãe decapitada e a avó assassinada, esta uma amante de Arturo Hernández González, o assassino número 1 do Cártel de Juárez na região de La Laguna.

Imagem: veja abaixo fotos da cena do crime:

4. Justiça PopularMéxico


Faja de Oro, Chiapas, México | 10 de Janeiro

“Mate-o, ele não merece viver, era uma menina de seis anos, ela não fez nada a você!”, gritavam os moradores de Faja de Oro a um homem amarrado a um poste e acusado por eles de estuprar e decapitar uma criança de 6 anos chamada Jarid.

Enquanto os familiares do acusado pediam clemência para Alfredo Roblero, de 37 anos, o homem apenas olhava para a multidão enfurecida sem ter o que fazer. “Não o espanquem, entregue-o à polícia para ser punido”, gritava a tia de Alfredo. Minutos depois, policiais chegaram e acabaram com o tribunal popular, resgatando Alfredo e colocando-o numa viatura. A ideia era levá-lo até uma cidade vizinha para evitar o linchamento, mas a horda de justiceiros queria sangue e a viatura foi cercada e Alfredo retirado.

Os homens o levaram até uma casa, onde foi amarrado e incendiado após ser encharcado com gasolina.

Como é de costume nesses casos, Alfredo era inocente. Exames de DNA realizados no sêmen do assassino da criança comprovaram que o material genético não pertencia ao homem queimado vivo pela população.

Veja abaixo imagens do corpo de Alfredo e uma filmagem realizada pela população. Atenção: conteúdo gráfico.

  • A Saber: Em dezembro, no povoado de El Censo, município mexicano de Ocosingo, três homens, Antonio Vázquez Silvano, Francisco Vázquez Silvano, e Manuel N., foram presos acusados de assassinato. Revoltados, a população local invadiu a delegacia e sequestrou os três homens. Manuel foi resgatado pela polícia mas os irmãos Silvano foram espancados e queimados vivos. Veja aqui um vídeo gravado por populares.

5. Casa del MalMéxico


Tijuana, Baixa Califórnia, México | 10 de Janeiro

Acusado: Santiago N.

Idade: 36 anos

O Crime: O casal Jesús Rubén López, de 70 anos e Maria Teresa López, de 65, moradores de Garden Grove, Califórnia, saíram em direção à cidade mexicana de Tijuana em 10 de janeiro para coletarem o dinheiro do aluguel de apartamentos que ambos possuíam na cidade. Um dos moradores do conjunto de apartamentos era um homem chamado Santiago, genro do casal. Era ele quem coletava o dinheiro dos aluguéis e transferia para os sogros via banco. Mas supostamente houve um problema no banco e Santiago disse que os sogros deviam vir pegar o dinheiro pessoalmente. O casal nunca mais voltou para casa. Uma das filhas, estranhando o sumiço, viajou imediatamente para Tijuana e avisou a polícia, que logo desconfiou de Santiago. Não demorou e o genro confessou ter assassinado Maria Teresa e Jesús Rubén e os enterrado no terreno dos apartamentos. E para surpresa da polícia, quanto mais eles cavaram, mais cadáveres eles descobriram. Cinco no total. Todas as vítimas eram pessoas idosas. Eles eram Derek Lamar Brinker Franks, María Guadalupe García Ramírez, Guillermo Cabezas Melgoza e o casal Lopez. Santiago era um assassino em série que enganava pessoas de idade, vendendo carros ou outras coisas, e as matava após pegar o dinheiro. Há suspeitas de que a sua mulher, filha do casal assassinado, tenha sido cúmplice.

6. Maníaco de MaritubaBrasil


Marituba, Pará, Brasil | 10 de Janeiro

Um adolescente de 17 anos espalhou o terror no mês de janeiro na cidade de Marituba, norte do Pará, ao atacar 10 mulheres, ceifando a vida de duas delas, e se transformando num dos mais jovens assassinos em série da história do país.

Novo na idade, mas com o método de um serial killer experiente, ele tinha um modus operandi bem definido: com um perfil falso nas redes sociais, se passando por uma mulher, ele atraía as vítimas se dizendo uma cliente que precisava de serviços de manicure. Uma vez no local, a vítima recebia um telefonema dizendo que o marido da pessoa que pediu o serviço ia buscá-la. Nesse momento o garoto levava a vítima para uma área de mata e a estuprava.

O primeiro caso ocorreu no dia 4 de janeiro. Três dias depois ele atacou outra mulher, que lutou com ele e conseguiu fugir. A terceira vítima, Samara Duarte Mescouto, de 20 anos, foi estuprada e estrangulada em 10 de janeiro. No dia seguinte, duas irmãs foram atacadas, uma delas, Jennyfer Karem Silva, de 17 anos, morreu depois no hospital. A outra, após se ajoelhar e implorar para não ser morta, foi poupada pelo adolescente.

Preso no dia 13, o adolescente foi reconhecido por outras mulheres que ele estuprou e tentou matar. Um comparsa, Jederson Menezes Alves, de 20 anos, que o acompanhou em um dos crimes, foi condenado a 30 anos de prisão em novembro.

Já o adolescente serial killer foi condenado a uma medida socioeducativa e seu processo corre em segredo de justiça.

7. Número de SérieRússia


São Petersburgo, Oblast de Leningrado, Rússia | 12 de Janeiro

Em junho, um estudante do ensino médio descobriu um corpo esquartejado, sem a cabeça, em um buraco lamacento no Rio Mga, nos arredores de São Petersburgo.

Com todos os membros cortados, sem a cabeça, ficou quase impossível para a polícia descobrir quem era aquela pessoa. Eu disse quase.

A vítima possuía próteses de silicone e o número de série 3253426 TSX 359 nos implantes levou a polícia a uma clínica em Dublin, Irlanda, que por sua vez vendeu o silicone a um hospital na Rússia. Assim, investigadores conseguiram identificar a vítima Dzamshud Khatamzhonov, de 23 anos, uma mulher transgênero natural do Uzbequistão, que trabalhava como garota de programa.

Em setembro, autoridades prenderam o ator e produtor de teatro Yury Yanovsky, de 53 anos, e o acusaram de ser o autor do homicídio. Antes de ser preso, Yanovsky tentou fugir pulando da janela do quinto andar do seu apartamento. Ele fraturou a espinha na queda, mas se recuperou no hospital.

O caso foi completamente ignorado pela mídia russa, o que mostra a vulnerabilidade da população homossexual e transgênera, não só na Rússia como em todos os países da ex-União Soviética. Todos os anos trazemos casos absurdos de assassinatos cometidos contra pessoas cuja orientação sexual desagrada as sociedades dessa parte do planeta. Dois casos notórios incluem:

  • 2016: Adam Aliev, morta e esquartejada pela própria família no Daguestão após realizar uma cirurgia de mudança de sexo [Ver Crime 64];
  • 2017: Zelimkhan Bakaev, cantor checheno, sequestrado e assassinado pelo governo da Chechênia por ser homossexual [Ver Crime 62];
  • A Saber: em 11 de Setembro de 2020 em Tashkent, Uzbequistão, Shokir Shavkatov, de 25 anos, foi assassinado poucos dias depois de se declarar gay no Instagram. É crime ser homossexual no país, com pena de até três anos de detenção.

8. Execuções, assassinos de aluguel e desmembramentoirlanda


Drogheda, Condado de Louth, Irlanda | 12 de Janeiro

Em lugares onde não é muito comum crimes hediondos, quando acontece, todos ficam estupefatos e com pensamentos do tipo: “Meu Deus, que loucura, como isso pôde ter acontecido?”. No Brasil já estamos anestesiados, nem nos importamos mais com matanças de gangues ou massacres bestiais em penitenciárias. Ninguém tá nem aí. Gente morre dentro de supermercado e padaria e a coisa continua funcionando com gente passando ao lado do cadáver pra comprar o pãozinho das 16 horas, não é mesmo? Já no México, se integrantes de cartéis de drogas não matarem os inimigos desossando-os vivos tem alguma coisa errada.

Na Irlanda, entretanto, neste ano de 2020, foi diferente. Em um crime que chocou o país, um garoto foi morto e esquartejado por uma gangue inimiga. Um crime comum em outros lugares e que definitivamente não seria notícia no Jornal Nacional, mas na Irlanda foi diferente, e eles ficaram o ano inteiro falando desse crime, o mais notório no país em anos.

“Sua morte marcou um dos crimes mais horríveis da história do país”, escreveu o Daily Star. A morte em questão foi do adolescente Keane Mulready-Woods, de 17 anos, sequestrado na cidade de Drogheda, torturado, esfaqueado, decapitado e desmembrado.

O assassinato de Woods deu início a uma série de retaliações, culminando no assassinato do principal suspeito: Robbie Lawlor. “O psicopata sanguinário” foi executado a tiros quando saía de uma casa em Ardoyne, norte de Belfast, após ir cobrar um suposto débito relacionado a tráfico de drogas.

A história começa em 12 de janeiro quando Mulready-Woods foi atraído até uma casa em Drogheda onde foi assassinado e desmembrado. Horas depois, suas pernas e braços foram descobertos dentro de um saco na região de Coolock, norte de Dublin. Dois dias depois, sua cabeça foi encontrada dentro de um veículo em chamas na mesma Dublin. O tronco da vítima jamais foi encontrado.

Não demorou e a polícia identificou dois suspeitos do horrendo assassinato. Um deles era Robbie Lawlor e o outro um criminoso que não teve o nome divulgado. Este último sofreu uma tentativa de assassinato um dia depois da morte de Mulready-Woods e acabou sendo preso pela polícia algum tempo depois.

Com o choque da sociedade irlandesa com o crime e a cobertura quase que diária da mídia, chefões das drogas começaram a dar o fora do país. Um deles foi Cornelius Price, que comandava o tráfico em Drogheda, e para quem Mulready-Woods trabalhava como “cobrador”. Price fugiu para a Inglaterra e uma testemunha chegou a informar ao jornal The Sun que: “É uma boa coisa que ele esteja longe porque ele é um criminoso altamente volátil”.

Em fevereiro, dois irmãos que a polícia acreditava ter envolvimento no crime fugiram para a Espanha.

Já Robbie Lawlor era um “sádico homem de 36 anos envolvido em vários assassinatos e com centenas de condenações criminais”. Em dezembro de 2019 ele havia tentado matar o novo namorado da mãe e semanas depois foi assaltado do lado de fora de uma academia. Sua mochila foi roubada e seus inimigos compartilharam fotos usando seus chinelos. Acredita-se que Mulready-Woods tenha participado do assalto e um furioso Lawlor jurou vingança. Mexeram com o brio do supermacho. Era uma questão de honra vingar o seu nome. Lawlor também acreditava que Mulready-Woods havia participado do assassinato de seu cunhado. Em sua mente, ele tinha motivos suficientes para acabar com o adolescente. Veja abaixo um vídeo gravado no dia em que Lawlor foi assaltado. “Isso é apenas o começo Robbie”, grita o homem que filma. 

“Ele levou sua propensão para a violência a um outro nível quando desmembrou o adolescente e depois assombrou seus inimigos sobre.”

Para escapar de uma possível retaliação, Lawlor foi para Belfast, a cerca de 150 quilômetros de Drogheda, mas se recusou a ficar escondido. Antes da epidemia de coronavírus explodir e obrigar as pessoas a ficarem em casa, Lawlor foi visto em restaurantes e bares.

Em 3 de abril, ele viajou até uma região ao norte da cidade para cobrar uma dívida de drogas com dois outros homens. Ele entrou dentro da casa e de repente correu para fora. Mas já era tarde demais. Ele caiu morto no jardim com quatro tiros na cabeça. Não havia débito nenhum. Lawlor foi vítima de uma emboscada.

“Ele era basicamente um assassino de aluguel que trabalhava sozinho. Normalmente ele é muito astuto e sempre andou por aí, mas desta vez alguém armou pra ele”.

O assassinato de Mulready-Woods envergonhou os irlandeses, e, pressionadas, as autoridades decidiram trabalhar. Durante todo o ano de 2020 houve dezenas de operações policiais que culminaram em prisões e no esfacelamento de esquemas criminosos, tanto envolvendo o tráfico de drogas quanto de lavagem de dinheiro.

Cornelius Price continua nas sombras, escondido na Inglaterra. Acredita-se que na cidade de Manchester.

9. Culto do Inferno


El Terrón, Panamá | 13 de Janeiro

Olhando para as imagens disponibilizadas em sites de notícias da Igreja de Deus, localizada nas profundezas da floresta tropical da costa caribenha do Panamá, vemos uma série de objetos perturbadores que atestam os terríveis eventos que lá aconteceram.

Há um acordeão vermelho e preto entre os bancos virados (para o que vocês acham que ele foi usado?), pertences de crianças estão espalhados pelo chão e uma Bíblia — sinistramente aberta no Livro do Apocalipse — repousa no púlpito de madeira. Abaixo dele, sete cruzes no musgo do chão.

Quando a polícia chegou naquela vila indígena em 14 de janeiro, encontrou 15 moradores do vilarejo amarrados ao lado da carcaça de uma cabra sacrificada. Eles foram espancados com Bíblias e cortados com facões, alguns tiveram as línguas queimadas com brasas na tentativa de “livrá-los do demônio”.

Esses, porém, tiveram sorte.

Em uma cova rasa nas proximidades o horror: sete cadáveres jogados uns em cima dos outros. Eles eram: Bellin Flores, de 33 anos, e que estava grávida, seus cinco filhos e uma criança de 9 anos, deficiente, filha de Dina Blanco, uma das vítimas que estava amarrada e cortada quando a polícia chegou.

Um dia antes, Dina foi obrigada a comparecer até a igreja Nova Luz de Deus por uma de suas vizinhas, Olivia. Não só Dina, como vários moradores tiveram que ir até o local a pedido dos pregadores. O que Dina não sabia era que já havia alguns dias que os “homens de Deus” estavam exorcizando o capeta dos descrentes da vila.

Dina Blanco, 24 anos, mostra os seus machucados durante uma entrevista no hospital em 19 de janeiro de 2020. Foto: Juan Zamorano/AP.

Vítima do culto mostra ferimentos da tortura. Foto: Panamá América.

Quando a polícia chegou, os rituais de exorcismos já descambavam para o quarto dia. A seita era comandada pelo pai de Bellin Flores, Mario Plátano González, de 60 anos, um machista dominador que cuidava da família com mãos de ferro. No final de 2019, González e sua família expulsaram os pregadores da igreja e iniciaram suas pregações. Segundo González, ele e sua família eram os únicos que “podiam conversar com Deus”.

De acordo com a investigação policial, Rafael Baloyes, um dos filhos de González, um belo dia afirmou ter tido uma “revelação divina” de que o grupo precisava realizar um exorcismo na população de El Terron, e se isso não levasse embora o mal que habitava o corpo dos descrentes, então eles “deveriam acabar com a vida deles”.

Em pouco tempo o culto cresceu em loucura e seus cânticos e rezas assustadores eram ouvidos de longe. Quando as cerimônias de exorcismo começaram, um dos moradores conseguiu escapar e avisar um dos líderes do vilarejo, Evangelisto Santo. No dia seguinte, os dois saíram em direção ao povoado mais próximo, Río Luis – uma viagem de uma hora a pé em meio à floresta e trilhas lamacentas, e depois mais duas horas de canoa. De lá, eles obtiveram ajuda e foram levados até um hospital em Santiago, em uma viagem de duas horas e meia. Enquanto Santo esteve ausente, um dos membros do culto, um jovem de 21 anos que se autodenominou Mesías Set — em alusão ao personagem bíblico Set — ordenou os assassinatos.

Ainda não está claro qual o papel de cada um no crime nem o porquê da filha de González, assim como seus cinco netos, terem sido sacrificados. Em agosto, o Ministério Público do Panamá indiciou nove pessoas pelo assassinato em massa, mas não divulgou seus nomes. Acredita-se que González e Mesías Set estejam entre eles.

Detalhes provavelmente serão conhecidos durante o julgamento das nove pessoas.

  • A Saber: outra seita maldita, em Agua de Salud, também na região de El Terron, foi desmascarada em 2020 e acusada de abuso sexual infantil e assassinatos.

10. Justiça da SelvaBrasil


Fonte Boa, Amazonas, Brasil | 16 de Janeiro

Ronald Gomes Borges, de 28 anos, era um estuprador e criminoso conhecido. Apesar de ter um mandado de prisão por estupro, ele andava pelas ruas livremente, e em 16 de janeiro resolveu estuprar novamente, dessa vez uma criança, Elcleciane Nascimento Duarte, de 10 anos. A menina frequentava a casa da namorada de Ronald, pois ajudava a mulher a fazer uns bolinhos que ambas vendiam nas ruas.

O homem teria oferecido R$ 40,00 para a menina fazer sexo com ele. Ela não aceitou e, assustada, tentou fugir, mas foi agarrada e estuprada. Após a violência sexual, Ronald deu um mata-leão na vítima, que desmaiou. Desacordada, Elcleciane foi estrangulada com uma corda e morreu. Ronald escondeu o seu corpo debaixo da cama.

À noite, a namorada de Ronald descobriu o corpo da criança e foi ameaçada por ele, mas contou à família da vítima o que havia acontecido. Acionada, a PM encontrou o assassino escondido numa mata.

Preso em flagrante por estupro seguido de morte e ocultação de cadáver, Ronald foi levado até a delegacia, mas nunca chegou a ver o sol nascer quadrado. Raivosa, a população local decidiu fazer justiça com as próprias mãos. Dezenas de pessoas depredaram e invadiram a delegacia, tirando Ronald na pancada. Em praça pública, e entre gargalhadas dos presentes, Ronald foi espancado, esquartejado e queimado. Enquanto seus pedaços ardiam em chamas, carros passavam ao lado fazendo um buzinaço.

Horripilante.

Veja abaixo imagens do cadáver de Elcleciane e um vídeo gravado por populares.

Atenção: vídeo contém imagens gráficas.

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11. Horda de Tolos


Libreville, Gabão | 24 de Janeiro

O quão tolo o ser humano pode ser?

Um crime ocorrido no Gabão em 2020 continua mostrando o quanto ainda estamos longe daquela palavra chamada civilização. Todos os anos cito tais casos e ano após ano ninguém se importa. A autoridade vai lá, solta uma nota de repúdio e no segundo seguinte pega o WhatsApp pra ver aquele meme engraçado no grupo da família. Ou seja, a nota de repúdio é um mero ato burocrático constado no manual de operações do servidor público.

Em 12 de janeiro de 2020, uma criança desapareceu perto da cidade de Bitam, no norte do Gabão. Isso, entretanto, foi um rumor, mas que saiu de controle devido ao uso de ferramentas digitais como o WhatsApp. Logo, vídeos completamente falsos de pessoas afirmando sobre outros sequestros criaram o caos por todo o país. (Eu fico imaginando o que leva uma pessoa a inventar isso. Comportamento gadolóide?).

Rumores se espalharam rapidamente pelas redes sociais e cada vez mais pessoas soltavam áudios a respeito de criancinhas sendo roubadas por aí. O negócio se tornou tão bizarro que civis simplesmente se juntavam nas ruas e alimentavam os boatos uns dos outros, de forma que eles se amontoaram num bando de justiceiros e se sentiram no direito de invadir as casas das pessoas para “averiguar suspeitos”, como atesta esse vídeo publicado no Facebook.

O comportamento, de repente, se transformou em violência em 23 de janeiro quando multidões começaram a bloquear estradas e revistar os veículos que passavam. No dia seguinte, a situação piorou quando carros foram incendiados e as turbas cegas começaram a apontar os dedos para os motoristas. E foi durante essa onda de cegueira coletiva que um pai de família foi espancado, apedrejado e assassinado.

Gervais Patrick Eyeghe Obame, um funcionário do governo, foi atacado quando estava indo em direção à escola da filha para pegá-la depois da aula. Covardemente assassinado, Obame ainda resistiu por um dia, mas faleceu no hospital.

Como de praxe, autoridades vieram a público (incluindo o presidente do Gabão) condenar o ato. Entretanto, investir na educação dessa população imbecilizada, criar condições de igualdade social ou tirar a maioria dos gaboneses da miséria, isso as autoridades não fazem.

Portanto, continuaremos a ver notas de repúdio como as abaixo nas próximas edições dos 101 Crimes:

  • Presidente do Gabão:

Rien ne saurait justifier les actes inhumains qui ont secoué notre pays ni la vengeance populaire, qui est par…

Publicado por Ali Bongo Ondimba em Domingo, 26 de janeiro de 2020

  • Ministério da Economia:

C’est dans la douleur et la consternation que nous apprenons la disparition de M. Gervais Patrick EYEGHE OBAME, agent de…

Publicado por Ministère de l’Economie et de la Relance em Sábado, 25 de janeiro de 2020

Vídeo: filmagem mostra Gervais Patrick cercado pela multidão pouco antes de ser morto.

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12. Em nome da honra


Província de Sinde, Paquistão | 27 de Janeiro

Nasreen Brohi desafiou a sua família em janeiro de 2018 ao se casar com Murtaza Rind. Mulheres naqueles cantos do mundo não têm o direito de escolherem o marido e a atitude petulante de Brohi desonrou sua família.

Briga de cá e de lá, uma reunião foi organizada em um conselho tribal para discutir o caso. Homens de ambas as tribos, tanto de Brohi quanto de Rind, se encontraram e decidiram que Rind devia pagar uma multa à família de Brohi e a moça voltar imediatamente para a casa dos pais. E assim foi feito. Casamentos sem o aval dos anciãos não poderiam ser tolerados.

Tempos depois, a família de Brohi a vendeu para um homem de uma tribo chamada Jatoi. A mulher definitivamente não queria aquela vida pra ela e fugiu. Brohi gostava de Rind e era com ele que ela queria ficar.

Após a fuga, Brohi apareceu na casa de Rind e ambos viveram felizes. Isso até o final de 2019.

Numa escura noite paquistanesa, o pai e os irmãos de Brohi decidiram limpar o nome da família, invadiram a casa do casal durante a madrugada e lá cometeram um massacre. Rind, seus dois irmãos, duas irmãs e mais uma criança foram metralhados. Brohi conseguiu escapar na escuridão.

13. A PrimogênitaBrasil


Santo André, São Paulo, Brasil | 27 de Janeiro

No dia de sua morte, o empresário Romuyuki Gonçalves, de 43 anos, publicou em seu perfil do Facebook um texto que dizia sobre as dificuldades da vida — com determinação, perseverança e fé, por exemplo, você conseguiria vencer os obstáculos e chegar ao “sucesso”. Horas depois, ele estaria morto. Seria a publicação um presságio? O seu precoce e brutal fim, na verdade, o teria levado ao “sucesso”? Ou seja, deixando de uma vez por todas esse mundo imundo e atrasado, se dirigindo a um lugar melhor?

Latrocínio ou um roubo que saiu do controle? Como se deu a dinâmica do assassinato de Romuyuki e sua família em Santo André parece não importar quando ficamos sabendo que a cabeça por trás do plano era a própria filha, e é isso o que adiciona uma dimensão horripilante ao caso.

Em 28 de janeiro de 2020, um carro foi encontrado em chamas em São Bernardo do Campo, um local cerca de seis quilômetros distante de um condomínio de sobrados em Santo André. Dentro do porta-malas do carro havia três corpos totalmente carbonizados. As vítimas eram o empresário Romuyuki, sua esposa Flaviana, de 40 anos e o filho caçula do casal Juan Victor, de 15. Dias depois, uma autópsia revelou que a causa da morte dos três foi traumatismo craniano, possivelmente decorrente de coronhadas de uma arma de fogo. As vítimas foram mortas antes de terem os corpos queimados.

Romuyuki e a família moravam em um condomínio não muito distante do local onde foram encontrados. Dentro da casa, a polícia identificou objetos furtados, como joias, uma TV e o videogame de Victor, além de R$ 8 mil em moeda nacional e estrangeira.

Quatro dias depois, a polícia confirmou a presença de sangue humano na casa da família, nas escadas, nas roupas e na máquina de lavar. Imagens de câmeras de segurança mostravam a filha primogênita do casal, Anaflávia Gonçalves, de 24 anos, visitando os pais na noite do crime. Posteriormente as imagens mostravam o carro de Anaflávia e dos seus pais saindo do local.

A resolução do crime e descoberta de seus autores foi relativamente simples dado o amadorismo dos criminosos e eficiência policial. O que resta saber, até hoje, é o que realmente motivou as mortes.

O plano criminoso foi esboçado por Anaflávia e sua namorada Carina de Abreu, de 26 anos. Ambas supostamente estavam em dificuldade financeira e Anaflávia decidiu roubar o dinheiro que os pais mantinham em um cofre dentro da casa da família. Para ajudar no roubo, elas contaram com a ajuda de três outras pessoas: dois primos de Carina — os irmãos Juliano Oliveira Ramos Júnior e Jonathan Fagundes Ramos, e Guilherme Ramos da Silva, vizinho dos irmãos Ramos.

O casal Anaflávia e Carina.

Na noite de 27 de janeiro, Anaflávia chegou na casa de seus pais e agiu normalmente, chegando até a jogar videogame com seu irmão Juan Victor. Sua namorada Carina ficou dentro do carro do lado de fora. Dentro do carro, também estavam os irmãos Ramos e Guilherme. Eles colocaram balaclavas e entraram dentro da casa apontando uma arma para Carina, fingindo que eles eram assaltantes. Eles amarraram a família e torturaram Romuyuki e Juan Victor para eles contarem o segredo do cofre. O plano era os homens roubarem o dinheiro e irem embora, simulando um assalto. Mas algo saiu errado e a polícia ainda não sabe o que foi. Depois de presos, os cinco acusados passaram a culpar uns aos outros, dificultando o trabalho da polícia em identificar as ações de cada um. Anaflávia e Carina dizem que os irmãos Ramos e Guilherme ficaram raivosos por encontrarem pouco dinheiro no cofre, e então as ameaçaram e mataram a família. Já os rapazes citam que um deles soltou sem querer palavras que incriminavam Anaflávia e Carina no assalto, então a própria filha decidiu matar os pais e o irmão, com Carina fazendo o “serviço sujo” (neste caso, ela teria usado sacos plásticos para sufocar as vítimas, entretanto, esse método de matar é desmentido pela perícia).

Assassinados com coronhadas na cabeça, Romuyuki, Flaviana e Juan Victor foram colocados dentro do porta-malas do carro da família e Carina o dirigiu até um local afastado onde foi incendiado e explodido. Também não se sabe ainda quem incendiou o carro.

A última audiência judicial do caso ocorreu em novembro de 2020 e até esta data o Ministério Público não havia conseguido individualizar a conduta criminosa de cada um dos réus.

Mas o que fica desse episódio é o horror em saber que alguém, neste caso uma jovem mulher, foi quem abriu as portas da casa da sua própria família para serem massacrados como animais e torrados como papéis velhos. Ela aniquilou o que tinha de mais importante nesse mundo e aqueles que sempre estariam ao seu lado custe o que custasse.

Anaflávia matou ela mesma.

14. Passeando com uma cabeçaÍndia


Vila de Bahadurpur, Uttar Pradesh, Índia | 31 de Janeiro

Akhilesh Rawat, de 30 anos, e Rajani, de 26, se casaram por volta de 2017 e em 2019 estavam felizes pelo nascimento da primeira filha. A alegria, entretanto, durou pouco, já que a criança faleceu apenas dias depois do nascimento devido a uma doença.

Desde então, Rajani estava morando na casa dos pais. Mas em 27 de janeiro de 2020, Rawat convenceu a esposa a voltar para casa e ela aceitou. Quatro dias depois, após uma briga, o marido arrastou a esposa para fora da residência e a decapitou. Tranquilamente, pegou a cabeça recém-decepada pelos cabelos e saiu andando pelas ruas.

Incrédulas, pessoas que testemunharam a cena o filmaram com a cabeça na mão acenando para as testemunhas enquanto elas gritavam.

De acordo com a polícia, Rawat matou a esposa após uma discussão relacionada ao dote.

Vídeo: veja abaixo vídeo gravado por populares.

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15. Comandante TrapaceiroTailândia


Nakhon Ratchasima, Tailândia | 8 de Fevereiro

Uma mãe dirigindo com seu filho, um adolescente em uma moto, um engenheiro passeando no shopping e uma mãe tentando proteger seu filho de dois anos foram 4 das 30 vítimas do pior massacre em massa cometido por um indivíduo solitário da história da Tailândia.

Quando as fumaças dos tiros e explosões se dissiparam, era chegada a hora de juntar os cacos para descobrir o que levou um jovem comum a cruzar a linha e embarcar numa terrível onda de matança.

Jakrapanth Thomma, de 31 anos, era um homem quieto e solidário. Atirador habilidoso que gostava de passar o tempo livre jogando futebol, Thomma servia o exército de seu país e parecia não ter problemas pessoais. Entretanto, alguns que o conheciam notaram algo de diferente: ele tinha um extremo ódio de seu superior, pois, supostamente, o homem o passou para trás em um negócio.

Na Tailândia, o Exército é uma das instituições mais poderosas do país, e com o poder vem a corrupção. É comum militares se envolverem com políticos e negócios privados fraudulentos. Militares de alta patente possuem negócios milionários derivados tanto do privilégio de participarem da cúpula do país quanto do tráfico de influência. Como não poderia deixar de ser, militares em hierarquia superior tiram vantagens dos que estão mais abaixo, muitas vezes colocando-os para realizarem serviços particulares.

“Militares de alta patente operam com impunidade, o que pode alimentar ressentimento nas camadas de baixo.”

[Anthony Davis, analista político]

Homens fazendo negócios errados, passando a perna nos outros ou explorando as pessoas, isso existe no mundo inteiro. O problema na Tailândia é que eles andam armados, ou seja, qualquer faísca pode ser fatal.

Nascido na pobreza, Thomma suou para chegar à patente de sargento, algo incomum para pessoas de sua origem. Mas sua carreira militar teria um fim trágico após ele ser passado para trás pelo seu superior. Não apenas sua carreira, como também as vidas de 31 pessoas, incluindo a dele.

Em 8 de fevereiro de 2020, às 12:10 horas, visivelmente reclamando sobre pessoas que ficam ricas tirando vantagens de outras, Thomma escreveu em sua página no Facebook:

“Eles acham que podem gastar o dinheiro deles no inferno?”

Às 15 horas, ele chegou até uma casa para discutir com seu comandante, o coronel Anantarote Krasae, a respeito de um negócio envolvendo a compra de uma propriedade. Sem chegarem a um acordo, Thomma atirou e matou o coronel e sua sogra.

Às 16 horas, ele chega até a base militar Surathamphitak onde trabalha, mata um guarda pelas costas e rouba armas. Ele sai dirigindo um Humvee.

Às 16:30 horas, enquanto autoridades o perseguem, ele para em um templo budista e abre fogo, matando nove pessoas, incluindo um policial.

Às 17:30 horas, ele chega até o shopping center Terminal 21 e espalha o terror ao metralhar pessoas.

Às 17:50 horas, a polícia isola a área num raio de dois quilômetros.

Às 18:30 horas, Thomma posta uma mensagem no Facebook: “A morte é inevitável para todos”. Ele tira uma selfie mostrando ao fundo uma explosão. Ele também começa a fazer uma live do massacre.

Às 20 horas, a polícia leva a mãe desesperada do atirador até o shopping na tentativa de fazer Thomma se render.

Às 21:30 horas, o Facebook derruba o perfil de Thomma.

Às 22:15 horas, as forças de segurança da Tailândia invadem o shopping e ajudam centenas de pessoas a escaparem.

Às 22:50, as forças de segurança tomam o controle do térreo do shopping.

Durante toda a madrugada do dia 9 de fevereiro, as forças de segurança caçaram Thomma dentro do shopping até às 8 horas da manhã, quando se descobriu que ele estava escondido no porão. Uma hora depois, após uma intensa troca de tiros, Jakrapanth Thomma foi morto.

Foto: veja abaixo imagem do corpo do atirador.

Vídeo: veja imagens do massacre, incluindo a morte do guarda na base militar.

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16. DescarnadaMéxico


Cidade do México, México | 9 de Fevereiro

O feminicídio de Ingrid Escamilla, de 25 anos, revoltou a sociedade mexicana em 2020.

Ela foi morta por seu companheiro, o engenheiro civil Francisco Robledo, de 46 anos. O homem teria ficado irritado com as cobranças de Ingrid por suas bebedeiras e, durante a briga, a esfaqueou dezenas de vezes. Mas não foi só isso.

Francisco descarnou Ingrid e removeu os seus órgãos. Não bastasse o horror do crime em si, a mídia mexicana publicou fotos do cadáver de Ingrid — uma das imagens mais horríveis que alguém irá ver na vida — nas capas de jornais com títulos do tipo: “La culpa la tuvo cupido” (Foi culpa do cupido, em tradução literal).

O crime horrendo e fútil, e o tom jocoso e sensacionalista da mídia, causaram revolta, e protestos tomaram as ruas de pelo menos 10 estados no México.

Abaixo um vídeo de Francisco Robledo confessando o crime a policiais logo após ser preso em flagrante. Quando o policial pergunta qual o nome da esposa dele, com a voz embargada, Robledo diz: “Ingrid Escamilla Vargas”.

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Fotos: Capas de jornais e uma imagem do cadáver de Ingrid Escamilla. Atenção! Imagem extremamente gráfica, não recomendado para pessoas sensíveis!

17. Bichos-PapõesMéxico


Cidade do México, México | 11 de Fevereiro

  • 2013 | Catalão, Brasil

Iasmin Silva, 8 anos, desaparece após sair para brincar na rua. Seu cadáver foi encontrado dias depois. Ela foi estuprada e morta a pauladas [Ver Crime 93]. Ainda em 2013, Nong Cartoon, 6 anos, foi atraída por um assassino em série, estuprada e estrangulada [Ver Crime 92].

  • 2014 | Kobe, Japão

Mirei Ikuta, de 6 anos, saiu sozinha para ir até a casa de uma amiguinha vizinha brincar e desapareceu. Ela foi estrangulada, decapitada e esquartejada [Ver Crime 71].

  • 2015 | Berlim, Alemanha

Mohammed Januzi, de 6 anos, é atraído por um assassino em série que o leva até um apartamento. Lá, a criança foi estuprada e assassinada [Ver Crime 88].

  • 2016 | Buenópolis, Brasil

Como fazia todos os dias, Rayane Cândida, de 10 anos, saiu sozinha de casa para ir até o ponto onde pegaria a Van escolar. Um dia ela desapareceu. Ela foi estuprada, estrangulada e teve o coração arrancado pelo maníaco [Ver Crime 34].

  • 2017 | Otradnoye, Rússia

Ruslan Korolev, de 10 anos, é atraído por um maníaco até um apartamento. Ele foi estuprado, assassinado e esquartejado [Ver Crime 89].

  • 2018 | Kasur, Paquistão

Zainab Ansari, de 6 anos, passava férias na casa de um tio quando saiu para ir até a escola de música onde fazia aulas de canto e desapareceu. Ela foi estuprada e morta por um assassino em série que descartou o seu cadáver num lixão [Ver Crime 2].

  • 2019 | Karatau, Cazaquistão

Foi permitido à Aruai Berik, de 9 anos, andar sozinha da escola até a sua casa após o fim de uma aula. Ela nunca chegou. Estuprada, espancada e queimada, seu cadáver foi encontrado num lote baldio [Ver Crime 27].

  • 2020

Todos os anos citamos pelo menos Um caso envolvendo uma criança que desaparece apenas para ser encontrada morta dias depois. O objetivo ao mostrar esses casos é um só: quando se fala em criança, não há meio-termo, todo cuidado ainda é pouco.

Desaparecer quando foi brincar sozinha na rua, quando foi até a padaria ou quando foi buscar alguma coisa na casa da vizinha é o mais comum, mas às vezes, pedófilos, maníacos sexuais ou assassinos nem de um descuido assim precisam. Em alguns casos eles agem com os próprios pais por perto ou na vista de outros adultos. O colombiano Pedro Lopez confessou que seguia crianças e seus pais. Num momento de desatenção dos adultos, ele pegava a criança. Já o francês Nordahl Lelandais estava numa festa de casamento quando viu uma linda criança de 9 anos. Ele a levou embora da festa, a estuprou e matou.

No México, em 2020, um caso de violência infantil chocou o país já cansado de feminicídios e assassinatos de crianças.

Foram apenas 15 minutinhos de atraso, mas o suficiente para Maria Magdalena Antón chegar na escola para buscar a sua filha e descobrir que ela não estava mais lá. Sua filha, Fátima Cecilia Aldrighett, de 7 anos, pegou na mão de um estranho e ele não tinha boas intenções.

O grande erro neste caso foi da escola, ao permitir uma criança sair com alguém que não era responsável por ela (o diretor da escola seria mais tarde suspenso). Imagens de câmeras de segurança flagraram a pequena Fátima caminhando de mãos dadas com uma mulher. Dias depois, o corpo esquartejado da criança foi encontrado em um saco de lixo.

Câmeras de videovigilância flagraram Fátima e a sequestradora andando de mãos dadas em uma rua.

No Twitter, as hashtags #Fátima e #JusticiaparaFatima viralizaram e, em 19 de fevereiro, a prefeita da Cidade do México foi ao mesmo Twitter dizer que os “responsáveis pelo feminicídio da menor Fátima Cecilia foram detidos”:

Eles eram Gladis Giovana Cruz Hernández e seu marido Mario Alberto Reyes Nájera. O casal, acima de qualquer suspeita, e pais de três filhos, morava num condomínio propriedade da família da vítima, daí a possibilidade de Fátima ter reconhecido Giovana e ido embora com ela. Mario queria “uma jovem namorada” e sua esposa o ajudou sequestrando Fátima. Em depoimento, a mulher disse temer que o marido abusasse sexualmente dos próprios filhos se não conseguisse uma criança. Quando ela entregou Fátima a ele, o homem a vestiu com roupas novas de criança que havia comprado e pintou suas unhas. Em seguida ela sofreu tortura, abuso sexual e foi morta por estrangulamento.

O caso chocou os mexicanos e gerou uma onda de indignação que culminou em protestos em dezenas de cidades.

“Todos os dias desaparecem 7 crianças como Fátima: o número que desnuda uma ‘epidemia’ no México”.

[Univision]

  • A Saber I: Em Serra Leoa, o estupro e assassinato de Kadija, de 5 anos, em 17 de Junho, fez centenas de pessoas tomarem as ruas da capital em protesto à crescente violência contra menores. Em 2019, o presidente havia declarado “um Estado de Emergência Pública a respeito do estupro e violência sexual”.
  • BoliviaA Saber II: Na Bolívia, o estupro e assassinato de Esther, de 9 anos, em 5 de Julho, fez os bolivianos irem às ruas segurando cartazes com os dizeres: “Que haja justiça para a criança Esther”. Ela foi raptada quando estava na rua por Zenón Manzaneda Juchani, de 42 anos. Ele foi condenado a 30 anos pelo crime.
  • MarrocosA Saber III: No Marrocos, o estupro e assassinato de Adnane Ouchouf, de 11 anos, em 7 de setembro, chacoalhou o país. O menino saiu de casa para comprar umas ervas medicinais para o seu pai e não voltou. Ele foi encontrado enterrado nas proximidades. Veja a reportagem de uma TV local.
  • A Saber IV: No Paquistão, o estupro e assassinato de Zainab, de 2 anos, em 6 de outubro, causou indignação no país. A menina estava brincando do lado de fora de sua casa quando foi raptada. As hashtags #JusticeForZainzab e #AnotherZainab se tornaram Trending Topics no Twitter. Clique aqui e veja uma reportagem da TV paquistanesa sobre o caso.

18. InumanosIemen


Distrito de Sa’fan, Iêmen | 13 de Fevereiro

Vítima: Isbah Yahya Mahdi

Idade: 16 anos

O Crime: fotos de um assassinato cruel tiveram um papel crucial na identificação dos culpados: o pai e os três irmãos da vítima. A vítima em questão é Isbah Yahya Mahdi, de 16 anos, cruelmente espancada, torturada e enforcada pelos homens de sua própria família. Um dos irmãos se enfureceu ao descobrir conversas e fotos no celular de Isbah, trocadas com um rapaz da vila onde moravam, e comunicou aos seus outros irmãos e pai. Acreditando que Isbah não era mais virgem, os homens da família decidiram “lavar a honra”, e isso significava matar Isbah. A menina foi torturada durante dias pelos três irmãos, espancada, obrigada a beber veneno [imagem em destaque] e, enquanto executavam o crime, os garotos registravam tudo em seus celulares, compartilhando as fotos com o papai pelo WhatsApp, fotos que posteriormente causariam repulsa nas redes sociais. No fim, Isbah terminou enforcada. O Iêmen é considerado o pior país do mundo para uma mulher viver, possui uma altíssima taxa de casamentos infantis (metade das mulheres iemenitas são obrigadas a se casarem antes dos 18 anos) e uma lei que permite o chamado “crime de honra”. Durante a autópsia ficou comprovado que Isbah era virgem. Imagens: veja abaixo fotos compartilhadas pelos irmãos assassinos no WhatsApp.

19. Monstro DiabólicoAustrália


Brisbane, Queensland, Austrália | 18 de Fevereiro

Nas redes sociais, Rowan Charles Baxter, de 42 anos, ostentava sua vida perfeita: sorrisos, amigos, esposa e filhos lindos, corpo musculoso, negócios de sucesso e por aí vai. Ex-jogador de rugby, na superfície Baxter se apresentava como o melhor negócio, mas nós sabemos que a vida real é o oposto da virtual.

Em sua vida real, Baxter era um homem podre, que acreditava que as mulheres só podiam ser duas coisas: domésticas ou prostitutas. Criado por um pai igualmente misógino, Baxter foi um menino raivoso que xingava e gritava com as pessoas. Na juventude tinha um problema de “raiva”, como ele mesmo citou em uma entrevista. Seu casamento durou 11 anos e foi marcado por violência doméstica. Sua esposa, Hannah Clarke, de 31 anos, decidiu dar um basta e em novembro de 2019 largou o marido, levando os três filhos do casal juntos com ela. Quando uma prima de Baxter estendeu a mão para Clarke, pois conhecia muito bem o primo, o homem passou a deixar fezes na porta de sua casa.

Seguiu-se um processo de divórcio, mas Baxter estava sendo consumido por um ódio doentio porque sentia-se dono absoluto de sua ex-esposa e filhos. Eles eram sua posse e aquele ser (ex-esposa) “inferior” estava ferindo o seu orgulho masculino.

Então veio o horror.

Em 18 de fevereiro ele espreitou ex-esposa e filhos, que a esse ponto moravam na casa dos pais de Clarke. Ele os viu entrando dentro de um carro. Clarke estava levando os três filhos, Aaliyah, de 6 anos, Laianah, de 4, e Trey, de 3 anos para a escola. Baxter abordou a ex-esposa, jogou um líquido inflamável sobre ela e nos próprios filhos, e ateou fogo.

Pessoas que passavam no momento tentaram ajudar mãe e filhos, mas Baxter gritava e ameaçava quem chegasse perto. Em seguida, o homem afastou-se do carro por um momento, voltando com uma faca, e se esfaqueou até a morte.

Hannah conseguiu saltar do carro em chamas e gritou: “Ele derramou gasolina em mim!”. Então, em chamas, passou a rolar na calçada. Consciente, mas em grande agonia, Hannah foi ajudada por testemunhas. Uma delas revelou que “a pele descascava e ela levantou as mãos. Pedaços estavam pendurados”. Levada ao hospital em estado crítico, Hannah faleceu no dia seguinte.

Aaliyah, Laianah e Trey morreram carbonizados dentro do carro.

A violência contra a mulher e o feminicídio são batalhas perdidas para a nossa geração. Esqueça. Crimes como o cometido por Baxter continuarão a acontecer hoje, amanhã e nos próximos anos e décadas.

Qual poderia ser uma solução então? Olhar para a geração do amanhã.

Ensinar crianças sobre respeito, igualdade e atitudes positivas em relação ao gênero feminino. Família e escola são essenciais e é necessário que nesses dois ambientes se ensine o respeito. Crianças precisam saber que qualquer tipo de violência — verbal, física ou emocional — não é bonito. Conversar sobre relacionamentos respeitosos e atitudes positivas em relação às mulheres desde a infância pode ajudar a moldar o comportamento e atitudes da criança por toda a sua vida.

20. Extremista IncelAlemanha


Hanau, Hesse, Alemanha | 19 de Fevereiro

Um “incel” de extrema direita mentalmente instável e com profundas visões racistas influenciadas por bizarras teorias da conspiração. Este era o perfil do alemão Tobias Rathjen, de 43 anos.

Solteiro por toda a vida, ele não se relacionava com mulheres e vivia com seus pais, ambos de 72 anos, em um apartamento simples na cidade de Hanau. Ex-colegas o descreveram como um solitário que tinha uma personalidade “muito ambiciosa”, “workaholic”, às vezes trabalhando 12 horas por dia, mas com “quase zero” habilidades interpessoais.

Por fora ele poderia parecer estranho, mas o pior era o que tinha dentro dele: puro ódio. Perdido num mundo patológico de rancor e loucura, Tobias acreditava que o planeta roubava todas as suas ideias: Trump havia roubado a sua ideia do slogan “American First”, já os roteiristas de Hollywood roubaram os seus roteiros de filmes e séries famosas. Até mesmo o badalado e vencedor jogador e técnico de futebol Juergen Klinsmann roubou suas ideias futebolísticas. “Nada disso pode ser uma coincidência”, ele escreveu em um manifesto de 24 páginas.

Mas eram seus pontos de vista extremamente racistas que mais assustavam. Tobias dizia que raças e nações deviam ser “completamente exterminadas”. Para este extremista, basicamente metade do planeta devia virar pó, sobrando apenas os brancos puros. “Se houvesse um botão que eu pudesse apertar para fazer isso acontecer, eu o pressionaria imediatamente”, afirmou.

“Durante toda a minha vida não tive mulher ou namorada.”

[Tobias Rathjen]

Em seu manifesto, ele não usou a palavra “incel”, normalmente usada por homens como ele como um rótulo e grito de guerra de indivíduos que vivem nos confins da Internet destilando ódio contra o sexo feminino. Tobias, entretanto, era misógino, mas sua misoginia perdia em intensidade para assuntos como racismo, extermínio de raças “inferiores” e teorias conspiratórias, essas seu carro-chefe.

Em vídeos postados no YouTube, ele diz como desde criança vinha sendo vigiado — uma teoria conspiratória surgida na extrema-direita dos Estados Unidos — e como os americanos eram controlados por “sociedades secretas invisíveis”, discorrendo sobre bases subterrâneas militares onde “eles abusam, torturam e matam pequenas crianças”.

Em seu site pessoal, nota-se sua obsessão com teorias da conspiração, esoterismo e ocultismo, seguindo tópicos que iam de supostos experimentos com restos alienígenas a experimentos ilegais de controle da mente pela CIA nas décadas de 1950 e 1960.

Como ninguém deu ouvidos a ele (Tobias chegou a “alertar” a polícia alemã sobre suas “certezas”), Rathjen resolveu agir e limpar os “ratos humanos” que não mereciam estar num território branco e puro como o alemão.

Parentes seguram fotos de duas das vítimas de Tobias Rathjen. Foto: AP.

Em 19 de fevereiro, ele assassinou 9 pessoas em dois bares de Hanau, frequentados majoritariamente por imigrantes turcos, então voltou para sua casa, assassinou a própria mãe e depois se matou com um tiro na cabeça. Seu pai conseguiu escapar.

Num mundo cada vez mais negacionista e obscurantista, onde autoridades fazem vistas grossas para a desinformação e menosprezam o poder de influência de conteúdos nocivos e falsos compartilhados na Internet, a pergunta que se faz é apenas uma: De onde virá o próximo Tobias Rathjen?

“As seguintes pessoas devem ser completamente exterminadas: Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Israel, Síria, Jordânia, Líbano, completamente a Península Arábica, Turquia, Iraque, Irã, Cazaquistão, Turcomenistão, Uzbequistão, Índia, Paquistão, Afeganistão, Bangladesh, Vietnã, Laos, Camboja e Filipinas”.

[Tobias Rathjen]

21. Ódio ApenasPorto Rico


Toa Baja, Porto Rico | 24 de Fevereiro

Vítima: Neulisa Luciano Ruiz

Idade: 29 anos

O Crime: O assassinato da sem abrigo e transgênera Neulisa Luciano Ruiz, também conhecida como Alexa, causou indignação em Porto Rico e na comunidade hispânica dos Estados Unidos no ano de 2020. No dia de sua morte, Alexa estava no McDonald’s e foi abordada por policiais após alguém reclamar que ela havia usado o banheiro feminino. Fotos tiradas por clientes do estabelecimento mostram Alexa sendo abordada pela polícia. Horas depois, ela seria assassinada com vários tiros por adolescentes que passaram a atormentá-la. Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, é possível escutar os jovens gritando frases do tipo: “Ei, me dê esse rabo!”, “Ei, nós vamos atirar em você!”, “Ei, vamos acabar com essa filha da puta! Qual é?”, “Eu aposto que eu vou atirar naquela filha da puta. Aposto com você, filha da puta!”. Pelo menos 10 tiros são ouvidos na gravação. Dias depois, o rapper Bad Bunny surpreendeu ao se apresentar em um dos programas de maior audiência nos Estados Unidos com uma camisa com a escrita: “Eles mataram Alexa. Não um homem com saia”. Já a senadora democrata americana Elizabeth Warren foi ao Twitter dizer como estava com o “coração doente por Alexa e seus entes queridos”. A melhor manifestação, porém, veio da Human Rights Watch: “Neulisa Luciano Ruiz era um ser humano”.

22. Calcinada VivaArgentina


Lobos, Buenos Aires, Argentina | 1 de Março

Vítima: Guadalupe Ezeiza

Idade: 10 anos

O Crime: Na tarde de domingo, 1 de março de 2020, Sergio Ramón Oliveira, de 22 anos, passou na casa de sua prima Guadalupe Ezeiza, de 10 anos, para pegá-la e levá-la até uma festa de aniversário. A mãe de Guadalupe deixou, afinal, era o primo da filha, um familiar, ela estaria segura e em boas mãos. Era comum Guadalupe brincar com a filha do primo Sergio, e naquela tarde ele levaria as duas crianças até a festa. Guadalupe, entretanto, não voltou para casa e, preocupada, sua mãe chamou a polícia. Naquela noite, Sergio chegou descontrolado na casa de um parente e disse: “Fiz merda, a criança, não puder fazer nada”. Avisada, a polícia entrou na casa de Sergio e encontrou o corpo carbonizado de Guadalupe. Ela foi queimada viva pelo primo mais velho. A região genital da criança foi completamente incinerada de modo que o médico legista não pôde investigar se ela sofrera estupro. Sérgio tinha vários arranhões, o que levou a polícia a concluir que Guadalupe lutou por sua vida quando o homem tentou abusá-la. Após desferir vários socos e chutes na criança, Sérgio a assou viva dentro do forno, torrando-a quase inteira.

23. Noivo MonstroArgentina


San Fernando del Valle de Catamarca, Argentina | 1 Março

Uma criança e uma moça, ambas mulheres, ambas covardemente e brutalmente assassinadas no mesmo dia. Os argentinos reagiram com horror aos assassinatos de Guadalupe Ezeiza e Brenda Micaela Gordillo, de 24 anos, esta última, assassinada pelo próprio noivo, um rapaz de 19 anos chamado Naim Vera.

Chamado de um “crime aberrante” pela mídia argentina, tudo começou de forma banal, com uma discussão (supostamente devido ao fato de Brenda suspeitar estar grávida). É surreal imaginar que aquele ou aquela com quem você divide um teto, o seu amor, a pessoa em quem você confia, pode simplesmente decidir de uma hora para outra te aniquilar.

Com um pedaço de pano, Naim sufocou sua noiva até a morte. Arranhões em seu braço indicaram que ela tentou lutar pela vida, sem sucesso. Após matar Brenda, Naim esquartejou o corpo e queimou os pedaços em uma churrasqueira até ficar sem lenha. A cabeça e o tronco foram colocados em uma caixa e as pernas em uma cesta, que foi jogada em uma caçamba de lixo na porta da sua casa. A caixa foi descartada em outra caçamba de lixo.

De volta à casa, o garoto tentou limpar a cena do crime, mas obviamente que os peritos eram mais espertos e encontraram um local cheio de provas incriminadoras incluindo fios de cabelo e sangue. 

Naim Vera e Brenda Micaela.

Preso, agora este feminicida esquartejador não terá mais acesso ao Twitter e poupará a humanidade de ler coisas do tipo:

“Que chatice para as meninas, tantos doentes por aí…”

[Naim Vera. Twitter. 12/12/2018]

Vídeo: manifestação em Catamarca lembra os diversos feminicídios ocorridos em 2020 na Argentina, incluindo o de Brenda.

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24. Seguidora de ChuckyIndonésia


Indonésia | 5 de Março

Em 5 de março de 2020, uma adolescente de 15 anos passou a postar mensagens estranhas em seu Facebook. Uma delas dizia: “A criança sem vida está no meu guarda-roupa. Muitos moradores estão procurando por ela. A polícia inspecionou toda minha casa, ninguém encontrou. Ninguém sabe que fiz isso. Tudo bem, amanhã me rendo”.

A Indonésia reagiu com horror quando a menina, ao invés de ir para a escola no dia seguinte, mudou de rumo e entrou numa delegacia. Ao delegado confessou tranquilamente e com satisfação ter colocado dentro do armário do seu quarto o cadáver da vizinha — uma menina de 5 anos —, afogada na banheira e estrangulada pela própria.

A menina gostava do macabro. Ela tinha um diário onde desenhava e escrevia contos macabros. Nos papéis, vários desenhos de Slender Man, o famoso personagem fictício de horror da Internet que sequestra e mata crianças.

Em sua confissão à polícia, a autora do crime, cujas iniciais divulgadas são N.F., revelou ter o constante desejo de matar e, inspirada por seu filme favorito, Brinquedo Assassino, atraiu a vítima até a sua casa e a matou.

Se condenada, ela poderá pegar a pena máxima para menores de idade na Indonésia: 9 anos.

25. CorretivoRússia


Astracã, Oblast de Astracã, Rússia | 5 de Março

Vítima: Alexander Parakhnyakov

Idade: 12 anos

O Crime: descrita por vizinhos como “uma mãe perfeita” e “uma mulher de sucesso”, Galina Morozova, de 56 anos, uma política com ambições de se tornar a governadora de Oblast de Astracã, supostamente tinha problemas em casa com seu filho pré-adolescente Alexander. O menino, pelo que Galina confessaria mais tarde, era incontrolável e de maneira alguma se endireitava, mesmo com a boa educação que ela lhe proporcionava. Ela o proibia de ficar vadiando na rua ou indo em festas. Quando o menino desapareceu numa noite para ir até uma festa do pijama e só voltou no dia seguinte, Galina surtou. Os dois discutiram asperamente e quando Alexander dormiu, Galina o atacou com a ponta afiada de uma escova de cabelo e um haltere, batendo repetidas vezes na cabeça do menino até ele morrer. Após assassinar o caçula, Galina concretou o corpo no porão da casa do seu filho mais velho e nos dias seguintes publicou posts desesperados nas redes sociais sobre o seu “filho desaparecido”. Três meses depois ela foi desmascarada e não demonstrou arrependimento ou tristeza. “Minha situação me fez pensar o que eu poderia fazer para prevenir outras crianças de repetir os erros do meu filho caçula. Como eu poderia proteger outras famílias da mesma aflição que a minha?”, disse a mulher em seu julgamento. Ela foi condenada a 14 anos de prisão. Clique aqui e veja uma foto da polícia escavando o local onde Alexander foi enterrado e tocando o que parece ser o crânio.

26. Cobiça Maldita


Algoz, Silves, Portugal | 20 de Março

“Isto pode parecer muito estúpido ou imaturo da minha parte, mas eu tinha há pouco tempo visto numa série um homem, que também matou despropositadamente uma mulher, e que lhe cortou os dedos para ter acesso ao telemóvel, uma vez que era através das impressões digitais que o podia desbloquear. Então, pus um papel debaixo da mão dele e comecei a tentar cortar com uma faca o polegar direito e o indicador com que ele desbloqueava os dois telemóveis. Para minha surpresa, consegui. Não sangrou muito.”

[Maria Malveiro]

Um casal senta-se diante de um juiz de instrução e começa a narrar de forma calma e indiferente o grotesco assassinato que cometeram. O que sai da boca delas é um sinistro conto de traição, enganação e cobiça, misturado com sufocamento, decapitação e desmembramento. Horrorizado, o juiz exclama:

“Isso é de uma frieza de ânimo, isto é macabro!”

Macabras, mas amadoras, o casal de namoradas Maria Malveiro, de 20 anos, e Mariana Fonseca, de 24, assombrou Portugal com um crime digno de um episódio da série Contos da Cripta. A sinopse poderia ser a seguinte: “Menino trabalhador e ingênuo recebe seguro da morte da mãe, e menina por qual era apaixonado, com ajuda da sua namorada enfermeira, fará tudo para colocar a mão na grana”.

Diogo Gonçalves.

Com uma vida marcada por dificuldades, Diogo Gonçalves, de 21 anos, vivia para o trabalho e para agradar a menina da qual ele gostava: Maria Malveiro. Colegas de trabalho em um hotel, Diogo fazia tudo que podia para ter a atenção de Maria e ela parecia gostar dos mimos que ele dava, mas dizia não querer nada com ele, pelo menos não por agora, já que supostamente havia saído de um relacionamento com um homem que lhe batia.

Um belo dia, abruptamente, Maria decidiu largar o emprego. Para uma colega de trabalho disse estar farta do falatório sobre ela e Diogo estarem juntos e, além disso, queria estar mais perto da mãe. Ninguém estranhou. Mas estranho mesmo foi que logo após sair do hotel ela passou cada vez mais enviar mensagens e manter contato com Diogo. O comportamento tinha uma razão: Maria saiu do emprego para planejar, juntamente com sua namorada Mariana, a qual ela mantinha um relacionamento sigiloso, roubar Diogo. O ingênuo menino cometeu o erro de comentar com sua amada que finalmente havia recebido o gordo seguro da morte da mãe.

Em 20 de março de 2020, o jovem Diogo estava radiante pois havia marcado um almoço romântico com Maria na casa onde morava. Como presente, Maria levou três ampolas de Diazepam, um ansiolítico e relaxante muscular injetável, frequentemente usado antes das cirurgias para sedar os doentes, que a namorada enfermeira desviara do hospital onde trabalhava, misturando-as no suco de laranja do rapaz.

“Seduzi-o. Coloquei uma cadeira no meio da sala, disse-lhe para se sentar, fechar os olhos e amarrei-o.”

[Maria Malveiro]

Dentre os inúmeros erros cometidos pela dupla homicida, um deles foi misturar o medicamento num suco, o que obviamente fez perder a capacidade de sedação. Sem saber o que fazer, já que Diogo não apagou, Maria chamou a namorada, que aguardava dentro de um carro do lado de fora da casa.

“Quando a Mariana entrou, ele olhou para ela e eu fiquei irritada. Fiz-lhe o golpe mata-leão que aprendi no curso de segurança. Ele conseguiu libertar um braço da cadeira e lutou contra mim. Mas foi ao chão e sufoquei-o.”

[Maria Malveiro]

O casal Maria & Mariana.

Desmascaradas dias depois com facilidade pela polícia, durante todo o tempo Maria tentou tirar a responsabilidade de sua namorada, dizendo ter feito (quase) tudo sozinha. Já a “inocente” Mariana “nunca imaginou” que sua namorada faria o que fez. O plano era apenas roubar algum dinheiro do miúdo e como a coisa saiu do controle, esteve apenas de corpo presente, como se fosse uma “assistente” da namorada.

Após sufocar Diogo até a morte, as moças deceparam dois dedos da vítima para desbloquearem o seu iPhone e assim terem acesso ao aplicativo MBWay, muito usado em Portugal para compras e transferências imediatas. No dia seguinte fizeram compras e câmeras de videovigilância flagraram as duas andando abraçadas e sorrindo. De posso do iPhone de Diogo, o casal percebeu o número de mensagens de pessoas preocupadas com seu sumiço e passaram a responder por ele.

Sentindo que deviam se livrar logo do corpo, dois dias depois do crime o casal decidiu fazer Diogo em pedaços.

“Eu não o tirei do carro. Puxei a cabeça um pouco mais para fora, sempre com o saco em volta dela porque não conseguia olhar para ele. Ao primeiro golpe que dei, assustei-me ao ver o cutelo com sangue. Afastei-me um pouco para tentar manter a calma e voltei a cortar. Demorou muito tempo. Tive de parar para vomitar. Voltei e acabei de cortar a cabeça. Depois cortei as mãos, os pés…”

[Maria Malveiro]

O tronco, a cabeça, os dedos e os objetos pessoais de Diogo foram descartados em dois locais distintos. “A Mariana, com a lanterna do telemóvel iluminou o caminho, não se via nada, era mato. Atirei a cabeça e ouvi-a rebolar. Joguei também os restantes dos sacos com as mãos e os pés”.

Amadoras, as meninas se incriminaram em vários pontos, sendo o mais claro deles no fato de terem transferido dinheiro da conta bancária de Diogo para as delas próprias, via MBWay. Disse o juiz de instrução no despacho que determinou a prisão preventiva das duas: “Estamos perante o crime mais grave do ordenamento jurídico, cometido de uma forma fria, calculista, pensada, totalmente macabra. A frieza das declarações das arguidas assusta e choca qualquer sociedade civilizada e organizada”.

Enquanto aguarda seu julgamento, Maria assediou sexualmente a própria advogada, e foi enviada para a solitária por 15 dias para aprender boas maneiras.

Para mais detalhes sobre esse horrendo assassinato que chocou Portugal, recomendo fortemente a leitura do excelente texto de Felícia Cabrita e publicado no site SOL.

Vídeo: Juiz manda julgar ex-namoradas que desmembraram jovem no Algarve. (A advogada de Maria, que posteriormente seria assediada por ela, é entrevistada).

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27. Um Anjo no CéuBrasil


Brasilândia, Mato Grosso do Sul, Brasil | 21 de Março

Vítima: Gabrielly Magalhães de Souza

Idade: 10 anos

O Crime: um assassinato brutal e chocante que nos faz ficar em silêncio, tamanha crueldade. Assim posso resumir o sentimento em relação à morte de Gabrielly Magalhães de Souza, uma menininha de 10 anos que tinha na figura da própria mãe o seu carrasco. Gabrielly sofria em silêncio os abusos sexuais que sofria do padrasto, André Luiz Ferreira, de 47 anos, isso porque quando ela finalmente criou coragem e contou para a mãe o que o padrasto fazia, a reação da mulher foi espancá-la. Os abusos continuaram e em março de 2020 a menina mais uma vez reclamou com a mãe, pois era aquela a mulher que ela acreditava ser sua guardiã. A mãe, Emileide Magalhães, de 29 anos, podia bater nela, mas ainda era sua mãe e a pessoa que supostamente a amava. A reação de Emileide em receber mais uma denúncia da filha contra André está além de palavras. Com um fio elétrico, Emileide começou a estrangular a própria filha. A criança tentou se defender e quanto mais se debatia, mais Emileide forçava o fio. Uma cena horrenda definitivamente. Gabrielly lutou pela vida e gritou por socorro. Seu irmão de 13 anos assistiu a tudo e ajudou a mãe (em depoimento ele diz ter sido coagido pela mulher). Mãe e filho levaram Gabrielly até um lixão e a enterraram viva de cabeça para baixo, apenas com os pés para fora da terra. Enquanto era enterrada, Gabrielly gritava por socorro. Presa, Emileide aguarda julgamento. André também foi preso e acusado de abuso sexual de menor, enquanto o adolescente de 13 anos foi liberado pela polícia, indo para a casa do pai.

28. Passeio DominicalInglaterra


Bolton, Grande Manchester, Inglaterra | 22 de Março

Vítima: Emily Grace Jones

Idade: 7 anos

O Crime: Levar os filhos para dar um passeio no parque aos domingos é o programa de todos os pais do mundo, e foi isso o que os pais da inglesa Emily Jones fizeram no domingo, 22 de março de 2020. A família foi passar a tarde no Queen’s Park, e o que parecia ser um programa divertido e comum se transformou num pesadelo inimaginável. Segue o que aconteceu nas palavras da policial Rebecca Gardner: “Emily estava brincando em sua scooter. Quando ela passou por um banco de madeira, uma mulher sentada no banco de repente atacou Emily, esfaqueando-a no pescoço, causando ferimentos catastróficos”. Horripilante, não? Você leva o seu filho para brincar no parque num domingo, cheio de gente, e uma mulher sentada no banco, invisível e, aparentemente inofensiva a todos, de repente pula no seu filho e quase arranca a sua cabeça ao desferir facadas. A mulher em questão é Eltiona Skana, de 30 anos, que sofria de esquizofrenia paranoide e não estava tomando seus remédios antipsicóticos. Em dezembro de 2020 ela foi condenada a pelo menos oito anos de internação em um hospital psiquiátrico com recomendação do juiz para nunca mais sair. Veja abaixo um vídeo do momento em que Skana é abordada e presa por policiais no parque.

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29. O Mistério do Caçador de EspiõesLíbano


Nabatia, Líbano | 4 de Abril

Quem matou Mohammad Ali Younes? Essa é a pergunta de 1 milhão de dólares!

Younes era simplesmente o chefe máximo da unidade de contraespionagem do Hezbollah, em outras palavras, o cérebro por trás do rastreio e identificação de espiões israelenses no Líbano.

Apenas para nivelar o nosso conhecimento, e de forma resumida, o Hezbollah é um poderosíssimo grupo político e militar libanês que surgiu no começo dos anos 1980 com objetivo de expulsar tropas de Israel do Líbano, tem o apoio do Irã e, em sua retórica, o partido pede a destruição do Estado de Israel e vê o país como ocupante de terra muçulmana, afirmando que não tem o direito de existir.

Voltando ao assassinato de Younes, duas coisas chamam a atenção: (1) o assassinato de um militar de alta importância; (2) ele foi assassinado no seu próprio quintal, o Líbano. Coisa de agente secreto, certo? Alguma sugestão? Quem sabe o Mossad, que é o serviço secreto de Israel, né?

Vamos aos fatos.

O Hezbollah divulgou que Younes foi morto enquanto cumpria seus “deveres da jihad”, o que, normalmente, significa que ele morreu em “combate” contra Israel (nesse caso morto pelo Mossad) ou qualquer outro que o Irã considere inimigo.

O estranho é que, primeiramente, quem divulgou a notícia do assassinato (e apenas algumas horas depois) foi a Fars, uma nova agência de notícias do Irã e próxima dos aiatolás. É estranho que um crime acontecido no Líbano e de um militar tão importante não tenha sido primeiramente divulgado pelo porta-voz oficial do Hezbollah.

Depois, vieram histórias de que o assassinato ocorreu durante uma discussão envolvendo dinheiro. Vítima e agressor se conheceriam. Essa versão teria alguma substância, já que Younes, pelo que foi divulgado, foi esfaqueado duas vezes antes de ser alvejado com tiros à queima-roupa. Entretanto, a história é difícil de engolir dado que Younes sempre andava com seguranças e tinha escolta. O mesmo pode-se dizer de o ataque ter sido perpetuado por um assassino do Mossad. Com treinamento militar e experiência de anos caçando espiões de Israel em solo libanês, e ele mesmo sendo um alvo, é quase que impossível ele não ter notado ninguém suspeito o perseguindo. Também é difícil pensar numa situação onde ele estivesse sem escolta (o que parece ser o caso), seguindo algum espião. Alguém com a profissão de Younes, quando em perseguição a um espião, ele certamente estaria acompanhado de outros agentes.

Um terceiro ponto estranho é que a investigação do crime não foi conduzida pelo estado libanês, mas pelo Hezbollah e, portanto, todas as evidências para se opor à narrativa oficial de “assassinado por Israel” foram convenientemente eliminadas.

O quarto ponto estranho é que Younes foi rapidamente enterrado em sua cidade natal, Jebchit, não permitindo que autoridades libanesas conduzissem uma autópsia, o que é comum nesses casos.

A região onde Younes foi supostamente morto é uma área protegida pelo Hezbollah com uma ampla gama de meios de vigilância humana e eletrônica.

Correram rumores de que Younes participou do assassinato de Antoine Hayek, o braço direito do infame Amer Fakhoury, libanês e ex-diretor da prisão Khiam. Durante a guerra com Israel, Fakhoury teria torturado soldados e cidadãos libaneses e fugido para os Estados Unidos, onde se tornou cidadão americano. Em 2019, após décadas em exílio, ele voltou para o Líbano para visitar familiares e foi preso. Após meses, e devido à pressão do governo Trump (o caso passou insistentemente na Fox News e Donald Trump adorava assistir ao canal), Fakhoury foi solto em março de 2020 e voltou para os Estados Unidos. Dias depois Hayek foi morto dentro de sua loja num vilarejo ao sul do país. A morte de Hayek foi interpretada como um aviso a Fakhoury e a uma possível campanha do Hezbollah em liquidar ex-colaboradores israelenses.

Além de supostamente ter participado do assassinato de Hayek, Younes seria muito próximo do general iraniano Qassem Soleimani, morto em um ataque americano em 3 de janeiro de 2020.

O Hezbollah parece ter cooptado autoridades estatais e aproveitado o lockdown causado pelo Coronavírus para acobertar os detalhes do assassinato de seu principal caçador de espiões de forma a mitigar suas consequências.

“O Hezbollah descreveu Younes como um mártir, o que significa que o Mossad estava por trás de sua morte, mas aqueles que conhecem a área onde ele foi morto sabem que ela é bem aberta. Nenhum agente israelense poderia ter cometido um assassinato e se escondido tão facilmente […] Provavelmente, este foi um problema interno. É por isso que o Mossad foi acusado. O partido já recorreu a isso antes e depois foi descoberto que o Mossad não tinha nada a ver com isso.”

[Ali Al-Amin, editor do website anti-Hezbollah Janoubia News]

Imagem: veja abaixo uma foto da cena do crime.

Vídeo: abaixo uma filmagem da cena do crime:

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30. O Inimigo Dorme ao LadoUcrânia


Kryvyi Rih, Oblast de Dnipropetrovsk, Ucrânia | 13 de Abril

Imagine que você esteja junto ao seu namorado numa tranquila noite de segunda-feira, bebendo, conversando e se divertindo quando, de repente, ele passa a reclamar que está com fome. Nada demais até aí, certo?

Não para uma mulher ucraniana de 50 anos que teve essa experiência em 13 de abril de 2020. O namorado dela estava com fome e decidiu que a namorada seria o prato principal da noite.

Identificado apenas como Oleksandr, de 41 anos, o homem pegou uma faca e degolou a namorada, então cortou fora as duas pernas e colocou o corpo dentro de um saco, arrastando-o para fora de casa por cerca de 500 metros até a ribanceira de um rio.

No dia seguinte, uma alegre e saltitante família passeava pelo rio quando viu o que parecia ser um bumbum humano para fora do saco. O papai tapou os olhos da criançada e correu do lugar, chamando a polícia. A identificação do cadáver foi fácil pois quando a polícia chegou alguns curiosos circundavam a área e haviam reconhecido a mulher.

Batendo na porta de Oleksandr, a polícia o pegou em flagrante fritando pedaços da coxa da namorada em uma frigideira.

Sinistro.

31. Assassinatos MutiAfrica do Sul


BoltOrange Farm, Gauteng, África do Sul | 15 de Abril

Acusada: Pontso Mohlanka

Idade: 29 anos

O Crime: Quando Mzwandile Zitho, de 5 anos, desapareceu, sua avó começou a procurá-lo desesperadamente pela vizinhança até suas energias se esgotarem. Horas depois, alertada por outros moradores, ela entraria num bar do bairro e encontraria o seu neto. Sem vida. Zitho estava de pé, com as pernas amarradas e uma corda vermelha em volta do pescoço com pequenos papéis contendo substâncias em pó presos a ela. O mesmo pó branco podia ser visto em um pequeno frasco preso às pernas. Para a avó do menino, aquilo era claro: Zitho havia sido sacrificado em um ritual de feitiçaria. Sem provas contra o dono do bar e sua companheira, uma mulher chamada Pontso Mohlanka, a polícia não indiciou ninguém pelo crime. Seis meses depois, em outro local de Orange Farm, Simphiwe Mgcina, de 6 anos e Mpho Makondo, de 8, foram encontrados mortos e nus, a poucos metros um do outro. Dessa vez a polícia não teve dúvidas e prendeu Pontso Mohlanka pelos dois assassinatos motivados por bruxaria. Não se sabe quantas crianças essa mulher matou, mas é conhecido que a África do Sul vive uma verdadeira “epidemia” de assassinatos de crianças, cerca de mil delas são vítimas de homicídios todos os anos. Veja aqui um vídeo do velório de Mgcina e Makondo. Neste link, um vídeo da acusada de assassinatos em série de crianças em Orange Farm, Pontso Mohlanka.

32. O VingadorEspanha


Barcelona, Espanha | 16 de Abril

A Polícia Nacional da Espanha prendeu em 20 de janeiro de 2020, em Zaragoza, Thiago Lages Fernándes, de 35 anos, um brasileiro nascido em Belo Horizonte que estava em situação irregular na Espanha, país que havia acabado de chegar, vindo de Portugal. Com a sombra da morte da Covid-19 se aproximando, o mundo parou, e o processo de expulsão de Thiago do país ficou parado, e ele foi solto. O que os agentes espanhóis não sabiam era que ele era uma bomba-relógio pronta para explodir.

Três meses depois, nas ruas de Barcelona, Thiago começou a matar pessoas sem abrigo. Todos os crimes foram na região de Eixample, cometidos de forma fria e indiscriminada, sempre com um pau ou barra de ferro, objetos que usava para espancar violentamente as vítimas até a morte.

A motivação para seus atos desumanos é desconhecida. Mas existe um fato que pode ser revelador. Quando chegou em Barcelona vindo de Zaragoza, Thiago ficou em casas abandonadas onde sem abrigos, invasores ou pessoas que não tinham onde dormir pernoitavam. Sua natureza violenta e limitada capacidade de convivência o levaram a ser expulso desses lugares, tendo ele indo viver na rua. Os crimes, então, poderiam ser uma vingança pela rejeição que ele sofreu?

“Barcelona teme um serial killer após quatro encontrados mortos nas ruas durante o lockdown”, escreveu o The Mirror em 28 de Abril.

Suspeita-se que Thiago possa ter assassinado cinco pessoas entre março e abril de 2020 — quatro das vítimas identificadas são Laureano Almeida Damura, de 60 anos; Imad Allouss, de 22, natural do Marrocos; Juan Ramón Barberán Giner, de 76 anos e Jean Pierre Herbillon, de 32, natural da França. Descrito como “instável” e “com um padrão de doença psicológica”, o brasileiro aguarda julgamento na Espanha.

“Não descartamos que possa ter alguma dificuldade mental.”

[Joan Carles de La Granja, Inspetor de Polícia]

Vídeo: veja abaixo uma reportagem da TV espanhola sobre o caso.

33. O Homem do MachadoRússia


Severnoye, Oblast de Novosibirsk, Rússia | 17 de Abril

Três homens desaparecidos — é demais para uma cidadezinha de pouco mais de 5 mil habitantes que passa décadas sem registrar muita coisa de interessante.

Investigando o sumiço de um deles, Viktor Dryumov, de 63 anos, a polícia se deparou com o catador de latinhas Viktor Ilyich Zakharov, de 66 anos. Calmamente, o suspeito sentou-se numa cadeira enquanto especialistas em polígrafo aplicavam-lhe o teste. Com base nos resultados das perguntas, os homens chegaram à conclusão de que Zakharov não sabia de nada e não estava envolvido no desaparecimento de Dryumov.

Zakharov, entretanto, não escaparia por muito mais tempo.

Investigando o desaparecimento de Pyotr Lysyan, de 36 anos, a polícia novamente bateu à porta de Zakharov, e em sua residência encontrou uma cena grotesca: sangue e pedaços de um corpo espalhados pelo quintal. Um pé humano estava abaixo de uma cerca, um pênis ao lado de tranqueiras, e outras partes numa fossa aberta.

Durante uma busca, a polícia desenterrou os restos mortais (completos) de Dryumov e Sergey Tikhonov, de 53 anos.

Zakhanov admitiu ter assassinado os três homens após desavenças. Sem parentes na região, todo o seu círculo social consistia principalmente de bêbados e colegas catadores de metais.

Dryumov, Tikhonov e Lysyan, porém, não foram as únicas vítimas do assassino em série. Em 1991, ele foi condenado pelo estupro e assassinato da própria irmã. Pelo crime, cumpriu 15 anos de prisão, sendo libertado em junho de 2006.

34. Antecipando o Fim do MundoCanadá


Nova Escócia, Canadá | 18 e 19 de Abril

1 homem. 22 mortos. 1 caçada de 12 horas. Podemos assim resumir o pior massacre cometido por um indivíduo solitário da história do Canadá. Violento e amante de armas, Gabriel Wortman, de 51 anos, passou uma vida sendo temido pela família e por conhecidos, sendo descrito como um homem “capaz de matar”, um “caloteiro e oportunista” que estava “sempre pensando em maneiras de enganar o sistema e a receita federal do Canadá”, mas foi a Covid-19 quem definitivamente o quebrou psicologicamente. Entretanto, ninguém poderia imaginar a tragédia que ele poderia causar.

Nos dias anteriores ao início do massacre, Gabriel estava obcecado pela Covid-19 e dizendo à esposa sobre a morte e sobre como ele sabia que ia morrer. Ele acumulava grandes quantidades de gás e falava em estocar alimentos. Paranoico com a situação planetária, temia que o primeiro ministro canadense colocasse em prática um plano para retirar o dinheiro dos cidadãos, então nada mais correto do que se preparar para o fim do mundo.

Mas Gabriel quebrou-se psicologicamente e decidiu não se “preparar”, mas “ajudar” a Covid-19 em seu papel de destruição do mundo. Na noite de 18 de abril, ele jogou gasolina em carros que estavam ao redor de sua casa e os incendiou. Em seguida, encheu de armas a réplica de uma viatura policial que ele construiu e saiu para matar. Antes, ele havia espancado e amarrado a esposa, mas ela conseguiu se desamarrar e correu para a floresta, onde se escondeu. Gabriel não tinha tempo para ela, havia muitos hospedeiros da Covid-19 nas ruas.

Escondida na noite escura da floresta, a esposa de Gabriel apenas escutou gritos e tiros ao mesmo tempo em que fogo e fumaça erguia-se em Portapique, a comunidade onde moravam.

Às 22:26 horas, os primeiros policiais chegaram à comunidade de Portapique e encontraram 13 pessoas mortas dentro e do lado de fora de oito casas, três delas incendiadas por Gabriel. “Tá muito feio, o que está acontecendo aqui”, avisou um dos policiais no rádio.

Às 22:32 horas, a Real Polícia Montada do Canadá (RCMP) publicou o seguinte Tweet:

#RCMPNS está respondendo a uma denúncia sobre armas de fogo na área de #Portapique. (Portapique Beach Rd, Bay Shore Rd e Five Houses Rd). Solicita-se ao público que evite a área e permaneça em suas casas com as portas trancadas neste momento.

A esse ponto, a polícia sabia que Gabriel usava uniforme e uma réplica de uma viatura da RCMP, pois fora visto por moradores atirando e incendiando as casas, saindo em seguida no carro. Muitas vítimas, inclusive, se aproximaram de Gabriel pensando ser um policial para pedir ajuda e foram alvejadas à queima-roupa.

Às 6h30 da manhã do dia 19 de abril, Gabriel chegou até a casa de conhecidos em Wentworth, a cerca de 37 quilômetros de Portapique, e lá matou duas pessoas e seus cães. Horas depois, ele incendiou a casa e foi embora, matando um homem na rua que se aproximou para tentar ajudar no incêndio.

Chegando na cidade de Debert, Gabriel, agindo como se fosse um policial, parou dois carros na rua e matou seus ocupantes. Às 10:17 horas, a RCMP publicou um Tweet em que alerta as pessoas com uma foto do carro réplica usado por Gabriel, destacando o seu número de identificação: “Se você ver 28B11 ligue para o 911 imediatamente”.

Por volta das 10h49, Gabriel topou com uma viatura da RCMP em uma estrada do vilarejo de Shubenacadie e abriu fogo, ferindo o policial Chad Morrison, que foi capaz de fugir e encontrar ajuda médica em um posto de saúde. Menos de 500 metros adiante, Gabriel colidiu com outra viatura da RCMP e a policial Heidi Stevenson — 23 anos de experiência na polícia e mãe de dois filhos — o confrontou. Na troca de tiros, Stevenson foi atingida e morreu no local. Gabriel foi até o seu carro, roubou sua arma e munição, e incendiou os carros.

Statement from Nova Scotia RCMP Commanding Officer, Assistant Commissioner Lee Bergerman

Today is a devastating day for…

Publicado por Royal Canadian Mounted Police in Nova Scotia em Domingo, 19 de abril de 2020

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Um homem que passava na hora, vendo os carros da polícia incendiados, parou para ajudar e foi morto por Gabriel, que saiu dirigindo o Chevrolet Tracker SUV da vítima. Pouco depois, ele assassinou uma mulher em Shubenacadie, mudou de roupas e roubou o Mazda da vítima.

Finalmente, após mais de 13 horas de caos, Gabriel parou para abastecer em um posto de Enfield, há quase 100 quilômetros de Portapique. Na hora, dois policiais da RCMP também estavam abastecendo e um deles notou manchas de sangue na testa de Gabriel. Dando uma olhada mais aguçada, o policial pareceu reconhecer Gabriel que, percebendo o fato, sacou a pistola roubada da policial Stevenson, mas os dois policiais foram mais rápidos do que ele.

As 22 vítimas do assassino em massa Gabriel Wortman, mortas nos dias 18 e 19 de abril na Nova Escócia, Canadá.

  • Lisa McCully, 49 anos, professora;
  • Heidi Stevenson, 48 anos, policial — tinha dois filhos de 10 e 13 anos;
  • Heather O’Brien, 55 anos, enfermeira, casada há 35 anos e mãe de 6 filhos;
  • Família Tuck: a mãe Jolene, o pai Aaron e a filha Emily, de 17 anos;
  • Kristen Beaton, enfermeira;
  • Sean McLeod, 44 anos, e sua esposa Alanna Jenkins, de 36, eram agentes penitenciários;
  • Tom Bragley, 70 anos, bombeiro aposentado, morreu tentando salvar do incêndio McLeod e Jenkins; ele topou com Gabriel na rua e foi alvejado com um tiro;
  • Joey Webber, 37 anos, deixou duas filhas pequenas;
  • Casal Blair: Greg, 45 anos, e Jamie, 40, morreram tentando proteger seus quatro filhos;
  • John Zahl e Elizabeth Thomas eram casados há 35 anos e eram vizinhos de Gabriel;
  • Lilian Hyslop, aposentada, havia se mudado recentemente e fazia sua caminhada matinal quando foi morta;
  • Casal Gulenchyn: Frank e Dawn eram aposentados;
  • Gina Goulet, era dentista em Shubenacadie;
  • Corrie Ellison, 42 anos, assistente social, estava visitando o pai em Portapique;
  • Casal Bond: Peter e Joy.

Vídeo: o assassino em massa Gabriel Wortman era dentista e certa vez participou de um vídeo promocional do seu negócio: ele tinha duas clínicas odontológicas, uma em Halifax e outra em Dartmouth. Veja abaixo:

35. Desconfiança LetalLíbano


Baakline, Shouf, Líbano | 21 de Abril

Em julho de 2018, no texto 25 piores assassinos em massa da história, escrevemos que “em geral, o assassino em massa é alguém cuja vida saiu dos trilhos — alguém que foi largado pela mulher, despedido do emprego ou que sofreu algum revés humilhante que o fez perder o controle. Tomado de uma fúria aniquiladora… explode em um surto de violência devastadora que manda pelos ares quem estiver por perto”.

Assim aconteceu com o libanês Mazen Harfoush na tarde de 21 de abril de 2020, data em que cometeu um dos piores crimes do tipo da história do Líbano.

Sua primeira vítima foi a esposa, Manal al-Timani, assassinada com 13 facadas no quarto do casal. Após matá-la, Harfoush trocou de roupas e tomou um banho para remover o sangue, empunhou um rifle e saiu para caçar — como bem disse certa vez James Huberty — “humanos”.

O segundo a morrer foi seu próprio irmão, Fawzi, morto perto do rio Baakline. O assassino enganou o irmão chamando-o para caçar e o matou. Em seguida, Harfoush assassinou dois outros homens que trabalhavam em um campo, um imigrante sírio e um libanês chamado Mohammed Awdeh. Depois, procurando por uma casa para ficar, invadiu uma residência e assassinou quatro pessoas, incluindo Ahmad Hasan Basoun e seus dois filhos Ahmad, de 7 anos, e Mohamad, de 12 [tweet abaixo]. A próxima vítima foi seu irmão mais novo Karim, assassinado com dois tiros. Uma décima pessoa foi morta aleatoriamente antes dele finalmente ser preso pela polícia.

Em depoimento, Mazen Harfoush explicou sua fúria homicida dizendo que suspeitava que sua esposa estava tendo um caso com seu irmão Fawzi. Ele, entretanto, não tinha provas, era apenas uma desconfiança. Seu irmão mais novo, Karim, teria sido morto porque sabia do caso e ficou calado. Já as outras vítimas foram mortas porque ele “perdeu o controle” sobre si mesmo após matar a esposa e dois irmãos.

Dias antes, a mulher de Harfoush havia saído de casa com os dois filhos do casal após uma briga com o marido, mas voltou após fazerem as pazes.

Vídeo: veja abaixo o momento da prisão de Harfoush.

  • A Saber:Estados Unidos Outro caso parecido e com o mesmo fim trágico aconteceu em 15 de março de 2020 em Moncure, Carolina do Norte, Estados Unidos. Suspeitando que sua esposa estava tendo um caso com o marido da irmã, Larry Ray, de 66 anos, assassinou seis membros da família antes de se matar.

36. O Pedreiro AssassinoBrasil


Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil | 2 de Maio

Acusado: Cleber de Souza Carvalho

Idade: 43 anos

O Crime: entre 2016 e 2020, o pedreiro Cleber de Souza Carvalho assassinou 7 homens com pauladas na cabeça, enterrando os corpos em uma área do bairro Recanto dos Pássaros, na capital sul mato-grossense. Duas vítimas foram mortas em 2020: Timótio Pontes Roman, de 62 anos, que contratou os serviços do pedreiro a ser realizado em uma calçada, e José Leonel Ferreira Santos, de 61 anos, morto para que o assassino em série pudesse morar em sua casa com a família. Cleber era um assassino em série que matava para ficar com bens das vítimas, de veículos a imóveis, e deverá enfrentar julgamento pela morte de José Leonel em fevereiro de 2021. Muitas vezes matando por anos sem serem detectados, alguns assassinos em série se tornam desleixados e cometem erros infantis. Matar um homem e simplesmente se mudar para a casa dele com a família definitivamente facilitou o trabalho da polícia quando esta bateu na porta querendo saber sobre o desaparecido. As outras cinco vítimas de Cleber foram identificadas como sendo: José Jesus de Souza, 45, Roberto Geraldo Clariano, 50, Hélio Taíra, 74, Flávio Pereira Cece, 34 e Claudionor Longo Xavier, 47.

37. Arrastado VivoBrasil


São Luís, Maranhão, Brasil | 17 de Maio

Arrastar um inimigo até a morte foi um método bastante comum na história do ser humano. A primeira vítima da história a sofrer uma agonizante e dolorosa morte por arraste é impossível de saber, mas sabemos como tribos e povos antigos usaram animais para isso, muitas vezes despedaçando o corpo até não sobrar nada amarrado à corda.

Dando um salto no tempo, em 1792, por exemplo, o Frei espanhol Antonio Curcoa foi “amarrado nu ao rabo de um cavalo vigoroso e arrastado pelo campo até que ele deixasse de existir”.

Quase 230 anos depois, os animais foram substituídos por motores. Foi o que usou o empresário Geucimar Lima Duarte, que na noite de 17 de maio de 2020 invocou os seus antepassados e cometeu um crime desumano e brutal, que ceifou a vida de Carlos Alberto Santos, de 34 anos, uma pessoa que vivia em situação de rua na capital do Maranhão e lutava contra o vício em drogas.

Dono de um pequeno estabelecimento, Geucimar e seu segurança suspeitavam que Carlos Alberto o estava furtando, então decidiram matá-lo e para isso cometeram uma barbárie. O sem abrigo foi espancado e amarrado com uma corda na traseira da caminhonete Hilux de Geucimar, arrastado por três quilômetros, a maior parte no centro histórico de São Luís, onde o tipo de calçamento é de paralelepípedos.

Enquanto arrastava Carlos Alberto, Geucimar parou na frente de um estabelecimento e pediu um copo d’água a um vigilante, que tranquilamente encheu um copo e deu ao assassino. Sinistramente, o homem não se importou nem um pouco com a horrível cena, como se aquilo fosse algo normal. Em outro ponto, imagens de câmeras de segurança mostraram como Geucimar deu marcha a ré para passar por cima de Carlos Alberto.

Vídeo: veja abaixo imagens captadas por câmeras de segurança do crime.

38. A Personificação da MorteÍndia


Aldeia de Gorrekunta, Telangana, Índia | 20 de Maio

Uma descoberta horripilante no fim de maio de 2020 levou a polícia indiana a descobrir uma sucessão sombria de assassinatos cometidos por um jovem de apenas 24 anos.

Em 21 de maio, quatro corpos foram descobertos em um poço na aldeia de Gorrekunta, no centro-sul da Índia. Os mortos eram todos da mesma família: Mohammed Maqsood Alam, 55 anos, sua esposa Nisha, 48, a filha do casal Bushra Khatoon, 22, e uma criança de três anos, filha de Bushra.

O efetivo policial foi aumentado e cães farejadores foram enviados até o local. No dia seguinte, a surpresa macabra: mais cinco corpos emergiram das profundezas do poço maldito. Dessa vez, as vítimas foram identificadas como Shabaaz Alam, 20 anos, Sohail Alam, 18 — estes dois, filhos do casal Maqsood & Nisha —, Sriram Kumar Shah, 26, Shyam Kumar Shah, 21 e Mohammed Shakeel, 40. Estes três últimos, trabalhadores locais.

Que diabos teria acontecido?

De início, a polícia suspeitou que a família se matou por disputas financeiras causadas pelo estresse do lockdown, causado pela Covid-19. Exames post mortem mostraram, porém, que os corpos tinham hematomas consistentes com arraste, fazendo a polícia concluir que todos foram mortos em algum lugar e arrastados até o poço, onde foram jogados um a um.

Câmeras de segurança de estabelecimentos locais fizeram a polícia suspeitar de Sanjay Kumar Yadav, de 24 anos, e, sob interrogatório, o homem confessou ser o próprio arrepio no escuro.

A história começa em 6 de março quando Yadav pegou um trem com sua namorada, Rafiqa, de 37 anos, sobrinha de Nisha, para conhecer a família da mulher e conversar sobre casamento. Mas no meio da viagem Yadav deu algumas pílulas de dormir para a amada, a estrangulou e a jogou do trem.

Apreensiva com o sumiço da sobrinha, Nisha começou a fazer perguntas inconvenientes para Yadav, e as respostas do rapaz não a convenceram, então ela ameaçou dar queixa na polícia.

Em 20 de maio, Yadav visitou a casa de Maqsood, que comemorava com amigos o aniversário de um dos filhos. Sorrateiramente, Yadav misturou pílulas de dormir na comida consumida pelos seis membros da família mais três convidados. Uma vez que as nove pessoas caíram inconscientes, Yadav arrastou uma a uma até o poço. Todas foram jogadas vivas e acabaram falecendo por afogamento.

No final de outubro a justiça indiana veio com a melhor solução para Yadav: a pena de morte.

Abaixo uma reportagem da TV indiana sobre o caso.

39. Tio Monstro


Teerã, Irã | 22 de Maio

Vítima: Fatemeh Ghozat

Idade: 16 anos

O Crime: Um tio monstro que abusava da sobrinha e que decidiu matá-la após a menina reclamar dos abusos que sofria. O triste destino da adolescente Fatemeh Ghozat não é muito diferente de centenas de outras mulheres ao redor do mundo, e pior do que o fato em si é saber que a justiça do Irã libertou o homem sem julgamento e após ele passar apenas dois meses atrás das grades. Em 22 de maio, Mojtaba Namdar espancou violentamente sua sobrinha Ghozat, de 16 anos, e a jogou do décimo primeiro andar do prédio em que a garota morava com a mãe e os irmãos. Ela faleceu em decorrência dos ferimentos causados pela queda. Lutando contra um machista brutamontes, nem Ghozat ou sua mãe tiveram alguma chance. A soltura do assassino causou indignação em vários países e a mãe da menina chegou a ir na televisão iraniana, um movimento corajoso devido à posição que mulheres tem no país.

40. “Eu não consigo respirar”Estados Unidos


Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos | 25 de Maio

— Eu não consigo respirar.

— É preciso de muito oxigênio para falar.

— Eu não consigo respirar… Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar…. Eu não consigo respirar….

Por 20 vezes, George Perry Floyd Jr., de 46 anos, alertou o seu algoz sobre a sua dificuldade em respirar. Para o policial Derek Chauvin, de 44 anos, que tinha o seu joelho esquerdo apoiado sobre o pescoço do homem, era tudo um exagero.

As últimas palavras de Floyd se tornaram um grito de guerra em manifestações por todo o planeta no que se tornou uma espécie de acerto de contas com o racismo sistêmico e brutalidade policial. As tristes transcrições que foram tornadas públicas dias depois fornecem o relato mais detalhado do que aconteceu depois que a polícia prendeu Floyd em 25 de maio de 2020.

Antes de morrer, Floyd chorou por sua mãe e seus filhos. “Eu não acredito nisso, cara. Mamãe, eu te amo. Diga aos meus filhos que os amo. Estou morto […] Meu rosto já era. Eu não posso respirar, cara. Por favor! Por favor, me deixe levantar. Por favor, cara, eu não consigo respirar!”, disse ele.

O início do fim para George Floyd começou por volta das 20 horas de 25 de maio quando ele comprou cigarros na Cup Foods, uma mercearia no cruzamento da East 38th Street com a Chicago Avenue, no bairro Powderhorn Park. Acreditando que Floyd comprara os cigarros com uma nota falsificada de 20 dólares, funcionários da mercearia chamaram a polícia.

Os policiais Derek Chauvin, Tou Thao, 34 anos, Alexander Kueng, 26 e Thomas Lane, 37, chegaram para atender a ocorrência e encontraram Floyd dentro de um SUV preto com duas outras pessoas. As duas pessoas saíram de dentro do carro após a abordagem policial, mas Floyd não. Imagens da câmera que um dos policiais carregava no corpo mostrou como Floyd estava aterrorizado, assustado e meio que desesperado com os policiais.

Após uma certa dificuldade, Floyd saiu do carro e foi algemado, sendo levado até uma esquina. Ele é perguntado pelo policial Lane se estava sob efeito de alguma coisa porque estava agindo de modo “errático” e Floyd disse que apenas estava assustado.

Após ser perguntado sobre a acusação de usar uma nota falsificada, Floyd não disse coisa com coisa e os policiais decidiram levá-lo até a delegacia para prestar esclarecimentos. Visivelmente assustado e resistindo à prisão, Floyd caiu no chão ao lado da viatura policial e o policial Chauvin aproveitou para colocar o joelho em seu pescoço enquanto Kueng pressionou o tronco e Lane as pernas de Floyd. Aparentemente os policiais pareciam querer imobilizá-lo no chão e acalmá-lo, já que ele estava bastante agitado.

Em dado momento, Floyd diz: “Estou quase morrendo”, e Chauvin responde: “Relaxe”. Kueng então pergunta a Floyd: “O que você quer?”, e Floyd responde: “Eu não consigo respirar…Por favor, o joelho no meu pescoço, eu não consigo respirar”. Testemunhas que assistiam a tudo alertaram aos policiais que sangue escorria do nariz de Floyd e o policial Thao interveio afirmando que Floyd “está conversando, ele está bem”. Enquanto Floyd gritava por ajuda, Thao disse aos transeuntes: “Estão vendo porque vocês não devem usar drogas, garotos?”

Às 20h25, os policiais perceberam que Floyd não tinha pulso e dois minutos depois uma ambulância chegou ao local. Chauvin ainda mantinha o joelho no pescoço de Floyd e continuou mesmo após a chegada dos paramédicos e o silêncio de Floyd, que a esse ponto não se movia mais. Uma hora depois George Floyd foi declarado clinicamente morto no centro de emergência do Hennepin County Medical Center.

A autópsia revelou que Floyd sofreu uma parada cardiopulmonar devido à contenção e compressão do pescoço. O corpo de Floyd continha vestígios de drogas como fentanil e metanfetamina, o que, segundo o médico legista, pode ter contribuído para a morte.

A imagem que já é história: o policial Derek Chauvin com o joelho na nuca de George Floyd, cuja boca espuma.

A morte de Floyd gerou uma onda de protestos nunca antes vista, que varreu o Globo. Nos Estados Unidos, a fúria protestante levou mais de 14 mil pessoas para a cadeia e causou a morte de mais de 19 pessoas. Somente em Minneapolis, a prefeitura estimou em meio bilhão o prejuízo com a depredação e saques. Na Inglaterra, estátuas de figurões históricos brancos foram vandalizadas e derrubadas, sendo a do traficante de escravos Edward Colston a mais notória: ela foi jogada em um rio.

Presos, mas libertados sob fiança, os três policiais deverão ir a julgamento em março de 2021.

Vídeo: veja abaixo a gravação completa da câmera no corpo do policial Thomas Lane.

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Vídeo: outras gravações do caso George Floyd.

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41. Vingança LetalLíbia


Mizda, Jabal Algarbi, Líbia | 27 de Maio

A Líbia mergulhou no caos da guerra civil em 2011 após a morte de seu líder Muammar Gaddafi, o que fez emergir anos depois a figura truculenta e sanguinária de Khalifa Haftar, um general do exército aposentado e que ainda hoje comanda as tropas do Exército Nacional Líbio.

Nos anos recentes, a Líbia se tornou o maior corredor para migrantes e refugiados que desejam alcançar a Europa.

A maioria deles foge da pobreza, conflitos, guerras, trabalho forçado, mutilação genital feminina, governos corruptos ou ameaças à pessoas, e quando chegam na Líbia não encontram uma situação melhor. Muitos acabam ficando presos no meio do conflito do país e experimentando o tratamento desumano e cruel de traficantes de pessoas.

Foi provavelmente por tratar os migrantes como animais que um desses traficantes acabou sendo morto. A vítima, que não teve o nome divulgado, foi assassinada por migrantes na cidade deserto de Mizda. Segundo autoridades de Bangladesh, traficantes de pessoas teriam sequestrado os migrantes e os torturado “de forma desumana” por dinheiro. A retaliação por parte da família do traficante foi desproporcional e sangrenta. Talvez por considerarem migrantes ratos humanos, eles invadiram uma casa onde migrantes ficavam presos e lá promoveram um massacre: mais de 40 foram metralhados — 26 de Bangladesh e 4 africanos morreram, e o restante ficou ferido, alguns em estado grave.

“A guarda costeira líbia, treinada pela União Europeia para impedir que os migrantes cheguem às costas da Europa, intercepta barcos no mar e os devolve à Líbia, onde muitos migrantes aterram em centros de detenção repletos de torturas e abusos.”

[Associated Press]

A humanidade em seu estado mais puro.

42. Primitivismo Crônico


Aldeia de Sefidsangan, Gilan, Irã | 1 de Junho

Em junho de 2020, Romina Ashrafi, uma jovem de apenas 14 anos, teve sua vida ceifada em um chamado crime de honra, mais um que chocou parte da sociedade iraniana durante o ano.

Romina vivia no condado rural de Talesh, província de Gilan, no norte do Irã, país regido por diversas leis conservadoras e embasadas por fundamentalismo religioso. Tais leis incluem a obrigação do uso do hijab (o véu) pelas mulheres mesmo dentro de seus carros, em shoppings, áreas de lazer em geral e penalizam quem não o usa ou usa de forma inadequada. Outra lei iraniana que violenta a infância de muitas meninas é a que diz que elas podem se casar a partir dos 13 anos, mas os pais podem autorizar o casamento a partir dos 9. Em média, 600 mil meninas menores de idade se casam por ano no Irã.

E existe a lei que fala sobre os crimes de honra. A constituição iraniana considera os pais e avôs paternos os “donos” do sangue de seus filhos, e de forma inerente tolera esses crimes. O Artigo 220 do Código Penal Islâmico do Irã determina que pais e avôs não podem ser condenados à morte por matar um filho ou neto.

E o pai de Romina tirou proveito dessa lei, decapitando sua filha com uma foice enquanto ela dormia, saindo em seguida exibindo o objeto encharcado de sangue para os vizinhos, para que todos vissem e aplaudissem sua honra lavada.

A razão do crime seria a fuga da adolescente com um homem de 35 anos chamado Bahman Khavari. Os dois queriam estar juntos e naquelas bandas a única forma disso acontecer era Romina fugindo de sua família para se casar com Khavari. A fuga não durou e ela foi capturada pela polícia iraniana. Mesmo implorando para não ser entregue ao pai, pois temia por sua vida, foi devolvida ao homem que a fazia sofrer desde pequena e por fim tirou sua vida brutalmente.

No início, seu pai teria dito à esposa que a perdoaria, mas era apenas uma questão de tempo. Instigado pelos homens da família, a única forma de você restaurar o nome da nossa família é matando-a, o homem a decapitou e exibiu o facão ensanguentado no vilarejo para todo mundo ver e saber o que ele havia feito, cumprindo assim uma de suas obrigações como homem de família de acordo com a cultura em que cresceu.

O caso repercutiu tanto dentro quanto fora do país. No Irã, a hashtag #Romina_Ashrafi foi usada mais de 50 mil vezes no Twitter e a maioria condenou o assassinato e a natureza patriarcal da sociedade em que vivem.

O problema da violência contra a mulher no Irã e o debate em torno do tema persiste por anos. Os números de casos aumentam a cada ano e na pandemia a situação piorou ainda mais. Mulheres estão expostas a todo tipo de violência física e psicológica e tem pouco amparo da lei. O governo criou vários obstáculos à adesão do país à Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres. Somente quatro membros da ONU, um dos quais é o Irã, não assinaram a convenção. As leis também são rígidas quando se trata dos militantes contra a violência feminina. Três ativistas anti-hijab foram condenadas a 55 anos e 6 meses por não usarem o hijab, por exemplo — em prisões, o tratamento dispensado à mulheres é desumano.

Em 2019, após 8 anos de demora, o judiciário iraniano anunciou que havia aprovado um projeto de lei contra a violência à mulher e o encaminhou para o governo. Porém, antes de encaminhá-lo, juristas alteraram o projeto, cujo objetivo era “garantir, dignificar e proteger as mulheres da violência”, removendo 40 dos 91 artigos originais, tornando-o ineficaz. O projeto de lei eliminou a palavra violência contra as mulheres e os aspectos que tratavam da segurança das mulheres foram omitidas ou alteradas. Como resultado, a natureza da lei foi totalmente perdida.

Enquanto isso mulheres iranianas continuarão sendo “propriedades”. Desde a escolha de roupas, escolaridade e emprego, ao casamento, divórcio e custódia, as mulheres têm todos os aspectos e fases de sua vida decididos por homens da família. Veja, por exemplo, o caso abaixo de Fatemah Barihi. O destino de sua vida nunca foi decidido por ela: seu pai decidiu com quem se casaria e seu marido decidiu que ela morreria. Ela nunca teve permissão para determinar qual era o seu lugar nessa vida.

Duas outras vítimas de feminicídios em 2020 no Irã: Reyhaneh Ameri e Fatemah Barihi.

Dois outros feminicídios que chocaram o Irã no mês de junho de 2020:

  • Kerman | 14 de Junho

Reyhaneh Ameri, de 22 anos, foi assassinada a golpes de barra de ferro pelo próprio pai por chegar “tarde demais” em casa. Ela havia saído num domingo e chegado em casa por volta das 23 horas.

  • Abadan | 14 de Junho

Fatemah Barihi, de 19 anos, foi decapitada pelo seu primo de 23 anos. A família de Barihi obrigou a menina a se casar com o primo, mas dois dias depois ela fugiu de casa, mas foi alcançada pelo marido e morta “pela honra”.

43. Ignorância & PrimitivismoGuatemala


Aldeia de Chimay, San Luis, Guatemala | 7 de Junho

“Assassinar ele é como queimar uma biblioteca… É uma perda enorme.”

[Mónica Berger, antropóloga]

Domingo Choc Che, de 55 anos, era um respeitadíssimo líder espiritual indígena e especialista em ervas medicinais que trabalhou com pesquisadores da University College London. De importância sem igual para o seu povo, Domingo participava de inúmeros projetos de pesquisa científica sobre a medicina do antigo povo maia, até hoje popular em áreas remotas da América Central e do Sul. Em conjunto com pesquisadores da Suíça e Inglaterra, Domingo elaborava documentos e manuscritos para livros que contribuíam para o registro do legado do conhecimento medicinal ancestral dos maias, das medicinas naturais e tudo que as envolvia. Seu conhecimento no assunto era muito vasto e ele vivia para preservar e transmitir um conhecimento de séculos e séculos de existência.

Mas é nos confins do primitivismo humano que mora o obscurantismo.

Alguém morreu na remota aldeia de Chimay, e quem sabe não foi aquele homem das ervas que vive indo na cidade grande quem matou o infeliz lançando um feitiço sobre ele? Os moradores do lugar não precisavam ouvir mais nada.

Acusado de ser um “bruxo”, Domingo foi torturado por uma madrugada inteira antes de ser encharcado com gasolina e incendiado. Um vídeo compartilhado nas redes sociais mostra o homem em chamas correndo em meio ao campo antes de padecer.

Na Idade Média, “bruxos” e, principalmente, “bruxas” eram queimados vivos por uma autoridade oficial. Hoje, são queimados pela própria população. E talvez você, leitor, fique assustado (talvez não os que já conhecem nossos textos), mas é provável que já queimamos muito mais “bruxas” e “bruxos” hoje do que em toda Idade Média.

Vídeo: veja abaixo o vídeo compartilhado nas redes sociais da morte de Domingo Choc Che.

Crimes relacionados à bruxaria

Segue abaixo apenas alguns casos ocorridos em 2020 onde pessoas acusadas de bruxaria foram assassinadas:

  • Oeiras, Portugal | 13 de Abril

Frustrado com os problemas da vida e viciado em cocaína, o português Nuno Leopoldino, de 40 anos, concluiu que sua vida não ia pra frente devido à “bruxa” da sua mãe que havia lhe feito um feitiço. Para tirar o “feitiço do corpo”, arquitetou a morte dela, Maria Helena Rodrigues, de 64 anos, com um conhecido. Ela foi morta com 14 facadas.

  • Mayurbhanj, Odisha, Índia | Junho Índia

Budhuram Singh, de 30 anos, decapitou a sua tia Champa Singh, de 60, após suspeitar que a morte da sua filha foi resultado de bruxaria dela. Após o ato ele levou a cabeça até uma delegacia, onde se entregou

  • Aldeias de Kachiwaya e Kanyumbo, Dowa, Malauí | 1 de Junho

No final de maio um jovem da aldeia Kachiwaya faleceu devido a um acidente rodoviário e os aldeões acusaram o tio da vítima de ter realizado um feitiço para que o jovem morresse. O homem conseguiu escapar dos aldeões, então, eles se voltaram para o chefe da aldeia, Master Gogo Kachiwaya, que supostamente devia ter usado seus poderes para evitar a morte do rapaz. Ele foi queimado vivo. O assassinato encorajou os moradores de outra vila a matarem um homem e uma mulher que eles acreditavam ser bruxos. Jenala Chidzele e Sintuma Siliya foram espancados até a morte e seus corpos queimados.

  • Aldeia de Kenduguda, Malkangiri, Índia | 4 de JunhoÍndia

Seis pessoas foram presas em conexão com o assassinato de um adolescente de 15 anos. A família do garoto havia recentemente se convertido ao cristianismo e por isso (a polícia acredita) acusados de bruxaria;

  • Enga, Papua-Nova Guiné | Julho Papua Nova Guiné

Um homem de uma aldeia nas entranhas provincianas de Enga morreu e os aldeões culparam umas “bruxas” que moravam por ali. Elas eram quatro irmãs e duas conseguiram escapar da fúria cega. As outras duas não. Elas foram torturadas e queimadas vivas. Uma delas faleceu no local, já a outra, de 50 anos, padeceu um mês depois no hospital;

  • Aldeia de Chhatara, Odisha, Índia | JulhoÍndia

Uma senhora de 60 anos chamada Nandini Purti supostamente tinha poderes envolvendo magia negra. Kartik Kerei contratou os seus serviços para salvar a vida do primo doente. O primo morreu e, enfurecido, Kerei decapitou a bruxa e carregou sua cabeça até a delegacia, onde se rendeu;

  • Aldeia de Kakareta, Oro, Papua-Nova Guiné | 11 de JulhoPapua Nova Guiné

“Quando você não leva uma pessoa doente a um hospital e ela morre, então você culpa a bruxaria, isso é inaceitável”, comentou o policial Michael Welly sobre os casos de assassinatos de “bruxos” em seu país. Seu comentário veio logo após a morte de um homem na aldeia de Kakareta, acusado de ser um bruxo. Um aldeão faleceu após ficar doente e sua família acusou o homem de matá-lo através de um feitiço;

  • Aldeia de Wanapos, Enga, Papua-Nova Guiné | 23 de JulhoPapua Nova Guiné

Acusados de bruxaria, quatro mulheres e um menino foram mantidos em cativeiro e torturados durante quatro dias. Eles eram suspeitos de lançarem feitiços que causaram a morte de seis pessoas na região. Avisada, a polícia resgatou as cinco pessoas, mas Tandani Jim, de 45 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu;

  • Aldeia de Rahimapur, Bihar, Índia | 30 de SetembroÍndia

Uma mulher de 50 anos e um homem de 28 foram assassinados e cremados juntos após um tribunal canguru de indígenas Adivasi considerá-los culpados pelo assassinato de uma menina em 27 de setembro. Segundo os aldeões indígenas, os dois praticaram magia negra contra a menina, que ficou doente e faleceu. Como deve-se fazer com bruxas e bruxos, seus corpos foram queimados até as cinzas. Nove pessoas foram presas e confessaram o crime;

  • Aldeia de Kuda, Jharkhand, Índia | 7 de OutubroÍndia

Birsa Munda, de 48 anos, sua esposa Sukru Purty, de 43, e a filha do casal Somwari Purty, de 20, foram acusados de bruxaria após a morte de um bebê na aldeia. Os três foram decapitados. Nove pessoas participaram do crime;

  • Aldeia de Chhanabgad, Odisha, Índia | 8 de OutubroÍndia

Durante os dois últimos anos, homens e mulheres morreram em uma rápida sucessão na aldeia de Chhanabgad. Os aldeões suspeitaram de bruxaria e apontaram o dedo para Saibani Mallick, de 70 anos, uma mulher religiosa que adorava algumas figuras santas femininas em sua casa. Eles mataram a “bruxa” estrangulando-a com um cabo do acelerador de uma bicicleta motorizada. O mentor do crime foi preso;

  • Aldeia de Pulaguda, Índia | 10 de OutubroÍndia

Quando um homem chamado Ramesh morreu na aldeia de Pulaguda, um líder espiritual das redondezas apontou o dedo para V Nayakamma, um camponês da aldeia: era ele quem havia realizado uma bruxaria que fez o homem ficar doente e morrer. Cerca de 15 aldeões se vingaram matando e incendiando o corpo do homem;

  • Angoram e Wewak, Papua-Nova Guiné | Outubro/NovembroPapua Nova Guiné

Cinco assassinatos em duas semanas nas regiões de Angoram e Wewak foram relacionados a acusações de bruxaria. Numa localidade chamada Marienbeg, uma mulher e um menino de 13 anos foram mortos — o garoto foi suspenso e enforcado. Em Gavien, três outros assassinatos foram cometidos após um homem morrer e as vítimas serem acusadas de bruxas;

  • Aldeia de Bakoram, Bougainville do Sul, Papua-Nova Guiné | 16 de NovembroPapua Nova Guiné

Dois homens foram mortos e esquartejados por uma tribo vizinha após serem acusados de lançar feitiços. Residências foram incendiadas e pessoas tiveram que abandonar suas casas;

  • Goreangab, Namíbia | 20 de Novembro namibia

Uma mulher de 23 anos foi assassinada com uma paulada na cabeça por um homem de 34 na área residencial de Goreangab. O assassino confessou à polícia que a mulher era uma bruxa que se transformava em um cão.

  • Aldeia de Balvanthapur, Telangana, Índia | 23 de NovembroÍndia

Em 12 de novembro, Raparthi Jagan faleceu de um ataque cardíaco e sua família preparou um funeral de 10 dias, como manda a tradição local. Seu irmão, Rachamalla Pavan Kumar, de 38 anos, um engenheiro de software que trabalhava em uma empresa de Bengaluru, chegou no dia 23 para prestar homenagens ao seu irmão e logo os familiares sabiam quem era o feiticeiro responsável pela morte de Jagan: aquele irmão “rico” e “bem-sucedido” que “só” chegou aonde chegou devido à bruxaria. Eles o atraíram até um quarto, jogaram gasolina nele, trancaram a porta e atearam fogo;

  • Aldeia de Nagarkata, Bengala Ocidental, Índia | DezembroÍndia

Algumas pessoas na aldeia de Nagarkata morreram de uma doença e alguns aldeões acreditaram que elas só poderiam ter falecido devido a um feitiço. Acusadas de magia negra, duas mulheres foram espancadas e apontaram o dedo para uma mulher de 60 anos chamada Mongra Oraon. Arrastada pra fora de casa, Oraon foi assassinada com golpes de vara pela multidão. Sete pessoas foram presas;

  • Aldeia de Zayoni, Matuga, Quênia | Dezembro Quênia

Acusada de bruxaria, uma mulher de 54 anos chamada Bintihassan Mwadiya foi assassinada a golpes de facão;

  • Kaushambi, Uttar Pradesh, Índia | DezembroÍndia

Uma família inteira foi presa acusada de assassinar pai e filho em um ritual de bruxaria. Safdar Ali, sua esposa Noor, a cunhada Gulnaz e a filha Anas mataram o alfaiate Vakeel e seu filho de três anos Arham, pois Safdar acreditava ter o poder de ressuscitar as pessoas através da magia. Pai e filho foram mantidos sem água ou comida por quatro dias antes de serem esfaqueados. Quando o feiticeiro Safdar falhou em sua missão de trazer dos mortos as vítimas, fugiu do local;

  • Aldeia de Koinara, Jharkhand, Índia | 4 de DezembroÍndia

Uma senhora na casa dos 60 anos chamada Karmi Orao foi acusada de bruxaria e morta a machadadas.

  • Aldeia de Bholabeda, Odisha, Índia | 16 de DezembroÍndia

Suspeitando que os seus pais morreram após serem enfeitiçados, dois irmãos menores de idade mataram Kuni Munda, de 65 anos, a golpes de machado;

44. Dias de Sangue


Adis Abeba, Etiópia | 29 de Junho

O assassinato de um dos cantores mais famosos da África levou a uma terrível carnificina nas ruas da capital da Etiópia, em um episódio classificado por uma comissão de direitos humanos como “um ataque generalizado e sistemático contra civis que aponta para crimes contra a humanidade”.

O personagem principal dessa história é Hachalu Hundessa, de 34 anos, um ex-prisioneiro político que cresceu na pobreza da zona rural etíope cuidando de vacas e outros animais. Como num filme, sua vida deu uma guinada e ele se tornou uma das maiores estrelas da música da Etiópia, hipnotizando os fãs com suas canções sobre romance e liberdade política.

O ponto de ruptura para Hundessa aconteceu em 2003 quando ele foi preso e condenado a cinco anos de prisão por suas atividades políticas. Pertencente ao grupo étnico Oromas, o jovem Hundessa participava ativamente de grupos que pediam mais liberdade ao seu povo em um país cujo governo havia banido grupos de oposição ou críticos.

E foi na cadeia que o jovem Hundessa aprendeu a escrever músicas e criar melodias, escrevendo as nove músicas que futuramente fariam parte do seu primeiro álbum, “Sanyii Mooti” (Raça do Rei, em tradução literal), lançado em 2009, um ano após sair da prisão.

O álbum imediatamente o colocou como uma das estrelas da música etíope e um símbolo político para as pessoas Oromas.

“Eu não sou um político, eu sou um artista. Cantar sobre o que meu povo está passando não me faz um político.”

[Hachalu Hundessa, 2017]

Temendo pelas vidas, muitos músicos etíopes se exilaram, mas não Hundessa, que durante toda a vida permaneceu no seu país repressor e que um dia o mataria.

Seu segundo álbum, lançado em 2013, se tornou o álbum mais vendido da África na Amazon na época. Dois anos depois, ele lançou um poderoso single chamado “Maalan Jira?”, visualizado mais de nove milhões de vezes no YouTube, onde ele fala sobre o preconceito da capital Adis Abeba para com o povo Oromas. Veja abaixo o videoclipe:

Os anos passaram e Hundessa crescia em popularidade até sua voz ser calada a tiros em 29 de junho de 2020. Homens armados o mataram na capital do país deixando-o estirado em uma poça de sangue.

Mas o pior ainda estava por vir.

Entristecidos e indignados pelo assassinato, centenas de manifestantes, a maioria Oroma, tomaram as ruas de várias cidades na Etiópia em protesto, carregando bandeiras e cantando em uníssono: “Um dia nós seremos livres. Hachalu, o seu sangue derramado não será em vão”.

A resposta do governo etíope para os protestos pacíficos foi brutal e sangrenta. Mais de 100 pessoas foram assassinadas numa carnificina que saiu do controle após tropas do governo reagirem com brutalidade. Em um país com mais de 80 etnias diferentes, os dias de julho na semana seguinte ao assassinato de Hundessa foram a oportunidade perfeita para uma parte da população aniquilarem os “indesejados”.

“Durante esses ataques generalizados, um grande número de pessoas movendo-se em grupos e armadas com facas, pedras, materiais inflamáveis, cabos elétricos, paus, machados e facões; espancou, feriu e matou pessoas de maneira horrível, inclusive por meio de tortura e decapitação. Os agressores cometeram essas mortes arrombando ou forçando as pessoas a saírem de suas casas, antes de arrastar ou jogar os corpos nas ruas. As pessoas foram posteriormente impedidas de recuperar os corpos de seus entes queridos.”

[Relatório da EHRC]

Houve protestos, inclusive, nos Estados Unidos.

Sete meses depois, o assassinato de Hachalu Hundessa continua sem solução.

45. Carnificina Sem FimMéxico


Irapuato, Guanajuato, México | 1 de Julho

O que será do México? O país parece cada vez mais perdido e dominado pelos cartéis de drogas que cometem tantas atrocidades, que filmar um inimigo sendo estripado vivo não assusta mais ninguém. Há quem diga que nas Américas não existe concorrência. Quando se fala em maldade, ninguém se aproxima da violência gratuita dos criminosos mexicanos.

Dentre as inúmeras batalhas sangrentas pelo controle do tráfico de drogas, o estado de Guanajuato vem se destacando nos últimos anos com o confronto entre o cartel local Santa Rosa de Lima — um dos mais violentos do México — e o Nueva Generación, de Jalisco, muito maior e poderoso. Em 2020, um dos dois cometeu um horrendo massacre na cidade de Irapuato, ceifando a vida de 28 homens que estavam internados em uma clínica de reabilitação clandestina.

Na guerra por pontos de drogas e clientela, mata-se por qualquer coisa. Suspeita-se que os assassinos estivessem procurando alguém específico, mas não o encontraram, então pediram para as mulheres saírem do lugar e levaram os homens até o segundo andar da casa. Lá, ordenaram que todos se deitassem com as mãos nas costas e abriram fogo em seguida. Dentre as vítimas, três irmãos: Omar, 39 anos, Cristian, 30 e Giovanni, 27. Giovanni, que não era usuário de drogas, estava visitando os irmãos quando o massacre ocorreu.

Especialistas acreditam que o ataque foi perpetuado pelo cartel Santa Rosa de Lima como mensagem para o Nueva Generación.

Fotos: veja abaixo imagens da cena do crime.

46. O Poderoso ChefãoÍndia


Kanpur, Uttar Pradesh, Índia | 2 de Julho

Acusado: Vikas Dubey

Idade: 56 anos

O Crime: provavelmente o maior mafioso do estado indiano de Uttar Pradesh, Vikas Dubey tinha uma extensa ficha criminal que incluía a suspeita do assassinato de um ministro de estado. Ele nunca ia preso porque as autoridades — policiais, judiciárias e políticas — eram tão (ou mais) corruptas que ele. Um criminoso sem cabresto, operando a bel-prazer pelas entranhas da sociedade, cresce uma serpente cada vez mais venenosa e arrogante, e uma prova disso aconteceu em 2 de julho quando o seu grupo emboscou uma tropa de policiais honestos que estava em seu encalço. Obviamente que ele teve a informação de alguém de dentro da polícia de que estava sendo monitorado, então conseguiu armar a arapuca. Seu bando massacrou a tiros oito policiais naquele dia, decapitando o de patente mais alta. Matar um ou outro policial era até aceitável, mas o massacre pegou mal e as autoridades foram obrigadas a dar uma resposta à sociedade. Praticamente a polícia inteira do estado foi mobilizada para caçar o mafioso e seu bando, exterminando cada um que encontrassem pelo caminho (fazia sentido: era melhor eles mortos do que vivos). Sete dias depois, Dubey se entregou após uma tensa negociação dentro de um templo. Mas quando estava sendo levado para uma prisão, a viatura policial sofreu um “acidente” e, aproveitando-se, Dubey supostamente tentou pegar a pistola de um dos policiais. É claro que a polícia muito bem treinada não deixou isso acontecer, não é mesmo? Na confusão, ele foi morto. Um fim adequado para um homem que podia delatar toda a nata poderosa e engravatada do estado de Uttar Pradesh.

47. A Menina de GunnedahAustrália


Gunnedah, Nova Gales do Sul, Austrália | 8 de Julho

Cena 1: Imagine a seguinte situação: você é uma mãe e durante as férias escolares combina com sua irmã de deixar a sua filha de 10 anos passar alguns dias na casa dela. Nada de mais até aí, certo? O quão normal e comum é essa situação: deixar o filho na casa de um irmão.

Cena 2: A criança de 10 anos está passando alguns dias na casa da tia, aproveitando as férias escolares. A tia mora numa fazenda e lá pelas 6h30 sai para realizar algum trabalho no campo. A sobrinha de 10 anos e a filha de 14, prima da criança, estão dormindo.

Às 7 horas, a mulher retorna e quando entra na casa encontra uma cena tão grotesca que o juiz do caso proíbe que qualquer informação seja divulgada (o primeiro policial que chegou, posteriormente pediu afastamento psicológico). O que se sabe é que a criança de 10 anos está morta e seu corpo terrivelmente mutilado. A prima de 14 não está na casa.

Em menos de 15 minutos uma ambulância chega apenas para atestar o óbito da criança. Em uma busca frenética, a menina de 14 é encontrada às 8h30 vagando por um campo de trigo, “atordoada e confusa”. Em sua mão ela carrega uma “arma extremamente afiada”.

Isso foi tudo o que a justiça australiana autorizou que fosse publicado sobre o caso da Menina de Gunnedah. Nem vítima nem assassina tiveram os nomes divulgados, muito menos os detalhes do crime.

A tragédia dividiu um casal, pais da vítima. De um lado a mãe, cuja sobrinha matou a própria filha, dizendo não guardar mágoas da irmã ou da sobrinha, e que elas não podiam ser culpadas. De outro lado o pai, que deu respostas duras públicas à esposa e afirmou em seu perfil do Facebook que o crime podia “ser evitado”. Isso indica que a assassina de 14 anos já demonstrava problemas de conduta. Dias antes ela havia sido suspensa da escola por atacar um colega de classe com tesouras.

Indiciada por assassinato, o caso corre na justiça.

48. O PerseguidorTurquia


Ula, Muğla, Turquia | 16 de Julho

“Mulheres são caçadas como pássaros aqui, e os políticos apenas observam”.

[Gulsum Kav]

O crime de maior repercussão na Turquia em 2020 foi o feminicídio de Pınar Gültekin, de 27 anos.

Recém-formada, Gültekin desapareceu em 16 de julho e os seus restos mortais, queimados e concretados dentro de uma lata de lixo, foram encontrados em uma área de mata nos arredores de Ula, no nordeste do país.

Cemal Metin Avci, de 32 anos, casado e pai de dois filhos, teria conhecido Gültekin em um bar e ficado obcecado por ela. A moça não queria nada com ele, mas o homem passou a persegui-la, exigindo que ela tivesse um caso com ele. Quando ela o bloqueou nas redes sociais, Metin Avci decidiu matá-la. Se ela não poderia ser dele não seria de mais ninguém.

O homem a espancou, estrangulou, colocou o seu corpo dentro de uma lata de lixo, jogou gasolina e incendiou antes de finalmente cobrir com concreto.

A violência contra a mulher e os chamados crimes de honra estão profundamente enraizados na cultura turca. Um estudo de 2009 revelou que quase metade das mulheres do país já sofreram algum tipo de violência física ou sexual de seus maridos ou parceiros. Todos os anos o número de feminicídios cresce, tendo atingindo o recorde de 474 em 2019 (esse número é contestado por grupos dos direitos humanos que afirmam ser muito maior).

Em um país extremamente machista, movimentos como o We Will Stop Feminicide, uma plataforma que compila reportagens e dados sobre violência contra a mulher, encontra resistência até mesmo de partidos políticos, que discursam sobre como tais atitudes “ameaçam os valores tradicionais da família”.

Pelo visto, para uma parcela da sociedade turca, espancar, estrangular, queimar e concretar o corpo de um ser humano não ameaça os valores tradicionais da família.

Veja neste link vídeos de manifestações dos turcos após o feminicídio de Pınar Gültekin.

49. O PadrastoRússia


Presnovka, Oblast de Novosibirsk, Rússia | 28 Julho

Fotos de cortar o coração publicadas por sites russos mostram Nikita Soshkin, de 3 anos, deitado esticado numa cama com os punhos cerrados de dor enquanto agonizava lentamente até a morte enxugando as próprias lágrimas.

Sua barriguinha inchada e pernas completamente esticadas indicavam sua agonia: seus órgãos internos estouraram depois dele ser chutado por seu padrasto, Sergey Lavrenov, de 34 anos, ocasionando hemorragia interna, fato que o levou à morte.

Um exame post-mortem mostrou que a criança morreu sob dores lancinantes — e lentamente — após ter o intestino delgado rasgado e misturado ao seu estômago ao sofrer golpes terríveis.

Sergey Lavrenov espancou Nikita após voltar de uma noite de bebedeira com amigos. O homem bêbado chutou a criança na barriga antes de arrastá-lo para o quarto e colocá-lo em cima da cama. A mãe de Nikita, Nadezhda Soshkina, de 23 anos, supostamente não descobriu que seu filho estava agonizando até a morte na cama e ele morreu enquanto ela e o padrasto dormiam no quarto ao lado. Ela teria descoberto que o filho estava morto apenas na manhã seguinte quando foi acordá-lo.

Essa versão, porém, é contestada por quem conhecia o casal. Eles teriam bebido na noite de 28 de julho com amigos e Soshkina presenciou o chute que o amante desferiu no filho, ainda assim, para proteger o homem, ela não chamou os serviços de emergência, indo dormir tranquilamente com Lavrenov. Na manhã seguinte, ao descobrir o óbito do filho, ela o teria limpado e trocado suas roupas, e só aí chamado uma ambulância. Vizinhos testemunharam que Lavrenov batia em Nikita por qualquer coisa, tudo “com o consentimento tácito da mãe”.

Fotos da vítima tiradas pela polícia mostram seu estômago gravemente inchado e os punhos cerrados contra os olhos, uma postura que mostrava que o menino chorava e enxugava as lágrimas.

Em dezembro, um tribunal russo condenou Sergey Lavrenov a 12 anos e meio de prisão. Já a mãe de Nikita não foi processada.

“O estômago do menino inchou. Seus olhos estavam bem abertos e seus punhos cerrados. Ele morreu com uma dor agonizante.”

Foto: veja abaixo uma das fotos tiradas pela polícia da vítima em sua cama.

50. O Assassino do Tambor ataca novamenteChile


Valparaíso, Chile | 29 de Julho

Em 2020, o crime de maior repercussão no Chile envolveu, novamente, esquartejamento, e dessa vez a vítima foi uma adolescente de apenas 16 anos.

No dia 29 de julho de 2020, às 9 horas, a jovem Ámbar Cornejo, de 16 anos, saiu para ir até a casa de sua mãe buscar a pensão que seu pai mandava.

Sua mãe, Denisse Llanos, estava namorando com ninguém menos que Hugo Bustamante, uma figura já conhecida no país.

Em 2005 Hugo havia sido condenado há 27 anos de prisão por estrangular, degolar e golpear com um bastão de madeira sua ex-mulher Veronica. O filho da vítima, de 8 anos, tentou defender a mãe e também acabou sendo agredido e estrangulado. Os corpos das vítimas foram guardados num tambor metálico de 200 litros, que logo foi enchido com cal e gesso e depois de três dias finalmente enterrado no quintal da casa onde o homem morava havia pouco tempo. 

O fato noticiado em todo Chile na época rendeu ao homem o apelido de “Assassino do Tambor”. Depois de cumprir 11 anos de prisão, em 2016 ele foi liberado junto com outros 788 réus que receberam o benefício de liberdade condicional.

Ámbar soube do histórico do namorado da sua mãe em janeiro de 2020, quando vivia junto dele, de sua mãe e seu irmão menor em um apartamento. Na época Ámbar decidiu confrontar o homem e advertir sua mãe, mas Denisse disse a ela que já sabia do histórico de seu companheiro e não havia dito nada a ela para não terminar de estragar a já pouca relação que havia entre ambas desde que Hugo tinha entrado em suas vidas.

Após esse episódio, Ámbar foi deixada à deriva pela própria mãe, quem lhe havia dado apenas 20 mil pesos chilenos (o equivalente a 100 reais na época) para sobreviver, já que ela se foi com Hugo e o filho menor morar em uma casa na região de Villa Alemana, na cidade de Valparaíso. A partir daí Ámbar passou a morar na casa da filha de um ex-namorado de sua mãe, a sete quarteirões de onde Denisse estava vivendo com o Assassino do Tambor.

Após sair para buscar o dinheiro, Ámbar desapareceu. Câmeras de segurança flagraram o momento da ida da jovem até a casa de sua mãe, porém nunca o seu retorno. Câmeras de outros setores, tampouco.

Iniciou-se então uma busca frenética pela jovem, vizinhos se mobilizaram espalhando cartazes pelas redondezas, enquanto a polícia também fazia buscas.

Desconfiados, e sabendo do histórico do homem com quem a mãe de Ámbar vivia, e que a jovem jamais entrava na casa quando ia buscar a pensão, alguns vizinhos entraram na casa de Hugo procurando pela jovem com a autorização dele próprio, que inclusive disse que se quisessem poderiam entrar com cães farejadores para não ficarem com a dúvida.

Esse momento pode ser visto no vídeo abaixo:

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Após oito dias de buscas Denisse confessou à polícia que o culpado pelo desaparecimento de sua filha era seu atual companheiro, que de acordo com o que ele lhe havia dito, ambos tiveram uma discussão e ele matou e enterrou o corpo da menina na própria casa, e que ela não disse nada antes porque estava com medo e estaria sendo ameaçada por ele.

Com a revelação da mãe, a polícia de investigações pôde encontrar partes do corpo da jovem que estavam dentro de coolers que haviam sido enterrados embaixo do piso da sala da casa.

Vídeo: Momento em que a PDI encontra o corpo de Ámbar e prende Hugo Bustamante:

A mãe até então estava sendo protegida como testemunha, mesmo que muitas pessoas acreditassem que ela tinha envolvimento no crime.

Para proteger Denisse a polícia a manteve escondida em um hotel, porém, com medo de represálias e de que pudessem fazer algo contra o estabelecimento, o gerente do hotel disse à polícia que não queria mais a mulher hospedada lá, obrigando-os assim a levá-la a um hospital psiquiátrico, já que nenhum hotel ia querer recebê-la.

Após vários dias de investigações e graças a uma nota fiscal de um comércio do bairro encontrada no lixo da casa de Hugo e Denisse, foi possível comprovar a participação dela no crime.

A nota fiscal era da compra de uma lata de pintura e cera para piso. Denisse não só sabia dos planos do homem, mas também o ajudou.

No dia do crime ela mandou o filho à escola para buscar a cesta básica que tinha direito, em um dia e uma hora totalmente incomuns, a ideia era tirar o menino do local e que ele não pudesse se encontrar com a irmã no meio do caminho. Quando Ámbar chegou a mãe insistiu que a menina entrasse (ela nunca passava para dentro do portão), uma vez estando dentro da casa a mulher ajudou a imobilizar e amordaçar a própria filha. Com a garota presa e escondida no quarto, Denisse esperou a chegada do filho. Quando o menino chegou ela disse a ele que deveriam ir correndo para o seu apartamento porque estavam tentando invadir. Denisse saiu rapidamente com o menino deixando Hugo sozinho para poder assim estuprar e matar a sua própria filha. Quando o crime já estava consumado e o corpo enterrado, Denisse voltou à casa para ajudar o homem a arrumar o lugar. Pintaram o piso e passaram cera, logo depois foram a uma loja e compraram roupas, óculos escuros, toucas e bonés e foram a um acampamento.

Denisse de testemunha passou a ser ré e foi detida na clínica onde estava hospedada.

O bairro de Villa Alemana parece estar sendo assombrado por crimes hediondos. Nos 101 Crimes Notórios e Horripilantes de 2018, caso 57, contamos a história de Nibaldo, um professor que foi esquartejado pela própria esposa, Johana Hernandez. Mundo pequeno, Johana conhecia a mãe de Ámbar, já que os filhos de ambas estudavam na mesma escola. Com medo de ser envolvida por esse motivo de alguma maneira no caso Ámbar, Johana fez questão de escrever uma carta à imprensa e à justiça onde deixa claro que não tinha nenhuma relação com Denisse Llanos.

51. Morte aos Patos


Maladzyechna, Bielorrússia | 12 de Agosto

Protestos explodiram na Bielorússia em 2020 após a eleição do presidente do país, Alexander Lukashenko, o “último ditador da Europa”.

A resposta de homens como Lukashenko, que acreditam ser donos do país e a única pessoa “capaz” de liderar a nação, para tais atos “terroristas” não choca ninguém, principalmente para aqueles que escutaram da boca do próprio presidente que quaisquer pessoas que fossem para as ruas protestar teriam “os pescoços torcidos, igual fazemos com um pato”. Nada incomum para um homem que controla a mídia, amedronta e prende políticos oponentes e marginaliza vozes independentes (para não dizer outras coisas mais pesadas).

Mas, cansados, os bielorrussos foram para as ruas.

A resposta de Lukashenko foi imediata. Milhares de manifestantes foram detidos arbitrariamente pelas forças de segurança e sistematicamente sujeitados a torturas e outros maus-tratos.

Observadores internacionais descreveram espancamentos, choques elétricos e, em pelo menos um caso, estupro. Manifestantes tiveram ferimentos graves, incluindo ossos quebrados, dentes rachados, feridas na pele, queimaduras ocasionadas pelos choques elétricos, lesões cerebrais, danos renais etc.

“A grande brutalidade da repressão mostra até que ponto as autoridades bielorrussas vão para silenciar as pessoas, mas dezenas de milhares de manifestantes pacíficos continuam exigindo eleições justas e justiça para os abusos. As Nações Unidas e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa devem iniciar inquéritos com urgência para garantir que sejam coletadas evidências que possam contribuir para a responsabilização por graves violações dos direitos humanos.”

[Hugh Williamson, Human Rights Watch]

“A polícia exigiu que eu desbloqueasse meu telefone. Eu recusei. Eles chamaram um oficial sênior. Ele ameaçou que, ao menos que eu cooperasse, ele enfiaria o cassetete na minha bunda. Ele então cortou meu short e minha cueca nas costas, transversalmente, e chamou seus policiais perguntando se alguém tinha camisinha. Eu estava no chão, de bruços, mas pude vê-lo colocar a camisinha no cassetete, então ele simplesmente enfiou o cassetete no meu ânus… Então, ele exigiu a senha novamente. Ele chutou e me deu um soco nas costelas, rosto e boca, meus dois dentes da frente quebraram.”

[Ales, 30 anos, Cientista da Computação]

Diana, uma web designer de 24 anos, foi presa com quatro outras amigas enquanto pregava cartazes de oposição ao governo em uma parada de ônibus. Amarradas dentro de um carro policial, as mulheres foram vítimas de violência física e psicológica: “Vamos garantir que vocês peguem de 10 a 15 anos de prisão. Vocês serão estupradas por gangues lá e sairão velhas e esclerosadas, com vaginas inúteis”, disse um oficial.

Mas patos… oops, quer dizer, manifestantes, também foram assassinados. Veja abaixo uma lista com alguns deles:

10 de Agosto: Alexander Taraikovsky, de 34 anos, levou um tiro no meio do peito ao participar de uma manifestação perto da estação de metrô de Pushkinskaya. O governo tentou culpar a vítima, dizendo que ele estaria com uma bomba nas mãos e o artefato explodiu. Entretanto, vídeos e uma autópsia do corpo descartaram essa versão. Uma investigação particular concluiu que ele foi morto por um integrante das forças especiais. Veja aqui um vídeo do momento em que Alexander é atingido.

11 de Agosto: Gennady Shutov, de 43 anos, levou um tiro na cabeça disparado por um policial na cidade de Brest, mostrando que a força policial usou armamento real contra as pessoas que protestavam pacificamente. Shutov, entretanto, não participava do protesto, ele passeava na rua no momento quando foi atingido. Ele faleceu oito dias depois no hospital. As autoridades não abriram um processo criminal e acusaram a vítima, mesmo falecida, de “resistência à autoridade policial”.

12 de Agosto: Nikita Krivtsov, de 28 anos, desapareceu após participar de uma marcha pacífica na cidade de Maladzyechna. Dez dias depois seu corpo foi encontrado dependurado pelo pescoço em uma árvore numa floresta nos arredores da capital Minsk. As autoridades alegaram suicídio, mas os pés de Nikita estavam no chão, o que contraria a versão. “Ele nunca expressou pensamentos suicidas”, disse sua esposa Elena. Veja aqui um vídeo do funeral de Krivtsov.

12 de Agosto: Alexander Vikhor, de 25 anos, morreu de ataque cardíaco após passar horas excruciantes dentro de uma van quente e abarrotada de pessoas. Ele foi preso arbitrariamente após sair de casa para visitar a namorada e como as cadeias estavam superlotadas, foi mantido numa van e, mesmo passando mal, foi ignorado pelas autoridades até vir a óbito. Seu corpo foi velado num espaço aberto e atraiu uma multidão de pessoas.

15 de Agosto: Konstantin Shishmakov, de 29 anos, diretor do Museu de História Militar de Bagration, em Vawkavysk, desapareceu, sendo o seu corpo encontrado posteriormente dependurado pelo pescoço em uma árvore numa floresta. Membro oficial da comissão de eleição, ele se negou a assinar alguns papéis, e isso poderia indicar o que todo mundo suspeita: que a vitória de Lukashenko nas eleições foi uma fraude (ele teve 80% dos votos). Mais uma vez, as autoridades alegaram suicídio.

3 de Outubro: Denis Kuznetsov, de 41 anos, faleceu quatro dias depois de ser preso arbitrariamente pelas forças de segurança bielorrussas. Levado a um hospital após supostamente “cair de um beliche”, a equipe médica descobriu uma lesão cerebral, numerosos hematomas, uma fratura da base do crânio, hemorragia subaracnóidea e 11 costelas quebradas. O Ministério de Assuntos Internos da Bielorrússia, porém, declarou como causa oficial da morte a “queda da cama”.

11 de Novembro: o assassinato mais emblemático foi do designer Raman Bandarenka, de 31 anos, sequestrado do jardim de sua casa e morto por agentes públicos dentro de um escritório do governo em Minsk. No dia seguinte ao sequestro ele deu entrada no hospital com hematomas na cabeça, hemorragia cerebral e múltiplos ferimentos, falecendo horas depois. Sua morte não foi esclarecida e o governo nunca admitiu que pessoas morreram pelas mãos de autoridades.

52. Inconformado


Freguesia de Gondufe, Ponte de Lima, Portugal | 19 de Agosto

O casamento entre os espanhóis Carlos Sande Fidalgo, de 48 anos, e Nuria Rodriguez Gonzalez, de 40 anos, terminou em março de 2020, mas o término nunca foi aceito por Carlos que, para vigiar a ex-esposa, instalou um GPS em seu carro.

Para piorar, Nuria arranjou um novo namorado, Luís Miguel Fernandez, de 53 anos. Em agosto de 2020, aproveitando o verão europeu, o casal viajou para Portugal e se instalou numa casa na pacata e bucólica freguesia de Gondufe. A viagem de férias, entretanto, se tornou um problema quando Carlos apareceu na porta da casa exigindo falar com Nuria. Sentindo-se traído por Nuria, Carlos discutiu com a ex-esposa durante horas e com violência, trocando insultos com ela e em dado momento chorando “desesperado”.

Ele não foi embora e nos dias seguintes foi visto várias vezes rondando a rua por vizinhos em sua BMW preta.

Na madrugada de quarta-feira, 19 de agosto, ele invadiu a casa onde Nuria e Luís estavam com uma katana — tradicional espada japonesa — e iniciou uma sessão de tortura que durou seis horas.

Luís foi surpreendido com um golpe na cabeça aplicado por Carlos, que o deixou grogue. Nesse tempo, Carlos amarrou a ex-esposa com fios elétricos e a obrigou a assistir ao que ele tinha em mente para Luís: tortura até a morte.

Com uma faca e a espada, Carlos passou horas e horas torturando e mutilando Luís na frente de Nuria, tendo, inclusive, castrado a vítima.

O corpo de Luís seria encontrado posteriormente “num cenário de grande violência”.

Não se sabe se Nuria conseguiu fugir ou se Carlos foi embora após matar Luís, deixando a esposa viva dentro da casa (essa informação não foi divulgada), o que se sabe é que Nuria apareceu na casa do vizinho pedindo ajuda.

Acionada, a polícia saiu à procura de Carlos e seu carro foi encontrado há 75 quilômetros de distância, sob a Ponte de Rande, já em território espanhol. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte, ele havia se suicidado se jogando da ponte.

53. Primeiro Encontro do InfernoTurquia


Esmirna, Região do Egeu, Turquia | 20 de Agosto

Ceyda Yüksel, de 28 anos, conheceu Serkan Dindar, de 38, nas redes sociais e dois dias depois aceitou um convite do homem para ir até a casa dele. Talvez, se Yüksel soubesse o que Dindar andava escrevendo nas redes sociais — coisas como: “Algumas mulheres merecem ser mortas” —, ela não teria aceitado o convite.

A polícia foi chamada após vizinhos de Dindar escutarem gritos e barulho de vidro quebrando vindos de seu apartamento. Chegando lá, policiais se depararam com uma cena sangrenta e o corpo sem vida de Yüksel.

Com os pedaços de vidro quebrado, Dindar cortou todo o corpo de Yüksel e ela morreu de sangramento massivo após o monstro quase decepar o seu braço. Havia também um corte profundo na axila da vítima.

Literalmente um primeiro encontro do inferno.

54. Bebê SubstitutoBrasil


Canelinha, Santa Catarina, Brasil | 27 de Agosto

“Boa noite, se alguém ver a Flavia Godinho Mafra, por favor pede pra ela entrar em contato, porque eu, as amigas e a família dela não conseguimos contato com ela. É URGENTE! Obrigada!”

[Compartilhamento na página do Facebook de Rozalba Grimm]

Flavia Godinho Mafra, de 24 anos, grávida de 36 semanas, desapareceu no dia 27 de agosto após sair de casa para ir até um chá de bebê surpresa. Seu corpo foi encontrado em uma cerâmica de Canelinha, na Grande Florianópolis, com o ventre aberto e sem o bebê.

O chá de bebê não existia, era apenas uma armadilha planejada por uma conhecida sua de infância que queria a criança que ela carregava.

A mulher (que não teve o nome divulgado pela polícia, mas seu perfil nas redes sociais foi publicado em alguns sites) teria sofrido um aborto espontâneo em fevereiro de 2020 e, desde então, ficado obcecada em conseguir um bebê para substituir o seu.

Ela passou a procurar por mulheres nas redes sociais, sempre à procura de uma grávida que tivesse o mesmo tempo de gravidez dela se não tivesse perdido o bebê. Foi aí que ela descobriu Flávia, uma conhecida de infância que há muito tempo ela não via. A mulher se aproximou de Flávia cerca de dois meses antes do crime e ganhou a confiança da gestante.

Print das conversas entre a acusada e mulheres grávidas no Facebook.

Em 27 de agosto, Flávia foi assassinada pela amiga com golpes de tijolo na cabeça, então a mulher abriu o seu ventre de qualquer jeito com um estilete, chegando a fazer cortes terríveis no bebê.

Ela acreditava que nunca seria pega, mas sua história já foi desmascarada no hospital para onde ela levou o bebê. Os médicos suspeitaram da história da mulher dizendo ter sofrido um parto repentino e chamaram a polícia.

Imagem: foto do bebê tirada no hospital com cortes nas costas.

55. Horror em MoçambiqueMoçambique


Oasse, Cabo Delgado, Moçambique | Setembro

Durante dois anos o grupo jihadista moçambicano Al-Shabab (não confundir com o de mesmo nome que atua na Somália) atuou nas sombras. Ninguém sabia o que eles queriam ou quem eles eram. A única certeza era o terror que causavam nas entranhas do país, atacando vilarejos remotos e fazendo emboscadas contra patrulhas do exército. Entretanto, no ano de 2020, o vídeo de um líder dos combatentes, que circulou pelo WhatsApp, ofereceu uma explicação sobre o que esse grupo quer. Sem usar máscara e falando português, o homem disse que:

“Ocupamos [as cidades] para mostrar que o governo é injusto. Ele humilha os pobres e dá o lucro aos patrões.”

O homem fala frequentemente sobre o Islã e a sua aspiração por um “governo islâmico, e não um governo de descrentes”. Ele cita também acusações de abusos por parte dos militares de Moçambique e se queixa diversas vezes de supostas injustiças do governo. De fato, é de conhecimento que exércitos de países africanos agem como os próprios terroristas: estuprando mulheres e promovendo massacres, principalmente se forem de uma etnia diferente.

Uma questão importante é: Sobre o Al-Shabab, estaríamos vendo o nascer de mais um grupo de carniceiros ao estilo Boko Haram? O funcionamento parece ser o mesmo: um grupo marginalizado que explora queixas locais, aterroriza comunidades e oferece um caminho alternativo para jovens desempregados frustrados com um Estado controlado por autoridades corruptas e negligentes. Como um câncer, a insurgência islâmica vai se disseminando pela África. E parece ser a vez de Moçambique.

E como não poderia deixar de ser, por onde passam deixam um rastro de mortes e destruição. Em seu encalço, o exército, se não causa o mesmo, chega perto.

Nesse sentido, um vídeo surgido nas redes sociais em setembro mostra o retrato da selvageria gratuita e covarde perpetuada por indivíduos que se sentem alguma coisa com um pedaço de ferro que cospe balas de chumbo nas mãos. O vídeo mostra quatro homens perseguindo uma mulher nua aterrorizada. Eles a espancam e a matam com pelo menos 36 tiros.

Não se sabe nada sobre o vídeo e, como é de se esperar, a mulher não foi identificada (o governo sempre se importando com os fracos e oprimidos, não?). Mas analisando as imagens dá para tirar algumas conclusões.

Analistas internacionais descobriram que o assassinato aconteceu na cidade de Oasse em setembro de 2020. A estrada vazia indica que a mulher foi deixada para trás quando os civis da cidade fugiram. Por que ela está nua? Foi estuprada pelos homens antes? Foi humilhada por eles ao ter suas roupas tiradas? Mas o pior nessa história é pensar nos perpetuadores: militares.

Sabe-se que em setembro de 2020 tropas do exército de Moçambique estavam na região em uma ofensiva contra rebeldes. Os quatro homens filmados perseguindo e caçando a mulher nua e indefesa como um bicho do mato usam uniformes do exército e falam português com um sotaque do sul do país, e os rebeldes falam (principalmente) uma língua chamada suaíli, mas também árabe, macua e maconde.

Entretanto, não se pode negar a possibilidade de os atiradores serem membros do Al-Shabab. Sabemos que eles falam português (pelo menos um deles). Eles também são conhecidos por se disfarçarem de soldados do exército para cometerem suas atrocidades.

“Esse vídeo pode ser horrível, mas não é o único. Na verdade, é impressionante a quantidade de vídeos circulando nas redes sociais vindos dessa região de Moçambique”.

[Andrew Harding. BBC News África]

O governo moçambicano emitiu uma nota (olhe aí as tais notas) afirmando que investigaria o crime, o que não foi feito.

A verdade é que os detalhes deste vídeo continuam sendo um mistério, mas o horror que está acontecendo no norte de Moçambique neste momento é uma realidade.

Vídeo: veja abaixo o vídeo compartilhado no WhatsApp em Moçambique do assassinato de uma civil nua por (muito possivelmente) militares.

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56. AniquiladoraAlemanha


Solingen, North Rhine-Westphalia, Alemanha | 2 de Setembro

A tranquila cidade de Solingen, nos arredores de Düsseldorf, foi palco de uma tragédia que chocou os alemães.

Cinco crianças, todos irmãos, foram encontrados mortos em uma “grande casa”. Elas eram três meninas, de 1, 2 e 3 anos – Melina, Leonie e Sohpie -, e dois meninos, de 6 e 8 anos – Timo e Luca. As autópsias indicaram que a causa da morte foi sufocamento por sedação.

Na quinta-feira, 3 de setembro, o mais velho dos irmãos, um menino de 11 anos, foi normalmente para a escola e mais tarde a mãe telefonou para a escola dizendo que ela iria pegá-lo, citando que havia ocorrido uma morte na família.

Ela o levou até uma estação ferroviária de Düsseldorf e lá pulou na frente de um trem.

A mulher, de 27 anos, chamada Christiane K. passou vários dias internada, mas sobreviveu à tentativa de suicídio. Ela estaria em depressão profunda devido ao rompimento com o ex-marido e pai de seus quatro filhos mais novos.

57. Canibal da InternetAlemanha


Berlim, Alemanha | 5 de Setembro

A Alemanha parece um lugar prodígio para os chamados “Canibais da Internet” — homens homossexuais que usam do ambiente virtual para atrair suas vítimas e realizarem seus fetiches extremos e antinaturais.

Em 2001, Armin Meiwes publicou em um fórum sobre canibalismo um anúncio procurando um homem jovem para “abate e consumo”. O gerente de TI Bernd Juergen Brandes respondeu ao anúncio, pois tinha a vontade de que alguém “eliminasse” a sua vida sem “deixar rastros”.

Brandes viajou de trem até a casa de Meiwes e este filmou todo o processo. Feche os olhos das crianças se houver uma em casa: o vídeo mostrou como Meiwes castrou Brandes com uma faca antes dos dois homens tentarem comer a genitália. Inicialmente, Brandes queria que Meiwes arrancasse o seu pênis a mordidas, mas isso não funcionou. Após a castração, Meiwes tentou fritar o órgão, mas o prato não saiu como esperado e a genitália acabou no pote de ração do cachorro.

As quatro horas de gravação mostram ainda como Brandes foi morto e seu corpo dependurado em um gancho para carne. Seu corpo foi desmembrado pedaço por pedaço nos 10 meses seguintes sendo mantido em um freezer e a carne consumida por Meiwes.

Já em novembro de 2013, um homem de Hanover viajou até o estado da Saxônia para ser morto pelo policial Detlef Guenzel. Os dois homens se conheceram em um fórum de canibalismo e fizeram um acordo: Detlef tinha o sonho de “abater” um homem e a vítima o de ser “abatido”. Como Meiwes, Detlef gravou todo o processo de desmembramento do corpo.

Em 2020, um outro canibal da internet alemão deu o ar da graça.

Em 8 de novembro, pessoas que caminhavam em um parque no bairro Pankow, em Berlim, notaram o que pareciam ser ossos humanos brilhando à luz do Sol. Descobriu-se mais tarde que eram os restos de Stefan Trogisch, de 44 anos, desaparecido desde o início de setembro.

Dois cães farejadores levaram policiais até o apartamento de um pacato professor de química chamado Stefan R., de 41 anos, e lá encontraram uma mandíbula ensanguentada e produtos químicos.

Com o computador e celular confiscados, peritos encontraram mensagens trocadas entre os dois homens. Eles se conheceram em um site de relacionamentos gay e concordaram em se encontrar no início de setembro. Em fóruns que ele frequentava, fica evidente o interesse de Stefan R. em canibalismo. Em um deles, ele pergunta ser seria possível alguém sobreviver a uma amputação genital, afirmando que “em minha experiência algumas pessoas desejam com intuito de se sentirem mulher ou ter prazer masoquista”.

“Devido ao osso estar completamente sem carne, e outras evidências, nós suspeitamos piamente que Stefan Trogisch foi vítima de um canibal”, disse a polícia alemã.

Não se sabe, entretanto, se a vítima também tinha interesse em canibalismo ou se tinha consciência que seria morto.

O caso continua sob investigação da polícia alemã.

58. Date MortalIndonésia


Jacarta, Indonésia | 9 de Setembro

Vítima: Rinaldi Harley Wismanu

Idade: 32 anos

O Crime: gerente de recursos humanos de uma empresa japonesa em Jacarta, Rinaldi Harley Wismanu usava o Tinder para paquerar e conhecer mulheres. E no aplicativo ele conheceu uma que se interessou bastante, Laeli Atik Supriyatin, de 27 anos. Eles trocaram o número de WhatsApp e combinaram de se encontrar em um café. Não demorou e Rinaldi alugou um quarto de 7 a 12 de setembro para passar alguns dias com sua nova paquera. Num dos encontros, em 9 de setembro, Rinaldi e Laeli estavam fazendo sexo quando Djumadil Al Fajri, de 26 anos, namorado da moça, apareceu de repente e já foi logo dando três tijoladas na cabeça de Rinaldi. O homem não teve chance, sendo esfaqueado sete vezes em seguida. Aquilo tudo era um plano do diabólico casal Laeli & Djumadil. A mulher procurava por “candidatos” no Tinder — homens que eles acreditavam ter dinheiro —, se encontrava com eles, fazia sexo para ganhar a confiança e a senha do cartão de crédito para, então, Djumadil entrar na jogada. Com um facão e uma serra, o casal cortou em 11 pedaços o corpo de Rinaldi, embrulhando-os em sacos e colocando em duas malas. Preso, o casal deve enfrentar julgamento em 2021. Em 2017, morando no Japão e fazendo mestrado, Rinaldi participou de um programa de TV do canal ITV sobre estrangeiros que moravam no Japão. Veja abaixo o vídeo do programa, onde Rinaldi comenta sobre como é ser um estudante indonésio na terra do sol nascente.

59. Rieli FranciscatoBrasil


Seringueiras, Rondônia, Brasil | 9 de Setembro

“Todos os dias, pessoas no Brasil se arriscam para defender a floresta amazônica da extração ilegal de madeira. Essas pessoas são agentes públicos que trabalham nas agências ambientais do país e policiais que combatem crimes ambientais; são pequenos agricultores que ousam denunciar às autoridades os nomes daqueles que entram com motosserras e caminhões madeireiros nas florestas públicas; são povos indígenas que patrulham seus territórios a pé, em barcos e em motocicletas, com arcos e flechas e GPS, para proteger as florestas das quais dependem para sustentar suas famílias e preservar seu modo de vida.

Os defensores correm esse risco com pouca expectativa de que o Estado os protegerá quando confrontarem madeireiros que flagrantemente violam as leis ambientais brasileiras e que ameaçam, atacam e até matam qualquer um que se coloque em seu caminho.”

[Human Rights Watch]

Um desses defensores, Rieli Franciscato, de 56 anos, um dos maiores especialistas em assuntos indígenas do Brasil, foi assassinado com uma flechada por índios isolados na zona rural de Seringueiras, uma pequena cidade no estado de Rondônia.

A morte de Rieli foi uma perda enorme para a Funai e é o reflexo do descaso do governo e das declarações preconceituosas do atual presidente brasileiro, cuja gestão ambiental é condenada no mundo inteiro e fez atingir níveis estratosféricos de destruição — com a nunca antes vista queimada do Pantanal, no segundo semestre de 2020, representando o ápice ambiental catastrófico de seu governo. (Somente o Pantanal mato-grossense teve destruído uma área equivalente a 15 vezes o tamanho das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro juntas!)

Segundo especialistas, os índios que mataram Rieli podiam estar fugindo das ameaças ao seu território, como grilagem de terra, garimpo, extração de madeira e pesca ilegal, confundindo-o com os que estavam ameaçando-os.

  • A Saber I: em 1 de Abril, a liderança indígena Zezico Guajajara foi assassinado em sua aldeia no município de Arame, Maranhão. No Twitter, o governador do Maranhão lamentou a morte que veio apenas cinco meses depois do assassinato do líder indígena local, Paulino Guajajara, membro do grupo “Guardiões da Floresta”, formado para proteger o território contra madeireiros ilegais.
  • A Saber II: em 18 de Abril, a liderança indígena Ari Uru-eu-wau-wau, de 33 anos, foi assassinado em Tarilândia, Rondônia. Ari trabalhava no grupo de vigilância do povo indígena Uru-eu-wau-wau. A função do grupo consiste, principalmente, em registrar e denunciar extrações ilegais de madeira dentro da aldeia.
  • A Saber III: em 3 de agosto, o indígena Kwaxipuhu Ka’apor, de 32 anos, foi assassinado em terras indígenas no Maranhão. O crime teria sido em retaliação pelo indígena ter participado da destruição de uma plantação de maconha clandestina usada por madeireiros e traficantes.

60. O AmigoSomália


Mogadíscio, Somália | 11 de Setembro

Vítima: Hamdi Mohamed Farah

Idade: 19 anos

O Crime: “Os crescentes e terríveis casos de estupro e assassinato de nossas jovens meninas e meninos não é apenas inaceitável, mas vergonhoso. Esses incidentes são hediondos e contra nossas leis islâmicas e dos direitos humanos”, disse o senador somaliano Ilyas Ali Hassan. O senador não foi o único líder político a se manifestar, e sua fala veio na esteira de um crime que chocou o país: o estupro e assassinato da universitária Hamdi Mohamed Farah. Em 11 de setembro, a jovem foi atraída por um amigo (isso mesmo o que você leu: “amigo”) até um apartamento na capital Mogadíscio. Chegando lá, Hamdi foi surpreendida por 11 homens, e eles queriam se divertir. Ela foi repetidamente estuprada pela horda masculina e quando eles se sentiram satisfeitos, decidiram descartá-la como se fosse lixo: a jogando do sexto andar do prédio. Os 11 homens foram presos, incluindo Mohamed Ibrahim Osman, de 24 anos. O assassinato gerou indignação na Somália e protestos aconteceram na capital e em outras cidades.

61. Lhamo


Aba, Tibete | 14 de Setembro

“Nunca me passou pela minha cabeça que ela fosse vítima de violência doméstica.”

[Seguidora de Lhamo]

Para Lhamo, de 30 anos, crescer e viver num vilarejo isolado nas montanhas tibetanas da região de Aba não prejudicou seu contato com o magnífico mundo virtual e suas tecnologias viciantes. Mulher simples, sorridente, simpática e trabalhadeira, em pouco tempo a jovem camponesa arregimentou mais de 700 mil seguidores no Douyin, um aplicativo chinês equivalente ao TikTok. Lá, ela fazia lives e postava fotos e vídeos de sua vida simples: os ovos que uma galinha botou, a sopa de vegetais e hortaliças que ela mesmo plantava, a natureza ao seu redor…

Imagens que Lhamo compartilhava nas redes sociais. Muito conhecida, suas fotos recebiam milhares de curtidas e comentários.

Mas por detrás da aparente vida feliz, o que seus milhares de seguidores não sabiam era que Lhamo era vítima de violência doméstica praticada pelo homem com quem convivia desde os 17 anos: Tang Lu.

Nascida na pobreza, Lhamo vivia de coletar ervas nas montanhas. Aos 17 anos, conheceu Tang, de uma vila vizinha, com quem se casou. O casamento durou 13 anos e Lhamo teve dois filhos. O relacionamento, porém, foi marcado pela violência de Tang, que durante anos e anos abusou da esposa. Mas Lhamo era guerreira e repetidamente tentou proteger a si mesma e os seus dois filhos. Ela se divorciou dele, mas voltou a se casar quando um “deprimido” e “arrependido” Tang disse que nunca mais iria bater nela. Mas não foi isso o que aconteceu. Lhamo foi na polícia várias vezes, sempre quando era espancada, mas suas reclamações nunca foram levadas a sério e ela nunca recebeu a proteção que procurava. “Isso é um problema do casal”, limitava-se a dizer a polícia.

Em março de 2020, Lhamo se divorciou de Tang pela segunda vez e ele ameaçou matar os dois filhos do casal se ela não voltasse com ele. Nos seis meses seguintes, Lhamo, e até sua irmã Dolma, foram vítimas do ódio primitivo de Tang. Em junho, ele foi até a casa de Dolma e exigiu saber onde estava Lhamo. Quando Dolma se negou a dizer, levou um soco no olho, chutes e pontapés. Ela teve ossos quebrados e ficou duas semanas internada em um hospital. Avisada, a polícia apenas questionou Tang e o liberou sem nenhum indiciamento.

Com medo, Lhamo se refugiu em uma cabana nas montanhas de Aba, onde viveu dias pacatos, se divertindo no Douyin. Compartilhar sua vida e conversar com seus seguidores a fazia feliz.

Lhamo, ao centro, com sua irmã e seu pai.

Em 12 de setembro, Lhamo fez uma live com seus seguidores e os avisou que estava “voltando para casa”. Dois dias depois, mais de 400 pessoas assistiam a mais uma live de Lhamo em sua cozinha quando, de repente, um homem invadiu a casa; Lhamo deu um grito e a tela dos celulares dos seus seguidores ficaram pretas.

“Ela parecia um pedaço de carvão. Ele queimou quase toda a pele dela”.

[Dolma]

Quem assistia à live foi poupado de ver tamanho horror: Tang jogou gasolina na mãe de seus filhos e riscou um palito de fósforo. Lhamo resistiu bravamente às terríveis queimaduras por duas semanas, então faleceu.

Como é comum nesses casos, a forma escabrosa com que o crime foi cometido aliado à indiferença das autoridades para com vítimas de violência doméstica causaram indignação na sociedade chinesa (o Tibete é um território autônomo, mas faz parte da China). A indignação, entretanto, explode e fica retida apenas no coração das pessoas. Autoridades, que é quem tem o poder de mudar as coisas, poderiam arregaçar as mangas e dizerem “basta!”, mas vamos de nota de repúdio, ok? Autoridades simplesmente não se importam. O tal do Tang foi preso, e isso pra eles resolve o problema, pelo menos é uma resposta fácil que acalma a massa que consome a atrocidade comendo um miojo enquanto interage no smartphone.

Hashtags e palavras de repulsa nas redes sociais são logo esquecidas e no final servem mais para a mídia escrever notícias para cliques em massa do que para qualquer outra coisa. Indignação e ativismo de rede social não salvam vidas, mas podem sim ser um instrumento valioso se canalizados na direção correta, andando lado a lado com ações práticas aqui no nosso mundo real.

Foto: abaixo imagem de Lhamo no hospital. ATENÇÃO! IMAGEM GRÁFICA!

Vídeo: reportagem da TV chinesa sobre o caso.

62. “?” Lives MattersÍndia


Aldeia de Bool Garhi, Uttar Pradesh, Índia | 14 de Setembro

“Eles a queimaram primeiro e depois alegaram que não houve estupro. A Vida do Dálit Importa”.

Dalit Lives Matters! A expressão pode soar familiar e é um lembrete que o “Lives Matter” existe no mundo inteiro, a única diferença é a cultura envolvida. Black, Dalit, Women, Albino, Indian, Oromas… vidas de minorias ou daqueles fisicamente mais fracos ou diferentes têm sido ceifadas ao redor do globo de forma assustadora e impiedosa, e não há indícios de que isso irá diminuir.

Os Dálits são a casta mais inferior da Índia e considerados tão sujos que ficou famosa no mundo a palavra “intocável”, ou seja, eles são tão “impuros” que não podem nem ser tocados.

Não é de se espantar então que as mulheres Dálits sofram em dobro. Em 14 de setembro, uma adolescente Dálit de 19 anos foi estuprada por quatro homens de castas superiores e deixada para morrer com a espinha quebrada num descampado. A moça foi encontrada nua e sangrando pela família e faleceu 14 dias depois.

Avisada, a polícia não fez nada. Mas quando a vítima faleceu, eles decidiram que era hora de limpar a sujeira para preservar os nomes dos homens das castas importantes. Eles apenas se divertiram com uma Dálit, certo?

Rapidamente, policiais queimaram o corpo da vítima usando gasolina. Quando o caso se tornou público, um chefe de polícia desmentiu os “ultrajes” ditos pelos familiares de que a mulher Dálit sofrera abuso sexual. Até mesmo um relatório forense dizia o contrário. Era tudo armação, claro.

Em pouco tempo a história se espalhou pela Índia e bizarramente a polícia cercou a casa da família da vítima, não deixando que eles saíssem ou conversassem com a imprensa ou com políticos ligados aos direitos humanos. Os telefones celulares deles também foram confiscados.

Policiais vigiam a casa da família da vítima. Foto: Times of India.

Protestos se seguiram nas ruas de várias cidades, incluindo Noida, nos arredores de Nova Délhi, e em resposta, as autoridades prenderam os quatro estupradores assassinos e mais quatro policiais.

A Índia é um dos países mais perigosos para mulheres. É comum elas serem atacadas com ácido, sofrerem estupros coletivos ou serem assassinadas.

Vídeo: abaixo um integrante do governo fala com a mãe da vítima dálit enquanto policiais vigiam ao fundo.

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Segue abaixo alguns das centenas de assassinatos cometidos contra mulheres no ano de 2020 na Índia:

  • 3 de Janeiro: Jyothappa M., de 51 anos, da aldeia de Hennagara Hosahalli, foi atacada com ácido, picada com um facão e incendiada por Razia Begum, 29 e Lingaraju, 40;
  • 3 de Julho: uma adolescente de 14 anos foi estuprada e assassinada dentro da escola em Noida. A polícia alegou suicídio e seu corpo foi cremado rapidamente pelas autoridades sem o consentimento da família;
  • 23 de Setembro: uma adolescente Dálit, de 16 anos foi estuprada por um conhecido e, com medo, não contou nada a ninguém. Ela engravidou e quando sua barriga começou a ficar visível os vizinhos fofoqueiros usaram as línguas venenosas para falar sobre a “menina solteira grávida”. Raivosos, o pai e o irmão da menina exigiram saber quem a havia estuprado, mas a menina, com medo, não disse. “Envergonhados” pela gravidez, o pai e o irmão a espancaram, estrangularam, decapitaram o corpo e enterraram o cadáver nas margens de um rio.
  • Fim de Setembro: outra mulher Dálit, de 22 anos, sofreu estupro coletivo e foi assassinada em Uttar Pradesh, dessa vez no distrito de Balrampur. Ela estava indo para o seu primeiro dia de emprego em uma escola quando foi atacada;
  • 16 de Outubro: uma criança deficiente desapareceu em Deesa, Gujarate. Cães farejadores levaram a polícia até um templo e depois até as margens do rio Banas, onde encontraram o cadáver decapitado. A polícia prendeu um primo da vítima de 24 anos, que confessou ter estuprado e assassinado a menina. Existe a suspeita de que a criança possa ter sido sacrificada em um ritual de magia negra, já que na noite do assassinato a Lua estava na fase Amavasya, que ritualistas acreditam ser a melhor para rituais satânicos. Além disso, cães inicialmente levaram os policiais até um templo escondido nas margens de um rio;
  • 12 de Novembro: uma mulher de 22 anos foi atacada com ácido e queimada viva no distrito de Beed, Estado de Maharashtra. Um homem de 25 anos foi preso pelo assassinato.

63. Oferenda à Santa MuerteArgentina


Amenábar, Santa Fe, Argentina | 27 de Setembro

“Nunca, em meus 15 anos de prática como promotor, tive que investigar um crime tão aberrante, cometido com tanto ódio e tanta maldade. Isto é o mal em seu estado mais puro, não é loucura, é uma decisão consciente para o mal.”

[Rufino Eduardo Lago, promotor de justiça]

A figura esquelética de Santa Muerte é adorada no México e o que muita gente não sabe é que ao sul do continente existe, digamos, o “primo” de Santa Muerte. É a San La Muerte ou São Morte, um santo também esquelético que mantêm adoradores principalmente no Paraguai, Argentina e sul do Brasil.

Enraizada no paganismo, Santa Muerte foi adotada por muitos católicos romanos como uma figura de veneração, apesar da Igreja considerar seu culto contraditório aos ensinos cristãos. Como não poderia deixar de ser, alguns de corações malignos distorcem a veneração e acabam promovendo barbaridades.

Em 2012, por exemplo, oito pessoas foram presas no México em conexão com os assassinatos de duas crianças de 10 anos e uma mulher, sacrificados em oferenda à Santa Muerte.

Oito anos depois, na Argentina, Juan Marcos Correa, de 39 anos, que tinha problemas com drogas e passava seus dias nas ruas, desapareceu sem deixar rastros. Dias depois, sua família avisou a polícia e durante 10 dias investigadores seguiram todas as pistas e rumores, mas não tiveram sucesso em encontrá-lo.

Em 13 de outubro, uma ligação anônima revelou que Correa estava morto e seu corpo enterrado diante de um santuário de adoração a San La Muerte. O telefonema também revelou supostamente o autor do crime: um homem chamado Carlos, de 34 anos, que estava se gabando a conhecidos de seu círculo religioso de como havia sacrificado Correa para o santo esquelético pagão.

O ritual satânico teria sido monstruoso: levado à força até o santuário, Correa foi amarrado e, ainda vivo, teve o coração arrancado antes de ser decapitado.

No local indicado, a polícia encontrou o corpo sem cabeça da vítima. Seu tronco estava aberto e não havia coração.

Preso, Carlos confessou o crime e outros detalhes da investigação foram mantidos em sigilo. O promotor Eduardo Lago afirmou a um jornal local que deverá pedir a pena de prisão perpétua.

64. Psicopata BarozEstados Unidos


Los Sauces, Colorado, Estados Unidos | Outubro

Em meados de novembro, a polícia do estado americano do Colorado se encontrou em uma propriedade rural na remota comunidade de Los Sauces. Eles tinham um mandado de busca e procuravam por veículos e equipamentos roubados, mas encontraram coisas muito mais horripilantes.

Mais precisamente, eles encontraram três esqueletos enterrados na propriedade e imediatamente anunciaram que estavam à procura do autor daquilo, um “psicopata” chamado Adre Jordan Baroz, de 26 anos.

Em dezembro, as autoridades anunciaram a identificação de dois dos esqueletos: Myron Robert Martinez, de 37 anos e Shayla Jenna Hammel, de 34, ambos desaparecidos em outubro de 2020. Suspeita-se que o terceiro esqueleto seja de Selena Esquibel, de 19 anos, desaparecida desde o início de setembro de 2020.

A polícia acredita que Esquibel tenha sido morta por revelar a conhecidos que o psicopata a havia estuprado. Jordan Baroz teria batido em sua cabeça, a levado até a propriedade, atirado nela, jogado o corpo num buraco e coberto com terra usando um trator.

O caso continua sendo investigado pela polícia americana e a primeira audiência judicial está marcada para 20 de janeiro de 2021.

65. Nousavonsperduunedesnôtres


Thénia, Bourmedes, Argélia | 1 de Outubro

“Nós, atrizes argelianas, nos unimos hoje para dizer basta à violência e assassinatos de mulheres. Nós estamos pedindo por mais consciência e uma mobilização geral para parar essa violência.”

[Declaração pública do coletivo de atrizes da Argélia. Outubro de 2020]

O nome dela era Chaïma, ela tinha 19 anos. Seu nome se soma a uma mórbida lista que cresce mês após mês (neste caso na Argélia): a dos feminicídios, “um fenômeno que não para de crescer na Argélia”, citou a TV pública francesa TV5 Monde. E nós adicionamos: cresce no mundo todo.

A adolescente foi sequestrada, torturada, estuprada, encharcada com gasolina e queimada viva por seu algoz, um homem que já a havia estuprado anos antes, mas que não foi processado. Desde então, Bouchenaki Abdeslam vivia atormentando Chaïma.

O corpo carbonizado da vítima foi encontrado em um posto de gasolina abandonado em Thénia, nos arredores de Boumerdes, extremo norte do país, e tão logo a sociedade argelina tomou conhecimento dos fatos uma revolta indignativa cresceu em todo país. Esse foi mais um e os argelinos, principalmente as mulheres, estavam cansados do morticínio. Basta!

As redes sociais ajudaram a propagar a revolta. As hashtags #JusticePourChaima e #JeSuisChaima se tornaram trending topics no Twitter e milhares de usuários apareceram em seus perfis para demonstrar indignação:

“Meu nome é Chaima, eu tinha apenas 19 anos e fui assassinada pela justiça do meu país que não pode me proteger. Meu único pecado é ser mulher em um país onde estupro, assédio sexual e feminicídio são comuns. #JusticePourChaima“, escreveu a usuária Sabrina Feriel Farhi.

Tudo é repugnante no caso Chaïma e o que mais irritou a sociedade argelina é que a menina já havia sido vítima do mesmo homem anos antes. Com menos de 15 anos na época, ela corajosamente pisou numa delegacia de polícia e apresentou uma queixa de estupro (algumas fontes citam que o ato não ocorreu e que foi uma tentativa de estupro). Na sociedade conservadora daquele país do norte da África, nada foi feito. (Chaïma teria sido expulsa de casa e conseguiu sobreviver graças à generosidade de terceiros. O usuário do Twitter @wssm94 compartilhou um áudio em que Chaïma conversa com uma amiga, confirmando isso. Veja abaixo.).

A sociedade argelina não é diferente de praticamente nenhuma outra no mundo quando colocamos a questão dos feminicídios na mesa. As sociedades mundo afora banalizam e justificam o assédio, estupro e até assassinato. Morreu, mas também, pra que ficar atiçando os homens com aquele shortinho curto? No caso dos argelinos, “uma parte obscurantista culpou o vestido da jovem ao invés de exigir que a justiça seja feita”.

Feminicídios na Argélia em 2020 (apenas alguns exemplos):

  • 25 de Agosto: em Wilaya de Blida, uma jovem grávida de 19 anos foi assassinada pelo marido;
  • 8 de Agosto: em Beni Messous, Asma, uma mulher grávida de 30 anos foi degolada pelo marido;
  • 2 de Agosto: em Guelma, um soldado matou a esposa com um rifle de caça;
  • Julho: na mesma Guelma, uma mulher grávida de 28 anos foi espancada até a morte pelo marido.

Apesar de avanços, a lei argelina é falha em vários pontos, permitindo que homens como Bouchenaki Abdeslam agridam e estuprem sem sofrer qualquer tipo de punição. Existe a “cláusula do perdão”, que permite ao agressor obter impunidade se a vítima conceder clemência (o que muitas vezes acontece sob pressão e ameaças). Também existe o bizarro artigo 279 que discorre sobre o “crime de honra”: espancamentos, torturas e assassinatos são válidos caso o marido pegue a esposa pulando a cerca. Em outros casos, se a vítima se casar com o estuprador, ele não é processado.

Com a hashtag #Nousavonsperduunedesnôtres (Perdemos uma das nossas, em tradução literal) inundando as redes sociais, milhares de pessoas se organizaram e tomaram as ruas de várias cidades da Argélia. Atrizes famosas do país aderiram à causa e também foram às ruas.

Abaixo, um vídeo do canal francês TV5 Monde legendado pela equipe do Aprendiz Verde.

Vídeo: num vídeo que se tornou viral nas redes sociais da Argélia, a mãe de Chaïma, em grande desespero, clama por justiça.

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66. Ódio, Intolerância & Redes SociaisFrança


Conflans-Sainte-Honorine, França | 16 de Outubro

Desde a fatídica manhã de 7 de janeiro de 2015 e o massacre do Charlie Hebdo, os franceses parecem estar vivendo suas vidas entre ataques terroristas, cada um tão vil quanto o anterior, mas cada vez mais comovente em sua crueldade e simbolismo. E quando pensamos que isso não pode ficar pior, um novo ataque vem e prova o contrário.

Nos últimos cinco anos temos mostrado aqui nos “101 Crimes Notórios e Horripilantes” fundamentalistas islâmicos matando jornalistas, cartunistas, policiais, soldados, judeus, mulheres, crianças, padres, jovens em um show de música, turistas e a lista continua.

Em 16 de outubro de 2020, um professor de história foi decapitado enquanto voltava da escola para casa, na pacata cidade de Conflans-Sainte-Honorine. O que veio depois é tão estarrecedor que é difícil acreditar.

Samuel Paty, de 47 anos, casado e pai de uma criança de 5, foi assassinado por um refugiado de origem chechena de apenas 18 anos por ter mostrado cartoons satíricos, alguns deles com caricaturas do profeta Maomé, durante uma aula de história quando discutiam liberdade de expressão e consciência.

O crime foi resultado direto de uma campanha de ódio e desinformação liderada por alguns pais fanáticos e transmitida nas redes sociais, principalmente o Facebook. O estopim foi um vídeo viral em que o pai de uma aluna muçulmana acusa Paty de mostrar “imagens pornográficas” na aula e pede, em meio a xingamentos, a demissão do professor. O nome de Paty e o endereço do colégio onde ele lecionava foram divulgados nas redes.

O assassino, Abdoulakh Anzorov, após decapitar o professor, postou no Twitter uma foto da cabeça da vítima com uma mensagem dirigida ao presidente Emmanuel Macron, o “líder dos infiéis”, explicando que quis “executar” a pessoa que “se atreveu a menosprezar Maomé”. Anzorov foi morto pela polícia logo depois.

O ataque provocou uma onda de indignação na França e as autoridades prenderam e indiciaram 10 pessoas em conexão com o assassinato, incluindo dois adolescentes da escola que apontaram para o assassino quem seria o “professor descrente” e alguns dos autores de vídeos e mensagens de ódio compartilhadas no Facebook.

67. Uma cabeça que falaAzerbaijão


Alto Carabaque, Azerbaijão | 16 de Outubro

No final de setembro estourou um conflito que fez muitos no mundo descobrirem pela primeira vez o nome “Alto Carabaque”.

Incrustada no território do Azerbaijão, a região é povoada principalmente por armênios, a maioria étnica de lá. Após o fim da Guerra do Alto Carabaque em 1994, a região se declarou independente e é chamada de República de Artsaque, porém, não é reconhecida internacionalmente. A vizinha Armênia apoia a República de Artsaque enquanto o Azerbaijão, desde 1994, vinha mantendo um tom conciliador e tentando negociar de forma pacífica a recuperação do território. Resumindo, é um pedaço de terra no meio do Azerbaijão controlado pelos armênios.

O tom conciliador, entretanto, durou até 27 de setembro de 2020.

A Armênia diz que foi o Azerbaijão quem começou. O Azerbaijão diz que foi a Armênia. Quem atirou a primeira pedra não se sabe, mas não importa, cerca de cinco mil e trezentas pessoas, a maioria militares, de ambos os lados, perderiam a vida em pouco mais de um mês de combate. E quando falamos em guerra, falamos em atrocidades.

Provavelmente não foram os mercenários sírios contratados para se juntar ao exército do Azerbaijão que os ensinaram a decapitar inimigos porque desde 2016 militares daquele país faziam isso, como atesta o caso do soldado Kyaram Sloyan, decapitado por soldados azerbaijaneses em 2016, e cujas fotos macabras foram alegremente postadas no Facebook.

Em meados de outubro, um horrendo vídeo começou a circular nas redes sociais mostrando soldados azerbaijaneses decapitando vivo um soldado da República de Artsaque com uma faquinha que mais parecia um canivete. Puro horror.

Este não foi o único caso e o governo armênio reagiu aos casos de decapitações afirmando que se tratavam de crimes de guerra.

[In 🇦🇲, 🇬🇧, 🇫🇷, 🇱🇧, 🇩🇪, 🇬🇷, 🇮🇷, 🇪🇸]
Այսօր Մարդու իրավունքների պաշտպանին ներկայացվեց ահազանգ այն մասին, որ Ադրբեջանի…

Publicado por ՀՀ Մարդու իրավունքների պաշտպան – Human Rights Defender of Armenia em Domingo, 18 de outubro de 2020

Um cessar-fogo deu fim à barbárie, mas não ao horror cometido. Este irá se perpetuar enquanto os registros do conflito existirem.

Vídeos:

– Neste vídeo, soldados do Azerbaijão decapitam um armênio e tentam enfiar a cabeça dentro do cadáver de um porco. Mais horripilante do que isso acontece no fim do vídeo. Com os olhos abertos a cabeça faz um movimento que parece ser o de deglutição, dando a impressão de estar viva. Assustador. Veja abaixo:

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– Veja abaixo o horrendo vídeo da decapitação do soltado da República de Artsaque.

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68. Dias de InsanidadeEstados Unidos


Vale de Sudden, Washington, Estados Unidos | 23 de Outubro

Acusada: Michele Boudreau Deegan

Idade: 55 anos

O Crime: em sua última postagem no Facebook, a psicóloga Michele Deegan compartilhou um artigo com o título: “Pais narcisistas são literalmente incapazes de amar seus filhos”. Em seu website já desativado, ela dizia ser uma especialista em ensinar a seus clientes “novas maneiras de perceber o seu problema, comportamentos de enfrentamento saudáveis para responder ao seu problema e atitudes saudáveis e habilidades de comunicação para trabalhar com suas famílias, parceiros ou ambiente de trabalho”. Mas apesar de sua profissão e especialidade, Michele foi incapaz de ajudar a si mesma. Isso porque ela passou por uma extenuante batalha de custódia com seu ex-marido estrangeiro sobre as duas filhas do casal: as gêmeas de 7 anos Mairy Anneleise e Katie Elizabeth. Em 20 de outubro, uma audiência final decidiu que eles deveriam dividir a guarda das crianças. Três dias depois, Michele drogou suas filhas com uma “enorme quantidade de sedativos” e as matou com tiros de pistola, antes de apontar a arma para a própria cabeça e puxar o gatilho.

69. Francês X Inglês


Kumba, Camarões | 24 de Outubro

Nos Camarões, as duas línguas mais faladas são o francês e o inglês. E como não poderia deixar de ser, o ser humano arrumou tempo para brigar e matar por causa disso.

A minoria, que fala inglês, se dizem marginalizados pela maioria que fala francês. Em 2017, protestos contra o uso crescente do francês em tribunais e escolas nas regiões de língua inglesa se transformaram em violência.

A repressão das forças de segurança apenas piorou a situação e civis de língua inglesa pegaram em armas contra o governo, liderado por Paul Biya, que fala francês.

Milhares de pessoas perderam suas vidas e centenas de milhares foram deslocados. A coisa ficou tão preta que um estado do país, Ambazônia, cuja maioria da população fala a língua inglesa, declarou independência dos Camarões.

Como resultado, muitas escolas passaram anos fechadas com medo das ameaças de ambos os lados.

Até 2020, ninguém no mundo deu muita bola, até começarem os massacres.

Em 24 de outubro, um massacre horrendo chocou por ter como vítimas crianças que estudavam em uma escola bilíngue na cidade de Kumba, no estado de Ambazônia.

Homens armados com machetes e armas de fogo invadiram a escola Mãe Francisca e assassinaram com requintes de crueldade 7 crianças. Enquanto o governo acusou separatistas da Ambazônia, autoridades do estado acusaram o exército camaronês. Num mundo corrupto que funciona no caos, provavelmente nunca saberemos quem foram os verdadeiros autores.

Fotos: veja imagens do Massacre na Escola de Kumba:

Outros massacres nos Camarões em 2020:

  • Ngarbuh, 14 de Fevereiro: num confronto entre separatistas de Ambazônia e o exército camaronês, 22 civis foram mortos, 14 deles crianças, a maioria menores de 5 anos. A Human Rights Watch concluiu que o massacre foi cometido por ambos os lados.
  • Nguetchewe, 2 de Agosto: os carniceiros nigerianos do Boko Haram atacaram a aldeia de Nguetchewe, no extremo norte do Camarões, assassinando 18 pessoas com uma granada. Todas as vítimas eram pessoas sem-teto que dormiam em um acampamento improvisado. 

Este site se dedica a mostrar atrocidades cometidas pelos “Camaroneses Franceses” contra os “Camaroneses Britânicos do Sul”. É possível ver as imagens do Massacre de Ngarbuh.

Abaixo reportagem da TV Al Jazeera sobre o massacre.

70. Sequestro de Humildes


Porto Príncipe, Haiti | 31 de Outubro

Na madrugada de domingo, primeiro de novembro de 2020, a família de Evelyne Sincère, de 22 anos, recebeu um telefonema que teve o efeito de um terremoto. Por telefone, o sequestrador — quatro dias após o sequestro de Evelyne e após duras negociações para sua libertação — indicou o local onde o seu corpo foi despejado. Ela estaria em Delmas 24, um aterro sanitário.

Evelyne foi amordaçada, vendada, espancada na planta do pé direito, nas nádegas, costas e, segundo um juiz, possivelmente estuprada várias vezes durante o seu cativeiro. “A vagina dela estava inchada”, revelou o juiz Jean Flaury Raymond. A tortura e a descoberta sombria de seu cadáver em primeiro de novembro se tornaram um grito de guerra por justiça no país depois que suas fotos e um vídeo de sua irmã chorando ao descobrir o seu corpo se tornaram virais.

No vídeo, sua irmã Enette relata em desespero como os sequestradores exigiram 7 mil dólares, uma quantia absurda para a realidade haitiana. Após lutar contra o tempo, Enette conseguiu levantar a quantia de mil dólares, mas os criminosos não aceitaram a baixa oferta, ela, então, pediu misericórdia pela vida da irmã, um sentimento inexistente em grande parte das pessoas do mundo, incluindo os sequestradores de Evelyne.

Nos dias que se seguiram, milhares de haitianos, a maioria mulheres, algumas delas ativistas sociais, se vestiram com o uniforme de escola que Evelyne usava quando foi sequestrada e encheram as ruas da capital do país em manifestações. Sobrou até para Rutshelle Guillame, a artista mais famosa do país e com mais de um milhão de seguidores no Instagram. Seu perfil foi inundado com comentários e pedidos de socorro, e a artista respondeu ter tomado conhecimento do caso apenas após o corpo de Evelyne ter sido encontrado. Já a atriz e cantora Blondedy Ferdinand, postou em seu perfil do Twitter um vídeo em que leva rosas até um altar em homenagem à vítima. “Do aeroporto fui direto até Evelyne Sincère para mostrar respeito e amor”, diz ela no tuite.

Jogadores da seleção haitiana de futebol, que estavam competindo na Jamaica, prestaram homenagem reencenando o ato do sequestro. Eles posaram para fotos com os olhos vendados e os punhos cruzados como se estivessem amarrados, da mesma forma que Evelyne foi encontrada.

“Nós estamos lidando com este fenômeno de sequestros por 20 anos. Nós escutamos sobre pessoas sendo sequestradas, crianças sequestradas e mortas após as famílias não conseguirem pagar o resgate, mas nós nunca vimos as fotos dessas crianças. Mas como eles dizem, ‘Uma foto fala por mil palavras’. O fato de que nós vimos a foto de Evelyne ao lado da estrada, nós vimos a foto dela em seu uniforme escolar, nós a vimos com seus amigos participando de atividades escolares, e dado o que sabemos sobre o sacrifício das famílias haitianas em enviar seus filhos para a escola, e como terminar a escola é uma luta, não é apenas Evelyne que eles pegaram, foi todo o Haiti.”

[Nadine Mondestin, SOFA]

Foto: Imagem de Evelyne no cativeiro.

Vídeo: veja abaixo o momento em que Enette encontra o corpo da sua irmã Evelyne.

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71. Oferta de EmpregoTurquia


Ancara, Turquia | 31 de Outubro

“Gamze foi encontrada com os botões da calça abertos. Isso não foi suicídio, foi assassinato.”

[Murat Yılmaz]

A estudante do ensino médio Gamze Acar, de 17 anos, estava à procura de emprego e se candidatou a uma vaga para vendas após ver um anúncio na Internet de uma conhecida empresa de RH turca. Entretanto, era um anúncio falso.

O local da entrevista era no conhecido hotel Kizilcahamam e pouco tempo depois de chegar ao hotel para a tão sonhada vaga de emprego, a garota foi encontrada morta após despencar de uma varanda do quinto andar do edifício.

Investigando o “suicídio”, a polícia prendeu cinco homens e eles disseram que Acar pulou da janela de repente. Cinco homens num quarto de hotel com uma menina, estranho não?

Testemunhas relataram ter ouvido gritos vindos de dentro do quarto e um tio da vítima disse à mídia turca que a calça da sobrinha estava desabotoada.

O Ministério Público turco pediu a prisão preventiva de três dos cinco homens. As autoridades acreditam que Gamze Acar foi atraída até o quarto de hotel para uma falsa entrevista de emprego pelos homens que tinham o objetivo de estuprá-la. A vítima reagiu e aconteceu uma briga, culminando com a queda de Acar — não se sabe se ela caiu durante a briga ou se, tentando fugir do estupro coletivo, pulou da varanda, o que é mais plausível, segundo as autoridades da Turquia.

72. O Novo NormalChina


Shuozhoum, Shanxi, China | 31 de Outubro

Um dia normal. Um passeio normal.

Um casal chinês saiu de casa para seus afazeres diários no pequeno carro elétrico que possuíam. Em um ponto da cidade eles colidiram com outro veículo. O marido tentou fugir do local, mas sua esposa foi atrás dele e o segurou, pedindo para que ele voltasse. Eles começaram a discutir e, enfurecido pela ação da esposa, o homem a jogou no chão e começou ali mesmo, na frente de dezenas de pessoas, a espancá-la com os punhos, tijolos, um garfo agrícola e um tamborete.

O mais bizarro de tudo é que enquanto o marido assassinava a esposa no meio da rua, ciclistas, motoristas, pedestres, comerciantes e crianças assistiam a tudo como se nada estivesse acontecendo. Um motoqueiro chegou a parar sua moto perto da calçada para observar tudo, como se aquilo fosse um número teatral de rua. Nenhum adulto se aproximou para ajudar a mulher e ela acabou estirada em uma poça de sangue (com o rosto completamente desfigurado devido aos golpes sofridos com o garfo).

O crime só causou indignação porque pessoas filmaram o ato e postaram no Weibo, a rede social mais usada da China.

Vídeo: veja abaixo o vídeo gravado por populares.

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73. Punição MedievalRússia


Reserva Yuntolovsky, Oblast de Leningrado, Rússia | Novembro

Era uma vez, Joãozinho andava pela floresta quando viu algo no chão. OK, essa história não envolve Joãozinho, mas envolve um trilheiro russo que andava desavisado pela reserva Yuntolovsky, próxima a São Petersburgo. Mas esse trilheiro também viu algo no chão, e adivinha o que era?

Uma cabeça.

O homem, claro, saiu mais rápido do que um raio daquele lugar e avisou a polícia.

Quando os policiais chegaram, parecia claro que alguém havia sido decapitado, neste caso, era evidente, pelos cabelos, ser uma mulher. Vamos tirar a cabeça do chão e colocar no saco! Mas quando um perito a tentou pegar, a cabeça não saía do lugar. Que estranho! Que diabo é isso, ela está pregada no chão?

O problema era que os policiais só estavam vendo o que estava do lado de fora da terra e não o que havia abaixo. A mulher foi enterrada viva, numa posição de lotus, apenas com a cabeça para fora do chão. Sua cabeça continha ferimentos de mordidas, e a polícia acredita ter sido de animais da floresta. Não se sabe, porém, se a mulher faleceu de inanição e foi atacada posteriormente por animais ou se ela ainda estava viva quando foi mordida.

Até a escrita deste texto a polícia russa ainda investigava a morte.

74. Pânico na FlorestaEstados Unidos


Floresta Midlothian Meadows, Illinois, Estados Unidos | 2 de Novembro

Você acorda um belo dia e decide dar um passeio no parque mais próximo e desaparece. É assustador como o mal pode estar à espreita em qualquer lugar, até mesmo em lugares ditos seguros, “ah, aqui não acontece nada”, até que acontece. Este caso também é um alerta à mulheres: se você for dar um passeio num lugar isolado, de preferência, esteja sempre acompanhada!

Como fez a vida inteira, Vanessa Ceja-Ramirez, de 22 anos, saiu com sua mãe para dar um passeio nas trilhas da Floresta Midlothian, na vila de Midlothian, nos arredores de Chicago, no dia de Finados de 2020. Em dado momento, ela disse que iria dar uma volta sozinha e que encontraria a mãe em meia hora no carro. Ela nunca apareceu.

Chamada, a polícia utilizou cães farejadores e helicópteros para procurar Vanessa na enorme área verde. Os cães farejaram o cheiro dela em um determinado lugar, mas logo o perderam. Rastreando o sinal de celular de Vanessa, um registro o mostrou há cerca de quatro quilômetros de distância, local onde havia um conjunto habitacional. Uma varredura no local não encontrou nada.

No dia seguinte, familiares, amigos e outras pessoas se juntaram nas buscas à Vanessa até que na quarta-feira, 4 de novembro, a polícia ordenou que o perímetro da floresta fosse fechado e todo mundo saísse do lugar.

O cadáver de Vanessa havia sido encontrado e ela estava irreconhecível. A autópsia revelou que ela foi estuprada, torturada, espancada e estrangulada, e depois teve o corpo incendiado.

“Ela foi espancada, queimada, e alguém a abordou, e possivelmente a levou para a área da mata e basicamente a torturou. Foi brutal e foi vicioso.”

[Andrew Holmes, morador local]

O crime chocou a comunidade e uma recompensa de dez mil dólares foi oferecida pela família da vítima por qualquer pista que leve ao autor do crime.

Até o momento, porém, o assassino ainda não foi identificado.

75. O Rei da SalsichaRússia


Grande Moscou, Rússia | 2 de Novembro

Vítima: Vladimir Marugov

Idade: 54 anos

O Crime: o caso de um bilionário russo conhecido como o “Rei da Salsicha” morto em um suposto latrocínio tem quebrado a cabeça de investigadores na Rússia. Vladimir Marugov e sua namorada Sabina Gaziyeva, de 36 anos, foram surpreendidos por homens que invadiram a mansão onde o casal morava nos arredores de Moscou, amarrando-os e exigindo dinheiro. Sabina conseguiu fugir e chamar a polícia, mas quando policiais chegaram na casa encontraram o empresário morto com uma flechada. Preso, um dos suspeitos de cometer o crime se recusou a falar e quando a polícia invadiu o apartamento onde ele morava encontrou um homem algemado, preso a uma cama. Era o proprietário do lugar, que alegou ter sido coagido por homens a “assinar papéis” da venda do imóvel. No apartamento, a polícia também prendeu um conhecido advogado chamado Alexei Zavgorodniy, que supostamente estaria vigiando o proprietário. Alexei era conhecido na Rússia por defender o famoso assassino de aluguel da máfia Alexander Solonik, estrangulado por outro assassino de aluguel chamado Alexander Pustovalov, isso na década de 1990. Nenhum dos presos abriu a boca e a investigação continua. Muitos suspeitam da modelo Sabina, uma mulher que ascendeu dentro do império do namorado mesmo sem saber “juntar duas palavras”. O relacionamento dos dois começou após o empresário se separar da primeira esposa (que ainda briga na justiça). Marugov e Sabina tiveram um filho e é bastante suspeito o fato dela ter “conseguido fugir”. A polícia não acredita em latrocínio e sim em execução. Conflitos de negócios, disputas de herança, problemas com a máfia ou um roubo banal? Seja o que for, por qual motivo um criminoso entraria dentro de uma casa para assaltar um dos homens mais ricos da Rússia usando uma besta?

76. Matando o FuturoAfeganistão


Cabul, Afeganistão | 2 de Novembro

Uma das capitais mais aterrorizadas do mundo, Cabul amanheceu de luto em 3 de novembro após um ataque do braço terrorista do Estado Islâmico no país ceifar a vida de 32 estudantes e professores na Universidade de Cabul, um dia antes.

Cinco aulas aconteciam no momento do ataque quando três homens invadiram a universidade, o primeiro era um homem-bomba que se explodiu. Os outros dois entraram atirando dentro do prédio da faculdade de direito, usando pistolas, fuzis e granadas.

O terror se espalhou de forma rápida, fazendo alunos pularem janelas, escalarem paredes e até se fingirem de mortos para sobreviverem. O ataque durou horas e os terroristas fizeram estudantes e funcionários reféns até as forças afegãs conseguirem matar os dois terroristas.

O ataque ocorreu apenas dias depois de um homem-bomba se explodir em um centro educacional na capital, matando mais de 30 pessoas, a maioria estudantes do ensino médio da minoria étnica Shiite Hazara. O Estado Islâmico também foi o responsável por esse ataque.

Sami Mahdi, professor na Universidade de Cabul e chefe da Rádio Azadi, o braço afegão da Rádio Free Europe, escreveu no Twitter:

“Estou devastado. Estou destruído. Visitei o Hospital Ali Abad. Alguns de nossos melhores estudantes se foram para sempre. Alguns outros, incluindo um dos nossos professores, estão em condição crítica. Almas tão bonitas. Nós sempre falhamos em proteger nossos melhores.”

O covarde ataque à Universidade de Cabul é uma mensagem clara dos terroristas do Estado Islâmico ao governo do país: eles mataram o futuro do país, futuros juízes ou advogados que um dia trabalhariam para as instituições afegãs e povo afegão.

5 Outros Sangrentos Ataques Terroristas de 2020

  • Departamento de Filingue, Níger | 9 de Janeiro

Militantes em motos e carros atacaram um posto militar em Chinagodrar perto da fronteira com o Mali causando uma carnificina: 166 pessoas morreram, sendo 89 soldados e 77 militantes (mortos com a ajuda de aviões de caça franceses).

  • Gubio, Nigéria | 9 e 10 de JunhoNigeria

Terroristas do Estado Islâmico em carros e motocicletas atacaram a aldeia de Felo. Pelo menos 81 aldeões foram mortos e 7 outros sequestrados. Após o ataque à aldeia foi completamente incendiada.

  • Monguno e Nganzai, Nigéria | 13 de JunhoNigeria

Terroristas do grupo Estado Islâmico na África Ocidental se dividiram em dois e atacaram duas localidades no estado do Borno em 13 de junho. Em Monguno, eles mataram 20 soldados e queimaram o quartel-general das Nações Unidas. Já em Nganzai, 42 civis foram mortos.

  • Afrin, Síria | 28 de AbrilSíria

Uma granada jogada em um tanque de combustível perto de um mercado causou uma explosão dantesca que matou pelo menos 53 pessoas, incluindo 11 crianças e 6 soldados turcos. A Turquia acusou uma milícia curda pelo ataque.

  • Cabul, Afeganistão | 6 de MarçoAfeganistão

Homens armados do Estado Islâmico mataram pelo menos 32 pessoas e feriram mais de 60 durante uma cerimônia política em homenagem a Abdul Ali Mazari, líder Hazara morto em 1995.

77. O desejo de ter um filhoÍndia


Aldeia de Bhadras, Ghatampur, Uttar Pradesh, Índia | 4 de Novembro

Casados desde 1999, Parshuram Kuril e sua esposa Sunaina tentavam há 20 anos ter um filho, mas a natureza negava-lhes esse presente. Eles tentaram de tudo e viviam na expectativa, mas nada da barriga de Sunaina crescer.

Supersticiosos, eles decidiram procurar ajuda com um bruxo e o homem tinha a solução na ponta da língua: eles deviam possuir uma criança para que outra pudesse germinar no ventre de Sunaina. E o “possuir” envolvia o casal praticar canibalismo, ou seja, eles deviam comer os pulmões e o coração de uma criança. O casal saiu feliz da consulta, pois agora sabiam o que fazer para agradar Parvati, a deusa hindu da fertilidade.

Para fazer o serviço sujo, Parshuram pagou 1.500 rupias (pouco mais de R$ 100 reais) ao seu sobrinho Ankul Kuril, de 20 anos, e Beeran, 31, amigo do sobrinho, para eles matarem e trazerem os órgãos internos de uma criança.

Em 4 de novembro, os dois jovens atraíram uma menina de seis anos chamada Shreya com salgadinhos até uma mata e lá a estupraram repetidamente antes de estrangulá-la, então abriram o corpo e removeram seus órgãos internos, levando o coração e pulmões para Parshuram e sua esposa. Com a grana do assassinato, Ankul e Beeran passaram uma tarde enchendo a cara.

A família da pequena Shreya velando o corpo. Foto: Hindustan Times.

De acordo com reportagens indianas, o casal cozinhou e comeu o coração da criança.

Os quatro acusados foram presos.

78. O Mistério das 9 Cabeças


Fana, Bla Cercle, Mali | 4 de Novembro

Pessoas vem sendo decapitadas em Fana, uma pequena cidade ao sul do Mali, que vive do plantio de algodão. E isso não é a única coisa assustadora: além de cabeças cortadas, o sangue das vítimas é drenado e levado.

A última vítima foi um homem de 50 anos chamado Bemba C., casado e pai de quatro filhos, encontrado morto em seu quarto na manhã de 4 de novembro.

A série de decapitações tem assustado os moradores e começou em 2018, desde então 9 pessoas foram encontradas com a cabeça separada do corpo. Tudo indica que os assassinatos tem ligação, pois seguem o mesmo modus operandi: o assassino (ou assassinos) corta a cabeça da vítima, tira o sangue e vai embora deixando corpo e cabeça para trás.

O perfil das vítimas corrobora essa tese. Todas residiam em locais isolados e seis das oito primeiras moravam em Badialan, um bairro simples e pobre no meio do mato. As vítimas, entretanto, variam em idade e sexo: havia uma dona de casa, uma zeladora, uma criança albina de 5 anos, uma menina de dois anos, o senhor de 50…

É provável, e assim também pensam os moradores locais, que os assassinatos sejam ritualísticos. Um assassino em série também está no radar, mas devido ao perfil das vítimas e à supersticiosidade daquela parte da África, acredito que o autor, ou autores, seja um feiticeiro ou um assassino que “trabalha” vendendo (neste caso) sangue para bruxos.

79. Horror em Moçambique IIMoçambique


Aldeia de Muatide, Cabo Delgado, Moçambique | 6 de Novembro

O que eu não citei sobre o Crime 55 (o da mulher nua metralhada por militares) é que Oasse fica numa província chamada Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

Desde 2017, quando se descobriu que a região é rica em rubi e gás natural (com projetos bilionários envolvidos para extração – que sabemos muito bem como funciona: lucros bilionários para o capital financeiro branco, propinas milionárias para autoridades negras e zero para a população miserável), o local se tornou o epicentro de uma onda de violência sem precedentes. Isso aconteceu quando insurgentes islâmicos começaram a promover assassinatos, decapitações e sequestros de mulheres e crianças em vilarejos da província.

E o pior massacre de todos ocorreu em 6 de novembro de 2020.

Nesse dia, os terroristas se dividiram em dois grupos: um caminhou em direção à aldeia de Nanjaba e outro para a de Muatibe. Em Nanjaba, os homens entraram na aldeia atirando e gritando “Allahu Akbar” (“Deus é Grande”, em tradução literal), incendiaram casas, decapitaram duas pessoas e sequestraram várias mulheres.

Já em Muatide o horror foi literal. Mais de 50 pessoas foram decapitadas numa selvageria que nem uma versão psicopata de Quentin Tarantino pensaria.

Os aldeões foram capturados e levados até um campo de futebol onde foram decapitados e picados em pedaços.

Em 7 abril, um massacre semelhante já havia acontecido na aldeia de Xitaxi, quando 52 pessoas foram mortas a tiros e algumas decapitadas. Outros ataques se seguiram no ano, escalando-se em barbárie.

E foi apenas em abril de 2020, mais de três anos depois dos primeiros ataques, que o governo de Moçambique reconheceu que havia um grupo jihadista islâmico espalhando o terror pelo norte do país. Desde então vem pedindo ajuda internacional.

Um pedido de ajuda que pode ter vindo tarde demais.

Abaixo, reportagem da TV moçambicana sobre a insurgência no país.

80. Genocídio


Maikadra, Tigré, Etiópia | 9 e 10 de Novembro

Dizem que foi um massacre, mas os números indicam outra coisa.

O que aconteceu na Etiópia no início de novembro de 2020 é de longe uma das maiores atrocidades dos últimos tempos e o mais assustador disso é que ninguém se importou. Não houve hashtags nas redes sociais, “ativistas” milionários do esporte não vestiram camisetas e apenas algumas notas de rodapé nos veículos de mídia foram lidas ou escritas.

A barbárie se iniciou em 9 de novembro de 2020 quando por volta das 11 horas da manhã a polícia de Maikadra, no norte etíope, começou a checar a identidade dos moradores. Eles procuravam por residentes que não tinham a origem daquela região — cuja maioria étnica são os Tigrínios —, focando principalmente em uma área chamada Genb Sefer, largamente povoada por dois grupos étnicos chamados Amharas e Wolkaits. Eles detiveram mais de 60 Amharas e pessoas que usavam cartões SIM do Sudão, destruindo os cartões. O confisco e destruição dos cartões indicava apenas uma coisa: Tigrínios haviam planejado algo horrível e estavam atuando para evitar qualquer comunicação ou chamada de ajuda para o que viria a seguir. Mulheres e crianças Tigrínias foram orientadas a deixar a cidade.

Por volta das 15 horas, a polícia local e uma milícia informal de Tigrínios chamada Samri retornaram até Genb Sefer. Para ambientar melhor você, leitor, aquela região da Etiópia é dominada pela Frente de Libertação do Povo Tigré (FLPT), um poderoso partido político que domina as eleições da Etiópia há pelo menos 30 anos e que se recusou a fazer parte do Partido da Prosperidade, um partido político criado em 2019 e que elegeu o presidente e o primeiro ministro da Etiópia. Irritados com o primeiro ministro Abiy Ahmed, que adiou as eleições para agosto de 2020 (adiada novamente para 2021 devido à Covid-19), a FLPT subiu o tom nas discussões e tensões se intensificaram assustadoramente.

Voltando à tarde do dia 9 de novembro, simpatizantes da FLPT — polícia local, milicianos e demais Tigrínios — bateram na porta de Abiy Tsegaye e o executaram na frente da sua família, ateando fogo na casa e jogando o cadáver no fogo. Tsegaye era um ex-soldado Amhara e ex-integrante de uma milícia tigrínia que havia se recusado a se juntar novamente aos milicianos após o aumento das tensões. Um dos assassinos, Shambel Kahsay, era um dos melhores amigos de Tsegaye.

Imediatamente após o ataque a Tsegaye, membros da Samri, com a ajuda da polícia e milícia, passaram a entrar de casa em casa, rua a rua, e iniciaram uma cruel onda de assassinatos, matando as pessoas Amharas e Wolkaits previamente identificadas na parte da manhã. Centenas foram assassinadas em apenas algumas horas: espancadas com bastões, paus, esfaqueadas, estranguladas com cordas. Os assassinos também saquearam e destruíram propriedades. Quem tentava escapar era morto pela própria polícia.

O ataque teve os ingredientes de uma limpeza étnica e como alvo principal os homens Amharas e Wokaits, mas pessoas de outras etnias também foram mortas.

“O fato de que o principal alvo do ataque, o bairro de Genb Sefer, é uma área onde os trabalhadores vivem juntos em grande número, isso possibilitou que os perpetradores atacassem entre 10 e 15 pessoas ao mesmo tempo em uma única casa […] Embora o massacre atroz tenha sido executado por um jovem grupo de Tigrínios, outros residentes, também Tigrínios, ajudaram várias pessoas a sobreviver, protegendo-as em suas casas, igrejas e fazendas. Um exemplo é o caso de uma mulher Tigrínia que escondeu 13 pessoas em sua casa antes de conduzi-las a uma fazenda próxima. Ela chegou ao ponto de ficar com eles a noite toda, caso o grupo aparecesse. Outro exemplo é o de uma mulher Tigrínia que foi atingida no braço por um facão enquanto tentava afastar um homem incendiado por seus agressores […] Embora ainda não seja possível verificar o número exato de mortos, a comissão estima um mínimo de 600 pessoas assassinadas e o número deve ser muito maior. A EHRC visitou uma cova coletiva e viu corpos ainda espalhados pelas ruas… Durante a visita, a comissão também notou o cheiro forte de corpos em decomposição.”

[Comissão de Direitos Humanos da Etiópia (EHRC). 24/12/2020]

Vídeo: família dá o seu testemunho sobre o massacre. A filha teve o braço terrivelmente queimado e é possível ver moscas andando pelo braço. Veja aqui.

81. Vizinhos VingativosÍndia


Aldeia de Sanrapada, Bolangir, Índia | 10 de Novembro

Uma rixa entre vizinhos levou a um crime bárbaro na Índia.

Bulu Jani, de 50 anos, sua esposa Jyoti, de 48 e seus filhos e netos Sarita, 12, Shreya, 3, Bhishma, 5, e Sanjeev, de 2 anos, foram terrivelmente massacrados a machadadas por vizinhos de três famílias diferentes da aldeia em 10 de novembro.

Pessoas pobres e que vagavam pela Índia em busca de sobrevivência, Bulu Jani e sua família se acomodaram na aldeia há alguns anos atrás e não demorou para que famílias do lugar começassem a implicar com ele e seus filhos, o que desencadeou inúmeros desentendimentos, discussões e agressões ao longo do tempo.

Três dessas famílias (Gond, Majhi e Jani) conspiraram uma forma de acabar de uma vez por todas com Bulu Jani, e isso envolvia matar toda a família, até mesmo as crianças, afinal, elas poderiam crescer e vingar os pais quando os assassinos estivessem velhos.

E os assassinos eram Babulal Jani, Chhaya Gond, Baldev Gond, Manish Gond, Bhola Jani, Shiva Jani e Vikal Kairi. Na noite de 10 de novembro eles invadiram a casa onde Bulu Jani morava com a família e trucidaram todo mundo que estava na residência com um machado estilo medieval.

82. Mais uma silenciadaLíbia


Bengasi, Líbia | 10 de Novembro

Vítima: Hanane Al-Barassi

Idade: 45 anos

O Crime: em 9 de novembro de 2020, a advogada e ativista pelos direitos humanos e das mulheres Hanane Al-Barassi fez uma live em seu Facebook em que dizia não temer as inúmeras ameaças de morte que vinha sofrendo. Ela também falou sobre como logo viria a público falar sobre os abusos e corrupção envolvendo os parentes de Khalifa Haftar, um dos homens mais poderosos da Líbia e líder do exército do país. Um dia depois ela teve o destino de pessoas que o governo líbio decide para “inconvenientes” como ela: a morte. Dias antes, sua filha havia sofrido uma tentativa de assassinato e, como sempre fazia, Hanane foi até o seu perfil do Facebook desabafar: era o seu canal de comunicação com o povo líbio — uma voz solitária que encontrava amplitude nas redes sociais. Hanane Al-Barassi foi assassinada no meio da rua por homens encapuzados em 9 de novembro. Defensores dos direitos das mulheres enfrentam constrangimento, intimidação e violência na Líbia. A morte de Hanane Al-Barassi foi uma grande perda para as mulheres líbias e um aviso da sociedade patriarcal. O assassinato vem quase um ano e meio após o sequestro e desaparecimento da psicóloga Seham Sergewa, membro do parlamento líbio e também defensora dos direitos das mulheres. Ainda hoje, as autoridades líbias não resolveram o caso, o que indica fortemente o envolvimento de importantes players do governo. Ativistas e instituições dos direitos humanos vieram a público mostrar indignação e cobrar por respostas, mas sabemos que os assassinos de Hanane Al-Barassi nunca serão levados à justiça.

83. Racismo Estrutural + Capitalismo DesumanoBrasil


Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil | 19 de Novembro

O caso de João Alberto Silveira Freitas, morto aos 40 anos por seguranças no supermercado Carrefour, evidencia duas coisas:

[1] o racismo estrutural – a realidade nos mostra que pessoas brancas ou com vestimentas “melhores” são tratadas de forma diferente e com maior respeito (como exemplo, em um caso conhecido, um homem branco que se identifica como desembargador humilha um policial que não faz absolutamente nada a não ser aplicar uma multa — neste caso o policial agiu corretamente).

[2] a desumanidade do capitalismo – na busca ensandecida pelo lucro máximo, criou-se um modelo de exploração da mão de obra onde os chamados “colaboradores” não passam de números na apresentação do PowerPoint de fim de ano para os acionistas. Dentro da política de remuneração mínima e exploração máxima, qualquer um pode ser alçado a qualquer coisa desde que ele pareça estar apto ao trabalho. Não importa se o indivíduo é um psicopata sádico ou um estudante de moda que precisa fazer um bico, o que importa é a execução do contrato. Em nosso caso aqui, os “seguranças”, em sua maioria esmagadora, sequer sabem técnicas de autodefesa ou imobilização, são pessoas completamente despreparadas para exercerem uma função de extrema importância e sensibilidade para qualquer negócio que precise deste profissional. Olhem a loucura: qual era mesmo a profissão de um tal Tiago da Rocha? Sim, aquele mesmo que tinha o péssimo hábito de nas folgas sair por aí matando pessoas. As empresas querem qualquer um para pagarem qualquer coisa e uma vez lá dentro, os trabalhadores tem tudo, menos treinamento ou acompanhamento, são jogados a Deus dará e a única reciclagem que recebem é uma apresentação de PowerPoint trimestral intitulada “Como lidar com o cliente?” que o instrutor pegou na Internet. O caso do Carrefour é um exemplo trágico, pois quando você vê as imagens, nota-se seguranças e funcionários completamente despreparados para lidarem com um cliente encrenqueiro, os seguranças têm a maior dificuldade e brigam parecendo o bêbado da esquina, sendo que se tivessem autocontrole e habilidades de luta (duas coisas imprescindíveis para a profissão) bastava apenas Um para imobilizar o cliente ou até mesmo acalmá-lo.

Em um mundo onde pessoas morrem e o estabelecimento coloca um guarda-chuva por cima do cadáver enquanto a clientela corre desesperada no corredor ao lado após ouvir o anúncio pelo sistema de som da nova “promoção”, o caso João Alberto é apenas mais um na estatística da planilha do Excel. A preocupação da empresa foi com a imagem arranhada e não com a vida que se foi, passada a tempestade, tudo seguirá como de costume.

Ao fim do inquérito, a polícia civil do Rio Grande do Sul indiciou seis pessoas pelo crime — como não poderia deixar de ser, apenas os peões do tabuleiro:

  • Giovane Gaspar da Silva – ex-PM temporário e funcionário da empresa de segurança terceirizada contratada pelo Carrefour; foi um dos agressores;
  • Magno Braz Borges – funcionário da empresa de segurança terceirizada contratada pelo Carrefour; foi um dos agressores;
  • Adriana Alves Dutra – agente de fiscalização que acompanhou toda a ação, não impediu as agressões e tentou proibir que a situação fosse filmada;
  • Paulo Francisco da Silva – funcionário do Carrefour que viu toda a ação e chegou a dizer para João Alberto parar de fazer “cena” enquanto era agredido. Intimidou as pessoas em volta e, para a polícia, teve conduta similar a de Adriana;
  • Rafael Rezende – funcionário do Carrefour que aparece correndo em direção ao estacionamento antes de João ser agredido; foi flagrado intimidando e afastando as pessoas que estavam no entorno.
  • Kleiton Silva Santos – funcionário do Carrefour que aparece correndo em direção ao estacionamento antes de João ser agredido; foi flagrado intimidando e afastando as pessoas que estavam no entorno.

Vídeo: veja abaixo, gravada por uma testemunha, filmagem das agressões sofridas por João Alberto no estacionamento do supermercado Carrefour.

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84. Psicopata RaziÍndia


Gurugram, Haryana, Índia | 23 de Novembro

Um assassino em série foi até o vale do Parque Leisure na cidade indiana de Gurugram em 23 de novembro de 2020 à procura de seres humanos para matar. Ele interagiu com algumas pessoas que se encaixavam em seu perfil de vítimas, mas não obteve sucesso. Horas depois ele conheceu um homem na casa dos 20 anos que trabalhava em uma construção e ofereceu a ele uma bebida. Fazia parte do seu modus operandi e a decisão de matar ou não vinha após ele tomar três goles da bebida com o infeliz.

O nome deste assassino era Mohammad Razi e ele tinha apenas 22 anos. Razi se aproximava de suas vítimas oferecendo um gole de sua garrafa de uísque e quando a vítima estava pra lá de envolvida na conversa, ele a esfaqueava impiedosamente.

No dia seguinte ao ocorrido no Parque Leisure, ele conheceu um guarda chamado Akhilesh Kumar no Setor 40 da cidade e ofereceu a ele a bebida. Após tomar vários goles, Razi o esfaqueou no estômago e tórax, roubou suas coisas e foi embora. 

Em 25 de novembro, Razi foi até o Setor 47 à procura de uma nova vítima e encontrou uma dormindo ao relento. Ele fumou e bebeu com o homem, então, o esfaqueou cinco vezes, o decapitou e saiu carregando a cabeça até uma aldeia próxima, jogando-a perto da casa de um amigo.

Nesses três assassinatos, câmeras de vigilância flagraram Razi perambulando pelo local, o que facilitou o trabalho da polícia. Preso, ele confessou que até a família o considerava um monstro, chamando-o de “Psicopata Razi”.

Até o momento, a polícia indiana o ligou a pelo menos 10 assassinatos em três cidades diferentes: Gurugram, Délhi e Bihar.

“Ele queria se tornar famoso e queria ser conhecido como o mais perigoso assassino em série, e seu objetivo eram 100 assassinatos. Ele carregava sua faca da sorte sempre com ele e disse que tomava a decisão de matar somente após três drinks.”

[Preet Pal Sangwan, comissário de polícia]

85. O Monstro do MachadoAfrica do Sul


Kwaaiman, Eastern Cape, África do Sul | 24 de Novembro

Acusado: Nowa Makula

Idade: 32 anos

O Crime: um imigrante do Zimbábue cometeu uma das maiores atrocidades da África do Sul em 2020 ao matar seis pessoas de uma só vez a golpes de machado. Detalhe: as vítimas eram todas da mesma família — uma mãe e seus cinco filhos. Em uma localidade pobre identificada como Dabekweni, região de Kwaaiman, Nowa Makula assassinou a mulher com quem vivia, Nomzamo Mhlanti, de 42 anos, e os cinco filhos dela, crianças cujas idades variavam de seis meses a 10 anos — Azakhiwe, de 10 anos, Yibanathi, de 8, os gêmeos Wineka e Thoko, de 5 e o bebê Luphumlo Mhlanti, de seis meses. As três crianças mais novas também eram filhas do assassino. Antes de deixar a cena de carnificina para trás, Makula empilhou os corpos das cinco crianças. O motivo para o crime não foi revelado e o caso, até a data de escrita deste texto, corre sob investigação. Veja abaixo reportagem da TV sul-africana obre o enterro das vítimas:

86. O Chacal


Absard, Irã | 27 de Novembro

O ano é 2010. Uma empresinha, que trabalha com antivírus para computadores do leste europeu, sem querer descobre um verme de computador altamente complexo e intrigante. Nenhum dos técnicos da empresa descobriu o que aquela coisa fazia, apenas que o negócio era barra pesada. Logo, os maiores especialistas em computação do mundo passaram a analisar o código-fonte do verme e não demorou muito para jornais do mundo inteiro publicarem notícias como essa:

O nome desse brinquedo? Stuxnet.

Engenheiros de computação descobriram que o Stuxnet era um verme de computador que não causava mal nenhum ao seu bom e velho Windows ou qualquer outro sistema operacional de uso doméstico. Uma vez que ele contaminava um computador, ele ficava lá, de boa, só esperando o infeliz dono conectar um pen drive. Ao fazer isso, o Stuxnet se “escondia” no pen drive à espera que o dono conectasse o pen drive em outra máquina, e assim ele ia se disseminando, máquina por máquina, pen drive por pen drive. E antes que você pense: “Ah, mas que verme sem graça”, saiba que o Stuxnet era nada mais nada menos que a mais brilhante arma digital de guerra já inventada pelo homem. Isso porque ele não foi desenvolvido para danificar o PC da sua tia, ele foi criado para destruir o programa de enriquecimento de urânio do Irã. Como assim? É que o comportamento malicioso do Stuxnet só acontecia em sistemas operacionais Scada, da Siemens, o mesmo que os iranianos usavam para controlar suas centrífugas de enriquecimento de urânio. A coisa é altamente complexa, mas em resumo, os criadores do Stuxnet pensaram no seguinte: algum engenheiro ou funcionário da usina nuclear vai cometer o erro de usar o pen drive do trabalho em casa. Se desenvolvermos um verme que contamina o Windows da galera no mundo inteiro, temos uma boa chance de o infeliz levar o pen drive infectado de casa para a usina, espetar em algum PC da rede interna, e então, a partir daí, é com o Stuxnet.

Ninguém nunca soube quem desenvolveu o Stuxnet. Isso, obviamente, não é trabalho do hacker de Araraquara. Pra criar uma coisa dessa é necessário saber segredos industriais, saber das configurações específicas que os iranianos usavam no Scada, além de um investimento que faria o Tio Patinhas ficar pobre. É coisa de governo. E pra bom entendedor meia palavra basta: Estados Unidos e Israel.

Seja o que for, a coisa foi limpa, sem nenhuma morte ou ferido. Lindo. Com um vírus de computador, Estados Unidos e Israel danificaram várias centrífugas iranianas e acabaram (pelo menos por um tempo) com as ambições dos aiatolás de terem uma bomba atômica.

Fim da história?

Não mesmo.

Dez anos depois do Stuxnet, israelenses (com provável conhecimento americano) concluíram que o mais eficaz mesmo é usar da velha tática do homo sapiens: MATAR!

Serviços secretos de países vêm cometendo matanças a bel prazer desde quando foram inventados. A conversa no final das contas é sempre a mesma: nós, os bonzinhos, matamos os caras maus. E o serviço secreto de Israel, o Mossad, é especialista em “ajudar” a humanidade a se livrar dos “malvados”.

Danificar uma centena de centrífugas foi legal, mas a inteligência da coisa continuou firme e forte, ou seja, os cérebros ainda estavam vivos e funcionando muito bem. O mais brilhante deles? Mohsen Fakhrizadeh, de 62 anos, chefe máximo do programa nuclear iraniano.

Ele foi assassinado como numa cena de filme (assistam O Chacal, 1997), numa emboscada nos arredores da capital Teerã. Fakhrizadeh foi atingido por tiros de uma metralhadora controlada via satélite, que estava instalada dentro de um carro parado.

Uma vez mais os iranianos foram humilhados, dessa vez dentro da própria casa. Mas uma coisa é certa: quem apanha nunca esquece.

87. Monstro HumanoBrasil


Valença, Rio de Janeiro, Brasil | 27 de Novembro

Janitom Celso Rosa Amorim, de 39 anos, tinha um histórico de denúncias na polícia militar do Rio de Janeiro, denúncias as quais pareciam servir apenas como preenchimento burocrático de papéis na instituição porque durante mais de uma década ele continuou nas ruas exercendo sua autoridade policial sem sofrer nenhum tipo de punição. E a impunidade, aliada à sua sensação de “autoridade”, ignorância e maldade, foi uma das variáveis que o levou a figurar nesta infame lista.

Lembremos que há um abismo entre pessoas que denunciam daquelas que optam por ficarem caladas. E quando falamos de policiais, então, esse abismo pode ter a massa de um buraco negro. No caso de Janitom, a primeira denúncia oficial contra ele veio em 2010 quando o irmão de uma namorada compareceu até uma delegacia de polícia para denunciar que ele espancava a mulher. A denúncia posteriormente foi engavetada.

Três anos depois, um homem fez outra denúncia contra o PM. Segundo a vítima, Janitom, sem farda, o abordou e começou a revistá-lo, então passou a agredi-lo com socos, colocando um revólver em sua barriga. No dia seguinte, a vítima foi novamente abordada pelo policial que colocou uma pistola em sua cabeça e o arrastou até um carro. Com as portas abertas para encobrir a cena, Janitom determinou que o homem arriasse a bermuda e a cueca para “revistá-lo”.

No mesmo ano, outra vítima relatou à polícia ter sido agredido pelo PM em um posto de gasolina.

O PM continuou com sua brutalidade pelos anos seguintes (e é assustador notar que a Polícia Militar tenha tais indivíduos em seu quadro e, pior, “passe pano” pra eles).

No fim de novembro de 2020, Janitom decidiu se vingar de sua ex-namorada, Mayara Pereira de Oliveira, de 31 anos, que meses antes havia terminado com ele. O PM a sequestrou no estacionamento de uma faculdade e a manteve refém durante 2 horas e meia, período o qual a polícia cercou o lugar e tentou negociar sua rendição. Como resposta, o homem colocou o cano do revólver dentro da boca de Mayara e puxou o gatilho. Então saiu andando tranquilamente.

Estranhamente este horrendo e brutal assassinato cometido por um bandido fardado foi ignorado.

Vídeo: veja abaixo um vídeo gravado por populares:

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88. Massacre de CamponesesNigeria


Aldeia de Zabarmari, Borno, Nigéria | 28 de Novembro

Um brutal massacre de camponeses no nordeste da Nigéria ceifou a vida de 110 pessoas perto da aldeia de Zabarmari, nos arredores da capital do Estado do Borno, Maiduguri.

Todas as vítimas eram camponeses que trabalhavam plantando arroz. Elas não eram daquela região da Nigéria, mas devido ao desemprego, viajaram cerca de mil quilômetros para encontrar emprego nos campos de arroz. Elas tiveram as mãos amarradas atrás do corpo e foram degoladas, algumas tiveram a cabeça arrancada.

O massacre aconteceu apenas um mês depois de outro: 22 camponeses que trabalhavam em campos de irrigação nas imediações de Maiduguri encontraram o mesmo destino. Incidentes separados, mas perpetuados pelo mesmo grupo assassino: Boko Haram.

De acordo com a milícia jihadista, os “descrentes” foram massacrados por supostamente cooperarem com os militares.

Vídeo: veja abaixo um vídeo gravado no local do massacre.

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89. Enlouqueceu?Estados Unidos


Lancaster, Califórnia, Estados Unidos | 29 de Novembro

Acusado: Maurice Jewel Taylor

Idade: 34 anos

O Crime: um duplo assassinato horrível, cujos detalhes ainda são desconhecidos, choca pelo parentesco entre as vítimas. Já havia alguns dias que o personal trainer Maurice Jewel Taylor não aparecia para suas aulas via Zoom e seus alunos começaram a ficar preocupados. Eles passaram a se perguntar sobre o sumiço de Taylor, um pai de família e, suspeitos de que algo de muito ruim tivesse acontecido, como um vazamento de gás na casa, chamaram os bombeiros. Quando os bombeiros chegaram, encontraram a família toda dentro da casa: Taylor, sua esposa e os quatro filhos do casal — dois deles, Maliaka Taylor, de 13 anos, e Maurice Taylor Jr., de 12, estavam decapitados, cada um deitado em suas camas, em quartos separados. Os dois outros filhos menores estavam presos dentro de um quarto há dias sem comida. A polícia americana prendeu Taylor e o acusou dos assassinatos dos filhos. Ele aparentemente manteve a família refém por vários dias e até obrigou os filhos menores, de 8 e 9 anos, a verem os cadáveres dos irmãos mais velhos decapitados. As autoridades não divulgaram mais detalhes e a fiança de Maurice foi estipulada em mais de quatro milhões de dólares.

90. Sob os cuidados dos avós IIRússia


Kemerovo, Sibéria, Rússia | Dezembro

Vítima: Dima

Idade: 2 anos

O Crime: no ano passado [ver Crime 8] trouxemos o caso do russo Maxim Sagalakov, um fofinho bebezinho de 11 meses de idade, sufocado e jogado vivo em um forno pelos avós. Eles estariam embriagados quando cometeram tal barbárie. Em 2020 a história se repetiu. O casal Maria, 20 anos, e Dmitry Shcherbakovy, 25, deixaram o filho do casal, o pequenino Dima, de 2 anos, com os avós, pois precisavam sair para resolver alguns problemas. Embriagados, e não sabendo lidar com o choro incessante da criança, o casal, de 52 e 48 anos, estrangulou Dima e o “jogou em um forno escaldante”. Quando os pais chegaram para buscar o filho, encontraram apenas as roupas dentro da casa. Eles saíram em meio à neve, enfrentando uma temperatura de -20 graus Celsius para procurar por Dima e descobriram o que restou de seu cadáver carbonizado não muito longe da casa dos avós. O casal foi preso.

91. Vale Tudo por LikesRússia


Moscou, Rússia | 3 de Dezembro

Até que ponto os Millennials podem chegar?

Valentina Grigorieva, de 26 anos, parecia não se importar em ser constantemente humilhada pelo namorado youtuber Stanislav Teshetnikov (conhecido como Reeflay), afinal, eles supostamente estavam fazendo algo cool: bizarrices em troca de likes de uma audiência adolescente.

Isso parecia ser normal para o casal. Ele a obrigava a comer lixo, barro ou sentava em seu rosto. Em um de seus últimos vídeos Stanislav puxa o cabelo da garota e espirra um spray de gás pimenta em seu rosto. A audiência patética, claro, deu muitos likes e comentários para o casal igualmente patético.

No início de dezembro, em mais um “incrível” vídeo para seus seguidores, Reelflay fez uma live onde mais uma vez humilhou sua namorada com tapas na cara e puxadas de cabelo. Extasiados, seus seguidores riram quando ele finalmente a chutou para fora de casa, apenas de roupas íntimas, gritando que ela cheirava mal.

Horas depois, quando o youtuber abriu novamente a porta para permitir a entrada de Valentina, a moça estava imóvel na rua. Ele a arrastou para dentro da casa e, vendo que ela não acordava, começou a sacudi-la e a fazer uma massagem cardíaca: “Viva, viva!”, gritava ele. Depois a colocou no sofá e se sentou diante da câmera choramingando e pedindo conselhos aos seus seguidores. Quando o socorro chegou, provavelmente alertado por algum seguidor, e durante todo o processo até a certificação da morte de Valentina, o youtuber continuou transmitindo. Nem quando a polícia chegou ele encerrou a live, afinal, toda aquela história poderia lhe render uns bons likes e mais uma pancada de seguidores, quem sabe a coisa toda não se tornava um viral.

Imagem da live mostra o youtuber Stanislav Teshetnikov tentando acordar a sua namorada morta.

Valentina, que estava grávida, faleceu devido ao frio extremo e Teshetnikov foi preso. Seu canal foi imediatamente encerrado pelo YouTube.

No fim, não estamos nem um pouco longe de Black Mirror.

92. Espírito Maligno


Aldeia de Matova, Zimuto, Zimbábue | 4 de Dezembro

“Eu suspeito que ele esteja sendo atormentado por um espírito vingativo. Ele pode ter matado uma pessoa em Mberengwa onde ele estava garimpando por ouro desde 2018. Ele começou a agir estranhamente após voltar de Mberengwa. Ele sempre ameaçou matar pessoas e estava agindo de modo estranho”.

[Brine Chitiga]

A família de Clever Chitiga, de 22 anos, já havia notado o quanto o jovem estava diferente após voltar de uma temporada no Distrito de Mberengwa, onde era garimpeiro e supostamente teve contato com Juju — um sistema de crença espiritual que incorpora objetos, tais como amuletos, utilizando de feitiços para trazer ou levar boa sorte (ou má, dependendo de quem o pratica).

E Juju foi o que sua família apontou como uma das causas do que ele fez no início de dezembro a um de seus sobrinhos, um ato tão horripilante que fez este jovem que morava nos confins do Zimbábue sair do anonimato direto para os 101 Crimes Notórios e Horripilantes de 2020.

Trevor Mapwashike, tinha 9 anos, e quem descobriu o seu paradeiro após o menino sumir foi o próprio pai. Na verdade, ele descobriu o que sobrou de Trevor.

“Eu quase desmaiei após forçar a porta até um dos seus quartos. Uma trilha de sangue, que acreditávamos ser do meu filho, nos levou até a sua cabeça que estava dentro de uma grande panela. Minha mãe, que me acompanhou até a casa do Clever, usou um pau para mexer a cabeça para que pudéssemos ver o que era e, para nosso choque, era a cabeça do meu filho que estava sendo cozida.”

[Henry Chitiga]

O pequeno Trevor estava brincando nas redondezas quando raios e trovões anunciaram o que viria a seguir: muita chuva. Parece até mesmo uma cena de filme de terror: raios, trovões e chuva numa aldeia remota fecham o tempo e a criança aparece para pedir abrigo na casa de um desconhecido que gentilmente abre a porta da sua casa. Mas, nesse caso, Clever era tio de Trevor.

Após decapitar a criança, Clever raspou os cabelos, cozinhou a cabeça em água quente e depois a bateu em um pilão, antes de novamente ferver o resultado na panela, claramente preparando-a para consumo. O resto do corpo foi enrolado em um mosquiteiro e jogado em uma barragem próxima, como confirmou a polícia do Zimbábue.

“Tudo o que eu posso dizer é que o que aconteceu aqui é estranho e os Mapxashikes precisam consultar curandeiros e profetas tradicionais para limpar sua família porque há um espírito maligno que precisa ser expulso.”

[Morgan Virima, líder da aldeia]

A própria família Chitiga perdoou Clever alegando que ele só poderia ter cometido tal ato porque estava “possuído por um espírito maligno”. Antes de matar a criança, ele supostamente incendiou um veículo da família. Para a polícia, entretanto, possuído ou não, Clever passará seus dias vendo o sol nascer quadrado enquanto a justiça não decide o seu destino.

93. “Mirar na cabecinha e… fogo!”Brasil


Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Brasil | 4 de Dezembro

“O que aconteceu com essas duas crianças, em um bairro predominantemente negro e pobre longe do centro do Rio, é a síntese do que o Brasil escolheu como sua política de segurança pública: o extermínio de invisíveis e indesejáveis.”

[Cecília Olliveira, Especialista em Segurança Pública]

As mortes de duas crianças negras — que juntas não passavam dos 11 anos de idade — causou revolta (em uma minoria da população) e intensificou o debate sobre violência policial e racismo estrutural num país cuja população negra ultrapassa os 50%.

As primas Emily Victoria Moreira dos Santos, de 4 anos, e Rebeca Beatriz Rodrigues Santos, de 7 anos, brincavam na calçada de casa quando foram mortas com tiros de fuzil, possivelmente disparados por policiais militares quando tentavam abordar duas pessoas numa motocicleta na comunidade Santo Antônio.

Crianças carregam bonecas cobertas com sangue falso durante manifestação pelas mortes de Emily e Rebeca. Foto: G1.

O duplo assassinato causou indignação na comunidade e os moradores de Duque de Caxias fizeram um protesto pedindo por justiça, entretanto, a matança, seja ela de negros, mulheres ou “indesejáveis” já foi normalizada pelo estado e banalizada pela sociedade brasileira.

“A morte de Emily e Rebeca motivará novos protestos, personalidades públicas farão pronunciamentos indignados, matérias e artigos jornalísticos (como o que você lê agora) serão escritos para marcar a tragédia.

As autoridades policiais prometerão investigação e punição rigorosa.

Cumprido esse roteiro, em alguns dias tudo terá voltado ao normal. Os dramas cotidianos dos moradores das comunidades serão novamente cobertos com o manto da invisibilidade e a vida seguirá seu rumo.”

[Chico Alves. UOL]

94. BullyingFinlândia


Helsinque, Finlândia | 4 de Dezembro

“Quando eu uso o termo ‘bullying’, estou me referindo à ações consistentes e sistemáticas que podem levar à sérias consequências físicas e psicológicas para a vítima. O bullying neste caso foi tão sério que levou a um homicídio e à morte do bolinado”.

[Marko Forss, detetive chefe do Departamento de Polícia de Helsinque]

Em um país desacostumado com assassinatos (em 2018, por exemplo, foram registrados apenas 90), causou estarrecimento nos finlandeses um homicídio cometido por três adolescentes de 16 anos que mataram um amigo, também de 16, à pancadas no meio da rua. O motivo? Nenhum. Apenas bullying. 

“Coisas como essa não deveriam acontecer sob quaisquer circunstâncias em uma sociedade saudável. Vocês devem se perguntar o que leva pessoas a cometerem um ato tão chocante quanto este”, disse a Ministra do Interior Maria Ohisalo.

Os detalhes do crime não foram divulgados e provavelmente não serão até pelo menos fevereiro de 2021, data marcada para a primeira audiência judicial pré-julgamento dos acusados. O que se sabe é que os quatro adolescentes eram amigos, mas um deles, a vítima, sempre sofreu bullying dos outros três. Em 4 de dezembro, o bullying se tornou um assassinato torpe quando os três bolinadores espancaram até a morte o amigo, deixando-o no meio da rua e discutindo posteriormente o que fazer com o corpo. A vítima, segundo a polícia, em nenhum momento reagiu ou tentou fugir dos amigos bolinadores e vídeos do crime foram encontrados nos celulares dos acusados.

Em uma sociedade avançada, com governantes e líderes técnicos, diferenciados e que caminham ao lado da luz da ciência, o que pode parecer um assassinato comum para muitos (pelo menos na maioria dos países, incluindo o nosso), na Finlândia foi o contrário. Autoridades vieram a público para comentar sobre o crime e mostrar indignação, mas não apenas isso, eles vieram com ações a serem tomadas para prevenir que tal barbárie volte a acontecer.

“Devido ao significado social da questão, é importante enfatizar a gravidade da suspeita e o quão excepcionalmente cruel e brutal foi o crime sob investigação. A polícia espera que o caso provoque um debate público mais amplo e, com o tempo, as mudanças necessárias na forma como várias operadoras podem garantir que nada parecido aconteça novamente.”

[Jonna Turunen, superintendente do Departamento de Polícia de Helsinque]

“O bullying é, em suas piores formas, uma atividade criminosa. Já conversamos sobre o assunto com os ministros e um plano de ação para combater o bullying e a solidão está sendo elaborado no Ministério da Cultura e Educação.”

[Maria Ohisalo]

95. Instagrammer EstripadoraMoldávia


Comrat, Gagaúzia, Moldávia | 11 de Dezembro

Recentemente chegada da Alemanha onde estava a trabalho, Praskovya Leikovic, de 40 anos, voltou suas atenções à sua filha Anna Leikovic, de 21, que apesar de ter uma vida boa proporcionada pela mãe, teimava em ir pelo caminho errado.

Como milhões de jovens da atualidade, a universitária gostava de se exibir no Instagram com poses sensuais em locais instagramáveis. Esguia e bonita, Anna tinha um namorado e cada vez mais se comportava de forma rebelde. Suspeitando que a filha usava drogas, Praskovya conseguiu uma clínica de reabilitação para Anna iniciar um tratamento, mas a filha se tornou agressiva, recusando-se a se tratar.

A tensão na casa chegou a um nível animalesco em 11 de dezembro de 2020 quando, após uma discussão, Anna pegou uma faca e esfaqueou a mãe diversas vezes. Praskovya, que não morreu imediatamente, foi “submetida a uma morte sangrenta e frenética” pelas mãos da própria filha.

Enquanto a mãe ainda estava viva, Anna abriu o seu tórax e arrancou-lhe o coração que ainda pulsava. Não satisfeita, ela retirou outros órgãos internos como os pulmões e intestinos, tudo com uma faca de cozinha. Como se nada tivesse acontecido, ela lavou a faca e a si mesma, e saiu para se encontrar com o namorado.

Praskovya Lekovic foi brutalmente assassinada pela própria filha. Ela foi estripada e teve o coração arrancado.

Jovem problemática na vida real, mas “perfeita” na virtual, Anna Lekovic gostava de se exibir em poses sensuais no Instagram.

Dias depois, ao participar de uma audiência, Anna apresentou um comportamento bizarro, chegando a se deitar no banco enquanto limpava as unhas, depois subiu e ficou em pé no banco. Quando uma jornalista perguntou o porquê de ela ter assassinado a mãe, Anna deu uma risada esquisita e saiu dizendo “adeus”.

A mídia da Moldávia afirma que ela estaria sob efeito de drogas quando matou a mãe.

Presa por 30 dias, ela foi enviada para a mesma prisão onde está o seu pai Vasily Aladov e seu tio Vitaly Aladov (um candidato de extrema-direita que disputou eleições parlamentares em 2019 e que foi preso após fazer diversas ameaças a concorrentes, principalmente mulheres, usando em sua campanha agressiva uma “linguagem chula” e violenta).

Vídeo: veja abaixo imagens da audiência.

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96. MartírioGrécia


Costa da Grécia, Grécia | 19 de Dezembro

Há vários anos existe uma tragédia que já custou milhares de vidas e todos os dias continua custando sem que ninguém se importe, e esse é o caso dos refugiados. A desumanidade da raça humana é tão sistêmica que se o nosso semelhante estiver com apenas uma mão segurando para não cair de um penhasco, nós vamos lá e pisamos em seus dedos, apenas para vê-lo cair, com indiferença e, pior, acreditando que aquilo é o certo a se fazer.

Este não é um post com objetivo de descrever o problema dos refugiados ou o calvário pelo que milhões deles passam, mas citando alguns grãos de areia que compõem o deserto, é possível ter uma ideia do que acontece todos os dias em nosso mundo enquanto você assiste ao paredão do incrível reality show ou discute sobre a nova polêmica da cantora teen.

Um desses grãos foi descrito quando 30 refugiados foram metralhados em uma casa na Líbia. Para aqueles que conseguem sair do norte da África e enfrentar o oceano em direção à Europa, o tormento não é menor.

Um exemplo do que acontece a essas pobres almas veio em 21 de dezembro quando o Ministro do Interior da Turquia, Süleyman Soylu, se dirigiu aos seus cinco milhões de seguidores no Twitter com a seguinte mensagem:

“Querida @YlvaJohansson Tortura e tratamento desumano pela Grécia agora se tornou assassinato. A Grécia não será responsabilizada por esses assassinatos ignorados pela @Frontex?”, diz o ministro, se endereçando à sueca Ylva Johansson, comissária da União Europeia para assuntos domésticos, o que inclui estratégias sobre a problemática dos refugiados (ele também cita a Frontex, agência reguladora da guarda costeira da Europa).

O Tweet veio dias após a guarda costeira da Turquia resgatar vários migrantes à deriva na costa do país. Um vídeo do momento do resgate de um deles foi postado pelo ministro e o refugiado conta a triste história de como ele e outros refugiados foram capturados pela guarda costeira da Grécia e, ao invés de serem ajudados, foram assassinados!

Diz o refugiado no vídeo:

“Nós fomos pegos pela polícia grega ao meio-dia. Nós fomos mantidos no oceano por cerca de 4, 5 horas. Então, eles pegaram o nosso dinheiro e sacolas. Eles bateram em nós. Eles puxaram os cabelos das mulheres. Depois, eles trouxeram um bote separado. Eles embarcaram forçadamente cinco pessoas no bote. Enquanto eles estavam indo o bote foi perfurado, duas pessoas sobreviveram e três perderam suas vidas. Eles nos colocaram em um bote separado e os mortos em outro bote. Eles nos forçaram a entrar em três botes pequenos sem motor às seis da manhã. Eles nos deixaram no meio do oceano. Eu chamei a guarda turca para nos resgatar. A guarda turca veio e nos resgatou.”

Como todo bom político que se preze, o turco Soylu não perdeu a oportunidade de se mostrar “indignado” com o cruel comportamento de seus (inimigos) vizinhos gregos, entretanto, acredito que o ministro tenha se esquecido, coitado, de que sua própria Turquia extermina refugiados que tentam entrar em seu território, como mostra esse relatório da VDC e essa reportagem da Human Rights Watch.

Nos “101 Crimes Notórios e Horripilantes de 2016” [Ver Crime 30], escrevemos sobre o eritreano Medhanie Yehdego Mered, cabeça de uma rede de tráfico humano que prometia aos refugiados a travessia até a Europa. Os que não podiam pagar ou tinham alguma dificuldade financeira eram assassinados, esquartejados, tinham seus órgãos removidos para venda ou a carne comida em banquetes canibais.

A vida dos refugiados é um verdadeiro filme de terror. São mortos no meio do deserto para venda de seus órgãos, comidos, metralhados em “casas de concentração” ou afogados no mar pelos europeus. Aqueles que finalmente chegam à Europa são mantidos em campos de refugiados que mais parecem campos de concentração, a exemplo do que se faz na Hungria e em outros países. A minoria que consegue andar nas ruas e ter um emprego após passar por toda burocracia para se regularizar, corre ainda o risco de ser massacrada por assassinos em massa de extrema-direita como o citado neste post, Tobias Rathjen.

Segundo Tobias, “nem todo mundo que possui um passaporte alemão hoje é de raça pura e, portanto, valioso”.

97. “Meu papai é um policial!”Filipinas


Paniqui, Tarlac, Filipinas | 20 de Dezembro

Em uma bela manhã de domingo, um policial fora de serviço em uma cidade rural nas Filipinas executou a sangue-frio uma mãe e um filho, atirando na cabeça de cada um à queima-roupa e depois nos corpos no chão. A ação covarde foi registrada por telefones celulares e logo os vídeos estavam na Internet, se tornando virais em menos de uma hora, causando revolta não apenas nos filipinos como também em países vizinhos.

Tudo aconteceu em Paniqui, uma cidade que vive do cultivo de arroz, e muitos dos que ali estavam vinham de cidades maiores, aproveitando as curtas férias de fim de ano para curtir o Natal e Ano Novo com a família.

Sonya Gregorio, de 52 anos, e seu filho Frank Anthony, de 25, estavam reunidos com amigos no espaço aberto entre as casas simples que se aglomeram à beira dos arrozais, se divertindo e soltando boga, um fogo de artifício improvisado feito de tubo pvc.

Jonel Nuezca, um sargento-chefe da polícia, que estava passando uns dias em Paniqui, chegou com sua pistola de serviço e sua filha de 13 anos a reboque querendo acabar com a diversão e suposta barulheira da boga, entretanto, a discussão rapidamente se voltou para uma antiga rixa que eles tinham sobre o direito de uma passagem entre as casas do vilarejo.

O que se segue é documentado a partir de filmagens feitas por moradores locais.

Nuezca ameaça fisicamente Anthony, sacando sua arma e declarando que iria prendê-lo, entretanto, é claro que Anthony não cometeu crime algum e, principalmente, Nuezca está fora de serviço. O comportamento de Nuezca não surpreende tendo em vista que nas Filipinas a força policial se transformou praticamente em juízes das ruas, escolhendo quem morre e quem vive, tudo sob a benção do presidente do país, Rodrigo Duterte. Um verdadeiro extermínio. (Para um texto a respeito veja o Crime 43 dos “101 Crimes de 2016”).

Uma mãe vendo tal situação não iria ficar olhando. Sonya agarra o filho, envolvendo-o com os braços no peito, tentando desesperadamente protegê-lo do policial que tentava arrastá-lo. Vizinhos e crianças gritavam de medo e raiva, impotentes. O que eles poderiam fazer? Chamar a polícia?

Em dado momento, a filha adolescente de Nuezca grita, em tom ameaçador, se dirigindo à Sonya: “Meu pai é policial!”. “Eu não me importo”, responde Sonya. Então, acontece o inimaginável: Nuezca simplesmente atira nas cabeças de mãe e filho. Enquanto dezenas de testemunhas gritam desesperadas, ele mira mais uma vez nos corpos inertes, acertando mais tiros nas cabeças. Numa cena surreal, ele diz, “Missão cumprida”, coloca o braço em volta da filha e os dois saem caminhando como se nada tivesse acontecido.

Florentino Gregorio durante o velório da sua esposa e filho, assassinados pelo policial filipino Joel Nuezca. Foto: Lisa Marie David, Reuters.

Tranquilamente, Nuezca se dirigiu até uma delegacia de polícia da cidade vizinha. Ele contou o que havia acontecido. Obviamente, ele esperava impunidade, afinal, são o que policiais filipinos fazem desde a implementação, há quatro anos, do projeto “bandido bom é bandido morto” do presidente de seu país. O que ele não calculou, entretanto, é que os vídeos de seu crime se tornassem virais gerando uma tempestade de protestos que cruzou as fronteiras chegando a países como Cingapura.

Centenas de milhares de mensagens furiosas nas redes sociais se seguiram, com as hashtags #StopTheKillingsPH, #JusticeforSonyaGregorio, #EndPolicebrutality, #PulisAngTerorista e #OUSTDUTERTENOW se tornando trending topics no Twitter.

A onda de indignação foi tamanha que o próprio Rodrigo Duterte fez um discurso não programado à nação, no qual chamou Nuezca de “louco”, citando o episódio como “um incidente isolado”. O discurso de Duterte faz sentido, homens como ele usam a massa para não sujar as próprias mãos e quando algum seguidor se complica, é largado em meio às cobras pelo próprio líder. Sonya e Frank não foram os primeiros, ou seja, não foi um “incidente isolado”. Nuezca já havia cometido assassinatos antes e tinha várias acusações, que incluía uso de drogas, má conduta policial e obstrução da justiça. Seu caso é um exemplo clássico da impunidade policial criada pelo genocida Rodrigo Duterte (que caminha a passos largos para um dia finalmente ser condenado por crimes contra a humanidade).

Vídeo: veja abaixo o vídeo que causou repulsa na Ásia.

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98. + Feminicídios no Brasil e no MundoBrasil


Rio de Janeiro, Brasil | 24 de Dezembro

O ano de 2020 deu continuidade ao extermínio de pessoas do sexo feminino que ocorre globalmente e o Brasil, mais uma vez, contribuiu significativamente para essa matança. Ainda não existem dados oficiais sobre o número de mulheres mortas no país em 2020, mas sabe-se que desde 2017 são assassinadas, em média, 4.600 mulheres no Brasil.

Em 2020, o caso mais comentado foi o da juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, de 45 anos, esfaqueada pelo marido na frente das próprias filhas — duas gêmeas de 7 anos e outra filha de 9. Um vídeo do momento, capturado por uma testemunha, mostra o desespero das filhas do casal, gritando para o pai parar, enquanto assistem a mãe agonizando e quase imóvel no chão. Quando guardas chegaram e o prenderam, o assassino “balançou os ombros como se dissesse ‘tanto faz, tanto fez'”.

Três meses antes, Viviane havia comunicado o marido sobre o desejo de se separar. Ele se tornou violento e ela fez uma queixa na polícia, recebendo proteção policial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro [possibilidade que nenhuma outra mulher no Brasil tem]. Posteriormente, ela dispensou a escolta e na véspera do Natal de 2020, ao levar as filhas para visitar o pai, foi covardemente assassinada pelo marido, o engenheiro Paulo José Arronenzi, de 52 anos.

O caso “chocou” as autoridades que vieram com suas notas de repúdio, incluindo o STF, CNJ e a Defensoria Pública — todos clamando por “providências” e que haja um “enfrentamento” à violência contra a mulher (como se não fossem eles os responsáveis por promover tudo isso). Essa indignação, porém, só veio porque a vítima era uma magistrada. Mais de quatro mil mulheres já haviam sido mortas no Brasil em 2020, mas foi somente com o triste caso da juíza Viviane que as autoridades mostraram repulsa. Por experiência, quando a onda do calor indignatório se dissipar, todos voltarão para suas vidas burocráticas e confortáveis até um próximo feminicídio acontecer para “abalar a sociedade” e exigir mais notas de repúdio (normalmente envolvendo alguma mulher branca bonita ou de classe média alta).

Onze outros casos de feminicídios ocorridos em 2020 no Brasil:

  • Manaus, Amazonas | 11 de Maio

A universitária Kimberly Karen Mota de Oliveira, de 22 anos, ganhadora do concurso Miss Manicoré 2019, foi morta à facadas pelo namorado Rafael Rodrigues, de 31 anos, que teria ficado enciumado ao ler mensagens no celular da vítima. O pai de Rafael, um senhor de 60 anos, após saber que o filho era um assassino, cometeu suicídio. Não bebia, não fumava nem usava drogas, mas teve um amor avassalador e ficou cego”, disse a mãe do rapaz, Maria de Fátima Fernandez.

  • Águas Lindas de Goiás, Goiás | 26 de Junho

Janária Beatriz Pereira da Conceição, de 29 anos, foi espancada e apedrejada até a morte pelo namorado Lucas Santos de Sousa, de 27. O homem era foragido da justiça por ter cometido um assassinato em 2012. Solto para a saidinha do Natal de 2019, ele não voltou para a cadeia. Câmeras de segurança flagraram o feminicídio. A vítima e o namorado caminhavam quando, de repente, Lucas deu um tapa no rosto de Janária e começou as agressões.

  • Santa Rosa, Rio Grande do Sul | 25 de Agosto

Possessivo e extremamente ciumento, Jandir Scarantti, de 28 anos, proibia a namorada Liziane Beatriz Bastos, de 25, de estudar, trabalhar ou conversar com homens. Ela simplesmente não podia fazer nada se a sua devida autorização. Sentindo-se pressionada e controlada, Liziane ameaçou terminar o relacionamento. Em resposta, Jandir, que era açougueiro, a matou e a esquartejou, cometendo suicídio em seguida com um tiro de arma de fogo. Em sua casa, a polícia encontrou na geladeira carne e um pedaço de osso.

  • Paulo Afonso, Bahia | 10 de Novembro

Cintia Maria da Silva foi encontrada morta com sinais de enforcamento na casa onde morava com o companheiro, no bairro do Moxotó, em Paulo Afonso, no norte da Bahia. De início, a polícia pensou em suicídio, mas tudo era uma armação do companheiro da vítima. A perícia concluiu que Cintia foi asfixiada e a justiça emitiu uma ordem de prisão contra o homem, mas ele já havia fugido. Ele permanece foragido.

  • Blumenau, Santa Catarina | 26 de Novembro

Daiana dos Santos da Silva, de 27 anos, foi assassinada à facadas pelo ex-namorado que não aceitava o término do relacionamento. O crime chocou conhecidos, pois ninguém esperava que o homem, descrito como “calmo e tranquilo”, pudesse cometer tal ato. Neylor Eduardo de Siqueira Dias, de 33 anos, foi preso em sua casa. O casal estava separado havia três meses e aparentemente Daiana não suspeitava que o ex-companheiro fosse violento.

  • São Paulo, Brasil | Dezembro

Rosângela Sousa Silveira, de 37 anos, morava nos Estados Unidos e veio até o Brasil para cuidar da mãe que havia contraído a Covid-19. Aqui, começou a namorar o vizinho, Jose Tadeu. Não aguentando mais o namorado possessivo e ciumento, Rosângela decidiu terminar o relacionamento, então Tadeu colocou fogo na casa da ex-namorada e trancou a porta. Rosângela sofreu queimaduras terríveis e faleceu. Tadeu fugiu e continua foragido 

  • Água Doce do Maranhão, Maranhão | 6 de Dezembro

Maria Eliete Dias, de 19 anos, foi assassinada pelo companheiro com golpes de madeira, foice e ferro. Francisco das Chagas Silva Correia, de 57, foi preso dias depois no Ceará e confessou o crime.

  • Planaltina, Goiás | 10 de Dezembro

Inconformado com o fim do relacionamento, Josimar Benedito Paiva, de 42 anos, assassinou a ex-namorada, Giane Cristina Alexandre, de 36, e a mãe dela, Maria Madalena Cordeiro Neto, 65, após torturá-las por horas. Giane foi sufocada enquanto Maria foi esganada. O duplo assassinato foi cometido na frente do filho de Giane, uma criança de apenas 6 anos de idade. “A gravidade concreta dos fatos é certa. Com efeito, o autuado já vinha de algum modo planejando o crime e acabou por praticá-lo contra mulher e mãe, dentro da residência dela, e ainda na presença de outros familiares, gerando terror desnecessário”, escreveu o juiz para justificar a prisão por tempo indeterminado do acusado.

  • Ceilândia, Distrito Federal | 11 de Dezembro

Em um crime horrendo, Ricardo Silva Souza, de 35 anos, assassinou a namorada Maria Jaqueline de Souza, de 34, na casa de Ricardo. Era a primeira vez que Maria visitava o lugar. Não demorou e após ouvir gritos, um vizinho chamou a polícia e após bisbilhotar pela janela da casa do acusado, viu uma cena horrenda. Ele pegou o celular e começou a gravar o assassino esfaqueando a vítima enquanto proferia palavras ligadas à religião. Veja aqui o vídeo.

  • Sobradinho, Distrito Federal | 16 de Dezembro

Vítima de agressões e perseguida pelo companheiro, Luciane Simão Silva, de 42 anos, vivia um relacionamento tempestuoso movido a ciúmes. Suas saídas eram monitoradas, ela não podia estudar ou trabalhar, muito menos frequentar a academia. Se a mulher enfrentasse o companheiro, era enforcada ou espancada. Em 16 de dezembro, Rondinele Pereira da Silva socou tanto a companheira que Luciane ficou irreconhecível, vindo a falecer quatro dias depois.

  • Jaraguá do Sul, Santa Catarina | 24 de Dezembro

Em pleno Natal, Thalia Ferraz, de 23 anos, foi morta a tiros pelo ex-namorado dentro da própria casa. Por mensagem, ele chegou a dizer que ela teria uma “surpresa enesquesivil kkkkkkk”. “Amanhã boa conversa vc. Vai gostar muito vai ve kkkkk…Calma o inferno vai chegar. Gosta de surpresa?”, escreveu Paulo Hening, de 42 anos, em uma mensagem para o WhatsApp de Thalia. Na noite anterior ao crime, o homem foi filmado por familiares da vítima em frente à casa xingando e fazendo ameaças. Veja aqui o vídeo.

Dez outros feminicídios que abalaram o mundo em 2020:

  • Żabbar, Malta | 2 de FevereiroMalta

Centenas de pessoas reagiram com horror ao assassinato de Chantelle Chetcuti, 34, na pequena ilha de Malta em fevereiro de 2020. A mãe de duas filhas foi esfaqueada pelo próprio marido, Justin Borg, 33, com quem mantinha um relacionamento que estava “em ruínas”. A vítima estava num bar quando o marido, visivelmente alterado, entrou e começou a proferir palavras de baixo calão. A discussão continuou do lado de fora do bar, momento em que Borg repetidamente esfaqueou a esposa. Byron Camilleri, Ministro de Assuntos Domésticos e Segurança Nacional, foi ao Twitter e comentou que “mesmo Malta tendo reforçado leis de violência doméstica, nós ainda precisamos fazer muito mais para termos certeza de que nunca mais iremos adicionar outro nome de mulher à lista [de feminicídios]”.

  • Fort Hood, Estados Unidos | 22 de AbrilEstados Unidos

A soldado do exército Vanessa Guillén, de 20 anos, desapareceu do quartel e seus restos mortais esquartejados foram encontrados mais de dois meses depois concretados na beira de um rio. Anteriormente, ela havia reclamado de assédio sexual perpetuado pelo soldado Aaron David Robinson, 20. Quando os restos mortais de Vanessa foram descobertos, Robinson fugiu do quartel e se suicidou em 1 de julho ao ser cercado pela polícia. A hashtag #IamVanessaGuillen se tornou trending nas redes sociais levando inúmeras mulheres militares a compartilharem suas experiências de assédio.

  • Havant, Inglaterra | 21 de MaioInglaterra

Após brigar com os pais, a adolescente Louise Smith, de 16 anos, foi morar com a tia e lá encontrou a morte nas mãos de Shane Mays, 30, marido da tia. Em 21 de maio, querendo estuprar a sobrinha da esposa, Mays atraiu a adolescente até uma floresta e lá a atacou sexualmente, batendo-a posteriormente com pancadas na cabeça antes de queimar o seu corpo. Ela ainda estava viva quando foi incendiada. Em dezembro, o assassino foi condenado a uma pena mínima de 25 anos. “O mais grosseiro abuso de confiança”, citou o juiz.

  • Cidade de Benin, Nigéria | 27 de MaioNigeria

A universitária Vera Uwaila Omozuwa, de 22 anos, foi brutalmente estuprada e assassinada dentro da igreja que costumava frequentar. A visão do corpo seminu numa poça de sangue contrastava com o local onde as pessoas vão para viver a sua fé e estar mais perto de Deus. Protestos se seguiram à sua morte e a hashtag #JusticeForUwa se tornou trending nas redes sociais. O governador do estado de Edo foi ao Twitter dar satisfações à população. Semanas antes, uma adolescente nigeriana de 18 anos sofreu estupro coletivo cometido por 5 “amigos” que a embebedaram para cometer o ato.

  • Bakersfield, Estados Unidos | 2 de JulhoEstados Unidos

Patricia Alatorre, de 13 anos, conheceu Armando Cruz, de 24, no Instagram e foi convencida pelo rapaz a terem um encontro real após Cruz ameaçar divulgar os nudes que ambos trocavam. Ela saiu escondida de casa para se encontrar com Cruz e, quando ela resistiu às suas investidas, foi estrangulada enquanto era estuprada. Mesmo depois de morta, Cruz continuou fazendo sexo com o cadáver, queimando-o depois. Em 6 de julho moradores de Bakersfield fizeram uma vigília em homenagem à Patricia.

  • Chiniot, Paquistão | 17 de Julho

Mohammad Yaqoob estava de olho na sobrinha, uma adolescente de 14 anos chamada Sadia. É que Yaqoob tinha um filho e achou que o casamento dos primos seria um belo negócio para a família. Yaqoob foi, então, até o seu irmão e pai de Sadia, Mohammad Yousuf, e fez a proposta. Acontece que Yousuf já tinha prometido sua filha para outro parente dois meses antes e não podia fechar o “negócio” com o irmão. Enfurecido, Yaqoob armou uma tocaia para a própria sobrinha, jogando gasolina em seu corpo e a incendiando. Ela faleceu no hospital. A família tentou esconder o assassinato, afirmando à polícia que ela se queimou devido a uma explosão doméstica.

  • Teculutan, Guatemala | 5 de OutubroGuatemala

O feminicídio da estudante de Serviço Social Litzy Amelia Cordon, de 20 anos, chocou a Guatemala e levou a uma onda de protestos no país da América Central. Dias depois, Kevin Díaz Cordón, 20, primo da vítima, foi preso sob suspeita de cometer o crime. Como em muitos casos, o feminicida estava na própria família da vítima. Na mesma cidade, a professora Laura Daniela Hernandez, de 22 anos, havia sido morta na semana anterior. Nas estatísticas oficiais, mais de três mil mulheres foram assassinadas na Guatemala desde 2015. 

  • Faridabad, Índia | 26 de OutubroÍndia

Em um caso do chamado “amor jihad”, Nikita Tomar, de 21 anos, foi assassinada pelo homem que a perseguia há anos. Em 2018, o homem, identificado como Tausif, já havia tentado sequestrá-la. A família de Tomar foi até a polícia, que não tomou nenhuma medida. Tausif queria se casar com Tomar, mas a moça só queria estudar. Em 26 de outubro de 2020, câmeras de segurança flagraram quando Tausif e um cúmplice saíram de um carro e tentaram sequestrar Tomar após ela sair de uma prova na faculdade. Ela estava com uma amiga e resistiu, então Tausif atirou à queima-roupa na cabeça de Tomar. Raivosos pelo incidente, protestantes tomaram as ruas de Faridabad e criaram barricadas, exigindo a prisão dos acusados.

  • Mainpuri, Índia | 20 de NovembroÍndia

Chandni Kashyap, de 23 anos, namorava Arjun Kumar, de 25, há oito anos e se casou com ele em 2020 para desgosto de sua família. Kumar era um dálit e agora a família dela tinha que lavar a honra, e isso significava matá-la. Kashyap foi assassinada a tiros pelos próprios irmãos, Sunil, 32, Sushil, 28 e Sudhir, 26, e enterrada na fazenda da família em Mainpuri, no estado de Uttar Pradesh. Entre 2015 e 2019, crimes contra mulheres aumentaram incríveis 66% neste estado indiano, sendo também o estado onde mais se comete crimes contra pessoas de castas inferiores.

  • Gutiérrez, Argentina | 12 de DezembroArgentina

Pablo Arancibia, de 33 anos, se aproximou da adolescente Florencia Romano, de 14, pelo Instagram. Em 12 de dezembro de 2020, ele se encontrou com a menina em uma estação de metrô e a convenceu a ir até a sua casa, onde supostamente estava rolando uma festa. Chegando lá, Arancibia tentou estuprar Romano, que resistiu e gritou por ajuda. Um vizinho escutou os gritos e ligou para o serviço de emergência argentino, que ignorou a ligação (escute aqui a ligação). A adolescente foi degolada e teve o corpo queimado. O caso gerou indignação e a população argentina chegou a incendiar a câmara legislativa da cidade de Mendoza. A hashtag #JusticiaPorFlorencia se tornou trending nas redes sociais.

99. DescontroladoChina


Kaiyuan, Província de Liaoning, China | 27 de Dezembro

Yang Moufeng, de 62 anos, estava frustrado com a vida. Seu filho havia falecido e sua esposa divorciou-se dele. Com uma personalidade solitária e pensamento paranoico, insatisfeito com a sociedade, Moufeng quebrou-se psicologicamente e saiu ensandecido com uma faca na mão na manhã de 27 de dezembro na pequena cidade de Kaiyuan, no nordeste chinês.

Andando como um zumbi, Moufeng passou a esfaquear aleatoriamente pessoas com quem cruzava, deixando um rastro de sangue e corpos pelo chão. Quando a polícia chegou, ele ainda resistiu até ser finalmente subjugado.

O saldo foram sete mortos e vários outros feridos.

Vídeo: clique aqui e veja o momento em que a polícia prende Yang Moufeng.

100. Bondade que mataItália


Frassilongo, Trento, Itália | 29 de Dezembro

Vítima: Agitu Gudeta

Idade: 42 anos

O Crime: nascida na Etiópia, Agitu Gudeta formou-se em sociologia por uma universidade italiana, mas voltou para o seu país de origem para compartilhar o seu conhecimento e ajudar o seu povo. Em 2010, entretanto, fugindo do conflito que assolava a Etiópia, Gudeta voltou para a Itália onde se tornou uma inspiração para outros refugiados. Após trabalho árduo, ela comprou um pedaço de terra e criou um negócio de sucesso chamado “La Capra Felice” (A Cabra Feliz, em tradução literal) — Gudeta fabricava queijos orgânicos e outros produtos alimentícios através do leite de cabra. Vista como um modelo de sucesso de integração de uma refugiada, sua história foi contada em programas de TV, jornais e revistas. Mas eis que a maldade a encontrou onde ela menos esperava. Adams Suleimani, um ganês de 32 anos, a quem Gudeta acolheu em sua casa e o ajudou, empregando-o em seu negócio, a estuprou e a matou com um martelo no fim de dezembro de 2020, causando a tristeza de muitos na Itália.

101. Tio Ganancioso


Aldeia de Mazetese, Mwenezi West, Zimbábue | 29 de Dezembro

No final de dezembro de 2020, Shackmore Dube, de 26 anos, chamou o seu amigo Taruziva Sithole, de 37, para ter uma conversa interessante sobre como eles poderiam ganhar muito dinheiro e até mesmo um carro. É que Dube conhecia um feiticeiro na África do Sul e o homem comprava pedaços de corpos frescos para fazer sua magia, pagando muito bem pela “matéria-prima”. Claro, se fosse uma criança o dinheiro era maior.

Sithole se interessou pelo negócio e até indicou quem poderia ser a vítima: sua própria sobrinha, Irene, de 6 anos de idade. Sithole a mataria e Dube poderia levar a parte do corpo mais valiosa até o bruxo, e eles dividiriam a chuva de dinheiro meio a meio.

Em 29 de dezembro, Irene, que estava na casa do tio, foi assassinada à pauladas, Sithole colocou o seu corpo em um saco e usou um pano para limpar a sujeira. Por volta da meia-noite, Sithole saiu com o saco nas costas para se encontrar com Dube, que espreitava no fim da rua.

Num local afastado, Dube cortou os lábios vaginais de Irene antes de ambos incendiarem o corpo, sobrando quase que apenas cinzas. A polícia conseguiu recuperar partes do crânio, costelas e alguns dentes.

Este não foi o único crime ritualístico que causou repulsa no Zimbábue em 2020. Tapiwa Makore, de 7 anos, foi assassinado na aldeia de Makore em 17 de setembro. A criança foi drogada e desmembrada por dois tios que venderiam partes do seu corpo para um bruxo pelo valor de mil e quinhentos dólares.

Epílogo:


Chegamos ao final de mais uma edição dos 101 Crimes Notórios e Horripilantes.

Se você sobreviveu até aqui, espero que não tenha perdido a fé na humanidade, pois para cada pessoa má existem muitas outras boas que fazem e trabalham para que este seja um mundo melhor para se viver. Seja uma delas! Como citamos todos os anos, o objetivo do post não é deixá-lo paranoico com o mundo, mas apenas dar uma visão realista do que ocorre à nossa volta, mesmo que as coisas não estejam lá muito boas.

Compartilhe o post com seus amigos e deixe o seu comentário. O que achou da lista? Que crime mais te marcou? Alguma sugestão ou crítica? Algum link ou vídeo quebrado? Algum erro ortográfico? Deixe-nos saber sua opinião.

Comente na caixa de comentários abaixo ou nas redes sociais com a hashtag #101Crimes o seu Top 10. Vamos gravar um podcast comentando os 10 piores crimes votados por vocês.

(Infelizmente) até janeiro do ano que vem com a edição de 2021.

Fontes consultadas: clique aqui e veja as principais fontes usadas para consulta.

Por:


Daniel Cruz
Texto, produção, edição e supervisão

Lúcia Almeida
Revisão


Texto | 42. Primitivismo Crônico & 76. Matando o Futuro


Texto | 50. O Assassino do Tambor

Universo DarkSide – os melhores livros sobre serial killers e psicopatas

http://www.darksidebooks.com.br/category/crime-scene/

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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)
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